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title: Batalha de Midway: Primeira Derrota Naval do Japão na Segunda Guerra Mundial
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2964/batalha-de-midway/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-19
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# Batalha de Midway: Primeira Derrota Naval do Japão na Segunda Guerra Mundial

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A Batalha de Midway, ocorrida entre 4 e 6 de junho de 1942, marcou o ponto de viragem da Guerra do Pacífico. A frota americana do Pacífico afundou quatro porta-aviões japoneses à custa da perda de apenas um porta-aviões norte-americano, o *Yorktown*, e destruiu cerca de 250 aeronaves japonesas. Após Midway, a Marinha Imperial Japonesa, que sofreu a sua primeira grande derrota desde o século XVI, viu-se obrigada a passar à defensiva na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), perdendo território de forma constante até que as próprias ilhas principais do Japão fossem atacadas a partir do final de 1944.

[ ![Destroyed Mikuma, Battle of Midway](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22017.png?v=1786350024-1786350181) Destruição do Mikuma, Batalha de Midway US Navy (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/22017/destroyed-mikuma-battle-of-midway/ "Destroyed Mikuma, Battle of Midway")### O Prelúdio: O Mar de Coral

Até então, na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo militar japonês tinha expandido com enorme sucesso por toda a costa do Pacífico da Ásia Oriental. No final de 1941, o Japão ocupava a Manchúria, Formosa (Taiwan), a Coreia, partes da China costeira e a Indochina Francesa (que incluía o que hoje é o Laos, o Camboja e partes da Tailândia). Em dezembro de 1941, porta-aviões japoneses enviaram aeronaves para atacar Pearl Harbor, no Havai, a base da Frota do Pacífico dos EUA. O plano foi concebido pelo almirante Yamamoto Isoroku (1884-1943), Comandante-em-Chefe da Frota Combinada. Conseguindo uma surpresa total, o ataque causou mais de 3.500 baixas e destruiu ou danificou gravemente 18 navios, incluindo oito couraçados. Crucialmente, nenhum porta-aviões norte-americano se encontrava no porto nesse dia. O presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt (1882-1945), respondeu declarando guerra ao Japão.

No mesmo mês de dezembro, o Japão lançou ataques contra as Filipinas, controladas pelos EUA, e contra a Malásia, Birmânia (Mianmar) e Hong Kong, sob domínio [britânico](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21913/britanico/). Singapura foi capturada em fevereiro de 1942. Durante março e abril, as forças japonesas arrasaram as principais ilhas das Índias Orientais Neerlandesas (Sumatra, Java, Bornéu, Celebes e Nova Guiné). Nem todos os comandantes japoneses de patente superior estavam convencidos de que o Japão devia continuar a confrontar diretamente a Marinha dos EUA, especialmente tendo em conta os sucessos dos exércitos terrestres japonesas, mas o apoio aos planos mais agressivos de Yamamoto no mar cresceu significativamente após o [Ataque Doolittle](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-28790/ataque-doolittle/), quando bombardeiros norte-americanos atacaram a própria Tóquio em abril de 1942.

Um importante prelúdio para a Batalha de Midway, com relevância para determinar quem participaria no confronto, foi a Batalha do Mar de Coral, travada entre 4 e 8 de maio de 1942. Nela, a marinha japonesa tentou ocupar as Ilhas [Salomão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-195/salomao/) e a parte oriental de Papua, mas a Marinha dos EUA estava determinada a impedir uma nova expansão japonesa na região e a defender as suas rotas de abastecimento a partir da Austrália. No combate, os japoneses perderam o porta-aviões ligeiro *Shōhō*, enquanto a Marinha dos EUA perdeu o porta-aviões *Lexington*.

[ ![Map of Imperial Pacific Territories, 1939](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21959.png?v=1784703446-1784703547) Mapa dos Territórios Imperiais do Pacífico, 1939 Emok (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/21959/map-of-imperial-pacific-territories-1939/ "Map of Imperial Pacific Territories, 1939")A batalha foi uma vitória tática japonesa, tendo em conta a tonelagem afundada, mas uma vitória estratégica dos Aliados, uma vez que a expansão japonesa tinha finalmente sido travada. Crucialmente, o porta-aviões japonês *Shōkaku* ficou inoperacional, com extensas avarias no seu convés de voo, e o porta-aviões *Zuikaku* tinha perdido demasiadas aeronaves para conseguir funcionar num futuro próximo. Os japoneses, talvez demasiado confiantes na sua capacidade de usar o que tinham, demoraram bastante a administrar reparações nestes dois navios. Em contrapartida, o porta-aviões norte-americano *Yorktown*, também gravemente danificado, foi reparado com uma velocidade notável para se tornar apto para o combate num espaço de poucos dias. Outro ausente notável em Midway foi o capitão Mitsuo Fuchida (1902-1976), que tinha coordenado e liderado pessoalmente a primeira vaga de ataque de aeronaves em Pearl Harbor. Fuchida foi acometido por uma apendicite e faltou a Midway.

### A Operação MI

A Batalha do Mar de Coral tinha sido a primeira batalha de porta-aviões da história, mas Midway viria a oferecer um confronto muito mais significativo. A Marinha japonesa mantinha-se decidida a atacar e destruir a verdadeira fonte de poder detida pelo inimigo: os seus porta-aviões. Ficou decidido que o local para o fazer seria o Atol de Midway. A importância estratégica de Midway, composto por duas ilhas principais com uma base militar norte-americana, significava que o seu controlo permitiria às forças japonesas ameaçar permanentemente tanto Pearl Harbor como as suas linhas de abastecimento, que retrocediam até à Austrália. O ataque a Midway recebeu o nome de código Operação MI.

O plano japonês incluía um ataque de diversão contra as Ilhas Aleutas ocidentais, o que, esperava-se, atrairia alguns navios inimigos para o extremo norte. Acreditava-se que, se uma força considerável de porta-aviões japoneses se aproximasse de Midway e as ilhas fossem invadidas por uma força terrestre, os EUA não teriam outra alternativa senão enviar a sua frota para defender o território. Os porta-aviões e os couraçados japoneses unir-se-iam então para esmagar a Frota do Pacífico dos EUA, que era menor. O fator crucial para todo o plano era a surpresa, uma vez que só funcionaria se a frota norte-americana não estivesse nas proximidades de Midway no momento da invasão. As aeronaves dos porta-aviões japoneses tinham de concluir o ataque a Midway antes da chegada de quaisquer navios de guerra norte-americanos; caso contrário, os porta-aviões japoneses ficariam altamente vulneráveis a um ataque lançado pelos aviões dos porta-aviões dos EUA.

[ ![Aerial View of Midway Atoll, 1941](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22016.png?v=1786348839-1786349287) Vista Aérea do Atol de Midway, 1941 US Navy (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/22016/aerial-view-of-midway-atoll-1941/ "Aerial View of Midway Atoll, 1941")### As Frotas Oponentes

O Japão enviou para o mar seis porta-aviões, 11 couraçados, 22 cruzadores, 65 contratorpedeiros, 21 submarinos e vários navios de apoio. No total, estiveram envolvidos 165 navios. Reunindo-se inicialmente em Guam, Saipan, Ominato e Hashirajima, as várias frotas separaram-se nos últimos dias de maio em quatro grupos de comando, com Yamamoto a liderar pessoalmente. Um grupo de comando adicional, que incluía dois porta-aviões, rumou às Aleutas. Um sexto grupo de ataque era composto por 214 aeronaves baseadas em terra, dispersas por várias ilhas sob controlo japonês.

O grupo de porta-aviões japonês que se aproximou de Midway era comandado pelo vice-almirante Chuichi Nagumo (1887-1944). A força de invasão terrestre estava sob o comando do almirante Nobutake Kondō (1886-1953). As aeronaves dos quatro porta-aviões, lideradas pelo comandante Minoru Genda (1904-1989), atacariam primeiro as defesas em Midway. O elemento do exército, composto por um regimento reforçado de 5.000 homens, pisaria depois o solo num desembarque anfíbio agendado para 7 de junho. Submarinos e dois hidroaviões seriam enviados em arco na direção de Pearl Harbor para recolher informações de reconhecimento sobre a resposta norte-americana. Tratava-se de um plano complexo com muitos grupos diferentes envolvidos, nenhum dos quais estava suficientemente perto de outro para prestar apoio, caso fosse necessário. Além disso, a calendarização estava planeada ao minuto, havendo pouca margem para atrasos em qualquer um dos elementos do plano de invasão.

A Frota do Pacífico dos EUA, comandada pelo almirante Chester W. Nimitz (1885-1966), contava apenas com três porta-aviões operacionais: o *Hornet*, o *Enterprise* e o recém-reparado *Yorktown*. Os serviços de inteligência militar norte-americanos conseguiram descodificar e juntar fragmentos de comunicações japonesas, informando assim Nimitz sobre o local onde o inimigo tencionava atacar: Midway. Isto significou que o ataque de diversão contra as Aleutas não atingiu o seu objetivo de afastar porta-aviões norte-americanos para aquela zona do Pacífico. Yamamoto teria beneficiado mais se tivesse usado a força das Aleutas para reforçar a sua campanha de Midway. De facto, se alguém foi enganado quanto à localização de determinados navios, foi o próprio Yamamoto. Os japoneses ficaram confusos devido a sinais de rádio deliberadamente falsos emitidos pelos serviços de inteligência dos EUA. Além disso, um voo planeado de reconhecimento fotográfico japonês sobre Pearl Harbor, destinado a verificar se os porta-aviões norte-americanos ainda se encontravam no porto, foi cancelado à última hora. Nimitz concretizou o seu plano de surpreender os japoneses ao chegar a Midway sem ser detetado.

[ ![USS Yorktown, 1942](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21992.png?v=1786993452-1785399906) USS Yorktown, 1942 US Navy (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/21992/uss-yorktown-1942/ "USS Yorktown, 1942")A força-tarefa dos EUA enviada por Nimitz para Midway teria sido comandada pelo vice-almirante William Halsey, mas este encontrava-se doente no hospital. O substituto de Halsey foi o contra-almirante Frank Jack Fletcher (1885-1973), que tinha participado na Batalha do Mar de Coral. Nimitz deu ordens a Fletcher para não defender Midway (pois esta podia ser recapturada mais tarde), mas sim para destruir o maior número possível de navios japoneses, em especial os porta-aviões.

A frota norte-americana estava dividida em dois grupos. O segundo no comando de Fletcher, o contra-almirante Raymond Spruance, partiu de Pearl Harbor a 28 de maio com o *Enterprise*, o *Hornet*, cinco cruzadores e nove contratorpedeiros (Força-Tarefa 16). Fletcher levou o *Yorktown* e uma escolta de dois cruzadores e seis contratorpedeiros (Força-Tarefa 17) de Pearl Harbor a 30 de maio. Os dois grupos de porta-aviões juntaram forças a 2 de junho e rumaram a Midway. O plano de Fletcher consistia em evitar o combate direto com os navios japoneses, preferindo enviar aeronaves para alvejar os porta-aviões. No total, Fletcher dispunha de 221 aviões: 79 caças Wildcat, 101 bombardeiros de mergulho Dauntless e 41 aviões torpedeiros Devastator.

### A Batalha

A força-tarefa japonesa liderada por Nagumo iniciou o seu bombardeamento a Midway a 4 de junho, mas, devido à lentidão dos submarinos em assumir posições e à falta de aeronaves suficientes a fazer o reconhecimento dos mares, faltavam informações precisas sobre qual seria a resposta dos EUA à operação japonesa, nem qual a sua dimensão. A ausência de avistamentos convenceu ainda mais os comandantes japoneses de que a frota norte-americana de Pearl Harbor não chegaria a Midway antes de as ilhas já terem sido conquistadas.

[ ![Admiral Nimitz](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22009.jpg?v=1786096450-1786367907) Almirante Nimitz US Navy (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/22009/admiral-nimitz/ "Admiral Nimitz")Em contrapartida, o reconhecimento norte-americano foi efetuado de forma muito mais minuciosa, e as aeronaves avistaram os navios japoneses a atacar Midway, pelo que Fletcher lançou um ataque aéreo contra eles utilizando bombardeiros a partir das ilhas. As aeronaves de caça, as unidades de artilharia antiaérea e a guarnição de 2.000 fuzileiros navais nas ilhas também se mobilizaram para a defesa. A força de bombardeiros de Midway foi facilmente neutralizada pela proteção de caças dos porta-aviões japoneses, e nenhum conseguiu atingir com sucesso a frota inimiga.

Por volta das 07:00, Fletcher arriscou-se ao lançar aeronaves do *Enterprise* e do *Hornet* para atacar os porta-aviões japoneses, mesmo sabendo que a distância estava no limite absoluto das suas capacidades e que voariam sem a escolta de caças. Os bombardeiros do *Yorktown* foram mantidos em reserva. Por volta das 07:30, Nagumo percebeu que, com a resistência ainda em curso e aviões inimigos importantes ainda intactos, precisaria de enviar uma segunda vaga de aeronaves para atacar Midway, mas foi exatamente nesse momento que recebeu a primeira confirmação de que os navios norte-americanos se aproximavam. O destino quis que o único setor onde os navios dos EUA foram avistados estivesse coberto por um avião cuja descolagem tinha sido atrasada em meia hora devido a um problema técnico. Além disso, nenhum dos porta-aviões japoneses dispunha de radar, ao contrário dos porta-aviões norte-americanos.

Nagumo, após alguma indecisão, decidiu que os seus bombardeiros teriam de ser mantidos a bordo e rearmados com munições mais adequadas para fazer face a esta nova e inesperada ameaça representada pela frota norte-americana. Também precisava de receber de volta os seus caças regressados do ataque a Midway; caso contrário, teriam de amerissar no mar por falta de combustível. Aconteceu que os navios japoneses viraram para norte, e as aeronaves dos porta-aviões norte-americanos deixaram de conseguir localizá-los. Muitos aviões dos EUA tiveram de aterrar em Midway ou amerissar no mar, uma vez que não tinham combustível suficiente para regressar aos porta-aviões. Encontrar e depois identificar o inimigo, dois problemas distintos, estava longe de ser fácil na imensidão do Pacífico.

Um grupo de bombardeiros torpedeiros Devastator dos EUA encontrou alguns navios japoneses, mas todos acabaram abatidos ao depararem-se com o grupo de 50 caças [Mitsubishi A6M Zero](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23552/mitsubishi-a6m-zero/) que já se encontrava no ar para proteger os navios de superfície. Outros dois grupos de bombardeiros de mergulho norte-americanos descolaram dos seus porta-aviões e conseguiram localizar os navios japoneses, mas também sofreram pesadas baixas. Uma das fraquezas da Marinha dos EUA nesta altura era a falta de coordenação entre os grupos de voo lançados a partir de diferentes porta-aviões. Nenhum navio japonês foi atingido por um torpedo. Tratou-se de um início atribulado para a batalha, mas ainda decorria apenas a meio da manhã de 4 de junho.

[ ![Japanese Carrier Soryu Taking Evasive Action, Midway](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22019.png?v=1786367929-1786367929) Porta-aviões Japonês Soryu a Realizar Manobras Evasivas, Midway USAAF (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/22019/japanese-carrier-soryu-taking-evasive-action-midwa/ "Japanese Carrier Soryu Taking Evasive Action, Midway")As aeronaves dos porta-aviões japoneses ainda não tinham descolado quando uma segunda vaga de bombardeiros de mergulho dos EUA, desta vez vindos do *Yorktown*, chegou ao local. Os caças Zero de proteção, algo diminuídos após os primeiros ataques norte-americanos, estavam agora a regressar para reabastecer e rearmar, encontrando-se a baixa altitude quando estes novos bombardeiros — que, ao contrário das vagas anteriores, dispunham da sua própria escolta de caças — chegaram. Os Zero lançaram-se no encalço dos bombardeiros torpedeiros norte-americanos que voavam baixo, mas, muito mais alto no céu, um esquadrão de bombardeiros de mergulho dos EUA também estava a chegar, tendo agora via livre para atacar os porta-aviões japoneses *Kaga*, *Akagi* e *Soryu*. Os porta-aviões foram todos atingidos repetidamente. Tal como em batalhas anteriores, o fogo antiaéreo japonês proveniente das defesas dos próprios porta-aviões revelou-se lamentavelmente ineficaz — ao longo de toda a batalha, apenas 5 aeronaves norte-americanas foram abatidas por fogo a partir da superfície. A presença de tantas bombas das suas próprias aeronaves nos conveses de hangar enquanto os aviões estavam a ser rearmados revelou-se fatal, transformando o que poderiam ter sido impactos de bombas menores em golpes catastróficos. Os três porta-aviões acabaram por afundar-se.

Entretanto, os 58 bombardeiros e caças do porta-aviões *Hiryu* descolaram e seguiram os bombardeiros norte-americanos que agora regressavam à base. Desta forma, o *Yorktown* ficou exposto a um ataque total, sendo atingido primeiro por três bombas e, em seguida, por dois torpedos. Às 15:00, foi dada ordem à tripulação para abandonar o navio, embora o danificado *Yorktown*, sem energia e com uma inclinação de 23 graus, se tenha mantido a flutuar durante mais 48 horas até que um submarino japonês desferiu o golpe de misericórdia com mais dois torpedos. Este submarino afundou também o contratorpedeiro *Hammann*. A vingança pela perda do *Yorktown* foi rápida, uma vez que o *Hiryu* foi atacado do ar por uma força de bombardeiros de mergulho do *Enterprise*. O porta-aviões japonês foi atingido quatro vezes e ficou tão gravemente danificado que teve de ser afundado de propósito na manhã seguinte.

Incrivelmente, Yamamoto tinha perdido quatro porta-aviões em menos de 24 horas, mas estava determinado a prosseguir a batalha. O almirante japonês acreditava que um combate navio a navio podia ser vencido se fosse travado durante a noite, altura em que as aeronaves do inimigo se tornariam muito menos eficazes. O problema era que a maioria dos couraçados e cruzadores de Yamamoto se encontrava a várias centenas de milhas de distância. À medida que estes navios navegavam em direção a Midway, Yamamoto ordenou que o desembarque em Midway fosse abandonado à meia-noite de 4 de junho. Também instruiu os dois porta-aviões da força-tarefa das Aleutas, o *Ryujo* e o *Junyo*, a rumarem a sul. Se conseguisse colocar os seus navios na posição pretendida, incluindo a sua carta trunfo — o supercouraçado *Yamato*, com os seus nove canhões de 46 centímetros —, Yamamoto ainda acreditava que poderia alcançar o seu objetivo original de destruir os porta-aviões norte-americanos. No entanto, isto não passava de pura loucura, uma vez que os dias em que os couraçados trocavam pancada mútua já tinham passado há muito, face à nova dominância das aeronaves.

Occorreu a Fletcher e Spruance que Yamamoto podia tentar agora instigar uma batalha naval mais tradicional, pelo que retiraram prudentemente os seus navios, primeiro para este e redirecionando depois para oeste ao abrigo da escuridão. Esta manobra, juntamente com a perceção de que os dois porta-aviões do ataque às Aleutas não estariam em Midway antes de 8 de junho, levou Yamamoto a retirar os seus navios para oeste nas primeiras horas de 5 de junho.

[ ![Fire on the Yorktown, Midway](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/22020.png?v=1786350855-1786350932) Incêndio no Yorktown, Midway US Navy (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/22020/fire-on-the-yorktown-midway/ "Fire on the Yorktown, Midway")A ação ainda não tinha terminado totalmente, uma vez que uma força-tarefa de quatro cruzadores japoneses estava a realizar, conforme planeado, um ataque noturno a Midway. As ordens para abandonar o ataque tinham sido atrasadas, mas, quando finalmente foram recebidas, a força-tarefa deu meia-volta. Na confusão gerada pela chegada de um submarino dos EUA à zona, os cruzadores japoneses *Mikuma* e *Mogami* colidiram a alta velocidade. O *Mikuma* afundou-se e o *Mogami* ficou gravemente danificado por bombardeiros norte-americanos no dia seguinte. Tendo vencido decisivamente a Batalha de Midway, foi ordenado à frota dos EUA que regressasse a Pearl Harbor na noite de 6 de junho.

### Por que o Japão Perdeu em Midway

As forças norte-americanas tinham perdido um couraçado, um contratorpedeiro e 144 aeronaves. 362 militares tinham morrido (Stille, pág. 91). As forças japonesas perderam quatro porta-aviões, um cruzador pesado e 275 aeronaves. Cerca de 3.500 militares tinham morrido (Marston, pág. 97). A perda dos porta-aviões desferiu o golpe mais severo nas futuras capacidades navais do Japão. As pesadas perdas de pilotos experientes e de equipas de manutenção foram outro revés grave. O povo japonês não foi informado de que quatro porta-aviões tinham sido perdidos em Midway.

Os comandantes norte-americanos tinham utilizado bem a sua inteligência militar, os defensores em Midway tinham combatido com valor, e os pilotos dos EUA tinham efetuado um ataque corajoso e eficaz aos porta-aviões inimigos. Para Genda, a principal explicação para a derrota foi a inteligência militar ter decifrado as mensagens desodificadas japonesas: “A maior razão para o fracasso foi o segredo ter sido divulgado… Midway foi o ponto de viragem” (Holmes, pág. 247).

Os historiadores apontam outras razões para o desfecho da batalha. Yamamoto cometeu vários erros importantes. O historiador M. M. Boatner refere que Yamamoto:

> ...falhou em seguir o ditado napoleónico de concentrar toda a força disponível para o esforço principal; não se posicionou de forma a controlar a ação... falhou ao não informar totalmente os principais comandantes subordinados sobre o plano; foi descuidado na colocação de forças de reconhecimento e de proteção; mas talvez o seu maior defeito tenha sido o excesso de confiança.
> (pág. 622)

Todo o plano de Yamamoto era falhado, uma vez que, mesmo que tivesse sido bem-sucedido, manter Midway e operar forças japonesas a partir de lá teria resultado apenas em constantes ataques de bombardeiros a partir de Pearl Harbor. Nem Midway poderia ter sido utilizada para lançar um ataque surpresa por uma força de porta-aviões contra Pearl Harbor, uma vez que, já escaldados uma vez, os comandantes norte-americanos tinham adotado um conjunto impressionante de medidas de reconhecimento e defensivas para garantir que nunca mais seriam apanhados desprevenidos.

A Batalha de Midway é considerada o ponto de viragem da Guerra do Pacífico. Foi a primeira grande derrota naval do Japão desde o século XVI. Os japoneses tiveram de adiar a sua ofensiva sobre a Papua e abandonar por completo os planos para invadir a Caledónia, Samoa e Fiji. Embora o Japão ainda possuísse forças navais significativas, este foi o início da retirada japonesa até às ilhas natais. O poder económico, industrial e militar dos EUA ficou claramente demonstrado com a construção de 14 porta-aviões da classe Essex em 1943. No entanto, seriam necessários três longos anos de combates para que os EUA derrotassem finalmente o Japão em agosto de 1945.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Boatner, Mark. *The Biographical Dictionary of World War II.* Presidio Press, 1996.](https://www.worldhistory.org/books/0891415483/)
- [Dear, I. C. B. . *The Oxford Companion to World War II.* Oxford University Press, 1995.](https://www.worldhistory.org/books/0198662254/)
- [Holmes, Richard. *The World at War.* Ebury Press, 2026.](https://www.worldhistory.org/books/0091917514/)
- [Horner, David . *Second World War The Pacific.* Osprey Publishing, 2002.](https://www.worldhistory.org/books/1841762296/)
- [Liddell Hart, B. H. *A History of the Second World War.* Pan, 2026.](https://www.worldhistory.org/books/1447266927/)
- [Marston, Daniel. *Pacific War.* Osprey Publishing, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/1849083827/)
- [Smith. *Pearl Harbor, December 7, 1941.* Tgg Direct, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/B00005A06B/)
- [Smurthwaite, David. *The Pacific War Atlas 1941-1945.* Facts on File, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/0816032858/)
- [Stille, Mark . *Midway 1942.* Osprey Publishing, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/1846035015/)
- [Stille, Mark . *The Coral Sea 1942.* Osprey Publishing, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/184603440X/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Links Externos

- [The Battle of Midway: a Bibliography (4th Ed.)](https://www.govinfo.gov/content/pkg/GOVPUB-D201-PURL-gpo69141/pdf/GOVPUB-D201-PURL-gpo69141.pdf)
- [The Battle of Midway](https://www.pacificwarmuseum.org/learn/articles/battle-of-midway)
- [The Battle of Midway through the Eyes of Those Who Were ...](https://www.abmc.gov/news-events/news/battle-midway-through-eyes-those-who-were-there/)
- [Midway - Imperial War Museums](https://www.iwm.org.uk/history/second-world-war/usa/midway)

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, August 19). Batalha de Midway: Primeira Derrota Naval do Japão na Segunda Guerra Mundial. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2964/batalha-de-midway/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Batalha de Midway: Primeira Derrota Naval do Japão na Segunda Guerra Mundial." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 19, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2964/batalha-de-midway/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Batalha de Midway: Primeira Derrota Naval do Japão na Segunda Guerra Mundial." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 19 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2964/batalha-de-midway/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 19 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

