Mitsubishi A6M Zero

Do Melhor Caça à Carne para Canhão Kamikaze

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Mark Cartwright
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Mitsubishi A6M Zero in Flight (by Airwolfhound, CC BY-SA)
O Mitsubishi A6M Zero em Voo Airwolfhound (CC BY-SA)

O Mitsubishi A6M Zero-sen é o caça japonês mais famoso da Segunda Guerra Mundial (1939–45). Este avião monolugar representou um enorme avanço para a força aérea e para a marinha nipónicas; de facto, tratava-se do caça mais rápido e manobrável de todos os que operavam nos primórdios do conflito. Utilizado com muita frequência a partir de porta-aviões, o Zero foi empregue tanto como caça como bombardeiro de mergulho em batalhas fundamentais como o ataque a Pearl Harbor e a Batalha de Midway. Embora superado nos dois últimos anos da guerra pelos caças aliados, a produção do Zero continuou, tornando-se o avião mais produzido por qualquer força aérea na Segunda Guerra Mundial.

O Projecto e o Desenvolvimento

A Marinha Imperial Japonesa pretendia um caça mais moderno para substituir o Mitsubishi A5M, que estava ao serviço desde 1936, mas que não conseguia equiparar-se aos caças rivais de outras forças aéreas. Consequentemente, o designer Jiro Horikoshi (1903–1982) concebeu uma aeronave muito mais elegante do que o A5M, cujas linhas eram bastante antiquadas e não muito diferentes das de um biplano, chegando inclusive a possuir um cockpit aberto. O A6M recebeu a designação de Caça Embarcado Tipo 0. Durante a Segunda Guerra Mundial, os Aliados atribuíram oficialmente à aeronave A6M o nome de código "Zeke", mas os pilotos chamavam-lhes simplesmente "Zeros".

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O Zero tinha um habitáculo fechado, asas baixas em consola características e uma construção quase totalmente em metálica. A roda de cauda podia ser recolhida após a descolagem. Os primeiros aviões, desenvolvidos até 1939, satisfizeram a marinha, mas o motor Mitsubishi precisava de mais potência para que o caça pudesse competir com os melhores caças disponíveis. Consequentemente, foram realizados testes bem-sucedidos utilizando um motor radial Nakajima NK1C Sakae 12. O motor Nakajima era mais pesado, mas fornecia cerca de 145 cv (108 kW) de potência a mais do que o seu antecessor da Mitsubishi. O peso extra do motor era de certo modo compensado pela leveza global do caça Zero. O Zero era mais rápido do que o melhor da Grã-Bretanha, o Supermarine Spitfire, e o melhor da Alemanha, o Messerschmitt Bf 109.

A marinha japonesa começou a acumular um grande número de caças Zero para utilização nos seus porta-aviões.

A marinha japonesa encomendou 15 aeronaves equipadas com motores Nakajima em julho de 1940 para operações na China ocupada pelos japoneses. O sucesso em combate na China conduziu a novas encomendas. O Zero era rápido e, graças à sua construção leve, possuía um elevado grau de manobrabilidade, atributos que significavam que as defesas aéreas chinesas tinham dificuldades em lidar com esta nova ameaça. Como nota o historiador D. Marston, o Zero era "o caça baseado em terra ou no mar mais rápido e manobrável operado por qualquer força aérea durante os primeiros dois anos da Segunda Guerra Mundial" (pág. 95).

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Mitsubishi A6M "Zero" Fighters
Caças Mitsubishi A6M Henry Sakaida (Public Domain)

A marinha japonesa começou a acumular um grande número de caças Zero para utilização nos seus porta-aviões. Estas grandes encomendas tornaram necessária a partilha da produção entre as fábricas da Mitsubishi e da Nakajima. A versão A6M2 Modelo 21 recebeu pontas de asas dobráveis (movidas manualmente) para poupar espaço nos porta-aviões quando os aviões se encontravam amontoados nos conveses inferiores. Ainda melhor, o A6M3 redesenhou as pontas das asas para serem encurtadas de modo a evitar a necessidade de peças dobráveis complicadas. No entanto, verificou-se que, em operação real, esta alteração de design reduzia a autonomia da aeronave, pelo que as pontas de asas dobráveis foram reintroduzidas. O A6M5 regressou a asas não dobráveis, mas recebeu pontas de asas mais arredondadas.

No final de 1941, a Marinha Japonesa possuía cerca de 400 caças Zero.

Sem dúvida para alívio dos pilotos, o A6M5b recebeu um cockpit em vidro blindado. O A6M6e viu serem-lhe adicionados depósitos de combustível selados automaticamente. Outros desenvolvimentos nos motores, como a adição de um turbocompressor e de um sistema de injeção de água e metanol, proporcionaram velocidades ainda maiores à medida que o Zero evoluía durante os primeiros anos da guerra, embora o peso extra dos motores mais potentes tenha comprometido a manobrabilidade da aeronave. Existiu também uma versão de dois lugares, o A6M2-K, que foi utilizada como avião de treino. Em produção ao longo de toda a guerra, foram fabricados no total 10.449 A6M Zeros, mais do que qualquer outro tipo de aeronave da Segunda Guerra Mundial.

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Nenhum outro ramo das forças armadas utilizou o Zero, exceto na China durante a Segunda Guerra Mundial, onde os caças capturados eram por vezes repintados e pilotados para combater as forças armadas japonesas. Horikoshi, o designer do Zero, conta a história completa do desenvolvimento da aeronave no seu livro de 1981, Águias da Mitsubishi: A História do Caça Zero (tít. original: Eagles of Mitsubishi: The Story of the Zero Fighter).

As Especificações

O Zero de série tinha 9,07 m (29 pés e 9 polegadas) de comprimento e uma envergadura de pouco mais de 11 m (36 pés). Os caças Zero mais rápidos eram aqueles equipados com motores de pistão radial de 14 cilindros Nakajima Sakae 31, capazes de fornecer cerca de 1.130 cv (843 kW). A velocidade máxima rondava os 557 km/h (346 mph), embora cerca de 480 km/h (300 mph) fosse mais habitual. O teto de serviço do A6M situava-se em redor dos 10.700 metros (35,000 pés) de altitude. A autonomia máxima era de pouco mais de 1.800 km. Tal como outros aviões de caça, o Zero podia ser adaptado para transportar depósitos de combustível externos (largáveis), de modo a estender a sua autonomia até cerca de 3.106 km (1,930 milhas).

O armamento de série consistia em duas ou três metralhadoras, cada uma com um calibre de 13,2 mm (0.52 polegadas). Estas armas dispunham inicialmente de carregadores de 60 munições, tendo sido posteriormente melhoradas para albergar 100 munições. Podia ser montada uma metralhadora na parte superior da fuselagem e uma em cada asa. Cada asa contava também com um canhão de 20 mm (0.78 polegadas). Quando operava como bombardeiro de mergulho, o Zero podia ser equipado com oito rockets de 10 kg (22 libras) ou dois rockets de 60 kg (132 libras) sob as asas. Alguns Zeros de versões posteriores foram adaptados para transportar uma única bomba de 250 kg (551 libras).

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As Operações

No final de 1941, a Marinha Japonesa possuía cerca de 400 caças Zero. 125 caças Zero, descolando de seis porta-aviões diferentes, participaram no ataque a Pearl Harbor, no Havai — a base da Frota do Pacífico dos EUA —, em dezembro de 1941. Os caças Zero tinham a missão de escoltar os bombardeiros e bombardeiros de mergulho, mais vulneráveis, até aos respetivos alvos, pelo que eram habitualmente os primeiros aviões a descolar de um porta-aviões. Numa fase posterior da operação, quando as funções de escolta terminavam, os Zero podiam também ser utilizados para atacar bombardeiros, navios e caças inimigos. Cada porta-aviões japonês contava com um esquadrão de cerca de 18 aviões de caça e dois esquadrões de bombardeiros, cada um com 27 aeronaves. Os Zero não se limitavam ao uso naval, operando igualmente a partir de bases terrestres espalhadas pelo território ocupado pelos japoneses, desde a Manchúria, no norte da China, até ao Atol de Truk, no centro do Oceano Pacífico.

Kamikaze Zero & USS Missouri
Kamikaze Zero & USS Missouri Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

Os Zeros voltaram a entrar em ação na Batalha do Mar de Coral, em maio de 1942. Esta foi a primeira batalha de porta-aviões da história, e o alcance, a velocidade e a manobrabilidade dos caças Zero apanharam os pilotos americanos de surpresa. A única aeronave aliada capaz de equipar-se ao Zero era o Grumman F4F Wildcat da USAAF, outro caça baseado em porta-aviões (embora, mais tarde, as versões mais pesadas deste caça se tenham revelado menos adequadas para confrontos diretos com o ágil Zero). Os caças japoneses voavam tipicamente num grupo de três (shotai), com cada aeronave desfasada numa formação em linha ou em escalão.

Os Zeros voltaram a voar na Batalha de Midway, em junho de 1942, mas por altura dessa batalha os pilotos de caça dos EUA já se estavam a adaptar. Como nota o Museu Nacional da Força Aérea dos EUA, os pilotos aliados começaram a evitar os combates aéreos aproximação a aproximação (dogfights) e adotaram em vez disso táticas diferentes: "A chave para combater o Zero era manter-se fora dos combates aéreos e utilizar, em alternativa, um armamento superior e ataques de mergulho do tipo ataca-e-foge contra o A6M, que era relativamente frágil." A construção leve do Zero significava que não havia praticamente qualquer proteção, nem para o piloto nem para os depósitos de combustível, face ao fogo inimigo de pequeno calibre. Outra fraqueza era o rádio de bordo de fraca qualidade do Zero, o que significava que habitualmente não era possível comunicar alterações de ordens uma vez a aeronave em voo.

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A partir de 1943, as capacidades dos caças norte-americanos melhoraram e começaram a inverter a supremacia do Zero nos céus. Motores mais potentes e um poder de fogo acrescido surgiram em aeronaves como o North American P-51 Mustang. Verificava-se também que os EUA estavam a colocar muito mais aviões no ar do que o Japão era capaz de fazer, enquanto, em contrapartida, o Japão começou a registar um declínio por atrito no número de pilotos experientes. A necessidade desesperada de mais pilotos obrigou os japoneses a acelerar os seus programas de treino de voo, de tal forma que muitos jovens na zona de combate ainda tinham dificuldades em pilotar corretamente as suas aeronaves.

Japan's Kamikaze Warfare (1944–1945)
A Guerra Kamikaze do Japão (1944–1945) Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

As Missões Kamikaze

A partir de outubro de 1944, os Zeros, que já se encontravam quase obsoletos em comparação com os melhores caças norte-americanos, foram frequentemente utilizados em missões kamikaze, vistas pela primeira vez na Batalha das Filipinas. Nestas missões, pilotos voluntários pilotavam deliberadamente as suas aeronaves — tipicamente modificadas para transportar uma carga de bombas mais pesada do que o habitual, como uma única bomba de 250 kg (551 libras) —, embatendo diretamente contra alvos como navios de guerra. Os Zeros foram mais utilizados do que qualquer outro tipo de avião nestas missões, cerca de 650 no total. Os Zeros também foram destacados para escoltar as aeronaves kamikaze até ao seu destino final. Considerada uma grande honra, mais de 5.000 pilotos japoneses morreram desta forma durante a guerra.

Em última análise, a campanha kamikaze não foi eficaz. Os Aliados continuaram a empurrar as forças japonesas de volta para as ilhas de origem. No total, 47 navios aliados foram afundados e 300 danificados por pilotos kamikaze, mas este número foi relativamente pequeno no grande panorama da Guerra do Pacífico. A estratégia foi mais bem-sucedida numa fase inicial, antes de os Aliados perceberem que os pilotos estavam a despenhar deliberadamente as suas aeronaves, mesmo quando estas não apresentavam danos. Na Batalha das Filipinas, 27% dos ataques kamikaze causaram danos a navios aliados. Na Batalha de Okinawa, embora 36 navios e embarcações de desmbarque tenham sido afundados e outros 369 danificados, a taxa de sucesso tinha caído para apenas 15%. A partir daí, apenas uma pequena percentagem de aeronaves kamikaze sobreviveu às intensas defesas de caças aliados e ao fogo antiaéreo com munições explosivas especiais. Mesmo aquelas que conseguiram penetrar as defesas tipicamente causaram danos apenas a embarcações menores que podiam ser facilmente repostas. Foi um fim inglório para o caça Zero que tanto tinha dominado os primeiros anos da guerra.

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Cartwright, M. (2026, agosto 17). Mitsubishi A6M Zero: Do Melhor Caça à Carne para Canhão Kamikaze. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23552/mitsubishi-a6m-zero/

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Cartwright, Mark. "Mitsubishi A6M Zero: Do Melhor Caça à Carne para Canhão Kamikaze." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 17, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23552/mitsubishi-a6m-zero/.

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Cartwright, Mark. "Mitsubishi A6M Zero: Do Melhor Caça à Carne para Canhão Kamikaze." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 17 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23552/mitsubishi-a6m-zero/.

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