Anúbis

Joshua J. Mark
por , traduzido por Vinicius Santos
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Anubis, Egyptian Sarcophagus (by André, CC BY-SA)
Anúbis, Sarcófago Egípcio André (CC BY-SA)

Anúbis (também conhecido como Inpu, Inpw, Anpu) é o deus egípcio da mumificação, ritos funerários, guardião das tumbas e guia para a vida pós-morte, assim como o deus patrono das almas perdidas e desamparadas. Ele é um dos deus mais antigos do Egito, provavelmente desenvolvido do antigo deus chacal Wepwawet, com quem ele é frequentemente confundido.

A imagem de Anúbis é vista em tumbas reais desde a Primeira Dinastia do Egito (3150-2890 a.C.), mas é certo que ele já havia desenvolvido um culto de seguidores precedente a esse período, de forma a ser invocado nas paredes de túmulos para proteção. Acredita-se que ele tenha desenvolvido em resposta a cachorros selvagens e chacais desenterrando cadáveres recém enterrados em algum momento do Período Pré-Dinástico no Egito (6000-3150 a.C.), já que os egípcios acreditavam que um poderoso deus canino era a melhor proteção contra caninos selvagens.

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Descrição & Associações

Ele é descrito como um canino preto, um cachorro-chacal híbrido com orelhas pontudas, ou um homem musculoso com a cabeça de um chacal. A cor preta foi escolhida pelo seu simbolismo, não porque cachorros ou chacais egípcios fossem pretos. Preto simbolizou a deterioração do corpo assim como o solo fértil do Vale do Rio Nilo, que representava regeneração e vida. O poderoso canino preto, então, era o protetor dos mortos, que garantia que eles recebessem seus devidos direitos no enterro e os apoiavam na vida pós-morte para ajudar sua ressurreição.

Ele era conhecido como o "Primeiro dos Ocidentais" antes da ascensão de Osíris no Império Médio (2040-1782 a.C.) o que significava que ele era o rei dos mortos (já que "ocidentais" era o termo egípcio para almas partidas na vida pós-morte, que ficavam para o ocidente, em direção ao pôr do sol). Nesse papel, ele era associado com justiça eterna e manteve essa associação mais tarde, mesmo depois que ele foi substituído por Osíris, a quem foi dado o título honorário "Primeiro dos Ocidentais".

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Nos primórdios, Anúbis era considerado o filho de Rá e Hesat (associado com Hator), mas depois de sua assimilação no mito de Osíris, ele foi considerado filho de Osíris e sua cunhada Néftis. Ele é a primeira divindade egípcia descrita em paredes de túmulo e invocado para proteção dos mortos e geralmente mostrado cuidando do cadáver do rei, presidindo rituais de mumificação e funerais, ou com Osíris, Tot, ou outros deuses na Pesagem do Coração da Alma no Salão da Verdade na vida pós-morte.

Uma imagem popular de Anúbis é o homem em pé ou ajoelhado com a cabeça de chacal, segurando as balanças douradas nas quais o coração da alma era pesada contra a pena branca da verdade. Sua filha é Qebhet (também conhecida como Kabechet) que traz água fresca para as almas dos mortos no Salão da Verdade e conforta os recém falecidos. A associação de Anúbis com Néftis (conhecido como "Amigo dos Mortos") e Qebhet enfatiza seu papel de longa data como protetor dos mortos e um guia para as almas na vida pós-morte.

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Weighing the Heart, Book of the Dead
Pesando o Coração, Livro dos Mortos Jon Bodsworth (Public Domain)

Nome & Papel na Religião

O nome "Anúbis" é a forma grega do egípcio Anpu (ou Inpu) que significava "deteriorar", significando sua antiga associação com a morte. Ele teve muitas alcunhas além de "Primeiro dos Ocidentais", ele também foi conhecido como "Lorde da Terra Sagrada" (referenciando a área do deserto onde necrópoles eram localizadas), "Aquele Que Está Sobre a Montanha Sagrada" (referenciando os penhascos em volta de uma determinada necrópole onde cachorros selvagens e chacais congregariam), "Governante dos Nove Arcos" (uma referência à frase usada por inimigos tradicionais do Egito que eram representados como nove cativos reverenciando o rei), "O Cão que Engole Milhões" (simplesmente referindo ao seu papel como deus da morte), "Mestre dos Segredos" (já que ele sabe o que espera além da morte), "Aquele que Está no Lugar do Embalsamento" (indicando seu papel no processo de mumificação), e "O Principal da Tenda Divina" referenciando sua presença na cabine de embalsamento e câmara funerária.

Como suas várias alcunhas deixam claro, Anúbis foi figura central de todo aspecto de uma experiência de morte individual no seu papel de protetor e até de ficar ao lado da alma depois da morte como um juiz justo e guia. O estudioso Geraldine Pinch comenta sobre isso, escrevendo, "Anúbis ajudou a julgar os mortos, e ele e seu exército de mensageiros foram encarregados em punir aqueles que violarem as tumbas ou ofenderem os deuses" (104). Ele era especialmente preocupado em controlar os impulsos daqueles que buscavam semear a desordem ou que alinharam a si mesmos com o caos. Pinch escreve:

Uma história registrada no primeiro milênio a.C. conta como o perverso deus Set disfarçou a si mesmo como um leopardo para se aproximar do corpo de Osíris. Ele foi capturado por Anúbis e todo marcado com ferro quente. Isso, de acordo com o mito egípcio, é como o leopardo ganhou suas pintas. Anúbis então esfolou Set e vestiu sua pele ensanguentada como um aviso aos malfeitores. Nessa época, era dito que Anúbis comandava um exército de demônios mensageiros que infligiam sofrimento e morte. (105)

Anubis, Thoth, & Horus
Anúbis, Tot e Hórus Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

No Período Dinástico Precoce (3150-2613 a.C.) e no Império Antigo (2613-2181 a.C.) Anúbis era o único Lorde da Morte e íntegro juiz da alma, mas como o mito de Osíris se tornou mais popular, esse último deus pegou mais e mais atributos de Anúbis. Anúbis permaneceu um deus muito popular, porém, assim foi assimilado para o mito de Osíris, descartando seu antigo parentesco e história, e fazendo ele o filho de Osíris e Néftis, nascido do caso amoroso deles.

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De acordo com essa história, Néftis (esposa de Set) era atraída pela beleza de Osíris (irmão de Set) e transformou ela mesmo para aparecer à ele como Isis (esposa de Osíris). Osíris dormiu com Néftis e ela engravidou de Anúbis mas o abandonou logo depois de seu nascimento, com medo de que o caso amoroso fosse descoberto por Set. Isis descobriu o caso amoroso e saiu procurando pela criança e, quando a achou, adotou-a como se fosse sua. Set também descobriu o caso amoroso, e isso é dado como parte da razão de seu assassinato de Osíris.

Além do seu antigo papel como Lorde da Morte, Anúbis era regularmente visto como "braço direito" de Osíris, quem ajudava Osíris no julgamento das almas da morte.

Depois de sua assimilação para o mito de Osíris, Anúbis foi regularmente visto como protetor de Osíris e "braço direito" que guardou o corpo do deus depois da morte, supervisionou a mumificação, e ajudou Osíris no julgamento das almas da morte. Anúbis era regularmente chamado (como atestado em amuletos, pinturas de tumbas, e em obras escritas) para proteção e vingança; especialmente como um aliado poderoso em aplicar maldições em outros ou defender a própria pessoa destas maldições.

Embora Anúbis é muito bem representado em obra de arte por toda história egípcia, ele não tem um papel significativo em muitos mitos. Seu antigo papel como Lorde da Morte, antes da assimilação para o mito de Osíris, era estático já que só realizava uma única função solene, que não necessita elaboração. Como protetor dos mortos, que inventou a mumificação e então a preservação do corpo humano, ele parece ter sido considerado muito ocupado para ter envolvido a si mesmo nos tipos de histórias contadas sobre outros deus egípcios. Histórias sobre Anúbis são todas nas linhas daquela que Geraldine Pinch relata acima.

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Adoração ao Deus

Os padres de Anúbis eram masculinos e frequentemente vestiam máscaras do deus feitas de madeira na realização de rituais. O centro de culto do deus era no Alto Egito em Cinópolis ("a cidade do cão"), mas haviam santuários para ele por toda a terra e era universalmente venerado em toda parte do país. O estudioso Richard H. Wilkinson escreve:

A capela de Anúbis no templo de Hatshepsut no Deir el-Bahri pode ter dado continuidade para um antigo santuário do deus naquela área e fornece um exemplo excelente da contínua importância do deus muito depois de sua assimilação para o culto de Osíris. Porque foi dito que ele havia preparado a múmia de Osíris, Anúbis se tornou o deus patrono do embalsamadores e na necrópole Mênfis uma área associada aos embalsamadores parece ter se tornado algo como o ponto focal para o culto de Anúbis nos tempos de Época Baixa e Ptolemaico, e tem sido denominada "o Anubeion" pelos egiptólogos modernos. Máscaras do deus são conhecidas, e padres representando Anúbis na preparação da múmia e nos ritos fúnebres podem ter usado essas máscaras de cabeça de chacal com objetivo de personificar o deus; elas eram certamente utilizadas para uso solene já que é descrito representativamente e é mencionado em textos recentes. As muitas representações bidimensionais e tridimensionais de Anúbis que sobreviveram de contextos funerários indicam a grande importância do deus no aspecto da religião egípcia e amuletos do deus também eram comuns. (190)

Roman Statue of Anubis
Estátua Romana de Anúbis Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Embora ele não tenha um papel protagonista em muitos mitos, sua popularidade era imensa e assim como muitas divindades egípcias, ele sobreviveu para outros períodos por associação com deuses de outras terras. Os gregos o associaram com seu deus Hermes, que guiou os mortos para a vida pós-morte e, de acordo com o egiptólogo Salima Ikram,

[Anúbis] se tornou associado com Caronte no período greco-romano e São Cristóvão no período cristão primitivo...É provável que Anúbis seja representado como um super canídeo, combinando os mais salientes atributos de vários tipos de canídeos, que ser somente um chacal ou cão. (35-36)

Esse "super-canídeo" ofereceu às pessoas a garantia que seus corpos seriam respeitados na morte, que suas almas seriam protegidas na vida pós-morte, e que seriam devidamente julgadas pelos seus atos. Essas são as mesmas garantias procuradas pelas pessoas no dia atual, e é fácil para entender porque Anúbis era um deus tão popular e duradouro. Sua imagem ainda é uma das mais reconhecidas de todos os deuses egípcios, e réplicas de sua estatuária e pinturas de tumbas permanecem populares, especialmente por donos de canídeos, nos dias modernos.

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Perguntas & Respostas

Quem é Anúbis?

Anúbis é o deus egípcio da mumificação, ritos funerários, guardião das tumbas, guia da vida pós-morte e patrono das almas perdidas e desamparadas.

Anúbis é bom ou mal?

Anúbis era bom. Ele era um deus poderoso que protegia as almas dos mortos e as guiava para a vida pós-morte.

Qual a idade de Anúbis?

Anúbis é um dos deuses mais velhos do antigo Egito, aparecendo em imagens de tumba durante a Primeira Dinastia do Egito 3150-2890 a.C.

Qual é a forma de Anúbis?

Anúbis é descrito como um canino preto, um cachorro-chacal híbrido e é um homem musculoso com a cabeça de chacal.

Sobre o Tradutor

Vinicius Santos
Vinicius Santos é um tradutor brasileiro, estudou Direito na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e é apaixonado pela história grega e egípcia.

Sobre o Autor

Joshua J. Mark
Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Mark, J. J. (2026, dezembro 30). Anúbis. (V. Santos, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11903/anubis/

Estilo Chicago

Mark, Joshua J.. "Anúbis." Traduzido por Vinicius Santos. World History Encyclopedia, dezembro 30, 2026. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11903/anubis/.

Estilo MLA

Mark, Joshua J.. "Anúbis." Traduzido por Vinicius Santos. World History Encyclopedia, 30 dez 2026, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11903/anubis/.

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