Czar Nicolau II

O último dos Romanovs
Mark Cartwright
por , traduzido por Marco A. Kunzler
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Tsar Nicholas II Under House Arrest (by Bain News Service, Public Domain)
Czar Nicolau II sob Prisão Domiciliar Bain News Service (Public Domain)

O czar Nicolau II (reinado de 1894 a 1917) foi o último dos imperadores Romanov, executado junto com sua família durante o conturbado período da Revolução Russa em 1917. Insistindo em manter, tanto quanto possível, o regime autocrático iniciado por seus antepassados, Nicolau deixou de atender às reivindicações de seus súditos e, com ele, caiu o Império Russo.

Sobrevivendo por pouco à Revolução Russa de 1905, Nicolau recusou-se a dar ouvidos aos sinais de alerta de uma revolta em todo o país, que envolvia camponeses descontentes, operários ignorados, classes médias desiludidas e liberais em busca de reformas. A legitimidade do czar para governar foi ainda mais questionada diante de rumores persistentes e desagradáveis sobre o quanto o excêntrico e autoproclamado homem santo Grigori Rasputin (1869–1916) influenciava a família real e a política, além da decisão imprudente do czar de assumir pessoalmente o comando do exército na desastrosa Primeira Guerra Mundial (1914–1918). Obrigado a abdicar, o czar e sua família foram fuzilados por ordem do revolucionário bolchevique e líder da Rússia Soviética, Vladimir Lenin (1870–1924), para evitar que se tornasse um ponto de união para os monarquistas durante a Guerra Civil Russa (1917–1922).

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Infância e vida familiar

Nicolau Alexandrovich Romanov nasceu em 18 de maio de 1868, em São Petersburgo. Ele nasceu na família Romanov, que governava a Rússia desde 1613. Nicolau era o filho mais velho do czar Alexandre III (reinado de 1881 a 1894) e, por isso, tornou-se o tsarevich, ou herdeiro do trono. Sua dedicada mãe era a imperatriz Maria Feodorovna, filha do rei Christian IX da Dinamarca (reinado de 1863 a 1906). Nicolau tinha dois irmãos mais novos e duas irmãs mais novas. O herdeiro estudou diversas disciplinas na Faculdade de Direito da Universidade de São Petersburgo, de 1885 a 1890. Em preparação para seu reinado, Nicolau também passou vários anos no exército, recebeu educação em assuntos religiosos, serviu no conselho de ministros de seu pai e realizou várias viagens pelo Oriente Próximo e Ásia em 1890 e 1891. Nicolau, assim como seu pai, "vivia e respirava um complacente conservadorismo extremo" (Service, 9).

Nicolau geralmente recebe críticas desfavoráveis sobre seu caráter por parte dos historiadores.

Nicolau II tornou-se czar em 1894, após a morte de seu pai em 1º de novembro. Sua coroação foi realizada em 26 de maio de 1896. O papel de czar (às vezes grafado como tsar) era o de monarca absoluto, e Alexandre o desempenhou plenamente. Havia quem esperasse que Nicolau fosse menos autoritário, mas isso não se concretizou. O novo czar rapidamente descartou as demandas por mudanças constitucionais como “sonhos sem sentido” (Brown, 93). Nicolau controlava, literalmente, todos os aspectos da vida de seus súditos e, em troca, seu povo recebia sua dedicação ao dever, o amor à família e a piedade religiosa. O vínculo entre monarca e súdito era regularmente reforçado por aparições públicas, como as celebrações da Páscoa e outros rituais comunitários repletos de pompa e circunstância. Havia também uma forte valorização da superioridade dos súditos russos em relação aos milhões de não russos que viviam dentro do Império Russo. Essa foi uma falha profunda na forma como Nicolau governava, mas não tão catastrófica quanto aquela que acabaria levando à sua queda. No mundo de Nicolau, o czar simplesmente era o próprio Estado, mas se, por qualquer motivo, o povo (dos aristocratas aos camponeses mais humildes) perdesse a fé no czar, então também perderia a fé no Estado, o que poderia — e de fato acabou abrindo — a possibilidade de uma revolução capaz de mudar o regime.

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Future Tsar Nicholas II
Futuro Czar Nicolau II Sergey Lvovich Levitsky (Public Domain)

Nicolau casou-se com a princesa alemã Alexandra Feodorovna (1872–1918) em 26 de novembro de 1884; seu título antes do casamento era Princesa Alix de Hesse-Darmstadt. Alexandra era neta da rainha Vitória (reinado de 1837 a 1901). O casal se conheceu quando Alexandra, então com apenas 12 anos (e Nicolau com 16), visitou a Rússia para o casamento de sua irmã com o tio de Nicolau. O casal sentiu-se atraído um pelo outro, e o jovem príncipe deu a Alexandra um broche como lembrança. No encontro seguinte, cinco anos depois, Nicolau e Alexandra dançaram, jantaram e patinaram juntos, e o relacionamento floresceu. O casal teve quatro filhas — Olga (nascida em 1895), Tatiana (nascida em 1897), Maria (nascida em 1899) e Anastásia (nascida em 1901) — e um filho, Alexei (nascido em 1904).

Personalidade

Nicolau era um homem magro, de altura média e pele pálida; sua única característica marcante eram seus penetrantes olhos azuis. Ele transmitia uma presença serena. "Ele praticava poucas recreações, exceto a caça no inverno e o tiro ao faisão no outono... dedicava pelo menos duas horas diárias a exercícios ao ar livre — quatro, se tivesse oportunidade... O imperador, de trato amável, era resistente como uma bota velha." Ele era indiferente ao luxo” (Service, 6). Havia “um aspecto ascético no caráter de Nicolau, e mesmo nas noites de inverno ele deixava a janela aberta” (ibid). Cristão devoto, ele tinha uma alimentação simples e bebia muito pouco. Ele gostava especialmente da música de Pyotr Ilyich Tchaikovsky (1840–1893). Nicolau era um leitor ávido, com um gosto eclético que ia de Anton Chekhov (1860–1904) a Arthur Conan Doyle (1859–1930), e frequentemente lia essas obras para sua família à noite.

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Nicolau geralmente recebe críticas desfavoráveis sobre seu caráter por parte dos historiadores. Ele foi descrito como "de temperamento reservado e imaginação limitada" (Shukman, 360). Embora tivesse "grande charme pessoal", seu caráter era "marcado por uma sensibilidade que o impedia de opor-se abertamente a opiniões com as quais discordava" (Wood, 4). Esse hábito de dizer uma coisa e fazer outra para evitar confrontos levou a acusações de que o czar tinha francamente "duas caras" (Service, 7). Essa característica particular também fazia com que ele nomeasse ministros submissos em seu governo e afastasse aqueles de seu círculo próximo que discordassem dele, ações que isolaram ainda mais o czar dos verdadeiros sentimentos de seus súditos.

Russian Royal Family, 1913
Família real russa, 1913 Boasson and Eggler (Public Domain)

Nicolau, apesar de sua vontade de ser visto como um pai bondoso para o povo, frequentemente tomava decisões desastrosas que revelavam sua quase total falta de empatia. Logo no início em sua coroação, milhares de pessoas perderam a vida em um tumulto trágico — e ainda assim, o czar prosseguiu despreocupadamente com as festividades. O julgamento de Nicolau sobre o que era certo fazer em determinadas situações era influenciado por uma confiança um tanto equivocada em suas próprias habilidades — algo agravado pelo fato de que, ao longo de seu longo reinado, poucos conselheiros permaneciam ao seu lado por muito tempo, e Nicolau passou a se ver, cada vez mais, como um governante posto à prova pelo tempo.

Nicolau convenceu-se de que era seu dever manter o sistema de governo como estava.

A revolução de 1905

A Rússia e os estados que ela controlava dentro de seu império passaram por grandes transformações sociais no último quarto do século XIX. Um crescimento significativo da população (300% entre 1815 e 1900) levou à escassez de terras entre os camponeses, que ainda representavam 85% do total da população. Os camponeses desejavam oportunidades para comprar suas próprias terras e reclamavam dos altos impostos. A economia não teve um bom desempenho nos primeiros anos do século XX. O exército e a marinha da Rússia também sofreram derrotas humilhantes na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905). Uma crescente classe média composta por profissionais, intelectuais e estudantes exigia liberdade de expressão e associação, além de uma monarquia constitucional que representasse melhor as necessidades e interesses do povo.

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Quando manifestantes pacíficos, a caminho de apresentar uma petição por reformas ao czar, foram massacrados em frente ao Palácio de Inverno, em São Petersburgo, a opinião pública rapidamente se voltou contra o czar. O massacre, conhecido como Domingo Sangrento em 1905, desencadeou uma série de greves gerais e protestos impactantes que envolveram todas as classes sociais. A agitação foi tão generalizada que ficou registrada na história como a Revolução Russa de 1905. Nicolau prometeu reformas a contragosto, embora sua primeira reação tenha sido abrir fogo contra os manifestantes com o uso do exército. Formou-se um novo parlamento representativo, que incluía uma câmara baixa eleita, a Duma, mas Nicolau ainda mantinha o controle do governo escolhendo ministros reacionários e submentendo-os sob rígido controle. Nicolau podia, em qualquer caso, vetar qualquer nova legislação. O czar também mantinha controle absoluto sobre o exército, a burocracia estatal, a política externa e a igreja. As revoltas camponesas persistentes foram brutalmente reprimidas, e milhares foram presos ou condenados ao trabalho forçado; revolucionários agitadores nas cidades foram exilados. Antes mesmo da revolução, o czar, apelidado de “Nicolau, o Sangrento” (Nikolai Krovavy), apoiava ativamente organizações nacionalistas ultra-reacionárias e antissemitas, como a União do Povo Russo, que promovia ataques brutais contra judeus e outros grupos frequentemente usados como bodes expiatórios.

Nicholas II & George V
Nicolau II e Jorge V Ernst Sandau (Public Domain)

O primeiro-ministro Pyotr Stolypin (1862–1911) implementou reformas a partir de 1906. As Reformas de Stolypin, embora bem-intencionadas, não foram totalmente bem-sucedidas. Alguns camponeses mais ricos e proprietários de terras (kulaks) melhoraram sua situação, e a economia, de modo geral, prosperava graças à industrialização, que impulsionou a grande expansão das ferrovias e das indústrias de ferro, aço e têxtil. No entanto, muitos grupos ainda não viviam uma realidade muito diferente daquela anterior à revolução de 1905. A escassez de terras continuava sendo um problema crônico. Tanto os camponeses mais pobres quanto os operários das fábricas continuavam insatisfeitos com o governo, com a persistente falta de liberdade de circulação e com a proibição dos sindicatos. Os intelectuais e os estudantes ainda desejavam uma melhor representação política. Por outro lado, os monarquistas desejavam ardentemente que o czar permanecesse como monarca absoluto, e Stolypin foi assassinado em 1911 por ser um reformista. Grupos comunistas como os mencheviques e bolcheviques divergiam em suas políticas, mas mantinham a ideia de mudança na vanguarda da política russa — um cenário cada vez mais marcado por um mal-estar constante, interrompido apenas pelas frequentes execuções de autoridades por revolucionários.

Nicolau parecia alheio a esses acontecimentos, apesar dos avisos de seus conselheiros e até de testemunhar pessoalmente o assassinato de Stolypin. De forma preocupante, Nicolau confidenciou a um parente: “Jamais concordarei com uma forma de governo representativa, porque a considero prejudicial ao povo que Deus me confiou” (Montefiore, 521). Nicolau convenceu-se de que era seu dever manter o sistema de governo como estava. “Jurei, na minha ascensão ao trono, preservar intacta a forma de governo que recebi de meu pai e transmiti-la ao meu sucessor.” “Nada pode me eximir do meu juramento.” (Service, 10). O mais prejudicial para seu próprio futuro foi o fato de que o czar acreditava plenamente que a autocracia era, na verdade, a melhor forma de governo.

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Os rumores sobre Rasputin

Outro aspecto da opinião pública que o czar ignorou despreocupadamente, mesmo quando era alertado a respeito, foi a percepção em torno de um estranho siberiano chamado Grigori Rasputin. Esse suposto homem santo teve acesso aos círculos do poder porque aparentemente conseguia aliviar o sofrimento de Alexei, herdeiro do czar, que sofria de hemofilia. Rasputin pode não ter tido efeito real além de um impacto psicológico de calma em seu paciente, mas a imperatriz ficou particularmente impressionada com ele, que logo se tornou uma presença aparentemente indispensável na corte real. O problema foi que rumores desagradáveis logo começaram a circular sobre Rasputin. O “homem santo” era, na verdade, um bêbado que se entregava a atividades sexuais com quem quer que estivesse ao seu alcance, segundo dizia o rumor popular. Revistas caluniosas e jornais de reputação duvidosa publicavam caricaturas desfavoráveis e especulavam se Rasputin teria um caso com a imperatriz, algo que a maioria dos historiadores considera altamente improvável. Talvez o mais prejudicial tenha sido a especulação sobre o quanto Rasputin realmente influenciava as políticas governamentais. Certamente, quando a Primeira Guerra Mundial eclodiu em 1914, começaram a circular rumores de que Rasputin e a imperatriz alemã estavam agindo contra os interesses do Império Russo.

Rasputin & Tsar Cartoon
Caricatura de Rasputin e o Czar Unknown Artist (Public Domain)

Nicolau recusou-se a reagir aos rumores maldosos. O czar certa vez disse sobre Rasputin: “Ele é apenas um bom russo, religioso e de mente simples.” Quando estou em apuros ou tomado por dúvidas, gosto de conversar com ele e, invariavelmente, sinto-me em paz comigo mesmo depois” (Hosking, 439). O czar proibiu que alguém na corte falasse mal de Rasputin. Além disso, membros da Igreja Ortodoxa que se manifestavam publicamente contra Rasputin geralmente sofriam consequências negativas, como o exílio para um mosteiro remoto. A lealdade de Nicolau a Rasputin teria um alto preço. Como afirma o historiador T. Hasegawa, “Mais do que qualquer outra coisa, o caso Rasputin contribuiu para a catastrófica erosão do prestígio da autocracia” (39).

Primeira Guerra Mundial e abdicação

Durante a Primeira Guerra Mundial, Nicolau foi exposto como um líder militar incompetente, mesmo que ele próprio tivesse relutado em entrar nesse conflito específico. A decisão de Nicolau de assumir o comando supremo das forças armadas em setembro de 1915 fez com que ele ficasse intimamente associado às falhas militares da Rússia. Essas falhas incluíram derrotas calamitosas no campo de batalha, incompetência logística catastrófica e a morte de mais de 2 milhões de soldados russos. A Primeira Guerra Mundial também causou novos problemas ao setor agrícola russo e à economia em geral. Um problema ainda maior para Nicolau foi que, enquanto ele estava na linha de frente desempenhando o papel de soldado, o governo ficou praticamente nas mãos da imperatriz — que, para muitos, significava o domínio de Rasputin. Certamente, houve um turbilhão de demissões e nomeações ministeriais, muitas das quais, segundo se dizia, foram compradas. Os monarquistas viam o dano que Rasputin estava causando – ou, mais precisamente, os rumores sobre Rasputin estavam causando – à reputação do czar. Um grupo de monarquistas tramou um complô para assassinar Rasputin, e seu corpo — espancado e baleado — foi encontrado em um rio no início de janeiro de 1917.

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Nicolau seria derrubado em breve devido aos seus anos de governo incompetente. Como destaca o historiador G. L. Freeze:

Derrota militar, incompetência política, teimosia pessoal e uma recusa firme em compartilhar o poder político ou sequer considerar a questão negociável — tudo isso dissipou gradualmente a mística da dinastia Romanov e até alimentou suspeitas de que Nicolau e Alexandra eram, eles próprios, traidores.

(271)

Nicholas II as Commander-in-Chief
Nicolau II como Comandante Supremo Оцуп П.А. (Public Domain)

O czar foi obrigado a abdicar em 2 de março de 1917. Nicolau, ainda incapaz de compreender que ele, mais do que ninguém, era responsável pela queda da dinastia Romanov, anotou em seu diário: “Por toda parte, há traição, covardia e falsidade!” (Montefiore, 622).

A Revolução de 1917

A Revolução Russa de 1917 (na verdade duas revoluções, uma em março e outra em novembro) começou com os motins por pão em Petrogrado (São Petersburgo) em março de 1917 e rapidamente se intensificou quando tropas da guarnição de Petrogrado se juntaram aos manifestantes. A revolução e a falta de apoio ao czar entre a elite política forçaram Nicolau a agir; ele também abdicou em nome de seu filho e herdeiro, Alexei. Sem perceber que os Romanov estavam prestes a desaparecer da história, Nicolau escolheu seu irmão, o Grão-Duque Mikhail Alexandrovich (1878-1918), para sucedê-lo, que reinou por apenas um dia como czar Mikhail II, embora nunca tenha sido oficialmente confirmado como tal. Os bolcheviques, que estabeleceram a Rússia Soviética após a segunda revolução em novembro de 1917, garantiram que a monarquia russa fosse efetivamente abolida. Vladimir Lenin, líder dos bolcheviques e novo chefe do Estado, negociou um cessar-fogo com a Alemanha em dezembro de 1917 e retirou formalmente a Rússia da Primeira Guerra Mundial com o Tratado de Brest-Litovsk, assinado em 3 de março de 1918.

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Nicolau poderia ter sobrevivido no exílio, embora seja duvidoso que Lenin teria permitido que ele deixasse a Rússia para fomentar a oposição aos bolcheviques. O rei George V (reinado 1910–1936) na Grã-Bretanha era primo de Nicolau, mas hesitou em receber o ex-czar, temendo que sua presença pudesse provocar uma revolução operária no país. Mais importante do que essas razões, Nicolau não queria deixar sua terra natal. O ex-czar certa vez afirmou: “Eu nunca deixaria a Rússia. “Eu a amo demais” (Montefiore, 629). Ao contrário, ele ingenuamente alimentava a ideia de viver uma vida tranquila de aposentadoria na Crimeia (onde sua mãe estava) ou em Kostroma, que tinha vínculos históricos com os Romanov. Nicolau e sua família foram efetivamente colocados sob prisão domiciliar. Até o fim, Nicolau convencia a si mesmo de que sua queda do poder não tinha relação com suas próprias ações, mas sim que ele era vítima de uma conspiração judaica — uma ideia absurda baseada em uma literatura falsa (que Nicolau lia avidamente) e que foi desmentida por várias investigações oficiais, incluindo uma conduzida por Stolypin.

Tsarevich Alexei, 1916
Czarevich Alexei, 1916 Unknown Photographer (Public Domain)

A princípio, o confinamento era suportável; Nicolau comentou com pesar: “Não fui prisioneiro a vida toda?” (Montefiore, 631). Planos de extremistas para executar Nicolau e de seus apoiadores para resgatá-lo foram frustrados pelas autoridades bolcheviques. Na verdade, os bolcheviques não tinham muita certeza sobre o que fazer com seu prisioneiro. O alto dirigente bolchevique Leon Trotsky (1879–1940) queria julgar o ex-czar para expor publicamente suas insuficiências e mostrar por que nada menos que uma revolução era considerada necessária. A guerra civil que se seguiu à Revolução de Novembro, entretanto, estava indo mal para os bolcheviques, e uma ação mais drástica foi considerada necessária.

Execução

Enquanto a guerra civil se intensificava e um exército tcheco de simpatizantes monarquistas se aproximava de Ekaterinaburg (atualmente conhecida como Ecaterimburgo), onde o ex-czar (agora chamado simplesmente de “Cidadão Romanov”), sua esposa e seus cinco filhos estavam presos, Lenin ordenou sua execução. Em 17 de julho de 1918, todos os sete membros da realeza foram fuzilados, Nicholas foi o primeiro. O ex-tsar, incompreendido ao enfrentar seu carrasco, Yakov Yurovsky, um comissário bolchevique, proferiu suas últimas palavras: “Senhor, meu Deus, o que é isso?” (Montefiore, 4). Yurovsky declarou certa vez: “Coube a mim, o filho de um trabalhador, acertar as contas da Revolução com a Casa Imperial por séculos de sofrimento” (Montefiore, 643). Os corpos foram enterrados secretamente. Os testes de DNA confirmaram os restos mortais de todos os sete membros da família imperial.

Os restos mortais do ex-czar e os de sua esposa e filhos foram enterrados no túmulo da família Romanov na Catedral de São Pedro e São Paulo, em São Petersburgo. Em 2000, Nicolau II, sua esposa e seus cinco filhos foram todos declarados santos pela Igreja Ortodoxa Russa.

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Sobre o Tradutor

Marco A. Kunzler
Marco Kunzler es psicólogo licenciado y traductor certificado con experiencia en ONG internacionales. Apasionado por conectar con diversas culturas, apoya el aprendizaje permanente y valora las interacciones significativas entre profesiones y comunidades

Sobre o Autor

Mark Cartwright
Mark é escritor, pesquisador, historiador e editor. Tem grande interesse por arte, arquitetura e por descobrir as ideias compartilhadas por todas as civilizações. Possui mestrado em Filosofia Política e é Diretor Editorial da WHE.

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Estilo APA

Cartwright, M. (2025, julho 27). Czar Nicolau II: O último dos Romanovs. (M. A. Kunzler, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24512/czar-nicolau-ii/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Czar Nicolau II: O último dos Romanovs." Traduzido por Marco A. Kunzler. World History Encyclopedia, julho 27, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24512/czar-nicolau-ii/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Czar Nicolau II: O último dos Romanovs." Traduzido por Marco A. Kunzler. World History Encyclopedia, 27 jul 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24512/czar-nicolau-ii/.

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