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title: A Oliveira no Antigo Mediterrâneo
author: Mark Cartwright
translator: Ricardo Albuquerque
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-947/a-oliveira-no-antigo-mediterraneo/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2025-09-01
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# A Oliveira no Antigo Mediterrâneo

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo)_

As azeitonas e o azeite, além de componentes importantes da dieta do antigo Mediterrâneo, também deram origem a uma das mais bem-sucedidas indústrias da Antiguidade. A colonização [fenícia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-183/fenicia/) e grega disseminou o cultivo da oliveira da [Ásia Menor](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-228/asia-menor/) à Península Ibérica e ao norte da África e o azeite refinado tornou-se uma mercadoria valiosa até o período romano e além. A oliveira também se transformou num símbolo cultural significativo, de maneira mais célebre como uma oferta de paz (o "ramo de oliveira") e como parte da coroa dos vitoriosos nos [Jogos Olímpicos da Antiguidade](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-440/jogos-olimpicos-da-antiguidade/).

[ ![Olive Grove](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/5644.jpg?v=1763706689) Bosque de Oliveiras Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/5644/olive-grove/ "Olive Grove")### Disseminação Geográfica

A oliveira foi cultivada inicialmente por volta de 5000 a.C., ou mesmo antes, na costa do Monte Carmelo, na antiga região de Israel. Descobriram-se prensas simples de azeitonas no sítio neolítico de Kfar Samir. Os registros de exportações de azeite para a Grécia e Egito por todo o terceiro milênio a.C. atestam o sucesso desta indústria. A Grécia começou a plantar suas próprias oliveiras na ilha de Creta e Chipre na Idade do Bronze Tardia e, mais tarde, no continente. Assim como os povos do [Levante](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-178/levante/), os gregos logo estavam produzindo excedentes de azeitonas e azeite, que passaram a exportar de maneira lucrativa. Sua importância era tal que se tornou a única exportação permitida nas famosas leis criadas por Sólon (cerca de 640 - cerca de 560 a.C.). Com o progresso da colonização fenícia e grega, as oliveiras (*Olea europea*) espalharam-se pelo antigo Mediterrâneo, já que tudo o que essas árvores resistentes precisavam para prosperar eram verões quentes e precipitações relativamente leves.

A disseminação das árvores por novas áreas ocorreu por meio do plantio de mudas e óvulos (crescimento no tronco) ou do enxerto de árvores domesticadas em árvores selvagens. Os romanos plantavam suas mudas em estufas especialmente montadas para favorecer seu crescimento. Longeva e resistente à seca, a oliveira era uma cultura prática e que requeria pouca manutenção. Os produtores de azeitona plantavam geralmente as oliveiras entre árvores frutíferas e animais de criação para garantir alguma renda em caso de colheitas ruins, além de ser uma maneira fácil de manter as plantações livres de grama e ervas daninhas. Os resíduos das prensas de azeite também podiam ser utilizados como alimentos, especialmente para os suínos.

Do século I a III d.C., os romanos disseminaram ainda mais o cultivo da oliveira para áreas de cultivo marginais, como a Tunísia central e a Líbia ocidental, o que requeria grandes sistemas de irrigação para tornar o cultivo viável. A dependência romana em relação ao azeite é ilustrada pela decisão de Sétimo Severo (ou [Septímio Severo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-793/septimio-severo/)) de coletá-lo como parte dos impostos devidos pelas províncias para posterior distribuição à população romana. Com a expansão do [Império Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-100/imperio-romano/), aumentou a demanda pelo azeite e [Constantinopla](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-700/constantinopla/) tornou-se um dos maiores importadores. De fato, acredita-se que o surgimento de uma enorme quantidade de fazendas (e vinhedos) na Síria e Cilícia para o atendimento a essa demanda gerou um boom econômico regional nos séculos III a V d.C.

[ ![Trapetum Roman Olive Press](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/5645.jpg?v=1773577205) Trapetum, a Prensa de Azeite Romana Heinz-Josef LÃ¼cking (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/5645/trapetum-roman-olive-press/ "Trapetum Roman Olive Press")Os maiores produtores de azeitonas na Antiguidade eram a Grécia, [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/), o Levante, a costa norte da África, Espanha e Síria. Os locais de cultivo que desfrutavam de reputação particularmente elevada incluem a Ática, Bética (Espanha), Cirenaica (Líbia), a ilha de [Samos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-401/samos/) e Venafro (Itália).

### Produção

Os povos antigos utilizavam as azeitonas (que se tornavam comestíveis pela salga), em sua alimentação cotidiana, mas a maioria das colheitas era destinada à produção de azeite. Ainda que bastante disseminado, não se tratava de um produto barato e, como o vinho, havia diferentes graus de qualidade. As oliveiras produzem uma colheita completa somente a cada dois anos, em algum momento de outubro a dezembro no hemisfério norte, e os gregos acreditavam que, quando mais cedo as azeitonas fossem colhidas (ainda verdes) e prensadas, mais fino seria o azeite. Entretanto, fazer a colheita no final da estação permite que as azeitonas continuem crescendo, amadureçam e escureçam e, assim, forneçam mais óleo quando prensadas. O azeite de melhor qualidade, conforme ocorre atualmente, vinha da primeira prensagem e de quando a mistura continha uma quantidade mínima de pedregulhos.

As azeitonas eram esmagadas de várias maneiras: com os pés (utilizando sandálias de madeira); com pilão e almofariz; usando um rolo de pedra; ou em prensas - as primeiras prensas mecânicas surgiram em Clazômenas, na Turquia. Datadas do século VI a.C., utilizavam uma viga ancorada a uma parede e um peso de pedra para aumentar a pressão e eficiência. Os exemplares mais antigos conhecidos na Grécia vêm de Olinto. Em vários deles, mós circulares esmagavam as azeitonas. Uma das prensas mais bem preservadas vem da helenística Argilos, na Grécia setentrional. Com a evolução do equipamento, um guincho foi adicionado para abaixar a viga com mais força.

[ ![Olive Press Stone](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/9113.jpg?v=1753200192) Pedra de uma Prensa de Azeite Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/9113/olive-press-stone/ "Olive Press Stone")Como na maioria das questões cotidianas, os romanos aperfeiçoaram a fabricação do azeite, alcançando escalas muito maiores de produção. Grandes propriedades são descritas em detalhes por autores como Catão, o Velho. Na obra *Sobre a Agricultura*, o autor romano assinala que uma dessas propriedades produzia entre 50.000 e 100.000 litros de azeite. Os romanos usaram pela primeira vez a prensa de pedra circular (*trapetum*), que consistia num grande tanque circular de pedra (*mortarium*), no qual se dispunham as azeitonas, esmagadas sob duas pedras côncavas (*orbes*) presas a uma viga central (*cupa*) fixada num pivô de ferro (*columela*). Este aparato ficava encaixado num poste central (*miliarium*), inserido na bacia, que permitia o movimento circular das pedras. Esses moinhos de pedra rotativos com frequência empregavam a energia animal das mulas para aumentar ainda mais a eficiência. Os romanos também passaram das tradicionais prensas de viga e gancho para as prensas de parafuso, que aumentavam drasticamente a pressão. Estes avanços contribuíram para atender à crescente demanda decorrente da expansão do [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/), resultando num volume de produção de azeite só alcançado novamente no século XIX.

[ ![Amphorae Packed for Transportation](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/5525.jpg?v=1753200195) Ânfora Armazenada para Transporte Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/5525/amphorae-packed-for-transportation/ "Amphorae Packed for Transportation")Uma vez extraído, o azeite escoava para um grande tanque de decantação de pedra, situado no mesmo aposento da prensa. Ali, a mistura de água, suco de azeitona e óleo assentaria e o azeite subiria à superfície, de onde poderia ser retirado com uma concha para armazenamento em recipientes de terracota. Numa oficina de prensagem na ilha de [Delos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-937/delos/) foram descobertos seis grandes vasos (*pithoi*) com capacidade para até 4.000 litros de azeite. Existem registros do envio de azeite produzido na África do Norte para Roma em odres. O recipiente de armazenamento mais comum, no entanto, era a ânfora. Com frequência, tais recipientes tinham carimbos com a marca do produtor, local de fabricação ou data de produção e, caso não consumidos localmente, eram despachados por via marítima.

### Usos

Além da importância da azeitona e do azeite na dieta mediterrânea e na culinária em geral, o óleo tinha várias outras utilidades. Gregos e romanos o empregavam para a limpeza corporal após uma sessão de exercícios - espalhando-o para coletar a sujeira e o suor e raspando-o com o uso de um instrumento de metal chamado estrígil. Também se utilizava o óleo como combustível em lâmpadas de terracota (ou, mais raramente, de metal); como ingrediente de perfumes; em rituais religiosos; em massagens; como lubrificante multiúso; e até como medicamento.

[ ![Greek Athlete With Strigil](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/641.jpg?v=1753200201) Atleta Grego com Estrígil Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/641/greek-athlete-with-strigil/ "Greek Athlete With Strigil")### Impacto Cultural

A importância da oliveira na cultura grega pode ser constatada na aparição do ramo de oliveira em moedas do período clássico ateniense e no uso em coroas da vitória nos Jogos Olímpicos. Os atenienses consideravam a oliveira uma dádiva de sua padroeira, a deusa Atena, um exemplar que ainda podia ser visto na [acrópole](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-478/acropole/) de [Atenas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-292/atenas/). Também mantinham um bosque sagrado de oliveiras (*moriae*), cujas azeitonas eram prensadas e o óleo resultante colocado em ânforas decoradas e concedidas como prêmios no festival Panateneico.

Os ramos de oliveira passaram a significar a oferta de paz. [Heródoto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-234/herodoto/) nos conta que, no início do século V a.C., Aristágoras de Mileto carregava um ramo quando foi negociar a ajuda de Cleomenes, durante a Revolta Jônica contra a Pérsia, a fim de que o rei espartano não pudesse rejeitá-lo. Eles também eram carregados pelos peregrinos que visitavam o oráculo sagrado de [Apolo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-946/apolo/), em Delfos. Os romanos mantiveram essa associação e, com frequência, retratavam o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) Marte, em seu papel menos conhecido como mensageiro da paz, carregando um ramo de oliveira.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- Bagnall, R. et al. *The Encyclopedia of Ancient History.* Wiley-Blackwell, 2012
- [Hornblower, S. *The Oxford Classical Dictionary.* Oxford University Press, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0199545561/)
- [Oleson, J.P. et al. *The Oxford Handbook of Engineering and Technology in the Classical World.* Oxford University Press, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0199734852/)
- [Strassler, R.B. *The Landmark Herodotus.* Anchor Books, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/1400031141/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2025, September 01). A Oliveira no Antigo Mediterrâneo. (R. Albuquerque, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-947/a-oliveira-no-antigo-mediterraneo/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "A Oliveira no Antigo Mediterrâneo." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, September 01, 2025. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-947/a-oliveira-no-antigo-mediterraneo/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "A Oliveira no Antigo Mediterrâneo." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, 01 Sep 2025, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-947/a-oliveira-no-antigo-mediterraneo/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo/ "User Page: Ricardo Albuquerque"), publicado em 01 September 2025. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

