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title: Fugir de Colditz: O Notório Campo de Prisioneiros da Segunda Guerra Mundial
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2791/fugir-de-colditz/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-09-03
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# Fugir de Colditz: O Notório Campo de Prisioneiros da Segunda Guerra Mundial

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O Castelo de Colditz, na Saxónia, Alemanha, ergue-se no alto de uma falésia íngreme que se eleva sobre um afluente do rio Mulde. Construído inicialmente no século XI, o imponente castelo foi utilizado, sucessivamente, como manicómio, como sanatório para os ricos e, ao longo da década de 1930, como prisão para os inimigos da Alemanha nazi. Em 1939, o castelo assumiu o seu papel mais famoso: um campo para prisioneiros de guerra aliados que tinham tentado repetidamente fugir de campos menos seguros. Considerado à prova de fugas pelas autoridades do exército alemão que o geriam, os prisioneiros de Colditz tinham outras ideias, algumas das quais resultaram em fracassos ridículos, mas muitas outras foram sucessos audaciosos.

[ ![Colditz Castle](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20918.png?v=1761503292-1756723735) Castelo de Colditz SKOMP46866 (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/20918/colditz-castle/ "Colditz Castle")### Colditz, o Inexpugnável

O campo do Castelo de Colditz entrou em funcionamento em 1939 e recebeu a designação *Offizier Lager IVC*, indicando a sua finalidade como campo de oficiais. Os primeiros detidos foram oficiais polacos e franceses capturados à medida que as táticas de *Blitzkrieg* do Exército alemão traziam uma série de vitórias dramáticas no primeiro ano da guerra. À medida que a guerra se prolongava, muitas outras nacionalidades juntaram-se ao campo. Entre os prisioneiros notáveis em Colditz destacavam-se o ás da RAF Douglas Bader, o líder da revolta de Varsóvia, General Tadeusz Bór-Komorowski, e o fundador dos SAS, Tenente-Coronel David Stirling.

O imponente castelo era certamente uma boa escolha para um campo de prisioneiros. Escavar um túnel, o tradicional método de fuga preferido, era quase impossível, uma vez que o castelo foi construído sobre rocha sólida e havia detetores de som instalados. Ao contrário de outros campos, que eram normalmente cercados apenas por vedações de arame que podiam ser cortadas em qualquer ponto, havia muito poucas formas de entrar e sair do castelo. As minúsculas janelas dos aposentos dos prisioneiros estavam gradeadas e a maioria dava para um precipício de pelo menos 30 m (100 pés). Havia um fosso seco, uma muralha exterior alta, rolos de arame farpado, postos de sentinela regulares, cães de guarda e holofotes, que ficavam continuamente acesos, mesmo durante os ataques aéreos. Por fim, a guarnição de Colditz era sempre mais numerosa do que os prisioneiros.

Mesmo que os prisioneiros conseguissem sair, continuariam a encontrar-se a 650 km (400 milhas) de território não nazi. Parecia muito razoável supor que o castelo era, de facto, à prova de fuga. Por outro lado, para os prisioneiros aliados, a fuga era considerada um dever, e tinham tempo de sobra para elaborar planos de fuga que variavam do ridículo ao sublime. As descobertas regulares de planos de fuga e os consequentes períodos de isolamento ou privação de privilégios não contribuíram de forma alguma para diminuir o entusiasmo em tentar fugir de Colditz.

[ ![WWII Red Cross Parcel](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20921.png?v=1759689248-1756752489) Encomenda da Cruz Vermelha da Segunda Guerra Mundial Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20921/wwii-red-cross-parcel/ "WWII Red Cross Parcel")Os prisioneiros de guerra deviam, nos termos da Convenção de Genebra, ser alojados e alimentados com o mesmo padrão que as tropas da guarnição. Era permitida a correspondência com a família no país de origem. Até [Heinrich Himmler](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23628/heinrich-himmler/) as ter proibido em 1944, podiam ser enviadas aos prisioneiros encomendas de «conforto» da Cruz Vermelha, embora em Colditz elas só chegassem de forma irregular. De acordo com a Convenção, a pena máxima por uma tentativa de fuga falhada não devia ser superior a um mês de confinamento solitário.

As fugas bem-sucedidas exigiam, muitas vezes, ajuda externa. Tal como noutros campos de prisioneiros de guerra, era possível persuadir os guardas de Colditz a fazerem vista grossa ou a fornecerem itens essenciais, como ferramentas, algum dinheiro alemão, uma bússola e documentos como mapas e passes, que permitiam ao fugitivo viajar pelo território controlado pelos alemães sem ser detetado. Os falsificadores criavam documentos únicos, como cartões de identidade, utilizando os roubados como modelos. Os sobornos podiam ser qualquer chocolates, cigarros e qualquer outra coisa adquirida através de encomendas da Cruz Vermelha. Os guardas podiam ver-se chantageados para ajudar em tentativas de fuga se fossem levados a cometer algum tipo de comportamento comprometedor. Por vezes, os guardas alinhavam apenas para, mais tarde, informarem o comandante do campo e frustrarem a fuga a meio da execução. Os fugitivos também tinham de ter cuidado com os seus próprios companheiros. Alguns prisioneiros atuavam como informadores dos guardas, o que gorou muitos planos de fuga.

### As Fugas

Um [castelo medieval](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17024/castelo-medieval/) foi concebido para manter as pessoas de fora, não dentro. Este facto, combinado com o apetite insaciável dos prisioneiros pela liberdade, fez com que fossem feitas centenas de tentativas de fuga. Estas variavam desde improvisações impulsivas do tipo «aproveitar o momento» até planos que levavam meses a preparar. Muitas tentativas foram frustradas antes mesmo de terem início, devido às regulares inspeções e revistas. Tentativas precipitadas de escavar túneis, utilizar o sistema de esgotos, descer do telhado com uma corda ou cortar as barras de ferro das janelas eram rapidamente descobertas devido ao ruído que causavam. Uma tentativa excessivamente ambiciosa de fugir disfarçado de mulher fracassou. Esconder-se em sacos de lixo ou saltar imprudentemente das muralhas do castelo por vezes resultava, mas os guardas eram tão experientes na arte da fuga quanto os prisioneiros. Apesar de todas as dificuldades, cerca de 300 homens conseguiram escapar do próprio castelo.

[ ![Colditz Glider Plans](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20919.png?v=1756751081-1756751256) Planos do Planador de Colditz Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20919/colditz-glider-plans/ "Colditz Glider Plans")Fugir do castelo era apenas metade do trabalho, claro. Todos os homens tinham de comparecer a uma chamada quatro vezes por dia, pelo que, se alguém conseguisse fugir, não demorava muito até que a sua ausência fosse detectada. O comandante também alterava regularmente os horários das chamadas. Desta forma, o verdadeiro desafio era não ser apanhado nas horas e dias que se seguiram à fuga, quando as autoridades vasculhavam todas as estradas e estações ferroviárias à procura do fugitivo, enquanto este tentava atravessar a [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/) ocupada pelos alemães e chegar a território neutro, como Espanha ou a Suíça. Os recursos necessários para realizar tais buscas eram uma das razões pelas quais as tentativas de fuga eram encorajadas.

Um prisioneiro conseguiu sair do castelo escondido num colchão velho quando a roupa de cama antiga estava a ser substituída; foi capturado duas semanas depois em Viena e recambiado para Colditz, algo que acontecia com frequência, pois os alemães continuavam convencidos de que Colditz era o melhor lugar para aqueles prisioneiros que pareciam viciados em fugir. Os prisioneiros nunca se deixavam desanimar pelo insucesso. O objetivo final era, naturalmente, regressar a casa e voltar a participar ativamente na guerra, e a fuga recebeu uma alcunha por parte dos prisioneiros: um *home run* (no basebol *home run* é uma jodaga certeira, no dia-a-dia significa algo bem sucedido). Ao longo da guerra, foram realizados 30 *home runs* a partir de Colditz.

**O *Leapfrog***

Talvez o *home run* mais simples em Colditz tenha sido o do tenente francês Pierre Mairesse-Lebrun; já tinha conseguido fugir uma vez, mas foi apanhado na estação ferroviária local ao tentar gastar uma nota de 100 [francos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13497/francos/) que estava fora de prazo. De volta a Colditz, mas sem se deixar desanimar, Mairesse-Lebrun tentou novamente. Colditz tinha uma pequena área de exercício, e foi ali que Mairesse-Lebrun e alguns prisioneiros franceses jogavam *leapfrog* (jogo tradicional infantil conhecido em português como "salto de rabo-de-peixe" ou "cavalinho"). De repente, Mairesse-Lebrun foi empurrado para cima e voou por cima da cerca de arame, que tinha 2,7 m (nove pés) de altura. Em seguida, teve de escalar o muro do parque. Foi avistado pelas sentinelas em duas torres adjacentes, mas Mairesse-Lebrun fingiu habilmente que ia saltar; os guardas dispararam, mas falharam. Enquanto os guardas recarregavam as armas, Mairesse-Lebrun escalou o muro, correu para entre as árvores e escondeu-se num campo de trigo até que a agitação da busca imediata se acalmasse. Nunca foi capturado. Ao longo de várias semanas, pedalou até à fronteira suíça. A audácia desta fuga aparentemente simples foi repetida um ano mais tarde por um oficial [britânico](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21913/britanico/), contudo foi morto a [tiro](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-503/tiro/) durante a fuga.

[ ![Colditz Glider](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20920.png?v=1756751818-1756751988) Planador de Colditz US Army Photographer (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20920/colditz-glider/ "Colditz Glider")**O Disfarce**

A primeira fuga britânica de Colditz foi organizada por Pat Reid, o oficial britânico responsável pelas fugas. O plano consistia em que o Tenente Airey Neave e o holandês Tenente Tony Luteyn se infiltrassem na guarita alemã a partir dos quartos situados no andar superior, uma tarefa que incluía escavar um túnel por baixo do palco da sala de teatro dos prisioneiros. As sentinelas nunca imaginariam que os prisioneiros pudessem vir dessa direção e, por isso, provavelmente deixá-los-iam sair do castelo sem uma inspeção minuciosa. Os fugitivos tinham confeccionado os seus próprios uniformes alemães utilizando sobretudos holandeses semelhantes, que foram tingidos. Os botões e insígnias alemãs foram feitos de chumbo derretido, enquanto os cintos de couro e os coldres foram feitos de linóleo. À noite, os disfarces podiam até passar despercebidos. O plano resultou. Os fugitivos tiraram então os uniformes exteriores para revelar roupa de civil. Apesar de terem sido apanhados pela polícia, a dupla conseguiu fugir novamente quase de imediato. Neave e Luteyn chegaram ambos à Suíça. Neave acabou por chegar à Grã-Bretanha, onde foi recrutado pelos Serviços Secretos Militares britânicos para dar conselhos sobre fuga que pudessem ser transmitidos a outros prisioneiros de guerra.

**O *Colditz Cock***

Certamente que o plano de fuga mais audacioso de Colditz consistiu em voar para fora do castelo utilizando um planador caseiro. Ainda se conservam os planos desta aeronave, meticulosamente desenhados à escala numa grande folha de papel cor-de-rosa. A aeronave foi concebida pelo Tenente de Voo L. J. E. Goldfinch, que tinha reparado que os flocos de neve eram empurrados para cima por cima do telhado do castelo devido a uma corrente ascendente. Goldfinch pensou que essa corrente ascendente poderia ser suficiente para elevar um planador se este fosse lançado a partir de um telhado com inclinação acentuada. Para impulsionar a descolagem, seria lançada simultaneamente do telhado como contrapeso uma banheira cheia de entulho. Esperava-se que o planador impulsionado permanecesse no ar o tempo suficiente para atravessar o rio Mulde. Ainda mais ambicioso, o planador foi construído para transportar não um, mas dois homens. A estrutura foi construída com madeira retirada de tábuas de cama e de assoalho, enquanto o revestimento exterior foi feito com capas de colchão. O planador, conhecido como *Colditz Cock*, tinha uma envergadura de 9,7 m (32 pés), mas nunca foi posto à prova, uma vez que Hitler emitiu um decreto em 1944 determinando que, doravante, quaisquer prisioneiros fugitivos seriam fuzilados caso fossem capturados. Colditz foi libertado em abril de 1945 e o planador, a ganhar pó num sótão, causou espanto entre as tropas aliadas que o encontraram, servindo como uma lembrança comovente dos esforços extraordinários a que os prisioneiros estavam dispostos a recorrer para fugir do Castelo de Colditz.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Dear, I. C. B. et al . *The Oxford Companion to World War II.* Oxford University Press, 1995.](https://www.worldhistory.org/books/0198662254/)
- [Imperial War Museums - Real Life Escape Stories ](https://www.iwm.org.uk/history/5-stories-of-real-life-escape-attempts-by-allied-prisoners-of-war "Imperial War Museums - Real Life Escape Stories ")
- [Reid, P. R. *The Colditz Story.* Hodder & Stoughton, 2025.](https://www.worldhistory.org/books/1473638267/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Links Externos

- [Imperial War Museums - Five Real Escape Stories](https://www.iwm.org.uk/history/5-stories-of-real-life-escape-attempts-by-allied-prisoners-of-war)

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, September 03). Fugir de Colditz: O Notório Campo de Prisioneiros da Segunda Guerra Mundial. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2791/fugir-de-colditz/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Fugir de Colditz: O Notório Campo de Prisioneiros da Segunda Guerra Mundial." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 03, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2791/fugir-de-colditz/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Fugir de Colditz: O Notório Campo de Prisioneiros da Segunda Guerra Mundial." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 03 Sep 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2791/fugir-de-colditz/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 03 September 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

