África Oriental Alemã

Mark Cartwright
por , traduzido por Filipa Oliveira
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Maji-Maji Rebellion, German East Africa (by Wilhelm Kuhnert, Public Domain)
Revolta Maji-Maji, África Oriental Alemã Wilhelm Kuhnert (Public Domain)

A África Oriental Alemã (Deutsch-Ostafrika) foi uma colónia do Império Alemão entre 1885 e 1918. O território, muito mais vasto do que a própria Alemanha, abrangia o que são hoje a Tanzânia, o Ruanda, o Burundi e parte de Moçambique. À semelhança do que aconteceu em muitas outras colónias europeias, a região foi sujeita ao confisco de terras, ao trabalho forçado, a um regime punitivo severo e à desarticulação das redes económicas tradicionais e das práticas culturais locais. Ocorreram revoltas locais, mas apenas a derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-18) perante os Aliados ditou uma mudança de regime, momento em que a Grã-Bretanha e a Bélgica assumiram o controlo da região como colónias próprias.

A Geografia da África Oriental

A área que se tornou a África Oriental Alemã é uma combinação de planaltos de savana, florestas e montanhas, com as suas fronteiras delimitadas pelo Oceano Índico a leste e pelos três grandes lagos: o Lago Niassa (também conhecido como Lago Malawi) ao sul, o Lago Tanganica a oeste e o Lago Vitória ao norte, sendo este último o maior lago do continente. O Monte Kilimanjaro, a montanha mais alta de África, situa-se no extremo norte. Vestígios fósseis indicam que a região foi habitada por hominídeos, hoje extintos, há cerca de 2 milhões de anos. A região foi povoada por povos de língua banta, um grupo linguístico que deu origem ao suaíli, a lingua franca da África Oriental em séculos posteriores.

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Esta zona fez em tempos parte da Costa Suaíli, que entre os séculos X e XVI viveu um comércio intenso entre o interior da África e as regiões costeiras orientais com os mercadores árabes muçulmanos que cruzavam o Oceano Índico, ligando o continente à Arábia e à Índia. Ao longo da costa daquela que viria a ser a África Oriental Alemã fundaram-se entrepostos islâmicos, com destaque para Zanzibar e Quíloa. Nos séculos XVI e XVII os mercadores portugueses estiveram ativos ao longo da costa. Posteriormente, o Império Otomano assumiu o controlo deste comércio, seguido pelo Sultão de Mascate, em Omã, por volta de 1806 — embora o controlo territorial do Sultanato se limitasse a uma estreita faixa costeira. Ao longo dos séculos, as mercadorias comercializadas incluíram ouro, marfim e tecidos de algodão, bem como o tráfico de escravos. As trocas comerciais não envolviam apenas estrangeiros, mas também grupos africanos poderosos, como o povo Nyamwezi.

A Partilha de África pela Alemanha

Após a Conferência de Berlim de 1884-85 ter estabelecido as regras que os líderes europeus acordaram entre si para a reivindicação de novas colónias, acelerrou-se a "corrida a África". O Kaiser Guilherme II (reinou de 1888-1918) estava empenhado em adquirir um império, ainda que modesto, de modo a obter o prestígio de que os seus homólogos monarcas europeus pareciam desfrutar. Ao mesmo tempo, o Chanceler Otto von Bismarck (em funções entre 1871 e 1890) via o potencial das colónias africanas como peões num jogo mais vasto, que poderia assegurar a hegemonia alemã na Europa.

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European Division of Africa Cartoon
Desenho da Divisão Europeia da África Unknown Artist (Public Domain)

O primeiro entreposto colonial alemão já tinha sido estabelecido em 1884 no que é hoje a Namíbia, tendo a área passado a ser a colónia do Sudoeste Africano Alemão. Outras zonas de interesse para a Alemanha incluíam o Togo (então Togolândia) e os Camarões (Kamerun, para os alemães). Do outro lado do continente, a partir de meados da década de 1880, o explorador Carl Peters (1856-1918) viajou pela região que viria a ser a África Oriental Alemã, celebrando acordos com os chefes tribais para apresentar uma espécie de base jurídica que justificasse a intervenção colonial da Alemanha na região. Esta era a prática comum das potências europeias antes e depois da Conferência de Berlim. A atividade missionária era outra ferramenta utilizada pelos diplomatas para reivindicar direitos territoriais face aos rivais europeus. Na realidade, os tratados eram assinados por chefes tribais que desconheciam por completo o que estavam a assinar, e a "presença" alemã limitava-se, muitas vezes, à bandeira nacional hasteada numa aldeia remota.

Para a Alemanha, era uma questão de prestígio colonizar pelo menos alguma parte de um continente que estaria em breve sob o domínio dos franceses e dos britânicos.

Poucas semanas após o regresso de Peters à Alemanha, na verdade, apenas escassos dias após o encerramento da Conferência de Berlim, o governo alemão proclamou que os territórios com os quais Peters tinha assinado tratados seriam imediatamente assumidos como "protetorados" (um termo vago que ficava apenas um patamar abaixo do estatuto de colónia plena). Esta medida enviou um sinal claro aos rivais europeus, particularmente à Grã-Bretanha, de que a Alemanha estava fortemente interessada na África Oriental. As reivindicações de longa data do Sultão de Zanzibar sobre esta área foram ignoradas, tendo mesmo sido enviados navios de guerra alemães para a ilha como forma de aviso.

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Peters regressou à África Oriental em 1887, determinado a forjar um novo império económico para a Alemanha através da aplicação de métodos agrícolas e industriais modernos ao solo e aos trabalhadores africanos. Como afirmou outrora: "Uma combinação de vontade e força constitui a mentalidade ideal de um colonizador de sucesso", e ele não se deixaria "guiar por quaisquer sentimentos sentimentais" (James, pág. 89). A longo prazo, verificou-se que a África Oriental Alemã foi um investimento bastante fraco. Esta zona não possuía ouro, prata ou cobre, e o solo pouco profundo não era particularmente adequado para grandes plantações de culturas de rendimento que pudessem ser exportadas com lucro. Ainda assim, restava a questão do prestígio de colonizar, pelo menos, alguma parte de um continente que estaria em breve sob o domínio de franceses e britânicos.

Map of the Scramble for Africa after the Berlin Conference
Mapa da Partilha da África Após a Conferência de Berlim Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Em 1886, e novamente em 1890, a Grã-Bretanha e a Alemanha assinaram tratados que reconheciam e afirmavam as reivindicações mútuas sobre a região da África Oriental: a Grã-Bretanha no que é hoje o Uganda e o Quénia, e a Alemanha na Tanzânia. O acordo só foi alcançado depois de as duas potências terem concordado em trocar o controlo de duas ilhas: a Grã-Bretanha cedeu a Heligolândia, no Mar do Norte, recebendo em troca o controlo de Zanzibar, ao largo da costa da África Oriental. Em 1890, a região fronteiriça do noroeste, o Ruanda-Urundi, foi anexada à África Oriental Alemã.

A África Oriental Alemã fazia fronteira com o Moçambique Português a sul, com o Congo Belga a oeste e com a África Oriental Britânica a norte. Os portos comerciais importantes eram o Tanga e o Dar es Salaam. Foram construídas linhas férreas, sendo o sonho último ligar os Camarões Alemães à África Oriental Alemã. No final, as ferrovias, tal como noutras paragens de África, revelaram-se empreendimentos enormemente dispendiosos e pouco lucrativos; contudo, seguindo a antiga rota do comércio de escravos e de marfim, construiu-se (em grande medida por motivos políticos) uma linha de Dar es Salaam ao Lago Tanganica.

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A colónia foi administrada pela Companhia da África Oriental Alemã (Deutsche-Ostafrikanische Gesellschaft) até 1891. Esta era a prática comum entre as potências coloniais europeias, dado que permitia diluir os riscos financeiros e distanciar o governo de quaisquer relatos comprometedores de brutalidade contra as populações locais. Assim que se alcançava algum tipo de controlo e, idealmente, lucro financeiro, a empresa comercial privada era absorvida e declarava-se o protetorado ou a colónia.

Carl Peters
Carl Peters Bundesarchiv, Bild 183-R30019 (CC BY-SA)

Em 1891, o controlo total da África Oriental Alemã ainda não fora completamente alcançado e, por isso, levou-se a cabo o que era eufemisticamente designado como um processo de "pacificação", a par do que acontecia noutras colónias europeias. Este processo envolveu as forças armadas, que incluíam membros do Exército Imperial Alemão, para impor a autoridade alemã sobre as populações e os mercadores locais, estabelecendo de seguida postos militares semi-fortificados. Apesar da vantagem das espingardas e das metralhadoras modernas, ocorreram derrotas. Embora tal lhe tenha custado 1000 dos seus próprios guerreiros, um dos chefes locais e traficante de escravos, Mkwana, conseguiu aniquilar uma expedição alemã de 300 homens. Estas foram, contudo, as exceções. Registaram-se mais de 300 expedições punitivas que fustigaram toda a África Oriental Alemã entre 1889 e 1903.

Graças a missionários e viajantes chegaram a Berlim relatos sobre o regime implacável de Carl Peters.

A força de ocupação alemã, a Schutztruppen, era composta por oficiais alemães que lideravam tropas africanas, frequentemente mercenários, como refugiados sudaneses das guerras contra os britânicos mais a norte. As tropas africanas eram conhecidas como askari e eram doutrinadas a acreditar que se tinham tornado "negros germanizados" — um estatuto concebido para os despojar da sua etnia e religião, mas que os fazia sentir superiores aos outros africanos. A maioria dos Schutztruppen alistou-se voluntariamente.

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Um Regime Implacável

Embora alguns tenham colaborado para alcançar a supremacia sobre os grupos rivais de longa data, a maioria dos africanos orientais foram subjugados pela força. Por outro lado, houve africanos que preferiram o suicídio a viver uma batalha de resistência contínua e perdida contra o domínio alemão. Tratava-se, frequentemente, de um regime severo, fundamentado na crença generalizada de que os colonos eram superiores aos africanos, tanto em termos raciais como culturais. Os akidas, um grupo de estatuto intermédio, eram funcionários de língua suaíli que administravam o comércio costeiro. Os alemães usavam-nos como intermediários no contacto direto com as populações do interior, com o intuito de cobrar impostos e recrutar mão-de-obra forçada. Tal como noutras colónias europeias, não houve qualquer hesitação no recurso ao trabalho forçado, especialmente nas plantações, bem como eram comum os açoitamentos brutais e as sentenças de morte aplicadas por crimes menores. Em meados da década de 1890, o abuso brutal do poder absoluto por parte de Peters valeu-lhe a alcunha de Mkono-wa-damu, ou seja, o "homem de mãos ensanguentadas.

[Peters] estava a tornar-se cada vez mais desequilibrado. Via-se a si próprio como o Napoleão de África, cumprindo um destino pessoal e nacional que transformaria a África Oriental na "Índia da Alemanha" e elevaria a sua fama à de herói nacional. Ao mesmo tempo, Peters comportava-se como se fosse um déspota africano, um chefe com poderes de vida e morte sobre os seus súbditos e para além de qualquer restrição moral ou jurídica. Uma forca erigida no exterior do seu complexo simbolizava o seu poder.

(James, pág. 126).

Graças a missionários e viajantes, chegaram a Berlim relatos sobre o regime implacável de Peters, desencadeando acesos debates no parlamento. O processo culminou na convocação de Peters, em 1895, para regressar à metrópole, tendo este permanecido arredado de qualquer cargo público até que o regime nazi de Adolf Hitler o resgatou como herói nacional — seria difícil conceber uma condenação mais contundente do seu pretenso contributo para o bem-estar dos africanos.

Dar es-Salaam, German East Africa
Dar es Salaam, África Oriental Alemã Bundesarchiv, Bild 105-DOA0162 / Walther Dobbertin (CC BY-SA)

A Consolidação do Controlo

Foi difícil para os europeus estabelecer o controlo total; na verdade, revelou-se uma das «mais ferozes e prolongadas guerras de ocupação» (Boahen, pág. 18) em África, tendo durado de 1888 a 1907. Mesmo após a conquista de povos como os Mbunga, os Makonde e os Hehe, ocorriam rebeliões regulares contra a autoridade alemã. A insurreição mais generalizada foi a revolta Maji-Maji, que só foi definitivamente esmagada em 1907. A revolta foi liderada por seguidores de um profeta místico, Kinjikitili, que prometia que a sua água medicinal, especialmente preparada, poderia proteger uma pessoa contra as balas. Em grande medida, a rebelião terminou porque as colheitas foram deliberadamente destruídas de forma a criar uma fome devastadora, que ceifou a vida a cerca de 250 000 africanos. A revolta Maji-Maji e outras foram tipicamente motivadas pelos impostos extorsivos impostos pela administração colonial, pelo recurso ao trabalho forçado, pelos baixos salários e pela coação exercida para obrigar os agricultores a cultivar novas culturas de rendimento para exportação, como o algodão e o café (embora alguns o tivessem feito voluntariamente). Outros fatores incluíram a introdução de explorações agrícolas coletivas e a supressão de muitas práticas culturais tradicionais, que iam desde o recurso a feiticeiros até à circuncisão.

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As revoltas eram muito dispendiosas de controlar. A rebelião Maji-Maji, que se estendera por uma área de 26 000 km² (10.000 milhas²), serviu pelo menos para recordar aos administradores coloniais que não podiam agir com total impunidade, seguindo-se, consequentemente, algumas reformas menores, ainda que apenas para prevenir futuras insurreições. Outro método a longo prazo para alcançar uma colónia mais pacífica consistiu em promover a construção de escolas, o que criaria uma classe de locais com instrução suficiente para integrarem o sistema colonial e trabalharem na sua função pública, em ramos do governo local e na força policial.

Nem todos os povos locais resistiram aos colonizadores alemães. Alguns, como os Chagga e os Kibanga, preferiram a diplomacia e a colaboração para negociar melhores condições para si próprios, à custa dps rivais locais. Por exemplo, o chefe Mareale de Marangu utilizou espingardas europeias, adquiridas através da sua colaboração, para derrotar e eliminar os seus concorrentes. De uma forma ou de outra, na década anterior à Primeira Guerra Mundial (1914-18), o controlo alemão estava concluído. Os últimos territórios a cair sob o domínio alemão foram o Ruanda-Urundi. Aqui, a situação era ligeiramente diferente, uma vez que os governantes locais tinham estabelecido um elevado grau de controlo sobre uma população particularmente densa. No Ruanda:

As relações de classe entre os senhores Tutsi e o campesinato Hutu eram do agrado das atitudes sociais dos administradores vindos da Europa. Daí a decisão a favor da alternativa menos dispendiosa, ou seja, permitir que os Tutsi mantivessem as formas e grande parte da realidade do poder, embora os alemães pretendessem transitar lentamente para as normas europeias ao longo das décadas seguintes. No Burundi, encontraram um Estado muito mais fraco, mas acabaram por apoiar os governantes Tutsi locais, seguindo o exemplo aplicado no Ruanda.

(Curtin, pág. 414)

Os acontecimentos catastróficos na Europa que estavam prestes a abalar dramaticamente o controlo colonial em toda a África, cessou por completo o poder colonial dos alemães.

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Askari Troops, German East Africa
Tropas Askari, África Oriental Alemã Bundesarchiv, Bild 105-DOA3056 / Walther Dobbertin (CC BY-SA)

A Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial eclodiu em 1914 e, embora a maior parte dos combates mais intensos tenha ocorrido na Europa, algumas das colónias europeias em África também se tornaram campos de batalha. Acima de tudo, os Aliados não queriam que a Alemanha pudesse utilizar os seus portos africanos como refúgios para os navios de guerra. Se as tropas francesas e britânicas ocuparam o Togolândia e os Camarões alemães logo nos primeiros meses de 1916, e a África do Sul assumiu o controlo do Sudoeste Africano Alemão, já a África Oriental Alemã foi uma questão diferente. Em agosto de 1914, foi realizado um bombardeamento naval aliado contra os portos de Dar es Salaam e Tanga, contudo a guerra terrestre revelou-se mais difícil.

Em novembro de 1914, um exército colonial alemão liderado pelo Tenente-Coronel Paul von Lettow-Vorbeck (1870-1946) derrotou uma força Indo-britânico composta por 8000 homens em Tanga. Naquela que ficou conhecida como a Campanha da África Oriental, o exército sob comando alemão cresceu, mas nunca excedeu os 15 000 homens no seu auge (número que incluía, pelo menos, 11 000 africanos), em que este contingente contrastava com a força aliada, muito superior, de 100 000 homens e a aposta de Lettow-Vorbeck em táticas de guerrilha revelou-se extraordinariamente bem-sucedida. O exército aliado era uma mistura de soldados britânicos, sul-africanos, indianos e de outras nações, tais como 15 000 tropas congolesas da Force Publique do Congo Belga, o exército nacional, e, além dos combatentes, 250 000 homens do vizinho Congo foram forçados a servir como carregadores e trabalhadores durante a campanha. De uma forma ou outra, cerca de um milhão de africanos estiveram envolvidos na Campanha da África Oriental e estima-se que 100 000 tenham morrido em consequência das ações militares, de doenças ou de fome.

Lettow-Vorbeck continuou a frustrar os Aliados durante toda a guerra, tendo inclusive conseguido atacar o protetorado britânico da Rodésia do Norte (atual Zâmbia). Perto do fim do conflito, à medida que a situação se tornava cada vez mais desesperada para a força de Lettow-Vorbeck — que diminuía incessantemente —, o Exército Alemão lançou um plano audacioso: o dirigível Zeppelin L 59 recebeu ordens para realizar um voo de longo curso, da Bulgária até à costa oriental de África, para apoiar as sitiadas tropas coloniais alemãs. A intenção não era apenas levar mantimentos e munições; o plano previa que as tropas de Lettow-Vorbeck reutilizassem os motores do dirigível como geradores, fabricassem tendas com o revestimento exterior e fizessem vestuário a partir do linho das células de gás. O L 59 chegou até ao Sudão antes de inverter a marcha, devido ao que se revelaram ser notícias falsas de que o pequeno exército alemão a sul já tinha sido derrotado. A viagem de ida e volta, sem interrupções, durou umas impressionantes 95 horas e, com o dirigível a percorrer cerca de 6800 km (4,225 milhas) , constituiu um prenúncio do que viria a ser o transporte aéreo intercontinental.

Map of Africa after the Treaty of Versailles, c.1920
A África Após o Tratado de Versalhes, cerca de 1920 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND)

Entretanto, Lettow-Vorbeck somente se rendeu quando a própria Alemanha o fez com o armistício de novembro de 1918, numa altura em que a sua força estava reduzida a apenas 1300 homens. Na campanha, morreram 80 000 tropas aliadas. Lettow-Vorbeck alcançara o seu objetivo de imobilizar um enorme número de soldados inimigos que, de outra forma, poderiam ter sido utilizados na Europa, na Frente Ocidental.

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Ao abrigo do Tratado de Versalhes de 1919, a África Oriental Alemã passou a ser administrada pela Grã-Bretanha sob mandato. A região foi renomeada Território de Tanganica. Finalmente, os britânicos tinham alcançado o seu sonho colonial de uma linha contínua de territórios que se estendia do Cairo à Cidade do Cabo. Ao mesmo tempo, o Congo Belga recebeu a fatia ocidental da África Oriental Alemã: o Ruanda-Urundi. O mandato para governar as antigas colónias alemãs foi concedido pela Sociedade das Nações (Liga das Nações) com a exigência de que os novos governantes «governassem humanamente e promovessem o bem-estar dos seus súbditos» (James, pág. 195). Entretanto, os cidadãos alemães foram expulsos e os bens apreendidos. A Grã-Bretanha estabeleceu uma moeda comum, um sistema postal e uma zona comercial entre o Quénia, o Uganda e o Tanganica.

O Tanganica obteve a independência em 1961 e, após a fusão com Zanzibar em 1964, foi renomeado Tanzânia. O Ruanda-Urundi belga tornou-se independente em 1962, dando origem a dois países distintos: o Ruanda e o Burundi. Embora não esteja isenta de guerras ou de políticas étnicas controversas, a Tanzânia tem sido um dos países mais estáveis de África, destacando-se hoje pelo seu turismo de vida selvagem, particularmente no Parque Nacional do Serengeti.

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Tradutora e autora, o gosto pelas letras é infindável – da sua concepção ao jogo de palavras, da sonoridade às inumeráveis possibilidades de expressão.

Sobre o Autor

Mark Cartwright
O Mark é o Diretor Editorial da WHE e é mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador a tempo inteiro, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem a arte, a arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cartwright, M. (2026, março 31). África Oriental Alemã. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26070/africa-oriental-alema/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "África Oriental Alemã." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, março 31, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26070/africa-oriental-alema/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "África Oriental Alemã." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 31 mar 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26070/africa-oriental-alema/.

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