O telégrafo elétrico foi inventado em 1837 por William Fothergill Cook (1806-1879) e Charles Wheatstone (1802-1875), na Inglaterra, com inovações paralelas feitas por Samuel Morse (1791-1872) nos Estados Unidos. Depois que os cabos conectaram países e continentes, o telégrafo transformou as comunicações, já que as mensagens podiam ser enviadas e recebidas de qualquer lugar em questão de minutos.
Pioneiros do Telégrafo
O envio de sinais de um local distante para outro acontece desde a Antiguidade, principalmente com o emprego de torres, nas quais o fogo era empregado para fins de sinalização. Os navios há muito utilizam o sistema de bandeiras (semáforos) para comunicação além do alcance da voz. Tais métodos, no entanto, limitavam-se a comunicações realmente muito importantes e, para mensagens mais mundanas, as pessoas precisavam usar mensageiros a cavalo, que levavam vários dias, ou mesmo semanas, para alcançar os destinatários.
O italiano Alexandre Volta (1745-1827) inventou a bateria elétrica em 1800, dispositivo necessário para a operação de uma máquina telegráfica. Em seguida, o físico dinamarquês Hans Christian Ørsted (1777-1851) criou o primeiro eletroímã, em 1825. A descoberta de Ørsted de que uma corrente elétrica fluindo num condutor pode criar um campo magnético - que ele observou pela primeira vez no efeito de uma bússola magnética em sua mesa - foi crucial para a máquina telegráfica, pois resolvia o problema de como fazer os impulsos elétricos visíveis na forma de uma agulha móvel. O físico francês André-Marie Ampère (1775-1836) elaborou uma teoria que explicava a relação entre a corrente elétrica e o magnetismo. Em 1821, o inglês Michael Faraday (1791-1867) desenvolveu o primeiro motor elétrico. Graças a essas descobertas científicas, os inventores tinham os meios teóricos de enviar impulsos elétricos por um fio e ver o efeito do outro lado. Para que isso ocorresse na prática, porém, seria preciso criar uma máquina específica para enviar e receber estes impulsos sobre longas distâncias, além de um código pelo qual os impulsos pudessem ser transformados em palavras.
Cook e Wheatstone
A primeira máquina telegráfica comercial foi inventada por dois ingleses que trabalhavam juntos: William Fothergill Cook and Charles Wheatstone. A primeira versão do seu telégrafo, patenteada em 1837, tinha 20 letras num quadro em forma de diamante, com cinco agulhas e seis fios. As seis letras do alfabeto que faltavam eram simplesmente omitidas das mensagens. O leve movimento de quaisquer das duas agulhas, à esquerda ou à direita, indicava o recebimento da mensagem. Os impulsos elétricos enviados pela linha telegráfica conectada ao transmissor provocavam esse movimento. O operador da máquina fornecia energia elétrica à máquina usando um mecanismo de enrolamento que energizava a bateria conectada. Os inventores fizeram uma demonstração bem-sucedida da sua incrível máquina para os diretores da ferrovia Londres-Birmingham, mas não os convenceram a adquiri-la. O primeiro uso comercial do primeiro telégrafo, portanto, aconteceu na Great Western Railway, em 1838, entre a Estação Paddington, em Londres, e West Drayton, numa distância de 21 km. Daí em diante, mensagens curtas podiam ser enviadas com rapidez, inicialmente para envio de instruções aos maquinistas e estações.
Os fios de telégrafo conectando as máquinas, que empregavam fiação de cobre sobre blocos de madeira, foram instalados no subsolo, protegidos por um tubo ou duto de aço, mas o material se deteriorava rapidamente em tais condições. A solução alternativa consistiu em suspender a fiação com o uso de postes. Em outro aperfeiçoamento, as cinco agulhas da máquina foram reduzidas a apenas uma, conectada a dois fios. Em 1843, esta nova máquina passou a ser utilizada com sucesso na extensão da linha férrea de Paddington até Slough, em Berkshire. Outras companhias ferroviárias rapidamente adotaram a máquina na Grã-Bretanha e no exterior, incluindo a Companhia das Índias Orientais, a partir de 1851. Em 1867, começou a ser usada a primeira máquina que também indicava números. O telégrafo elétrico era especialmente útil para trechos mais arriscados de ferrovias, tais como os túneis. Uma das máquinas Cook e Wheatstone foi instalada na Blackwall Tunnel Railway em 1840, por exemplo. Os maquinistas carregavam um telégrafo portátil e, se necessário, o plugavam numa caixa de conexão ao lado da linha férrea para contatar a estação mais próxima.
Código Morse
Conforme ocorreu com várias outras invenções da Revolução Industrial, diferentes tipos de telégrafo foram desenvolvidos de maneira independente em vários países. As comunicações telegráficas deram um importante passo adiante quando Samuel Morse, de Massachusetts - com a assistência frequentemente esquecida de Alfred Vail (1807-1859) e Leonard Gale (1800-1883) -, colocou seu código Morse em funcionamento em 1844. O código Morse representava letras através de combinações de pontos e traços, ou seja, impulsos elétricos curtos e longos, criados pela pressão breve numa tecla para completar um circuito elétrico. Enquanto Cook e Wheatstone usavam o movimento das agulhas, Morse utilizou de forma efetiva o som para registrar as mensagens.
Pintor de retratos bem-sucedido, Morse decidiu criar um sistema de mensagens instantâneas devido às circunstâncias que envolveram a perda de sua esposa, no final da década de 1830. Ele estava em Washington quando recebeu notícias de que ela havia morrido na residência do casal, em New Haven. Quando retornou, o sepultamento já havia ocorrido. Se as notícias da doença e posterior falecimento da esposa tivessem chegado a tempo, Morse poderia ter comparecido ao funeral.
Em 1843, o inventor fez uma demonstração bem-sucedida do seu dispositivo diante do Congresso norte-americano e, como resultado, Morse e Vail receberam uma verba de 30.000 dólares para instalar um sistema telegráfico funcional. O trecho escolhido, situado entre Baltimore e Washington, recebeu mais de 60 km de linhas telegráficas suspensas em postes. A primeira mensagem foi enviada no dia 24 de maio de 1844. Nela se lia: What hath God wrought [O que Deus forjou!] Com a comprovação de que podia funcionar na prática, o sistema passou a ser adotado em todo o país e a Europa começou a usar o código Morse, como ficou conhecido. Em 1856, surgiu a Western Union Telegraph Company e, em 1866, havia 4.000 postos telegráficos nos Estados Unidos.
Desenvolvimentos Adicionais
Os operadores de telégrafo logo se especializaram em decodificar os pontos e traços nas mensagens recebidas, escrevendo diretamente as palavras transmitidas. Para auxiliar os operadores a distinguir as letras, as máquinas receberam deliberadamente um ruído de clique mais alto. Houve algumas tentativas de criar um equipamento telegráfico que pudesse ser utilizado sem o uso de códigos - Cook e Wheatstone desenvolveram uma máquina equipada com um mostrador de letras e botões correspondentes -, mas tais dispositivos eram muito mais lentos (cerca de 15 palavras por minuto) do que o telégrafo em código.
Vários inventores continuaram a aperfeiçoar a máquina telegráfica, revelando o tremendo potencial do equipamento. Em 1850, o escocês Alexander Bain (1810-1877) inventou um telégrafo que podia enviar e receber mensagens usando tiras perfuradas de papel. Esta máquina, conhecida como telégrafo químico, lia os orifícios no papel quimicamente tratado e enviava o impulso elétrico correspondente. Wheatstone fez um dispositivo similar na década de 1850. Em 1854, o austríaco Thomas John inventou uma máquina que imprimia mensagens telegráficas usando tinta em tiras de papel. O equipamento foi fabricado pela companhia alemã Siemens e Hakske e popularizado na Europa. Em 1855, o professor de música anglo-americano David E. Hughes (cerca de 1829-1900) inventou uma máquina que parecia um piano em miniatura, com 26 teclas, uma para cada letra do alfabeto. O envio e recepção das mensagens ficavam sincronizados por um mecanismo de relógio para que o receptor pudesse anotar as letras da mensagem recebida.
O grande navio a vapor SS Great Eastern, projetado por Isambard Kingdom Brunel (1806-1859), estendeu o primeiro cabo telegráfico transatlântico em 1866, o que permitiu a rápida comunicação intercontinental. Mais cabos oceânicos logo foram estendidos em outros continentes. Na década de 1890, qualquer ponto do Império Britânico, desde o Canadá a Hong Kong, podia ser alcançado em instantes, graças ao sistema telegráfico. Ao final do século XIX, a Inglaterra tinha 25.000 km de fios telegráficos que transmitiam 400 milhões de mensagens anualmente. Em menos de 50 anos, o mundo parecia um pouco menor e a vida bem mais rápida.
As Consequências do Telégrafo
Com a adoção do sistema telegráfico na rede ferroviária britânica, pela primeira vez foi possível ter um horário universal, já que anteriormente os relógios das cidades variavam. Assim, o telégrafo possibilitou o Horário do Meridiano de Greenwich ou simplesmente Horário de Greenwich (GMT). Os correios começaram a oferecer o serviço de envio de telegramas para o público por pequenas taxas. As informações podiam ser enviadas para onde quer que houvesse postos telegráficos, fazendo com as notícias se espalhassem muito mais rapidamente. A velocidade da comunicação telegráfica tornou-se particularmente útil para certas profissões. Os militares experimentaram os telégrafos elétricos com sucesso durante a Guerra da Crimeia (1853-6). Os correspondentes usaram o telégrafo para enviar notícias para seus jornais e, pela primeira vez, o público passou a acompanhar eventos mundiais de forma diária.
A polícia descobriu que o telégrafo podia ser uma ferramente útil para a prevenção e punição de crimes. Os policiais conseguiam alertar seus colegas distantes sobre atividades criminais e até contribuir para a captura de criminosos em fuga. O potencial do telégrafo neste aspecto foi destacado por um caso criminal famoso. A polícia suspeitava que um certo John Tawell havia cometido um homicídio. No dia de Ano Novo de 1845, os policiais sabiam que Tawell estava viajando num determinado trem e, assim, enviaram um telegrama para seus colegas na Slough Station, solicitando que o suspeito fosse detido ao desembarcar. Após a detenção, Tawell foi julgado, condenado e enforcado pelo crime cometido.
O transporte marítimo também usava o telégrafo, permitindo que os passageiros entrassem em contato com família e amigos em terra, além da utilização em emergências. O primeiro uso do sinal em código Morse SOS (três pontos, três traços e três pontos) por um transatlântico foi enviado em abril de 1912 pelo operador John George Philips, do RMS Titanic, após o navio colidir com um iceberg no Oceano Atlântico .
Havia algumas desvantagens na invenção, particularmente para os operadores. O acionamento repetido das teclas para enviar mensagens, especialmente no caso de funcionários dos correios, com frequência resultava numa lesão por esforço repetitivo, conhecida como "paralisia de telegrafista" ou "braço de vidro". A própria natureza do código Morse levava à decodificação incorreta de mensagens. Como as pessoas pagavam por palavra ao enviar telegramas, as mensagens eram bastante curtas ou com palavras omitidas, o que podia levar à confusão sobre seu verdadeiro significado.
Uma nova opção surgiu com o telefone, patenteado pela primeira vez em 1876 por Alexander Graham Bell (1847-1922). A nova invenção substituiu gradualmente o sistema telegráfico. Os novos equipamentos ofereciam a grande vantagem de se poder ouvir uma voz reconhecível, reduzindo os mal-entendidos e eliminando a necessidade de códigos especiais.
