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title: Os Bancos no Mundo Romano
author: Victor Labate
translator: Ricardo Albuquerque
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-974/os-bancos-no-mundo-romano/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2023-07-03
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# Os Bancos no Mundo Romano

_Escrito por [Victor Labate](https://www.worldhistory.org/user/info_3/)_
_Traduzido por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo)_

Assim como em outras civilizações antigas, os primeiros bancos em Roma começaram nos templos consagrados aos deuses. Vários deles guardavam em seus porões os tesouros e dinheiro em espécie de Roma e se envolviam em atividades bancárias, como empréstimos. Sempre ocupados por devotos e sacerdotes e patrulhados regulamente por soldados, os templos eram considerados pelos romanos abastados como um lugar seguro para guardar dinheiro.

Os depósitos aconteciam geralmente em templos diferentes, por razões práticas e de segurança, pois temiam-se incêndios ou saques. Os sacerdotes mantinham registros de depósitos e empréstimos. Os templos não pagavam juros pelos depósitos, mas os cobravam em empréstimos e também faziam câmbio e validação.

Havia literalmente milhares de templos nos territórios romanos que também atuavam como repositórios e, durante o [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/), depósitos públicos gradualmente passaram a ser mantidos em repositórios privados. O Templo de [Saturno](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10551/saturno/), em Roma, sediava o *Aerarium*, o tesouro público romano. Alguns templos, como o de Juno Moneta, faziam a [cunhagem](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-430/cunhagem/) de moedas.

[ ![Roman Balance Weights](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/4744.jpg?v=1771853586) Pesos de Balanças Romanas Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/4744/roman-balance-weights/ "Roman Balance Weights")### Os Cambistas Romanos: Os *Argentarii*

O desenvolvimento do comércio no Mediterrâneo e a expansão dos negócios para mercados estrangeiros, entre o século III a.C. e o século III d.C., levou ao crescimento da atividade bancária no mundo romano. Ao lado dos templos, cambistas em lojas e bancas no Fórum também lidavam com questões financeiras e seu papel ganhou maior importância com o desenvolvimento comercial. Os cambistas foram precedidos pelos *trapezites* (da palavra grega *trapeza*, que significa contador), que faziam transações financeiras em casas contábeis ao redor do Fórum. O termo grego foi mais tarde substituído pelos termos latinos *argentarii* e *mensarii* (da palavra *mensa* ou “banco” em latim).

Três tipos de pessoas conduziam as atividades bancárias em Roma: os *argentarii*, os *mensarii* e os *nummularii*. Os *argentarii*, também chamados *argenteae mensae exercitores*, *argenti distractores* ou *negotiatores stipis argentariae*, eram negociantes particulares, cidadãos livres e independentes do Estado. Eles pertenciam a uma guilda que aceitava somente um limitado número de novos membros. A principal função dos *argentarii* era fazer o câmbio das moedas estrangeiras pelas romanas (*permutatio*). Trabalhavam em lojas ou estandes ao redor do Fórum (pertencentes ao estado e construídos pelos censores) e seu papel expandiu-se com o tempo para incluir quase todas as transações monetárias, incluindo guardar dinheiro, empréstimos, participação em leilões, determinação do valor de moedas (e detecção de falsificações) e a circulação de dinheiro recém-cunhado. Seu trabalho assemelhava-se ao dos bancos modernos. Havia *argentarii* de todos os tipos. Aqueles altamente respeitados e provenientes das classes mais altas geralmente se encarregavam de negócios em grande escala e para os muito ricos, enquanto os que cobravam altas taxas de juros e faziam negócios em pequena escala eram alvo de desprezo.

O *permutatio* ou câmbio era feito por uma pequena taxa (*collybus*). Os *argentarii* também se especializaram em notas de câmbio (já comuns na Grécia): recebiam uma soma em dinheiro para ser paga em [Atenas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-292/atenas/) e entregavam uma nota pagável em Atenas por outro banqueiro local. Para isso, precisavam saber o valor exato de uma moeda estrangeira em diferentes lugares e ocasiões. Os *argentarii* guardavam dinheiro depositado por outras pessoas (*depositum*), que poderia por vezes totalizar enormes quantias, e efetuavam pagamentos em nome de terceiros, exatamente como os bancos modernos fazem. Tais pagamentos eram feitos quando ordenados pelo dono do dinheiro ou quando o proprietário usava um cheque (*perscriptio*). Se duas pessoas envolvidas numa transação usassem o mesmo argentarius, este faria o registro (*scribere*) em seus livros, chamados de *codices* (ou *tabulae*, *rationes*), da transferência dos recursos de uma conta para outra. Muito precisos, os *codices* registravam as datas de cada transação. Tais registros eram considerados documentos pelas autoridades e usados em tribunais de justiça como evidências inquestionáveis. Quando o dinheiro era apenas depositado, o *argentarius* não pagava juros sobre o montante, chamado de *vacua pecunia*. Porém, quando os recursos eram depositados com juros pagos pelo *argentarius*, este poderia utilizá-lo em outras transações lucrativas, como, por exemplo, empréstimos.

[ ![Temple of Saturn, Rome](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/1080.jpg?v=1767242961) Templo de Saturno, Roma Elias Rovielo (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/1080/temple-of-saturn-rome/ "Temple of Saturn, Rome")Os *argentarii* participavam também de leilões públicos e transações comerciais. Estavam quase sempre presentes em leilões, agindo em nome de outras pessoas, recebendo pagamentos e registrando as partes envolvidas, as transações, os artigos vendidos e seus preços. Em transações comerciais, atuavam como agentes para qualquer das partes (o vendedor ou o comprador), o que incluía por vezes a venda de todas as propriedades de alguém. Quando pagamentos vultosos eram necessários, os *argentarii* quase sempre estavam presentes. Eles determinavam o valor de moedas estrangeiras e testavam moedas para avaliar sua legitimidade (*probatio nummorum*). Durante o império, estes profissionais também eram obrigados a adquirir dinheiro recém-cunhado (*solidorum venditio*) das casas da moeda, a fim de colocá-lo em circulação entre a população.

### Os Banqueiros Públicos de Roma: Os *Mensarii*

Os *mensarii* eram banqueiros públicos altamente respeitados, nomeados pelo estado em circunstâncias especiais, em geral nos tempos de escassez generalizada, e especialmente em períodos de guerra, para ajudar os [plebeus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20632/plebeus/) a superar dificuldades econômicas e evitar a desordem social. Deve ser observado que, na [Roma antiga](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-68/roma-antiga/), os plebeus endividados (*nexum*) podiam ser escravizados quando não conseguiam quitar seus débitos. Os *mensarii* apareceram em 352 a.C.. Uma comissão de cinco homens, *quinqueviri mensarii*, foi nomeada e um banco público criado para lidar com as dívidas dos cidadãos. Quem pudesse fornecer garantias era coberto por recursos públicos pela comissão. Quem não podia fazê-lo transferia sua propriedade para os credores, após uma avaliação feita por funcionários públicos. Tempos depois, a *Lex Minucia de Triumviris Mensariis*, aprovada em 216 a.C., nomeou uma comissão de três pessoas que trabalhou continuamente até 210 a.C.. Sua função era a a mesma dos *quinqueviri mensarii* e até mais ampla.

Algumas das funções dos *mensarii* eram na verdade as mesmas dos *argentarii* e mesmo naquela época as pessoas confundiam os dois. Os *mensarii* também recebiam depósitos (por exemplo, pagamento de soldados) e determinavam o valor de moedas e sua legitimidade. O papel dos *mensarii* era considerado positivo de forma geral, pois lidavam com o problema do excesso de dívidas da economia romana. Os nomes de alguns *mensarii*, como Caio Duílio, Públio Décimo Mus, Marco Papírio, Quinto Públio e Tito Emílio eram amplamente conhecidos no mundo romano.

[ ![Roman Empire Silver Coins](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/4344.jpg?v=1713774422) Moedas de Prata do Império Romano Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/4344/roman-empire-silver-coins/ "Roman Empire Silver Coins")### Os Funcionários da Casa da Moeda: Os *Nummularii*

Os *nummularii* eram funcionários da casa da moeda e seu papel principal consistia em testar a qualidade das novas moedas. Eles mantinham um banco que colocava novas moedas em circulação e recolhia moedas velhas ou estrangeiras em troca das novas. Assim como os *argentarii* e os *mensarii*, testavam a autenticidade das moedas, especialmente quando as transações envolviam grandes quantias. Muitas de suas funções eram as mesmas dos *argentarii*: eles trocavam moedas de acordo com suas cotações, recebiam depósitos, emprestavam dinheiro, faziam pagamentos em nome de clientes, realizavam vendas – especialmente leilões de propriedades, conforme o testamento dos falecidos –, efetuavam pagamentos em países estrangeiros através dos banqueiros locais e possuíam livros contábeis (*codex*) que podiam ser usados como prova nos tribunais.

### Conclusão

Além de serem locais de veneração, muitos templos atuaram como os primeiros repositórios onde dinheiro era depositado e ocorria a maioria das transações bancárias. Os cambistas romanos, os *argentarii*, assumiram um papel mais importante nas atividades bancárias à medida que Roma crescia e os negócios se desenvolviam. Seu papel era muito similar aos dos modernos banqueiros e eles participavam de uma ampla variedade de atividades financeiras. Os *mensarii* eram banqueiros públicos, nomeados pelo estado em períodos de escassez generalizada com a tarefa de resolver o problema dos cidadãos endividados. De certa forma, eram similares aos "bancos ruins" instalados nos dias de hoje, frequentemente com recursos públicos para resolver o problema dos empréstimos em atraso na economia. Os *nummularii* eram funcionários da casa da moeda e seu principal papel era a circulação de novas moedas, uma função também executada pelos bancos modernos. Em resumo, é notável como o uso do crédito era disseminado e o desenvolvimento e complexidade das atividades financeiras no mundo romano. Os bancos contribuíram bastante para o desenvolvimento do comércio e negócios e para a criação de riqueza na antiga Roma.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Ancient Roman banking (Romae Vitam)](https://www.vita-romae.com/ancient-roman-banking.html "Ancient Roman banking (Romae Vitam)"), accessed 1 Dec 2016.
- [Andreau, J. *Banking and Business in the Roman World.* Cambridge University Press, 1999.](https://www.worldhistory.org/books/0521380316/)
- Bromberg, B. "Temple Banking in Rome." *The Economic History Review*, No. 2 / Vol. 10 / Nov. 1940, pp. 128-131.
- Niczyporuk, P. "Mensarii, bankers acting for public and private benefit." *Central European Journal of Social Sciences and Humanities*, 2011.

## Sobre o Autor

Victor é um entusiasta da história antiga, atualmente vive na Grécia e dono do Romae Vitam, um site com foco na história da Roma Antiga.
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### APA
Labate, V. (2023, July 03). Os Bancos no Mundo Romano. (R. Albuquerque, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-974/os-bancos-no-mundo-romano/>
### Chicago
Labate, Victor. "Os Bancos no Mundo Romano." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, July 03, 2023. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-974/os-bancos-no-mundo-romano/>.
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Labate, Victor. "Os Bancos no Mundo Romano." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, 03 Jul 2023, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-974/os-bancos-no-mundo-romano/>.

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Enviado por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo/ "User Page: Ricardo Albuquerque"), publicado em 03 July 2023. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

