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title: Os Fenícios — Mestres Navegadores
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-897/os-fenicios----mestres-navegadores/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-26
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# Os Fenícios — Mestres Navegadores

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Impulsionados pelo desejo de comércio e pela aquisição de mercadorias como a prata da Espanha, o ouro de África e o estanho das Ilhas Scilly, os fenícios navegaram por todo o lado, indo mesmo além dos limites tradicionais de segurança do Mediterrâneo, representados pelos Pilares de [Hércules](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10115/hercules/) (Estreito de Gibraltar), e entrando no Atlântico. Atribuem-se-lhes muitas invenções náuticas importantes e consolidaram firmemente a reputação de serem os maiores marinheiros do mundo antigo. As embarcações fenícias eram retratadas na arte dos seus vizinhos, e a sua perícia náutica é elogiada acima de todas as outras por escritores antigos como [Homero](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-225/homero/) e [Heródoto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-234/herodoto/). Se alguma nação podia reivindicar o título de senhores dos mares, essa nação eram os fenícios.

[ ![Phoenician Sailors](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/16186.jpg?v=1665062865-1665062912) Navegadores Fenícios Amplitude Studios (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/16186/phoenician-sailors/ "Phoenician Sailors")### Deixando a Pátria

Os fenícios tornaram-se marinheiros, em primeiro lugar, devido à topografia da sua terra natal, a estreita faixa montanhosa de terra na costa do [Levante](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-178/levante/). Viajar entre povoações, geralmente localizadas em penínsulas rochosas, era muito mais fácil por mar, especialmente quando se transportava carga tão volumosa como os troncos de madeira de cedro, pelos quais os fenícios eram famosos. Foi graças a essa mesma madeira que os fenícios nunca tiveram falta das matérias-primas necessárias para construir as suas embarcações. Os fenícios também preferiam a segurança das pequenas ilhotas ao largo da costa — sendo o exemplo clássico a grande cidade de [Tiro](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-503/tiro/) —, pelo que as embarcações eram o meio de transporte mais prático.

Cercados por montanhas, então, quando chegou a altura, talvez a partir do século XII a.C., a direção natural da expansão fenícia não foi para o interior, mas sim para o mar. Como resultado desta busca por novos recursos, como o ouro e o estanho, os fenícios tornaram-se marinheiros experientes, criando uma rede comercial sem precedentes que se estendia desde Chipre, Rodes, as ilhas do Mar [Egeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-118/egeu/), o Egito, a Sicília, Malta, a Sardenha, a [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/) central, a França, o Norte de África, Ibiza, Espanha e para além dos Pilares de Hércules e dos limites do Mediterrâneo. Com o tempo, esta rede transformou-se num [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) de colónias, de tal forma que os fenícios cruzavam os mares e ganharam a confiança necessária para chegar a locais tão distantes como a antiga Grã-Bretanha e a costa atlântica de África.

### As Embarcações Fenícias

Os fenícios eram famosos na Antiguidade pelas suas habilidades na construção naval, e atribui-se-lhes a invenção da quilha, do aríete na proa e do calafatamento entre as tábuas. A partir de relevos assírios em [Nínive](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-294/ninive/) e Khorsabad, e de descrições em textos como o livro de Ezequiel na [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/), sabemos que os fenícios possuíam três tipos de embarcações, todos com quilha rasa. As embarcações de guerra tinham uma popa convexa e eram propulsionados por uma grande vela quadrada num único mastro e duas fileiras de remos (uma *bireme*), possuíam um convés e estavam equipados com um aríete na parte inferior da proa.

O segundo tipo de embarcação destinava-se a fins de transporte e comércio. Estes eram semelhantes ao primeiro tipo, mas, com cascos largos e de barriga grande, eram muito mais pesados. Talvez tivessem também bordas mais altas, para permitir o empilhamento de carga tanto no convés como no porão, e possuíam popa e proa convexas. A sua capacidade de carga situava-se na ordem das 450 toneladas. Uma frota podia ser composta por até 50 navios de carga, e essas frotas são representadas em relevos a serem escoltadas por vários navios de guerra.

[ ![Phoenician-Punic Ship](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/4818.jpg?v=1779127933) Embarcação Fenícia-Púnica NMB (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/4818/phoenician-punic-ship/ "Phoenician-Punic Ship")Um terceiro tipo de embarcação, também destinada ao comércio, era muito mais pequena do que as outras duas, tinha uma cabeça de cavalo na proa e apenas uma fileira de remos. Devido ao seu tamanho, esta embarcação era utilizada apenas para a pesca costeira e viagens curtas. Nenhuma embarcção fenícia foi recuperada intacta pelos arqueólogos marítimos, mas, a julgar pelas evidências pictóricas, os navios teriam sido difíceis de manobrar. Vale também a pena notar que, quanto mais remadores uma embarcação tivesse, menos espaço havia para a carga. Conseguia-se, portanto, maior manobrabilidade ajustando a vela quando necessário e utilizando um remo duplo.

As embarcações antigas estavam longe de ser fáceis de manobrar, mas na Antiguidade os fenícios eram amplamente conhecidos como os melhores marinheiros da época. Heródoto descreve um episódio durante os preparativos para a segunda invasão persa da Grécia, em 480 a.C., liderada por Xerxes. O rei persa queria pôr à prova a sua frota multinacional e, por isso, organizou uma regata, que foi vencida pelos marinheiros de Sidónia. Heródoto refere ainda que Xerxes se certificava sempre de viajar num navio fenício sempre que tinha de se deslocar por mar.

### A Navegação

Os fenícios não dispunham de bússola nem de qualquer outro instrumento de navegação, pelo que dependiam das características naturais das linhas costeiras, das estrelas e da navegação por estimativa para orientarem-se e chegarem ao seu destino. A estrela mais importante para eles era a Estrela Polar, na constelação da Ursa Menor, e, como forma de elogio às suas habilidades marítimas, o nome grego para este conjunto de estrelas era, na verdade, *Phoenike* ou «fenício». Sabe-se que existiram alguns mapas de trechos costeiros, mas é improvável que tivessem sido utilizados durante uma viagem. Em vez disso, a navegação era feita com base na posição das estrelas, do sol, de pontos de referência, na direção dos ventos e na experiência do capitão em relação às marés, correntes e ventos na rota específica que se seguia. Perto da costa, Heródoto menciona o uso de sondas para medir a profundidade do mar, e sabemos que os navios fenícios tinham um ninho de corvo para uma maior visibilidade.

Os historiadores consideraram durante muito tempo que os fenícios navegavam apenas durante o dia, uma vez que tinham de se manter próximos da costa e à vista de pontos de referência; à noite, tinham, portanto, de encalhar ou ancorar as embarcações, o que explicava a proximidade de algumas colónias fenícias, a um dia de navegação umas das outras. Esta visão simplista foi revista nos últimos anos. Em primeiro lugar, o litoral frequentemente montanhoso do Mediterrâneo significa que é possível navegar a grande distância da terra e ainda assim manter pontos de referência elevados à vista, uma estratégia ainda hoje utilizada por muitos pescadores locais. De facto, as áreas do mar onde não é possível avistar qualquer tipo de terra são notavelmente poucas no Mediterrâneo, e estes são locais que os antigos marinheiros não teriam, de qualquer forma, interesse em atravessar. Além disso, pode, na verdade, ser mais perigoso navegar perto da costa do que em alto mar, onde não há rochedos nem correntes imprevisíveis.

[ ![Greek and Phoenician Colonization](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/68.png?v=1787565005) A Colonização Grega e Fenícia Kelly Macquire (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/68/greek-and-phoenician-colonization/ "Greek and Phoenician Colonization")A visão tradicional também não tem em conta que os fenícios utilizavam observações astronómicas durante a noite. Além disso, muitos povoados fenícios ficavam ou muito mais próximos do que a distância de um dia de navegação, ou muito mais distantes; por exemplo, Ibiza fica a 65 milhas em linha reta da Península Ibérica. O mesmo se pode dizer da Sardenha e da Sicília, e há também evidências de que os fenícios utilizavam ilhas menores e ainda mais remotas como pontos de paragem. Parece razoável supor, então, que os navegadores fenícios, pelo menos com bom tempo, teriam escolhido a rota direta mais curta entre dois pontos e não teriam necessariamente seguido junto à costa ou parado todas as noites, como se pensava anteriormente. As viagens sem escalas descritas tanto por [Hesíodo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-785/hesiodo/) como por Homero parecem merecer mais crédito no que diz respeito à sua precisão. É verdade que, em tempo de nevoeiro ou chuva, os pontos de referência e as estrelas se tornam inúteis, mas é provavelmente por isso que os fenícios limitavam a sua época de navegação ao período entre o final da primavera e o início do outono, quando o clima mediterrânico é notavelmente estável.

### As Rotas Marítimas

Tanto Heródoto como [Tucídides](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10630/tucidides/) concordam que a velocidade média de uma embarcação antiga era de cerca de 6 milhas por hora e, portanto, tendo em conta as paragens devido ao mau tempo, ao descanso, etc., teriam sido necessários, por exemplo, 15 dias para navegar (e, por vezes, remar) da Grécia até à Sicília. Colaios navegou de [Samos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-401/samos/) até Gadir (no sul de Espanha), uma distância de 2 000 milhas, no século VII a.C., e essa viagem teria demorado cerca de 60 dias. As longas viagens, portanto, exigiam frequentemente escalas durante o inverno e a continuação da viagem na época de navegação seguinte. Heródoto menciona este facto, chegando mesmo a descrever como os marinheiros conseguiam cultivar o seu próprio trigo enquanto esperavam. Assim, de uma extremidade à outra do mundo fenício — de Tiro a Gadir (mais de 1 600 milhas) — a viagem poderia ter demorado 90 dias ou uma época de navegação completa; o navio teria descarregado e recarregado a carga e feito a viagem de regresso no ano seguinte.

[ ![Phoenician Trade Network](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/116.png?v=1773050729) Rede de Comércio Fenício Akigka (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/116/phoenician-trade-network/ "Phoenician Trade Network")As rotas efetivamente percorridas pelos fenícios são muito debatidas, mas se partirmos do princípio de que as correntes do Mediterrâneo não se alteraram desde a Antiguidade, parece provável que os marinheiros da Antiguidade tenham tirado partido das correntes de longa distância utilizadas pelos marinheiros de hoje. A rota para oeste, então, teria provavelmente passado por Chipre, pela costa da Anatólia, Rodes, Malta, Sicília, Sardenha, Ibiza e ao longo da costa do sul de Espanha até Gadir, rica em prata. A viagem de regresso teria beneficiado da corrente que volta a atravessar o centro do Mediterrâneo. Isto daria origem a duas rotas possíveis: para Ibiza e depois para a Sardenha, ou para [Cartago](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-205/cartago/), na costa norte-africana, e depois para a Sardenha ou diretamente para Malta, seguindo-se a Fenícia. Não é de admirar que, em cada um destes pontos de paragem estratégicos vitais, os fenícios tenham criado colónias que, na prática, isolaram, pelo menos durante alguns séculos, culturas comerciais concorrentes, como a grega.

### As Viagens Famosas

Segundo Heródoto, os fenícios conseguiram circunavegar a África numa viagem por volta de 600 a.C., patrocinada pelo [faraó](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-288/farao/) egípcio Neco. Partindo do Mar Vermelho, navegaram para oeste numa viagem que durou três anos. Diz-se que os marinheiros de Cartago, a colónia mais bem-sucedida da Fenícia, terão navegado até à antiga Grã-Bretanha numa expedição liderada por Himilco por volta de 450 a.C. Outra famosa viagem cartaginesa, desta vez realizada por Hanno por volta de 425 a.C., chegou à costa atlântica de África, estendendo-se até aos atuais Camarões ou Gabão. A viagem, cujo objetivo era fundar novas colónias e encontrar novas fontes de mercadorias valiosas (especialmente ouro), está registada numa estela do templo de [Baal](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-652/baal/) Hammon, em Cartago. No relato, Hanno descreve o encontro com tribos selvagens, vulcões e animais exóticos, como gorilas.

[ ![Phoenician Small Ship](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/4992.jpg?v=1782170237) Pequeno Navio Fenício Marie-Lan Nguyen (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/4992/phoenician-small-ship/ "Phoenician Small Ship")Os fenícios não se limitavam ao Mediterrâneo e ao Atlântico; também navegavam pelo Mar Vermelho e, possivelmente, pelo Oceano Índico. O livro de I Reis, na Bíblia, descreve uma expedição fenícia, durante o século X a.C., a uma nova terra chamada Ofir, com o objetivo de adquirir ouro, prata, marfim e pedras preciosas. A localização de Ofir é desconhecida, mas considera-se que possa situar-se no Sudão, na Somália, no Iémen ou mesmo numa ilha do Oceano Índico. As embarcações desta frota foram construídos em Eziom-Geber, na costa do Mar Vermelho, e financiados pelo rei [Salomão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-195/salomao/). A grande distância percorrida é sugerida pela descrição de que a expedição só se repetia de três em três anos.

O historiador antigo Diodoro afirmou que os fenícios chegaram às ilhas atlânticas da Madeira, das Canárias e dos Açores. Não há, contudo, provas arqueológicas de contacto direto com os fenícios, apenas a descoberta, em 1749, de oito moedas cartaginesas datadas do século III a.C. A forma como chegaram lá é motivo apenas de especulação.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Aubet, M.E. *The Phoenicians and the West.* Cambridge University Press, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0521795435/)
- Bagnall, R. et al. *The Encyclopedia of Ancient History.* Wiley-Blackwell, 2012
- [Kenrick, J. *Phoenicia.* Forgotten Books, 2015.](https://www.worldhistory.org/books/1330788400/)
- [Moscati, S. *The World of the Phoenicians Paperback.* Weidenfeld & Nicolson History, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/B011SL6MCE/)
- [Rawlinson, G. *Phoenicia.* I. B. Tauris, 2005.](https://www.worldhistory.org/books/1845110196/)
- [Strassler, R.B. *The Landmark Herodotus.* Anchor Books, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/1400031141/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

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### APA
Cartwright, M. (2026, August 26). Os Fenícios — Mestres Navegadores. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-897/os-fenicios----mestres-navegadores/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Os Fenícios — Mestres Navegadores." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 26, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-897/os-fenicios----mestres-navegadores/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Os Fenícios — Mestres Navegadores." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 26 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-897/os-fenicios----mestres-navegadores/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 26 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

