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title: Cerâmica Micénica
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-455/ceramica-micenica/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-10-06
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# Cerâmica Micénica

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A cerâmica da [civilização](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10175/civilizacao/) micénica (1550–1050 a.C.), embora fortemente influenciada pelos minoicos da ilha de Creta, adicionou novas formas de recipientes ao repertório existente e alcançou um estilo decorativo próprio e distinto, notavelmente homogéneo em toda a Grécia micénica. As peças micénicas exibem habitualmente representações estilizadas da vida marinha e vegetal, bem como uma predileção por motivos lineares minimalistas — uma tendência que viria a influenciar a cerâmica primitiva da Grécia Arcaica e Clássica a partir do século IX a.C.

[ ![Mycenaean Stemmed Cup](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/910.jpg?v=1621770302) Copo de Pé Alto micénico Mary Harrsch (Photographed at the Getty Villa, Malibu) (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/910/mycenaean-stemmed-cup/ "Mycenaean Stemmed Cup")### As Origens Minoicas

A cerâmica micénica primitiva (1550–1450 a.C.) do continente grego, moldada em torno de oleiro, é por vezes descrita como «cretense provincial», um termo que traduz com precisão o facto de que, embora as formas e os estilos decorativos fossem de origem cretense, a execução final da decoração não alcançava o refinamento dos centros minoicos como Cnosso e [Festo](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10228/festo/). Contudo, apesar desta diferença de qualidade, é provável que os próprios oleiros cretenses se tenham fixado no continente. Em contrapartida, no tocante à matéria-prima, a cerâmica micénica é muitas vezes superior à minoica, sendo a sua maioria produzida a partir da antiga «argila amarela de Mínias» e cozida a temperaturas mais elevadas do que as praticadas em Creta. Os próprios motivos decorativos eram pintados com um engobe (ou «tinta») lustroso à base de ferro, de cor vermelha a preta, o qual tendia a apresentar uma aparência matizada consoante o processo de cozedura.

[ ![Mycenaean Jug](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/459.jpg?v=1707137044) Jarro Micénico Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/459/mycenaean-jug/ "Mycenaean Jug")O fascínio minoico pelas formas fluidas e pelas representações vibrantes da vida animal, marinha e vegetal — tal como se expressava nos seus estilos Marinho e Floral — teve continuidade nas mãos dos micénicos, com os polvos e os náutilos a manterem uma popularidade assinalável. Os desenhos continuavam a preencher toda a superfície decorativa e a acompanhar os contornos do recipiente. Contudo, de forma gradual, as representações tornaram-se mais estilizadas e simétricas. O espaço decorativo deixou de ser totalmente preenchido, passando a exibir vazios significativos — algo raramente visto na cerâmica minoica. As figurações de plantas, como os lírios, as palmeiras e a [hera](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10295/hera/), ganharam uma escala mais monumental, evoluindo para motivos habitualmente empregues e reservados, sobretudo, a grandes jarros.

A partir de 1450 a.C., a expansão micénica no ultramar resultou na tomada dos palácios cretenses, e a cerâmica micénica passou a dominar a produção em toda a Grécia e nas ilhas do [Egeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-118/egeu/). De facto, a cerâmica constitui o indicador mais importante do domínio político exercido pelos micénicos na região egea. A decoração pode ser dividida em dois grandes grupos: o estilo Pictórico e o estilo de Padrão (ou Pattern style). O primeiro foi influenciado pelo design do afresco contemporâneo e procurava representar cenas do quotidiano, enquanto o segundo empregava escamas decorativas, xadrezes, divisas (chevrons) e motivos da vida marinha. Os desenhos tornaram-se progressivamente mais arrojados e estilizados, apresentando frequentemente um único motivo decorativo em cada lado do recipiente e um aumento do espaço deixado em branco. Talvez o exemplo mais célebre deste estilo minimalista seja o copo de Efira (*Ephyrean goblet*), uma taça de pé alto com duas asas proveniente de [Micenas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-160/micenas/), decorada com uma única e grande rosácea em cada uma das faces. As linhas horizontais simples e arrojadas, bem como os espirais e espirais em rosca (whorls), continuaram a ser formas de decoração muito populares, regra geral bem escolhidas para complementar a própria forma do recipiente.

[ ![Mycenaean Stirrup Jar](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/911.jpg?v=1644941704) Jarro de Estribo Micénico Mary Harrsch (Photographed at The Walters Art Museum, Baltimore) (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/911/mycenaean-stirrup-jar/ "Mycenaean Stirrup Jar")### Os Recipientes Mais Comuns

As formas dos recipientes também evoluíram; por exemplo, no caso das taças de pé alto, os pés tornaram-se mais longos e as bojas mais rasas ao longo do tempo. Surgiram novos tipos de recipientes, tais como chávenas de uma asa, canecas e jarros com asas verticais de fita e com bico ou gargalo chanfrado. O recipiente micénico mais popular era o jarro de estribo (stirrup jar), assim designado porque a asa se assemelha a um estribo duplo. O centro da asa era frequentemente decorado para parecer um bico, embora o verdadeiro bico se localizasse, na realidade, de lado e separado da asa. Os jarros de estribo tinham surgido inicialmente em Creta no século XVI a.C., contudo tornaram-se muito mais comuns a partir do século XIV a.C., existindo em diversos tamanhos e sendo habitualmente utilizados para armazenar vinho e óleos.

A segunda forma de recipiente mais popular era o alabastro (alabastron), um jarro acachapado de dimensões variáveis, assim denominado por os primeiros exemplares terem sido esculpidos em alabastro. A forma surgiu pela primeira vez no século XV a.C. no continente grego e apresenta, tipicamente, três pequenas asas de fita junto ao gargalo. Os recipientes em alabastro eram provavelmente utilizados para guardar unguentos.

Alguns recipientes de argila eram revestidos a estanho, possivelmente para imitar peças de prata, mais dispendiosas. Além disso, muitos motivos decorativos, em especial os espirais, eram muito provavelmente copiados de recipientes metálicos. Ambos os factos ilustram que a cerâmica era utilizada pelo povo comum que não tinha possibilidades financeiras para adquirir as versões em metal, mais caras, para as suas necessidades do dia a dia.

### A Evolução do Design

Com o passar do tempo, a decoração da cerâmica micénica continuou a tornar-se cada vez mais abstrata, a ponto de ser por vezes difícil identificar o motivo original. A evolução do polvo no design cerâmico é um excelente indicador desta mudança estilística. Nas fases iniciais, o polvo é representado de forma mais ou menos fiel, com os seus tentáculos sinuosos e ventosas pormenorizadas a cobrir aleatoriamente toda a superfície do vaso; contudo, de forma gradual, a figuração torna-se mais formal, com os tentáculos pintados simetricamente de ambos os lados do corpo. Por fim, os tentáculos transformam-se em meras linhas, desproporcionadamente longas em relação ao tamanho do corpo, sendo habitualmente representados em número inferior a oito.

[ ![Minoan Vase in Marine Style](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/367.jpg?v=1792025346) Vaso Minoico no Estilo Marinho Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/367/minoan-vase-in-marine-style/ "Minoan Vase in Marine Style")[ ![Mycenaean Vase Decorated With An Octopus](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/909.jpg?v=1618785004) Vaso Micénico Decorado com um Polvo Trustees of the British Museum (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/909/mycenaean-vase-decorated-with-an-octopus/ "Mycenaean Vase Decorated With An Octopus")As faixas escuras de largura variável tornaram-se a principal forma de decoração, passando a utilizar-se apenas o espaço junto ao gargalo dos recipientes para representações pictóricas. Particularmente populares eram as cenas de carros de guerra que incluíam também figuras humanas, algo extremamente raro na cerâmica minoica. Nós sacrais, machados duplos (lábris) e capacetes de dentes de javali eram motivos muito apreciados, tal como animais, aves e grifos — frequentemente dispostos de forma heráldica e decorados no seu interior com padrões geométricos, imitando possivelmente os padrões têxteis da época. Um excelente exemplo desta técnica pode ser observado no vaso decorado com um touro e uma ave, pertencente ao British Museum, no qual os corpos das figuras se encontram divididos em secções, cada uma ornamentada de modo diferente com pontos, linhas onduladas, escamas, cruzes ou divisas (*chevrons)*. Esta forma de recipiente — a taça funda — ganhou enorme popularidade a partir do século XIII a.C., existindo exemplares raros com decoração a branco sobre fundo escuro.

[ ![Mycenaean Vase Decorated With Bulls & Birds](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/908.jpg?v=1599292802) Vaso Micénico Decorado com Touros e Aves Trustees of the British Museum (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/908/mycenaean-vase-decorated-with-bulls--birds/ "Mycenaean Vase Decorated With Bulls & Birds")A partir do século XII a.C., observa-se uma maior variedade regional no design e na decoração da cerâmica, refletindo talvez a instabilidade política desse período, tal como o evidencia a destruição de vários povoados. As composições decorativas desta fase podem ser categorizadas em quatro grandes grupos. O Estilo Fechado, de influência cretense, mas com origem na Argólida, caracteriza-se pelo preenchimento total do recipiente — ou de uma área delimitada do mesmo — com diversos padrões, habitualmente rosáceas e aves. O Estilo Franjado que combina curvas ou linhas arrojadas com franjas, acompanhadas por uma decoração secundária mais pormenorizada de linhas finas em padrões abstratos. A evolução dos motivos com polvos constitui um subgrupo deste estilo. O Estilo Pictórico que mantém a sua continuidade, sendo um exemplo célebre o Vaso dos Guerreiros (*Warrior Vase*) de Micenas, que retrata onze guerreiros em marcha com lanças, cada um transportando um saco — que conterá, talvez, as suas rações diárias de alimento. Uma mulher, de pé num dos lados, acena-lhes em despedida. Curiosamente, este viria a tornar-se um tema comum na cerâmica grega dos séculos V e IV a.C. O Estilo do Granreiro que apresenta uma decoração minimalista reduzida a poucas faixas ou linhas onduladas; em certos casos, todo o recipiente surge coberto por um engobe monocromático ou é deixado completamente sem decoração. Este estilo, consideravelmente mais modesto, foi o precursor da cerâmica submicénica, de feição mais rudimentar, predominante a partir do século XI a.C.

### A Estatuetas, os Sarcófagos e os Rítos

Foram encontradas estatuetas de argila em sítios por todo o [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Micénico, datadas dos séculos XIV a XII a.C., as quais apresentam um design notavelmente semelhante. Fortemente estilizadas, a ponto de serem quase irreconhecíveis como formas humanas, as figuras são, na sua maioria, femininas e representadas de pé. Com frequência, estas figuras apresentam ambos os braços erguidos ou cruzados sobre o peito, uma saia longa e um toucado cónico. São decoradas de forma simples, com linhas arrojadas, sendo por vezes também pintadas joias na figura através de pontos simples. Existem ainda diversos exemplos de estatuetas que retratam uma mulher a segurar uma criança. É muito provável que estas figuras de argila representem uma deusa da natureza de origem cretense, dado que várias foram encontradas em contexto de santuário, embora existam outras hipóteses para a sua função, desde oferendas votivas a brinquedos infantis. Em Creta — onde a cerâmica apresentou sempre particularidades próprias —, as estatuetas durante o período micénico assumiam mais frequentemente a forma de uma grande figura feminina (com até 75 cm de altura), dotada de um corpo de metade inferior cilíndrica e oca e de braços erguidos. A partir de 1200 a.C., as figuras animais de argila tornaram-se igualmente populares. Modeladas no torno de oleiro e com os membros e cabeças moldados à mão, exibiam uma decoração simples à base de linhas e pontos.

[ ![Mycenaean Rhyta](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/480.jpg?v=1644941707) Rítos Micénicos Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/480/mycenaean-rhyta/ "Mycenaean Rhyta")Os sarcófagos de argila tinham sido amplamente utilizados pelos minoicos para sepultar os seus mortos, assumindo habitualmente a forma de um baú com pernas curtas ou de uma banheira, e eram decorados de modo muito semelhante aos recipientes cerâmicos. Em Creta, esta tradição tornou-se ainda mais popular durante o período micénico, contudo, noutras regiões do Império Micénico, os exemplares limitam-se a um cemitério em Tanagra, na Beócia (1400–1200 a.C.). A argila era também empregue no fabrico de rítos (rhyta) — recipientes utilizados para a vertidura de libações e para o consumo cerimonial de bebidas durante rituais religiosos. Estes apresentavam, na sua maioria, uma forma cónica e eram decorados do mesmo modo que os recipientes cerâmicos contemporâneos.

### O Legado Micénico

A cerâmica micénica foi exportada e imitada não só por todo o Egeu, mas também em locais tão distantes como a Anatólia, a Síria, o Egito e Espanha. Existem igualmente evidências de que oleiros micénicos se terão efetivamente fixado e estabelecido oficinas no estrangeiro, em particular na Anatólia e no sul de [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/). De facto, é muito provável que os motivos de origem micénica introduzidos nestas regiões tenham sobrevivido ao ponto de serem reintroduzidos na Grécia continental após o término da chamada Idade das Trevas. A estagnação de três séculos em todos os domínios da cultura — e em particular nas artes e ofícios — não terá constituído, por isso, um fim, mas apenas uma interrupção na evolução da cultura grega. O design cerâmico viria a florescer novamente com a cerâmica geométrica do século VIII a.C., a qual devia, indiscutivelmente, um enorme tributo à decoração altamente estilizada de que os micénicos tanto gostavam.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

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## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

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### APA
Cartwright, M. (2026, October 06). Cerâmica Micénica. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-455/ceramica-micenica/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Cerâmica Micénica." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, October 06, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-455/ceramica-micenica/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Cerâmica Micénica." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 06 Oct 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-455/ceramica-micenica/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 06 October 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

