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title: Como ler um glifo maia
author: Lily Ball
translator: Ricardo Albuquerque
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-789/como-ler-um-glifo-maia/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2023-12-09
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# Como ler um glifo maia

_Escrito por [Lily Ball](https://www.worldhistory.org/user/lily.c.ball/)_
_Traduzido por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo)_

Por mais de três séculos, os antigos Maias prosperaram na Mesoamérica. Eles construíram pirâmides de pedra gigantes, cercadas pela floresta densa, usavam um calendário que fez muitos acreditarem que 2012 seria o fim do mundo e criaram um sistema de [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) tão belo quanto complexo. Sua decifração encontra-se em andamento até os dias atuais. De fato, sua [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/) é tão esteticamente rica e difícil de dominar que somente um artista competente pode escrevê-la apropriadamente. Como seria de se esperar, os antigos escribas e artistas maias eram conhecidos pelo mesmo título: *t'zib*.

### Decifrando os Antigos Maias: Sílabas e Conceitos

O sistema de escrita dos maias é logossilábico, o que significa que seus símbolos podem representar sons na forma de sílabas (como "ma" ou "tot") ou conceitos completos (como "rio" e "casa"). Isso fez com que a linguagem fosse muito difícil de decifrar e, de fato, os estudiosos inicialmente pensavam que se tratasse de um sistema fonético, devido às infundadas suposições de um missionário chamado Diego de Landa. Nascido na Espanha, a primeira língua do missionário, naturalmente, era o espanhol. Portanto, quando tentou decifrar a escrita dos maias, ele a dividiu em sons individuais (vogais e consoantes) e não em sílabas, resultando num registro incorreto da linguagem escrita e falada dos maias e um guia enganoso para os acadêmicos. Somente em 1952 sugeriu-se que poderia se tratar de um sistema silábico e não fonético. Este foi um importante progresso rumo à decifração definitiva da antiga linguagem escrita dos maias.

A distinção entre uma linguagem fonética e silábica é pequena, mas essencial. Uma linguagem fonética usa sons individuais para construir a pronúncia de palavras. Inglês, Alemão e as linguagens modernas românicas, como Francês, Italiano, Espanhol e Português, para citar somente algumas, são fonéticas. Quanto redigidas, cada símbolo (letra) representa um único som (uma vogal ou consoante), como "o" ou "b". Linguagens silábicas, porém, são compostas de combinações de consoante-vogal (CV) ou consoante-vogal-consoante (CVC), como "ta" ou "bot". O Japonês, por exemplo, usa o modelo silábico para a maior parte de seus dois alfabetos: katakana e hiragana.

Os glifos maias são complicados ainda mais pelo uso da fusão, na qual dois ou mais glifos são combinados e alguns dos seus elementos são eliminados ou simplificados, reduzindo sua complexidade individual para criar um novo glifo, legível e esteticamente atraente, que se encaixe no espaço disponível, seja ele uma pequena taça decorada ou uma estela gigante de pedra.

### Lendo a Antiga Linguagem Maia

Mesmo com todos estes obstáculos, os estudiosos conseguiram decifrar muito da antiga linguagem, abrangendo tópicos do vasto conhecimento maia sobre matemática astronômica, suas vívidas histórias e as linhagens reais. A estrutura básica deste sistema consiste em um ou mais glifos principais, com outros adicionados se necessário. Por exemplo, o complexo glifo abaixo representa a antiga cidade maia de [Copán](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12563/copan/). O glifo principal é a cabeça de um morcego, completa com um nariz erguido, asas estendidas e uma boca com dentes arreganhados. Com um glifo como este, é fácil perceber o sofisticado talento artístico necessário para se tornar um perfeito *t'zib*.

[ ![Copan glyph](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/3541.png?v=1712582524) Glifo de Copán Zykasaa (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/3541/copan-glyph/ "Copan glyph")Possivelmente um dos mais famosos glifos da linguagem [escrita maia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-655/escrita-maia/) é o que representa o chocolate \[cacau\]. Este glifo era pintado ou gravado em muitos vasilhames, alguns dos quais ainda continham traços de chocolate, o que levou os estudiosos a acreditar que, nestes casos, os maias etiquetavam os recipientes de acordo com seu uso. Felizmente, o glifo para chocolate é inteiramente silábico, fazendo-o mais fácil de ser lido.

[ ![Maya kakau glyph](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/3540.png?v=1738020724) Glifo Maia do Cacau VVVladimir (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/3540/maya-kakau-glyph/ "Maya kakau glyph")Há três elementos essenciais para a leitura deste glifo:

- O glifo principal, que lembra um peixe (chamaremos esta parte do glifo elemento "A").
- As formas oval e em formato de gancho à direita, que se parecem com a cauda de um peixe, mas na verdade são um glifo separado (que vamos chamar de elemento "B").
- Os dois pontinhos que se assemelham ao sinal de pontuação "dois pontos", próximos à boca do peixe (elemento "C").

O glifo principal, A, representa o som silábico "ka". O elemento B, próximo à cauda do peixe, representa o som silábico "ua" (também soletrado como "wa"). Até agora, pronuncia-se o glifo "ka-ua", pois os maias liam da esquerda para a direita e de cima para baixo. Porém, ainda precisamos levar em conta o elemento C, próximo à boca do peixe. Qualquer um que leia partituras musicais reconhecerá o elemento C como um sinal repetido, inserido ao final de uma linha musical para indicar que uma parte da peça deve ser repetida. De maneira surpreendente, é exatamente esta a função deste sinal no glifo. Ele diz ao leitor para repetir o som do símbolo próximo a ele. No caso, é o elemento A, "ka". Assim, seguindo-se a ordem correta de leitura, esquerda para a direita e de cima para baixo, lemos o glifo como "ka-ka-ua".

Uma informação adicional é necessária para pronunciar este glifo corretamente: os maias eram conhecidos por não pronunciar a última vogal de uma palavra falada. Portanto, este glifo deveria ser lido sem o som "a" que o finaliza. Sem este último "a", o glifo pode ser lido como "ka-ka-u", ou, como o soletramos atualmente, cacau, o principal ingrediente do chocolate.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Coe, M.D. *Reading the Maya Glyphs, Second Edition.* Thames & Hudson, 2005.](https://www.worldhistory.org/books/0500285535/)

## Sobre o Autor

Enquanto estudava História da Arte na faculdade, Lily tornou-se fascinada com as antigas culturas do Mediterrâneo e da Mesoamérica. Ela passou um mês numa expedição arqueológica em Belize em 2004. Em seu tempo livre, ela se dedica à apicultura e à leitura de velhas histórias de fantasmas.
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Ball, L. (2023, December 09). Como ler um glifo maia. (R. Albuquerque, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-789/como-ler-um-glifo-maia/>
### Chicago
Ball, Lily. "Como ler um glifo maia." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, December 09, 2023. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-789/como-ler-um-glifo-maia/>.
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Ball, Lily. "Como ler um glifo maia." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, 09 Dec 2023, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-789/como-ler-um-glifo-maia/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo/ "User Page: Ricardo Albuquerque"), publicado em 09 December 2023. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

