Higiene, Vestuário e Joalharia Viking

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Joshua J. Mark
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Embora os vikings sejam habitualmente retratados como rudes, sujos e violentos, eram na realidade bastante refinados, levavam a higiene pessoal a sério e vestiam roupas finas adornadas com joias. Alguns cronistas cristãos que condenavam os vikings também referem o seu vestuário requintado e a atenção dada à aparência pessoal.

Norse Clothing as Depicted in the Vikings
Vestuário Nórdico tal como Retratado em Vikings History Channel (Copyright, fair use)

O vestuário viking era feito de lã, linho e peles de animais, e de seda para os mais abastados. Os pentes — que parecia que quase todos os vikings transportavam — eram entalhados em haste de cervo, osso, marfim e madeira, sendo frequentemente guardados nos seus próprios estojos. As joias da classe alta eram feitas de prata, ouro, pedras preciosas e vidro polido, mas a classe baixa também se adornava dentro dos seus limites, utilizando estanho, chumbo, ferro e possivelmente cobre. Os sapatos e botas eram feitos de pele de animal e não tinham cunhas. Exceto os escravos, de um modo geral, os escandinavos vestiam-se bem e orgulhavam-se muito da sua aparência pessoal. Começavam cada manhã com uma rotina de higiene pessoal, e o sábado era reservado para tomar banho e lavar a roupa; um hábito que os cronistas anglo-saxónicos achavam estranho e censurável.

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A reputação dos vikings por andarem bem arranjados provém de relatos cristãos que condenavam esse comportamento como uma postura vaidosa.

Os vikings eram escandinavos (embora nem todos os escandinavos fossem vikings), e a sua ênfase no cuidado pessoal e no vestuário refletia os valores da cultura mais ampla. Tem sido sugerido que o conceito de Destino desempenhava um papel nisto, uma vez que nunca se sabia o dia da própria morte e, por isso, devia-se estar sempre com o melhor aspecto possível para a chegada inevitável à vida após a morte. A poesia nórdica, nomeadamente o Hávamál e o Reginsmál, sublinha a importância de começar o dia "penteado e lavado", visto que não se sabia onde se estaria ao anoitecer ou mesmo se ainda se estaria entre os vivos.

Acreditava-se que a alma do falecido chegava a um dos vários destinos do além com o aspeto que tinha em vida. Os heróis do Valhala, por exemplo, mantêm a mesma armadura e armamento que tinham quando morreram. Vestir-se e arranjar-se diariamente garantia que não se teria de sentir vergonha na presença dos deuses e das almas que já tinham partido, tendo também um significado cósmico na manutenção da ordem e no adiantamento do cataclismo do Ragnarök que poria fim ao mundo.

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As Fontes sobre o Vestuário, a Higiene e a Joalharia Viking

As informações sobre o vestuário viking provêm de evidências arqueológicas, representações artísticas e obras escritas pelos seus inimigos. A investigadora Kirsten Wolf comenta:

Podem distinguir-se dois tipos de evidências [ao determinar o que os escandinavos da Era Viking vestiam]. Um deles compreende retalhos de tecido que foram preservados através do contacto com broches, e estes fragmentos fornecem informações sobre os tipos de tecido utilizados. Além disso, a colocação dos broches, que eram utilizados principalmente como fechos de vestuário, num cadáver totalmente vestido oferece pistas sobre os designs e cortes das roupas. O outro consiste em arte figurativa contemporânea, tal como as pedras com imagens de Gotland erguidas entre os séculos V e XI, pendentes com figuras e a tapeçaria encontrada no enterramento do barco de Oseberg.

(págs. 100-101)

Os espólios tumulares forneceram algumas das evidências mais interessantes da moda viking, uma vez que as mulheres eram sepultadas com uma quantidade significativa de joalharia, que incluía broches que seguravam o seu manto ou túnica no sítio. Uma vez que os têxteis podem ser preservados através do contacto com metais, foram encontrados pedaços de pano que sugerem o tipo de roupa usada e até a forma como era vestida. A moda feminina está melhor atestada do que a masculina nos espólios tumulares, dado que muitos homens eram cremados. Algumas das pedras com imagens de Gotland também oferecem perspetivas sobre a moda nórdica, como a que retrata Odin a chegar à vida após a morte, que mostra o traje feminino e masculino.

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Odin on Sleipnir (Tjängvide image stone)
Odin em Sleipnir (pedra com imagem de Tjängvide) Berig (GNU FDL)

A reputação que os vikings tinham de serem cuidadosos com a aparência decorre de relatos cristãos que condenavam esse comportamento como ostentação vaidosa, que seduzia os cristãos a imitarem os costumes pagãos e, por conseguinte, enfurecia Deus. Após o ataque viking ao mostastério de Lindisfarne em 793, o erudito Alcuíno († por volta de 804) escreveu várias cartas a reis ingleses a denunciar os cristãos que tinham começado a vestir-se e a cuidar de si tal como faziam os vikings pagãos, uma vez que isso tinha claramente incorrido na ira de Deus. As invasões vikings na Bretanha, afirmava ele, eram um castigo divino pelo pecado do autocuidado do povo, evidente na sua imitação dos vikings:

Considerai o vestuário, a forma de usar o cabelo, os hábitos luxuosos dos príncipes e do povo. Olhai para o vosso corte de barba e cabelo, no qual desejastes assemelhar-vos aos pagãos. Não sois ameaçados pelo terror daqueles cujos costumes quisestes seguir?

(Somerville & McDonald, pág. 187)

Os escritos cristãos diabolizam habitualmente os vikings, mas deixam escapar periodicamente o ressentimento cristão em relação aos invasores escandinavos — que se apresentavam mais bem-aprazados e com um aroma mais agradável. O investigador Magnus Magnusson cita a famosa passagem do cronista inglês do século XIII João de Wallingford, na qual este justifica o massacre dos dinamarqueses em 1002:

Os dinamarqueses tornaram-se demasiado aceitáveis para as mulheres inglesas devido aos seus modos elegantes e ao seu cuidado pessoal. Penteteavam o cabelo todos os dias, banhavam-se todos os sábados e mudavam frequentemente de roupa. Destacavam a sua pessoa através de muitos artifícios fúteis deste género. Deste modo, assediavam a virtude das mulheres casadas e persuadiam as filhas, mesmo dos nobres, a serem suas concubinas.

(pág. 135)

O ressentimento dos ingleses face aos recém-chegados decerto não se devia exclusivamente aos melhores hábitos de higiene e de aprumo dos vikings, mas estes fatores adensavam as tensões na Bretanha uma vez que, como observa Magnusson, o costume viking de "tomar banho e mudar de roupa interior dava-lhes uma vantagem injusta sobre os seus rivais anglo-saxões na conquista das afeições das donzelas locais" (Idem). Contudo, a higiene viking era apenas um dos aspetos da sua atração, pois também prestavam muita atenção ao vestuário e aos acessórios.

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O Vestuário Masculino

Os vikings vestiam-se por camadas, começando por roupa interior de linho. Pensa-se que os homens (e as mulheres) usavam uma camisola interior e possivelmente calças interiores, embora isto seja mais uma suposição do que uma certeza, uma vez que não existem provas concretas de peças de roupa interior. A camada seguinte consistia numa túnica de comprimento até aos joelhos e em calças. Parece terem existido dois tipos de conjuntos de topo e fundo: um de corte mais largo e outro mais ajustado ao corpo. Usava-se um cinto à volta da cintura, do qual por vezes pendiam uma faca e uma bolsa, bem como outros objetos pessoais, tais como amuletos. A túnica fazia aba sobre o cinto e descia até meio da coxa.

A sociedade escandinava estava dividida em três classes:

  • Jarls – aristocracia
  • Karls – a classe baixa
  • Thralls – escravos

O traje descrito acima teria sido o vestuário diário básico de um jarl ou de um karl. Um jarl complementava depois o visual com uma capa, por vezes forrada a pêlo ou debruada a seda. Casacos, jaquetas e capas eram por vezes bordados com fio de ouro ou de prata. Um karl podia usar um casaco de lã sobre a camisa exterior, e ambas as classes usavam algum tipo de joalharia, mais frequentemente colares e braçadeiras, bem como toucados ou adereços para a cabeça, que serviam para manter o cabelo no sítio. Os thralls usavam apenas uma túnica de lã até aos joelhos, cingida à cintura por um cinto ou uma corda.

Viking Age Clothing
Vestuário da Era Viking Wolfmann (CC BY-SA)

Existiam dois tipos de sapatos — com sola e de pele simples: os de sola eram feitos costurando um tipo de pele de animal a uma sola mais grosseira, ao passo que o sapato de pele era constituído por uma única peça cosida a si própria. O sapato de pele assemelhava-se a uma meia muito grossa em que se enfiava o pé e que se atava acima do tornozelo com atacadores. As botas eram habitualmente sapatos com sola e eram fabricadas em pele de vaca e de veado.

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O Vestuário Feminino

O vestuário das mulheres era menos variado do que o dos homens, mas também consistia em camadas, começando por uma peça interior de lã ou linho. As mulheres de classes mais altas usavam uma camisa de linho (chemise), com ou sem mangas, com um vestido por cima suspenso por alças sobre os ombros. Os vestidos eram usados largos ou mais justos ao corpo, consoante a forma como eram dispostos numa mulher e o aperto com que ficavam presos. O vestido envolvia o corpo da mulher e era mantido no sítio por um ou mais broches que determinavam o caimento sobre a silhueta. Wolf comenta:

De um destes broches, habitualmente o direito, podiam pendurar-se em tiras utensílios têxteis como tesouras, pinças, um furador ou um porta-agulhas, e entre os broches podiam suspender-se festões de contas, por vezes com a adição de pingentes de âmbar ou prata. À volta da cintura usava-se um cinto com faca e bolsa e, se a mulher fosse a dona da casa, as chaves da arca da despensa ou do tesouro. As mulheres casadas também podiam usar um toucado alto ou um lenço à volta do cabelo.

(pág. 104)

Tanto os homens como as mulheres privilegiavam chapéus de três tipos básicos: um gorro bicudo ou cónico, um barrete de lã justo e um diadema (fita para a cabeça) de metal. As capas com capuz também eram populares entre a classe alta, tal como as capas com mangas e os xales presos por um broche ornate. O toucado das mulheres parece ter sido mais elaborado, mas, mais uma vez, isto é difícil de fundamentar uma vez que, como se referiu, se preservou mais joalharia feminina como espólio funerário e, por conseguinte, há menos chapelaria masculina com que a comparar. A peça de chapelaria viking mais famosa — o capacete com cornos — ou era usada apenas em cerimónias ou tratava-se de uma construção dos cronistas cristãos. Os capacetes vikings não tinham cornos nem asas, pois esse tipo de ornamentação seria pouco prático em combate.

Viking Age Oval Brooches from Hedeby
Broches ovais da Era Viking de Hedeby Einsamer Schütze (CC BY-SA)

As mulheres, tal como os homens, calçavam tanto sapatos com sola como de pele, por vezes decorados, e também preferiam colares mais elaborados do que os usados pelos homens. Os colares das mulheres eram frequentemente feitos de contas polidas ou pedras preciosas, mas também podiam ser de prata ou ouro. Os colares dos homens eram muitas vezes mais simples, por vezes com contas de vidro à volta de um talismã, como um amuleto do martelo de Thor.

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A Joalharia

A joalharia nórdica era variada e usada por ambos os sexos. Entre os artigos favoritos encontravam-se torques, colares, braceletes, anéis para os dedos e para os artelhos, argolas para os braços, brincos, amuletos e pingentes, braçadeiras, contas e broches. Wolf comenta sobre a popularidade e a necessidade do broche:

Os broches eram aquilo a que se pode chamar joalharia obrigatória, uma vez que desempenhavam uma função no vestuário enquanto fechos. Foram encontrados muitos broches, desde peças individualizadas em metais preciosos até artigos produzidos em massa com materiais básicos e baratos. Estes últimos eram por vezes dourados para lhes dar o aspeto de ouro e prata. Os broches ovais e aboboados usados pelas mulheres para prender os vestidos são os mais comuns. Usados aos pares, medem habitualmente 10 a 12 cm (3.9-4.7 polegadas) de comprimento, ostentam uma decoração em relevo pronunciado e são por vezes ornamentados com filigrana. O ornamento típico é um tipo de decoração de "besta agarradora.

(pág. 105)

Os torques de pescoço eram tipicamente usados pelos homens e eram feitos de hastes metálicas entrelaçadas, por vezes suportando uma gema, um amuleto ou um pingente, ao passo que os colares das mulheres, como se referiu, eram mais elaborados. Os anéis de dedo diferiam entre os sexos apenas no tamanho, tal como as argolas para os braços, embora tanto as argolas como as braçadeiras (argolas de braço mais grossas) também parecessem revestir-se de significado cerimonial e social.

A argola de braço nórdica funcionava essencialmente como uma carteira. Era concebida para poder ser facilmente dobrada, permitindo que um pedaço fosse partido para ser oferecido em troca de mercadorias e serviços.

A argola de braço servia essencialmente de carteira. Foi concebida para ser facilmente dobrada e para que se pudesse partir um pedaço para ser oferecido em troca de mercadorias e serviços. A argola de braço também servia para marcar a transição de um rapaz para homem ou como presente de alguém de estatuto social superior para um subordinado. Um exemplo disto é a figura do rei Hrothgar em Beowulf, conhecido como um "doador de anéis" — um senhor generoso que concede dádivas livremente àqueles que o agradam.

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Uma das peças de joalharia mais populares, a seguir ao broche, era o pingente, que assumia muitas formas. Os pingentes homenageavam habitualmente os deuses e podiam, por isso, assumir a forma de um trono, de um cavalo em honra da montada de Odin, Sleipnir, de diferentes armas associadas a divindades e, o mais popular de todos, o martelo de Thor, Mjölnir. O martelo de Thor como pingente era entendido não só como um amuleto protetor contra ameaças, mas também como uma fonte de força pessoal a que se podia recorrer para enfrentar os caminhos da vida.

Thor's Hammer Amulet
Amuleto do Martelo de Thor Gunnar Creutz (CC BY-SA)

O Destino e a Aparência Pessoal

Na crença nórdica, o destino de cada um era decidido à nascença, mas o que se fazia entre o nascimento e a morte dependia inteiramente do indivíduo. Na Völuspá, da Edda Poética, a vidente descreve as Nornas (as Fadas do Destino), que vivem nas raízes da Árvore do Mundo, Yggdrasil, junto à Fonte de Urd, e tecem os destinos de todos os seres vivos:

Três mulheres sábias

Vivem ali,

Junto àquela fonte

Sob aquela árvore.

Urd chama-se uma,

Outra é Verthandi,

A terceira chama-se Skuld.

Elas esculpem o destino dos homens,

Elas determinam as leis do destino,

Elas escolhem a duração da vida

De cada criança humana

E como cada vida terminará.

(Estrofe 20, Crawford, pág. 6)

O indivíduo não tinha maneira de saber o que as Fadas tinham decidido, pelo que o melhor curso de ação era viver cada dia como se fosse o último. Um dos aspetos de viver bem era a atenção à aparência pessoal, incentivada por passagens da poesia nórdica como o Hávamál e o Reginsmál. Ambas as obras contêm versos que exortam especificamente o público a cuidar do seu aspeto antes de sair de casa de manhã:

Todo o homem deve

Manter-se limpo e penteado,

E alimentar-se de manhã.

Nunca sabes

Onde estarás à noitada,

Por isso é mau sair de casa com fome.

(Reginsmál, 25; Crawford pág. 240)

Deves sair sempre

Com o cabelo penteado

E uma refeição no estômago,

Mesmo que não possas pagar boas roupas.

Não deves ter vergonha

Dos teus sapatos e calças

Nem do teu cavalo,

Mesmo que não seja um bom animal.

(Hávamál, 61; Crawford pág. 28)

A importância da aparência pessoal no quotidiano é sublinhada em ambos os versos, mas o autocuidado na higiene também revestia significado cósmico, na medida em que os esforços individuais ajudavam a manter a ordem coletiva dos Nove Reinos da cosmologia nórdica. Os seres humanos viviam em apenas um destes nove reinos, todos eles destinados a ser destruídos no Ragnarök, o Crepúsculo dos Deuses, quando as forças do caos rompessem os seus grilhões e enfrentassem os deuses numa batalha final.

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Viking Age Comb
Pente da Era Viking The Swedish History Museum, Stockholm (CC BY)

No início do Ragnarök, o grande lobo Fenrir uiva à porta de Hel, e a sua irmã fornece-lhe um exército de mortos para combater os deuses. Este exército é transportado para o campo de batalha pelo navio Naglfar, construído com as unhas das mãos (e possivelmente dos pés) dos mortos. O navio não pode navegar até estar concluído e não pode ser concluído até ter unhas humanas suficientes. Cortar as unhas era entendido como um contributo para a ordem universal porque, se alguém morresse com unhas descuradas, aproximava o Naglfar um passo mais da conclusão.

Conclusão

Os vikings, e os escandinavos em geral, compreendiam que viviam nos últimos dias porque o primeiro sinal da vinda do Ragnarök — a morte do deus Baldr — já tinha ocorrido. O destino individual de cada um — bem como o destino coletivo dos Nove Reinos — já tinha sido selado pelas Norns, pelo que o melhor que se podia fazer era desfrutar da vida o máximo possível, o que incluía apresentar um bom aspeto no vestir. Embora algumas peças de roupa fossem deixadas com a sua pigmentação natural, muitas eram tingidas com cores vivas, tais como azul (a partir de pastel-dos-tintureiros - Isatis tinctoria), verde (a partir de pastel-dos-tintureiros e de uma substância amarela), roxo (a partir de líquen e pastel-dos-tintureiros), vermelho (a partir de garança - ruiva-dos-tintureiros, Rubia tinctorum) e amarelo (possivelmente a partir de cascas de cebola), bem como outras cores, como o castanho obtido através da mistura de cascas de noz com outros elementos.

Apesar de os vikings serem habitualmente imaginados como selvagens sanguinários que pilhavam cidades e vilas aterrorizadas (o que decerto faziam), eram, na verdade, muito mais cultos e refinados do que os cronistas responsáveis por essa reputação. O banho e a higiene pessoal não eram valores cristãos, uma vez que se encontravam associados a práticas pagãs. A acusação de Alcuíno contra os cristãos que imitavam a moda viking não foi isolada, pois vários copistas cristãos, antes e depois da Era Viking, denunciaram a higiene pessoal como vaidade.

Para os vikings, no entanto, os cristãos é que eram os selvagens que manifestamente não compreendiam a importância de tomar banho, lavar a roupa e apresentar o melhor aspeto possível. Os relatórios sobre achados em túmulos vikings enfatizam frequentemente o armamento, mas é muito mais comum encontrar nas sepulturas utensílios associados aos cuidados de higiene pessoal, tais como pinças, pentes, palitos e bacias de lavagem. Os vikings encarnavam o conceito de "vestir para ter sucesso" e cumpriam-no na perfeição, embora esta vertente da sua cultura tenha sido largamente ignorada nas representações dos nossos dias.

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Mark, J. J. (2026, agosto 13). Higiene, Vestuário e Joalharia Viking. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1840/higiene-vestuario-e-joalharia-viking/

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Mark, Joshua J.. "Higiene, Vestuário e Joalharia Viking." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, agosto 13, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1840/higiene-vestuario-e-joalharia-viking/.

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Mark, Joshua J.. "Higiene, Vestuário e Joalharia Viking." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 13 ago 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1840/higiene-vestuario-e-joalharia-viking/.

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