A Biblioteca de Adriano em Atenas foi construída por volta de 132-134 d.C. como parte do grande plano de reconstrução da cidade do imperador romano Adriano. Com a fachada colunada e altas paredes circundantes, a biblioteca era a maior de Atenas e foi construída para impressionar, usada para guardar obras literárias importantes, e documentos legais e administrativos, além de oferecer um local para ouvir preleções e hospedar várias escolas filosóficas.
Resumo Histórico
Localizada logo após o canto norte da Ágora Romana, a biblioteca foi construída num bairro de moradias no fim do período helenístico e no início do período romano. Tornando-se a maior biblioteca de Atenas, foi construída para abrigar não apenas livros, mas também um repositório para os arquivos oficiais do estado. Também ocuparam o edifício várias importantes escolas de ensino e filosofia.
As bibliotecas na antiguidade não eram geralmente usadas como locais onde os livros podiam ser requisitados, mas sim como locais de estudo e arquivo. Os documentos geralmente tinham a forma de rolos de papiro sendo guardados em armários de madeira com divisórias (armaria) colocados em nichos nas paredes da sala. As bibliotecas também eram um lugar para ouvir preleções e oradores, e discutir questões intelectuais com outros visitantes na tranquilidade do jardim da biblioteca. A Biblioteca de Adriano foi famosamente descrita por Pausânias como "o edifício com 100 colunas de mármore da Frígia, com salões com tetos pintados, paredes de alabastro e nichos com estátuas, nos quais os livros eram guardados" (Attica).
Durante a invasão dos Hérulos no ano de 267, a biblioteca sofreu danos notáveis e em 277, quando a cidade procurou proteger-se melhor, incorporou a biblioteca numa muralha de fortificação. A biblioteca foi reformada por Herculius (407-412), o governador [Praefectus (Eparch)] de Ilírico, tendo recebido uma estátua em sua honra na entrada do edifício. A inscrição relacionada a esta estátua ainda é visível no lado esquerdo da entrada. É possível que, ao mesmo tempo, uma igreja cristã primitiva tenha sido construída no espaço do jardim central, embora a estrutura de quatro absides possa ter sido construída em meados do século V. Esta igreja cristã, de fato a primeira de Atenas, foi destruída no século VI e substituída por uma grande basílica de três naves.
Planta e Dimensões
A biblioteca foi construída num plano retangular em forma de peristilo e media 122 x 82 m. A impressionante entrada, localizada no lado oeste do edifício, tinha um pórtico colunado coríntio (propylon), construído no centro de uma fachada de sete colunas coríntias de mármore verde de Karystos de cada lado da entrada. Estas colunas podem ter tido originalmente estátuas por cima, apoiadas por uma parede sólida de mármore pentélico. A entrada recebeu ainda maior grandiosidade ao ter mesmo à sua frente um de pátio de 22 metros de largura.
O grande pátio interno era cercado por colunatas de 100 colunas, enquanto o exterior da biblioteca apresentava uma parede alta e lisa de blocos de pedra Poros. O pátio tinha exedrae (espaços de assento semicirculares) em cada canto com oikoi (espaços retangulares) nos pontos centrais. No centro do pátio havia um jardim e uma piscina decorativa. Uma inscrição no local indica que a biblioteca ficava aberta "da primeira hora até à sexta".
A parte principal do edifício ficava em frente à entrada, no lado leste. Aí mesmo, no centro, ficava a biblioteca propriamente dita, em forma de quadrado com uma sala de leitura de cada lado e um auditorium (sala de preleção) em cada extremidade da ala. As salas de aula tinham fileiras de assentos curvos que subiam como num anfiteatro. A estrutura originalmente tinha um segundo andar ou sótão com uma galeria que dava para o andar inferior e com mais nichos para o arquivo de livros e documentos.
História Posterior
Como muitos edifícios antigos, nos últimos 1000 anos o complexo da biblioteca teve uma história agitada e variada. A grande basílica do século VII foi destruída por um incêndio no século XI e, no século XII substituída por outra basílica de escala menor, a 'Megali Panagia', com apenas uma nave. Contemporânea a esta nova catedral havia uma igreja menor, a 'Agios Asomatos sta Skalia', dedicada ao Arcanjo Miguel, construída perto da entrada.
Quando Atenas ficou sob o controlo turco, a biblioteca foi novamente usada como centro de administração e tornou-se a residência do Administrador Turco de Atenas. A partir do século XV, também foi o local de dois importantes bazares e alguns edifícios residenciais. Durante o século XVIII, o edifício serviu tanto como mesquita quanto como fortaleza. Em 1814, contruíu-se uma torre, que mais tarde teria um relógio ofertado por Lord Elgin; no século XIX, a biblioteca serviu como quartel do exército, e depois como prisão.
As escavações no local começaram no final do século XIX, mas foi apenas na segunda metade do século XX que os edifícios posteriores foram removidos do local e se fez uma tentativa para restaurar partes da biblioteca à sua forma original. Hoje, a fachada da entrada sobrevive de forma suficiente (incluindo restaurações) para dar uma ideia da escala do edifício, e parte da parede interior da ala leste ainda está de pé, onde se podem ver alguns dos nichos originais para documentos. Os suportes dos bancos do auditório nordeste, incluindo a primeira fila de pedra curva, ainda estão in situ. Finalmente, ainda são visíveis elementos arquitetónicos das várias igrejas construídas no pátio central, incluindo partes do seu piso em mosaico.
