Popeia Sabina

Donald L. Wasson
por , traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho
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Poppaea Sabina (by Carole Raddato, CC BY-NC-SA)
Popeia Sabina Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Popeia Sabina (Poppaea Sabina; 30-65 d.C.) foi esposa do prefeito pretoriano Rúfrio Crispino (Rufrius Crispinius) e, posteriormente, de Marco Sálvio Otão (Marcus Salvius Otho; reinou 69 d.C.), antes de se tornar a segunda esposa do imperador romano Nero (Lucius Domitius Ahenobarbus, após tornar-se imperador, Nero Claudius Caesar Augustus Germanicus; reinou 54-68 d.C.). Considerada por fontes antigas tanto atraente quanto inteligente, ela usou a sua beleza e charme para persuadir Nero a se divorciar de Cláudia Otávia (Claudia Octavia), filha de Cláudio (Tiberius Claudius Drusus, após tornar-se imperador, Tiberius Claudius Caesar Augustus Germanicus; reinou 41-54 d.C.) e Valéria Messalina (Valeria Messalina), e casar-se com ela.

Família

Em seu livro Dez Césares, o historiador Barry Strauss escreveu que Popeia era "uma mulher digna de um rei. Ela era rica, inteligente e ambiciosa" (91). Ela nasceu em Pompeia, em 30 d.C.; seu pai era Tito Ólio (Titus Ollius), que foi executado como apoiador do traidor Lúcio Sejano (Lucius Aelius Seianus, controlador da Guarda Pretorianana do imperador Tibério), em 31 d.C. Seu avô materno era Caio Popeu Sabino (Gaius Poppaeus Sabinus), proeminente cônsul e governador provincial que lutou contra os trácios. Tácito escreveu que ele era "homem de memória ilustre e proeminentemente, destacado pelas honras de um consulado e um triunfo" (Obras Completas, 312). Possivelmente devido à vergonha de seu pai, Popeia mudou seu nome para o de seu avô.

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Em 47 d.C., a imperatriz Messalina forçou a mãe de Popeia, Popeia Sabina, a Velha (Poppaea Sabina Maior), a suicidar-se. De sua mãe, Popeia, a Jovem, herdou propriedades e uma fábrica de tijolos em Pompeia. Ela usou a beleza que também herdou de sua mãe a seu favor. Enquanto aqueles ao seu redor a viam como inteligente e conversadora agradável, Tácito a considerava "imoral e venal" (312) e afirmava que ela era indiferente à sua reputação, escrevendo que "A vantagem ditava a concessão de seus favores" (306). "... ela nunca foi escrava de sua própria paixão ou da de um amante. Sempre que havia perspectiva de vantagem, para lá ela transferia seus favores." (312)

Em 44 d.C., ela se casou com um prefeito pretoriano, Rúfrio Crispino (Rufrius Crispinus), com quem teve um filho. Após a morte de Popeia, Nero ordenou que os escravos do menino o afogassem durante uma pescaria.

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OTHO SERIA EXILADO PARA A LUSITÂNIA EM 59 D.C., PERMITINDO ASSIM QUE POPEIA SE TORNASSE AMANTE DE NERO SEM INTERFERÊNCIA.

Casamento com Otão

Enquanto casada com Rúfrio, ela se sentiu atraída pela elegância e sofisticação do jovem Otão (32-69 d.C.), de 26 anos e politicamente inexperiente. O fato de ele ser amigo próximo e confidente de Nero pode ter despertado o seu interesse. Divorciando-se do marido, ela se casou com Otão. Existem relatos conflitantes sobre esse segundo casamento, mas a maioria dos historiadores concorda que foi uma farsa. A versão aceita afirma que a única maneira de Nero a ter como amante era por meio do casamento com Otão. Esse casamento dissiparia as preocupações da mãe de Nero, Agripina, a Jovem (Agrippina Maior; 15-59 d.C.), em relação ao relacionamento do filho com Popeia. No entanto, Otão se apaixonou por Popeia e, para desgosto de Nero, frequentemente se vangloriava da beleza e graça da esposa – essa bravata teria consequências terríveis para o desavisado Otão, que seria exilado para a Lusitânia em 59 d.C., permitindo assim que Popeia se tornasse amante de Nero sem interferências.

O historiador Suetônio (69-130/140 d.C.) escreveu sobre o casamento de Otão e Popeia em sua obra Os Doze Césares. Segundo sua versão dos acontecimentos, Nero pediu a Otão que fosse o "protetor" de Popeia. Ela "havia sido tomada por Nero de seu marido para ser sua amante – e eles [Otão e Popeia] encenaram casamento de fachada". Mas Otão nutria "paixão tão profunda por ela que não tolerava nem mesmo Nero como rival". Otão rejeitou os mensageiros enviados para "buscar Popeia". Até mesmo Nero ficou "ameaçando e implorando por seus direitos sobre sua dama" (256). Como punição, o casamento foi anulado e Otão foi enviado para a Lusitânia (por sugestão de Sêneca), onde governou "com moderação e contenção" (ibid.). Mais tarde, ele se vingaria ao apoiar Galba (reinou 68-69 d.C.) na derrubada e suicídio de Nero, em 68 d.C. Suetônio escreveu que apenas o medo de um escândalo impediu Nero de fazer mais do que enviar Otão para a Lusitânia.

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Roman Emperor Otho
Imperador Romano Otão Mary Harrsch (Photographed at the Musèe du Louvre) (CC BY-NC-SA)

De acordo com o relato de Tácito, enquanto casada com o seu primeiro marido, Rúfrio, Popeia foi seduzida por Otão. Ele costumava elogiar o charme e a graça de Popeia na presença de Nero. Depois de jantar com o imperador, Otão se gabou de que iria para sua esposa "que lhe trouxera o que todos os homens desejam... nobreza e beleza" (Anais, 307). Tácito se perguntou se essa ostentação era indiscrição ou tentativa deliberada de aumentar seu próprio poder político. À medida que Nero se tornava mais apaixonado, Popeia se tornava esnobe, afirmando que era casada e não podia abrir mão de seu casamento. Ela era devotada a Otão – ao seu caráter e modo de vida. Ela desprezava Nero, que ela acreditava ser "mantido em posição inferior porque a senhora com quem você vive [Acte] é uma serva" (ibid.). Para eliminar a rivalidade de Otão, ele foi nomeado governador da Lusitânia.

Casamento com Nero

Antes que Nero pudesse se casar com Popeia, ele teve que superar dois grandes obstáculos: o primeiro foi sua mãe, Agripina, que via toda mulher como ameaça ao seu poder e se opunha a qualquer relacionamento com Popeia. Em seguida, veio a esposa de Nero. Agripina queria garantir o direito de seu filho de herdar o trono, casando-o com Otávia, a única filha do imperador Cláudio e Valéria Messalina, em 53 d.C., mas o casamento arranjado nunca foi feliz.

Em seu livro Nero, o historiador Anthony Everitt escreveu que, em algum momento, por razões desconhecidas, Nero decidiu matar sua mãe. Alguns argumentam que ele não queria mais compartilhar o poder. Muitos acreditam, no entanto, que o ímpeto imediato para matar Agripina foi Popeia, que desejava ansiosamente se casar com Nero, mas, para seu desespero, o imperador não considerou que houvesse pressa para o casamento. Popeia via Agripina como inimiga. Tácito escreveu: "Enquanto Agripina viveu, Popeia não via esperança de que ele se divorciasse de Otávia e se casasse com ela, então o importunava e zombava dele incessantemente." Ela perguntou: "Suponho que minha aparência e meus ancestrais vitoriosos não sejam bons o suficiente" (312). Após várias tentativas fracassadas, em 59 d.C., Agripina foi assassinada. Sua morte assombraria Nero pelo resto de sua vida.

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Nero and Agrippina
Nero e Agripina Carole Raddato (CC BY-NC-SA)

Um obstáculo havia sido eliminado, mas havia mais um: Otávia. Ela ainda era bastante jovem e tinha pouco interesse em política. Era filha de um imperador, membro da família imperial e muito respeitada e amada pelo povo romano, portanto, um divórcio exigiria planejamento cuidadoso. Uma oportunidade logo se apresentou. Após breve doença, Nero percebeu que precisava gerar um herdeiro, e tempo era algo que ele não tinha, pois Popeia estava grávida. Alegando que Otávia era estéril, Nero divorciou-se dela e casou-se com Popeia doze dias depois, mas a nova esposa só se sentiria segura quando Otávia fosse eliminada. Popeia fez com que um membro da casa de Otávia a acusasse de adultério – um caso com um escravo, um flautista alexandrino chamado Euceu (Eucaeus). Tácito escreveu: "A mulher que fora amante de Nero por muito tempo e que o governara primeiro como amante e depois como marido, instigou intriga com um escravo." (Obras Completas, 353)

ALEGANDO QUE OCTAVIA ERA ESTÉRIL, NERO DIVORCIOU-SE DELA E CASOU-SE COM POPEIA DOZE DIAS DEPOIS.

A ex-esposa do imperador foi banida para a Campânia. Embora houvesse detratores, a maioria das pessoas permaneceu leal, mantendo sua inocência. "Isso levou a protestos incessantes e veementes entre o povo comum..." (353) Nero cedeu, mas sua esposa continuou a importuná-lo. Os rumores logo retornaram. Alguns até afirmavam que ele iria se casar novamente com Otávia. Multidões derrubaram estátuas de Popeia e devolveram as de Otávia ao Fórum Romano e aos templos. Popeia temia que a violência da multidão se voltasse contra ela e que sua vida estivesse em perigo. Nero estava assustado e furioso. Retomando a acusação de adultério, ele decidiu que era preciso encontrar alguém que admitisse ter um caso com Otávia. Um almirante da frota de Miseno, Aniceto (Anicetus), foi escolhido; ele fez confissão completa. "Perante o conselho, ele inventou ainda mais do que o exigido e confessou perante amigos que o príncipe havia convocado como uma espécie de conselho judicial." (355)

Sua recompensa por suas mentiras foi ser enviado para a Sardenha. Otávia foi banida para Pandateria, na Baía de Nápoles; no entanto, chegaram ordens para sua execução. Ela foi acorrentada e suas veias foram abertas, mas o sangue fluía muito lentamente e ela acabou sufocada pelo vapor de um banho quente. Sua cabeça foi cortada e enviada para Roma, onde foi mostrada a Popeia.

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Poppaea and Nero Have the Head of Octavia Brought Forward to Them
Popeia e Nero Recebem a Cabeça de Otávia  Giovanni Muzzioli / Bardazzi/Museo Civico di Modena (CC BY-SA)

Morte de Popeia

Em 65 d.C., um ano após o Grande Incêndio, Popeia Sabina morreu. Nero ficou devastado. Na época, circularam rumores sobre a causa, e os historiadores antigos concordam que foi culpa do imperador. Certa noite, ela começou a importuná-lo depois que ele chegou tarde em casa; ele havia estado nas corridas de cavalo. Perdendo a paciência, ele pontapeou Popeia, que estava grávida, na barriga. Ela morreu em decorrência de um aborto espontâneo. Supostamente, segundo os poetas, a deusa Vênus chegou ao Palatino e a levou em uma carruagem para os céus, para o seu lugar acima do Polo Norte.

Holland escreveu que a mulher mais célebre de Roma se tornou uma deusa – "um funeral suntuoso foi organizado para marcar sua ascensão aos céus" (Holland, 25). Coros cantaram hinos e senadores se reuniram no Fórum. Ao contrário de outros membros da família imperial que foram cremados, Popeia, "recheada de especiarias", foi mumificada – a cidade já havia sofrido incêndios suficientes. Após o elogio fúnebre de Nero, o cortejo deixou o Fórum, passou pelos portões da cidade, atravessou o Campo de Marte e entrou no Mausoléu de Augusto, onde uma câmara a aguardava. Embora o Senado Romano tenha votado a favor de lhe conceder honras divinas, Everitt escreveu que ela não fez muita falta à elite política. O enlutado Nero casou-se com Estatília Messalina um ano depois, após forçar o marido dela a cometer suicídio sob a acusação de conspiração.

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Perguntas & Respostas

O que aconteceu com a primeira esposa de Nero?

Nero acusou Otávia de ser estéril e divorciou-se dela para poder casar-se com Popeia Sabina, que estava grávida. Popeia foi acusada de adultério por um membro da casa de Otávia; ela foi banida e posteriormente executada.

Como morreu Popeia Sabina?

De acordo com historiadores antigos, Nero pontapeou Popeia, que estava grávida, na barriga, e ela morreu após sofrer um aborto espontâneo.

Sobre o Tradutor

Raimundo Raffaelli-Filho
Médico, professor de Clínica Médica (MD, PHD) e apaixonado por História, particularmente pela Antiga e Medieval, especialmente pelo Império Romano.

Sobre o Autor

Donald L. Wasson
Donald ensina História Antiga, Medieval e dos Estados Unidos no Lincoln College (Normal, Illinois) e sempre foi e sempre será um estudante de História, dedicando-se, desde então, a se aprofundar no conhecimento sobre Alexandre, o Grande. É uma pessoa ávida a transmitir conhecimentos aos seus estudantes.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Wasson, D. L. (2026, abril 09). Popeia Sabina. (R. Raffaelli-Filho, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22710/popeia-sabina/

Estilo Chicago

Wasson, Donald L.. "Popeia Sabina." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, abril 09, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22710/popeia-sabina/.

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Wasson, Donald L.. "Popeia Sabina." Traduzido por Raimundo Raffaelli-Filho. World History Encyclopedia, 09 abr 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22710/popeia-sabina/.

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