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title: A Alimentação no Mundo Romano
author: Mark Cartwright
translator: Ricardo Albuquerque
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-684/a-alimentacao-no-mundo-romano/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2024-08-04
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# A Alimentação no Mundo Romano

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo)_

A dieta do antigo Mediterrâneo girava em torno de quatro artigos principais que, mesmo nos dias de hoje continuam a dominar os cardápios de restaurantes e as mesas de cozinhas domésticas: cereais, vegetais, azeite e vinho. Frutos do mar, queijo, ovos, carne e muitos tipos de frutas também estavam disponíveis para aqueles que podiam pagar. Os romanos também se mostravam hábeis em processar e conservar os alimentos, usando técnicas desde as conservas até o armazenamento em mel. Na preparação dos alimentos, um importante elemento consistia em condimentar a comida com molhos, ervas e especiarias exóticas. Nosso conhecimento sobre o quê e como os romanos comiam provém de textos, pinturas murais e mosaicos e até mesmo dos restos de comida descobertos em sítios arqueológicos, como o de [Pompeia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-529/pompeia/).

[ ![A Pompeii Bakery](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/955.jpg?v=1772378352) Uma Padaria de Pompeia Penn State Libraries Pictures Collection (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/955/a-pompeii-bakery/ "A Pompeii Bakery")### Cereais

Os cereais compunham a parte principal da dieta da maioria das pessoas, em especial o trigo e a cevada, utilizados como ingredientes do pão e de papas. O pão era geralmente integral e de cor escura, com os de melhor qualidade mais claros e de textura mais fina. As inovações em moinhos e peneiras mais finas contribuíram para melhorar a textura da farinha ao longo do tempo, ainda assim muito mais grosseira se levarmos em conta os padrões modernos. Além do trigo e cevada, também estavam disponíveis aveia, centeio e painço.

[ ![Asparagus, Roman Mosaic](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/2616.jpg?v=1733781666) Aspargos, Mosaico Romano Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2616/asparagus-roman-mosaic/ "Asparagus, Roman Mosaic")### Frutas e Vegetais

Entre as frutas mais comumente disponíveis estavam as maçãs, figos e uvas (estas últimas consumidas frescas, em forma de passas e de suco não fermentado, conhecido como *defrutum*), mas também havia peras, ameixas, tâmaras, cerejas e pêssegos. Várias delas acabavam sendo desidratadas para aumentar a vida útil. Entre os vegetais típicos, embora não exclusivamente, havia leguminosas como feijão, lentilha e ervilha. Excelentes fontes de proteína, costumavam ser adicionadas ao pão. Outros vegetais incluíam aspargos, cogumelos, cebola, nabo, rabanete, repolho, alface, alho-poró, aipo, pepino, alcachofra e alho. Quando disponíveis, os romanos também consumiam plantas silvestres. As azeitonas e o azeite eram, naturalmente, um dos principais artigos de consumo e importante fonte de gordura, assim como atualmente. Tanto as frutas quanto os vegetais podiam ser conservados em forma de picles, seja em salmoura ou vinagre, além da preservação com o uso de vinho, suco de uva ou mel, sempre com o objetivo de permitir o consumo nas demais estações do ano.

[ ![Wild Boar, Roman Mosaic](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/2615.jpg?v=1777220474) Urso Selvagem, Mosaico Romano Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2615/wild-boar-roman-mosaic/ "Wild Boar, Roman Mosaic")### Carne

Como a carne podia ser uma mercadoria dispendiosa para a maioria dos romanos, normalmente eles a preparavam em cortes pequenos ou salsichas. Entre as fontes importantes de carne estavam as aves e a caça selvagem, mas também havia disponibilidade de porco, vitela, carneiro e cabra. Caças como coelho, lebre, javali e veado costumavam ser criadas em grandes áreas fechadas de floresta. Valorizava-se a carne de uma quantidade surpreendente de pássaros, como perdizes, faisões, gansos, patos, melros, pombas, pegas, rolas, galinholas e codornizes (fossem selvagens ou cultivados), além de praticamente qualquer pássaro exótico de tamanho considerável, do flamingo ao pavão, da avestruz ao papagaio, que poderiam encontrar seu caminho para a panela de um chef aristocrata ansioso para impressionar os honoráveis convidados do jantar de seu mestre. Preservava-se a também a carne através de salmoura, secagem, defumação, cura, conserva de picles ou mel.

[ ![Fish, Roman Mosaic](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/1279.jpg?v=1743175744) Peixe, Mosaico Romano Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/1279/fish-roman-mosaic/ "Fish, Roman Mosaic")### Frutos do Mar

Os peixes, a maioria dos quais ainda é encontrada no Mediterrâneo nos dias atuais, podiam ser consumidos frescos, secos, salgados, defumados ou em conserva. Devido à irregularidade no abastecimento, a preservação do peixe garantia uma adição útil de proteína à dieta romana. Criavam-se peixes e mariscos em lagoas artificiais de água doce e salgada. O molho de peixe (*garum*), feito de peixes pequenos inteiros fermentados ou das entranhas de peixes maiores, era um tempero extremamente popular. Consumia-se também lagostim e caranguejos e entre os mariscos disponíveis estavam os mexilhões, amêijoas, vieiras e ostras.

### Abastecimento

O crescimento da cidade de Roma levou à necessidade de um abastecimento regular de alimentos. Os empreendimentos privados que atendiam em grande parte às demandas dos cidadãos e os alimentos situavam-se principalmente no continente italiano e nas ilhas maiores, como a Sicília e a Sardenha. Na República, os magistrados se esforçavam para ganhar o favor do público, garantindo o fornecimento de alimentos provenientes de províncias subjugadas e estados aliados. O [tribuno](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15521/tribuno/) da plebe Caio Graco, um dos [Irmãos Gracos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22136/irmaos-gracos/), aprovou a distribuição de uma cota mensal (*frumentatio*) de grãos por um preço fixo razoável para os cidadãos. [Augusto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-412/augusto/) nomeou o *praefectus annonae*, cujo função consistia em supervisionar especificamente o fornecimento regular de alimentos, especialmente grãos. O suprimento ficava sob controle do estado, já que se tratava de uma forma de imposto aplicado à [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/) e África. A partir do século II d.C., o azeite começou a ser distribuído ao povo; no século seguinte, a carne de porco e o vinho passaram a fazer parte do *frumentatio* dos cidadãos mais pobres. No [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) tardio, à medida que enfraquecia o aparato estatal, indivíduos mais ricos e a Igreja assumiram algumas responsabilidades em relação ao fornecimento regular de alimentos.

[ ![Trajans Market, Rome](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/2064.jpg?v=1710067689) Mercado de Trajano, Roma Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2064/trajans-market-rome/ "Trajans Market, Rome")Caso não cultivassem seus próprios alimentos, os cidadãos adquiriam sua comida num mercado privado (*macellum*). Estes mercados aconteciam nos fóruns públicos das cidades romanas, ao ar livre ou em instalações permanentes. Em Roma, o mercado de alimentos passou a ser diário a partir do século II a.C. e o Mercado de Trajano, uma espécie de antigo shopping center, tornou-se um dos maiores e mais famosos destes centros comerciais. Nas cidades provinciais, um mercado semanal era a norma. As propriedades privadas no campo também podiam manter seus próprios mercados, vendendo diretamente seus produtos para a população circundante.

### Preparação

As cidades romanas dispunham de estalagens (*cauponae*) e tabernas (*popinae*), nas quais os clientes podiam comprar refeições preparadas e desfrutar de uma bebida de vinho barato (a [cerveja](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10181/cerveja/) era consumida apenas nas províncias do norte do império) mas, como estes estabelecimentos raramente tinham boa reputação, graças à associação com a falta de limpeza e a prostituição, os cidadãos mais abastados os evitavam. As padarias mantinham fornos aquecidos como um serviço para a população, que trazia sua própria massa para fazer o pão doméstico. À parte estes locais, no entanto, cozinhar era essencialmente uma atividade realizada nos lares. Usava-se um braseiro para assar, grelhar e ferver vários tipos de alimentos. A arte da boa cozinha associava-se em especial à mistura de condimentos para criar molhos saborosos e exclusivos com o uso de vinho, óleos, vinagre, ervas, especiarias e sucos de carne ou peixe. Houve até escritores que ofereciam conselhos úteis sobre culinária, como Apicius, que escreveu *Sobre a Arte da Culinária* (*De Re Coquinaria*), uma coleção de receitas do século IV d.C.

[ ![Roman Food Shop Reconstruction](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/2165.jpg?v=1734545825) Reconstituição de Loja de Comida Romana Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2165/roman-food-shop-reconstruction/ "Roman Food Shop Reconstruction")As especiarias (*species* - significando qualquer mercadoria exótica valiosa), em particular, ofereciam uma variedade infinita de combinações de sabores e nada menos que 142 tipos diferentes foram identificados em fontes antigas. Elas geralmente vinham da Ásia e sua oferta aumentou ainda mais a partir do século I d.C., quando rotas marítimas diretas foram abertas para o Egito e a Índia. Tais especiarias exóticas incluíam o gengibre, cravo, noz-moscada, açafrão, cardamomo, cássia, maçã, canela e o mais popular de todos, a [pimenta](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10038/pimenta/). Entre temperos os mais saborosos e mais disponíveis das proximidades estavam o manjericão, alecrim, sálvia, cebolinha, louro, endro, erva-doce, tomilho e mostarda.

### Refeições

No início da República, a principal refeição do dia era na hora do almoço e chamada de *cena*, com uma refeição mais frugal à noite (*vesperna*). Com o tempo, a *cena* começou gradualmente a acontecer cada vez mais tarde, até que finalmente se tornou a refeição do início da noite. A refeição da hora do almoço ficou conhecida então como *prandium*. Um almoço típico, bastante frugal, consistia em peixe ou ovos com vegetais. Para começar o dia, o café da manhã ou *ientaculum*, também muito frugal, incluía por vezes apenas pão e sal, ocasionalmente acompanhado de frutas e queijo.

[ ![Fruit, Roman Mosaic](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/2617.jpg?v=1768849153) Fruta, Mosaico Romano Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/2617/fruit-roman-mosaic/ "Fruit, Roman Mosaic")Guardando-se para a *cena*, então, os romanos, ou pelo menos aqueles que podiam pagar, faziam uma grande refeição, tipicamente em três partes. Primeiro vinha o *gustatio*, com ovos, mariscos, arganazes e azeitonas, tudo acompanhado por vinho diluído em água e adoçado com mel (*mulsum*). Em seguida a estas entradas, a cena prosseguia com uma série de pratos (*fecula*), em alguns casos com até sete deles, incluindo o prato principal, a *caput cenae*. Carne ou peixe eram os pratos principais óbvios; algumas vezes, preparava-se um porco inteiro assado. Naturalmente, as famílias mais ricas tentariam impressionar seus convidados com pratos exóticos, como avestruzes e pavões. No estágio final vinha a sobremesa (*mensae secundae*), que podiam incluir nozes, frutas ou mesmo caracóis e outros mariscos.

### Conclusão

Quem exatamente comia o quê e quando na época romana continua a ser uma área fértil de estudos, mas o registro arqueológico fornece ampla evidência da variedade de alimentos disponíveis para pelo menos parte da população romana. Constatou-se que os romanos demonstravam habilidade em garantir um suprimento contínuo desses alimentos por meio de diversas práticas agrícolas, técnicas de agricultura artificial e métodos de preservação de alimentos. De fato, seu relativo sucesso pode ser indicado pelo fato de que tal escala de produção de alimentos não seria vista novamente na [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/) até o século XVIII.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Butterworth, A. *Pompeii.* St. Martin's Press, 2006.](https://www.worldhistory.org/books/0312355858/)
- Grant, M. *A History of Rome.* Faber
- [Hornblower, S. *The Oxford Classical Dictionary.* Oxford University Press, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/0199545561/)
- [Oleson, J.P. *The Oxford Handbook of Engineering and Technology in the Classical World.* Oxford University Press, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0199734852/)
- [Potter, D.S. *A Companion to the Roman Empire.* Wiley-Blackwell, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/1405199180/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2024, August 04). A Alimentação no Mundo Romano. (R. Albuquerque, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-684/a-alimentacao-no-mundo-romano/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "A Alimentação no Mundo Romano." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, August 04, 2024. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-684/a-alimentacao-no-mundo-romano/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "A Alimentação no Mundo Romano." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, 04 Aug 2024, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-684/a-alimentacao-no-mundo-romano/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo/ "User Page: Ricardo Albuquerque"), publicado em 04 August 2024. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

