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title: O Calypso de Cousteau: O Mais Famoso Barco de Pesquisa
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2779/o-calypso-de-cousteau/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2025-09-18
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# O Calypso de Cousteau: O Mais Famoso Barco de Pesquisa

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Deslizando por recifes tropicais ou patrulhando as águas árticas, o *Calypso* é mundialmente famoso como o navio de pesquisa do explorador subaquático francês Jacques-Yves Cousteau. Visto por milhões em documentários de TV transmitidos por todo o mundo, o *Calypso* ajudou Cousteau e a sua equipa a mostrar as maravilhas subaquáticas nunca antes vistas e a aumentar a conscientização sobre as questões ambientais.

O *Calypso*, conhecido como *BYMS-26*, em 1942, foi lançado à água em Seattle, Washington. O navio serviu honrosamente como caça-minas na Marinha Real Britânica durante a Segunda Guerra Mundial, sob a designação de *J-826*. Após a guerra, o navio teve um período menos glorioso, transportando passageiros e carros entre Malta e Gozo, tendo pelo menos recebido um novo nome: *Calypso*, em homenagem à figura mitológica grega que manteve o herói náufrago Odisseu cativado por sete anos com promessas vagas de imortalidade.

[ ![Calypso, 1980](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20873.png?v=1756960625-1755715337) Calypso, 1980 René Beauchamp (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20873/calypso-1980/ "Calypso, 1980")Cousteau, que na época servia na marinha francesa, já era famoso como coinventor do Aqua-Lung e como explorador subaquático; contudo em 1950 desejou levar as maravilhas do mar para a sala de estar das pessoas. Para tal, precisava de um navio: a marinha recusou-se a oferecer um e Cousteau não conseguia angariar fundos para comprar um. Então, um milagre aconteceu. Após apenas a sua segunda reunião com Cousteau, Loël Guinness, um membro da riquíssima família da companhia de [cerveja](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10181/cerveja/), decidiu ajudar. Guinness disse-lhe para encontrar um navio adequado, que ele financiaria a compra. Cousteau visitou Malta e escolheu o *Calypso*, sem saber como poderia um dia saldar o empréstimo. Na verdade, não precisou. Guinness generosamente arrendou-lhe o navio por apenas uma libra anual. A oferta fantástica veio com duas condições: Cousteau não poderia contar a ninguém sobre o acordo, exceto à sua mulher; e nunca mais poderia pedir dinheiro a Guinness.

Com uma licença de três anos da marinha, Cousteau navegou com o *Calypso* para Antibes, no sul da França, e começou a converter o navio num instituto oceanográfico flutuante de ponta. Incluiu radar, sonar, laboratórios para o estudo da vida marinha, uma oficina para reparo de equipamentos, uma câmara frigorífica para espécimes e com um estúdio fotográfico. A reforma custou uma quantia considerável, dinheiro que Cousteau ainda não tinha: foi obrigado a hipotecar a casa, vender as joias da mulher e, como muitos outros exploradores terrestres antes dele, pedir a pessoas ricas. Chegaram doações generosas, e havia também a esperança de futuros direitos autorais de programas de televisão e livros das expedições que Cousteau planeava produzir e escrever. Cousteau foi astuto o suficiente para perceber que cinema e [ciência](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-351/ciencia/) poderiam ser uma combinação perfeita se apresentados da maneira certa. Esta ideia revolucionaria tanto a ciência exploratória quanto o horário nobre da televisão.

Com 42 metros (139 pés) de comprimento, o *Calypso* era relativamente pequeno: o casco, feito de cedro resistente e praticamente à prova de apodrecimento, permitia-lhe cortar as águas desde os trópicos do Oceano Índico até os blocos de gelo da Antártida, passando pelo poderoso Rio Amazonas. O navio era incrivelmente fácil de manobrar e tinha um calado raso, o que significava que podia ir a quase todos os lugares. Outra vantagem era o convés de popa baixo, ideal para ser usado como plataforma para os mergulhadores. Cousteau chegou a cortar um buraco quadrado no casco para que os mergulhadores pudessem descer diretamente no mar usando uma escada, mesmo com mau tempo.

[ ![Jacques-Yves Cousteau, 1972](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20875.png?v=1755717297-1755717330) Jacques-Yves Cousteau, 1972 Hans Peters (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/20875/jacques-yves-cousteau-1972/ "Jacques-Yves Cousteau, 1972")O resistente e antigo navio oferecia um lar para uma tripulação de cerca de 30 pessoas e estava equipado com um helicóptero e uma plataforma de pouso. Um guindaste podia delicadamente soltar um submersível, que Cousteau chamava de "disco de mergulho", no mar, bem como podia-se lançar um balão de ar quente para obter fotografias aéreas. Além dos seus laboratórios e equipamentos de alta tecnologia, talvez a adaptação mais impressionante do *Calypso* para o seu papel como investigador dos sete mares fosse a falsa divisão na proa, com uma câmara de observação subaquática. Nela, um cinegrafista podia deitar-se num colchão e filmar cenas únicas da vida marinha que passava. Por fim, a chaminé do navio foi pintada com uma nova insígnia: uma ninfa do mar e um golfinho em verde e branco, com a palavra "Calypso" por baixo.

Partindo para explorar os oceanos do mundo em 1951, o *Calypso* serviu bem a Cousteau por mais de 40 anos. O francês produziu uma longa série de filmes e documentários para TV nas décadas de 1960, 70 e 80, que cativaram espectadores a nível mundial. Uma das estrelas dos programas como *O Mundo do Silêncio* (que ganhou um Oscar), *O Mundo Submarino de Jacques Cousteau* e *A Odisseia de Cousteau* era o próprio *Calypso*, geralmente em destaque nos créditos da abertura e ao longo dos programas. Os espectadores viam as mais recentes engenhocas do navio, mas também percebiam que era um refúgio seguro e muito querido para os mergulhadores após longas horas debaixo de água. O navio era um lugar de camaradagem, especialmente na sala de refeições, onde o "Capitão" Cousteau exercia a sua autoridade. Todos os 22 mergulhadores podiam acotovelar-se em torno da mesa, comer ensopado de peixe, discutir o trabalho do dia e examinar mapas presos com garrafas de vinho (o *Calypso* tinha uma adega). Realmente, Cousteau construiu um lar acolhedor, vivendo a vida de constante explorador com a mulher a bordo (raramente vista nos filmes) e dois filhos pequenos registrados como grumetes. Para trabalhar no *Calypso*, era necessário um certo tipo particular de dedicação. Como Cousteau uma vez observou:

> Não posso deixar de pensar que os homens do Calypso assemelham-se, de muitas maneiras, aos do Nautilus de Júlio Verne – homens que foram feridos pela vida em terra e que, a partir de então, depositaram a sua confiança no mar.

[ ![Calypso's Underwater Observation Bow](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20874.png?v=1755715750-1755715909) Proa de Observação Subaquática do Calypso Massecot (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20874/calypsos-underwater-observation-bow/ "Calypso's Underwater Observation Bow")O *Calypso* permitiu que a equipa de cientistas e mergulhadores de Cousteau descobrisse novas espécies, filmasse pela primeira vez habitantes das profundezas, resgatasse artefatos de naufrágios antigos e educasse o mundo sobre o que acontecia sob a superfície do mar. Os programas cheios de ação de Cousteau mudaram dramaticamente a forma como os programas de ciência apresentavam o mundo natural, sendo um dos primeiros a alertar sobre como o delicado equilíbrio da vida oceânica estava sob ameaça em questões ambientais: desde a pesca intensiva de arrasto até a poluição do petróleo. Em meados dos anos 70, o *Calypso* era um dos navios mais famosos do mundo; e o cantor de música country John Denver até escreveu uma música sobre o navio: "Calypso", a canção, alcançou o segundo lugar nas tabelas da Billboard dos EUA.

Em janeiro de 1996 a carreira do *Calypso* teve um fim ignóbil, quando foi atingido por uma barcaça em Singapura, e gravemente danificado, o venerável navio afundou, felizmente, apenas alguns metros de profundidade. Arrastado para fora da lama e levado de volta para França, o *Calypso* ficou no limbo. Cousteau, sempre na senda do melhor, ponderou a construção de um navio completamente novo: o *Calypso II*. Cousteau morreu em 1997 e com ele as esperanças de ressurreição do Calypso. Em 2007, ainda em doca seca na Bretanha, o *Calypso* silenciosamente enferrujado e agora sem mastro, ganhou uma nova esperança: a Fundação Francesa de Património Marítimo e Fluvial concedeu ao navio a categoria de Bateau d'Intérêt Patrimonial (Barco de Interesse Patrimonial). Apesar de ser ter iniciado o restauro, infelizmente, foi interrompido indefinidamente por uma infinidade de contratempos técnicos e disputas legais. Ao que parece, se desejar recuperar a sua antiga glória o *Calypso* deve aguardar por outro Loël Guinness.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Cousteau, Jacques Yves. *Dolphins.* Doubleday, 1975.](https://www.worldhistory.org/books/0385000154/)
- [Cousteau, Jacques-Yves and Phiippe Diole. *Diving for Sunken Treasure.* Doubleday & Company, 1971.](https://www.worldhistory.org/books/B002UAYV9E/)
- [Graham, Ian. *Fifty Ships That Changed the Course of History.* Firefly Books, 2023.](https://www.worldhistory.org/books/0228103649/)
- [Matsen, Brad. *Jacques Cousteau.* Pantheon, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/037542413X/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Links Externos

- [cousteau.org](www.cousteau.org)

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Cartwright, M. (2025, September 18). O Calypso de Cousteau: O Mais Famoso Barco de Pesquisa. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2779/o-calypso-de-cousteau/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "O Calypso de Cousteau: O Mais Famoso Barco de Pesquisa." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 18, 2025. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2779/o-calypso-de-cousteau/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "O Calypso de Cousteau: O Mais Famoso Barco de Pesquisa." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 18 Sep 2025, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2779/o-calypso-de-cousteau/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 18 September 2025. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

