Altamira

Lidia Pelayo Alonso
por , traduzido por Filipa Oliveira
publicado em
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Cave Painting in the Altamira Cave (by Rameessos, Public Domain)
Pintura Rupestre na Gruta de Altamira Rameessos (Public Domain)

Altamira é uma gruta Paleolítica com pinturas rupestres, em Santillana del Mar (na região da Cantábria) no norte de Espanha, tendo sido habitada durante milénios e, a par da arte paleolítica, existem vestígios de atividade diária da sociedade pré-histórica. Em 1985 foi declarada Património da Humanidade pela UNESCO.

Por motivo de desmoromamento da entrada, atualmente, a gruta tem 270 metros de comprimento e o local arqueológico é perto da entrada, havendo vestígios na parte de fora. A gruta está dividida em três áreas:

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  • a entrada
  • a grande sala ou a grande sala de policromo
  • a galeria.

A entrada era o local habitável; os arqueólogos descobriram ossos de animais, cinzas de fogueiras contínuas e sílex (em forma de facas, machados e fragmentos), tudo indícios de actividade humana nesta parte da gruta. Dado que os arqueólogos encontraram estes tipos de despojos em várias camadas de sedimentos, assume-se que a gruta foi habitada por longos períodos de tempo. A designada grande sala de policromo, pintada com várias cores, encontra-se na parte interna da gruta com uma configuração estreita. O fim da gruta, de díficil acesso, é uma galeria exígua com pinturas e gravuras Paleolíticas.

A Historia da Gruta

A gruta foi descoberta em 1868 pelo caçador Modesto Cubillas, que falou dela ao nobre da região Marcelino Sanz de Sautola. Contudo, somente em 1875, é que Sanz de Sautola visitou a gruta e os primeiros trabalhos de escavação no local começaram em 1879. Os trabalhos arqueológicos concentraram-se na entrada da gruta e foram encontrados objectos de sílex, osso, cornos e hastes, bem como corantes, fauna e conchas que possibilitaram a datação das gravuras rupestres. Um ano mais tarde, Sanz de Sautola publica a obra Breves apuntes sobre algunos objetos prehistóricos de la provincia de Santander. Na altura da descoberta, efetuavam-se várias pesquisas Pré-históricas na França por estudiosos que não aceitaram a autenticidade das pinturas, dado não haver paralelismo de padrões e desenhos com as das grutas estudadas em França. Consideraram Sanz de Sautola um mentiroso e a Gruta de Altamira caiu no esquecimento. Em 1902, o pré-historiador francês E. de Cartailach publicou Les cavernes ornées de dessins. La grotte d'Altamira, Espagne. «Mea culpa» d'un sceptique ("As grutas decoradas com gravuras. A Gruta de Altamira, Espanha. «Mea culpa» de um céptico") e, desde então, a gruta tornou-se uma peça fundamental na pesquisa internacional da pré-história.

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uma habitação milenar: a gruta tem oito níveis distintos de ocupação humana, desde o MAGDALENIANo médio até ao GRAVETIANo.

Posteriormente, em 1903, H. Alcalde del Río continuou as escavações e descobriu dois níveis consecutivos: um do Solutreano Alto e outro do Magdaleniano Baixo, ambos do Período Paleolítico. A elevada complexidade arqueológica desta gruta foi confirmada nas escavações efetuadas em 1924-25 por Hugo Obermaier, e em 1980-81 por J. González Echegaray e L. G. Freeman. Em 2006, os estudos e a datação por C14-AMS demonstram que a gruta foi ocupada por oito tipos diferentes de sociedade: do Magdaleniano Médio (15,000-10,000 a.C.) ao Gravetiano (25,000-20,000 a.C.).

Pinturas

Pela pesquisa arqueológica, os peritos estimam que as pinturas e as gravuras nas paredes da gruta tenham sido feitas por pessoas que a habitaram ao longos dos diferentes períodos. A maioria das pinturas e gravuras rupestres (animais e mãos humanas) da Gruta de Altamira localiza-se na grande sala de policromo. No lado direito do tecto encontram-se as pinturas mais antigas com a representação de cavalos, imagens positivas e negativas de palmas de mãos humanas, formas abstractas e uma série de pontos, a maioria a carvão. Há igualmente “máscaras” resultantes do desenho de olhos e bocas nos contornos naturais da rocha, que datam do período do Magdaleniano Baixo. Contudo, a maioria das pinturas rupestres deste período são de representações de veados.

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No lado direito do tecto da Gruta, encontram-se 25 pinturas coloridas (a maioria em encarnado e preto) representando em grandes dimensões cavalos, bisontes e uma corça com mais de dois metros. A técnica de desenho aplicada foi a de entalhar a parede com sílex, a seguir desenhar linhas pretas com o carvão e depois colorir com encarnado ou amarelo. Os detalhes, tais como o pêlo, foram feitos com lápis de carvão e os elementos como os olhos e cornos ou hastes foram talhados. Apesar de parecerem figuras simples, usaram propositadamente os altos e as fendas do tecto para dar volume e relevo às representações de animais.

Paleolithic Cave Painting in Altamira Cave
Pintura Rupestre na Gruta de Altamira Dario Lorenzetti (CC BY-NC-SA)

A galeria têm um conjunto especial de máscaras que representam focinhos, como o do veado e o do bisonte. A técina usada é simples e supreendente ao mesmo tempo; o artista tirou partido dos contornos naturais e da prespectiva para criar um focinho com elementos simples como os olhos e linhas para representar a boca ou o nariz.

Altamira nos dias de hoje

Atualmente, devido a problemas de conservação, a Gruta de Altamira está fechada ao público. Como referido, a entrada abateu e tapou a gruta, criando um clima estável que assegura a perservação das pinturas. Aquando da sua descoberta, com a abertura da gruta, a entrada de ar gerou mudanças de temperatura e de humidade. Além disso, durante o século XX, foram edificados caminhos e apoios para acolher as centenas de milhar de visitantes, afectando as pinturas rupestres. Entre 1997 e 2001 foram efectuadas medidas preventivas na gruta. Em 2002, o Concelho Superior de Investigações Científicas (CSIC) espanhol iníciou um exaustivo plano de restauro e conservação e desde 2011 um comité de peritos internacionais estuda a viabilidade de um grupo restrito de visitantes poder aceder às pinturas sem afectar a sua preservação.

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Apesar de a gruta rupestre original não poder ser visitável, com base nos estudos arqueológicos os peritos recriaram a Gruta de Altamira, no Museu Altamira, com um acervo permanente de objectos da Gruta Altamira e de outra Grutas circundantes.

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Sobre o Tradutor

Filipa Oliveira
Tradutora e autora, o gosto pelas letras é infindável – da sua concepção ao jogo de palavras, da sonoridade às inumeráveis possibilidades de expressão.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Alonso, L. P. (2023, junho 02). Altamira. (F. Oliveira, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11600/altamira/

Estilo Chicago

Alonso, Lidia Pelayo. "Altamira." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, junho 02, 2023. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11600/altamira/.

Estilo MLA

Alonso, Lidia Pelayo. "Altamira." Traduzido por Filipa Oliveira. World History Encyclopedia, 02 jun 2023, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11600/altamira/.

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