Sargão II

Joshua J. Mark
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
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Sargon II Wall Relief (by Jastrow, Public Domain)
Relevo de Parede de Sargão II Jastrow (Public Domain)

Sargão II (reinou 722-705 a.C.) foi um dos reis mais importantes do Império Neoassírio, fundador da Dinastia Sargônida (Sargónida), que governaria o império durante o século seguinte até à sua queda. Ele foi um grande líder militar, estrategista, patrono das artes e da cultura, e prolífico construtor de monumentos, templos e até mesmo de uma cidade.

Seu maior projeto de construção foi a cidade de Dur-Sharrukin (Fortaleza de Sargão, atual Khorsabad, no Iraque), que se tornou a capital do Império Assírio durante seu reinado. Ele era filho de Tiglate-Pileser III (reinou 745-727 a.C.) e possivelmente irmão mais novo de Salmanasar V (reinou 727-722 a.C.). Ele não era o herdeiro escolhido, mas assumiu o trono de seu irmão em circunstâncias que permanecem obscuras.

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É provável, no entanto, que ele tenha orquestrado golpe de estado após se cansar do que considerava o reinado inepto de seu irmão. Assim como o grande Sargão da Acádia (reinou 2334-2279 a.C.), fundador do Império Acádio, em quem se inspirou, seu nome de trono, Sargão, significa "verdadeiro rei", o que os estudiosos interpretaram como sua forma de se legitimar após o golpe.

Seu nome de nascimento é desconhecido, assim como o cargo que ocupou na corte antes de ascender ao trono. Embora regiões do império tenham se revoltado quando ele assumiu o controle, e ele não pareça ter tido o apoio da corte, Sargão II manteve as políticas e estratégias iniciadas por seu pai, aprimorou o exército e a economia e levou o Império Assírio ao seu auge político e militar. Seu reinado é considerado o ápice do Império Neoassírio. Ele foi sucedido por seu filho Senaqueribe (reinou 705-681 a.C.).

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Início do Reinado e Conquistas

Sargão II era de meia-idade quando ascendeu ao trono. Seu papel na administração do pai é desconhecido, pois nenhuma inscrição identifica o filho mais novo de Tiglate-Pileser III pelo nome. A única razão pela qual os estudiosos sabem que Sargão II era filho de Tiglate-Pileser III é por meio das próprias inscrições e documentos da corte de Sargão II durante seu reinado. Sargão II também se refere a Salmanasar V como seu irmão de sangue, e não como título honorífico.

Salmanasar V se esforçou para manter o império de seu pai unido e expandi-lo, o que conseguiu em certa medida, mas seus feitos militares não foram realizados com a rapidez e eficiência que marcaram o reinado de seu pai, e suas políticas tributárias e trabalhistas eram impopulares entre o povo. Os registros assírios não mencionam como ele morreu. A estudiosa Susan Wise Bauer comenta sobre isso, escrevendo:

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Neste ponto [da história], os relatos assírios vacilam. Quando são reabertos, Salmanasar V – com apenas cinco anos no trono e conduzindo dois cercos simultaneamente – está morto. Um novo rei ascendeu ao trono com o nome real de Sargão II. Se Salmanasar tivesse morrido em batalha, [os registros] provavelmente o teriam mencionado. Muito provavelmente, seu sucessor, Sargão II, era um filho mais novo de Tiglate-Pileser, que se aproveitou da fraqueza do irmão para tomar o poder; aqueles longos e aparentemente infrutíferos cercos não devem ter sido populares entre o exército e Salmanasar V também se tornou impopular na Assíria ao tentar impor trabalho forçado ao povo de Assur. Isso não foi bem recebido. (374)

SARGÃO II LEVOU O IMPÉRIO ASSÍRIO AO SEU MAIOR APOGeu POLÍTICO E MILITAR.

Sargão II ascendeu ao trono, aboliu as políticas de tributação e trabalho e pôs fim aos cercos prolongados pela administração de seu irmão. Conquistou Samaria e destruiu o reino de Israel. As inscrições de Sargão registram que ele deportou 27.290 israelitas de sua terra natal e os reassentou em regiões por todo o império, da Anatólia até à Cordilheira de Zagros (a extensão do Império Assírio sob seu reinado, citado em Pritchard, p. 195).

Ao fazer isso, ele simplesmente seguia o procedimento político e militar assírio iniciado pelo rei Adad-Nirari I (reinou 1307-1275 a.C.) e praticado desde então. Esse incidente específico envolvendo a política de reassentamento assírio resultou na famosa perda das Dez Tribos de Israel. Bauer observa que, independentemente de como os deportados possam ou não ter sido tratados:

A deportação foi uma espécie de genocídio, um assassinato não de pessoas, mas do senso de identidade de uma nação. Esses israelitas ficaram conhecidos como as “dez tribos perdidas”, não porque o povo em si estivesse perdido, mas porque sua identidade como descendentes de Abraão e adoradores de Javé foi dispersa nas novas áreas selvagens onde agora eram forçados a estabelecer seus lares. (375)

Com Israel conquistado e as campanhas militares de seu irmão concluídas, Sargão II voltou sua atenção para as regiões do império que haviam se revoltado contra ele.

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Neo-Assyrian Empire
Império Neoassírio Ningyou (Public Domain)

Campanhas Militares

Em 720 a.C., ele marchou sobre a cidade de Hamate (na região da Síria) e a destruiu. Em seguida, prosseguiu para esmagar as outras cidades que haviam se juntado à rebelião, Damasco e Arpade, na Batalha de Qarqar (Carcar). Com a ordem restaurada nas regiões sírias, ele retornou à sua capital, Kalhu, e ordenou a deportação e o reassentamento das comunidades assírias da região que não haviam apoiado sua ascensão ao trono ou que haviam se rebelado ativamente contra ele. Mais de 6.000 "cidadãos ingratos" foram deportados para a Síria para reconstruir Hamate e os outros assentamentos e cidades destruídos na campanha de Sargão II.

Nesse momento, chegou à corte a notícia de que um chefe tribal chamado Merodaque-Baladã havia tomado o controle da cidade da Babilônia. Sargão II partiu de Kalhu à frente de seu exército e enfrentou as forças combinadas da Babilônia e de Elão em batalha nas planícies nos arredores da cidade de Dur. O exército de Sargão II foi repelido pelos elamitas (os babilônios chegaram tarde demais para causar qualquer impacto) e abandonou o campo de batalha; assim, ele perdeu a cidade da Babilônia e as regiões do sul.

Sargão II retornou a Kalhu e reorganizou sua administração. Por volta de 717 a.C., ele concebeu a ideia de construir sua própria capital em terras virgens e ordenou sua construção. Essa cidade se tornaria Dur-Sharrukin, uma preocupação central do rei durante todo o seu reinado. Ele próprio projetou a cidade e escolheu a localização, mas foi novamente desviado por assuntos militares. Nomeou seu filho, o príncipe herdeiro Senaqueribe, como administrador e partiu em campanha.

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A cidade de Carcemís era a capital de um reino muito rico que há muito desfrutava de prosperidade devido à sua localização em uma rota comercial. Em 717 a.C., Sargão II acusou o rei de Carcemís de conspirar com os inimigos da Assíria e invadiu a cidade com todo o seu exército. Carcemís não possuía exército digno de menção, e por isso a cidade foi facilmente tomada. Sargão II enviou prisioneiros e o enorme tesouro da cidade de volta para Kalhu.

Tão rica era essa reserva de prata que “transformou a economia assíria, de economia financeira baseada no bronze para economia baseada na prata, que dependia da prata segundo o padrão de Carcemís” (Radner, 1). Em 716 a.C., ele conquistou os maneus (povo do atual Irão) e saqueou seus templos e, em 715 a.C., marchou pela Média, conquistando cidades e assentamentos e enviando riquezas e cativos de volta para Kalhu.

Durante todo esse tempo, porém, um problema persistente se apresentava no norte. O Reino de Urartu havia sido conquistado por seu pai, mas nunca completamente. Durante o reinado de Salmanasar V, Urartu ressurgiu e fazia incursões na Assíria a partir de bases ao longo da fronteira. Em 719 e 717 a.C., Sargão II teve que enviar tropas às suas fronteiras contra os urartianos, que haviam invadido e instigado conflitos entre os assentamentos. Em 715 a.C., Urartu lançou invasão em grande escala e conquistou 22 cidades assírias ao longo da fronteira. Sargão II retaliou retomando as cidades, expulsando as forças urartianas das terras assírias e arrasando suas províncias do sul, junto à fronteira.

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Ele compreendia, contudo, que esse tipo de invasão continuaria e que teria que gastar tempo e recursos repetidamente para lidar com elas. Para proteger seu império contra futuras incursões, Sargão II precisava derrotar Urartu de forma decisiva. A dificuldade residia na localização estratégica do reino, situado no sopé das Montanhas Tauro e fortemente defendido. Foi por essa razão que os reis assírios anteriores que lutaram contra Urartu nunca conseguiram derrotá-los completamente. As forças urartianas sempre conseguiam escapar para as montanhas após o confronto, reagrupar-se e retornar para atacar o império.

Archer Relief, Khorsabad
O Relevo do Arqueiro de Khorsabad Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright)

A Campanha de Urartu, em 714 a.C.

O Reino de Urartu (também conhecido como o Reino bíblico de Ararat e/ou o Reino de Van) havia crescido em poder entre os séculos XIII e XI a.C. O Templo de Haldi, na cidade sagrada de Mushashir, em Urartu, era importante centro de peregrinação desde o 3.º milênio a.C., e as oferendas de reis, príncipes, nobres e mercadores enchiam seu tesouro. Os urartianos prosperaram com o comércio e com as caravanas de peregrinos que visitavam Mushashir. Para garantir a prosperidade contínua, os urartianos tentaram manter as terras baixas ao redor de seu reino sob seu controle. De sua fortaleza nas montanhas, eles continuamente saqueavam e anexavam territórios nas terras baixas.

Os urartianos eram guerreiros ferozes que criavam alguns dos melhores cavalos da região e os treinavam especificamente para o combate. Salmanasar I (reinou 1274-1245 a.C.) foi o primeiro a mencionar Urartu em inscrições assírias ao relatar sua conquista do reino, mas, desde então, os urartianos demonstraram resiliência e engenhosidade, ressurgindo a cada derrota. Sargão II os menciona com respeito, mesmo sendo seus inimigos, como observa Bauer:

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Os próprios relatos de Sargão falam com admiração do rei urartiano Rusas e da rede de canais e poços que ele construiu; dos rebanhos de cavalos bem-criados e protegidos, criados em vales abrigados até serem necessários para a guerra; da esplêndida eficiência da comunicação urartiana, com torres de vigia construídas no alto dos picos das montanhas, guardando montes de combustível que podiam ser acesos num instante. Um farol, aceso, flamejava no topo da montanha, transformando-se numa enorme fogueira que aparecia como faísca para o próximo posto distante, onde a próxima fogueira podia então ser acesa. Brilhavam como "estrelas no topo das montanhas", nas próprias palavras de Sargão, e espalhavam notícias de invasões mais rápido do que um mensageiro podia cavalgar. (376)

Nessas mesmas inscrições, Sargão II menciona a existência do sistema de irrigação qanat, que se tornaria fundamental no Império Aquemênida posterior, sob o reinado de Ciro II (o Grande, cerca de 550-530 a.C.). Embora o sistema qanat — uma inovação brilhante que trazia água subterrânea profunda à superfície — seja frequentemente atribuído a Ciro, o Grande, trata-se, na verdade, de invenção persa anterior.

Sargão II compreendeu que a única maneira de derrotar os urartianos seria surpreendê-los. Portanto, lançou sua invasão a Urartu, em 714 a.C., evitando cuidadosamente um ataque frontal óbvio. Liderando o próprio exército, marchou para o leste, contornando a fortaleza de Urartu, na esperança de conduzir suas forças, sem serem notadas, pelas planícies para surpreender Urartu pela retaguarda.

Os assírios eram um povo das terras baixas, sem experiência em guerra nas montanhas. Os reis assírios anteriores que haviam lutado contra Urartu os expulsaram das terras baixas, mas nunca ascenderam às encostas das montanhas. As forças de Sargão II encontraram:

Encostas imponentes e desconhecidas, cobertas por densas florestas onde inimigos desconhecidos aguardavam... Os bosques de cedro nas encostas das montanhas, como aqueles em que Gilgamesh se aventurara tantos anos antes, abrigavam um inimigo ainda mais aterrador por ser invisível. (Bauer, 376)

Sargão II, portanto, pôs a vanguarda de seu exército a abrir caminho para que suas forças pudessem avançar. O próprio Sargão II descreve isso em carta que escreveu ao deus Ashur, na qual também deixa claras as grandes dificuldades que enfrentou em sua campanha:

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Monte Simirria, um grande pico que aponta para cima como a lâmina de uma lança e ergue sua cabeça sobre a montanha onde vive a deusa Belet-ili, cujos dois picos se inclinam contra o céu, cujas fundações alcançam o meio do submundo abaixo, que, como as costas de um peixe, não tem estrada de um lado para o outro e cuja ascensão é difícil pela frente ou por trás, ravinas e abismos profundos são cortados na sua encosta, e visto de longe, é envolto em temor, não é bom subir em uma carruagem ou com cavalos galopando, e é muito difícil o avanço da infantaria nele; contudo, com a inteligência e a sabedoria que os deuses Ea e Belet-ili me destinaram e que ampliaram meus passos para aplainar a terra inimiga, fiz com que meus engenheiros carregassem pesados ​​machados de bronze, e eles esmagaram os picos da alta montanha como se fossem calcário, tornando a estrada lisa. Tomei a vanguarda do meu exército e fiz com que os carros de guerra, a cavalaria e as tropas de batalha que me acompanhavam sobrevoassem a montanha como águias. Fiz com que as tropas de apoio e os soldados de infantaria os seguissem, e os camelos e mulas de carga saltassem sobre os picos como cabras criadas nas montanhas. Fiz com que a onda impetuosa de assírios cruzasse facilmente sua difícil elevação e, no topo daquela montanha, montei acampamento. (Van De Mieroop, 216)

O exército, a essa altura, já marchava por terrenos difíceis no início do verão e, embora tivesse sido reabastecido com água pelos medos conquistados anteriormente, estava exausto quando finalmente acampou. Sargão escreve que “o moral deles se tornou amotinado. Eu não podia aliviar seu cansaço, nem dar água para saciar sua sede”. Ele escolheu o campo de batalha e posicionou suas tropas justamente quando o rei Rusas chegou com suas forças para a batalha; mas o exército de Sargão não lutaria. Eles haviam viajado muito longe e suportado muito na marcha e agora, com o objetivo diante de si, recusavam-se a enfrentar o inimigo.

Sargão II havia ido longe demais e gasto muitos recursos para simplesmente recuar ou se render. Ele convocou sua guarda pessoal e então, como escreve Bauer:

Ele os liderou em ataque frenético e suicida contra a ala mais próxima das forças de Rusas. A ala recuou diante de sua selvageria desesperada; e, segundo seu próprio relato, o exército de Sargão, ao vê-lo se lançar na linha de frente, tomou coragem e o seguiu. O exército urartiano vacilou, quebrou e começou a recuar. A retirada transformou-se em debandada. O exército assírio perseguiu o inimigo em desintegração para oeste, passando pelo Lago Urmia e invadindo seu próprio território. Rusas abandonou qualquer tentativa de manter sua capital, Turushpa, e fugiu para as montanhas. (377)

Com Urartu derrotado e temendo que suas tropas se amotinassem caso as conduzisse ainda mais para as montanhas em perseguição, Sargão II deu meia-volta com suas forças e retornou à Assíria. Contudo, ele parou na cidade de Mushashir, saqueou-a e pilharam o templo sagrado de Haldi, levando toneladas de ouro, prata e pedras preciosas.

Sargão relata que, quando o rei Rusas soube do saque de Mushashir, “o esplendor de Assur o dominou e, com sua própria adaga de ferro, ele se apunhalou no coração, como um porco, pondo fim à própria vida”. Os urartianos foram derrotados em menos de seis meses de campanha, e assim Sargão II retornou a Kalhu à frente de seu exército em glória, levando consigo a imensa riqueza de Mushashir.

Servants at Dur-Sharukkin (Khorsabad)
Servos em Dur-Sharukkin (Khorsabad) Jastrow (Public Domain)

Dur-Sharrukin e Babilônia

Para celebrar sua vitória e criar monumento duradouro para sua campanha, ele voltou sua atenção para a construção e o embelezamento de sua cidade, Dur-Sharrukin, no ano de 713 a.C. A cidade seria decorada com relevos representando as conquistas de Sargão II e, especialmente, o saque de Musashir. Ele demonstrou interesse pessoal em todos os aspectos da construção da cidade. Suas cartas oficiais, encontradas nos arquivos de Kalhu e Nínive, deixam claro o nível de seu envolvimento no projeto. Em carta, ele escreve:

Palavra do rei ao governador de Kalhu: 700 fardos de palha e 700 feixes de junco, cada feixe mais pesado do que um burro pode carregar, devem chegar a Dur-Sharrukin até o primeiro dia do mês de Kislev (Quisleu). Se um dia sequer passar, você morrerá.

Durante três anos, Sargão II supervisionou a construção de Dur-Sharrukin, enquanto também recebia enviados do Egito, da Núbia e de outras nações em seu palácio em Kalhu. Ele controlava todo o norte da Mesopotâmia e da Anatólia, e havia subjugado o Reino de Urartu; porém, ainda não havia reconquistado a Babilônia e as terras do sul de Merodaque-Baladã. Da última vez que marchara sobre a Babilônia e seus aliados elamitas, adotara abordagem direta e fora derrotado; desta vez, optou por tática diferente.

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Em 710 a.C., Sargão II deixou a construção de Dur-Sharrukin e a administração do império nas mãos de Senaqueribe e marchou à frente de seu exército para o leste, em direção a Elão. Devastou as aldeias e cidades e, em seguida, descreveu um semicírculo para atacar a Babilônia pelo sudeste. Merodaque-Baladã fugiu da cidade com todas as riquezas que pôde carregar, incluindo seus móveis reais: uma cama de prata, um trono, uma mesa, o cântaro real para abluções e seu próprio colar (Bauer, 379). Ele enviou esses itens como presentes ao rei de Elão, pedindo refúgio.

A inscrição de Sargão II sobre o que se seguiu diz: "O patife elamita aceitou o suborno, mas temia meu poder militar; por isso, bloqueou o caminho de Merodaque-Baladã e o proibiu de entrar em Elão." Merodaque-Baladã fugiu para sua cidade natal, Bit-Yakin, no Golfo Pérsico, onde as forças de Sargão II o seguiram, atacaram e destruíram a cidade. Sargão II relata: "Eu a incendiei e até seus alicerces foram destruídos."

Contudo, ele permitiu que Merodaque-Baladã vivesse, e essa decisão tem intrigado historiadores e estudiosos desde então. Esse mesmo chefe caldeu ressurgiria mais tarde para causar problemas ao sucessor de Sargão II, Senaqueribe, que cuidava da administração diária do império enquanto seu pai estava ausente em campanhas militares.

Últimos Anos e Legado

Após conquistar o sul, Sargão II marchou para a Babilônia e reivindicou o trono. Ele agora governava toda a Mesopotâmia e o Império Assírio atingiu seu auge em extensão, riqueza e poder. Escolheu residir na Babilônia e recebeu enviados de outros reis e nações, incluindo os do rei Mita da Frígia, identificado por alguns estudiosos como o Rei Midas, famoso por seu toque de ouro.

Por três anos, Sargão II permaneceu na Babilônia, recebendo regularmente notícias de Senaqueribe, em Kalhu, sobre o progresso de Dur-Sharrukin e, em 707 a.C., recebeu a informação de que sua cidade estava concluída. Deixou a Babilônia e mudou-se para seu palácio em Dur-Sharrukin, em 706 a.C. Tornou sua nova cidade a capital assíria e dedicou-se a projetos de construção, encomendando obras de arte e escrevendo sobre suas conquistas. Bauer observa:

Os relevos em seu novo palácio em [Dur-Sharrukin] demonstram sua grandeza; sua figura imponente ofuscava até mesmo as figuras dos deuses. Ele era o segundo Sargão, o segundo fundador do império, o rei de uma segunda Assíria com novas fronteiras, uma nova capital e um poder recém-temível. (381)

Finalmente, ele tinha a cidade que tanto desejara, construída em sua homenagem; mas não a desfrutaria por muito tempo.

Sargon II Basalt Stele
Estela de Basalto de Sargão II Ronnie Jones III (CC BY-NC-SA)

O povo de Tabal, província na Anatólia central, havia se separado do império e Sargão II precisava trazer a região de volta ao controle. Em vez de enviar alguém para conduzir a campanha, Sargão II novamente deixou Senaqueribe no comando do governo e liderou seu exército através da Mesopotâmia até a Anatólia, em 705 a.C.

Tabal ofereceu forte resistência às forças assírias e Sargão II foi morto em batalha. A luta foi tão feroz que seu corpo não pôde ser recuperado e se perdeu para o inimigo. Os assírios foram expulsos do campo de batalha e retornaram para casa sem seu líder.

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A morte do rei e a perda de seu corpo foram consideradas enorme tragédia e mau presságio. De alguma forma, acreditava-se que Sargão II havia cometido algum pecado para que os deuses o tivessem abandonado tão completamente no campo de batalha. Dur-Sharrukin foi imediatamente abandonada e a capital transferida para Nínive por Senaqueribe. O novo rei, que repetidamente fora deixado em casa enquanto Sargão II embarcava em campanhas gloriosas, claramente ressentia-se do pai, pois nada escreveu nem construiu para honrar sua memória. Nenhuma das inscrições de Senaqueribe menciona seu pai e nenhum edifício ou monumento foi erguido em seu nome.

A habilidade de Sargão como líder militar e político expandiu o Império Assírio e o levou ao seu auge como o maior império do Oriente Próximo; contudo, sua morte em batalha e a recusa de seu filho em reconhecê-lo após sua morte, macularam suas realizações para aqueles que o sucederam. Dur-Sharrukin, com seus grandes relevos e pinturas, permaneceu vazia, pois tudo o que podia ser transportado foi levado para Nínive. É por meio das próprias inscrições de Sargão e dos escritos de cronistas posteriores que os feitos e conquistas do Rei Sargão II são conhecidos hoje, e é a partir deles que seu legado como um grande rei passou a ser reconhecido. Logo após sua morte, no entanto, o povo parece ter sido incentivado a esquecer que tal rei um dia reinou.

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Perguntas & Respostas

Quem foi Sargão II?

Sargão II (reinou 722-705 a.C.) foi o fundador da Dinastia Sargônida do Império Neoassírio, considerado o maior de seus reis, que levou o império ao seu auge.

Por que é que Sargão II é famoso?

Sargão II é famoso como um grande rei que expandiu o Império Neoassírio por meio de vitórias militares e incentivou o desenvolvimento cultural de seu povo. Ele é mais conhecido por sua Campanha de Urartu, em 714 a.C., e pela construção de sua cidade, Dur-Sharrukin.

Por que é que a Campanha de Urartu de Sargão II é tão famosa?

A campanha de Urartu de Sargão II, em 714 a.C., é famosa pela determinação e coragem do rei em vencer contra todas as probabilidades, mesmo quando seu próprio exército queria se render. Sua vitória sobre Urartu é uma de suas maiores conquistas.

Como morreu Sargão II?

Sargão II morreu em batalha, em 705 a.C.

Sobre o Tradutor

Raimundo Raffaelli-Filho
Médico, professor de Clínica Médica (MD, PHD) e apaixonado por História, particularmente pela Antiga e Medieval, especialmente pelo Império Romano.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2026, janeiro 29). Sargão II. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-505/sargao-ii/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Sargão II." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, janeiro 29, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-505/sargao-ii/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Sargão II." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 29 jan 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-505/sargao-ii/.

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