Batalha de Stalingrado

A Destruição do Sexto Exército da Alemanha
Mark Cartwright
por , traduzido por Ricardo Albuquerque
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A Batalha de Stalingrado (atual Volgogrado, julho de 1942 a fevereiro de 1943) foi uma tentativa de Adolf Hitler (1889-1945) de controlar o acesso da URSS aos campos de petróleo do Cáucaso. O feroz combate nas ruas pelo Exército Vermelho soviético fez com que a cidade resistisse ao ataque até que uma contraofensiva maciça cercou o Sexto Exército de Hitler.

Considerada como um momento decisivo da Guerra Germano-Soviética, a batalha resultou na destruição de um exército inteiro e na rendição de 91.000 homens, incluindo o marechal de campo Friedrich Paulus (1890-1957). Devido à maior vitória da URSS na Segunda Guerra Mundial (1939-45), as forças nazistas nunca mais se recuperaram e passaram a travar uma guerra defensiva de retirada.

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Centre of Stalingrad After Liberation, 1943
Centro de Stalingrado após a Libertação, 1943 RIA Novosti archive, image #602161 / Zelma (CC BY-SA)

Resumo da Campanha

O líder da Alemanha nazista, Adolf Hitler, lançou seu ataque à União Soviética, intitulado Operação Barbarossa, em junho de 1941. Vitórias arrasadoras logo se seguiram, graças às táticas de blitzkrieg ("guerra relâmpago"), que combinavam o apoio aéreo com divisões blindadas rápidas e de infantaria para avançar em frentes estreitas. A invasão falhou, porém, em tomar grandes cidades. O Exército Vermelho venceu a Batalha de Moscou (outubro de 1941 a janeiro de 1942). O cerco de Leningrado se arrastou por anos, enquanto a cidade também resistia. Stalingrado, ao sul da União Soviética, seria um objetivo igualmente difícil para as forças do Eixo.

As forças do Eixo contra Stalingrado totalizavam pouco menos do que 300.000 homens.

A Cidade de Stalin

Stalingrado ("Cidade de Stalin"), anteriormente conhecida como Tsaritsyn, foi renomeada em 1925, em homenagem ao líder da URSS, Joseph Stalin (em 1967, seu nome mudou para Volvogrado). A cidade possuía há muito uma fortaleza que era sua razão de existir, protegendo a junção dos rios Volga e Tsaritsa e o acesso às fronteiras do sul da Rússia. Suprimentos vitais para o esforço de guerra soviético, incluindo o petróleo do Cáucaso, passavam por Stalingrado, que abrigava um importante centro industrial. Se Hitler conseguisse capturar a cidade, "os soviéticos sofreriam um golpe econômico devastador" (Rees, 142).

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Os Exércitos Opostos

A tarefa de conquistar Stalingrado, a Operação Heron, ficou a cargo do general Paulus, comandante do Sexto Exército, o maior de Hitler. Paulus tinha pouca experiência no campo de batalha, já que havia servido como oficial de estado-maior até o momento na guerra. Ele contribuiu para o planejamento da Operação Barbarossa e, em maio de 1942, para a vitória na Segunda Batalha de Cracóvia. As forças do Eixo contra Stalingrado totalizavam pouco menos do que 300.000 homens (Antill, 54).

Vasily Chuikov
Vasily Chuikov Министерство обороны СССР (CC BY)


Também estava envolvido na operação a Quarto Exército Panzer, liderado pelo general Hermann Hoth (1885-1971); e o Grupo de Exércitos B, sob o comando do general Maximilian von Weichs (1881-1954). Além disso, havia tropas aliadas do Eixo posicionadas nos flancos da linha de frente de Stalingrado. Estes exércitos romenos, húngaros e italianos não tinham o mesmo treinamento, equipamento ou experiência das tropas alemães.

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A problemática defesa de Stalingrado, que se estendia por cerca de 40 km ao longo da margem ocidental do Rio Volga, estava nas mãos do 62º Exército soviético, liderado pelo major-general Vasily Chuikov (1900-1982). Conhecidos entre seus homens como "General Teimosia" e famoso pelo seu reluzente sorriso de coroas dentárias de ouro, Chuikov prometeu a Stalin: "Vamos manter a cidade ou morreremos lá" (Dear, 183). O Exército Vermelho totalizava cerca de 54.000 homens (Antill, 54), mas, de maneira fundamental, Chuikov recebia continuamente reforços e suprimentos através da margem oriental do Volga.

Após vencer uma batalha a leste de Kalach e capturar 50.000 prisioneiros soviéticos em 7 de agosto, Paulus seguiu para Stalingrado. Devido à aparente facilidade do avanço, Hitler retirou algumas divisões blindadas do Sexto Exército e as redirecionou para a campanha em andamento no Cáucaso. No final de agosto, Paulus começou a reunir suas tropas para um ataque frontal a Stalingrado, que estava a apenas 15 km de distância. No dia 29 de agosto, o general Georgi Zhukov (1896-1974) assumiu o comando geral da frente mais ampla de Stalingrado e planejou uma contraofensiva a ser realizada em novembro, com o codinome Operação Urano. Com a transferência de Zhukov, a execução da Urano ficou a cargo do general Aleksandr Vasilevsky (1895-1977).

Aerial Photograph of Battle of Stalingrad
Fotografia Aérea da Batalha de Stalingrado Bundesarchiv, Bild 183-B22176 (CC BY-SA)

A Luta nas Ruas em Stalingrado

Stalingrado passou a estar em estado de guerra no dia 19 de julho. Stalin decidiu que, para manter elevada a moral do país, a cidade que levava seu nome precisava ser defendida a qualquer custo. Organizaram-se milícias locais e as unidades incluíam mulheres, assim como muitas das unidades antiaéreas. Cada quarteirão, cada rua e cada prédio precisava ser defendido pelo maior tempo possível.

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Os combates eram muitas vezes brutais, já que cada metro de entulho, trincheiras e esgotos precisava ser checado.

No dia 4 de agosto, o exército do Eixo cruzou o Rio Aksay e se deslocou em direção à cidade. No dia 19, Paulus ordenou o ataque a Stalingrado. Os limites externos da cidade foram alcançados no dia 3 de setembro. Seiscentas aeronaves do Eixo haviam bombardeado Stalingrado repetida e indiscriminadamente de 23 a 26 de agosto, em preparação para este ataque da infantaria, e as tropas nazistas entraram na cidade em 12 de setembro de 1942. Paulus lançou ainda outras ondas de assalto nos dias 27 de setembro e 14 de outubro. Para minimizar as baixas pelos bombardeios e fogo de artilharia, os soldados soviéticos foram instruídos a permanecer o mais próximo possível das posições do Eixo.

Os combates tornaram-se cada vez mais brutais, já que cada metro de entulho, trincheiras e esgotos, além de acessos aos subterrâneos, precisava ser checado. Atiradores de precisão de ambos os lados faziam qualquer movimento precipitado ser fatal. Os tanques soviéticos ficavam deliberadamente escondidos nos escombros para disparar contra o inimigo de surpresa. Os soldados alemães descreveram este estilo pouco familiar de combate como Rattenkrieg ou "guerra de ratos". Enquanto os comandantes do Eixo tentavam descobrir a melhor forma de conduzir a batalha em tais condições, Chuikov inovou ao criar grupos de choque com 50-100 homens, que tinham absoluta autonomia para decidir como combater o inimigo.

Two German Soldiers in Action, Stalingrad, 1942
Dois Soldados Alemães em Ação, Stalingrado, 1942 Propaganda-Kompanie Geller (Public Domain)

O soldado Wilhelm Hoffman, do Sexto Exército, registrou em seu diário a ferocidade dos combates:

11 de setembro: nosso batalhão está combatendo nos subúrbios de Stalingrado. Os tiros não param. Para onde quer que se olhe há fogo e chamas. Os canhões e metralhadoras russos estão disparando da cidade em chamas - fanáticos!

16 de setembro: nosso batalhão, com os tanques, está atacando o silo de grãos. O batalhão está sofrendo grandes baixas. O silo está ocupado não por homens, mas por demônios que balas ou chamas não conseguem destruir.

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18 de setembro: o combate passou para o interior do silo. Se todos os prédios de Stalingrado forem defendidos assim, nenhum de nossos soldados voltará para a Alemanha. (Holmes, 285).

Um soldado soviético, Anton Bosnik, explica por que era tão difícil expulsar os defensores dos prédios:

Ocupávamos um prédio após o outro, transformando-os em fortalezas. Um soldado só se arrastaria para fora de uma posição ocupada quando o terreno estivesse em chamas abaixo dele ou suas roupas estivessem queimando. (ibid)

German Soldier, Battle of Stalingrad
Soldado Alemão na Batalha de Stalingrado Bundesarchiv, Bild 116-168-618 (CC BY-SA)

Em 26 de outubro, Hoffman ainda estava lutando, mas seu diário observa: "Os soldados estão chamando Stalingrado a vala comum da Wehrmacht [Forças Armadas alemãs]" (ibid). Outro soldado, o tenente Reiner, do Quarto Exército Panzer, observou numa carta para casa:

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Stalingrado não é mais uma cidade. De dia é uma enorme nuvem de fumaça ardente e cegante, uma enorme fornalha iluminada pelo reflexo das chamas. Quando a noite chega, uma destas noites muito quentes, barulhentas e sangrentas, os cães se lançam no Volga e nadam desesperadamente para a outra margem. As noites de Stalingrado são um terror para eles. Os animais fogem deste inferno. A rocha mais dura não pode suportar muito tempo. Somente os homens resistem. (Holmes, 286)

Quando as forças do Eixo finalmente controlavam nove décimos da cidade, Hitler fez um discurso precipitado no dia 8 de novembro, declarando que Stalingrado tinha praticamente caído. O Exército Vermelho, no entanto, tinha outras ideias a respeito e lançou uma contraofensiva maciça. Os grupos de exércitos ao norte e sul da cidade receberam ordens de atacar a frente ampla de Stalingrado, avançar em dois movimentos de pinça e então, audaciosamente, cercar o Sexto Exército. Há semanas o exército soviético vinha aumentando suas forças, movendo-se somente à noite, mantendo silêncio de rádio e camuflando seus tanques e infantaria. Mesmo que não conseguisse um ataque de surpresa total, certamente a escala da operação seria um choque para o inimigo.

Soviet Troops, Stalingrad
Tropas Soviéticas, Stalingrado Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

O Bolsão do Sexto Exército

Na frente de batalha de Stalingrado, os pontos fracos do Eixo eram o Terceiro e Quarto Exércitos romenos, o Oitavo Exército italiano e o Segundo Exército húngaro. O tenente-general Nikolai Fedorovich Vatutin (1901-1944) direcionou dois exércitos de campo e um de tanques para atacar o Terceiro Exército Romeno no dia 19 de novembro, o início da Operação Urano. Antes do avanço do Exército Vermelho em meio à neve que caía, uma enorme barragem de artilharia atingiu as linhas inimigas. No dia 20 de novembro, o Quarto Exército Romeno foi atacado pelo 51º Exército soviético, liderado pelo tenente-general Andrey Eremenko (ou Yeryomenko, 1892-1970). Os flancos do Eixo ruíram completamente e, em 23 de novembro, quando as pinças se fecharam, nas proximidades de Kalach, o Sexto Exército estava cercado.

Paulus pediu então permissão a Hitler para retirar 250.000 homens do bolsão de Stalingrado. Essa área media cerca de 60 km de leste a oeste e 45 km de norte a sul. Hitler recusou-se a autorizar uma retirada, como havia feito tantas vezes durante a campanha, mas prometeu que suprimentos seriam enviados por via aérea. O comandante da Luftwaffe (Força Aérea alemã), Hermann Göring (1893-1946), garantiu a Hitler que poderia entregar 300 toneladas de suprimentos vitais a cada 24 horas. Estudos anteriores já haviam demonstrado a impossibilidade deste plano, devido à falta de aeronaves adequadas e de cobertura de caças, além do mau tempo. Ainda assim, Hitler agarrou-se à promessa de Göring como uma salvação desesperada e, diante das privações enfrentadas pelos soldados de Stalingrado, proibiu o consumo de champanhe e conhaque em seu quartel-general, pelo menos por algumas semanas.

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Uma grande força de resgate foi organizada pelo marechal de campo Erich von Manstein (1887-1973), o maior solucionador de problemas do líder nazista. Comandada pelo general Hermann Hoth (1885-1971), essa força consistia em três divisões panzer e duas de infantaria. O plano, intitulado Operação Tempestade de Inverno, pretendia abrir uma brecha nas forças que cercavam o Sexto Exército, permitindo que Paulus se retirasse. Manstein insistiu que, para o resgate ser efetivo, Paulus precisava recuar para se encontrar com as forças de vanguarda de Hoth, mas Hitler recusou esta opção, insistindo que o Sexto Exército não recuasse um milímetro de Stalingrado. As tropas de Hoth começaram seu ataque no dia 12 de dezembro.

Red Army T34 Tanks
Tanques T-34 do Exército Vermelho RIA Novosti archive, image #1274 / V. Kaushanov (CC BY-SA)

Os soviéticos responderam à aproximação das tropas de resgate pelo sul com o ataque ao Oitavo Exército italiano, no dia 16 de dezembro. A frente soviética pressionava agora tanto a oeste quanto ao sul de Stalingrado. As tropas de Hoth conseguiram chegar a 48 km do bolsão no dia 19 de dezembro, mas interromperam o avanço. Se o Sexto Exército tivesse deixado o bolsão, poderia ter se reunido ao exército de Hoth, mas Hitler ainda rejeitava a ideia.

Enquanto isso, o Sexto Exército recebia apenas 90 toneladas de suprimentos diários por via aérea - montante inadequado para as necessidades do exército, estimadas pelo comandante em, no mínimo, 750 a 800 toneladas por dia. Para piorar a situação, no dia 28 de dezembro, Manstein foi obrigado a recuar as tropas de Hoth, que também corriam o risco de serem cercadas. O Sexto Exército ficou por sua própria conta.

Em janeiro de 1943, o bolsão de Stalingrado passou a receber um pouco mais de suprimentos pelo ar, em média 120 toneladas diárias, total insuficiente para o atendimento às necessidades dos soldados, que tinham direito somente a rações escassas. As condições do rigoroso inverno são descritas a seguir por Bernhard Bechler:

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Ao me deitar e colocar a mão sob o colarinho, ela ficava cheia de piolhos. E os piolhos transmitiam tifo [...] Não tínhamos nada para comer. Havia alguns cavalos congelados e, pegando um machado, cortávamos alguns pedaços de carne para aquecê-la numa panela, apenas para ter algo para comer. Ficávamos ali, deitados, sem comida, quase congelados até a morte, era terrível. (Rees, 182)

Red Army Soldiers
Soldados do Exército Vermelho Imperial War Museum (CC BY-NC-SA)

No dia 8 de janeiro, Paulus foi convidado a se render por uma delegação de três oficiais do Exército Vermelho. O general pediu a Hitler liberdade de ação para responder, mas o líder nazista proibiu novamente a rendição. Hitler acreditava que, a cada dia que o Sexto Exército resistisse, evitaria que o avanço soviético atingisse as forças do Eixo ao sul.

Cerca de 30.000 feridos foram evacuados do bolsão nos aviões de suprimentos que saíam de Stalingrado. Para quem permanecia, o combate ficou impossível, conforme descreve Bechler:

Certo dia, três soldados do Exército Vermelho aproximaram-se da nossa pequena trincheira. Estávamos vivendo ali, meu ajudante - um jovem tenente - e eu [...] Subitamente, os soldados do Exército Vermelho vinham em nossa direção. Pensamos, num piscar de olhos, não temos munição, isso é o fim. Eles vão atirar em nós ou nos levar como prisioneiros. O que devemos fazer? Naquele momento, vi meu ajudante tirar uma foto do bolso da jaqueta do uniforme. Olhei para ela e era a foto de sua jovem esposa e duas crianças muito pequenas. Ele olhou a foto, rasgou-a em pedaços, puxou sua arma, deu um tiro na cabeça e morreu [...] No instante seguinte, o soldado do Exército Vermelho estava sobre mim. Ele segurou a pistola em meu peito, mas não puxou o gatilho e, naquele momento, quando percebi que ele não ia atirar em mim, minha segunda vida começou. (Rees, 184)

No dia 10 de janeiro, após um maciço bombardeio de artilharia, as forças soviéticas comandadas pelo tenente-general Konstantin Rokossovsky (1896-1968) penetraram no bolsão e, ao longo da semana seguinte, avançaram até metade da área ainda controlada pelos alemães. Reduzido a um único aeródromo operacional, Paulus estava abrigado no porão de uma loja de departamentos bombardeada. No dia 24 de janeiro, outra delegação soviética ofereceu a rendição a Paulus. Novamente, o general sitiado pediu permissão a Hitler. O Führer respondeu com a seguinte mensagem:

A rendição é proibida. O Sexto Exército manterá suas posições até o último homem e a última bala e, por sua resistência heroica, dará uma contribuição inesquecível para estabelecer uma frente defensiva e a salvação do mundo ocidental. (Shirer, 930)

Friedrich Paulus
Friedrich Paulus Johannes Hähle (Public Domain)

Havia somente dois bolsões bastante reduzidos oferecendo algum tipo de resistência. No dia 30 de janeiro, Hitler anunciou a promoção de Paulus a marechal de campo, iniciativa considerada por muitos historiadores como uma forte sugestão para que o comandante cometesse suicídio. Porém, Paulus revelou ao comandante de batalhão Gerhard Hindenlang, no dia 30 de janeiro, que suas crenças religiosas impediam tal alternativa: "Hindenlang, sou cristão. Recuso-me a cometer suicídio" (Rees, 185). No dia seguinte, 31 de janeiro, o novo marechal de campo anunciou a rendição do bolsão em que estava, mas não estendeu a ordem ao outro bolsão. Hitler enviou ordens para este grupo de que cada homem deveria lutar até a morte. No dia 2 de fevereiro, o último bolsão foi invadido pelo Exército Vermelho.

Um marechal de campo havia capitulado pela primeira vez na história do exército alemão. O Sexto Exército perdeu cerca de 275.000 homens em Stalingrado. Este total inclui 150.000 homens mortos e 91.000 prisioneiros de guerra, dos quais 20.000 feridos. Entre os prisioneiros estavam 24 generais. Paulus foi criticado não por desobedecer às ordens de Hitler, como vários comandantes militares haviam feito em situações similares. Conforme destaca o historiador M. M. Boatner: "Um general mais duro, decisivo e experiente poderia ter salvo algo daquela campanha" (417). Os exércitos não alemães do Eixo também sofreram pesadas baixas. A Itália perdeu 110.000 homens (mortos ou feridos), a Hungria 143.000 e a Romênia, 160.000. Estes países não tinham como repor tais perdas. No outro lado, a vitória também cobrou um preço bastante elevado. Dois milhões de civis morreram em Stalingrado de fome ou pelo fogo inimigo (Rees, 177).

Consequências

Hitler anunciou a derrota para o povo alemão pelo rádio, no dia 3 de fevereiro, um comunicado que terminou com a execução do segundo movimento da Quinta Sinfonia de Ludwig van Beethoven (1770-1827). Como um sinal de respeito pelos mortos, Hitler declarou quatro dias de luto nacional, durante o qual todos os teatros e cinemas foram fechados.

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Salute to the Red Army
Homenagem ao Exército Vermelho Imperial War Museum (CC BY-NC)

A longa derrota em Stalingrado permitiu ao Grupo de Exércitos A se retirasse, ao sul, evitando um destino similar ao do Sexto Exército. Hitler certamente conseguiu combater, mas a derrota em Stalingrado demonstrou também que jamais conseguiria vencer uma guerra de atrito contra a URSS, graças à produção industrial soviética e a capacidade de substituir as perdas de soldados. A derrota teve um efeito psicológico poderoso, como o historiador J. Dimbleby observa: "Foi uma catástrofe para o Terceiro Reich, um golpe devastador em seu moral já abalado" (498). Para a URSS, a defesa bem-sucedida de Stalingrado foi um dos destaques da guerra. A cidade tinha sido destruída na batalha, mas foi reconstruída e recebeu o título oficial de "Heroica".

A Segunda Guerra Mundial na Europa terminou com a queda de Berlim em maio de 1945. O marechal de campo Friedrich Paulus testemunhou nos julgamentos de Nuremberg do pós-guerra e foi liberto do cativeiro soviético em 1953. Ele se saiu melhor do que a maioria dos seus compatriotas na mesma situação. Dos 91.000 homens enviados para campos de prisioneiros soviéticos após a rendição em Stalingrado, apenas cerca de 5.000 voltaram para casa.

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Sobre o Tradutor

Ricardo Albuquerque
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o Autor

Mark Cartwright
Mark é escritor, pesquisador, historiador e editor. Tem grande interesse por arte, arquitetura e por descobrir as ideias compartilhadas por todas as civilizações. Possui mestrado em Filosofia Política e é Diretor Editorial da WHE.

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Estilo APA

Cartwright, M. (2025, agosto 29). Batalha de Stalingrado: A Destruição do Sexto Exército da Alemanha. (R. Albuquerque, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2696/batalha-de-stalingrado/

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Cartwright, Mark. "Batalha de Stalingrado: A Destruição do Sexto Exército da Alemanha." Traduzido por Ricardo Albuquerque. World History Encyclopedia, agosto 29, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2696/batalha-de-stalingrado/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Batalha de Stalingrado: A Destruição do Sexto Exército da Alemanha." Traduzido por Ricardo Albuquerque. World History Encyclopedia, 29 ago 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2696/batalha-de-stalingrado/.

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