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title: Canção do Arrependimento Eterno
author: Emily Mark
translator: Letícia Amboni
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-888/cancao-do-arrependimento-eterno/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-05-20
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# Canção do Arrependimento Eterno

_Escrito por [Emily Mark](https://www.worldhistory.org/user/emily.mark49/)_
_Traduzido por [Letícia Amboni](https://www.worldhistory.org/user/letciaamboni)_

A *Canção do Arrependimento Eterno* é um poema narrativo da [Dinastia Tang](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13980/dinastia-tang/) (618–907 d.C.) inspirado no romance de Xuanzong (reinou 712–756), o sétimo imperador da dinastia, e sua consorte, a Dama Yang. Foi escrito pelo poeta chinês Bai Juyi (772–846) e é a obra mais famosa dele.

O poema fez sucesso logo após ser publicado por Bai em 806 d.C. e, desde então, é memorizado com frequência por estudantes chineses. Embora seja uma versão romantizada do caso real de Xuanzong com a Dama Yang, o poema se passa muitos anos antes, na [Dinastia Han](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11960/dinastia-han/) (202 a.C. a 220 d.C.). Bai Juyi é conhecido por seus poemas extremamente românticos que utilizam imagens vívidas, mas bastante simplificadas. O desejo dele era que todos pudessem desfrutar de suas obras sem terem dificuldade de entender o significado.

Bai Juyi escreveu mais de 2.800 poemas de diferentes temas que até hoje são muito lidos na China, além de também serem populares no Japão. A *Canção do Arrependimento Eterno*, também conhecida como *Canção do Remorso Eterno*, se tornou sua criação mais popular devido aos temas que aborda: amor romântico profundo, perda e a ideia de um amor que transcende a morte.

[ ![Lady Yang](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/4942.jpg?v=1768424049) Dama Yang The Trustees of the British Museum (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/4942/lady-yang/ "Lady Yang")### A História Real

Xuanzong é considerado um dos melhores monarcas da história da China por suas medidas iniciais. Ele seguiu o exemplo de seus dois predecessores, Taizong (reinou 626–649) e a imperatriz Wu Zetian (reinou 690–704), na reestruturação das leis, na simplificação de processos burocráticos e na melhoria das condições de vida da população. No começo do reinado de Xuanzong, a China alcançou uma riqueza e prosperidade sem precedentes, se tornando o país mais rico do mundo naquela época.

Mas, por volta de 734, Xuanzong se cansou de suas responsabilidades e passou a contar mais com a esposa para tomar decisões. Ela sugeriu que ele nomeasse um amigo da família chamado Li-Linfu como chanceler. Quando a esposa morreu, Xuanzong passou a se afastar das questões públicas e a confiar cada vez mais a administração do governo a Li-Linfu. Ele mandou levar mais de 3.000 belas jovens para o palácio a fim de entretê-lo e as manteve lá contra a vontade delas.

Mesmo com todas aquelas mulheres sob seu controle, Xuanzong continuou infeliz até que, em 741, ele se apaixonou por Yang Guifei, a jovem esposa de seu filho. Xuanzong fez com que Yang se mudasse para o palácio com as outras mulheres, mas só ficava com ela. Ela abandonou o marido e passou a ser a consorte do imperador. Ele negligenciou seus deveres como imperador devido a esse romance e concordava com tudo que a Dama Yang pedia. Ela começou com pedidos simples, que ele acatava, então os pedidos se tornaram cada vez mais incisivos até que ela fez com que Xuanzong promovesse os membros da família dela a cargos importantes, mesmo que esses parentes não fossem adequados para a posição.

Todas as mudanças e avanços importantes que Xuanzong havia feito começaram a ruir conforme os membros da família Yang abusavam de seus cargos e negligenciavam suas obrigações. Ao mesmo tempo, a política de incorporar estrangeiros ao exército (que começou com as reformas militares de Xuanzong) acabou promovendo algumas dessas pessoas a cargos importantes de comando. Li-Linfu aproveitou a situação para colocar homens leais a ele no comando do exército e, enquanto isso, também aceitava subornos da família Yang para nomeá-los a cargos burocráticos confortáveis. A antiga prosperidade do país começou a entrar em declínio à medida que as autoridades passavam mais tempo se divertindo do que cumprindo seus deveres.

[ ![Emperor Xuanzong](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/4559.jpg?v=1776314660) Imperador Xuanzong Zhuwq (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/4559/emperor-xuanzong/ "Emperor Xuanzong")Um general meio sogdiano e meio turco chamado An Lushan, que era amigo da Dama Yang, viu os abusos da família Yang como um sinal de que Xuanzong já não estava mais apto a governar. An Lushan comandava as melhores tropas do exército chinês e sentia que tinha o dever de agir e liderar os soldados para restabelecer um governo adequado. Dessa forma, em 755 d.C, ele organizou uma rebelião contra a Dinastia Tang. An Lushan depôs Xuanzong e declarou a si mesmo como imperador. Ele foi confrontado pelas forças da Dinastia Tang e a rebelião foi detida, mas não sem dar início a algo que não poderia ser impedido. O país ficaria devastado de 755 a 763, e cerca de 36 milhões de pessoas morreriam.

Em 755, Xuanzong deixou a capital com a Dama Yang e a família dela. Os militares da escolta que os acompanhavam culparam Yang por todos os problemas e assassinaram a família da mulher durante a viagem. Então, os comandantes do exército exigiram que a Dama Yang também fosse executada. Xuanzong resistiu, mas os soldados não cederam, e ele não teve escolha a não ser aceitar. Ele admitiu que se deixou levar por seus desejos, negligenciando os deveres, e permitiu que a Dama Yang fosse estrangulada.

Xuanzong não queria mais governar e estava deprimido com a morte da Dama Yang. Ele abdicou para dar lugar ao filho Suzong (reinou 756–762) e se afastou da vida em público. Suzong liderou o exército da Dinastia Tang, mas não conseguiu derrotar An Lushan independentemente do quanto tentasse. Suzong e Xuanzong morreram de doença com duas semanas de diferença entre si, em 762, e Daizong (reinou 762–779) assumiu o trono, enfim restaurando a ordem.

### A História no Poema

No poema, um imperador da Dinastia Han se apaixona por uma bela jovem que desconhece o mundo. O poema conta que ela foi criada nas câmaras internas, escondida de todos. Ela era tão linda que se virasse o rosto e sorrisse, lançaria um poderoso feitiço e as beldades dos Seis Palácios desapareceriam no nada. O imperador a escolheu como concubina e ficou tão encantado por ela que se esqueceu dos deveres que tinha. O poema diz que o imperador negligenciou o mundo a partir de então.

Os dois amantes aproveitaram cada minuto que puderam passar juntos até uma guerra começar e o imperador ter que liderar as tropas para a batalha. Ele não podia deixá-la sozinha, então a levou para a guerra com ele. Os homens perceberam que o imperador estava distraído e que seriam derrotados e mortos a menos que seu líder voltasse a reciciocinar com clareza. Eles exigiram que a mulher morresse e o imperador não teve escolha a não ser concordar. Após a morte dela, o imperador voltou a se concentrar e liderou o exército para a vitória. Em seguida, ele retornou para o palácio, onde refletiu sobre todos os momentos felizes que teve com a amada e remoeu sua ausência.

[ ![Lady Yang Guifei](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/4737.jpg?v=1740116464) Dama Yang Guifei T Chu (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/4737/lady-yang-guifei/ "Lady Yang Guifei")O imperador mandou um monge taoísta contatar a terra dos mortos para poder falar com a amada mais uma vez. O poema descreve o taoísta procurando por ela em todos os lugares e enfim a despertando de seu sono em uma ilha mágica no pós-vida. Mas ela seguiu em frente e já não tem mais nenhum envolvimento com os desejos do mundo mortal. O poema diz que ao virar o rosto para olhar em direção à terra, ela via apenas névoa e nuvens de poeira.

Ela agradeceu ao mensageiro do imperador por ter ido até lá e pediu que ele entregasse uma mensagem; ela então quebrou seu grampo dourado ao meio e deu uma parte ao taoísta junto a um pedaço de uma caixa de laca. O espírito da dama pediu ao mensageiro que levasse aqueles presentes ao imperador e dissesse a ele que ela ainda o amava e que, assim como aqueles fragmentos preciosos, as almas deles foram feitas uma para a outra e se reencontrariam em algum momento, seja na terra ou nos céus.

Ela referenciou o mito de Niu Lang e Zhi Nu, o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) e a deusa do amor, que só podem se encontrar no céu noturno na sétima noite do sétimo mês de cada ano (representados pela estrela Vega, que é Zhi Nu, e pela estrela Altair, Niu Lang, que ficam em lados opostos da Via Láctea, exceto uma vez por ano, na sétima noite do sétimo mês). O poema encerra com os versos: “Mesmo os céus e a terra um dia terão um fim. Mas o arrependimento de nossa separação será eterno.”

### A Importância do Poema

Os dois poetas mais famosos da Dinastia Tang foram Li Po (701–762) e Du Fu (712–770), ambos elogiados pela utilização de imagens vívidas e alusões inteligentes ao retratar momentos do cotidiano. Xuanzong foi o taoísta que decretou o taoísmo como religião nacional, mas os princípios confucionistas de decoro ainda regiam o comportamento e as atitudes das pessoas, e era esperado que a arte refletisse tais princípios, coisa que os poetas faziam.

Esperava-se que a poesia retratasse a realidade, mesmo que com exageros ou detalhes que não fossem totalmente verdadeiros. Li Po, por exemplo, escreveu um poema sobre uma festa em que o narrador elogia “uma bebedeira de pelo menos trezentas doses” e diz “tudo que quero é ficar bêbado para sempre, sóbrio jamais”. Esses versos não refletem os valores confucionistas, ainda assim, Li Po foi elogiado, pois o poema retratava com precisão as atitudes de uma pessoa bebendo em uma festa.

A *Canção do Arrependimento Eterno* aborda temas com os quais as pessoas sempre se identificarão, como amor, sacrifício, morte e esperança de que um dia se reunirão com aqueles que perderam.

A poesia de Bai Juyi era criticada com frequência por ser considerada imprópria e por não refletir a realidade nem os valores confucionistas. Suas obras eram vistas como inferiores por ter conteúdo e imagens mais acessíveis do que as de poetas como Li Po ou Du Fu.

A *Canção do Arrependimento Eterno* foi particularmente criticada pelos eruditos confucionistas por distorcer a ideia das pessoas do que de fato aconteceu com a Dama Yang e o que levou à morte dela. Críticos literários condenaram a sensualidade e o romantismo do poema e alegaram que Bai estava baixando o nível da própria arte ao escrever para as massas.

Porém, o povo amou o poema e ele se tornou um sucesso de vendas quando Bai o publicou. Os fãs do trabalho de Bai não se importavam com o julgamento dos eruditos ou dos críticos, eles apenas se emocionavam com a beleza dos versos e com aquela trágica história de amor. Isso elevou a Dama Yang de seu papel na história como a mulher que derrubou a Dinastia Tang para a jovem que se deixou sacrificar em prol do bem maior do país. O final do poema, quando ela fala com o mensageiro no pós-vida, ofereceu consolo àqueles que perderam pessoas queridas, o que deixava a obra muito cativante.

O poema também elevou a Dama Yang a um patamar mítico como uma das Quatro Beldades da China. As Quatro Beldades são quatro mulheres cujas ações afetaram drasticamente o destino da nação. Elas são: Xi Shi do Período da Primavera e do Outono; Wang Zhaojun da Dinastia Han; Diaochan, uma personagem fictícia do livro “Romance dos Três Reinos”; e Yang Guifei. Algumas listas incluem uma Quinta Beldade, a Consorte Yu (também conhecida como Dama Yu), famosa por ter sido a concubina de Xiang-Yu e por ter se sacrificado pelo amado em 202 a.C., na Batalha de Gaixia. Outras listas substituem Diaochan pela Consorte Yu.

O tema da bela mulher que morre para salvar o amado ou que arruína um homem em ascensão (ou, frequentemente, os dois) era muito popular na [China Antiga](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-467/china-antiga/), e continua sendo até os dias de hoje. A versão de Bai Juyi da morte da Dama Yang e do luto de Xuanzong provavelmente serviu de inspiração para muitas pessoas escreverem histórias semelhantes, mas a obra mais conhecida que se inspira no poema de Bai é “O Conto de Genji”, de Murasaki Shikibu, um clássico da literatura japonesa publicado em 1008 d.C. que ainda é muito lido atualmente. Não é de se surpreender, visto que a *Canção do Arrependimento Eterno* aborda temas com os quais as pessoas sempre se identificarão, como amor, sacrifício, morte e esperança de que um dia se reunirão com aqueles que perderam.

### O Poema Completo

Segue o poema completo de Bai Juyi, traduzido para o português a partir da adaptação de DW Draffin:

> Um certo Imperador da Dinastia Han 
> amava o amor mais que a vida 
> e desejava uma mulher tão linda 
> que o fizesse esquecer da corte e de todos os seus deveres. 
> O [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) poderia colapsar e Ele não se importaria.
> Por anos governou o império 
> buscando aquela que nunca encontrava. 
> Mas uma jovem da casa Yang 
> a maioridade chegava. 
> Criada nas câmaras femininas, 
> ela permaneceu escondida do mundo. 
> Com graça e elegância naturais, 
> sua beleza fascinava. 
> Chegou o dia em que foi selecionada 
> para servir Sua Majestade. 
> E o coração gélido e solitário Dele com um doce sorriso derreteu. 
> Damas de companhia dos seis palácios 
> e seus rostos vazios polvilhados não se comparavam.
> As gentis águas termais 
> banhavam sua pele pálida. 
> Tão frágil e delicada 
> que as servas precisavam a tirar da água. 
> O imperador chamou por ela. 
> Seu rosto era como uma flor, 
> seu cabelo azeviche adornado com ouro. 
> Juntos eles se aqueciam 
> em noites de primavera em uma tenda de hibisco, 
> lamentando a efemeridade daquelas noites, 
> nunca se levantavam na alvorada, na cama ficavam.
> As audiências matinais continuavam, 
> mas Sua Majestade já não aparecia. 
> A jovem passava o tempo todo ao lado do imperador, 
> agradando-o, alimentando-o em banquetes. 
> Por toda a primavera ela o acompanhou 
> e com Ele toda noite dormiu. 
> 3000 beldades viviam no palácio interno, 
> mas aquela jovem foi amada por Ele mais que todas as 3000. 
> Só de a observar Ele se encantava, 
> enquanto ela se maquiava no Pavilhão Dourado 
> antes de iniciarem a noite. 
> O vinho e o ar primaveril 
> a intoxicavam após os banquetes na Mansão de Jade.
> Todos os seus irmãos e irmãs 
> foram presentados com terras. 
> A ascensão social e a riqueza repentina 
> fizeram outros invejarem a família. 
> Os planos de novos casais mudaram por toda parte. 
> De que servia gerar meninos, 
> quando meninas muito mais faziam?
> O Palácio do Monte Li se elevava tão alto 
> que suas torres nas nuvens azul celeste encostavam. 
> As melodias sublimes carregadas pelo vento, 
> ouvidas de qualquer lugar. 
> A orquestra tocava baladas 
> e dançarinas se moviam em um ritmo impecável. 
> Sua Majestade podia assistir e escutar 
> o dia inteiro, e ainda não se contentava. 
> Então tambores de guerra de Yuyang 
> quebraram o feitiço e a terra estremeceu. 
> A Canção das Saias de Arco-Íris e das Vestes de Plumas 
> foi interrompida. 
> Os nove circuitos de muralhas e torreões 
> que cercavam o palácio imperial 
> por fumaça e poeira foram engolidos 
> enquanto mil carruagens e incontáveis guerreiros 
> se apressavam para o sudoeste.
> Idas e vindas, paradas e retomadas, 
> ornamentos de jade balançando nos estandartes imperiais 
> da carruagem do imperador. 
> Uma jornada de mais de cem li 
> para além do portão oeste da capital. 
> Os seis exércitos do imperador agora 
> recusavam as ordens de marchar um passo sequer. 
> Deram um ultimato: ela ou eles. 
> A bela donzela que Ele adorava, 
> suas sobrancelhas adoráveis como as antenas plumosas da uma mariposa, 
> morreu surrada em frente aos cavalos.
> Intricados adornos caíram de sua cabeça para o chão 
> e ninguém pegou. 
> O acessório de martim-pescador, 
> o grampo de pardal dourado, a presilha de jade, 
> todos enlameados. 
> Sua Majestade cobriu o rosto. 
> Não conseguiu olhar. Não conseguiu a salvar. 
> Tudo que viu foram as lágrimas e o sangue 
> que escorriam pelo solo.
> Um vento frio e lúgubre 
> carregava a areia. 
> Caminhos de madeira serpenteavam 
> para o alto e entre as nuvens 
> através dos pavilhões da passagem 
> do Monte Jian. 
> Pela estrada sob o Monte Emei poucos passavam. 
> Os estandartes pendurados sem vida nos mastros. 
> O céu desapiedado. 
> Em Shu os rios eram azuis 
> e em Shu as montanhas eram verdes. 
> O imperador pensava nela dia e noite. 
> No segundo palácio, Ele ergueu o rosto 
> tomado de desolação para a lua. 
> Os uivos do vento em tempestades noturnas 
> eram a canção de seu arrependimento.
> Derrotada a rebelião, 
> a carruagem de dragão do imperador retornou. 
> E após a volta, 
> não conseguiu mais partir. 
> Mas na terra das colinas de Mawei, 
> não via o rosto de jade, 
> apenas o ponto solitário 
> onde ela morreu. 
> O imperador e seus ministros 
> choraram a ponto de enxarcar os robes.
> Direcionaram os cavalos para o leste 
> e os deixaram andar no próprio ritmo 
> de volta à capital. 
> Voltaram e viram lagoas e jardins 
> exatamente como deixaram. 
> Os lótus das lagoas de Taiye 
> e os salgueiros do Palácio Weiyang... 
> Oh, mas as flores de lótus eram seu rosto 
> e os galhos dos salgueiros 
> eram suas delicadas sobrancelhas. 
> Seu rosto estava em todos os lugares. 
> Lágrimas mais uma vez encheram Seus olhos. 
> Se foram os dias frescos de primavera 
> com os pessegueiros e ameixeiras em flor. 
> Já era outono, quando as folhas 
> das árvores wutong caem. 
> Os palácios do oeste e do sul 
> estavam cobertos de grama ressecada 
> e folhas vermelhas espalhadas 
> nos degraus amontoadas. 
> O cabelo das artistas 
> da Ópera Real do Jardim das Peras 
> todo branco se tornou. 
> Os eunucos e as servas 
> da Residência da [Pimenta](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10038/pimenta/) de repente envelheceram.
> À noite, Ele se sentava no palácio em silêncio, 
> sozinho com os próprios pensamentos, 
> e apenas os vagalumes de companhia. 
> Uma única lanterna queimava até o fim, 
> e Ele ainda não conseguia dormir. 
> Os sinos tocavam e os tambores retumbavam 
> com o início de cada vigília, 
> marcando o começo de mais uma longa noite. 
> A Via Láctea brilhava intensa. 
> Oh, como Ele ansiava pelas manhãs. 
> Os azulejos com mandarins estavam gelados 
> e o gelo não derreteria. 
> A manta de jadeíta da cama esfriou. 
> Não poderia ser diferente. Ninguém podia aquecê-lo.
> Um ano passou, um ano inteiro desde que 
> os vivos foram separados dos mortos. 
> O espírito da amada não apareceu em Seus sonhos. 
> Um monge taoísta de Linqiong 
> visitou a capital. 
> Era tão devoto 
> que os mortos falavam com ele. 
> Comovido com a angústia de Sua Majestade, 
> ele aceitou procurar o espírito da jovem 
> no pós vida para o Imperador. 
> Acima, para o céu ele disparou 
> feito um raio, 
> correndo muito além das nuvens. 
> O monge subiu aos céus 
> e desceu para a terra, 
> buscando aquele espírito por toda a parte. 
> Lá em cima, não deixou nenhum recanto por vasculhar, 
> nem lá embaixo, até as Fontes Douradas. 
> Mas sinal algum dela foi encontrado 
> em nenhum dos imensos planos.
> Mas o que era aquilo que diziam 
> sobre uma montanha flutuando no mar, 
> cheia de espíritos celestiais? 
> Quando o monge se aproximou, 
> o monte flutuante estava envolto em névoa. 
> Mas uma elegante torre despontava, 
> perfurando as vibrantes nuvens. 
> Naquela torre, 
> encontrou uma miríade de celestiais 
> cheias de graça feminina. 
> Uma se destacava. 
> Seu nome era Tàizhēn 
> e seu rosto era pálido e adorável. 
> Aquela face branca como a neve 
> não era como a do amor perdido do Imperador? 
> O monge foi à torre dourada 
> e bateu na porta de jade 
> da ala oeste. 
> Ele implorou para que Xiǎoyù levasse 
> uma mensagem a Shuāngchéng. 
> Assim foi feito, pois o monge era 
> um emissário do Imperador Han, 
> o Filho do Céu.
> Dentro da magnífica tenda, 
> a jovem despertou de um longo sonho. 
> Colocou o travesseiro de lado 
> e pegou seus robes. 
> Então vagou atordoada pela tenda. 
> Enfim encontrou as cortinas de renda perolada 
> e atravessou as telas de prata. 
> Foi até o monge com o cabelo desalinhado, 
> dormiu demais. 
> O adereço na cabeça estava torto 
> enquanto descia os degraus até ele. 
> Ergueu os braços e um vento celestial 
> soprou as mangas de suas vestes. 
> Era um movimento que ela se recordava 
> da Dança das Saias de Arco-Íris e das Vestes de Plumas. 
> Mas sua expressão de jade agora estava 
> cruzada por caminhos de lágrimas. 
> Como uma flor de pereira 
> úmida das chuvas de primavera.
> Fixou o olhar tormentoso no monge 
> e pediu que transmitisse sua gratidão 
> por ter sido salva por Sua Majestade. 
> Mas no período em que estiveram separados, 
> uma distância se formou entre os dois, 
> e agora ela tinha apenas uma vaga sensação de familiaridade. 
> A paixão que compartilharam 
> no Salão do Sol Resplandecente 
> esmaeceu.
> No inverno, os dias e meses 
> eram longos no Palácio Penglai. 
> Ela baixou o olhar para onde os mortais residiam. 
> Mas não conseguia ver Chang’an 
> através de tanta névoa e poeira. 
> Para demonstrar sua gratidão, tudo que podia fazer 
> era oferecer antiguidades e recordações 
> como sinal de profunda afeição. 
> Ela homenageou o monge 
> com uma caixa incrustada e um grampo dourado. 
> Mas guardou uma parte do grampo 
> e também da caixa. 
> Assim essas partes 
> ficariam para sempre separadas.
> Ela pediu que dissesse a Sua Majestade 
> para continuar tão firme em sua devoção a ela 
> quanto o ouro e as decorações nos presentes. 
> Um dia voltariam a se encontrar, 
> seja nos céus lá no alto 
> ou na terra entre os mortais. 
> Passou ao monge uma última mensagem, 
> uma promessa secreta da qual 
> apenas os dois teriam [ciência](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-351/ciencia/): 
> “No sétimo dia 
> do sétimo mês lunar, 
> no Salão da Longevidade, 
> à meia-noite, quando não houver ninguém, 
> faremos nosso acordo secreto. 
> Nos céus, juramos ser 
> como dois pássaros, voando lado a lado. 
> Na terra, juramos ser 
> como dois galhos entrelaçados de uma árvore. 
> Mesmo os céus e a terra 
> um dia terão um fim. 
> Mas o arrependimento de nossa separação 
> será eterno.”

#### Editorial Review

This human-authored article has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- [Alley, R. *Bai Juyi: 200 Selected Poems.* New World Press, 1983.](https://www.worldhistory.org/books/B000GJY4RA/)
- [Bai Juyi](http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Bai_Juyi "Bai Juyi"), accessed 1 Dec 2016.
- [Benn, C. *Daily Life in Traditional China: The Tang Dynasty.* Greenwood, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0313309558/)
- [Ebrey, P. B. *The Cambridge Illustrated History of China.* Cambridge University Press, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0521124336/)
- [Four Beauties of Ancient China](http://threekingdoms.wikia.com/wiki/Four_Beauties "Four Beauties of Ancient China"), accessed 1 Dec 2016.
- [Song of Everlasting Regret](https://en.wikisource.org/wiki/Translation:Song_of_Everlasting_Regret "Song of Everlasting Regret"), accessed 1 Dec 2016.
- [Song of Everlasting Sorrow](http://quatr.us/china/literature/everlastingsorrow.htm "Song of Everlasting Sorrow"), accessed 1 Dec 2016.
- [Tanner, H. M. *China: A History Volume I, From Neolithic Cultures through the Great Qing Empire.* Hackett Publishing, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0691135975/)

## Sobre o Autor

Emily Mark estudou história e filosofia na Universidade de Tianjin, na China, e inglês na SUNY New Paltz, em Nova York. Publicou poesia e artigos de história. Seus relatos de viagens estrearam na Timeless Travels Magazine. É formada pela Universidade do Estado de Nova York em Delhi, em 2018.

## Links Externos

- [After Shōkadō Shōjō | Freehand copy of a transcription of “The Song of Everlasting Sorrow” by Bai Juyi | Japan | Probably Edo period (1615–1868) | The Metropolitan Museum of Art](https://www.metmuseum.org/art/collection/search/816199)
- [Ruinous Beauty in "Song of Everlasting Sorrow"](https://www.byarcadia.org/post/ruinous-beauty-in-song-of-everlasting-sorrow)
- [The Song of Endless Sorrow - Alchemy](https://alchemy.ucsd.edu/the-song-of-endless-sorrow/)
- [Thinking Beyond the Frame - Smithsonian's National Museum of Asian Art](https://asia-archive.si.edu/thinking-beyond-the-frame/)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, E. (2026, May 20). Canção do Arrependimento Eterno. (L. Amboni, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-888/cancao-do-arrependimento-eterno/>
### Chicago
Mark, Emily. "Canção do Arrependimento Eterno." Traduzido por Letícia Amboni. *World History Encyclopedia*, May 20, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-888/cancao-do-arrependimento-eterno/>.
### MLA
Mark, Emily. "Canção do Arrependimento Eterno." Traduzido por Letícia Amboni. *World History Encyclopedia*, 20 May 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-888/cancao-do-arrependimento-eterno/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Letícia Amboni](https://www.worldhistory.org/user/letciaamboni/ "User Page: Letícia Amboni"), publicado em 20 May 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

