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title: Templo de Jerusalém
author: Dana Murray
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-852/templo-de-jerusalem/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2025-11-26
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# Templo de Jerusalém

_Escrito por [Dana Murray](https://www.worldhistory.org/user/murrayd7/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

De acordo com a tradição judaica, o Templo original de [Jerusalém](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-194/jerusalem/) foi ordenado por [Yahweh](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-616/yahweh/) (YHWH/Javé)/[Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/), conforme descrito em II Samuel 7:12(-13), onde Yahweh ordena a Natan que diga a David:

> «Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, então suscitarei, depois de ti, um filho teu, que nascerá de ti e consolidarei o seu reino. 13Ele Me construirá um templo, e firmarei para sempre o seu régio trono. (Costa, A. (†) et al.. [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/) Sagrada. 11.ª Ed. Lx: Dif Bíblica (MC), 1984, pág. 374).

Assim como o texto pós-exílico, I Crónicas 28:2-7, onde David declara:

> «... Eu tinha intenção de construir uma casa para a [arca da aliança](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15237/arca-da-alianca/) do Senhor e para escabelo dos pés do nosso Deus, e fizera os preparativos para esta construção. ³Mas Deus disse-me: Não edificarás uma casa ao meu nome, porque és muito guerreiro e derramas sangue. (...) 6É Salomão, teu filho, disse-me Ele, quem construirá a Minha cas e os Meus átrios, porque Eu escolhi-o por filho e serei para ele um pai. 7Firmarei para sempre o seu reino, se ele continuar a cumprir os Meus mandamentos e as minhas ordens, como hoje. (*Idem,* pág. 492-3)

### **Contexto Socioeconómico**

A construção do Primeiro Templo marcou uma transição de um estilo de vida nómada ou migrante para um estilo de vida sedentário e estabelecido. A comunidade israelita, ou judaica, já não era móvel e, por tal, já não era uma prioridade a portabilidade do Tabernáculo. Não só a comunidade se estabeleceu, como também foi emergiu uma monarquia, representando uma transição significativa no modo de vida político e socioeconómico. Curiosamente, foi construído nas proximidades do Templo um palácio, simbolizando arquitetonicamente para os israelitas que Yahweh estava a agir através do rei. De certa forma, o Templo tornou-se a «capela privada» do rei, apresentando-se como uma forma elitista de culto, um conceito que foi reforçado pelo poder da classe sacerdotal em desenvolvimento.

### **Localização**

A localização do Templo não foi escolhida por acaso, mas foi erguido num local de grande significado dentro da tradição bíblica: o Monte Moriá, onde Abraão recebeu a ordem de levar o seu filho, Isaque, como sacrifício ao Deus. Comprovada a sua devoção, Deus salvou Isaque e criou uma aliança com Abraão (Gênesis 22). De uma forma bastante poética, a construção do Templo neste local parece fazer todo o sentido. O judaísmo do Primeiro e Segundo Templos era uma religião de sacrifício, e era no Templo que tais práticas eram realizadas. O facto do Templo ter sido construído no mesmo local onde os judeus acreditavam que Abraão quase sacrificou o próprio filho não foi certamente uma coincidência, e na verdade esta era precisamente a mensagem que os judeus procuravam transmitir. Em vez disso, o edifício provavelmente foi construído antes de Gênesis 22 ser registrado, tornando o texto uma tentativa de legitimar o local e, portanto, a construção do Templo. Em suma, o edifício e o texto devem ser entendidos como representando duas partes de um sistema complexo de santificação e legitimação pela comunidade, a fim de racionalizar a transição de uma forma migratória e móvel de culto para uma de suposta permanência.

### **Terminologia**

Embora o Templo seja referido aqui como uma única instituição, é importante notar que o Templo de Jerusalém foi reconstruído pelo menos três vezes na antiguidade. O primeiro foi erguido sob Salomão, conforme descrito em detalhes em I Reis 5-6, aproximadamente durante o século X a.C.. O segundo foi construído pelos exilados que regressaram em aproximadamente 515 a.C., enquanto o terceiro, e mais elaborado, foi desenvolvido sob Herodes por volta de 19-9 a.C., embora tenha permanecido em reformas até à sua destruição em 70 d.C. Geralmente, nos estudos académicos o Templo estabelecido pelos exilados e o Templo de Herodes são agregados e referidos simplesmente como o "Segundo Templo" ou o "período do Segundo Templo". Embora as características físicas descritas se refiram às evidências do Segundo Templo, o termo "Templo" aqui representará todos os três, pois é o todo da instituição que se trata aqui, e não as diferenças arquitetónicas entre os três.

[ ![Second Temple Model](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/3625.jpg?v=1776722469) Modelo do Segundo Templo Dana Murray (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/3625/second-temple-model/ "Second Temple Model")### **Adoração e Sacrifício**

À medida que o Templo se tornou o centro de culto, com o sacrifício desempenhando um papel importante, até mesmo crucial, no judaísmo antigo, leis e obrigações foram estabelecidas para acomodar os requisitos de sacrifício impostos à comunidade judaica, tanto na [Palestina](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-192/palestina/) antiga quanto na diáspora. Os livros do Êxodo e do Deuteronómio atestam as três peregrinações obrigatórias: *Pessach*, *Shavuot* e *Sucot*.

> 16Três vezes por ano, todos os varões, se apresentarão diante do Senhor, teu Deus, no santuário, que Ele tiver escolhido; na festa dos Âzimos, na festa das Senanas e na festa dos Tabernáculos. Não aparecerão com as mãos vazias diante do Senhor. 17Cada um dará segundo as suas posses, segundo as bênçãos que o Senhor, teu Deus, lhe houver concedido. (Deuteronómio 16:16-17, *Ibidem*, págs. 245-6)

> 14†Celebrarás três vezes por ano festas em Minha honra. 15(...) ; e niguém se apresentará diante de Mim com as mãos vazias. (...). 17Três vezes por ano, todos os teus varões apresentar-se-ão diante do Senhor. (Êxodo 23:14-17, *Ibid*., pág. 112).

Estas passagens sugerem que não apenas eram exigidos atos de peregrinação, mas também dízimos e ofertas sacrificiais, como demonstrado em Deuteronómio 12:6:

> 6Apresentareis ali os vossos holocaustos, os vossos sacrifícios, os vossos dízimos, as vossas ofertas espontâneas, os vossos votos, e as primícias do vosso gado graúdo e miúdo. (*Ibid*., pág. 240)

Tais passagens demonstram o importante papel económico que o Templo desempenhava no mundo antigo: com o grande afluxo de peregrinos, instituições como albergues, *mikva'ot* públicos, cambistas e assim por diante, ter-se-iam desenvolvido, em Jerusalém, para acomodar e atender às necessidades das pessoas que viajavam para cumprir os requisitos sacrificiais.

### **Projeto Arquitetónico**

As práticas sacrificiais que ocorriam dentro do Templo refletiam-se no projeto arquitetónico, com a divisão da plataforma do Templo em dois pátios separados: o Pátio Externo (acesso permitido a não judeus e judeus) e o Pátio Interno (acesso permitido apenas a judeus). O Pátio Interno era dividido em três pátios menores, incluindo o Pátio dos Sacerdotes, que consistia no Templo e no altar, bem como o Pátio de Israel e o Pátio das Mulheres. Como resultado, o culto era segregado sexualmente e o acesso ao Santo dos Santos era permitido apenas ao Sumo Sacerdote. Como o Pátio Interno era acessível apenas aos judeus, o Templo era marcado como um espaço exclusivo para os israelitas, demarcando assim a fronteira do *ethnos* (povo) judeu.

### **O Fim do Período do Templo**

Embora o acesso à antiga sinagoga não fosse restrito apenas aos judeus, vários dos rituais do Templo foram transferidos para a sinagoga após a destruição do Templo no ano de 70. Rituais como o toque do *shofar* e o aceno do *lulav* durante *o Sukkot* eram praticados dentro da sinagoga, preservando as tradições do Templo, bem como um aspecto ritualístico do judaísmo do Templo. Embora o sacrifício fosse permitido apenas nos Templos, as gerações após a destruição do Templo procuraram compromissos e adaptações a fim de preservar a herança cultural e ritualística, e em muitas situações a sinagoga proporcionou um meio de continuidade.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Cohn-Sherbok, D. *Judaism.* Routledge, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/0415236614/)
- Homan, M.M. "The Tabernacle and the Temple in Ancient Israel." *Religion Compass*, 1/1/2007, p. 3.
- [Oxford. *World Encyclopedia.* Oxford University Press, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0195218183/)
- [Schiffman, L.H. *From Text to Tradition, A History of Second Temple and Rabbinic Judaism.* Ktav Pub Inc, 1991.](https://www.worldhistory.org/books/0881253723/)

## Sobre o Autor

Estudante de doutoramento com interesse em arte, arquitetura e religião da Grécia Antiga e do Próximo Oriente.

## Cite Este Artigo

### APA
Murray, D. (2025, November 26). Templo de Jerusalém. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-852/templo-de-jerusalem/>
### Chicago
Murray, Dana. "Templo de Jerusalém." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, November 26, 2025. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-852/templo-de-jerusalem/>.
### MLA
Murray, Dana. "Templo de Jerusalém." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 26 Nov 2025, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-852/templo-de-jerusalem/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 26 November 2025. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

