Penny Black

O Primeiro Selo Postal do Mundo
Mark Cartwright
por , traduzido por Nazareth Accioli Lobato
publicado em
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Penny Black Stamp (by General Post Office, CC BY-NC-SA)
Selo Penny Black General Post Office (CC BY-NC-SA)

Pessoas enviam cartas desde que o papel e a caneta foram inventados, mas foi apenas em 1840 que uma nova ideia foi introduzida, permitindo pagar adiantado o valor correspondente à entrega de uma carta, no destino escolhido, mediante a compra de um selo Penny Black. Tratava-se do Universal Penny Post (Correio Universal por um Pêni). O destinatário não precisaria mais pagar à pessoa que lhe entregou a carta, nem pagar uma quantia adicional em função do tempo gasto e da distância percorrida. O sistema postal tornou-se bastante eficiente, e a um pêni por selo era um serviço que qualquer pessoa poderia pagar.

O design do selo

Em 1837, Roland Hill teve a ideia de que um selo adesivo pré-pago poderia ser utilizado em todas as cartas, qualquer que fosse sua destinação nas ilhas britânicas. O governo adotou a ideia, pois certamente iria aumentar a receita e ajudar a financiar um serviço postal mais confiável e regular. O primeiro selo retratava a rainha Vitória em perfil e custava um pêni. A própria rainha concedeu sua real aprovação ao design, e seu retrato no selo conferiu alguma autoridade a esses pequenos pedaços de papel. As palavras “POSTAGE” (tarifa) e “ONE PENNY” (um pêni) indicavam claramente o objetivo e o custo desses minúsculos comprovantes de pagamento. A cor e o preço do selo forneceram o nome pelo qual tornou-se conhecido: Penny Black. Também foi criada uma versão de dois pênis, na cor azul escuro. O Penny Black cobria o custo da entrega de uma carta pesando meia-onça (14 gr) para qualquer lugar das ilhas britânicas. E qualquer objeto pesando mais que meia-onça exigiria, apenas, a fixação de mais selos no envelope.

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EM DADO MOMENTO, OS TIPÓGRAFOS CHEGARAM A IMPRIMIR 600.000 PENNY BLACKS POR DIA.

O design do Penny Black era obtido mediante sua gravação numa placa de aço. As letras em cada canto inferior do selo podiam variar, dependendo da posição de cada selo individual na folha que continha os selos impressos. Esse sistema, que criava 240 variedades, foi planejado para prevenir tanto falsificações quanto a combinação e a reutilização de partes não usadas em selos diferentes. E, assim como nas notas bancárias, o complexo desenho nos lados esquerdo, direito e ao fundo do selo também visava dificultar a impressão de cópias ilícitas. Outro artifício adotado para prevenir falsificações consistia em usar um papel com marca-d’água, de sorte que cada selo possuía uma pequena marca em forma de coroa.

Penny Black Envelope
Envelope com Selo Penny Black Tricahyo123 (CC BY-SA)

O Penny Black é famoso por sua raridade, embora milhões deles tenham sido impressos, à medida que a ideia de um sistema postal pré-pago se expandiu. Ao contrário dos dias atuais, quando os correios nacionais emitem novas séries de selos a cada mês, o uso do Penny Black se estendeu de maio de 1840 a fevereiro de 1841. Em dado momento, os tipógrafos chegaram a imprimir 600.000 selos por dia. Cerca de 68 milhões de Penny Blacks foram impressos, e estima-se que apenas cerca de 5% deles sobrevivem atualmente, a maioria em condições precárias.

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Substituição pelo Penny Red

O Penny Black fez um sucesso estrondoso, mas teve seus problemas. Os chefes de correio deveriam “inutilizar” o selo com tinta para que não pudesse ser reaproveitado, adicionando à correspondência o que hoje chamaríamos de carimbo de correio. Pelo fato de ser preto, o selo exigia o uso de uma tinta vermelha, e cara, para sua inutilização, caso contrário não ficaria visível. Uma mistura especial de vermelho era recomendada, e os chefes se esforçavam para obter a proporção adequada. Em consequência, uma tinta vermelha mal aplicada era às vezes difícil de enxergar, em especial nas mal iluminadas agências de correios do período vitoriano antes do advento da iluminação elétrica. Por esse motivo, no espaço de um ano o Penny Black foi substituído pelo Penny Red, muito semelhante no desenho, mas com uma coloração vermelha-escura. A partir de então, os chefes poderiam usar uma tinta preta ou azul para invalidar os selos e, mais importante ainda, seria muito mais fácil detectar um selo já usado. Alguns selos carimbados, como o da cruz de Malta (1840-1844) ou os selos cortados à mão de algumas cidades, vieram a se tornar itens de colecionadores.

A Grã-Bretanha rapidamente adotou outras tarifas universais, tais como o meio-pêni para cartões postais, uma tarifa especial para pacotes e até mesmo uma tarifa para o envio de livros. O sistema de selos e postagens universais funcionou tão bem que logo foi adotado por outros países, em especial nos Estados Unidos em 1847. O sucesso dos selos baratos ocasionou um súbito aumento na atividade de escrever cartas, e a partir do final dos anos 1840 a tradição de enviar cartões de Natal também se multiplicou. Outra consequência do novo sistema postal foi o surgimento de caixas de correio em espaços públicos, para os remetentes, e de caixas de correspondência em residências particulares, para os destinatários.

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Penny Black & Penny Red Postage Stamps
Selos Penny Black e Penny Red Mark Cartwright (CC BY-NC-SA)

Quanto vale um Penny Black?

O Penny Black era um selo sem perfurações: não havia picotes para facilitar sua separação da folha, e por isso precisava ser cortado com uma tesoura. Cada folha possuía 240 selos (20 fileiras de 12 selos). Os funcionários mais cuidadosos em seus recortes, e que deixavam uma borda clara e bonita ao redor do selo, são os responsáveis pelo valor muito mais alto atribuído a esses selos no atual mercado de colecionadores. Da mesma forma, um Penny Black ainda colado ao seu envelope, ou mesmo num pedaço dele, geralmente vale mais do que aqueles que foram descolados. E um Penny Black não usado possui um valor muito maior do que os já usados, que são os tipos mais comuns. O valor depende da condição do papel (tanto frente como verso), do fundo e da limpeza da borda branca, e também da suavidade e aparência estética do carimbo. Segundo Stanley Gibbons, o prestigiado comerciante londrino de selos, um Penny Black em bom estado pode valer algo em torno de 100 libras, enquanto um bom exemplar novo pode alcançar 13.000 na mesma moeda. Os preços podem ser consideravelmente mais elevados para os selos em ótimo estado de conservação e para aqueles que foram impressos em placas menos utilizadas, em particular a mais rara de todas, a placa 11.

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Sobre o Tradutor

Nazareth Accioli Lobato
Historiadora e ex-professora de História. Especialista em História Medieval, mas também interessada em outros períodos históricos e na divulgação de conhecimentos sobre o passado para um público amplo.

Sobre o Autor

Mark Cartwright
Mark é escritor, pesquisador, historiador e editor. Tem grande interesse por arte, arquitetura e por descobrir as ideias compartilhadas por todas as civilizações. Possui mestrado em Filosofia Política e é Diretor Editorial da WHE.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cartwright, M. (2025, outubro 30). Penny Black: O Primeiro Selo Postal do Mundo. (N. A. Lobato, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-25054/penny-black/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "Penny Black: O Primeiro Selo Postal do Mundo." Traduzido por Nazareth Accioli Lobato. World History Encyclopedia, outubro 30, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-25054/penny-black/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "Penny Black: O Primeiro Selo Postal do Mundo." Traduzido por Nazareth Accioli Lobato. World History Encyclopedia, 30 out 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-25054/penny-black/.

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