---
title: Hanno, o Navegador de Cartago
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-913/hanno-o-navegador-de-cartago/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-10-07
---

# Hanno, o Navegador de Cartago

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

No século V a.C., o explorador cartaginês Hanno navegou para além dos Pilares de [Hércules](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10115/hercules/), saindo do Mediterrâneo e entrando em território até então desconhecido, ao longo da costa atlântica de África. Na sua senda por novos recursos e oportunidades comerciais, deparou-se com paisagens tão exóticas e desconhecidas quanto nativos inquietos, pigmeus de passos ágeis, gorilas e vulcões em erupção. A expedição tornou-se, já na Antiguidade, uma das viagens de descoberta mais célebres de sempre.

[ ![Voyage of Hanno the Carthaginian Explorer](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/5255.png?v=1766064485) A Viagem de Hanno, o Explorador de Cartago Bourichon (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/5255/voyage-of-hanno-the-carthaginian-explorer/ "Voyage of Hanno the Carthaginian Explorer")### As Fontes

O relato em primeira mão da viagem de Hanno sobreviveu desde a Antiguidade até à era moderna através de um manuscrito medieval, que por sua vez é uma cópia de uma tradução grega (*Περίπλους τοῦ Ἄννωνος*; transliterado: *Períplous toû Ánnōnos*) feita a partir do original púnico, gravado numa estela dedicatória por volta de 400 a.C. Os estudiosos consideram que faltam pelo menos duas partes do texto que sobreviveu, incluindo a conclusão. A obra, intitulada simplesmente *O Périplo de Hanno* (Viagem Costeira; ou *O Périplo de Hanno, Rei dos Cartagineses*), é curta, mas tal é a escassez de [literatura](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-562/literatura/) púnica que sobreviveu que se revela inestimável muito para além do seu tema de navegação e exploração. O manuscrito original que sobreviveu faz parte do *Codex Palatines Graecus 398* e encontra-se na biblioteca da Universidade de Heidelberg.

### Hanno

Hanno é referido no texto pelo termo grego *basileus*, que é quase certamente uma tradução do púnico *suffete*, o cargo administrativo mais elevado no [governo cartaginês](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14832/governo-cartagines/), frequentemente traduzido como «magistrado». O nome é comum no poderoso clã cartaginês dos Magonidas, o que sugere que ele fosse um membro do mesmo. Para além disso, não dispomos de mais informações sobre o líder da expedição. O historiador romano Justino menciona de passagem um Hanno que travou uma guerra contra os nativos da [Mauritânia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-1011/mauritania/) em meados do século V a.C. Tendo em conta que a expedição de Hanno fundou colónias nesta região (Marrocos) e provavelmente teria suscitado rivalidade com as tribos locais, poderá muito bem tratar-se da mesma pessoa. Outras fontes antigas que se referem à expedição incluem [Heródoto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-234/herodoto/), no século V a.C., Palaefato, no século IV a.C., a obra aristotélica So*bre as Coisas Maravilhosas Ouvidas* (tít. original: *Mirabilium auscultationes*) e vários escritores romanos posteriores, como [Plínio, o Velho](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12850/plinio-o-velho/), e [Ariano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11520/ariano/), que provavelmente consultaram uma obra do século I d.C. de Juba II da Mauritânia intitulada (grego) *Περὶ Ἄννωνος* (*Perí Ánnōnos* — *Sobre Hanno*) ou *Τὰ τοῦ Ἄννωνος* (*Ta toû Ánnōnos* — *A Respeito de Hanno*), designação académica tradicional (latim) *De Hannonis Navigatione* (*Sobre a Navegação de Hanno*) ou *Hannonis Periplus* (*Périplo de Hanno*).

A data exata da viagem não é indicada, mas terá provavelmente ocorrido algures entre o final do século VI a.C. e cerca de 425 a.C. As embarcações cartagineses eram de madeira e possuíam uma única vela, podendo ser propulsadas a remos, se necessário. Não dispondo de bússola, orientavam-se pelas estrelas, especialmente pela Ursa Menor, para a navegação. Estas considerações levam alguns estudiosos a defender um destino final específico para a expedição, com base no tempo disponível, como veremos mais adiante.

[ ![Phoenician-Punic Ship](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/4818.jpg?v=1779127933) Embarcação Fenícia-Púnica NMB (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/4818/phoenician-punic-ship/ "Phoenician-Punic Ship")Segue-se o texto completo de Hanno (os nomes modernos, quando identificáveis, são acrescentados entre parênteses pelo presente autor):

> Esta é a história da longa viagem de Hanno, rei dos cartagineses, às terras líbias para além dos Pilares de Hércules \[Estreito de Gibraltar\], que ele dedicou numa tábua no templo de Cronos \[[Baal](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-652/baal/) Hammon\]:
> **I** Os cartagineses decidiram que Hanno deveria navegar para além dos Pilares de Hércules e fundar cidades de libifenícios \[cartagineses\]. Partiu com sessenta pentecontéridas e cerca de trinta mil homens e mulheres, além de provisões e outros bens de primeira necessidade.
> **II** Depois de navegarmos para além dos Pilares durante dois dias, fundámos a primeira cidade, à qual chamámos Thymiaterion \[Tânger\]. Abaixo dela estendia-se uma grande planície.
> **III** Navegando daí para oeste, chegámos a Soloeis, um promontório líbio coberto de árvores. Ali fundámos um templo dedicado a [Poseidon](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-950/poseidon/).
> **IV** Viajando para leste durante meio dia, chegámos a um lago não muito longe do mar, coberto por uma densa vegetação de canas altas, onde se alimentavam elefantes e muitos outros animais selvagens.
> **V** A um dia de viagem para além deste lago, fundámos cidades na costa chamadas Karikon Teichos, Gytte, Akra, Melitta e Arambys.
> **VI** Seguindo em frente a partir daí, chegámos ao grande rio Lixos \[o Draa, em Marrocos\], que nasce na Líbia, junto ao qual os nómadas chamados Lixitae \[berberes\] pastavam os seus rebanhos. Ficámos algum tempo com eles e tornámo-nos amigos.
> **VII** No interior, a partir daí, habitavam etíopes inóspitos \[negros\] numa terra infestada de feras e cercada por grandes montanhas. Dizem que o Lixos desce dali e que, entre estas montanhas, habitam trogloditas de aparência estranha, que, segundo os Lixitae, conseguem correr mais depressa do que os cavalos.
> **VIII** Levando intérpretes dos Lixitae, navegámos para sul ao longo da costa do deserto \[Saara\] durante dois dias e, depois, durante um dia para leste, e encontrámos uma pequena ilha com cinco estádios \[c. 1 km\] de circunferência no extremo mais distante de um golfo. Estabelecemos ali um povoado e chamámo-lo de Cerne. Concluímos, com base na nossa viagem, que ficava diretamente em frente a [Cartago](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-205/cartago/), pois a viagem de Cartago até aos Pilares e, daí, até Cerne parecia ser semelhante.
> **IX** A partir daqui, navegando rio acima por um grande rio chamado Chretes \[Senegal\], chegámos a um lago, no qual havia três ilhas maiores do que Cerne. Após um dia de navegação a partir daí, chegámos ao fim do lago, dominado por montanhas muito altas repletas de selvagens vestidos com peles de animais selvagens, que nos apedrejaram, nos expulsaram e nos impediram de desembarcar.
> **X** Navegando a partir daí, chegámos a outro grande rio largo, repleto de crocodilos e hipopótamos. Virámos novamente a partir daí e regressámos a Cerne.
> **XI** Navegámos para sul durante doze dias a partir daí, mantendo-nos junto à costa, que estava ocupada ao longo de todo o seu percurso por etíopes que não se mantiveram no local, mas fugiram de nós. A sua língua era ininteligível, mesmo para os nossos Lixitae.
> **XII** No último dia, ancorámos junto a algumas montanhas altas cobertas de árvores cuja madeira era perfumada e manchada.
> **XIII** Navegando à volta destas durante dois dias, chegámos a um imenso golfo, em cujas margens se estendia uma planície onde, à noite, vimos fogos grandes e pequenos a arder em intervalos por todo o lado \[Fogos de erva?\].
> **XIV** Depois de abastecermos de água ali, navegámos durante cinco dias ao longo da costa até chegarmos a uma grande baía a que os nossos intérpretes chamaram o Corno do Oeste. Nela havia uma grande ilha e, nessa ilha, um lago de água salgada, no interior do qual se encontrava outra ilha onde desembarcámos. Durante o dia, não víamos nada além de uma floresta, mas à noite víamos muitas fogueiras acesas e ouvíamos o som de flautas, o bater de címbalos e tambores e um grande alvoroço de vozes. O medo apoderou-se de nós e os adivinhos aconselharam-nos a abandonar a ilha.
> **XV** Partimos dali apressadamente e contornámos uma costa ardente, repleta de incenso a queimar. Grandes torrentes de fogo e lava derramavam-se no mar e a terra era inacessível devido ao calor.
> **XVI** Partimos dali apressadamente, tomados pelo medo, e, após quatro dias de navegação, avistámos a terra à noite, cheia de chamas. No meio havia uma chama alta, mais alta do que as restantes, que parecia alcançar as estrelas. Durante o dia, percebeu-se que se tratava de uma montanha muito alta chamada «Carruagem dos Deuses» \[Monte Camarões?\].
> **XVII** Daí, navegando durante três dias por entre fluxos de lava incandescente, chegámos a um golfo chamado «Corno do Sul».
> **XVIII** No extremo mais distante desta baía havia uma ilha, semelhante à primeira, com um lago, no interior do qual se encontrava outra ilha repleta de selvagens. De longe, a maioria eram mulheres com corpos peludos, a quem os nossos intérpretes chamavam Gorilas \[Pigmeus?\]. Ao persegui-las, não conseguimos apanhar nenhum dos homens, os quais, habituados a escalar precipícios, conseguiram fugir, defendendo-se atirando pedras. Mas capturámos três mulheres, que morderam e mutilaram aqueles que as levavam, recusando-se a segui-los. Matámo-las, no entanto, esfolámo-las e trouxemos as suas peles de volta a Cartago. Pois não navegámos mais longe, uma vez que os nossos mantimentos se esgotaram.
> (Citado em Moscati, pág. 182-3)

### A Avaliação

A tradução grega do texto de Hanno tomou algumas liberdades com os nomes e contém imprecisões geográficas. O historiador S. Moscati sugere, de forma plausível, que estas possam ter sido incluídas deliberadamente para impedir que concorrentes indesejados se intrometessem nas relações comerciais cartaginesas. A parte final da viagem é objeto de debate entre os historiadores. Alguns sugerem que Hanno chegou apenas à Serra Leoa, outros que foi tão a sul quanto aos Camarões ou ao Gabão. Mesmo a viagem mais curta, que alguns preferem porque Hanno teria tido dificuldade em chegar mais a sul no tempo disponível, teria ainda assim envolvido uma etapa de ida de quase 5 000 quilómetros (3 000 milhas).

[ ![Greek and Phoenician Colonization](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/68.png?v=1790058065-qyd81mbr) A Colonização Grega e Fenícia Kelly Macquire (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/68/greek-and-phoenician-colonization/ "Greek and Phoenician Colonization")O facto de os cartagineses terem navegado ao longo da costa ocidental de África é corroborado por Heródoto (que, claro, poderia ter-se limitado a parafrasear o *Periplo*) no Livro IV:196 das suas *Histórias* (tít. original: Ἱστορίαι; transliterado: *Historíai*) e pelo facto de toda a expedição ter como objetivo a fundação de colónias, o que sugere fortemente que os cartagineses já tinham visitado a costa anteriormente, a fim de se certificarem de que valia a pena enviar a grande frota de Hanno. Plinio, o Velho, menciona que a viagem partiu de Gades (Cádis) e que, ao regressar, as peles de «gorilas» foram guardadas no templo de Juno (Tanit ou Astarte) em Cartago. Os «gorilas» do texto constituem, na verdade, o legado mais significativo da viagem, uma vez que esse termo — de significado incerto no texto de Hanno, mas provavelmente não se referindo a animais (sugere-se frequentemente que se trate de chimpanzés) — foi aplicado por Thomas Savage, um naturalista do século XIX, aos agora familiares grandes símios africanos.

Outros viajantes cartagineses seguiram-se rapidamente e exploraram as novas fontes de ouro, cuja troca é descrita por Heródoto. Depois, outro viajante famoso, o grego [Políbio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11195/polibio/), seguiu as pegadas de Hanno e navegou ao longo da mesma costa atlântica no século II a.C. Por alguma razão, porém, uma exploração mais significativa da costa e do interior africanos teria de esperar mais 1 000 anos.

#### Editorial Review

This human-authored article has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- [Aubet, M.E. *The Phoenicians and the West.* Cambridge University Press, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0521795435/)
- Bagnall, R. et al. *The Encyclopedia of Ancient History.* Wiley-Blackwell, 2012
- [Cary, M & E.H.Warmington. *The Ancient Explorers.* Penguin, 1963.](https://www.worldhistory.org/books/B0000CLS8C/)
- [Herodotus. *The Landmark Herodotus.* Anchor Books, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/B00DEKQGO2/)
- [Hoyos, D. *The Carthaginians.* Routledge, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/B01FIW5XRY/)
- [Miles, R. *Carthage Must Be Destroyed.* Penguin, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/B00YDK13S6/)
- [Moscati, S. *The World of the Phoenicians.* Weidenfeld & Nicolson History, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/B011SL6MCE/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, October 07). Hanno, o Navegador de Cartago. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-913/hanno-o-navegador-de-cartago/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Hanno, o Navegador de Cartago." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, October 07, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-913/hanno-o-navegador-de-cartago/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Hanno, o Navegador de Cartago." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 07 Oct 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-913/hanno-o-navegador-de-cartago/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 07 October 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

