A Guerra Anglo-Zulu de 1879 testemunhou a invasão do Reino Zulu, na África Austral, por exércitos liderados pelos britânicos, como parte de um plano mais abrangente para unificar diversos territórios num só Estado sob o controlo britânico. Apesar do seu sucesso espetacular na Batalha de Isandlwana, o confronto de abertura em janeiro, os Zulus — armados apenas com lanças — não conseguiram vencer uma guerra contra um inimigo dotado de espingardas, metralhadoras e artilharia. Após o seu exército ter sido destruído em Ulundi, em julho, o Reino Zulu foi dividido em 13 estados subordinados ao domínio britânico.
Os Europeus na África Austral
A Grã-Bretanha controlava a Colónia do Cabo, na África Austral, desde 1806, um ponto de paragem estrategicamente importante para os navios que ligavam a Índia e o Extremo Oriente à Europa. A colónia incluía colonos brancos de ascendência holandesa ou francesa (que se autodenominavam Bóeres, que significa «agricultor», ou Afrikaners, por falarem africânder). Ao longo da década de 1830, à medida que os britânicos proibiam a escravatura e o crescimento populacional exercia demasiada pressão sobre a terra e os recursos, cerca de 14.000 Bóeres migraram para norte. Os Bóeres combateram tanto os povos Ndebele como os Zulu para esculpirem dois novos territórios para si próprios: o Transvaal e o Estado Livre de Orange. Em 1854, os britânicos reconheceram estas duas repúblicas Bóeres em troca do reconhecimento, por parte destas, de que estavam, pelo menos no papel, sob soberania britânica. Outra colónia britânica, o Natal, foi criada ao longo da costa do Oceano Índico, em 1843.
Este canto algo pobre do Império Britânico tornou-se subitamente um dos seus mais ricos quando foram descobertos diamantes em Griqualândia, no final da década de 1860. Esta região foi convertida em colónia da coroa em 1871. Verificou-se um enorme influxo de novos colonos e as exportações aumentaram drasticamente, com os diamantes a representarem um terço do total. À medida que a África Austral se desenvolvia economicamente, foram construídas ferrovias utilizando mão de obra africana barata. Os britânicos, particularmente o novo Secretário das Colónias, Sir Michael Hicks Beach, estavam agora empenhados em unificar a Colónia do Cabo e o Natal com as duas repúblicas Bóeres numa espécie de federação, mas estas últimas desconfiavam do que isso significaria para a sua própria independência. Uma derrota dos Bóeres perante um ataque dos Pedi deu aos britânicos o pretexto para anexarem o Transvaal em janeiro de 1877, alegando que apenas uma presença militar britânica garantiria a segurança. Os britânicos continuavam determinados a criar a sua federação da África Austral, mas um obstáculo sério permanecia a norte do Natal: o Reino Zulu.
O Reino Zulu
Os Zulus eram originalmente um clã do povo Nguni que tinha migrado para a África Austral no século XVI. Por volta da década de 1820, os Zulus tinham construído um império baseado numa cultura marcial, onde a sociedade estava estritamente dividida por regimentos de idade. O mérito da criação deste império centralizado é geralmente atribuído ao Rei Shaka (reinou 1816-1828), que fez com que os seus homens adoptassem a lança curta de estocada (zagaia) e utilizassem a manobra dos «Cornos do Touro», que consistia em envolver ambos os flancos do inimigo (os «cornos») enquanto uma massa sólida de guerreiros atacava pelo centro (o «peito» e os «lombos»). O crescimento do reino Zulu deu-se à custa de outros povos africanos, que foram obrigados a deslocar-se para outros locais, a permanecer e pagar tributo a Shaka ou a serem totalmente absorvidos pela nação Zulu. Os povos conquistados eram recrutados para o exército Zulu e os seus chefes eram selecionados por Shaka. O rei dos Zulus a partir de 1872 foi Cetshwayo (também conhecido como Cetewayo).
As Causas da Guerra Anglo-Zulu
Os britânicos desconfiavam de um Estado tão organizado tão perto das suas fronteiras, mas os Zulus não tinham, de facto, dado sinais de hostilidade para com os seus vizinhos europeus, à exceção da aquisição constante de espingardas europeias sempre que possível. Cetshwayo disse certa vez a um missionário que o visitava:
Amo os ingleses. Não sou filho de Mpande. Sou filho da Rainha Vitória. Mas sou também um rei no meu próprio país e devo ser tratado como tal… Não aceitarei ditames…. Morrerei primeiro.
(Pakenham, pág. 56)
Tanto Sir Bartle Frere, governador da Colónia do Cabo, como Theophilus Shepstone, uma figura proeminente no governo de Natal, estavam empenhados em manter o Transvaal, e o Reino Zulu era visto como uma ameaça a esse objetivo. Além disso, caso os Zulus fossem derrotados, as suas terras poderiam ser entregues aos Bóeres, de forma a dissuadi-los de tentarem recuperar a sua independência. Frere e Shepstone enviaram relatórios falsos para Londres. Estas falsidades descreviam Cetshwayo como um tirano vil, afirmavam incorretamente que os Zulus possuíam um exército permanente e exageravam a dimensão desse mesmo exército. Tais exageros eram necessários para justificar uma guerra numa altura em que o governo britânico já se encontrava envolvido em conflitos noutros pontos do império, nomeadamente na Segunda Guerra Anglo-Afegã (1878-81). Uma nova guerra e a expansão colonial em África pareciam ao governo britânico uma distração insignificante e dispendiosa face a questões mais prementes noutros locais. Frere sabia-o bem e reforçou a sua desonestidade ao ocultar as conclusões de uma comissão que decidira a favor dos Zulus numa disputa territorial com os Bóeres do Transvaal.
Frere e Shepstone anteviam uma vitória rápida sobre os Zulus, a qual daria acesso a excelentes pastagens para a criação de gado e garantiria que os Zulus se tornassem uma fonte de mão de obra barata para as minas, quintas e ferrovias das colónias europeias. O Exército Britânico estava recém-equipado com espingardas Martini-Henry de retrocarga, enquanto os guerreiros Zulus possuíam apenas lanças. Frere estava, contudo, «profundamente mal informado tanto sobre a natureza do reino Zulu como sobre a força das tropas britânicas à sua disposição» (Fage, pág. 392).
A 11 de dezembro de 1878, os britânicos insistiram que Cetshwayo desmantelasse o seu exército, entregasse uma série de guerreiros zulus acusados de entrar em território britânico, pagasse uma pesada multa de 500 cabeças de gado, permitisse missionários cristãos no seu território e autorizasse a presença de um Residente Britânico. A alternativa seria a guerra. O rei zulu teve 30 dias para responder. Cetshwayo ignorou o ultimato ridículo, tal como os britânicos pretendiam que fizesse. O que os britânicos não imaginaram foi que Cetshwayo conseguiria galvanizar os seus guerreiros numa força de combate formidável, homens que lutariam até à morte pela sua pátria. Os zulus não estavam, como os britânicos esperavam, arruinados pela desunião; pelo contrário, uniram-se perante esta nova ameaça ao seu reino.
Isandlwana
O Tenente-General Frederic Thesiger, mais conhecido como Lord Chelmsford (1827-1905), foi nomeado para liderar a expedição britânica ao Reino Zulu. A força de Chelmsford era composta por 7.000 soldados do Exército Britânico, 7.000 auxiliares africanos e 1.000 soldados voluntários brancos, oriundos principalmente de Natal. A força incluía peças de artilharia de campanha e cavalaria local. A 11 de janeiro, os invasores cruzaram a fronteira zulu. O erro crucial de Chelmsford foi dividir a sua força em três colunas independentes (com uma quarta deixada para trás no Rio Tugela como reserva e uma quinta no extremo norte, no oeste da Suazilândia). A 22 de janeiro, Cetshwayo ordenou aos seus guerreiros zulus que atacassem a coluna de invasão central, uma vez que esta parecia ser a mais ameaçadora. Era a coluna liderada pessoalmente por Chelmsford. Esta viria a ser a Batalha de Isandlwana, batizada em honra do grande e peculiar afloramento rochoso nas proximidades.
Na manhã de 22 de janeiro, Chelmsford dividiu a sua coluna central de 4.500 homens, deixando cerca de 1.000 atiradores e os seus canhões no acampamento de pernoita em Isandlwana. Mais tarde nesse dia, 25.000 guerreiros zulus atacaram o acampamento. Os invasores, sem quaisquer defesas preparadas, foram rapidamente aniquilados pela manobra zulu dos «Cornos do Touro». Os sobreviventes feridos foram massacrados. Para agravar a humilhação, o Estandarte da Rainha (Queen’s Colours) do 1.º Batalhão do 24.º Regimento foi perdido (embora recuperado mais tarde num rio). Quando Chelmsford regressou a Isandlwana ao crepúsculo, os zulus já tinham partido. «Dos 1.700 homens que estavam no acampamento na manhã do dia 22, apenas 60 brancos e 400 negros sobreviveram» (Knight, pág. 54). Pelo menos 1.000 Zulus morreram em Isandlwana, um preço pesado pela vitória.
Imediatamente após Isandlwana, entre três a quatro mil guerreiros zulus atacaram um pequeno destacamento britânico no posto missionário vizinho, chamado Rorke's Drift. Este ataque foi contra as ordens de Cetshwayo, uma vez que envolvia cruzar a fronteira para o Natal britânico. Na Batalha de Rorke's Drift, apenas 139 homens do 24.º Regimento de Gales detiveram um ataque massivo dos zulus, um feito tanto mais notável quanto um bom número desses homens eram inválidos. Ao abaterem mais de 500 guerreiros zulus num assalto que durou 12 horas, os defensores conquistaram o respeito dos atacantes, que já se encontravam fatigados após o ataque aos britânicos em Isandlwana e estavam totalmente sem provisões. Acima de tudo, a sobrevivência dos defensores de Rorke's Drift demonstrou a combinação vantajosa de espingardas e defesas muradas que tanto tinha faltado em Isandlwana.
Uma semana após a Batalha de Isandlwana, outro exército zulu cercou mais uma das colunas de Chelmsford na missão abandonada de Eshowe. Os britânicos, que formavam o flanco direito da invasão de Chelmsford, eram aqui liderados pelo Coronel C. K. Pearson. A coluna enfrentou 6.000 guerreiros zulus, que tentavam cercá-la. Pearson tinha à sua disposição uma metralhadora Gatling e várias peças de artilharia de sete libras, as quais provaram ser devastadoramente eficazes contra homens protegidos por nada mais do que escudos de couro de vaca. Os zulus, que tentaram formar o seu ataque de «Cornos do Touro», foram sistematicamente dizimados. Pearson e os seus 1.300 homens conseguiram chegar à missão, mas os zulus cercaram-na à distância. Pearson ordenou aos seus homens que construíssem um reduto formidável que teria resistido a fogo de artilharia, dando assim início a um longo cerco.
A Vingança Britânica
A derrota em Isandlwana chocou os governadores coloniais britânicos e a população de Natal, que temiam uma invasão Zulu iminente. O governo britânico foi informado por telegrama de uma das piores derrotas sofridas pelo Exército Britânico no século XIX. Depois de discussões sobre os custos da campanha inicial, era agora necessário um esforço mais determinado para restaurar o prestígio britânico na África Austral e, acima de tudo, perante rivais coloniais europeus como a França.
Para reverter a derrota em Isandlwana, o governo britânico enviou 17.000 reforços para o Natal. As primeiras novas tropas chegaram ao Cabo da Boa Esperança no final de fevereiro, e mais chegaram via navios de transporte de tropas ao longo de março. Lord Chelmsford entrou agora na Zululândia pela segunda vez. Uma diferença crucial nesta segunda expedição foi o facto de incluir metralhadoras e muito mais peças de artilharia. Como o escritor Hilaire Belloc observou secamente no seu famoso dístico:
Aconteça o que acontecer, nós temos na mão
A metralhadora Maxim, e eles não.
Entretanto, Cetshwayo tinha feito recolher o seu exército de Isandlwana, mas continuava em curso um ataque. Este ocorria no extremo norte, onde se encontrava uma das colunas de Chelmsford, o flanco esquerdo do seu plano de invasão original. Tratava-se da Batalha de Hlobane, batizada em honra da montanha de topo plano onde foi travada. A 28 de março, o comandante britânico, o Coronel H. E. Wood, tentou escalar a montanha, mas foi detido por franco-atiradores zulus, eficazes apesar das suas armas antiquadas. À medida que a coluna britânica se dividia, os zulus atacaram num desfiladeiro estreito e, derrotando a cavalaria invasora, obrigaram Wood a retirar-se, primeiro para o terreno elevado de uma colina próxima, Zungwini, e depois para Kambula.
Na Batalha de Kambula, Wood conseguiu repelir outro ataque zulu porque tomou a precaução de construir fortificações de terra e de reunir as suas carroças em dois laagers. Os canhões de campanha britânicos, que disparavam metralha (shrapnel), revelaram-se decisivos, tal como a total ausência de cobertura natural para os zulus que atacavam. A força britânica perdeu 28 homens e sofreu cerca de 65 feridos. O exército zulu perdeu 3.000 guerreiros, e provavelmente muitos mais ficaram feridos. No entanto, até à chegada de reforços, Wood foi obrigado a conduzir uma guerra de guerrilha nesta zona da Zululândia, em vez de enfrentar o inimigo diretamente em campo aberto.
A segunda marcha de Chelmsford pela Zululândia seguiu a costa e, a 1 de abril, avançou em direção a Eshowe. Os zulus sabiam que tinham de impedir a coluna de se juntar à força cercada de Pearson. Os dois exércitos confrontaram-se perto da aldeia abandonada de Gingindlovu. Sem tempo para preparar defesas significativas, esta poderia ter sido uma segunda Isandlwana, mas Chelmsford conseguiu organizar os seus atiradores, artilharia e metralhadoras num quadrado defensivo formidável, com a vantagem adicional de se encontrar numa ligeira elevação do terreno. A 2 de abril, 10.000 guerreiros zulus atacaram o quadrado britânico. As armas foram responsáveis pela morte de 700 zulus no primeiro ataque. A cavalaria abandonou então a segurança do quadrado e perseguiu os zulus em retirada, abatendo outros 300. Em contraste flagrante, a força britânica sofreu 10 mortos e 69 feridos. Chelmsford marchou depois para Eshowe, onde o cerco foi finalmente quebrado e os homens de Pearson foram libertados. Chelmsford regressou então à região de Natal.
Chelmsford entrou novamente na Zululândia em maio. Cetshwayo estava ansioso pela paz, mas a insistência de Chelmsford na rendição de um regimento zulu inteiro e na entrega de todas as armas e gado capturados era algo que não podia ser cumprido, mesmo que o rei zulu o desejasse. O exército zulu estava agora nas mãos dos seus generais regimentais, e estes estavam determinados a continuar a luta. Chelmsford, ansioso por restaurar a sua reputação após Isandlwana, sentia o mesmo. Desta vez, Chelmsford dividiu a sua força em duas colunas: uma liderada por si próprio, que marchou em direção ao Rio Umfolozi, e uma segunda sob o comando do Coronel Crealock, que se dirigiu para a capital zulu, Ulundi.
À medida que os exércitos se posicionavam lentamente para um confronto decisivo final, ocorreu uma das baixas mais famosas da guerra. Tratava-se de Luís Napoleão, o Príncipe Imperial (1856-1879), filho do antigo imperador francês Napoleão III. Formado como oficial do Exército Britânico e participando numa missão de reconhecimento, o príncipe foi morto numa escaramuça a 1 de junho.
A Vitória Final: Ulundi
Guerreiros armados com lanças que investissem contra espingardas e metralhadoras podiam subjugar estas últimas, mas as elevadas perdas eram claramente insustentáveis. Cetshwayo tentou incutir nos seus generais os benefícios das táticas de guerrilha e de comprometer os britânicos atacando as suas linhas de abastecimento, mas as velhas táticas são difíceis de erradicar, e as cargas frontais contra os quadrados defensivos britânicos continuaram a ser a norma. Foi precisamente isto que aconteceu na Batalha de Ulundi, a 4 de julho, na planície que os Zulus chamavam oNdini.
Os guerreiros zulus vinham a convergir sobre Ulundi há já algum tempo. Os britânicos chegaram finalmente, após terem dedicado uma enorme quantidade de tempo à construção de fortes ao longo da sua rota — uma consequência do desejo de não repetir o desastre de Isandlwana. As duas colunas britânicas convergiram em Ulundi. Chelmsford tinha sob o seu comando 5.300 soldados de infantaria e 900 de cavalaria. O general britânico dispunha também de duas metralhadoras Gatling e 12 peças de artilharia. Esta força foi organizada num quadrado defensivo massivo, com a cavalaria posicionada no seu interior.
20.000 zulus atacaram o quadrado de Chelmsford. Alguns zulus tinham espingardas capturadas em Isandlwana, mas a sua pontaria era fraca, em grande parte porque não seguravam as armas corretamente para gerir o recuo. O ataque foi feito nos quatro lados, mas foi mais intenso no lado norte do quadrado e nos seus dois cantos (nordeste e noroeste). A 550 m (600 jardas), a artilharia e as metralhadoras abriram fogo. A 365 m (400 jardas), as espingardas, organizadas em quatro fileiras, forneceram um fogo de salva contínuo. A cavalaria, posicionada atrás, colaborou com o seu próprio fogo de espingarda, pondo-se de pé nos estribos. A barragem de chumbo era tão densa que nem um só zulu alcançou o quadrado. Uma segunda vaga de ataque pelas reservas zulus revelou-se igualmente fútil. O exército do Reino Zulu fora destruído em apenas 30 minutos. O kraal real em Ulundi foi, então, incendiado.
O Rescaldo
Os correspondentes de guerra enviaram despachos para os seus editores de jornais na Grã-Bretanha. O chefe Zulu e o seu povo foram retratados de forma imprecisa na imprensa britânica como uma nação que só poderia ter sido lidada através da força. Esta citação do jornal Scotsman era típica: «[O Zulu é] um selvagem puro e simples, abjetamente submisso às superstições repugnantes do caçador de bruxas e do doutor da chuva, e com a sua vida e pertences inteiramente à mercê de um tirano brutal» (James, pág. 198). Houve algumas vozes solidárias, nomeadamente o antigo Primeiro-Ministro William Ewart Gladstone (1809-98), que certa vez disse a uma audiência britânica que mais de 10.000 zulus tinham morrido na Guerra Zulu por «nenhuma outra ofensa além da sua tentativa de defender contra a vossa artilharia as suas casas e famílias» (Idem). A guerra custou aos britânicos a enorme quantia de 4,9 milhões de libras (530 milhões de libras aos valores de hoje).
A 31 de agosto, o fugitivo Cetshwayo foi finalmente capturado e aprisionado. As tropas britânicas retiraram-se, mas o Reino Zulu foi dividido em 13 governaçõe. O povo Zulu foi obrigado a viver em terras "reservadas" e, embora continuassem a viver sob a autoridade nominal dos seus chefes tribais, não havia dúvida sobre quem detinha o poder real na região. Os zulus viram-se agora obrigados a trabalhar como mão de obra em quintas e nas minas pertencentes a brancos. A liderança Zulu foi assolada por lutas internas entre fações e nem mesmo a restauração de Cetshwayo em 1883 conseguiu resolver a crise.
O Primeiro-Ministro Benjamin Disraeli pagou o preço máximo pelo descalabro de Isandlwana, e o seu partido perdeu as eleições seguintes. Apesar da oposição do seu sucessor, Gladstone, a novos episódios de imperialismo, a Guerra Anglo-Zulu tinha colocado toda a África Austral em movimento. A Zululândia tornou-se uma colónia da coroa em 1887 e foi absorvida pelo Natal em 1897. A expansão britânica continuou com o estabelecimento do Protetorado da Basutolândia (1884); da Bechuanalândia Britânica e do Protetorado da Bechuanalândia (1885); e da Suazilândia (1893). A aquisição destes territórios teve um efeito ricochete espetacular, uma vez que os Bóeres ficaram libertos de combater os africanos e puderam concentrar a sua luta por expansão territorial contra os britânicos. No entanto, os britânicos reverteram a sua derrota na Primeira Guerra Anglo-Bóer (1880-81) e venceram a Segunda Guerra Anglo-Bóer (1899-1902). Finalmente, o sonho colonial britânico foi realizado e a União da África do Sul foi formada em 1910, unificando a Colónia do Cabo, o Natal, o Transvaal e o Estado Livre de Orange num país único, embora conturbado e culturalmente dividido.
