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title: Relatos na Primeira Pessoa da Guerra do Pacífico: De Pearl Harbor a Hiroshima
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2987/relatos-na-primeira-pessoa-da-guerra-do-pacifico/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-09-04
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# Relatos na Primeira Pessoa da Guerra do Pacífico: De Pearl Harbor a Hiroshima

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A Guerra do Pacífico (1941-45) foi o teatro de operações da Segunda Guerra Mundial em que o [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) do Japão e os Estados Unidos, juntamente com os seus aliados, lutaram pelo controlo de vários arquipélagos, desde as Ilhas [Salomão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-195/salomao/), a sul, até às Ilhas Ryukyu, a norte. Neste artigo, são apresentadas as experiências daqueles que estiveram diretamente envolvidos nas batalhas aéreas, terrestres e marítimas.

[ ![US Infantry Reading Letters from Home, Saipan](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22104.jpg?v=1788426762-1788426855-tibsio7z) Infantaria dos EUA a Ler Cartas de Casa, Saipan Dixon - Signal Corps Archives (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/22104/us-infantry-reading-letters-from-home-saipan/ "US Infantry Reading Letters from Home, Saipan")A Guerra do Pacífico começou para os Estados Unidos com o infame ataque de bombardeiros japoneses à base naval norte-americana em Pearl Harbor, no Havaí, a 7 de dezembro de 1941. O ataque foi levado a cabo antes de ter sido feita qualquer declaração de guerra. O fuzileiro naval Richard Fiske encontrava-se no navio de guerra USS *West Virginia* quando a primeira vaga de ataque se aproximou, e avistou um piloto japonês a sobrevoá-lo:

> Ele tinha um bigode bem espesso e, ao sobrevoar-nos, sorriu de certa forma, olhou para o navio, voou em direção ao hangar e lançou as suas bombas. O segundo grupo de aviões separou-se e um deles veio na nossa direção. Eram bombardeiros de torpedo e um deles atingiu-me, atirando-me para o outro lado do navio… Não fiquei muito assustado naquele momento específico, porque não conseguia imaginar que isto nos estivesse a acontecer: simplesmente não parecia real; parecia um pesadelo. Só compreendi verdadeiramente o impacto disso mais tarde, quando nadei até à costa e então percebi: «Meu [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/), estamos em guerra.»
> (Holmes, págs. 201-2)

Em maio e junho de 1942, os EUA ripostaram contra a Marinha Imperial Japonesa na Batalha do Mar de Coral e na [Batalha de Midway](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2964/batalha-de-midway/). O povo japonês não foi plenamente informado sobre estes reveses, que marcaram o início de uma lenta retirada de volta às ilhas nativas. Naoki Hoshino, o ideólogo fascista, recorda:

> Contaram-nos apenas parte da história de Midway; a Marinha não nos contou a outra parte. O que nos foi dito foi que um porta-aviões tinha sido afundado e outro ficou gravemente danificado. Uma vez que havia quatro porta-aviões envolvidos na batalha, segundo o que ouvimos, três tinham regressado, mas o lado anglo-americano afirmava que todos os quatro tinham sido afundados e havia notícias semelhantes nos seus jornais… Se quatro porta-aviões tivessem sido perdidos em Midway, isso significaria que era impossível para o Japão continuar a guerra de forma eficaz, pelo que, a partir desse momento, os militares nunca mais nos revelaram a situação real.
> (*Idem*, pág. 246)

[ ![Aerial View of Midway Atoll, 1941](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22016.png?v=1786348839-1786349287-a7netcr7) Vista Aérea do Atol de Midway, 1941 US Navy (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/22016/aerial-view-of-midway-atoll-1941/ "Aerial View of Midway Atoll, 1941")O Japão pode ter estado em retirada, mas cada grupo de ilhas ocupadas era defendido vigorosamente, com a intenção de causar o maior número possível de baixas e, assim, dissuadir os EUA e os seus aliados de continuarem as operações anfíbias, persuadindo-os de que uma negociação de paz era a melhor opção. Como observa o correspondente de guerra Richard Tregaskis, os combates eram intensos, mas, nas primeiras fases da guerra, os recursos eram escassos:

> Todos os combates no Pacífico foram realmente acirrados, porque os japoneses estavam numa espécie de tentativa suicida de se manterem firmes… Tínhamos uma fração tão minúscula das forças, do dinheiro e dos recursos humanos dos Estados Unidos. Noventa por cento foram para a [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/)… em Guadalcanal nunca havia o suficiente e o que tínhamos estava tão danificado que só por milagre é que conseguiram sobreviver. Apenas coragem e, bem, determinação.
> (*Ibid.*, págs. 247-9)

Foi levada a cabo uma série de desembarques anfíbios contra sucessivos grupos de ilhas. A fórmula típica de ataque consistia em, primeiro, bombardear a ilha com canhões navais e aeronaves. Um soldado japonês vivenciou um desses bombardeamentos e anotou no seu diário:

> Enquanto alguns aviões sobrevoam e metralham, aqueles grandes bastardos sobrevoam o aeródromo e lançam bombas. A ferocidade do bombardeamento é terrível. Deixa-me mesmo furioso. Já passaram das três horas e o ataque ainda continua. Às seis, os dois últimos aviões puseram fim ao ataque. Que raio de bastardos são estes? A bombardear das seis às seis!
> (Leckie, pág. 34)

[ ![Map of the Allied Pacific Counteroffensive, 1942–1945](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/22056.png?v=1787811143-1787811250) Mapa da Contraofensiva Aliada no Pacífico, 1942–1945 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/22056/map-of-the-allied-pacific-counteroffensive-1942-19/ "Map of the Allied Pacific Counteroffensive, 1942–1945")Após o bombardeamento inicial, os fuzileiros navais eram então desembarcados utilizando veículos de desembarque anfíbios. Depois de estabelecida uma cabeça de praia, podiam ser desembarcadas mais tropas e equipamento mais pesado, como tanques e artilharia, e, em seguida, os invasores avançavam pelo interior da ilha, tendo frequentemente de lutar por cada pé quadrado. A maioria dos soldados norte-americanos eram jovens, tal como aqui descrito pelo fuzileiro naval Lenly Cotton:

> O nosso pelotão era composto — à exceção daquele que já podia votar — por jovens todos com menos de vinte anos. Noventa por cento tinham dezanove anos ou menos; havia tantos com menos de dezoito anos como com mais; cinco ou seis tinham dezasseis, incluindo eu próprio; e um que tinha quinze anos, que conheço pessoalmente.
> (Holmes, pág. 483)

Disseram aos fuzileiros navais que o bombardeamento iria efetivamente aniquilar qualquer oposição ao desembarque. A realidade foi bastante diferente, como aqui recorda o cabo Eddy Owen e a sua experiência em Tarawa:

> Com a informação de que dispúnhamos antes de desembarcarmos, não imaginávamos que houvesse muita oposição, porque nos tinham dito que iriam lançar todas aquelas bombas… Bem, pensávamos que íamos simplesmente entrar, ganhar uma estrela na barra, sabes. Na verdade, a primeira vez que percebi que estavam a disparar contra nós, ainda estava a bordo e estávamos a observar o bombardeamento, as explosões, e vimos coisas a atingir a água e todos pensámos que se tratava de algum tipo de peixe grande. Depois, de repente, alguém gritou e todos nos atirámos para dentro do armário das tintas, e eu desembarquei com os dois joelhos esfolados.
> (*Idem*, págs. 252-3)

Os veículos de desembarque tinham frequentemente de largar os seus homens na água, uma vez que chegar à praia era demasiado perigoso sob fogo intenso, e os veículos eram necessários para regressar aos navios e trazer outra vaga de homens. Isto significava que muitos fuzileiros navais morriam antes de chegarem a terra, como aqui relatado pelo fuzileiro naval Pederson:

> Vi muitos corpos a flutuar na água, muitos fuzileiros navais que ainda tinham as mochilas às costas. Foram eles que sofreram o pior, na verdade, ali na água… foram largados em águas bastante profundas.
> (*Ibid.*, pág. 254)

[ ![US Marines Landing at Saipan](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/22052.png?v=1787217891-1787217992) Desembarque de Fuzileiros Navais dos EUA em Saipan Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/22052/us-marines-landing-at-saipan/ "US Marines Landing at Saipan")As frotas navais que tinham transportado os invasores até uma determinada ilha não estavam imunes a ataques da marinha japonesa, de aeronaves navais e de aeronaves com base em terra. Aqui, o marinheiro George Smith descreve a sua experiência no porta-aviões USS *White Plains* quando este foi atacado por um navio japonês:

> …Ouvi uma explosão na popa. A princípio, pensei que fosse um dos nossos aviões a explodir ali atrás e, quando olhei para cima, vi toda aquela folha de alumínio a cair — era para interferir com o nosso radar — e, claro, foi dado o alarme geral e toda a gente ocupou os seus postos de combate; depois começaram a disparar, tentando calcular a nossa distância. O nosso comandante virou o navio na direção de onde os projéteis caíam, navegando em ziguezague; depois, começámos a lançar fumo… eles atingiram um dos porta-aviões que estava lá atrás e afundaram-no. Chegaram tão perto que conseguíamos ver a bandeira japonesa hasteada.
> (*Ibid.*, pág. 485)

O contraste entre a beleza natural das ilhas do Pacífico a serem atacadas e a realidade da vida selvagem desagradável e perigosa da selva impressionou muitos fuzileiros navais, incluindo Robert Leckie, que aqui descreve Okinawa:

> Vista do mar, esta ilha longa e esguia era linda. As suas imponentes montanhas centrais estendiam-se ao longo da sua espinha dorsal, formando uma graciosa quilha de leste a oeste. O sol parecia beijar a linha das árvores… Ondas suaves banhavam as suas praias brancas, levantando um brilho de sol, água e areia polida por baixo dos bosques de coqueiros que se inclinavam languidamente para o mar, com as suas copas em forma de estrela a balançar.
> Era bela, mas por baixo da sua beleza… era uma massa de lamas, fedor e pestilência; de lagoas cobertas de escória e pântanos repugnantes habitados por crocodilos gigantes; um lugar de aranhas do tamanho do punho e vespas do comprimento de um dedo, de lagartos com o comprimento de uma perna… de formigas que picam como fogo, de sanguessugas das árvores que caem, se agarram e sugam…Durante o dia, enxames negros de moscas alimentam-se de cortes abertos e transformam-nos em úlceras. À noite, os mosquitos surgem em nuvens – trazendo malária, dengue ou qualquer uma de uma dúzia de febres exóticas e imundas.
> (Leckie, págs. 54-5)

[ ![US Marines Attack Tarawa, 1943](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22042.jpg?v=1787035927-1787036095) Fuzileiros Navais dos EUA Atacam Tarawa, 1943 USMC Archives (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/22042/us-marines-attack-tarawa-1943/ "US Marines Attack Tarawa, 1943")Entretanto, atravessar as praias e avançar para o interior era uma ambição frequentemente bloqueada pelo fogo devastador do inimigo e por obstáculos naturais, como cumes elevados onde a areia terminava e a terra propriamente dita começava. O correspondente de guerra Robert Sherod recorda:

> Parecia que havia sempre pessoas a serem alvejadas mesmo ao nosso lado. Depois de ter desembarcado e de estar encostado ao paredão… passou um fuzileiro naval que acenou alegremente a um amigo seu e, de repente, virou-se com uma bala a atravessar-lhe a cabeça.
> (Holmes, pág. 255)

Outro problema era o congestionamento nas praias, como aqui explica o fuzileiro naval Chuck Tatum:

> Nas praias de desembarque à nossa direita, o caos continuava, à medida que os ventos e o mar, cada vez mais fortes, esmagavam embarcações de desembarque abandonadas e viradas de lado. As praias permaneceram fechadas a todo o tráfego, exceto ao de emergência, e os feridos repousavam pacientemente em abrigos preparados à pressa, enquanto os médicos militares faziam o que podiam para salvar-lhes a vida.
> (Wright, pág. 36)

Sair da praia era apenas a primeira fase de uma batalha. A maior parte dos combates na Guerra do Pacífico decorreu em terreno selvático difícil, nos vales e ao longo das cristas rochosas do interior das ilhas, terreno esse que proporcionava o abrigo perfeito para os defensores japoneses. O pior elemento para os fuzileiros navais e as tropas do Exército dos EUA era a determinação de muitos soldados japoneses em lutar até à morte, como explica aqui o Major-General Collins, ao descrever a batalha pelas Ilhas Salomão:

> Era um combate na selva, mas não inteiramente… as nossas tropas, nos combates iniciais, avançaram ao longo das cristas em terreno relativamente aberto. Foi um combate muito difícil porque essas cristas não eram muito largas e, além disso, os japoneses eram combatentes tenazes e nunca desistiam. Tínhamos isolado um regimento japonês que constituía um ponto forte e eles lutaram até que fôssemos obrigados a aniquilá-los. Utilizámos altifalantes depois de os termos cercado e tentámos persuadi-los a render-se, mas eles recusaram-se a fazê-lo.
> (Holmes, págs. 249-50)

[ ![US Flame-Thrower, Saipan](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/22051.png?v=1787217616-1787217742) Lança-chamas dos EUA em Saipan Imperial War Museum (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/22051/us-flame-thrower-saipan/ "US Flame-Thrower, Saipan")Robert Sherod testemunhou as estratégias utilizadas para expulsar os soldados japoneses dos seus esconderijos bem preparados:

> Eles \[os soldados japoneses\] eram extremamente hábeis a escavar nessas ravinas, túneis com quarenta, cinquenta ou até cem pés de comprimento, com inúmeras saídas. Era difícil tirá-los de lá; era necessário recorrer a várias armas — o lança-chamas era sempre eficaz para limpar cavernas. Usava-se torpedos Bangalore, granadas de mão, usava-se até escavadoras… Deve ter havido milhares de japoneses que morreram sufocados em todo o Pacífico porque as suas cavernas foram seladas por escavadoras.
> (*Idem*, págs. 482-3)

À medida que a Guerra do Pacífico se aproximava cada vez mais do território japonês, os combates intensificaram-se e o número de baixas de todos os lados aumentou ainda mais. A [Batalha de Iwo Jima](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2982/batalha-de-iwo-jima/) tornou-se o confronto mais sangrento da guerra em termos de baixas americanas. O sargento da Marinha Wilson Cooke recorda:

> …mantivemo-nos em combate durante vinte e seis dias… Tenho uma fotografia tirada em Iwo da minha companhia. Restam dezasseis de nós, dos duzentos e setenta que lá entraram (… ) Tínhamos perdido tanta gente que o meu comandante simplesmente se aproximou e disse: «Cooke, és o comandante da companhia. Já falaremos mais tarde sobre a tua nomeação como oficial».
> (*Ibid.*, págs. 487 e 490)

Capturar um inimigo frequentemente disposto a cometer suicídio era uma tarefa perigosa, como aqui relata o fuzileiro naval John Greet:

> Na maioria das vezes, tínhamos de usar lança-chamas para os tirar de lá, estavam tão profundamente enterrados. Muito poucos saíam por conta própria e, quando o faziam, normalmente o que estava à frente saía com as mãos no ar e o que estava atrás saía com uma granada. …eles tinham a ideia de que os íamos torturar, tal como fizeram aos nossos rapazes, suponho. Vimos cenas bastante terríveis por lá.
> (*Ibid*., pág. 491)

[ ![Kamikaze Zero & USS Missouri](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/22002.png?v=1785746333-1785746921) Kamikaze Zero & USS Missouri Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/22002/kamikaze-zero--uss-missouri/ "Kamikaze Zero & USS Missouri")A defesa japonesa tornou-se cada vez mais desesperada. Uma característica peculiar da Guerra do Pacífico não foi apenas a tendência suicida dos soldados do exército, mas também os ataques *kamikaze* deliberados, utilizando aviões, foguetes pilotados e barcos. Embora não fossem tão eficazes como os comandantes japoneses esperavam, os ataques *kamikaze* eram, ainda assim, extremamente difíceis de combater. O tenente Frank Manson estava a bordo do contratorpedeiro USS *Laffey* quando este foi atacado por pilotos *kamikaze* (mas não afundado):

> Este ataque durou entre setenta e noventa minutos… Foram vinte e seis aviões que realizaram ataques suicidas contra o nosso navio; sete deles foram abatidos pelos nossos artilheiros, quinze conseguiram falhar o navio e fomos, de facto, atingidos — em cheio — por quatro.
> (*Ibid*., 494)

Para os pilotos *kamikaze* japoneses, as suas missões não eram consideradas apenas em termos de suicídio, como aqui explicado pelo Tenente-General Kawabe:

> Acreditávamos que a nossa convicção espiritual na vitória contrabalançaria qualquer vantagem científica \[dos Aliados\]… Apelidavam os nossos ataques *kamikaze* «ataques suicidas». Trata-se de um termo impróprio, e ficámos muito aborrecidos por os designarem de «ataques suicidas». Não eram, de forma alguma, suicídios. O piloto não partia em missão com a intenção de cometer suicídio. Ele via-se como uma bomba humana capaz de destruir uma determinada parte da frota inimiga pelo seu país. Consideravam isso algo glorioso, enquanto um «suicídio» pode não ser assim tão glorioso.
> (Largas, pág. 38)

A Batalha de Okinawa, entre abril e junho de 1945, foi a última grande batalha da Segunda Guerra Mundial. Este era o lema do 32.º Exército Japonês para a defesa da ilha:

> Um avião por um navio de guerra 
> Um barco por um navio 
> Um homem por dez inimigos ou um tanque
> (Leckie, pág. 31)

Cerca de 150 000 civis japoneses morreram na batalha. Momoko Yonaha era uma habitante de Okinawa recrutada como enfermeira e destinada a servir na linha da frente:

> Escondi-me na montanha o dia inteiro, mas, do ar, os bombardeiros americanos continuavam a bombardear-nos e também fomos alvo de ataques de metralha e de bombardeamentos intensos por parte dos navios de guerra ancorados ao largo da costa. Muitos dos que estavam comigo morreram... Eu já tinha decidido morrer e um dos soldados tinha uma granada de mão e disse: «Vamos todos cometer suicídio», e todos concordámos. E assim que tomámos essa decisão, senti um grande alívio e uma sensação de calma tomou conta de mim. Justamente quando esperava que o soldado puxasse o pino, de repente um dos soldados sacou de uma espada e começou a brandi-la. «Vocês, mulheres e crianças, saiam daqui», disse ele, «não devem morrer aqui.»… Claro que o abrigo antiaéreo onde estávamos escondidos era muito pequeno, por isso bastava dar um passo para trás e já estávamos lá fora. Olhámos para cima e lá vimos um soldado norte-americano a apontar-nos uma pistola, gesticulando com a arma para que saíssemos. Foi assim que consegui sobreviver.
> (Holmes, pág. 494-5)

[ ![Hiroshima after the Atomic Bomb Attack](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20092.png?v=1788010746-1740582734) Hiroshima após o Ataque com a Bomba Atômica Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20092/hiroshima-after-the-atomic-bomb-attack/ "Hiroshima after the Atomic Bomb Attack")Com o número de baixas já tão elevado — cerca de 35% das tropas aliadas envolvidas —, previa-se que o lançamento de novas operações anfíbias contra as principais ilhas do Japão apenas aumentasse essa percentagem. Consequentemente, embora Tóquio e outras cidades já tivessem sido bombardeadas com bombas convencionais, decidiu-se forçar uma rendição rápida através do lançamento de duas bombas atómicas devastadoras, uma sobre a cidade de Hiroshima e a outra sobre Nagasaki, em agosto de 1945. O coronel Paul Tibbets, piloto do Boeing B-29 Superfortress *Enola Gay* que lançou a bomba sobre Hiroshima, descreve os efeitos imediatos da explosão:

> Era um dia claro e ensolarado e a visibilidade era ilimitada; assim, quando voltámos a sobrevoar a zona, virados na direção de Hiroshima, vimos aquela nuvem a formar-se; em dois minutos, estava à nossa altitude — estávamos a trinta mil pés — e a nuvem estava lá em cima e continuava a subir de forma efervescente. A superfície não passava de uma massa negra em ebulição — como um barril de alcatrão; essa é provavelmente a melhor descrição que posso dar. Onde antes havia uma cidade, casas características, edifícios e tudo o mais, agora não se via nada, exceto os destroços negros em ebulição lá em baixo.
> (*Idem*, pág. 571).

Michiko Nakamoto, na altura uma estudante em Hiroshima, descreve como foi ser apanhada por aquele terror negro e fervilhante:

> Eu sabia que algo me tinha acontecido, mas tinha medo de descobrir o que era. Sabia que um lado do meu rosto estava ferido, mas não conseguia levar a mão até lá para ver a gravidade do ferimento. Tinha medo de descobrir; o meu braço estava queimado, os meus pés estavam queimados e eu usava uma blusa de manga comprida — que éramos obrigadas a usar durante a guerra —, mas esta tinha-se queimado e deixou uma marca no braço. Então, uma senhora disse-me que seria melhor descer até ao rio e lavar as queimaduras, por isso tentei fazê-lo, mas a queimadura era tão profunda que não conseguia tocá-la e simplesmente não pude fazer nada.
> (*Ibid*., pág. 574)

O governo militar japonês rendeu-se pouco depois do bombardeamento, pelo que tanto a Guerra do Pacífico como a Segunda Guerra Mundial chegaram ao fim.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Holmes, Richard. *The World at War.* Ebury Press, 2026.](https://www.worldhistory.org/books/0091917514/)
- [Lardas, Mark & Tooby, Adam. *The Kamikaze Campaign 1944–45.* Osprey Publishing, 2022.](https://www.worldhistory.org/books/1472848446/)
- [Leckie, Robert. *Okinawa.* Penguin Books, 1996.](https://www.worldhistory.org/books/B00362AMFM/)
- [Wright, Derrick & Laurier, Jim. *Iwo Jima 1945.* Osprey Publishing, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/1841761788/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Links Externos

- [Guadalcanal 75 Years Later](https://www.loc.gov/collections/veterans-history-project-collection/serving-our-voices/world-war-ii/guadalcanal/)
- [The Digital Collections of the National WWII Museum : Oral Histories | Oral History](https://www.ww2online.org/view/ben-skardon-0?_ga=2.107640449.2051758710.1788421088-1583350599.1788421088)
- [Veterans History Project: Theodore R. Cummings Collection](https://www.loc.gov/collections/veterans-history-project-collection/serving-our-voices/world-war-ii/guadalcanal/item/afc2001001.78232/)

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, September 04). Relatos na Primeira Pessoa da Guerra do Pacífico: De Pearl Harbor a Hiroshima. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2987/relatos-na-primeira-pessoa-da-guerra-do-pacifico/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Relatos na Primeira Pessoa da Guerra do Pacífico: De Pearl Harbor a Hiroshima." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 04, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2987/relatos-na-primeira-pessoa-da-guerra-do-pacifico/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Relatos na Primeira Pessoa da Guerra do Pacífico: De Pearl Harbor a Hiroshima." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 04 Sep 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2987/relatos-na-primeira-pessoa-da-guerra-do-pacifico/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 04 September 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

