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title: Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2700/exercito-vermelho-na-segunda-guerra-mundial/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-06-14
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# Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O Exército Vermelho (em russo: *Красная армия*, transliterado como *Krasnaya armiya*) da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) iniciou a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) com uma série de derrotas chocantes, mas, a partir do final de 1942, recuperou-se e conseguiu manter o controlo de cidades-chave como a capital Moscovo, Leninegrado (São Petersburgo) e Estalinegrado (Volgogrado). Depois, ao longo de 1943 até ao fim da guerra, o Exército Vermelho acumulou uma série de vitórias importantes, como as batalhas de Smolensk, Kursk e Berlim, que culminaram na derrota da Alemanha nazi em maio de 1945.

### **A Formação e a Evolução**

O Exército Vermelho da União Soviética foi formado em 1918, na sequência da [Revolução Bolchevique](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24625/revolucao-bolchevique/) de Outubro de 1917, que derrubou o regime dos czares. O Exército Vermelho era oficialmente designado por RKKA ou Exército Vermelho dos Trabalhadores e Camponeses (*Raboche-Krest'yanskaya Krasnaya Armiya*), sendo o vermelho a cor mais associada ao bolchevismo. Tornou-se oficialmente o Exército Soviético em 1944.

[ ![Raising a Flag over the Reichstag](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20093.png?v=1777349595-1740729909) Hastear de uma Bandeira sobre o Reichstag Vicktor Temin - Mil.ru. (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/20093/raising-a-flag-over-the-reichstag/ "Raising a Flag over the Reichstag")O Exército Vermelho foi imediatamente chamado a combater o Exército Branco (*Belaya armiya*), ou seja, os apoiantes da monarquia e os antibolcheviques, numa feroz guerra civil (1917-22). A vitória bolchevique nesta guerra foi alcançada graças ao crescente profissionalismo do Exército Vermelho. A transição duma milícia revolucionária para um exército nacional profissional é atribuída a Leon Trotsky (1879-1940) e à incorporação de cerca de 48 000 oficiais e mais de 200 000 suboficiais do antigo exército imperial.

Nas suas operações diárias, o Exército Vermelho era fortemente influenciado pelas ideias do bolchevismo. Por exemplo, a palavra «oficial» foi proibida e só restabelecida em 1935. Em vez disso, utilizava-se o termo «comandante», e cada comandante era obrigado a reportar a um comissário político, que daria a sua aprovação às ordens do comandante. Este sistema dual foi consideravelmente enfraquecido pelas realidades práticas e pelas exigências da Segunda Guerra Mundial, quando a maioria dos comandantes foi deixada a tomar decisões militares, enquanto os comissários se limitavam à instrução política e ao trabalho partidário. Quando a URSS foi atacada pela Alemanha nazi em junho de 1942 ([Operação Barbarossa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24188/operacao-barbarossa/)), o sistema dual foi de certa forma reativado, antes de enfraquecer novamente à medida que a guerra avançava. No entanto, mantiveram-se, ao longo do conflito, tensões entre estes dois grupos diferentes de pessoal de comando.

O líder da URSS a partir de 1924 foi JIóssif Estaline (1878-1953), que nutria uma profunda desconfiança em relação ao seu próprio exército, especialmente quando achava que este apoiava o seu principal rival político, Nikolai Bukharin (1888-1938). Por esta razão, Estaline purificou o Exército Vermelho:

> Cerca de 35 000 oficiais, de um corpo de oficiais de aproximadamente 80 000, foram vítimas das purgas; entre eles, três dos cinco marechais da União Soviética, todos os onze adjuntos do comissário para a guerra, 75 dos 85 comandantes de corpo de exército e 110 dos 195 comandantes de divisão foram mortos.
> (Dear, pág. 962)

Em 1941, ao perceber os danos que tinha causado à capacidade de funcionamento do Exército Vermelho, Estaline trouxe de volta cerca de 4.000 oficiais que tinham sido enviados para campos de prisioneiros.

[ ![Red Army Soldiers](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20129.jpg?v=1778268551-1741079799) Soldados do Exército Vermelho Imperial War Museum (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20129/red-army-soldiers/ "Red Army Soldiers")### **O Recrutamento**

Com a crescente ameaça da Alemanha nazi, em 1939, Estaline decretou que todos os cidadãos soviéticos do sexo masculino (dos 18 aos 36 anos) poderiam ser recrutados para as forças armadas. Os recrutas provinham principalmente da Rússia, da Ucrânia e da Bielorrússia, até que estas áreas se tornaram parte do campo de batalha em 1941. À medida que a guerra avançava, os recrutas passaram a vir também da Rússia Central e Oriental, e surgiram divisões «nacionais» compostas por lituanos, uzbeques e arménios, por exemplo. As divisões «nacionais» tinham normalmente oficiais russos. As unidades de montanha contavam com um forte contingente da Geórgia. Havia também batalhões penais compostos por condenados (incluindo prisioneiros políticos), que totalizavam cerca de 440 000 homens.

As mulheres desempenhavam há muito funções não-combatentes no Exército Vermelho e estavam sempre presentes como médicas e enfermeiras. Após o início da Segunda Guerra Mundial, as mulheres passaram também a desempenhar funções de combate, particularmente em unidades antiaéreas. Havia também muitas mulheres atiradoras de elite (que eram voluntárias) e condutoras de tanques (algumas eram até comandantes de unidades de tanques). No total, «pelo menos 800 000 mulheres serviram nas forças soviéticas durante a guerra» (Rees, pág. 162).

Em 1939, o Exército Vermelho contava com 3 milhões de membros, mas estava a crescer rapidamente. O Exército Vermelho foi dividido em duas partes, uma no Ocidente e outra no Oriente, para enfrentar a ameaça da Alemanha nazi e do Japão militarista, respetivamente. Esta divisão deveu-se ao facto de a fraca rede de transportes da URSS não permitir, na altura, a fácil movimentação de exércitos por áreas tão vastas. Embora a importância da tecnologia fosse reconhecida, mantinha-se um forte preconceito a favor da infantaria como o melhor meio para vencer batalhas.

[ ![Marshal Zhukov](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20306.png?v=1743704933-1743705025) Marechal Jukov (Zhukov) Mikhail Mikhaylovich Kalashnikov (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/20306/marshal-zhukov/ "Marshal Zhukov")### **A Estrutura de Comando e a Organização**

Durante a Segunda Guerra Mundial, o comando do Exército Vermelho estava nas mãos de Estaline, o comandante-chefe supremo. Abaixo de Estaline, mas incluindo-o também, estava o Comité Estatal de Defesa (GKO - *Gosudarstvenny komitet oborony*), que incluía figuras como o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Vyacheslav Molotov (1890-1986), o ministro da Defesa, o marechal Kliment Voroshilov (1881-1969), e o chefe da segurança do Estado, Lavrentiy Beria (1899-1953). A composição era seletiva e variava consoante o desempenho. Abaixo do GKO situava-se a Stavka, um conselho composto por Estaline, um chefe de estado-maior e alguns outros generais experientes. O Estado-Maior do Exército colaborava com a Stavka como sua agência de planeamento e execução. A Stavka só se reunia quando Estaline decidia que devia fazê-lo e, à medida que a guerra avançava, as suas reuniões tornaram-se mais raras. A partir de 1942, Estaline nomeou o seu melhor general, Georgy Zhukov (1896-1974), como vice-comandante-chefe. Durante a Segunda Guerra Mundial, cada frente do exército (também conhecida como grupo de exércitos) era comandada pelo seu próprio conselho de guerra.

Um típico grupo de exércitos soviético era composto por infantaria (conhecida como Riflemen ou *Streltsy*), artilharia (que incluía armas antiaéreas), cavalaria (baseada nas antigas e famosas unidades cossacas e ainda empunhando sabres) e corpos mecanizados (que incluíam tanques e divisões de infantaria motorizada). Ao longo da guerra, o Exército Vermelho carecia de um veículo blindado dedicado ao transporte de infantaria; em vez disso, esperava-se que as tropas de infantaria motorizada apanhassem boleia num tanque. As unidades com bom desempenho ganhavam frequentemente o direito de ter o prefixo «Guarda» antes do seu nome, uma distinção que lhes proporcionava melhores salários, vestuário e equipamento. As unidades de elite do Exército Vermelho eram os Batedores (*Razvedchiki*), recrutados entre os melhores soldados de uma divisão.

### **Os Uniformes do Exército Vermelho**

O uniforme padrão da infantaria era a simples jaqueta *gymnastyorka* de cor cáqui-acinzentada, com calças largas nos quadris e botas de couro de cano alto ou baixo. O uniforme vinha em duas versões: algodão leve para o verão e lã pesada para o inverno. Em climas mais frios, usava-se uma jaqueta acolchoada (*telogreika*), um sobretudo ou um casaco de pele de carneiro (*shuba*). O casaco era enrolado e usado nas costas e sobre um ombro em climas mais quentes. Os Batedores distinguiam-se pelos seus fatos de camuflagem. A camuflagem no inverno era assegurada por fatos brancos com capuz. As unidades de tanques tinham uniformes mais especializados, tipicamente fatos pretos e uma jaqueta de couro. O capacete de aço Modelo 1940 e o boné *pilotka* (soldados alistados) e o boné de pala (oficiais) eram padrão, sendo substituídos por um chapéu de pele (*shapka ushanka*) em condições de inverno.

[ ![Red Army Uniform & PPSh-41 Submachine Gun](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20353.png?v=1744657447-1744657529) Uniforme do Exército Vermelho e Pistola-Metralhadora PPSh-41 Urban (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20353/red-army-uniform--ppsh-41-submachine-gun/ "Red Army Uniform & PPSh-41 Submachine Gun")Os distintivos de patente e insígnias eram bastante discretos nos uniformes do Exército Vermelho, em consonância com o seu espírito proletário. Não havia dragonas antes de 1943, por exemplo, e a patente era indicada por estrelas, losangos, retângulos ou triângulos discretos em metal esmaltado, fixados (ou bordados) nos colarinhos ou numa manga do sobretudo. A patente mais alta de marechal era indicada por uma estrela e uma coroa, enquanto, no outro extremo da escala, um sargento júnior usava um único triângulo. Talvez devido à austeridade do uniforme, os soldados usavam frequentemente medalhas concedidas por bravura no seu uniforme de combate.

### **As Armas**

A URSS tinha-se rearmado significativamente no início da década de 1930, mas isto significava que, em 1941, muitos tanques, em particular, eram muito inferiores aos do Exército Alemão. O Exército Vermelho tinha, pelo menos, um grande número de tanques, uma vez que esta tinha sido uma área prioritária.

Inicialmente, os tanques soviéticos tendiam a ter uma blindagem leve e sofriam de uma falta crónica de peças sobressalentes. A partir de 1942, a situação melhorou consideravelmente. Os tanques médios T34 de 26 toneladas foram produzidos em maior número. Estes tanques eram superiores a qualquer um dos que os exércitos do Eixo colocavam em campo e podiam resistir à maioria das armas antitanque. Em resumo, o T34 «tinha um motor diesel simples (500 cv), boa blindagem, excelente poder de fogo e mobilidade soberba na neve e na lama» (Boatner, 702). O T34 tinha um canhão de 76 mm (2,9 polegadas) e blindagem inclinada com 44 mm (1,75 polegadas) de espessura, capaz de resistir até mesmo aos canhões mais potentes do Eixo. O tanque T34 e outros modelos excelentes, como a série de tanques pesados KV, mais lentos mas bem blindados, também começaram a ser utilizados em grupos de batalha maiores e muito mais eficazes a partir de 1942.

[ ![Red Army T34 Tanks](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20310.png?v=1743707848-1743707934) Tanques T-34 do Exército Vermelho RIA Novosti archive, image #1274 / V. Kaushanov (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20310/red-army-t34-tanks/ "Red Army T34 Tanks")A artilharia do Exército Vermelho era um ponto fraco quando a guerra eclodiu, uma vez que os altos comandantes tinham pensado, imprudentemente, que este tipo de armamento tinha feito o seu tempo e que a guerra moderna seria muito mais móvel. No entanto, a artilharia tornou-se gradualmente um grande ponto forte do Exército Vermelho, com a formação de divisões inteiras de artilharia, que combinavam lançadores de minas, obuses e lançadores de foguetes para operações ofensivas, e divisões especializadas apenas para a defesa, que possuíam obuses e canhões de campanha. As armas de artilharia apresentavam-se normalmente em três calibres: 76, 122 e 152 mm.

Uma arma soviética muito eficaz era o lançador de foguetes BM-13 Katyusha, conhecido como «Órgão de Estaline». Montada num camião, esta arma podia disparar rapidamente 16 foguetes de combustível sólido de 132 mm. Um soldado alemão recordou que esta arma era «a coisa mais terrível e chocante com que alguma vez me deparei» (Stahel, 299). À medida que as unidades de artilharia se tornavam mais fortes no final da guerra, havia «muitas vezes até 375 canhões e morteiros num quilómetro de frente — uma barragem verdadeiramente devastadora» (Zaloga, pág. 21).

A metralhadora PPSh-41, com o seu característico carregador circular de 71 cartuchos, tornou-se um símbolo da infantaria do Exército Vermelho. A arma foi produzida em quantidades muito elevadas, mais de 6 milhões durante a Segunda Guerra Mundial. 34% da infantaria do Exército Vermelho portava uma metralhadora, um número elevado em comparação com apenas 11% da infantaria do Exército Alemão. As espingardas eram mais precisas, mas eram mais caras de produzir e exigiam mais habilidade para disparar do que as metralhadoras, uma arma que tinha uma vantagem distinta em combates a curta distância. Por fim, a metralhadora Maxim Modelo 1910 de 7,62 mm, com as suas rodas de carrinho distintivas, era uma arma útil em combates de rua. Uma fraqueza era a falta de uma arma antitanque com poder de fogo real no exército.

[ ![Female Red Army Radio Operator](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20354.png?v=1744657726-1744657872) Operadora de Rádio do Exército Vermelho Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20354/female-red-army-radio-operator/ "Female Red Army Radio Operator")### **As Grandes Perdas**

Em 1941, o Exército Vermelho contava com cerca de 5,37 milhões de soldados no terreno, podia mobilizar mais 5 milhões e possuía 20 000 tanques (Dear, pág. 963). Embora impressionantes no papel, estes números escondiam muitas fraquezas graves. Nos primeiros meses da guerra, o Exército Vermelho sofria de má organização, pelo que os comandantes se encontravam frequentemente longe das suas tropas e as unidades da linha da frente careciam muitas vezes de munições. Os comandantes raramente demonstravam iniciativa (o que não tinha sido encorajado sob o sistema de comando de Estaline) e dependiam excessivamente da infantaria, mesmo quando enfrentavam divisões blindadas. Havia transporte motorizado insuficiente, a ótica de muitas armas era deficiente, afetando grandemente a precisão, e havia uma dependência excessiva de linhas terrestres vulneráveis, em vez de comunicações de rádio mais seguras e fiáveis.

Outro problema era a utilização dos tanques soviéticos, uma vez que os comandantes soviéticos preferiam distribuí-los pelas unidades de infantaria e utilizá-los exclusivamente como artilharia autopropulsada, em vez de como armas por direito próprio. Além disso, os tanques eram utilizados principalmente em pequenos grupos, o que reduzia significativamente a sua eficácia, especialmente quando enfrentavam as divisões de tanques em massa do inimigo.

[ ![Red Army Maxim Machine Gun](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20352.png?v=1747870030-1744657148) Metralhadora Maxim do Exército Vermelho Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20352/red-army-maxim-machine-gun/ "Red Army Maxim Machine Gun")As deficiências acima referidas ajudam a explicar o desempenho medíocre do Exército Vermelho na Guerra de Inverno de 1939-40, quando Estaline tentou invadir a Finlândia, e no primeiro ano da Guerra Germano-Soviética (1941-5), quando os exércitos de Hitler obtiveram grandes ganhos territoriais a partir de junho de 1941. Os exércitos do Eixo empregaram táticas de *Blitzkrieg* («guerra relâmpago»), ou seja, uma combinação massiva de divisões blindadas e de infantaria motorizada de movimento rápido com apoio de artilharia e aéreo. Os comandantes de Hitler atacavam frequentemente em frentes estreitas para avançar profundamente em território inimigo e, em seguida, cercar exércitos inteiros. Repetidamente, o Exército Vermelho não conseguiu encontrar uma resposta a estas táticas. Em apenas três confrontos violentos, a Batalha de Białystok-Minsk (junho-julho de 1941), a [Batalha de Smolensk em 1941](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2668/batalha-de-smolensk-em-1941/) e a Batalha de Kiev em 1941, cerca de 2 milhões de soldados do Exército Vermelho foram feitos prisioneiros de guerra. Apesar do que lhes tinha sido dito pela propaganda nazi, os soldados do Eixo rapidamente perceberam que os seus homólogos soviéticos podiam ser uma força a ter em conta quando não eram traídos pelos seus superiores. Um relatório de um grupo panzer de julho de 1941 observava:

> O russo luta com dureza e ferocidade, ataca continuamente, é muito habilidoso na defesa… A resistência no campo ressurge constantemente. Muitas vezes, o russo espera, bem camuflado, e só quando a distância é curta é que abre fogo.
> (Stahel, pág. 221)

No total, durante a Operação Barbarossa, o Exército Vermelho perdeu 4 milhões de soldados e 20 000 veículos blindados (Zaloga, pág. 5). A campanha não alcançou o seu objetivo de aniquilar o Exército Vermelho, mas este ficou certamente abalado pelas enormes perdas em pessoal e material. Tal como noutros exércitos, os soldados podiam escrever cartas para casa. Numa carta, [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/) por Aleksandr Yegorov, o soldado relata a morte do seu camarada Pavel Khlomyakov à irmã de Pavel, Mariya:

> A unidade de Pavel atacou a 16 de setembro \[de 1941\]. Dois projéteis inimigos danificaram o seu tanque. O seu mecânico e o artilheiro foram mortos e ele ficou gravemente ferido. Conseguiu sair do tanque e ficou deitado na relva durante muito tempo. Era impossível chegar até ele sob o fogo inimigo; só recebeu assistência médica ao fim da tarde. Foi levado para um hospital de campanha e isto é tudo o que sei…
> (Dimbleby, pág. 452).

[ ![Red Army at Leningrad](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20270.png?v=1771266976-1742975554) Exército Vermelho em Leninegrado RIA Novosti archive, image #58228 / Vsevolod Tarasevich (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20270/red-army-at-leningrad/ "Red Army at Leningrad")### **As Grandes Vitórias**

Por fim, a maré começou a virar. Estaline rebatizou o conflito de «Grande Guerra Patriótica» e apelou a todos para que travassem uma «luta implacável» que tornasse a URSS numa fortaleza. O ditador implacável também impôs uma disciplina rigorosa no Exército Vermelho após as derrotas dos meses de verão. A 16 de agosto de 1941, emitiu a seguinte diretiva:

> Ordeno que: (1) qualquer pessoa que retire a sua insígnia durante a batalha e se renda seja considerada um desertor malicioso, cuja família deve ser detida como família de alguém que quebrou o juramento e traiu a Pátria. Tais desertores devem ser fuzilados no local. (2) aqueles que ficarem cercados devem lutar até ao fim e tentar alcançar as suas próprias linhas. E aqueles que preferirem render-se devem ser exterminados por todos os meios disponíveis, enquanto as suas famílias devem ser privadas de todos os subsídios e assistência do Estado… Esta ordem deve ser lida a todas as companhias, esquadrões e baterias.
> (Dear, pág. 959)

Outro método para garantir que as tropas da linha da frente lutassem conforme exigido foi a formação de unidades do NKVD (*Narodny Komissariat Vnutrennikh Del*), ou seja, unidades da polícia secreta soviética que estavam estacionadas atrás das tropas regulares, prontas para fuzilar desertores ou aqueles que recuassem sem ordens. Estas unidades do NKVD acabaram por representar cerca de 10% do total da infantaria de infantaria.

Havia agora uma organização muito melhor entre os diferentes tipos de divisões, melhores táticas de utilização de blindados e a adição vital de unidades de comunicações especializadas. O Exército Vermelho começou a melhorar consideravelmente a partir de 1943. Outras melhorias incluíram a redução do número de adjuntos políticos, um aumento da artilharia e uma maior distribuição de metralhadoras e de tanques de melhor qualidade. O Exército Vermelho também foi ajudado pelos problemas logísticos enfrentados pelos invasores, agora bem no interior do território soviético, onde a escassez de estradas e as atividades partidárias tornavam cada vez mais difícil o transporte de combustível, munições e suprimentos para a frente de batalha. O clima de inverno apanhou os invasores desprevenidos, com o óleo e os lubrificantes dos seus veículos a congelarem. O Exército Vermelho, em contraste, estava melhor equipado para uma guerra de inverno e podia ser reabastecido a partir de fábricas que já tinham sido transferidas para a segurança da Rússia Central e Oriental. Outra ajuda para o Exército Vermelho de Estaline veio do exterior. O ataque do Japão a Pearl Harbor, a base naval dos EUA no Pacífico, em 7 de dezembro de 1941, significava que a URSS já não estaria ameaçada a leste e que as divisões ali estacionadas poderiam ser transferidas para enfrentar as forças do Eixo a oeste.

[ ![Salute to the Red Army](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20162.jpg?v=1741358882-1741358973) Homenagem ao Exército Vermelho Imperial War Museum (CC BY-NC) ](https://www.worldhistory.org/image/20162/salute-to-the-red-army/ "Salute to the Red Army")A série de derrotas da URSS sofreu uma reviravolta dramática na Batalha de Moscovo (outubro de 1941 a janeiro de 1942), que infligiu a Hitler a sua primeira grande derrota da guerra em terra. Zhukov arquitetou a contraofensiva em janeiro de 1942, que repeliu três exércitos panzer do Eixo e libertou a capital de qualquer ameaça futura. À medida que o Exército Vermelho avançava pela primeira vez após uma longa série de recuos, os horrores perpetrados pelos ocupantes tornaram-se evidentes. As casas tinham sido arrasadas, bens de todo o tipo roubados e civis de todas as idades assassinados. A partir daí, ambos os lados cometeriam regularmente atrocidades, à medida que a guerra se tornava cada vez mais brutal.

Mais vitórias soviéticas surgiram com a defesa bem-sucedida no Cerco de Leninegrado, de setembro de 1941 a janeiro de 1944. O Exército Vermelho, mais uma vez graças ao planeamento meticuloso de Zhukov, venceu a [Batalha de Estalinegrado](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2696/batalha-de-stalingrado/) (julho de 1942 a fevereiro de 1943), destruindo assim o Sexto Exército, o maior de Hitler, e capturando 91 000 soldados do Eixo. O Exército Vermelho venceu o maior confronto de tanques da história, a [Batalha de Kursk](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2704/batalha-de-kursk/) (julho-agosto de 1943). Ao longo de 1944, os invasores do Eixo foram progressivamente expulsos do território soviético. Finalmente, a própria Berlim foi ocupada em abril de 1945, Hitler suicidou-se e a Alemanha rendeu-se. A vitória teve um custo elevado. Mais de 8 milhões de soldados do Exército Vermelho morreram durante a Segunda Guerra Mundial. Outros 5,7 milhões de soldados do Exército Vermelho foram capturados durante a guerra, e 3,3 milhões destes morreram em cativeiro (Rees, pág. 57).

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Dear, I. C. B. & Foot, M. R. D. *The Oxford Companion to World War II.* Oxford University Press, 1995.](https://www.worldhistory.org/books/0198662254/)
- [Dimbleby, Jonathan. *Barbarossa.* Penguin Books Ltd, 2022.](https://www.worldhistory.org/books/0241979196/)
- [Fowler, Will. *Eastern Front in World War II.* Sterling Publishing, 2017.](https://www.worldhistory.org/books/1782745599/)
- [Kirchubel, Robert. *Operation Barbarossa 1941.* Osprey Publishing, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/1846031079/)
- [Rees, Laurence. *War of the Century.* The New Press, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/1565845994/)
- [Stahel, David. *Operation Barbarossa and Germany's Defeat in the East.* Cambridge University Press, 2011.](https://www.worldhistory.org/books/052117015X/)
- [Zaloga, Steven J. . *The Red Army of the Great Patriotic War 1941–45.* Osprey Publishing, 1989.](https://www.worldhistory.org/books/0850459397/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, June 14). Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2700/exercito-vermelho-na-segunda-guerra-mundial/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, June 14, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2700/exercito-vermelho-na-segunda-guerra-mundial/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 14 Jun 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2700/exercito-vermelho-na-segunda-guerra-mundial/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 14 June 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

