O Império Khmer foi um estado poderoso no Sudeste da Ásia, formado por pessoas do mesmo nome, que durou de 802 d.C. a 1431. Em seu auge, o império abrangia grande parte do que hoje é o Camboja, a Tailândia, Laos e sul do Vietnã.
Por volta do século VII, a população de Khmer habitava em territórios ao longo do rio Mekong – o sétimo rio mais longo do mundo – desde o delta até aproximadamente a fronteira atual entre Camboja e Laos, além da região situada entre esse rio e o grande lago Tonle Sap, a oeste, e da área que acompanha as margens do rio Tonle Sap (que vai do lago ao mar, juntando-se ao Mekong no delta). Existiam vários reinos que viviam em guerra uns com os outros, a arte e a cultura da região eram muito influenciadas pela Índia, por causa das antigas rotas de comércio marítimo entre os dois lugares.
O Hinduísmo principalmente, mas o Budismo também, eram religiões importantes na região, misturadas com cultos animistas e tradicionais. Cidades importantes daquela época incluem: Angkor Borei, Sambor Prei Kuk, Banteay Prei Nokor e Wat Phu. Um homem chamado Jayavarman II, que dizem ter vindo de um lugar chamado Java - que talvez fosse, ou não, a mesma ilha de Java no Sudeste Asiático, liderou várias campanhas militares bem-sucedidas, conquistando a maioria desses pequenos reinos e formando um grande estado territorial. Em 802, ele assumiu o título de chakravartin, "governante universal", essa data é usada para sinalizar o início do império.
Tendo a cidade de Angkor como capital, o Império Khmer expandiu o seu território ao longo dos séculos seguintes, principalmente em direção ao norte (alcançando o planalto de Khorat) e ao oeste, até a bacia do rio Chao Phraya e regiões além. Pela região leste, os resultados foram diferentes: por diversas vezes os Khmer travaram guerras contra dois povos vizinhos de reinos poderosos, os Cham (no atual Vietnã/Vietname central) e os vietnamitas (no atual Norte do Vietnã). Apesar de algumas vitórias, como em 1145, quando a capital de Champa, Vijaya, foi tomada, o império não obteve êxito em anexar aquelas terras. Por outro lado, os Chams e os vietnamitas desfrutaram de algumas vitórias próprias, a mais espetacular das quais foi a humilhante vingança de Champa, saqueando Angkor (1177) e levando o império à beira da destruição.
Ao longo da história do Império Khmer, a corte frequentemente precisou lidar com revoltas lideradas por nobres ambiciosos que buscavam independência, além de enfrentar conspirações contra o próprio rei. Isso era particularmente verdade quando um rei morria, pois as sucessões eram geralmente contestadas.
Os Khmer eram grandes construtores, preenchendo a paisagem com templos monumentais, enormes reservatórios (chamados baray) e canais, e estabelecendo uma extensa rede rodoviária com todos os tipos de pontes - as principais rodovias têm 800 km de extensão. O mais deslumbrante templo, Angkor Wat, é um microcosmo do universo hindu e desafia a imaginação como o maior complexo religioso do mundo - cobrindo 200 hectares; hoje em dia está lotado de turistas maravilhados com ruínas que até recentemente estavam cobertas pela selva. Sua construção levou cerca de 30 anos e foi iniciada por um dos maiores reis, Suryavarman II, por volta de 1122.
O maior rei do império foi Jayavarman VII (reinou de 1181 a 1215). Ele expulsou os Chams que tomaram Angkor, restaurando o reino da anarquia, e então invadiu Champa (o reino dos Chams). A escala de seu programa de construção foi sem precedentes: ele construiu templos, monumentos, rodovias, cem hospitais e o espetacular complexo de Angkor Thom – uma cidade dentro de uma cidade em Angkor. Jayavarman também expandiu o controlo territorial do império ao seu zênite.
O nome original de Angkor era Yashodharapura (“cidade que carrega a Glória”), no seu auge foi a maior cidade do mundo, cobrindo uma área de mil quilômetros quadrados, próxima à da atual Los Angeles, nos EUA. Sua população é muito mais difícil de estimar, mas é aceitável dizer que era por volta de um milhão.
Os Khmer eram um povo festivo, com muitas celebrações ao longo do ano. Luta livre, corridas de cavalos, briga de galo, fogos de artifício, música e danças eram parte integrante da sua cultura. Aparentemente, a maior parte do comércio estava nas mãos de mulheres. O rei e a elite eram transportados em palanquins e usavam sombrinha para se proteger do sol. Havia várias crenças religiosas presentes, com o Hinduísmo sendo predominante (embora não exclusivamente) a princípio entre os reis, e mais tarde o Budismo. O estado foi dividido em aproximadamente 23 províncias, com uma sofisticada administração e um grande número de funcionários que chegavam até ao nível da aldeia. Censos eram realizados periodicamente. Embora fossem essenciais para a prosperidade do império, os altos funcionários dessa burocracia também faziam parte das conspirações que arruinaram a história da corte.
O declínio e o colapso final do império estão profundamente ligados à grande migração Tailandesa dos séculos XII-XIV. Eles habitavam uma área ao norte do império, que fazia fronteira entre a China e o Sudeste Asiático; Yunnan. É uma terra montanhosa e árida, onde existiu um reino tailandês chamado Nanchao. Por razões desconhecidas, as populações tailandesas começaram a migrar para o sul, inicialmente em pequenos grupos. Os trácios aparecem pela primeira vez em registros como mercenários contratados para o império, e os seus números aumentaram à medida que começaram a se estabelecer como colonos em áreas marginais. A migração se intensificou quando as campanhas mongóis abalaram a China, e quando os mongóis conquistaram Yunnan em 1253, houve uma pressão adicional para a migração tailandesa. Eventualmente, os tailandeses criaram os seus próprios pequenos reinos, sendo o mais importante deles no lado oeste do império. À medida que esses reinos cresciam em poder, eles começaram a atacar e anexar territórios imperiais. A economia do império, a essa altura, também pode ter sido deteriorada pelo aumento do assoreamento das enormes obras hidráulicas, das quais a área central de Khmer dependia. O reino tailandês de Ayutthaya tomou Angkor em 1431, no qual constitui o fim do império Khmer.

