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title: Porque é que Hiroshima e Nagasaki foram bombardeadas na Segunda Guerra Mundial?
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
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updated: 2026-09-21
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# Porque é que Hiroshima e Nagasaki foram bombardeadas na Segunda Guerra Mundial?

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A decisão de lançar a bomba atómica em agosto de 1945 foi tomada para evitar mais baixas entre as forças aliadas na Guerra do Pacífico, forçando o Japão a uma rendição imediata. Outra razão foi, enquanto os vencedores disputavam o controlo dos impérios desmoronados dos vencidos da Segunda Guerra Mundial (1939-45), demonstrar à URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) que, no mundo do pós-guerra, os EUA possuíam a arma de destruição definitiva.

Por serem cidades grandes e relativamente intactas foram escolhidas como alvos Hiroshima e Nagasaki; assim, quando fossem destruídas por um ataque nuclear, o impacto seria ainda mais chocante para o governo militar japonês de linha dura, que parecia determinado a continuar a lutar a qualquer custo. O lançamento das bombas contribuiu significativamente para a rendição do Japão, que ocorreu pouco depois, em meados de agosto.

[ ![Mushroom Clouds over Hiroshima & Nagasaki, 1945](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/22167.jpg?v=1789857495-1789711973-vfe72wmm) Nuvens em Forma de Cogumelo sobre Hiroshima e Nagasaki, 1945 George R. Caron - Charles Levy (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/22167/mushroom-clouds-over-hiroshima--nagasaki-1945/ "Mushroom Clouds over Hiroshima & Nagasaki, 1945")### O Desenvolvimento da Bomba

O Projeto Manhattan, o nome de código secreto do programa de investigação dos Estados Unidos para o desenvolvimento de uma bomba atómica, teve início a sério em agosto de 1942. Na primavera de 1945, a equipa científica, liderada pelo físico nuclear Robert Oppenheimer (1904-1967), tinha alcançado o seu objetivo. O projeto envolveu mais de 100 000 pessoas e ascendeu a custos de cerca de 2,5 mil milhões de dólares. O teste «Trinity», realizado num local remoto no deserto perto de Alamogordo, no Novo México, a 16 de julho de 1945, provou que se tratava de uma nova arma devastadora, capaz de aniquilar cidades num único golpe. A explosão, equivalente a 18 600 toneladas de TNT, destruiu toda a vida vegetal e animal num raio de cerca de 1,6 kn (1 milha). A onda de choque foi tão poderosa que estilhaçou janelas a 322 km (200 milhas) de distância. A explosão tinha sido dez vezes mais potente do que os cientistas esperavam.

Tanto a guerra como o destino do mundo inteiro mudou da noite para o dia. Oppenheimer lembrou-se da frase do texto sagrado hindu, o Bhagavad Gita: «Agora tornei-me a Morte, o destruidor de mundos» (Marston, pág. 292).

### A Ameaça da Bomba

O Projeto Manhattan tinha sido levado a cabo por várias razões. A primeira era que, com uma arma deste tipo, os EUA poderiam vencer a guerra. A segunda era garantir que o armamento norte-americano pudesse fazer frente a qualquer ameaça que estivesse a ser desenvolvida secretamente na Alemanha nazi e na URSS (como se veio a verificar, nenhum dos dois países desenvolveu uma bomba atómica operacional até 1945). Outra razão, que se tornou mais evidente nas fases finais do conflito, era que a posse de uma arma nova e tão terrível significaria que os EUA poderiam dominar o mundo do pós-guerra.

[ ![Stalin, Roosevelt & Churchill, Tehran 1943](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21880.png?v=1783079365-1781688990-p6tpnjie) Estaline, Roosevelt e Churchill, Teerão, 1943 L.W. Gale - Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/21880/stalin-roosevelt--churchill-tehran-1943/ "Stalin, Roosevelt & Churchill, Tehran 1943")À medida que a derrota da Alemanha se tornava inevitável no início de 1945, tanto os EUA como a URSS começaram a negociar entre si para decidir quem controlaria os territórios outrora (e alguns ainda em 1945) ocupados pelas potências do Eixo — Alemanha, [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/) e Japão. Esta rivalidade assumiu a forma de discussões diplomáticas e negociações em reuniões de líderes aliados, como a [Conferência de Teerão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-26480/conferencia-de-teerao/) (novembro-dezembro de 1943), a [Conferência de Ialta](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-25266/conferencia-de-ialta/) (fevereiro de 1945) e a Conferência de Potsdam (julho-agosto de 1945). Era muito mais provável que as exigências feitas nessas conferências fossem atendidas se o requerente estivesse efetivamente na posse do território em questão. Ióssif Estaline (1878-1953), líder da URSS, estava determinado, por exemplo, a manter a Polónia como um Estado satélite soviético. O presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt (1882-1945), e o primeiro-ministro [britânico](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21913/britanico/), Winston Churchill (1874-1965), estavam muito empenhados em manter a Grécia como uma democracia livre e independente. Estes são apenas dois exemplos das inúmeras regiões do mapa mundial que foram disputadas neste jogo dos impérios do pós-guerra.

As relações dos EUA e da Grã-Bretanha com a URSS eram ambíguas. Em 1944, os Aliados queriam que a URSS se juntasse à guerra contra o Japão. Em troca, a união soviéticas deseja certas exigências atendidas, entre outras, incluíam o controlo das Ilhas Kuril (também conhecidas como Kurile), a parte sul da Ilha de Sakhalin (ambas situadas no Mar de Okhotsk e que tinham sido ocupadas pelo Japão) e a manutenção do *status quo* relativamente à Mongólia, que era um Estado cliente da Rússia desde 1924. Contudo, em 1945, os EUA e a Grã-Bretanha receavam que, caso a URSS entrasse na guerra contra o Japão, Estaline pudesse então apresentar reivindicações territoriais na Ásia Oriental. Na realidade, a URSS só declarou guerra ao Japão a 9 de agosto de 1945 (após o lançamento da bomba atómica).

A Conferência de Potsdam apresentou um ultimato ao Japão sob a forma da Declaração de Potsdam, proferida a 27 de julho de 1945. O Japão deveria render-se incondicionalmente ou enfrentar uma «destruição imediata e total» (citado em Smurthwaite, pág. 133). O governo militar japonês ignorou a declaração, talvez acreditando que ainda houvesse alguma margem para negociação. No entanto, após a rejeição do ultimato pelo Japão, aos líderes aliados não restava já qualquer dúvida (se é que alguma vez a houve) de que a bomba atómica seria utilizada. Isto aplicava-se tanto a Churchill como ao sucessor de Roosevelt, Harry S. Truman (1884-1972), e aos principais comandantes militares. A questão não era se, mas sim quando e onde?

[ ![Map of the Allied Pacific Counteroffensive, 1942–1945](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/22056.png?v=1789239570-1787811250-w6owjsdb) Mapa da Contraofensiva Aliada no Pacífico, 1942–1945 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/22056/map-of-the-allied-pacific-counteroffensive-1942-19/ "Map of the Allied Pacific Counteroffensive, 1942–1945")### Justificar o Uso da Bomba

Conscientes da terrível destruição que uma bomba atómica poderia infligir ao inimigo após o teste «Trinity», os líderes aliados perceberam que era necessária uma excelente justificação para convencer o público de que eram necessárias tais medidas drásticas. Esta justificação pública mascarava outra motivação, mas era, ainda assim, amplamente considerada verdadeira por todos os envolvidos. A ideia era que apenas o lançamento de armas atómicas levaria à rendição japonesa e evitaria o número terrivelmente elevado de baixas em ambos os lados que um desembarque anfíbio convencional nas ilhas principais do Japão inevitavelmente acarretaria.

Até então, ao longo de toda a Guerra do Pacífico, as forças dos EUA e das Aliadas tinham sofrido baixas terríveis ao conquistarem vários arquipélagos do Pacífico ocupados pelas forças japonesas. Na [Batalha de Okinawa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2984/batalha-de-okinawa/), em abril, maio e junho de 1945 — que viria a ser a última grande batalha da Segunda Guerra Mundial —, morreram cerca de 100 000 combatentes japoneses, 150 000 civis e cerca de 12 000 soldados norte-americanos.

A maioria dos soldados japoneses lutou até à morte na Guerra do Pacífico, uma vez que tinham sido doutrinados a acreditar que a rendição era desonrosa e que não havia nada mais glorioso do que sacrificar as suas próprias vidas para proteger a vida do imperador e o solo japonês contra a invasão estrangeira. As missões suicidas *kamikaze* tinham sido utilizadas ao longo de 1945, e mais estavam a ser preparadas para o caso de ocorrer uma invasão. O intenso bombardeamento aliado das cidades japonesas, combinado com um bloqueio naval que privou as forças armadas dos materiais necessários para travar a guerra, tinha posto as forças armadas japonesas de rastos. Muitos comandantes da Marinha dos EUA afirmavam que já tinham ganho a guerra. Em contrapartida, os comandantes da Força Aérea dos EUA afirmavam que eram eles que estavam prestes a ganhar a guerra, se pudessem continuar a campanha de bombardeamentos por mais algum tempo. No entanto, permanecia um facto incontestável: o Japão ainda não se tinha rendido.

[ ![Aerial View of the Okinawa Landing](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22073.jpg?v=1789258230-1787907383-z7kpeszq) Vista Aérea do Desembarque em Okinawa US Signal Corps Archive (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/22073/aerial-view-of-the-okinawa-landing/ "Aerial View of the Okinawa Landing")Continuavam a existir defesas formidáveis por todo o Japão, tal como aqui resumido pelo historiador D. Wright:

> O Japão ainda contava com 2 350 000 soldados regulares, 250 000 soldados de guarnição, 7 000 aeronaves, 4 000 funcionários das forças armadas e 23 000 000 de homens, mulheres, rapazes e raparigas determinados a lutar até à morte. Se somarmos os *kamikazes* e os remanescentes da marinha, temos os ingredientes para um banho de sangue que faria as batalhas anteriores parecerem insignificantes.
> (pág. 76)

Mesmo que uma invasão fosse bem-sucedida — e não havia garantias de que assim fosse —, os especialistas e planeadores aliados da invasão, cujo nome de código era «Operação Downfall», previam uma taxa de baixas de, pelo menos, 35 % entre as tropas norte-americanas envolvidas, tal como tinha acontecido em Okinawa. A batalha pelo Japão prolongaria a guerra até 1946 ou mesmo para além dessa data. O Pentágono estimou pelo menos meio milhão de mortos ou feridos norte-americanos em tal operação. A medalha Purple Heart é concedida aos militares norte-americanos feridos em combate, e acumulou-se uma enorme reserva destas medalhas (na verdade, foram fabricadas em 1945 quantidades suficientes para durar até ao fim da Guerra da Coreia, da Guerra do Vietname e bem até ao século XXI). Acrescia nesta tomada de decisão os mais de 100 000 prisioneiros de guerra aliados que se encontravam detidos no Japão, e receava-se que pudessem ser executados caso ocorresse uma invasão.

Como observou Winston Churchill:

> De qualquer forma, nunca houve um momento sequer de discussão sobre se a bomba atómica deveria ou não ser utilizada. Evitar um massacre vasto e indefinido, pôr fim à guerra, trazer a paz ao mundo, estender mãos curativas aos seus povos torturados através de uma manifestação de poder avassalador ao custo de algumas explosões, parecia, após todos os nossos esforços e perigos, um milagre de libertação.
> (Moskin, pág. 295)

[ ![Kamikaze Zero & USS Missouri](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/22002.png?v=1785746333-1785746921-3kv66jfp) Kamikaze Zero & USS Missouri Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/22002/kamikaze-zero--uss-missouri/ "Kamikaze Zero & USS Missouri")Os Aliados combatiam há mais de cinco anos por todo o mundo. O risco para ainda mais soldados aliados era muito real e, por isso, a ideia de dois aviões lançarem apenas duas bombas para pôr fim à guerra parecia irresistível. Esta era a mensagem dirigida ao público, mas era também a opinião pessoal de muitos dos líderes envolvidos. Anthony Eden, então ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, afirmou mais tarde:

> Penso que não tivemos outra escolha senão utilizá-la \[a bomba atómica\]… quão terrível deve ter sido a alternativa, quanto tempo deve ter durado e quanto sofrimento teria causado… Não creio que alguém pudesse ter renunciado voluntariamente à possibilidade de encurtar a guerra, apesar do horror da arma.
> (Holmes, pág. 571)

Havia uma segunda razão, mais subtil, para lançar a bomba: demonstrar à URSS que os EUA dispunham agora de uma arma para apoiar a sua visão do mundo do pós-guerra. Na verdade, esta motivação esteve sempre presente enquanto se investiam milhares de milhões de dólares no Projeto Manhattan. Como observou o supervisor geral do projeto, o general Leslie R. Groves:

> Desde cerca de duas semanas após ter assumido a direção deste projeto que nunca tive qualquer ilusão de que a Rússia não fosse o nosso inimigo, e o projeto foi conduzido com base nisso.
> (Dear, pág. 57)

[ ![Attlee, Truman & Stalin, Potsdam, 1945](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21259.png?v=1762809784-1761647420-doadttqn) Attlee, Truman e Estaline, Potsdam, 1945 Unknown Photographer (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/21259/attlee-truman--stalin-potsdam-1945/ "Attlee, Truman & Stalin, Potsdam, 1945")Certamente, o presidente Truman considerava que «apenas um ataque atómico efetivo convenceria Estaline da força irresistível por trás da diplomacia americana» (citado em Liddell Hart, pág. 438). Este reforço foi considerado mais necessário do que nunca na sequência daquilo que foi percebido como a relutância de Estaline em cumprir os acordos celebrados em conferências como as de Teerão e Ialta. Truman estava plenamente ciente de que muitas pessoas nos EUA eram da opinião de que a URSS estava a sair-se melhor no que diz respeito ao controlo do mundo no pós-guerra, uma perceção evidenciada no ditado popular de que os EUA tinham «ganho» a guerra, mas «perdido» a paz.

### Dois Alvos para a Bomba

Resta a questão de onde, exatamente, atacar. Eram necessários dois alvos porque o Projeto Manhattan tinha desenvolvido dois tipos diferentes de bomba. Havia uma que utilizava urânio radioativo e outra que utilizava plutónio para desencadear uma reação nuclear. Dois ataques poderiam também convencer o governo japonês de que mais se seguiriam, mesmo que os EUA não dispusessem, na altura, de mais bombas nucleares. Se duas grandes cidades fossem atingidas em rápida sucessão, o governo militar japonês, de linha dura, poderia muito bem ficar chocado a ponto de se render imediatamente.

A Comissão de Alvos da Força Aérea dos EUA (*US Air Force Target Committee*) escolheu os seus dois alvos para o lançamento da bomba atómica por razões muito específicas. Os cientistas exigiam alvos urbanos maiores do que a explosão prevista, para poderem avaliar o potencial de danos. Não adiantava destruir uma pequena cidade se a maior parte da energia nuclear destrutiva fosse «desperdiçada» na zona rural circundante. Um segundo requisito era que o alvo não estivesse já demasiado danificado por bombardeamentos convencionais, mais uma vez para avaliar com maior precisão o poder destrutivo do dispositivo nuclear. Além disso, quanto mais intactos estivessem os alvos da bomba atómica, maior seria o impacto psicológico do ataque. Pela mesma razão, decidiu-se não dar qualquer aviso antes do ataque, quando este finalmente ocorresse. Por fim, os alvos tinham de possuir instalações militares e industriais, para que o ataque não fosse dirigido diretamente, pelo menos oficialmente, contra civis.

[ ![Little Boy Atomic Bomb](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/22134.png?v=1789996052-1789064783) Bomba atómica Little Boy Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/22134/little-boy-atomic-bomb/ "Little Boy Atomic Bomb")O bombardeamento de Tóquio em 1945, com o uso de bombas incendiárias, tinha causado tanta destruição que a capital não era uma opção viável para um ataque atómico. Outras 63 cidades foram descartadas pela mesma razão. Com alguma dificuldade, foi elaborada uma lista de 10 alvos potenciais. Duas cidades que eram suficientemente grandes e ainda relativamente poupadas pela campanha de bombardeamentos dos EUA foram colocadas em primeiro e terceiro lugar na lista: Hiroshima e Kokura (agora parte de Kitakyushu). A segunda cidade da lista, Quioto, foi rejeitada devido à sua importância histórica e cultural; a consideração aqui era que a sua destruição poderia incitar o povo japonês a continuar a lutar.

Hiroshima, situada no delta do rio Ota, cumpria todos os requisitos. Para além de ser um grande centro industrial, era um importante ponto de concentração do exército. Hiroshima tinha uma população de 280 000 civis e 43 000 soldados. Outra vantagem de Hiroshima era o facto de não possuir um campo de prisioneiros de guerra. A bomba de urânio «Little Boy» foi lançada pelo Boeing B-29 Superfortress *Enola Gay* sobre a cidade de Hiroshima a 6 de agosto de 1945.

Uma variante da bomba de plutónio, batizada de «Fat Man», foi lançada pelo B-29 *Bockscar* três dias depois, mas não sobre Kokura, como previsto, porque nuvens espessas cobriam a área-alvo. Nagasaki, que também constava da lista dos «10 principais», foi selecionada como alvo alternativo. O céu também estava nublado sobre Nagasaki e a bomba foi lançada a 2,4 km (1,5 milhas) do ponto de mira previsto. Consequentemente, os efeitos da bomba não foram tão poderosos como previsto e os estaleiros da Mitsubishi e as fábricas de torpedos não foram, como se pretendia, totalmente destruídos.

[ ![Hiroshima after the Atomic Bomb Attack](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20092.png?v=1788010746-1740582734) Hiroshima após o Ataque com a Bomba Atômica Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20092/hiroshima-after-the-atomic-bomb-attack/ "Hiroshima after the Atomic Bomb Attack")### A Destruição Indescritível

As estimativas variam, mas talvez tenham morrido até 140 000 pessoas no ataque a Hiroshima e 74 000 em Nagasaki. Em ambos os ataques com bombas atómicas, houve dezenas de milhares de sobreviventes feridos e ainda mais que mais tarde sofreram os efeitos negativos da exposição à radiação. Talvez o número real de mortos tenha sido de 300 000 pessoas. Como anunciou a Rádio de Tóquio: «Os mortos são demasiado numerosos para serem contados. O poder destrutivo destas bombas é indescritível» (Moskin, pág. 303).

As duas bombas alcançaram o seu principal objetivo prático: causar choque e pavor. Além disso, o Exército Vermelho da URSS invadiu imediatamente a Manchúria, que se encontrava sob ocupação japonesa. Estaline, ansioso por reivindicar territórios no Leste Asiático, tinha ignorado as abordagens diplomáticas secretas do Japão em busca da paz. Perante a ameaça de mais horror atómico e, agora, de um novo inimigo na URSS, o Imperador Hirohito declarou ao povo japonês a sua disposição para assinar a rendição a 15 de agosto. Com metade do governo militar ainda disposta a continuar a lutar, apesar de tudo, só a intervenção do imperador permitiu a possibilidade de paz. Como o Marquês Kōichi Kido, conselheiro-chefe do imperador, observou mais tarde:

> De certa forma, pode dizer-se que os bombardeamentos atómicos e a entrada da Rússia na guerra contra o Japão ajudaram a provocar o fim da guerra. Se essas coisas não tivessem acontecido, o Japão, naquela fase, provavelmente não teria conseguido parar de lutar.
> (Holmes, pág. 575)

[ ![Devastation of Nagasaki, 1945.](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22165.png?v=1789657106-1789657201) Devastação de Nagasaki, 1945 Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/22165/devastation-of-nagasaki-1945/ "Devastation of Nagasaki, 1945.")Foi permitido ao Imperador Hirohito manter o seu cargo, mas, após renunciar à sua divindade, tal como reivindicado pela religião xintoísta, o seu papel foi redefinido como o de um monarca constitucional. Os Estados Unidos mantiveram então tropas de ocupação no Japão até 1952.

### As Consequências

O Dr. James Bulgin, diretor de história pública dos Museus Imperiais da Guerra (*Imperial War Museums*) do Reino Unido, resume aqui o debate em curso sobre as motivações e os prós e contras do lançamento das duas bombas atómicas:

> A decisão de lançar as bombas sobre o Japão no final da Segunda Guerra Mundial continua a ser extraordinariamente controversa até aos dias de hoje; há quem defenda que a guerra teria terminado sem que fosse necessário utilizá-las. Há quem defenda que, mesmo que, em última análise, tenham desempenhado um papel significativo ao forçar o Japão a render-se, isso simplesmente não pode ser justificado pelo custo humano envolvido. Mas isso é algo que é injustificável em quaisquer circunstâncias. Há quem defenda, por outro lado, que não foram, de facto, as bombas que puseram fim à Segunda Guerra Mundial na Ásia e no Pacífico, mas sim a decisão da União Soviética de declarar guerra ao Japão e de invadir a Manchúria. Estes são temas de discussão contínua e, em última análise, é provável que nunca cheguemos a uma resposta consensual sobre eles.
> (*IWM*)

Independentemente do que seja certo ou errado na utilização de uma arma nuclear, o génio já tinha saído da lâmpada. A questão premente em todos em 1945 era: o que poderia acontecer a seguir? Oppenheimer e muitos outros cientistas proeminentes protestaram contra a utilização da fissão nuclear para fins bélicos e apelaram a medidas para que o controlo das armas passasse a ser da competência de um organismo internacional. Alguns cientistas foram mais longe e apelaram à proibição total das armas nucleares. O que nunca aconteceu. Na verdade, aconteceu o contrário. Os cientistas nos EUA continuaram a fazer experiências e desenvolveram uma bomba ainda mais poderosa, a bomba de hidrogénio, que foi testada pela primeira vez em 1952 nas Ilhas Marshall. A URSS desenvolveu o seu próprio programa nuclear bem-sucedido, tal como vários outros Estados. Agora, nem sequer eram necessários aviões; os foguetões atómicos podiam atingir alvos em qualquer lugar com o simples premir de um botão. As armas nucleares vieram claramente para ficar, e o mundo tem estado com a respiração suspensa desde então, na esperança de que nenhum Estado as volte a utilizar em situação de conflito.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

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- [Holmes, Richard. *The World at War.* Ebury Press, 2026.](https://www.worldhistory.org/books/0091917514/)
- [Horner, David & O'Neill, Robert. *Second World War The Pacific.* Osprey Publishing, 2002.](https://www.worldhistory.org/books/1841762296/)
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- [Why were atomic bombs dropped on Hiroshima and Nagasaki?](https://www.iwm.org.uk/history/second-world-war/victory/why-were-atomic-bombs-dropped-on-hiroshima-and-nagasaki "Why were atomic bombs dropped on Hiroshima and Nagasaki?"), accessed 17 Sep 2026.
- [Wright, Derrick. *Iwo jima.* Osprey, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/8498676258/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Links Externos

- [Why did America drop atomic bombs on Japan?](https://www.iwm.org.uk/history/second-world-war/victory/why-did-america-drop-atomic-bombs-japan)
- [Why were atomic bombs dropped on Hiroshima and Nagasaki?](https://www.iwm.org.uk/history/second-world-war/victory/why-were-atomic-bombs-dropped-on-hiroshima-and-nagasaki)
- [Hiroshima Peace Memorial Museum](https://www.japan.travel/en/spot/893/)
- [The Atomic Bombing of Hiroshima and Nagasaki, August 1945](https://www.archives.gov/news/topics/hiroshima-nagasaki-75)
- [Atomic Bombings of Hiroshima and Nagasaki](https://www.trumanlibraryinstitute.org/media-kit_atomic-bombs/)

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, September 21). Porque é que Hiroshima e Nagasaki foram bombardeadas na Segunda Guerra Mundial?. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2992/porque-e-que-hiroshima-e-nagasaki-foram-bombardead/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Porque é que Hiroshima e Nagasaki foram bombardeadas na Segunda Guerra Mundial?." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 21, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2992/porque-e-que-hiroshima-e-nagasaki-foram-bombardead/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Porque é que Hiroshima e Nagasaki foram bombardeadas na Segunda Guerra Mundial?." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 21 Sep 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2992/porque-e-que-hiroshima-e-nagasaki-foram-bombardead/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 21 September 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

