U-Boat

Submarinos Alemães da Primeira e Segunda Guerras Mundiais
Mark Cartwright
por , traduzido por Ricardo Albuquerque
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WWI U-Boat & Crew (by Unknown Photographer, CC BY-NC-SA)
U-Boat da Primeira Guerra Mundial e Tripulantes Unknown Photographer (CC BY-NC-SA)

U-boat, abreviação de Unterseeboot (barco submarino), era a denominação dada aos submarinos usados pela Marinha Alemã durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18) e a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Nas duas Batalhas do Atlântico, os submarinos afundaram milhares de navios, mas as estratégias defensivas, como o lançamento de cargas de profundidade, a cobertura aérea e, acima de tudo, o sistema de comboios, garantiram que a Grã-Bretanha recebesse os recursos necessários para continuar lutando até que a vitória fosse alcançada em terra.

U-Boats na Primeira Guerra Mundial

Em 1914, quando a Primeira Guerra Mundial começou, a Marinha Imperial Alemã dispunha de apenas 20 submarinos operacionais ou Unterseeboots (barcos submarinos), como eram conhecidos, designação logo encurtada para U-boat. Já a Grã-Bretanha e a França contavam com cerca de 200 submarinos. Para recuperar o atraso, os alemães iniciaram a produção em massa. A marinha alemã construiu várias classes de submarinos para atender a diferentes requisitos, tais como patrulhas costeiras, colocação de minas e trajetos de longa distância. Em 1917, a Alemanha tinha 140 U-boats. Enquanto o Almirantado britânico se concentrava em submarinos menores, voltados à defesa dos portos, os alemães optaram por embarcações que pudessem atacar navios mercantes em alto-mar. Os U-boats tornaram-se particularmente importantes no período seguinte à Batalha da Jutlândia, em maio de 1916 (uma vitória estratégica para a Marinha Real britânica, mas ao custo de pesadas baixas), após a qual os gigantescos encouraçados alemães passaram a ficar confinados aos portos. Os U-boats, no entanto, estavam livres para vagar escondidos sob as ondas e atacar à vontade quaisquer alvos inimigos que encontrassem no Mar do Norte, no Oceano Atlântico e nas águas costeiras das Ilhas Britânicas.

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Os primeiros U-boats, a classe UB, limitavam-se a operações costeiras, mas os avanços tecnológicos melhoraram a capacidade operacional à medida que a guerra avançava. O típico U-boat da Primeira Guerra Mundial podia navegar até o Oceano Atlântico Ocidental numa velocidade máxima de 17 nós, deslocando cerca de 700 toneladas. As embarcações transportavam seis torpedos. Dois deles podiam ser disparados da proa e dois da popa. O submarino também tinha um canhão que podia ser disparado quando na superfície, com um calibre mínimo de 10,4 mm. Na superfície, usava-se um motor a diesel e, quando submergia, dois motores elétricos. A tripulação compunha-se de até 39 marinheiros. Eles viviam em condições extremamente apertadas e desconfortáveis, pioradas pelo constante fedor do combustível a diesel, que chegava a impregnar a comida.

O U-Boat mais bem-sucedido da Primeira Guerra foi o U-35, que afundou 224 navios.

A Marinha Alemã construiu uma classe de U-boats maiores, sem armamento, para o transporte de cargas. O Deutschland, o primeiro deste tipo, entrou em serviço em 1916. Alguns destes submarinos de carga foram posteriormente convertidos em embarcações armadas, conhecidos como U-cruisers, embora o primeiro só entrasse em operação em 1918. Os U-cruisers tinham um alcance impressionante de até 12.000 milhas náuticas (19.300 km) e poderiam ter alterado o curso da guerra caso tivessem sido produzidos antes e em maior número.

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WWI Captured U-Boat
U-boat Capturado na Primeira Guerra Mundial Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

Os submarinos da classe UC foram utilizados como instaladores de minas a partir de 1915. Com velocidade reduzida de até seis nós e alcance limitado a 750 milhas náuticas (1.200 km), estas embarcações tinham sido projetadas para permanecer próximas à costa e instalar minas, 12 delas a cada viagem. Para a instalação, utilizavam-se tubos quase verticais, que eram inundados. Uma atualização da classe de 1916 aumentou o alcance em dez vezes e a carga de minas para 18 unidades. A classe UC II dispunha também de uma arma de 3,4 polegadas (8,8 cm). A classe UE trazia uma versão maior e oceânica da UC. Estas embarcações, em serviço a partir de 1915, podiam navegar por 8.000 milhas náuticas (12.800 km) e transportar 34 minas. Uma atualização ocorrida em 1918 aumentou a capacidade de carga para 42 minas nos tubos e outras 30 em contêineres no convés.

Ataque e Defesa

Os submarinos alemães mostraram-se muito eficazes. Sua arma principal era o torpedo autopropulsado, disparado de um tubo no interior da embarcação. Uma vez disparados, os torpedos iam em direção ao alvo, mantendo-se logo abaixo da superfície e detonando no impacto. O U-Boat mais bem-sucedido, o U-35, afundou 224 navios durante a Primeira Guerra Mundial, totalizando 535.000 toneladas.

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Havia várias manobras defensivas contra os submarinos. A primeira delas consistia em evitar navegar em linha reta, além de adotar ações evasivas rápidas após o avistamento de um U-boat. Para detectar as embarcações utilizavam-se hidrofones que captavam o ruído dos motores. Lançavam-se ao mar minas de contato, que afundavam e explodiam ao atingir o submarino. As minas magnéticas explodiam nas proximidades das embarcações. Os portos inimigos dispunham de minas que podiam ser detonadas remotamente.

U-boat Sinking a Steamer in WWI
U-boat Afundando um Cargueiro na Primeira Guerra Mundial Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

Outra arma empregada contra os U-boats eram as cargas de profundidade. Utilizadas a partir de 1916, estas cargas consistiam em recipientes cheios de explosivos, lançados no mar e depois detonados a uma profundidade predeterminada (graças ao efeito da pressão da água numa válvula hidrostática).

Durante a Primeira Guerra Mundial, U-boats afundaram mais de 5.000 navios.

Uma defesa mais engenhosa contra ataques de submarinos eram os navios da classe Q. Utilizados pela Marinha Real, tratava-se de navios mercantes que carregavam armas escondidas e até torpedos. O capitão do U-boat era induzido a subir à superfície para tentar afundar o que parecia ser uma embarcação desprotegida com o armamento do convés, em vez dos preciosos torpedos. O estratagema funcionou em onze ocasiões, nas quais os submarinos acabaram afundados, mas esta tática também teve consequências infelizes, conforme veremos mais adiante.

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Finalmente, a melhor defesa de todas contra os submarinos veio com o sistema de comboios, adotado pela Marinha Real a partir de maio de 1917 e, mais tarde, pelos Estados Unidos. A estratégia consistia em reunir as embarcações mercantes em grupos protegidos por navios de guerra. Dos 88.000 navios que cruzaram o Oceano Atlântico como parte de um comboio durante a guerra, somente 436 acabaram atingidos por torpedos.

Sinking of the Lusitania
Afundamento do Lusitânia Norman Wilkinson (Public Domain)

Guerra Submarina Irrestrita

Inicialmente, não havia restrições para o ataque a embarcações inimigas. A guerra submarina irrestrita tinha total apoio do Grande Almirante Alfred von Tirpitz (1849-1930), Secretário de Estado do Ministério da Marinha de 1897 a 1916. Em resposta às tentativas da Marinha Real britânica de bloquear o desembarque de suprimentos nos portos alemães, os alemães fizeram o mesmo com a Grã-Bretanha a partir de fevereiro de 1915. A Alemanha declarou que as águas em torno da Grã-Bretanha dali em diante seriam consideradas uma zona de guerra e quaisquer embarcações que os submarinos encontrassem - mercante, de passageiros ou da marinha - corriam riscos. Além disso, não haveria aviso sobre os ataques. Esta política foi considerada uma resposta justificável aos navios Q. Então, ocorreu o chocante naufrágio do RMS Lusitânia.

Transatlântico da empresa Cunard, o Lusitânia fazia a rota Liverpool-Nova York quando foi atingido por um torpedo disparado pelo U-20 no dia 7 de maio de 1915, ao largo da costa sul da Irlanda. Quase 1.200 passageiros, incluindo 128 dos Estados Unidos, perderam suas vidas quando o transatlântico afundou em menos de 20 minutos. O governo alemão alegou que o navio transportava armas e munições e, realmente, a embarcação carregava cartuchos de metralha e 4 milhões de cartuchos de rifles, mas estes itens podiam ser transportados em navios civis. Os Aliados, chocados com o naufrágio, utilizaram o ocorrido como arma de propaganda nas campanhas de recrutamento para as forças armadas.

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Como resultado do furor provocado pelo Lusitânia, a Alemanha declarou o fim da guerra submarina irrestrita em 1° de setembro de 1915. Os capitães dos submarinos precisavam emergir e alertar as embarcações civis se estivessem prestes a atacar. Porém, a partir do momento em que se tornou improvável a vitória da Alemanha em terra, a guerra submarina irrestrita voltou a partir de fevereiro de 1917. A estratégia mostrou sinais de sucesso, já que as perdas de navios dos Aliados aumentaram de 259 em fevereiro para 423 em abril. Estas perdas não poderiam ser repostas com velocidade suficiente pelos estaleiros. O sistema de comboios, no entanto, começou a dar resultados e as perdas aliadas reduziram-se quase à metade ao final de 1917. Em 1918, a taxa de construção de novas embarcações aliadas superava as perdas. A Marinha alemã, por seu turno, estava perdendo U-boats numa taxa alarmante, graças ao aperfeiçoamento das medidas defensivas.

Na Primeira Guerra Mundial, os submarinos alemães afundaram mais de 5.000 navios, enviando mais de 12 milhões de toneladas para o fundo do mar. Ainda que se tratasse de números impressionantes, não foram suficientes para a vitória naquela que ficou conhecida como a (Primeira) Batalha do Atlântico. A linha de suprimentos marítima da Grã-Bretanha não entrou em colapso. Um total de 178 U-boats foram afundados durante o conflito e 5.000 submarinistas alemães morreram, ficaram feridos ou acabaram capturados. Com a assinatura do armistício no dia 11 de novembro de 1918, oficializando a derrota da Alemanha, todos os submarinos remanescentes foram entregues aos vencedores.

U-Boat 570
U-boat 570 H.W.J. Tomlin - Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

U-Boats na Segunda Guerra Mundial

Quando a Segunda Guerra Mundial começou, o design dos submarinos não havia sido radicalmente alterado desde 1918. O Tratado de Versalhes, que concluiu formalmente a Primeira Guerra, proibia a Alemanha de possuir submarinos. Com o início de um novo conflito mundial, a Grã-Bretanha novamente tentou bloquear os portos alemães e os U-boats voltaram a ser empregados para afundar, sempre que possível, os navios de suprimentos que abasteciam os britânicos com alimentos, matérias-primas e armas das Américas. Foi uma segunda Batalha do Atlântico, embora os U-boats também tenham operado em outros teatros de guerra, principalmente no Mediterrâneo e no Mar do Norte.

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Os submarinos alemães foram empregados em alguns ousados ataques em portos, como quando o U-46, comandado por Günther Prien (1908-1941), afundou o encouraçado HMS Royal Oak na base de Scapa Flow, em outubro de 1939. Com a Queda da França, no verão de 1940, a Marinha alemã conseguiu instalar bases de submarinos bem mais próximo do Oceano Atlântico. Havia também bases na costa da África Ocidental e no Mediterrâneo. O foco principal da campanha dos U-boats, no entanto, consistia em tentar reduzir o fluxo de suprimentos que chegava à Grã-Bretanha para que o país se rendesse.

Os Aliados ignoraram inicialmente as lições da Primeira Guerra sobre o valor dos comboios e optaram por um sistema de grupos de caça a submarinos baseado em porta-aviões. Quando esta estratégia mostrou-se um fracasso (principalmente após o afundamento do HMS Courageous pelo U-29), os britânicos adotaram o sistema de comboios, com sucesso imediato e duradouro, em especial quando havia apoio aéreo. Porém, quando os Estados Unidos entraram na guerra, em 1942, a Marinha americana, inexplicavelmente, não adotou o sistema de comboios até que as perdas chegaram a tal ponto que o sistema não pôde mais ser ignorado. Como observou o primeiro-ministro britânico Winston Churchill (1874-1965), "a única coisa que realmente me amedrontou durante a guerra foi o perigo representado pelos U-boats" (Boatner, 135).

WWII U-Boats & Pens
U-boats numa Base de Submarinos na Segunda Guerra Mundial Lt. Tanner - Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

Especificações

Os submarinos da Segunda Guerra Mundial eram mais velozes do que seus antecessores da Primeira Guerra e transportavam mais torpedos, geralmente 12 por viagem. O modelo padrão 7C mergulhava a uma profundidade de 300 metros, disparava de tubos da proa ou na popa e tinha um alcance de 12.600 milhas náuticas (23.000 km). Esta embarcação media cerca de 67 metros de comprimento e as versões mais novas tinham uma velocidade de superfície de 17 nós (ou 7,6 nós quando submersos). Estavam também armadas com pelo menos uma arma de 88 mm e outra de 20 mm.

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Os tripulantes, sempre voluntários, consideravam-se especialistas de elite. As condições no interior de um U-boat eram extremamente apertadas e parte da tripulação dispunha apenas de camas dobráveis ou redes. Duas pequenas cabines sanitárias atendiam à tripulação, composta por cerca de 45 homens. Para a alimentação, havia carne seca, enlatados, queijo e pão duro. Os sistemas de aquecimento e ventilação funcionavam de maneira meramente adequada e, assim, a umidade predominava.

O modelo 9D, ligeiramente maior do que o 7C, alcançava 32.000 milhas náuticas (51.400 km) e era empregado como um cruzador ou para colocação de minas. Os submarinos maiores serviam para abastecer os menores com combustível, torpedos e provisões. Também havia submarinos anões para ataques às instalações portuárias.

Como na Primeira Guerra, a guerra de submarinos começou com restrições e os navios mercantes deviam ser avisados antes do disparo de torpedos. À medida que os alvos passaram a ter melhor armamento, a guerra irrestrita tornou-se a norma. O modo de ataque predileto ocorria na superfície e à noite.

Admiral Donitz Congratulating U-Boat Crews
Almirante Donitz Cumprimentando Tripulantes de U-boat H.Hoffmann - Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

Relatos de Testemunhas

Os capitães dos submarinos alemães tinham uma vantagem nos primeiros anos da guerra, pois podiam codificar suas mensagens usando a máquina alemã Enigma. Um oficial de U-boat, tenente Ernst von Witzendorff, lembra:

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Devo dizer que, nessa época, éramos jovens oficiais da marinha e estávamos interessados em cumprir nosso dever e ter sucesso. Quando atacávamos durante o dia, observando através do nosso periscópio, ou à noite, na superfície, víamos esses grandes navios mercantes como animais rastejando sobre o mar [e] então ficávamos ansiosos para afundá-los, sem pensar naqueles pobres marinheiros. (Holmes, 168)

Um marinheiro mercante, Vernon Miner, relata o ataque de um submarino:

Estava pilotando o navio quando o vigia informou que havia um submarino a estibordo. O imediato que estava no comando do turno de vigia ordenou que eu alterasse o curso para colocar o U-boat à nossa ré. Meu sentimento era de entusiasmo. Chegou a hora, voltarei para casa coberto de glória - condecorado -, vou estrangular esses submarinos com minhas mãos nuas. Então os disparos começaram e o primeiro projétil atingiu o navio, que estremeceu [...] Havia uma sensação de que Deus estava ao nosso lado, mas certamente não naquele momento, e esse é o período de temor, o momento da verdade. A ordem de abandonar o navio vem eventualmente e você olha para aquele Atlântico Norte cinzento, que não parece nada mau do convés do navio, seis metros acima da água, mas, num barco salva-vidas, ele parece bastante sinistro [...] (Holmes, 89)

Os Grupos de Caça

O almirante Karl Dönitz (1891-1980), que chefiou o serviço de submarinos da Alemanha (e, a partir de 1943, toda a marinha alemã), havia comandado um U-boat na Primeira Guerra. Ele desenvolveu a ideia de empregar grandes grupos de submarinos, com 8 a 20 embarcações (ou, mais raramente, até 50 unidades), que se tornaram conhecidas como grupos de caça (wolf packs). Um grupo podia se espalhar numa linha de até 100 milhas náuticas (185 km) de comprimento e, assim, detectar a presença de comboios que se aproximavam. A partir daí, o grupo se reorganizava para atacar em massa, inicialmente tentando eliminar os navios de proteção do comboio, o que daria condições aos capitães dos U-boats escolher as embarcações mercantes à vontade, com frequência durante duas noites. Os U-boats geralmente não paravam para resgatar sobreviventes - de qualquer forma, havia pouco espaço disponível nos submarinos –, particularmente após o afundamento do Lacônia, em setembro de 1942, quando uma comunicação errada resultou num avião norte-americano atacando o U-boat responsável pelo afundamento, mas que estava resgatando os sobreviventes.

Swordfish Planes & Ark Royal
Torpedeiros Swordfish e o Ark Royal U.S. Navy (Public Domain)

As medidas defensivas contra submarinos melhoraram durante a guerra e, eventualmente, as embarcações de superfície ficaram em vantagem. O sonar (ASDIC) podia ouvir os motores dos U-boats. Os radares detectavam o periscópio. Outro dispositivo empregado pela Marinha dos EUA permitia aos capitães localizar um submarino quando este usava o rádio. O equipamento de rastreamento de alta frequência passou a ser utilizado a partir de 1941 por navios e aviões. O Fido era um torpedo acústico que podia ser disparado no mar para rastrear um U-boat submerso.

Os submarinos também enfrentavam minas em muitas variedades fatais: de contato, magnéticas, acústicas e de pressão. Cada mina podia conter até 350 kg de explosivos. Cargas de profundidade, contendo até 136 kg de explosivos e efetivas até 300 metros de profundidade, eram despejadas em amplos padrões em arco para ampliar as chances de danificar os submarinos das proximidades. Elas se mostraram muito eficientes: "De todos os U-boats destruídos, 43% foram afundados por cargas de profundidade" (Dear, 33). Além de mergulhar profundamente ou navegar em padrões erráticos, os capitães de submarinos também soltavam bolhas de ar como um chamariz contra detecção.

Resultados

Assim como havia ases aéreos com taxas extraordinárias de sucesso, assim também houve capitães de U-boats que registraram uma formidável lista de vítimas. O tenente Otto Kretschmer (1912-1998) afundou 46 navios, num total de 273.000 toneladas.

Battle of the Atlantic, 1943
Batalha do Atlântico, 1943 Imperial War Museums (CC BY-NC-SA)

Dönitz acreditava que os submarinos podiam forçar a Grã-Bretanha a se render, mas nunca recebeu o número de embarcações que precisava, devido aos gargalos existentes na produção militar alemã. Houve avanços tecnológicos, como o Schnorchel (snorkel), que permitia aos U-boats se reabastecer de oxigênio e liberar fumaça enquanto se encontravam abaixo da superfície, mas eles vieram tarde demais para fazer alguma diferença no resultado da guerra.

Seja como for, os U-boats desferiram um golpe terrível no tráfego marítimo aliado. Em 1940, 1.345 navios foram afundados, com a perda de 24 U-boats; em 1941, 1.419 contra 35; em 1942, houve perda de 1.859 embarcações e afundamento de 86 submarinos; em 1943, 812 navios afundados e 242 U-boats perdidos. Os Aliados aperfeiçoaram o sistema de comboios com o apoio da defesa aérea e dispunham de radares melhores. No final das contas, o serviço de U-boats fracassou. No total, 3.500 navios aliados, com uma tonelagem de 14,5 milhões, foram afundados durante a Batalha do Atlântico da Segunda Guerra Mundial, mas ao custo de 765 U-boats afundados (cerca de 65% do total de embarcações construídas). Foi um preço alto demais para a Marinha alemã. Além disso, a perda de submarinistas ficou em torno de 75% (28.000 homens), a taxa mais elevada em todas as forças armadas. Os U-boats acabaram sendo caixões de metal para um número excessivo de jovens marinheiros.

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Perguntas & Respostas

O que significa a sigla U-boat?

O "U" de U-boat significa Unterseeboot ("barco submarino", em alemão)

Há alguma diferença entre U-boat e um submarino?

Não há diferenças entre um U-boat e um submarino, já que o nome se refere a todas as embarcações submarinas alemães da Primeira e Segunda Guerras Mundiais.

Por que os U-boat falharam?

Os U-boats falharam em vencer a guerra devido às bem-sucedidas medidas de proteção empregadas contra eles, como minas, cargas de profundidade, ataques aéreos e o sistema de comboios, que davam melhor proteção aos navios mercantes.

Sobre o Tradutor

Ricardo Albuquerque
Jornalista brasileiro que vive no Rio de Janeiro. Seus principais interesses são a República Romana e os povos da Mesoamérica, entre outros temas.

Sobre o Autor

Mark Cartwright
Mark é escritor, pesquisador, historiador e editor. Tem grande interesse por arte, arquitetura e por descobrir as ideias compartilhadas por todas as civilizações. Possui mestrado em Filosofia Política e é Diretor Editorial da WHE.

Cite Este Artigo

Estilo APA

Cartwright, M. (2025, julho 15). U-Boat: Submarinos Alemães da Primeira e Segunda Guerras Mundiais. (R. Albuquerque, Tradutor). World History Encyclopedia. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24502/u-boat/

Estilo Chicago

Cartwright, Mark. "U-Boat: Submarinos Alemães da Primeira e Segunda Guerras Mundiais." Traduzido por Ricardo Albuquerque. World History Encyclopedia, julho 15, 2025. https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24502/u-boat/.

Estilo MLA

Cartwright, Mark. "U-Boat: Submarinos Alemães da Primeira e Segunda Guerras Mundiais." Traduzido por Ricardo Albuquerque. World History Encyclopedia, 15 jul 2025, https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24502/u-boat/.

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