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title: Civilização Sumeriana: A Invenção do Futuro
author: Joshua J. Mark
translator: Ricardo Albuquerque
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-71/civilizacao-sumeriana-a-invencao-do-futuro/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2023-10-03
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# Civilização Sumeriana: A Invenção do Futuro

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo)_

Imagine alguma coisa que nunca foi pensada antes. Se alguém segura um livro nas mãos, pode imaginar um e-book, um grande livro impresso, um livro de fotografias, todos os tipos de livros. Como alguém imaginaria um livro num mundo onde mesmo o conceito de “livro” não existe?

Imagine um dia sem contagem do tempo. As pessoas vivem no tempo e ele direciona o curso dos dias de cada um. Acordamos numa certa hora, vamos para o trabalho ou escola em outra, comemos em horários regulares e dormimos baseados nas revoluções do relógio. Porém, já houve um período sem a contagem do tempo. Como alguém imagina alguma coisa que não existe?

Tanto a contagem do tempo quanto a [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/), e muitos outros aspectos de nossas vidas cotidianas, foram inventados pelo sumerianos da antiga [Mesopotâmia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-34/mesopotamia/) há mais de 5.000 anos. Antes dos sumerianos, o dia começava com a aurora e terminava com o pôr do sol. As pessoas iam para o trabalho quando o sol estava posicionado numa certa altura do céu matinal e retornavam a seus lares quando ele se punha. Foram os sumerianos que dividiram o dia da noite pela contagem do tempo, através de incrementos de minutos com sessenta segundos e horas com sessenta minutos, que perfaziam doze horas noturnas e doze horas diurnas.

O Livro do Gênesis bíblico, capítulo 1, declara que [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) dividiu a noite do dia e viu que isso era bom. Caso se aceite o papel de Deus em criar o dia e a noite, então os sumerianos completaram o trabalho e, se não acreditamos nisso, então não foi Deus que dividiu a noite e o dia, e sim os sumerianos.

[ ![Sumerian Worshipper Statue](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2235.jpg?v=1777068331) Estátua de Adorador Sumeriano Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/2235/sumerian-worshipper-statue/ "Sumerian Worshipper Statue")### Inventando o Futuro

A [Suméria](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-114/sumeria/) situava-se na Mesopotâmia meridional, correspondendo aos atuais Iraque e Kuwait, no período entre 5000/4500-1750 a.C.. A área já era habitada antes de 4500 a.C. por um povo de origem desconhecida, que os arqueólogos designaram como Ubaid (em referência ao sítio de al-Ubaid, onde ocorreram as escavações que revelaram pela primeira vez sua existência). Os Ubaid são considerados os primeiros agentes de [civilização](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10175/civilizacao/) na região, já que tinham conhecimento tecnológico rudimentar, conforme evidenciado por ferramentas e artefatos que deixaram para trás.

Porém, eles não dispunham das mesmas habilidades e capacidades inventivas dos sumerianos que chegaram posteriormente. Os sumerianos são responsáveis por inventar muitos dos aspectos da vida moderna que tão frequentemente não damos muita importância. Em sua obra *History Begins at Sumer* \[*A História começa na Suméria*\], Samuel Noah Kramer lista 39 “primeiros” da civilização e cultura humanas originados na Suméria. Sua lista inclui:

> As Primeiras Escolas, o Primeiro Caso de Bajulação, o Primeiro Caso de Delinquência Juvenil, a Primeira “Guerra de Nervos”, o Primeiro Congresso Bicameral, o Primeiro Historiador, o Primeiro Caso de Redução de Impostos, o Primeiro “Moisés”, o Primeiro Precedente Legal, a Primeira Farmacopeia, o Primeiro “Almanaque do Fazendeiro”, o Primeiro Experimento em Jardinagem com Árvores de Sombra, a Primeira Cosmogonia e Cosmologia Humanas, os Primeiros Ideais Morais, o Primeiro “Emprego”, os Primeiros Provérbios e Ditos, as Primeiras Fábulas com Animais, os Primeiros Debates Literários, os Primeiros Paralelos Bíblicos, o Primeiro “Noé”, o Primeiro Conto de Ressurreição, o Primeiro “São Jorge”, o Primeiro Caso de Empréstimo de Livros, a Primeira Era Heroica do Homem, a Primeira Canção de Amor, o Primeiro Catálogo de Biblioteca, a Primeira Era de Ouro Humana, a Primeira Sociedade “Doente”, os Primeiros Lamentos Litúrgicos, os Primeiros Messias, o Primeiro Campeão de Longa Distância, a Primeira Imagem Literária, o Primeiro Simbolismo Sexual, a Primeira Virgem Maria, a Primeira Canção de Ninar, o Primeiro Retrato Literário, as Primeiras Elegias, a Primeira Vitória dos Trabalhadores e o Primeiro Aquário.

Em acréscimo a estas realizações, claro, estão a invenção rudimentar da contagem do tempo, um sistema numérico, o círculo com 360 graus, geometria, os primeiros veículos com rodas, brinquedos infantis, [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/), ferramentas para escrever, uso de energia eólica, domesticação de animais, desenvolvimentos agrícolas tais como a irrigação, avanços na medicina, odontologia, desenvolvimentos arquitetônicos e [urbanização](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-46/urbanizacao/).

### A Descoberta da Suméria

Os sumerianos também parecem ter inventado o conceito de guerra de sítio e, talvez, mesmo a tática de “terra arrasada” utilizada efetivamente em combates militares desde então. O que isso significa para um indivíduo dos dias atuais é que, a cada momento, estamos fazendo uso de algum aspecto das invenções sumerianas. O relógio que nos diz quando levantar da cama, o carro ou ônibus que nos leva ao trabalho ou à escola, o jornal ou livro que se lê, e o conceito de um fim para o trabalho ou período escolar diário, tudo se originou dos sumerianos. Kramer observa que:

> Um fato extraordinário é que há apenas um século atrás nada era conhecido sequer da existência destes sumerianos dos tempos antigos. Os arqueólogos e acadêmicos que, algumas centenas de anos atrás, começaram a escavar aquela região do Oriente Médio conhecida como Mesopotâmia estavam buscando não pelos sumerianos, mas por assírios e babilônios. Destes povos e suas civilizações eles dispunham de consideráveis informações provenientes de fontes gregas e hebraicas, mas da Suméria e dos sumerianos não tinham a mais vaga noção. Não havia nenhum traço reconhecível seja da terra ou do seu povo em toda a literatura disponível para os estudiosos modernos. O próprio nome da Suméria tinha sido apagado da mente e da memória da humanidade por mais de dois mil anos. E, ainda assim, os sumerianos são atualmente um dos mais bem conhecidos povos do antigo Oriente Próximo. Sabemos sobre sua aparência a partir de suas próprias estátuas e estelas espalhadas em vários dos mais importantes museus \[...\] Ademais, dezenas de milhares (literalmente) tabuinhas de cerâmica sumerianas, inscritas com seus negócios, documentos legais e administrativos, coroam as coleções destes mesmos museus, dando-nos muita informação sobre a estrutura social e organização administrativa dos antigos sumerianos. (*History Begins at Sumer*, xx)

A descoberta da Suméria foi, mais ou menos, um acidente. Os arqueólogos e acadêmicos a que Kramer se refere vieram à Mesopotâmia em busca de correlações bíblicas. A [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/) tornou cidades como [Babilônia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-53/babilonia/) e [Nínive](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-294/ninive/) famosas e, portanto, os babilônios e assírios eram bem conhecidos para os estudiosos do século XIX. Eles começaram suas escavações na Mesopotâmia numa tentativa de confirmar a historicidade de histórias bíblicas tais como o Dilúvio ou a Torre de Babel. A única referência à Suméria na Bíblia é "a Terra de Shinar" (Gênesis, 10:10 e em outros locais), que foi interpretada como sendo mais provavelmente a região nas cercanias da Babilônia, até que o assiriologista Jules Oppert (1825-1905) identificou estas citações com a região da Mesopotâmia meridional conhecida como Suméria e, além disso, declarou que a escrita [cuneiforme](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-105/cuneiforme/) tinha origem sumeriana.

Isso representou um feito assombroso, comparável com alguém hoje declarar que a [Atlântida](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-754/atlantida/) de [Platão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-349/platao/) situa-se na moderna Bermuda, ser capaz de comprovar tal afirmação e, ainda mais, que não houve nenhuma "Bermuda" comparável. Ninguém sabia que a Suméria tinha existido. Oppert não foi em absoluto o primeiro explorador europeu interessado na Mesopotâmia ou na escrita cuneiforme. Jean Chardin (1643-1713) explorou a região e escreveu sobre suas descobertas na obra *Travels in Persia* \[*Viagens pela Pérsia*\], publicada em 1686. Chardin foi o primeiro europeu a alegar que as estranhas marcas encontradas nas tabuinhas de cerâmica e na ornamentação arquitetônica não eram mera decoração mas, de fato, um avançado sistema de escrita.

Somente em meados do século XIX, porém, que acadêmicos e arqueólogos, tais como William Kennet Loftus (1820-1858), George Smith (1840-1876), Robert Koldewey (1855-1925) e Henry Creswicke Rawlinson (1810-1895) começaram a trazer à luz a civilização da antiga Suméria e as muitas realizações do povo sumeriano.

[ ![Map of Sumer](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/1352.jpg?v=1768715645) Mapa da Suméria P L Kessler (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/1352/map-of-sumer/ "Map of Sumer")### A Literatura Sumeriana e a Bíblia

Antes da descoberta e decifração da escrita cuneiforme, os seres humanos entendiam as origens de certos aspectos da vida de maneiras bem diferentes. Acreditava-se que a escrita tinha se originado na [Fenícia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-183/fenicia/), a contagem do tempo na China, escolas na Grécia e a primeira canção de amor no livro bíblico Cântico dos Cânticos de Salomão. O Velho Testamento e a Bíblia eram considerados os mais antigos livros do mundo até que isso foi refutado pelo assiriologista germânico Friedrich Delitzsch (1850-1922) que, a partir do trabalho de homens como George Smith, mostrou que os sumerianos tinham registrado histórias referentes à queda do homem e um grande dilúvio antes das narrativas do Gênesis serem criadas. O estudioso Paul Kriwaczek afirma:

> Assim, mostrou-se que, muito antes do Gênesis ter sido registrado por escrito, os antigos mesopotâmicos haviam contado para si mesmos a história de um dilúvio universal, enviado por decreto divino para destruir a humanidade. Logo outros textos foram descobertos que forneciam relatos similares em várias linguagens – Sumeriana, Antiga Acadiana, Babilônica – e em diferentes versões. Na mais antiga, encontrada numa tabuinha da cidade de Nippur, datada de cerca de 1800 e escrita em sumeriano, o papel de Noé cabe ao Rei de Shuruppak, chamado Ziudsura ou Ziusudra, que significa “Ele Viu a Vida”, porque acabou tendo a imortalidade concedida pelos deuses. Em outra, escrita nos anos 1600 a.C. na linguagem acadiana, o protagonista chama-se Atrahasis, que significa “Extremamente Sábio”. (69)

### Conclusão

Os sumerianos, portanto, também podem receber o crédito pela versão mais antiga de um dos mais potentes mitos da civilização ocidental: o Grande Dilúvio. Numa tentativa de provar a verdade histórica da Bíblia, os arqueólogos e acadêmicos do século XIX revelaram que as narrativas bíblicas, consideradas como verdades divinas absolutas, eram interpretações posteriores da literatura sumeriana.

Como já observado, porém, não é simplesmente no campo dos estudos religiosos que a descoberta da Suméria mudou o modo como as pessoas veem o mundo no presente. Com suas muitas invenções e inovações, os sumerianos assentaram as fundações para tantos avanços nas vidas cotidianas dos seres humanos que, atualmente, é impossível imaginar a vida sem tais coisas. De alguma forma, o povo da Suméria foi capaz de imaginar coisas que nunca haviam existido antes na terra e, ao expressar sua imaginação em termos concretos, inventar o futuro.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Bertman, S. *Handbook to Life in Ancient Mesopotamia.* Oxford University Press, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/0195183649/)
- [Kramer, S.N. *History Begins at Sumer.* University of Pennsylvania Press, 1988.](https://www.worldhistory.org/books/0812212762/)
- [Kriwaczek, P. *Babylon:Mesopotamia and the Birth of Civilization.* Thomas Dunne Books, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/B00DIKTPXC/)
- [Leick, G. *The A to Z of Mesopotamia.* Scarecrow Press, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0810875772/)
- [Black, J. et. al. *The Literature of Ancient Sumer.* Oxford University Press, 2006.](https://www.worldhistory.org/books/0199296332/)
- [BottÃ©ro, J. *Everyday Life in Ancient Mesopotamia.* Johns Hopkins University Press, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0801868645/)
- [Kramer, S. N. *The Sumerians: Their History, Culture, and Character.* University of Chicago Press, 1971.](https://www.worldhistory.org/books/0226452387/)
- [Van De Mieroop, M. *A History of the Ancient Near East ca. 3000 - 323 BC, 2nd Edition.* Blackwell Publishing, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/1405149116/)
- [Von Soden, W. *The Ancient Orient.* Wm. B. Eerdmans Publishing Company, 1994.](https://www.worldhistory.org/books/0802801420/)
- [Wise Bauer, S. *The History of the Ancient World.* W. W. Norton & Company, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/039305974X/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
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## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2023, October 03). Civilização Sumeriana: A Invenção do Futuro. (R. Albuquerque, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-71/civilizacao-sumeriana-a-invencao-do-futuro/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Civilização Sumeriana: A Invenção do Futuro." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, October 03, 2023. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-71/civilizacao-sumeriana-a-invencao-do-futuro/>.
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Mark, Joshua J.. "Civilização Sumeriana: A Invenção do Futuro." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, 03 Oct 2023, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-71/civilizacao-sumeriana-a-invencao-do-futuro/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo/ "User Page: Ricardo Albuquerque"), publicado em 03 October 2023. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

