Liga do Peloponeso

Mark Cartwright
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
publicado em
Translations 3
bookmark_addbookmark_addedGuardar Artigo headphonesVersão Áudio printImprimir picture_as_pdfPDF
Spartan Territory (by Marsyas, CC BY-SA)
Território Espartano Marsyas (CC BY-SA)

A Liga do Peloponeso (c. 550 a.C. - c. 366 a.C.) foi uma frágil confederação de cidades-estado gregas liderada por Esparta. A Liga foi a associação política mais antiga e duradoura do mundo grego antigo. Para Esparta, a Liga ofereceu proteção contra revoltas dentro de suas próprias fronteiras e, eventualmente, garantiu seu domínio na região e, posteriormente, após a vitória na Guerra do Peloponeso, em 404 a.C., em toda a Grécia. Então, enfrentando uma Tebas formidável e seu brilhante general Epaminondas, Esparta foi derrotada na Batalha de Leuctra, em 371 a.C. Sem seu líder dominante, a Liga se dissolveu pouco tempo depois.

Corpo de Aliados e Responsabilidades

O nome da Liga deriva da localização geográfica de seus estados membros no Peloponeso, no sul da Grécia. Os próprios gregos se referiam à associação como 'os lacedemônios e seus aliados'. Ao contrário de outras confederações, como a Liga de Delos contemporânea, a Liga do Peloponeso não tinha um único acordo vinculativo, mas era, em vez disso, uma coleção de cidades-estado (pólis), cada uma tendo negociado seus próprios termos com a dominante Esparta. Nesse sentido, a Liga não era uma liga propriamente dita, já que, quando não estavam envolvidas em guerras coletivas, as cidades-estado eram até mesmo livres para guerrear umas contra as outras. Características comuns, porém, dessa associação frouxa eram a exigência de que os membros jurassem ter 'amigos e inimigos' em comum, prometessem assistência recíproca e seguissem a ambição militar de seu líder (hegemon), Esparta. Somente no caso de uma obrigação religiosa (por exemplo, a necessidade de observar um festival religioso específico) os membros podiam recusar a participação.

Remover Publicidades
Publicidade

A Liga começou por volta de 1000 a.C. Em 550 a.C., segundo Plutarco, a Liga foi formada para que Esparta se protegesse tanto de uma possível revolta dos hilotas espartanos (trabalhadores agrícolas semilivres) quanto da rival regional Argos, no norte do Peloponeso. O primeiro membro foi Tegea que, após resistir a um ataque espartano, viu-se obrigada a formar uma aliança. Por volta de 510 a.C., a Liga abrangia todo o Peloponeso e, sob a liderança de Cleômenes I, expandiu-se ainda mais, incluindo cidades como Mégara e partes da Ática. Por volta de 494 a.C., Argos foi derrotada (mas nunca se tornou membro) e, de acordo com Tucídides (História da Guerra do Peloponeso, 2.9), ao longo dos 50 anos seguintes, a Liga expandiu-se, incluindo cidades da Fócida e da Beócia.

A LIGA FOI FUNDADA PARA QUE ESPARTA PUDESSE SE PROTEGER TANTO DE UMA POSSÍVEL REVOLTA DE SEUS HILOTAS QUANTO DE ARGOS, SUA RIVAL REGIONAL.

Tucídides, em sua História da Guerra do Peloponeso, descreve o funcionamento da Liga. Os membros enviavam delegados a reuniões em que cada cidade tinha direito a um voto. Essa assembleia era liderada por um éforo (um dos cinco magistrados supremos de Esparta) e as decisões sobre assuntos como campanhas militares e novas adesões eram tomadas por maioria. Curiosamente, a própria Esparta não votava, pois sua posição já havia sido definida pela assembleia espartana. Ao mesmo tempo, havia uma cláusula que impedia Esparta de agir contra seus próprios interesses. Diferentemente da Liga de Delos, onde Atenas obrigava os membros a pagar tributo sob quaisquer circunstâncias, os membros da Liga do Peloponeso só precisavam contribuir militarmente quando necessário. O número exato de tropas exigidas de cada cidade era decidido por Esparta. Durante os tempos perigosos da Guerra do Peloponeso (431 a.C. - 404 a.C.) contra Atenas e seus aliados, Esparta chegou ao ponto de impor um governador militar (harmost) aos seus aliados.

Remover Publicidades
Publicidade

Guerras do Peloponeso e de Corinto

Além de possuir o maior e mais formidável exército, o domínio de Esparta sobre a Liga do Peloponeso era garantido pelo fato de que a força militar da Liga era sempre liderada por um espartano – seja um dos dois reis espartanos ou um comandante espartano sênior. Esparta também interferia diretamente nos assuntos internos dos estados membros, muitas vezes promovendo o governo de uma oligarquia favorável à política espartana. Após a vitória na Guerra do Peloponeso contra Atenas em 404 a.C. e a consequente adição de novos aliados egeus, Esparta exerceu um controle ainda mais rígido sobre os estados membros e os harmosts foram mantidos.

Map of the Peloponnesian War, Beginning
Mapa da Guerra do Peloponeso: Início U.S. Military Academy (Public Domain)

Em 404 a.C., cansada da crescente autossuficiência de Elis, Esparta fez campanha contra sua antiga aliada e colocou a cidade-estado em seu devido lugar, por volta de 400 a.C. As contínuas ambições espartanas na Grécia central e do norte, na Ásia Menor e na Sicília mais uma vez arrastaram a cidade e a Liga para outro conflito prolongado, as Guerras Coríntias. Isso colocou a Liga contra Atenas, Tebas, Corinto e Pérsia, de 396 a 387 a.C. O resultado do conflito foi a "Paz do Rei", onde Esparta cedeu seu império ao controle persa, mas manteve o domínio sobre a Grécia.

Remover Publicidades
Publicidade

Derrota em Tebas e Dissolução

A política de Esparta de interferir no governo dos membros da Liga continuou com o tratamento severo dispensado a Mantineia, em 385 a.C., dividindo suas aldeias, e com a guerra contra Fleuco, entre 381 e 379 a.C. A partir de 382 a.C., o tributo à Liga passou a ser exigido em dinheiro, e não apenas em armas e homens, à medida que Esparta se tornava cada vez mais ambiciosa. Contudo, Esparta foi longe demais ao tentar esmagar sua antiga rival, Tebas. O sucesso inicial de estabelecer uma guarnição em Tebas, entre 379 e 376 a.C., resultou apenas em antagonizar os tebanos. Esparta perdeu a Batalha de Tégira, em 375 a.C., para Tebas, agora uma potência em ascensão e prestes a entrar em sua fase mais gloriosa da história. Os espartanos perderam então a ainda mais crucial Batalha de Leuctra, em 371 a.C., contra o brilhante general tebano Epaminondas. Posteriormente, a Liga entrou em declínio e, com os tratados firmados entre Corinto, Fléios e Tebas, a Liga do Peloponeso foi, na prática, dissolvida por volta de 366 a.C.

Remover Publicidades
Publicidade

Bibliografia

A World History Encyclopedia é uma Associada da Amazon e recebe uma contribuição na venda de livros elegíveis

Sobre o Tradutor

Sobre o Autor

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cartwright, M. (2026, setembro 04). Liga do Peloponeso. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11108/liga-do-peloponeso/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Liga do Peloponeso." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, setembro 04, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11108/liga-do-peloponeso/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Liga do Peloponeso." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 04 set 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11108/liga-do-peloponeso/.

Remover Publicidades