Mahabharata

Anindita Basu
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Karna in the Kurukshetra War (by Unknown Artist, Public Domain)
Karna na Guerra Kurukshetra Unknown Artist (Public Domain)

O Mahabharata é uma antiga epopeia indiana cuja história principal gira em torno de dois ramos de uma família — os Pandavas e os Kauravas — que, na Guerra de Kurukshetra, lutam pelo trono de Hastinapura. Entrelaçadas nesta narrativa estão várias histórias menores sobre pessoas mortas ou vivas e discursos filosóficos. Krishna-Dwaipayan Vyasa, ele próprio uma personagem do épico, compô-lo; segundo a tradição, ditou os versos e Ganesha escreveu-os. Com 100.000 versos, é o poema épico mais longo alguma escrito, geralmente considerado como tendo sido composto no século IV a.C. ou antes. Os eventos do épico desenrolam-se no subcontinente indiano e áreas vizinhas. Foi narrado pela primeira vez por um aluno de Vyasa durante um sacrifício de cobra do bisneto de um dos personagens principais da história. Incluindo o Bhagavad Gita, o Mahabharata é um dos textos mais importantes da literatura indiana antiga e, na verdade, da literatura mundial.

O Prelúdio

O rei de Hastinapur, Shantanu era casado com Ganga (personificação do rio Ganges), com quem teve um filho chamado Devavrat. Vários anos depois, quando Devavrat cresceu e se tornou príncipe, Shantanu apaixonou-se por Satyavati. O pai dela recusou a deixá-la casar com o rei, a menos que este prometesse que o filho e os descendentes de Satyavati herdariam o trono. Não querendo negar os direitos de Devavrat, Shantanu recusou-se a fazê-lo, mas o príncipe, ao saber do assunto, foi até a casa de Satyavati e jurou renunciar ao trono e permanecer celibatário por toda a vida. O príncipe levou Satyavati para o palácio para que seu pai, o rei, pudesse casar-se com ela. Por causa do terrível voto que fez naquele dia, Devavrat ficou conhecido como Bheeshm. Shantanu ficou tão contente com o filho que lhe concedeu a bênção de escolher o momento da sua própria morte.

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Com o tempo, Shantanu e Satyavati tiveram dois filhos. Pouco tempo depois, Shantanu morreu. Como os filhos de Satyavati ainda eram menores, os assuntos do reino eram administrados por Bheeshm e Satyavati. Quando os filhos atingiram a idade adulta, o mais velho morreu numa disputa com alguns gandharvas (seres celestiais), e o filho mais novo, Vichitravirya, foi entronizado. Bheeshm raptou as três princesas de um reino vizinho e trouxe-as para Hastinapur para se casarem com Vichitravirya. A mais velha delas declarou que estava apaixonada por outra pessoa, então foi libertada; as outras duas princesas casaram-se com Vichitravirya, que morreu pouco tempo depois, sem deixar filhos.

Dhritarashtra era o mais forte de todos os príncipes do país, Pandu era habilidoso na guerra e no arco e flecha, e Vidura conhecia todos os ramos do conhecimento, política e arte de governar.

Dhritarashtra, Pandu e Vidura

Para que a linhagem familiar não se extinguísse, Satyavati convocou o seu filho Vyasa para engravidar as duas rainhas. Vyasa era filho de Satyavati e de um grande sábio chamado Parashar, antes do casamento dela com Shantanu. De acordo com as leis da época, um filho nascido de uma mãe solteira era considerado enteado do marido da mãe; por isso, Vyasa podia ser considerado filho de Shantanu e usado para perpetuar o clã Kuru, que governava Hastinapur. Assim, de acordo com o costume Niyog, as duas rainhas tiveram cada uma um filho de Vyasa: a rainha mais velha teve um filho cego chamado Dhritarashtra, e a mais jovem teve um filho saudável, mas extremamente pálido, chamado Pandu. Uma criada das rainhas teve um filho de Vyasa chamado Vidura. Bheeshm criou os três com muito cuidado. Dhritarashtra cresceu e tornou-se o mais forte de todos os príncipes do país, Pandu era extremamente habilidoso na guerra e no arco e flecha, e Vidura conhecia todos os ramos do conhecimento, da política e a arte de governar.

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Com os rapazes crescidos, era hora de ocupar o trono vazio de Hastinapur. Dhritarashtra, o mais velho, foi preterido porque as leis impediam que uma pessoa com deficiência fosse rei, por isso, Pandu foi coroado. Bheeshm negociou o casamento de Dhritarashtra com Gandhari e o de Pandu com Kunti e Madri. Pandu expandiu o reino conquistando as áreas circundantes e trouxe um considerável saque de guerra. Com tudo corria bem no país e os cofres estavam cheios, Pandu pediu ao irmão mais velho para cuidar dos assuntos do Estado e retirou-se com as suas duas esposas para um tempo de descanso nas florestas.

Kauravas e Pandavas

Alguns anos depois, Kunti regressou a Hastinapur, trazendo com ela cinco rapazes e os corpos de Pandu e Madri; eram filhos de Pandu, nascidos das suas duas esposas através do costume Niyog dos deuses: o mais velho nasceu de Dharma, o segundo de Vayu, o terceiro de Indra e os mais novos - gêmeos - dos Ashvins. Entretanto, Dhritarashtra e Gandhari também tiveram os seus próprios filhos: 100 filhos e uma filha. Os anciãos Kuru realizaram os últimos rituais para Pandu e Madri, e Kunti e as crianças foram recebidos no palácio.

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Pandavas
Pandavas Bob King (CC BY)

Todos os 105 príncipes foram posteriormente confiados aos cuidados de um professor: Kripa, inicialmente, e, posteriormente, Drona. A escola de Drona em Hastinapur atraiu vários outros rapazes; Karna, do clã Suta, era um deles. Foi aqui que rapidamente se desenvolveram hostilidades entre os filhos de Dhritarashtra (todos designados de Kauravas, patronímico do seu antepassado Kuru) e os filhos de Pandu (todos designados de Pandavas, patronímico do seu pai).

Duryodhana, o mais velho dos Kauravas, tentou - sem sucesso - envenenar Bheem, o segundo dos Pandavas. Karna, devido à sua rivalidade no tiro ao arco com o terceiro Pandava, Arjuna, aliou-se a Duryodhan. Com o tempo, os príncipes aprenderam tudo o que podiam com os seus professores, e os anciãos Kuru decidiram realizar uma exibição pública das habilidades dos príncipes, na qual os cidadãos tomaram plena consciência das hostilidades entre os dois ramos da família real: Duryodhan e Bheem travaram uma luta com maças que teve de ser interrompida antes que as coisas azadassem, Karna — não convidado, pois não era um príncipe Kuru — desafiou Arjuna, foi insultado por não ser de nascimento real e foi coroado rei de um estado vassalo na hora por Duryodhan. Foi também por volta desta época que começaram a surgir objecções sobre Dhritarashtra ocupar o trono, já que deveria estar apenas a guardá-lo em nome de Pandu, o rei coroado. Para manter a paz no reino, Dhritarashtra declarou o mais velho dos Pandavas, Yudhishthir, como príncipe herdeiro e sucessor aparente.

The Kuru Family Tree
Árvore Genealógica da Família Kuru Anindita Basu (CC BY-NC-SA)

O Primeiro Exílio

Por se considerar o herdeiro legítimo, uma vez que o seu pai era o rei de facto, eram fatores extremamente desagradáveis para Duryodhan o facto de Yudhishthir ser o príncipe herdeiro e da sua crescente popularidade entre os cidadãos. Conspirou para se livrar dos Pandavas, e fê-lo convencendo o pai a enviar os Pandavas e Kunti para uma cidade vizinha, sob o pretexto de uma feira que ali se realizava. O palácio onde os Pandavas ficariam naquela cidade foi construído por um agente de Duryodhan; o palácio era feito inteiramente de materiais inflamáveis, pois o plano era incendiá-lo — junto com os Pandavas e Kunti — assim que se instalassem. Os Pandavas, no entanto, foram alertados sobre o assunto pelo tio Vidura, e tinham já um plano alternativo: cavaram um túnel de fuga sob os aposentos. Certa noite, os Pandavas ofereceram um grande banquete, no qual compareceram todos os habitantes da cidade, e onde uma mulher da floresta e os seus cinco filhos ficaram tão bem alimentados e embriagados que não conseguiam andar e desmaiaram no chão do salão. Naquela mesma noite, os próprios Pandavas incendiaram o palácio e escaparam pelo túnel. Quando as chamas se extinguiram, os habitantes da cidade descobriram os ossos da mulher da floresta e dos filhos e confundiram-nos com Kunti e os Pandavas. Duryodhan pensou que o seu plano tinha sido bem-sucedido e que o mundo estava livre dos Pandavas.

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Arjuna e Draupadi

Entretanto, os Pandavas e Kunti passaram à clandestinidade, mudando-se de um lugar para outro e fazendo-se passar por uma família brâmane pobre. Procuravam abrigo com algum aldeão por algumas semanas, os príncipes saíam diariamente para mendigar comida, voltavam à noite e entregavam os ganhos do dia a Kunti, que dividia a comida em duas partes: metade era para o forte Bheem e a outra metade era partilhada pelos outros. Durante estas andanças, Bheem matou dois demónios, casou-se com uma demónia e teve um filho demónio chamado Ghatotkach. Então, ouviram falar de um swayamvar (uma cerimónia para escolher um pretendente) que estava a ser organizado para a princesa de Panchal e foram lá para ver as festividades. De acordo com o costume, deixaram a mãe em casa e partiram para pedir esmolas: chegaram ao salão do swayamvar, onde o rei distribuía generosamente presentes aos mendigos. Os irmãos sentaram-se no salão para assistir à diversão: a princesa Draupadi, nascida do fogo, era famosa pela sua beleza e todos os príncipes de todos os países vizinhos tinham vindo ao swayamvar, na esperança de conquistar a sua mão. As condições do swayamvar eram difíceis: um longo poste no chão tinha uma engenhoca circular girando no topo, no qual estava preso um peixe. Na parte inferior do poste havia uma urna rasa com água. A pessoa tinha que olhar para baixo, para este espelho d'água, usar o arco e as cinco flechas que lhe eram fornecidas e perfurar o peixe que girava no topo. Eram permitidas cinco tentativas. Era evidente que apenas um arqueiro extremamente habilidoso, como o agora presumivelmente morto Arjuna, poderia passar no teste.

Arjuna at the Draupadi Swayamvar
Arjuna no Swayamvar de Draupadi Charles Haynes (CC BY-SA)

Um por um, os reis e príncipes tentaram atirar no peixe e falharam. Alguns nem conseguiam levantar o arco; outros não conseguiam armá-lo. Os Kauravas e Karna também estavam presentes. Karna pegou o arco e armou-o num instante, mas foi impedido de mirar quando Draupadi declarou que não se casaria com ninguém do clã Suta. Depois de todos os membros da realeza terem falhado, Arjuna, o terceiro Pandava, aproximou-se do poste, pegou o arco, armou-o, colocou todas as cinco flechas nele, olhou para a água, mirou, atirou e perfurou o olho do peixe com todas as cinco flechas numa única tentativa. Arjuna ganhou a mão de Draupadi.

Os irmãos Pandava, ainda disfarçados de brâmanes pobres, levaram Draupadi de volta para a cabana onde estavam hospedados e chamaram por Kunti: «Mãe, mãe, venha ver o que trouxemos hoje.» Kunti, dizendo: «Seja o que for, partilhem entre vocês», saiu da cabana, viu que não se tratava de esmolas, mas da mulher mais bonita que ela já tinha visto, e ficou parada enquanto o significado das suas palavras era compreendido por todos os presentes.

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Entretanto, o gémeo de Draupadi, Dhrishtadyumna, insatisfeito por a sua irmã real ter casado com um plebeu pobre, seguiu secretamente os Pandavas até à cabana. Também os seguiam secretamente um príncipe moreno e o seu irmão loiro — Krishna e Balaram, do clã Yadava — que suspeitavam que o arqueiro desconhecido não poderia ser outro senão Arjuna, que se presumia morto no incidente da queima do palácio, vários meses antes. Estes príncipes eram parentes dos Pandavas — o pai deles era irmão de Kunti —, mas nunca se tinham encontrado antes. Por intenção ou acaso, Vyasa também chegou ao local nesse momento e a cabana dos Pandavas ficou animada por um tempo com gritos felizes de encontros e reuniões. Para cumprir as palavras de Kunti, foi decidido que Draupadi seria a esposa comum de todos os cinco Pandavas. O seu irmão, Dhrishtadyumna, e o seu pai, o rei Drupad, estavam relutantes com este arranjo incomum, mas foram convencidos por Vyasa e Yudhishthir.

Places in the Mahabharata
Localidades no Mahabharata Anindita Basu (CC BY-NC-SA)

Indraprastha e o Jogo de Dados

Após o término das cerimónias de casamento em Panchal, o palácio de Hastinapur convidou os Pandavas e suas noivas a regressarem. Dhritarashtra demonstrou grande alegria ao descobrir que afinal os Pandavas estavam vivos, e dividiu o reino, dando-lhes uma enorme extensão de terra árida para se estabelecerem e governarem. Os Pandavas transformaram a terra num paraíso. Yudhishthir foi coroado e realizou um sacrifício que envolveu todos os reis da terra para aceitarem — voluntariamente ou à força — a sua soberania. Indraprastha, o novo reino prosperou.

Entretanto, os Pandavas tinham feito um acordo entre si em relação a Draupadi: ela seria esposa de cada Pandava, por sua vez, durante um ano. Se algum Pandava entrasse na sala onde ela estivesse com o seu marido daquele ano, esse Pandava seria exilado por 12 anos. Aconteceu que uma vez Draupadi e Yudhishthir, o seu marido daquele ano, estavam presentes no arsenal quando Arjuna entrou para ir buscar o arco e flechas. Consequentemente, partiu para o exílio, durante o qual percorreu todo o país, até à sua ponta mais meridional, e casou-se com três princesas que conheceu ao longo do caminho.

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A prosperidade de Indraprastha e o poder dos Pandavas não eram algo que Duryodhan gostasse. Convidou Yudhisthir para um jogo de dados e pediu ao tio, Shakuni, para jogar em seu nome (Duryodhan). Shakuni era um jogador habilidoso; Yudhishthir apostou — e perdeu — passo a passo toda a sua riqueza, o seu reino, os seus irmãos, a si mesmo e Draupadi, que foi arrastada para a sala de dados e insultada. Houve uma tentativa de despir-lhe as roupas, e Bheem perdeu a paciência e jurou matar todos os Kauravas. A situação ficou tão tensa que Dhritarashtra interveio contra a sua vontade, devolveu o reino e a liberdade aos Pandavas e a Draupadi e mandou-os de volta para Indraprastha. Isto irritou Duryodhan, que convenceu o pai e convidou Yudhishthir para outro jogo de dados. Desta vez, a condição era que o perdedor fosse exilado por 12 anos, seguido de um ano de vida incógnita. Se fossem descobertos durante esse período incógnito, o perdedor teria que repetir o ciclo de 12+1. O jogo de dados foi jogado. Yudhishthir perdeu novamente.

Draupadi Humiliated, Mahabharata
Draupadi Humilhado, Mahabharata Basholi School (Public Domain)

O Segundo Exílio

Para este exílio, os Pandavas deixaram a mãe idosa, Kunti, em Hastinapur, na casa de Vidura. Eles viveram nas florestas, caçaram animais e visitaram locais sagrados. Por volta desta época, Yudhishthir pediu a Arjuna que fosse aos céus em busca de armas celestiais, pois, já era evidente que o reino não lhes seria devolvido pacificamente após o exílio e que teriam de lutar por ele. Arjuna assim o fez e, além de aprender as técnicas de várias armas divinas com os deuses, também aprendeu a cantar e dançar com os gandharvas.

Após os 12 anos, os Pandavas ficaram incógnitos por um ano. Durante este período de um ano, viveram no reino de Virat. Yudhishthir foi trabalhar como conselheiro do rei, Bheem trabalhou nas cozinhas reais, Arjuna transformou-se em eunuco e ensinou as donzelas do palácio a cantar e dançar, os gémeos trabalharam nos estábulos reais e Draupadi tornou-se serva da rainha. No final do período de incógnito — durante o qual não foram descobertos, apesar dos esforços de Duryodhan —, os Pandavas revelaram-se. O rei Virat ficou impressionado e ofereceu a filha em casamento a Arjuna, mas ele recusou, pois tinha sido professor de dança dela no ano anterior e os alunos eram como filhos para ele. A princesa casou-se, então, com o filho de Arjuna, Abhimanyu.

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Nesta cerimónia de casamento, um grande número de aliados dos Pandavas reuniu-se para traçar uma estratégia de guerra. Entretanto, foram enviados emissários a Hastinapur para exigir a devolução de Indraprastha, mas as missões fracassaram. O próprio Krishna partiu numa missão de paz e fracassou. Duryodhan recusou-se a ceder tanto terreno quanto a ponta de uma agulha, quanto mais as cinco aldeias propostas pelas missões de paz. Os Kauravas também reuniram os seus aliados e até mesmo afastaram um aliado importante dos Pandavas — o tio materno dos gémeos Pandavas — por meio de artimanhas. A guerra tornou-se inevitável.

Arjuna During the Battle of Kurukshetra
Arjuna durante a Batalha de Kurukshetra Unknown (Public Domain)

A Guerra de Kurukshetra e Suas Consequências

Pouco antes do toque da corneta de guerra, Arjuna viu diante de si os seus familiares: o bisavô Bheeshm, que praticamente o criara, os seus professores Kripa e Drona, os seus irmãos Kauravas e, por um momento, a sua resolução vacilou. Krishna, o guerreiro por excelência, tinha abandonado as armas para esta guerra e escolhido ser o cocheiro de Arjuna. Arjuna disse-lhe: «Leva-me de volta, Krishna. Não consigo matar estas pessoas. São o meu pai, os meus irmãos, os meus professores, os meus tios, os meus filhos. De que adianta um reino conquistado à custa das suas vidas?» Seguiu-se então um discurso filosófico que actualmente é um livro separado - o Bhagavad Gita (Bagavadeguitá). Krishna explicou a Arjuna a impermanência da vida e a importância de cumprir o dever e seguir o caminho recto. Arjuna pegou novamente no seu arco.

सुखदुखे समे कृत्वा लाभालाभौ जयाजयौ। ततो युद्धाय युज्यस्व नैवं पापमवाप्स्यप्ति।। Se prosseguir para a guerra tratando igualmente a alegria e a tristeza, o ganho e a perda, a vitória e a derrota, não cometerá pecado. [2.38]
कर्मण्येवाधिकारस्ते मा फलेषु कदाचन । मा कर्मफलहेतुर्भूर्मा ते सङ्गोऽस्त्वकर्मणि ॥ Tem apenas o direito de trabalhar; não tem direito aos frutos do seu trabalho. Não deixe que um resultado esperado dite as suas ações; também não fique ocioso. [2.47]

A batalha durou 18 dias. O exército totalizava 18 akshauhinis, 7 do lado dos Panadavas e 11 do lado dos Kauravas (1 akshauhini = 21.870 carruagens + 21.870 elefantes + 65.610 cavalos + 109.350 soldados a pé). As baixas de ambos os lados foram elevadas. Quando tudo terminou, os Pandavas venceram a guerra, mas perderam quase todos os seus entes queridos. Morreram Duryodhan e todos os Kauravas, assim como todos os homens da família de Draupadi, incluindo todos os seus filhos com os Pandavas. Karna, agora morto, revelou-se ser um filho de Kunti antes do seu casamento com Pandu e, portanto, o mais velho dos Pandavas e o legítimo herdeiro do trono. O grande ancião, Bheeshm, estava a morrer; o seu professor Drona estava morto, assim como vários parentes seus, tanto consanguíneos como por casamento. Em cerca de 18 dias, o país inteiro perdeu quase três gerações dos seus homens. Foi uma guerra sem precedentes em termos de escala, foi a Grande Guerra Indiana, a Maha-bharat.

Após a guerra, Yudhishthir tornou-se rei de Hastinapur e Indraprastha. Os Pandavas governaram por 36 anos, após os quais abdicaram em favor do filho de Abhimanyu, Parikshit. Os Pandavas e Draupadi seguiram a pé para os Himalaias, com a intenção de viver os seus últimos dias escalando as encostas em direção ao céu. Um por um, caíram nesta última jornada e os seus espíritos ascenderam aos céus. Anos mais tarde, o filho de Parikshit sucedeu ao pai como rei, realizou um grande sacrifício, no qual toda esta história foi recitada pela primeira vez por um discípulo de Vyasa chamado Vaishampayan.

Legado

Desde então, esta história foi recontada inúmeras vezes, aumentada e recontada novamente; o Mahabharata continua popular até hoje na Índia, e foi adaptado e reformulado em modo contemporâneo em vários filmes e peças de teatro. As crianças continuam a receber nomes de personagens do épico. O Bhagavad Gita é uma das escrituras mais sagradas do hinduísmo. Além da Índia, a história do Mahabharata é popular no sudeste asiático, em culturas que foram influenciadas pelo hinduísmo, como a Indonésia e a Malásia.

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Bibliografia

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
A tradução faz parte do meu ser, desde interpretar o mundo até dominar a arte da transferência linguística. Cursos em turismo, literatura e história culminaram no meu papel como autora independente e coautora de coleções de contos literários.

Sobre o Autor

Anindita Basu
Anindita é escritora técnica e editora. Nas horas livres, interessa-se por Indologia, visualização de dados e etimologia

Cite Este Artigo

Estilo APA

Basu, A. (2025, October 30). Mahabharata. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-12122/mahabharata/

Estilo Chicago

Basu, Anindita. "Mahabharata." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, October 30, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-12122/mahabharata/.

Estilo MLA

Basu, Anindita. "Mahabharata." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 30 Oct 2025, https://www.worldhistory.org/trans/PT/1-12122/mahabharata/.

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