Fantasmas no Antigo Egito

Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Egyptian Ba Amulet to Ward Off Evil (by Walters Art Museum, Public Domain)
Amuleto Egípcio do Ba para Afastar o Mal. Walters Art Museum (Public Domain)

Um texto conhecido como O Cântico do Harpista, que remonta ao Império Médio (2040–1782 a.C.), encoraja o público a aproveitar o tempo, uma vez que a morte é uma certeza:

Celebra um dia festivo! E não te canses de folgar! Pois a ninguém é permitido levar consigo os seus bens, e ninguém que parte desta vida regressa jamais.

(Tyldesley, pág. 142).

A visão egípcia mais duradoura da morte era a de que esta constituía um paraíso, uma continuação da vida na Terra, mas isenta de desilusões, perdas ou sofrimento. Longe de uma compreensão do tipo "não podes levar nada contigo", durante a maior parte da história egípcia a visão era a de que "manténs tudo para sempre", na medida em que se encontraria tudo o que se perdeu na morte no paraíso do Campo de Juncos, do outro lado. Esta visão do além alterou-se em diferentes épocas, sendo por vezes mais amplamente aceite e por outras menos, mas manteve-se bastante constante. A par desta visão, existia uma compreensão dos espíritos desencarnados — fantasmas — que, mais do que a visão do além, permaneceu inalterada desde os primeiros vestígios até ao fim da história do Antigo Egito: os fantasmas eram tão reais como qualquer outro aspeto da existência. A egiptóloga Rosalie David escreve:

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Acreditava-se que a sociedade era constituída por quatro grupos — os deuses, o rei, os mortos abençoados e a humanidade — que partilhavam certas obrigações morais e o dever de interagir para manter a ordem mundial. A existência desta ordem, e o pressuposto de que ela estava constantemente sob ameaça, era uma premissa básica da crença egípcia.

(pág. 271).

O valor central da cultura egípcia era ma'at (harmonia, equilíbrio), que os egípcios observavam em praticamente todos os aspetos das suas vidas; entre os mais importantes contava-se o sepultamento adequado dos mortos. Pensava-se que o ser humano percorria um caminho sem retorno desde o nascimento, passando pela morte, até ao além. Eram feitas provisões através de pinturas tumulares, inscrições e estatuária para que a alma pudesse regressar e visitar a Terra sem causar danos, mas esperava-se que o espírito partisse para o seu próprio reino relativamente depressa. O aparecimento de um fantasma, e especialmente a sua interação com os vivos, era um sinal certo de que a ordem natural tinha sido perturbada, sendo a causa mais comum desta perturbação a insatisfação de um espírito quanto ao enterro do seu corpo, ao estado do túmulo ou à falta de uma recordação respeitosa.

"As pessoas que consideravam ter sofrido uma injustiça podiam escrever uma carta aos mortos, pedindo-lhes que intercedessem em favor de quem escrevia" (David).

A Alma no Antigo Egito

Nas crenças egípcias primitivas, a alma era vista como uma entidade única conhecida como Khu, o aspeto imortal da pessoa. Com o passar do tempo, passou a ser reconhecida como composta por cinco aspetos diferentes, por vezes sete e, noutras ocasiões, nove, dependendo da época da história egípcia. Os nove aspetos formam a compreensão geral que fundamenta o conceito dos sete e dos cinco: o Khat era o corpo físico; o Ka a forma dupla do indivíduo; o Ba um aspeto de pássaro com cabeça humana que podia viajar rapidamente entre a Terra e os céus; Shuyet era o eu-sombra; Akh o eu imortal e transformado, sendo Sahu e Sechem aspetos do Akh; Ab era o coração, a fonte do bem e do mal; Ren era o nome secreto de cada um. O Khat precisava de existir para que o Ka e o Ba se pudessem reconhecer; por isso, quando alguém morria, era da maior importância que o corpo fosse preservado tão intacto quanto possível. Foi esta crença que conduziu à prática egípcia da mumificação.

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Quando uma pessoa morria, a família levava o corpo aos embalsamadores, o equivalente antigo das modernas agências funerárias. O corpo era então tratado de acordo com o nível de pagamento que a família podia suportar. Existiam três opções de embalsamamento e sepultamento: desde o preço mais elevado, que associava o cadáver ao deus Osíris, até um preço intermédio, que incluía embalsamamento, ritos e um caixão numa escala mais modesta, e finalmente o preço mais baixo, que proporcionava o nível de serviço mais reduzido.

Anubis God of Lost Souls
Anúbis: O Deus das Almas Perdidas Rama (CC BY-SA)

A escolha destas opções pela família determinava o tipo de caixão fornecido, os ritos funerários a que o cadáver tinha direito e, igualmente importante, a forma como o corpo era preparado para o sepultamento. Os embalsamadores apresentavam estas três escolhas às famílias enlutadas, sabendo que a sua decisão podia afetar tanto a vida do falecido no além como a sua própria vida nos meses seguintes; se a família tivesse possibilidades de pagar a opção de luxo de Osíris, mas optasse por poupar dinheiro escolhendo a segunda ou até a terceira opção, o espírito do falecido tinha todo o direito de regressar para se queixar. Nestes casos, o Akh recebia licença dos deuses para regressar à Terra e corrigir o erro.

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Contudo, o Akh podia regressar por várias outras razões além de um enterro barato com ritos funerários insuficientes. Qualquer injustiça cometida contra o falecido, que não tivesse sido redimida em vida, podia ser motivo para uma assombração após a morte da pessoa.

Os Espíritos que Regressam

Um dos exemplos mais conhecidos de uma assombração no Antigo Egito provém de uma carta escrita por um viúvo ao espírito da sua falecida esposa, encontrada num túmulo do Império Médio. Ele escreve:

Que mal te fiz eu, para ter chegado a este estado lastimável? Que te fiz eu? Mas o que tu me fizeste foi deitar-me as mãos, embora eu nada de mal te tivesse feito. Desde o tempo em que vivi contigo como teu marido até hoje, que te fiz eu que tenha de ocultar? Quando adoeceste da enfermidade que tiveste, mandei chamar um médico mestre... Passei oito meses sem comer nem beber como um homem. Chorei imenso, juntamente com a minha casa, em frente do meu quarteirão. Dei vestes de linho para te envolver e não deixei por fazer nenhum benefício que tivesse de ser realizado por ti. E agora, contempla, passei três anos sozinho sem entrar numa casa, embora não seja correto que alguém como eu tenha de o fazer. Isto fiz eu por tua causa. Mas, contempla, tu não sabes distinguir o bem do mal.

(Nardo, pág. 32).

O homem devia estar a sofrer algum tormento que só podia ser explicado pela ação da sua falecida mulher. A doença e o azar eram atribuídos quer à ação dos deuses (para dar uma lição ou punir algum pecado), quer às atividades de espíritos malignos, ou à raiva e ressentimento dos mortos. Neste caso, o viúvo alega ter feito tudo corretamente na sua relação com a mulher, mesmo após a morte dela, afirmando que chegou ao ponto de evitar visitar um bordel ("uma casa") nos três anos que se seguiram à partida dela. Os bordéis eram praticamente inexistentes no Egito antes do Período Tardio, pelo que se assume que a sua referência se aplica a um estabelecimento como um bar ou taberna onde se podiam encontrar prostitutas. Não existem, contudo, muitas provas da existência de prostituição no Antigo Egito em geral, pelo que o homem poderá estar simplesmente a referir-se a "uma casa" da mesma forma que alguém hoje se referiria a uma taberna ou café, sem qualquer implicação sexual, embora a passagem não seja geralmente interpretada dessa forma.

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The Middle Sarcophagus of Kha (Detail)
O Sarcófago Médio de Kha (Detalhe) Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Neste tipo de situação, o homem teria recorrido a um sacerdote ou a uma "mulher sábia", um vidente, para intervir, ou talvez visitado um templo. Rosalie David comenta isto, escrevendo: Alguns templos eram famosos como centros de incubação de sonhos, onde o peticionário podia passar a noite num edifício especial e comunicar com os deuses ou com parentes falecidos, a fim de obter esclarecimentos sobre o futuro (pág. 281). Quando estas opções falhavam, os vivos recorriam à escrita de uma carta. David continua:

Um meio importante de contacto com aqueles que tinham passado para o outro mundo era proporcionado pelas chamadas 'Cartas aos Mortos'. As pessoas que consideravam ter sofrido uma injustiça podiam escrever uma carta aos mortos, pedindo-lhes que intercedessem em favor de quem escrevia. Se uma pessoa viva com problemas não tivesse um patrono poderoso neste mundo, podia procurar a ajuda dos mortos... as cartas eram colocadas na capela funerária, ao lado da mesa de oferendas, onde o espírito do falecido as encontraria quando viesse para participar dos alimentos. Os pedidos encontrados nas cartas são variados: alguns procuravam ajuda contra inimigos mortos ou vivos, particularmente em disputas familiares; outros pediam assistência jurídica em apoio a um peticionário que tivesse de comparecer perante o tribunal divino no Dia do Julgamento; e alguns suplicavam por bênçãos ou benefícios especiais.

(pág. 282).

Uma vez que os mortos continuavam a existir no além, podiam ser contactados sempre que os vivos precisassem; o facto de já não poderem ser vistos na Terra não era motivo para acreditar que tinham deixado de existir. O egiptólogo William Kelly Simpson escreve:

A morte, para o falecido egípcio que tinha passado pelos ritos de beatificação, era uma extensão da vida e, como a prática de banquetes festivos nas capelas tumulares indica, a relação entre os vivos e os mortos não era de modo algum sempre um assunto sombrio... Os fantasmas egípcios não eram tanto seres misteriosos, mas personalidades às quais os vivos reagiam pragmaticamente.

(pág. 112).

Khonsemhab e o Fantasma

Este tipo de relação é ilustrado através de uma história de fantasmas do Período Raméssida (1186–1077 a.C.), do Império Novo (1570–1069 a.C.), cujo título é habitualmente traduzido apenas como Uma História de Fantasmas, mas também é conhecida como Khonsemhab e o Fantasma. Embora a versão existente da história date do Império Novo, pensa-se que seja uma cópia de um texto mais antigo do Império Médio. Neste conto, o Sumo Sacerdote de Amon, Khonsemhab, encontra um espírito chamado Nebusemekh, cujo túmulo caiu em ruínas. Nebusemekh é retratado como um indivíduo com um problema, e não como um fantasma que regressou para assombrar ou atormentar os vivos.

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A história começa quando Khonsemhab regressa a casa, presumivelmente após encontrar o espírito por acaso na necrópole de Tebas. Ele chama o espírito para falar diretamente com ele, descobre o seu nome e a sua queixa: o seu túmulo deteriorou-se porque o solo por baixo dele cedeu e a estrutura colapsou. Ninguém sabe onde ele está enterrado e, por isso, ninguém lhe leva mais oferendas. Khonsemhab promete ao espírito que lhe construirá um novo túmulo, mas Nebusemekh mostra-se cético, dizendo que já ouviu tais promessas muitas vezes antes, sempre que se queixou disso a outras pessoas. Khonsemhab envia servos que encontram o túmulo e anuncia a um funcionário os seus planos de construir uma nova sepultura para Nebusemekh. O final da história perdeu-se, mas presume-se que Khonsemhab tenha cumprido a sua palavra e que Nebusemekh tenha recebido um novo túmulo.

Esta história, embora fictícia, está em conformidade com a forma como os antigos egípcios acreditavam que interagiam realmente com os espíritos. Khonsemhab é considerado uma figura fictícia, tal como o relato da vida terrena de Nebusemekh, mas o enredo da história não teria parecido estranho a um público antigo. O propósito da obra, para além do entretenimento, seria imprimir no público a importância de honrar e respeitar os mortos através da lembrança contínua e do cuidado com os seus túmulos. A história deixa claro que Nebusemekh tinha sido um homem importante em vida, cujo túmulo merecia manutenção e respeito contínuos e, se isto podia ser negado a alguém como ele — um homem honrado por um rei tão grande como Mentuhotep II —, então poderia ser negado a qualquer pessoa. A moral serviria para lembrar ao público que se deveria ter o cuidado de honrar e respeitar os mortos porque, eventualmente, todos se encontrariam no mesmo estado.

Esta Vida e o que se Segue

O além, conhecido mais vulgarmente como o Campo de Juncos, espelhava precisamente a vida terrena de cada um. Os deuses tinham criado o mais perfeito dos lugares quando formaram o Egito, e aos egípcios foi concedida a grande dádiva de ali viverem eternamente após passarem pela morte e pelo julgamento de Osíris. Como referido, esta compreensão da eternidade alterou-se por vezes, mas essa noção central continuou a percorrer toda a longa história do Egito.

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Book of the Dead Papyrus
Papiro do Livro dos Mortos Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

No entanto, no Império Médio, encontram-se textos que divergem mais acentuadamente da crença numa vida eterna de alegria no mundo seguinte, e isto reflete-se nas linhas que Khonsemhab profere ao espírito de Nebusemekh:

Como vives mal, sem comer nem beber, sem envelhecer nem rejuvenescer, sem a luz do sol ou o respirar das brisas do norte. As trevas estão diante da tua vista a cada dia. Não te levantas cedo para partir.

(Simpson, pág. 113).

Esta é uma visão que se encontra frequentemente expressa na literatura do Império Médio: a morte podia ser uma certeza, mas o que vinha depois não o era. A visão egípcia deste período, pelo menos tal como expressa na literatura, é muito mais próxima da da Mesopotâmia, onde os mortos viviam num crepúsculo eterno, bebiam de poças e comiam pó. Ao contrário da visão egípcia tradicional, em que se continuava a viver como sempre se tinha vivido, agora pensava-se que o espírito não tinha qualquer ligação com a vida anterior. A linha de Khonsemhab, "Não te levantas cedo para partir", referir-se-ia à prática terrena de levantar-se de manhã para ir trabalhar. Na visão tradicional, trabalhar-se-ia no além no que quer que se tivesse feito na Terra. Os túmulos foram sempre considerados a "casa eterna" de cada um no Egito, desde as mastabas do Período Dinástico Inicial (cerca de 3150–2613 a.C.) até à Pirâmide Escalonada do rei Djoser (cerca de 2670 a.C.) e aos monumentos da Dinastia Ptolemaica (323–30 a.C.), mas no Império Médio parecem ser amplamente encarados como o destino final.

A preocupação com os mortos e com os espíritos que regressam sempre fez parte da cultura egípcia, mas um certo ceticismo marca a atitude do Império Médio e tornou os fantasmas uma ameaça muito mais presente à ordem estabelecida ao questionar um além de paz eterna: se não havia paraíso, então para onde iam as almas das pessoas quando morriam? A resposta mais prevalecente parece ser: para lado nenhum. Permaneciam nos seus túmulos, as suas casas eternas. Os fantasmas já não vinham do além para interagir com os vivos; estavam presentes nesta vida.

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Book of the Dead of Aaneru, Thebes
Livro dos Mortos de Aaneru, Tebas Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Simultaneamente, como observa a egiptóloga Gae Callender, verifica-se um aumento da "piedade pessoal". Expressões individuais de devoção aos deuses e aos deveres de cada um começam a aparecer com maior frequência nas inscrições tumulares durante o Império Médio. Callender escreve:

Houve uma ênfase notável na 'piedade pessoal' (isto é, acesso pessoal direto às divindades em vez de através do rei ou dos sacerdotes, um conceito religioso que aumentou ainda mais em popularidade durante o Império Novo). As estelas do Império Médio realçam a piedade dos seus proprietários falecidos, e disto nasceu o conceito da 'confissão negativa' (listas rituais de delitos que o falecido alegava não ter cometido). As próprias estelas tornaram-se memoriais populares, especialmente as decoradas com olhos wedjat, o símbolo supremo de proteção.

(Shaw, pág. 169).

As declarações de piedade pessoal, esculpidas na pedra que marcava o túmulo de cada um, seriam consideradas uma garantia de lembrança contínua e de cuidado pela "casa da alma". Na ausência de uma certeza quanto a uma vida no além, o túmulo adquiriu uma importância ainda maior do que tinha anteriormente. Simultaneamente, como nota Callender, as pessoas começaram a desenvolver o conceito de uma relação pessoal com os deuses, que cuidariam dos seus espíritos piedosos nos seus túmulos caso o além lhes falhasse. Tudo isto significava, entre outras coisas, que os espíritos dos mortos eram considerados mais próximos do que antes. As pessoas podiam ter uma relação pessoal com os fantasmas da mesma forma que podiam ter com os deuses.

Stela of Paser
A Estela de Paser Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

Esta relação é explorada através de um texto didático conhecido como As Instruções do Rei Amenemhat I para o seu filho Sesóstris I. Este documento, que remonta ao início do Império Médio, consiste em conselhos do espírito do rei Amenemhat I (c. 1991–1962 a.C.) ao seu filho Sesóstris I (cerca de 1971–1926 a.C.) e pode ter sido encomendado por Sesóstris I como um elogio fúnebre ao seu pai. O documento foi outrora considerado uma carta genuína do rei ao príncipe, mas passou a ser compreendido como literatura escrita após o assassinato de Amenemhat.

Nesta obra, o fantasma do rei conta ao filho como morreu e dá-lhe conselhos sobre como governar com sucesso. Tal como em Uma História de Fantasmas, o texto das Instruções de Amenemhat reflete a crença da época de que os mortos podiam comunicar diretamente com os vivos sem um mediador. Neste género literário, os mortos escreviam cartas e os vivos eram os destinatários. Os fantasmas estavam por perto, observando, esperando para oferecer a sua ajuda ou pedi-la, não num além noutro plano, mas presentes, ainda que invisíveis.

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Mesmo naquelas épocas em que o conceito do Campo de Juncos parecia ser mais uma certeza, os fantasmas continuavam a fazer parte da paisagem espiritual egípcia; apenas tinham de viajar mais longe para alcançar os vivos. A inexistência era aterradora para os antigos egípcios e, mesmo a visão do Império Médio de uma eternidade a assombrar o próprio túmulo, era preferível a não ter eternidade alguma. A existência contínua da alma após a morte era central para a compreensão egípcia, quer a sua atitude fosse a de "não podes levar nada contigo", quer a de "manténs tudo para sempre". Os mortos eram tão presentes como os vivos e exigiam o mesmo respeito; e, quando essa cortesia não lhes era concedida livremente, podiam fazer sentir claramente os seus sentimentos sob a forma de fantasmas.

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Mark, J. J. (2026, julho 18). Fantasmas no Antigo Egito. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15374/fantasmas-no-antigo-egito/

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Mark, Joshua J.. "Fantasmas no Antigo Egito." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, julho 18, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15374/fantasmas-no-antigo-egito/.

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Mark, Joshua J.. "Fantasmas no Antigo Egito." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 18 jul 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15374/fantasmas-no-antigo-egito/.

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