Relatos de Testemunhas Oculares da Primeira Guerra Mundial

Mark Cartwright
por , traduzido por Marina Azambuja
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A Primeira Guerra Mundial (1914-18) foi o primeiro confllito verdadeiramente global e a ser completamente mecanizado. Exércitos entraram em confronto através de terra, ar e mar. Civis foram pegos de surpresa pela destruição como nunca antes. Neste artigo, nós contamos a história da Primeira Guerra Mundial com as palavras dos que a presenciaram.

British & German Troops, Christmas Truce.
Tropas Britânicas e Alemãs, Trégua de Natal Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

As Trincheiras da Primeira Guerra Mundial

Apesar das esperanças da Alemanha de que seu Plano Schlieffen iria conquistar uma rápida vitória sobre a França e seus aliados, a Primeira Guerra Mundial estabilizou-se na Frente Ocidental para uma guerra estática de trincheiras. Outras frentes se desenvolveram na Europa Oriental, África, Oriente Médio, e Ásia. Centenas de milhares de soldados invadiram essas frentes vindo de todos os lados do confllito. Muitos entre eles ansiosos por ação e desejosos de cumprir seu dever patriótico. O público estava igualmente animado nos primeiros dias de guerra. Um oficial da infantaria francesa relembra a cena de quando seu trem que carregava tropas para a frente parte de Paris:

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...sem qualquer sinal, o trem lentamente saiu da estação. Naquele momento, quase espontaneamente, como um fogo latente que de repente se transforma em chamas rugindo, um clamor imenso surgiu quando a Marselhesa irrompeu de mil gargantas. Todos os homens estavam de pé na janela do trem, acenando com seus quepes. Da linha férrea, plataformas e trens vizinhos, a multidão acenava de volta...Multidões acenavam de volta em todas as estações, atrás de todas as barreiras e todas as janelas ao longo da estrada. Gritos de 'Vive la France! Vive l'armée' podiam ser escutados por todos os lugares, enquanto pessoas acenavam com seus lenços e chapéus. As mulheres jogavam beijos e flores em nosso trem. Os jovens gritavam "Au revoir! A bientôt" [Adeus. Te vejo daqui a pouco!].

(Keegan, 72)

Um entusiasmo semelhante pela batalha foi observado em todo o mundo e, inegavelmente, rapidamente se acumulou uma pressão dos colegas e da sociedade para 'alistar-se e fazer a sua parte', como recorda aqui um soldado neozelandês:

Salas de universidades ficaram vazias...jogos esportivos foram abandonados. Ser deixado para trás era impensável. Se seu colega estava indo, então de alguma forma você tinha que ir também.

(Keegan, 242)

Sentry Post, Western Front 1918
Posto de Sentinela, Frente Oriental, 1918 T.K.Aitkin - Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

O soldado canadense Victor Wheeler relembra o impacto em fazendeiros locais franceses quando a guerra os atingiu por acaso em Outubro de 1914:

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Com picaretas e pás, cavávamos trincheiras nos lindos campos de cereais, totalmente conscientes do dano que causávamos às esperanças dos fazendeiros de colher pequenas safras que lhes permitiria combater a fome durante o inverno que estava próximo. O patriarca com seu arado puxado por bois, a matrona que colhia os restos e a jovem mulher recolhendo grama e folhas ficaram de braços cruzados, sem palavras, impotentes e sem esperança, a observar. O efeito deprimente sobre a moral do homem - para muitos dos quais o cultivo de cereais na pradaria ocidental também significava o seu sustento — não podia ser facilmente ignorado.

(Yorke, 28)

A realidade da guerra de trincheiras logo bateu. Ernst Jünger, um soldado alemão, dá a seguinte descrição da trincheira na qual ele morou e lutou:

Para descansar, há abrigos subterrâneos, que evoluíram de buracos rudimentares no solo para alojamentos fechados adequados, com tetos com vigas e paredes revestidas de tábuas. Os abrigos têm cerca de 1,8 m (6 pés) de altura e uma profundidade em que o piso fica aproximadamente ao nível do fundo da trincheira externa. Na verdade, há uma camada de terra sobre eles espessa o suficiente para permitir que sobrevivam a impactos oblíquos. No entanto, sob fogo intenso, são armadilhas mortais... O conjunto deve ser imaginado como uma instalação enorme, aparentemente inerte, uma colmeia secreta de trabalho e vigilância, onde, poucos segundos após o alarme soar, todos os homens estão nos seus postos. Mas não se deve ter uma ideia demasiado romântica da atmosfera, pois há uma certa letargia predominante que a proximidade com a terra parece gerar.

(Jünger, 40-41)

Metralhadoras e projéteis de artilharia causaram total carnificina entre as tropas de infantaria repetidamente enviadas monotonamente de novo e de novo pelos seus generais para atravessar a terra de ninguém entre sistemas de trincheiras rivais. Um soldado alemão, F. L. Cassel, recorda:

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...o grito do sentinela, 'Eles estão vindo'... Capacete, cinto e espingarda e subir os degraus...na trincheira um corpo decapitado. O sentinela perdeu sua vida com um último projétil...aí vêm eles, os amarelos-cáqui, eles estão a menos de 20 metros da nossa trincheira...Avançam devagar e totalmente equipados...o fogo das suas metralhadoras abre buracos nas suas fileiras.

(Keegan, 295)

Medical Officer, British Trenches,  1918
Oficial Médico, Trincheiras Britânicas, 1918 T.K.Aitkin - Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

Nessas trincheiras entres tropas aliadas e turcas na península Gallipoli, uma história similar é registrada pelo soldado britânico Vere Hamsworth em uma carta para casa:

Passamos quatro dias na trincheira da linha da frente. Tivemos apenas algumas baixas. Fomos postos lá depois de um grande ataque que falhou parcialmente e o terreno entre nossa trincheira e os turcos ficara coberto de corpos. Parece-me que ficarão lá por muito tempo. Nesse caso, o rosto e corpo ficam completamente pretos em menos de 24 horas e o cheiro é terrível. As moscas - que estão por todos os lugares - também contribuem para o desconforto geral.

(Williams, 37)

Novas armas usadas nas trincheiras, como granadas de gás venenoso, causaram confusão, consternação e mortes terríveis, como aqui é recordado pelo soldado britânico Walter Clarke:

Você não sabia, elas eram apenas granadas. Mas o que aconteceu foi que, essas granadas quando explodiam derramavam líquido pelo chão. E na névoa da manhã, tem sempre uma névoa lá toda manhã, aquilo subia no ar e você o respirava. Ninguém sabia até um ou dois rapazes começaram a ficar doentes e muitos colegas reclamando de ficarem cegos e com dores nos olhos. Aí eles perceberam o que isso era.

(Museus Imperiais da Guerra)

Os que estavam seriamente feridos foram levados para hospitais militares atrás das linhas, geralmente compostos de enfermeiros voluntários. A britânica Daisy Spickett era uma dessas enfermeiras, e aqui ela explica o por que de ter se juntado aos serviços médicos

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Eu sempre tive em mente que queria ser enfermeira, e assim que eu ouvi falar sobre a formação de hospitais da Cruz Vermelha, comecei a fazer perguntas. Eu também ouvi dizer que havia uma probabilidade que o Ministério da Guerra precisasse de voluntários para hospitais militares, e isso que eu decidi que queria fazer. Isso para mim parecia a unica esperança de entrar bem no meio de tudo, ir para o estrangeiro e fazer qualquer coisa que tivesse de ser feita, e a ideia de Exército me atraiu - ser do Exército. Mas para mim isso era a coisa que eu queria mais do que qualquer outra e foi assim que eu me inscrevi para hospitais militares e consegui minha colocação em Julho de 1915.

(Museus Imperiais da Guerra)

Christmas Truce, Illustrated London News
Trégua de Natal, Notícias Ilustradas de Londres Arthur Cadwgan Michael (Public Domain)

Mesmo no meio dos horrores das trincheiras, haviam breves descansos, o mais marcante sendo a trégua de Natal em 1914, quando vários grupos separados de soldados ao longo da fronte ocidental se encontraram e trocaram presentes com seus rivais. Em outro lugar, mensagens de benevolência eram simplesmente gritadas pela terra de ninguém, como aqui registrado pelo tenente Edward Hulse:

...chegou até nós, pelas trincheiras opostas, sons de cantoria e alegria, e ocasionalmente era possível escutar o tom de voz gutural de um alemão gritando vigorosamente, 'Um feliz natal para vocês ingleses!'

(Lawson-Jones, 91)

A vida nas trincheiras, suportada por mais de quatro anos pelos sortudos, passou a ser vista como um passado, presente e futuro imutáveis. O cotidiano foi registrado com uma espécie de nostalgia desdenhosa em canções populares, como esta, escrita pelo soldado e poeta australiano Tom Skeyhill:

Eu tenho uma casinha molhada na trincheira;

Na qual as tempestades continuamente encharcam;

Céu azul acima,

Lama e argila como cama,

E a pedra que usamos como banco.

Carne enlatada e biscoitos duros que mastigamos;

Granadas estouram e assustam,

Mas nenhum lugar pode se comparar

À minha casinha molhada na trincheira.

(Yorke, 46)

WWI U-Boat & Crew
U-Boat da Primeira Guerra Mundial e Tripulantes Unknown Photographer (CC BY-NC-SA)

No Mar E no Ar

A Primeira Guerra Mundial, claro, envolveu batalhas no mar e ar. Alfred Fright, na época ainda um adolescente, relembra que o maior momento de estresse era esperar que qualquer coisa acontecesse, como inevitavelmente iria, cedo ou tarde:

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Enquanto você esperava, você estava absolutamente morrendo de medo, morrendo de medo. Mas uma vez que começava era de boa e você aparentava perder o medo. Mas até esse momento, como eu disse, você está morrendo de medo. E eu sei que eu já fiquei às vezes na ponte e chorei por estar com medo. E também já fiquei na ponte - porque customávamos ter que fazer vigias, sabe, esse era nosso trabalho principalmente, rapazes. Claro que o navio balança tanto que você sobe três vezes mais no topo do mastro, entende? E eu ficava lá em cima com esses óculos nos olhos, congelando e chorando. Era assim que era a vida naquela época.

(Museus Imperiais da Guerra)

O oficial britânico S. Pawley recorda uma batalha em que serviu a bordo do HMS Glasgow:

Formámos uma linha de batalha à frente, com o Otranto à alguma distância a bombordo, e navegámos para norte. Isso não era muito tempo antes de fumaça aparecer no horizonte e logos descobrirmos que essa fumaça vem de dois cruzadores pesados alemães. E éramos capazes de reconhecer Scharnhorst e Gneisenau. Não demoramos muito a aproximar-nos do inimigo e logo a batalha começou. O Good Hope abriu fogo, um tiro de alcance, que ficou aquém do alvo, e então a batalha tornou-se geral. Eu estava no convés superior naquele momento; o mar estava muito agitado sob um céu cinzento. Às vezes, as ondas passavam por cima do navio, invadindo-o completamente. Fomos atingidos em vários lugares. Um dos nossos conveses de refeições ficou inundado; a cabine do capitão foi destruída; o braço do sinalizador foi arrancado do cesto da gávea; buracos foram abertos nos depósitos de carvão e ficámos em condições geralmente precárias.

(Museus Imperiais da Guerra)

Aeronaves viraram um meio importante de observação do inimigo e eram usadas como bombardeiros de pontos estratégicos, como aterros de suplemento, pontes e linhas férreas. A vida no ar era glamorosa mas precária, como aqui relembrada pelo piloto da Royal Air Corps Frederick Powell

Não apenas o Esquadrão nº 40, mas todos os esquadrões do Real Corpo Aéreo, pareciam ter seu centro no bar. Bem, eu acho. Hoje em dia, isso pode ofender muitas pessoas. Mas é perfeitamente verdade. E quando você pensa sobre esses rapazes, com as tensões que viviam aguentando pelo dia, e à noite, quando entravam, perguntavam por seu melhor amigo, 'Onde ele está? Sinto falta do velho George'. 'Oh, ele comprou isto essa tarde'. 'Oh, céus'. Agora a tristeza se tornaria caos; a moral morreria e a reação imediata era , 'Bom, vamos lá, caras, o quê vocês vão tomar?' Aquele era o tipo de espírito que mantinha tudo em movimento. Eu ainda acho que desempenhou um papel magnífico em manter o moral das nossas tropas em geral.

(Museus Imperiais da Guerra)

Woman Working in a WWI Ammunitions Factory
Mulher Trabalhando em uma Fábrica de Munições da Primeira Guerra Mundial George P. Lewis (CC BY-NC-SA)

Civis na Primeira Guerra Mundial

Enquanto milhões de homens de todos os lados deixavam seus lares para lutar, mulheres eram encorajadas a repor os trabalhadores perdidos, particulamente em indústrias vitais como as de agricultura e fabricação de armas. Trabalhar nas fábricas podia ser um trabalho perigoso, como é aqui explicado por um visitante de uma fábrica alemã de munição

As condições de trabalho eram como devem ter sido no início do captalismo. Sempre tinha 'alguma coisa errada'. Especialmente durante o turno da noite. Nenhuma noite passava sem que uma or mais das mulheres desmaiassem em suas máquinas de exaustão, fome, doença...Em muitos dias de inverno não havia aquecimento...

(Strachan, 157)

Civis trabalhadores podiam ser vítimas de eventos inesperados, como essa explosão que ocorreu em uma fábrica britânica de armas, relembrada por Ethel. M Bilbrough

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Nenhuma notícia saiu aquela noite, mas no dia seguinte ficamos sabendo que foi a explosão mais horrível do tipo já conhecida, pois uma fábrica de munições em East London, em Silverton pegou fogo de alguma forma (Ah! Como?) e o fogo se espalhou até alcançar todos os explosivos e então o lugar todo foi lançado ao ar, e quatro ruas foram demolidas, e os mortos e os moribundos e os feridos jaziam em meio às ruínas, de modo que quando um grupo de socorro chegou eles não sabiam por onde começar. Mais de 100 pessoas foram mortas, e mais de 400 feridas e incapacitadas.

(Williams, 53)

Os bombardeios de dirigíveis da Primeira Guerra Mundial envolviam máquinas aterrorizantes que podiam atacar em qualquer lugar no meio da noite. Os civis agora foram trazidos para o reino da guerra, não importando quão distantes estivessem as linhas de frente. David Kirkwood descreve um ataque de Zeppelin em Edimburgo em abril de 1916:

De repente uma terrível explosão ocorreu, janelas tremeram, o chão vibrou, quadros balançaram. Todos nós ofegamos. Eu corri para a janela e vi o Vesúvio em erupção. Abri a janela, um grande clarão me cumprimentou do castelo e aí, acima do rugido, eu escutei os gritos e berros mais horríveis.

(Williams, 41)

WWI Zeppelin Leaving its Hangar
Zeppelin da Primeira Guerra Mundial Saindo de seu Hangar Unknown Photographer (CC BY-NC-SA)

Lembrança

A Primeira Guerra Mundial acabou em 1918, mas para muitos, os efeitos durariam uma vida. Ferimentos, memórias chocantes, perdas pessoais, e as dificuldades de se reintegrar na vida civil assombraram muitos. Choque de obus, os efeitos físicos e psicológicos do fogo de artilharia, foi um desses efeitos persistentes desta nova e terrível guerra moderna, como explicado pelo soldado britânico Betram Steward:

A pressão do bombadeio contínuo - contínuo, não apenas uma bomba e outra meia hora depois, mas bombardeio contínuo à todo o tempo. Batendo e batendo sem parar. Agora eu acho que é isso que as pessoas não entendiam, elas ouviam falar de pessoas com choque de obus, mas o que acontecia era que todo mundo que passava por aquele tipo de coisa tinha choque de obus. Manifestou-se de formas diferentes. Um dos meus amigos que foi para lá, quando voltou depois da guerra se acustumou a se trancar em casa ou em seu jardim e não iria sair de jeito nenhum e ninguém podia o convencer. Ele acabou - era um grande atleta, um bom garoto na escola - ele acabou em um asilo de loucos e morreu apenas depois de um ou dois anos do término da guerra.

(Museus Imperiais da Guerra)

Para esses que sobreviveram, o ato de lembrança todo 11 de novembro ajudou a manter memórias dos perdidos e a reconhecer os grande sacrifícios feitos. Muitos poemas foram escritos para os caídos, mas um dos mais duradouros é 'Para os Caídos' por Laurence Binyon, que ele mesmo serviu como enfermeiro na França:

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Eles foram com canções para a batalha, eram jovens,
Retos de membros, verdadeiros de olhos, firmes e radiantes.
Eles foram firmes até o fim contra probabilidades incontáveis;
Cairam de frente para o inimigo.

Eles não envelhecerão, como nós que ficamos envelhecemos:
A idade não os cansará, nem os anos os condenarão.
Ao pôr do sol e de manhã
Nós os lembraremos.

Eles não se misturam mais com seus camaradas risonhos;
Eles não se sentam mais nas mesas familiares de casa;
Eles não têm parte em nosso trabalho diurno;
Eles dormem além da espuma da Inglaterra.
(Walter, 235)

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Sobre o Tradutor

Marina Azambuja
Student, Bilingual, a poet and in love with cinema and music

Sobre o Autor

Mark Cartwright
Mark é escritor, pesquisador, historiador e editor. Tem grande interesse por arte, arquitetura e por descobrir as ideias compartilhadas por todas as civilizações. Possui mestrado em Filosofia Política e é Diretor Editorial da WHE.

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Cartwright, M. (2025, dezembro 09). Relatos de Testemunhas Oculares da Primeira Guerra Mundial. (M. Azambuja, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2832/relatos-de-testemunhas-oculares-da-primeira-guerra/

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Cartwright, Mark. "Relatos de Testemunhas Oculares da Primeira Guerra Mundial." Traduzido por Marina Azambuja. World History Encyclopedia, dezembro 09, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2832/relatos-de-testemunhas-oculares-da-primeira-guerra/.

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Cartwright, Mark. "Relatos de Testemunhas Oculares da Primeira Guerra Mundial." Traduzido por Marina Azambuja. World History Encyclopedia, 09 dez 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2832/relatos-de-testemunhas-oculares-da-primeira-guerra/.

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