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title: Dez Poemas da Primeira Guerra Mundial
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2874/dez-poemas-da-primeira-guerra-mundial/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-02-26
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# Dez Poemas da Primeira Guerra Mundial

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A Primeira Guerra Mundial (1914-18) estimulou uma vasta onda de produção literária, sobretudo no domínio da poesia. Numa época em que a fotografia e o cinema se encontravam ainda na infância, os poemas, especialmente os redigidos por participantes diretos, eram regularmente publicados em jornais, revistas e antologias, servindo como o principal veículo para transmitir ao público na retaguarda o desenrolar da frente de batalha. Nesta coleção, apresentam-se dez poemas que capturam a pluralidade de experiências durante o conflito. No seu conjunto, estas obras transmitem as realidades brutais da guerra, as aspirações frustradas e as mutações irreversíveis impostas às vidas daqueles que sobreviveram.

[ ![WWI Soldier Writing in the Trenches](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21506.png?v=1768811049-1767608983) Soldado da Primeira Grande Guerra a Escrever nas Trincheiras W. Rider-Rider - Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/21506/wwi-soldier-writing-in-the-trenches/ "WWI Soldier Writing in the Trenches")Todos os poemas transcritos integram a obra *The Penguin Book of First World War Poetry* (*Antologia Penguin de Poesia da Primeira Guerra Mundial*), editada por G. Walter.

**Herbert Asquith**

Herbert Asquith (1881-1947) era filho de Herbert Henry Asquith, o Primeiro-Ministro britânico que liderou o país durante a primeira metade do conflito. Educado em Oxford, Asquith foi incorporado na Artilharia Real de Marinha (Royal Marine Artillery), onde operou baterias antiaéreas. Ferido em combate e enviado para casa no verão de 1915, regressou à frente de batalha um ano mais tarde, vindo a alcançar o posto de capitão.

> *O Voluntário*
> Aqui jaz um caixeiro que passou metade da vida
> Lidando arduamente com livros de [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) numa cidade cinzenta,
> Julgando que assim os seus dias decorreriam
> Sem qualquer lança partida no torneio da existência;
> Contudo, entre os livros e os seus olhos brilhantes,
> As águias reluzentes das legiões surgiram,
> E cavaleiros, investindo sob céus fantasmagóricos,
> Passaram trovejando sob o estandarte.
> E agora esses sonhos expectantes estão satisfeitos;
> Do crepúsculo para a aurora imensa ele partiu;
> A sua lança está partida; mas repousa contente
> Com aquela hora gloriosa em que viveu e morreu.
> Ele, que encontrou a sua batalha por derradeiro fado,
> E não carece de coche fúnebre para o levar daqui,
> Pois vai juntar-se aos homens de Agincourt.
> (pág. 154)

[ ![Rupert Brooke](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21502.png?v=1766131819-1766131970) Rupert Brooke Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/21502/rupert-brooke/ "Rupert Brooke")**Rupert Brooke**

Rupert Brooke (1887-1915) serviu na Marinha Real em Antuérpia antes de ser transferido para o exército e participar na desastrosa Campanha de Gallipoli. Formado pela Universidade de Cambridge e tendo viajado anteriormente pelos Estados Unidos e pelo Pacífico Sul, Brooke capturou em poesia os horrores da Grande Guerra. Tendo sobrevivido à guerra de trincheiras, a morte de Brooke foi cheia de ironias: ele sucumbiu à septicemia causada por uma picada de mosquito, falecendo num navio-hospital no Mar [Egeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-118/egeu/). Escrito em 1914, o seu soneto *The Soldier* (*O Soldado*) ficou indelevelmente associado ao conflito, tornando-se, desde então, leitura obrigatória no currículo escolar britânico.

> *O Soldado*
> Se eu morrer, pensa apenas isto de mim:
> Que existe um recanto num campo estrangeiro
> Que será para todo o sempre Inglaterra. Haverá Nessa terra rica, um pó mais rico oculto;
> Um pó que a Inglaterra gerou, moldou e despertou,
> Que deu, outrora, as suas flores para amar, os seus caminhos para trilhar;
> Um corpo da Inglaterra, respirando o ar inglês,
> Lavado pelos rios, abençoado pelos sóis da pátria.
> E pensa: este coração, despojado de todo o mal,
> Um pulsar na mente eterna, nada menos
> Devolve, algures, os pensamentos dados pela Inglaterra;
> As suas imagens e sons; sonhos felizes como os seus dias;
> E o riso, aprendido com amigos; e a bonomia,
> Em corações em paz, sob um céu inglês.
> (pág. 108)

[ ![Wilfred Owen](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21499.png?v=1766049339-1766049474) Wilfred Owen Imperial War Musuems (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/21499/wilfred-owen/ "Wilfred Owen")**Wilfred Owen**

Wilfred Owen (1893-1918) alistou-se no Exército Britânico em 1915, sofreu de neurose de guerra na Frente Ocidental e, após regressar ao combate, foi condecorado com a Cruz Militar, vindo a sucumbir apenas uma semana antes do armistício com a Alemanha, aos 25 anos. A sua obra poética foi publicada postumamente com grande aclamação, consagrando-o como um dos mais proeminentes poetas de guerra.

> *Hino à Juventude Condenada*
> Que sinos dobram por quem morre como o gado?
> Apenas a raiva monstruosa da artilharia.
> Apenas o gaguejar célere das espingardas
> Pode matraquear as suas preces apressadas.
> Para eles não há escárnio, nem orações, nem sinos;
> Nem vozes de luto, salvo o coro dos obuses
> O coro estridente e demente das granadas em pranto;
> E as cornetas chamando por eles em tristes condados.
> Que velas se acenderão para os encomendar?
> Não nas mãos dos rapazes, mas nos seus olhos
> Brilharão os santos clarões das despedidas.
> A palidez nas frontes das raparigas será o seu manto;
> As suas flores, a ternura de mentes pacientes;
> E cada crepúsculo lento, um fechar de persianas.
> (pág. 131)

**Edgell Rickword**

Edgell Rickword (1898-1982) alistou-se aos 18 anos e ganhou a Cruz Militar em 1917. A guerra de Rickword terminou quando perdeu um olho e foi dispensado por invalidez; mais tarde, teve uma carreira de destaque como jornalista político.

> *Guerra e Paz*
> Nas trincheiras encharcadas, ouvi homens falar,
> Embora entorpecidos e miseráveis, de coisas sábias e espirituosas;
> E amei-os pela teimosia que se agarra
> Ao riso por mais tempo, quando as roldanas da morte rangem;
> E, vendo enfermeiras frias moverem-se com pés incansáveis,
> Fazer coisas abomináveis com graciosidade,
> Considerava-as doces irmãs naquele lugar assombrado
> Onde, com vozes de criança, homens fortes uivam ou balem.
> Mas agora esses homens abandonam a coragem teimosa,
> Viajando com olhos baços e em silêncio no comboio
> Para os bancos dos velhos; ou vendem meias coloridas
> E escutam com pavor a Morte; por isso eu
> Amo as raparigas de riso contido, que agora novamente
> Caminham com delicadeza, em vestidos finos e floridos.
> (pág. 249)

[ ![Robert Graves](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21503.png?v=1766137811-1766137896) Robert Graves Unknown Photographer (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/21503/robert-graves/ "Robert Graves")**Robert Graves**

Robert Graves (1895-1985) nasceu em Londres e serviu na Frente Ocidental antes de ser dispensado por motivos de saúde. Graves tornou-se professor de poesia no Cairo, Maiorca e Oxford, e escreveu sobre as suas experiências durante a guerra no famoso livro *Adeus a Tudo Isso* (título original *Goodbye to All That*) publicado em 1929.

> *A última chamada*
> O corneteiro entoou uma melodia romântica —
> «Apaguem as luzes! Apaguem as luzes!» para a praça deserta.
> Nas notas finas e audazes, lançou uma prece:
> «Deus, se for esse o fado que me aguarda em França...
> Poupai a corneta fantasma enquanto eu jazer
> Morto entre o gás, o fumo e o rugido das armas,
> Morto em fileira com os outros estilhaçados,
> Jazendo tão hirtos e imóveis sob o céu,
> Jovens fuzileiros alegres, bons demais para morrer.»
> (pág. 38)

**Eva Dobell**

Eva Dobell (1867-1973) viajou pela [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/) e África antes de servir como enfermeira durante a guerra, e, após, trabalhou como autora infantil.

> *Em A Soldier's Hospital I: Fibra (Pluck)*
> Aleijado para a vida aos dezassete anos,
> Os seus grandes olhos parecem questionar o porquê:
> Com ambas as pernas esmagadas, talvez tivesse sido
> Melhor morrer naquela trincheira sombria
> Do que arrastar anos mutilado e indefeso.
> Uma criança — tão definhada e tão pálida,
> Ele mentiu para conseguir o que desejava:
> Marchar, um homem entre homens, e lutar
> Enquanto outros rapazes ainda brincam.
> Uma mentira galante, dirá o vosso coração.
> Tão quebrado pela dor, ele encolhe-se de medo
> Ao ver o enfermeiro aproximar-se para o penso;
> E enrola os lençóis em torno da cabeça
> Para que ninguém veja o seu pavor lancinante.
> Ouvem-se os seus soluços trêmulos e sufocados.
> Mas quando o momento temido chega,
> Ele enfrenta-nos, ainda um soldado,
> Observa as suas feridas expostas com ar impassível,
> (Embora as suas pestanas denunciadoras ainda estejam húmidas)
> E fuma o seu cigarro de madeira.
> (pág. 207)

**Gilbert Frankau**

Gilbert Frankau (1884-1954) nasceu em Londres e frequentou Eton. Tendo viajado extensivamente antes da guerra, serviu na França e na [Itália](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-207/italia/) até ser ferido e enviado para casa em 1918. Frankau serviu na Força Área Real (RAF) durante a Segunda Guerra Mundial e foi um romancista prolífico.

> *O Desertor*
> «Sinto muito por ter feito isto, Major»,
> Nós vendámos-lhe o rosto lívido;
> E levámo-lo, antes do pálido sol nascer,
> Para morrer em desgraça.
> As culatas trancadas nos cartuchos;
> As espingardas firmemente apoiadas,
> Enquanto a coronha fria se aninhava na face ainda mais fria
> E a mira se alinhava com o peito.
> «Fogo!», gritou o sargento-ajudante.
> Os canos dispararam mal ele falou:
> E a alma sem vergonha de um homem sem nome
> Elevou-se no fumo da cordite.
> (pág. 163)

[ ![Siegfried Sassoon](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/21500.png?v=1766049709-1766049870) Siegfried Sassoon Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/21500/siegfried-sassoon/ "Siegfried Sassoon")**Siegfried Sassoon**

Siegfried Sassoon (1886-1967) foi nomeado segundo-tenente dos Fuzileiros Reais de Gales (Royal Welch Fusiliers). Lutou na Frente Ocidental e ganhou a Cruz Militar, mas foi dispensado por invalidez em abril de 1917. Sassoon voltou à ação na França e no Oriente Médio e terminou a guerra com o posto de capitão.

> *Eles*
> O Bispo diz-nos: «Quando os rapazes regressarem,
> Já não serão os mesmos; pois terão combatido
> Por uma causa justa: eles lideraram o derradeiro ataque
> Contra o Anticristo; o sangue dos seus camaradas comprou
> Um novo direito de criar uma estirpe honrada;
> Desafiaram a Morte e encararam-na face a face.»
> «Nenhum de nós é o mesmo!», respondem os rapazes.
> «Pois o George perdeu ambas as pernas; e o Bill está cego de todo;
> O pobre Jim levou um [tiro](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-503/tiro/) nos pulmões e está às portas da morte;
> E o Bert apanhou sífilis: não encontrará
> Um rapaz que tenha servido e não tenha sofrido mudança.»
> E o Bispo disse: «Os caminhos de [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) são misteriosos!»
> (pág. 205)

**G. K. Chesterton**

O jornalista e romancista inglês G. K. Chesterton (1874-1936) é principalmente conhecido pelas suas histórias do detetive 'Padre Brown'.

> *Elegia num cemitério rural*
> Os homens que trabalharam pela Inglaterra
> Têm os seus túmulos no lar;
> E as abelhas e os pássaros da Inglaterra
> Podem em torno da cruz voar.
> Mas aqueles que lutaram pela Inglaterra,
> Seguindo uma estrela cadente,
> Ai, ai pela Inglaterra,
> Têm os seus túmulos em terra ausente.
> E aqueles que governam na Inglaterra,
> Reunidos em majestoso conclave,
> Ai, ai pela Inglaterra,
> Ainda não têm sepultura.
> (pág. 245)

[ ![Charlotte Mew](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/21505.png?v=1767607901-1767608020) Charlotte Mew poetryfoundation.org (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/21505/charlotte-mew/ "Charlotte Mew")**Charlotte Mew**

Charlotte Mew (1869-1928) foi uma poetisa inglesa admirada por muitas figuras literárias notáveis, incluindo o autor britânico Thomas Hardy. Mew foi diagnosticada com neurastenia e suicidou-se em 1928.

> *Maio de 1915*
> Lembremo-nos de que a primavera voltará
> Às florestas queimadas e enegrecidas, onde as árvores feridas
> Esperam, com a sua antiga e sábia paciência, pela chuva do céu,
> Certas do firmamento: certas de que o mar enviará a
> sua brisa
> curativa,
> Certas do sol. E, quanto a estes,
> Certamente a Primavera, quando Deus quiser,
> Virá de novo, como uma surpresa divina,
> Para aqueles que hoje se sentam com os seus
> grandes mortos, mãos nas
> Mãos, olhos nos olhos,
> Em união com o Amor, em união com a Dor: cegos para as coisas dispersas e para os céus mutáveis.
> (pág. 204)

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [George Walter. *The Penguin Book of First World War Poetry.* Penguin Classics, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/0141181907/)
- [Kendall, Tim. *Poetry of the First World War.* Oxford University Press, 2014.](https://www.worldhistory.org/books/0198703201/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Links Externos

- [The First World War Poetry Digital Archive](https://war.web.ox.ac.uk/fwwpda)
- [World War I: Poetry by Year](https://www.poetryfoundation.org/articles/70139/the-poetry-of-world-war-i)
- [How the First World War shaped the poetry of Siegfried Sassoon](https://www.iwm.org.uk/history/how-the-first-world-war-shaped-the-poetry-of-siegfried-sassoon)

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, February 26). Dez Poemas da Primeira Guerra Mundial. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2874/dez-poemas-da-primeira-guerra-mundial/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Dez Poemas da Primeira Guerra Mundial." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, February 26, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2874/dez-poemas-da-primeira-guerra-mundial/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Dez Poemas da Primeira Guerra Mundial." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 26 Feb 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2874/dez-poemas-da-primeira-guerra-mundial/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 26 February 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

