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title: Batalha de Moscovo em 1941-2: A Primeira Vitória da URSS
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2686/batalha-de-moscovo-em-1941-2/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-06-16
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# Batalha de Moscovo em 1941-2: A Primeira Vitória da URSS

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A Batalha de Moscovo (outubro de 1941 a janeiro de 1942) foi a primeira grande derrota terrestre da Alemanha na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Embora as divisões panzer do Eixo tenham chegado a 32 km (20 mi) da capital soviética, o Exército Vermelho (*Krasnaya armiya*) da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), liderado pelo marechal Georgi Zhukov (1896-1974), lançou uma série de contra-ataques em dezembro de 1941 que empurraram os invasores de volta para oeste.

A própria Moscovo não foi palco de combates, e a investida contra a capital foi um avanço a mais para os exércitos do Eixo, pelo que a [Operação Barbarossa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24188/operacao-barbarossa/) terminou num fracasso. Apesar de uma série de grandes vitórias no início da campanha, os invasores tinham perdido demasiados homens e material para continuar a operação de forma eficaz. As estradas em mau estado e o clima invernal impediram que novas tropas e abastecimentos do Eixo chegassem à frente de batalha em quantidades suficientes. O Exército Vermelho travou a sua melhor batalha da guerra até então, e a vitória da União Soviética significou que Moscovo estava salva.

[ ![Axis Advance on Moscow, 1941](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20307.png?v=1761768726-1743705552) Avanço do Eixo sobre Moscovo, 1941 National Digital Archives (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/20307/axis-advance-on-moscow-1941/ "Axis Advance on Moscow, 1941")### **A Operação Barbarossa**

[Adolf Hitler](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19717/adolf-hitler/) (1889-1945), o líder da Alemanha nazi, estava confiante, após as rápidas vitórias do Eixo nos Países Baixos e em França em 1940, de que poderia obter ganhos ainda maiores em território e recursos ao atacar a URSS. Hitler, tal como sempre prometera, estava determinado a encontrar *Lebensraum* («espaço vital») para o povo alemão, ou seja, novas terras a leste onde pudessem encontrar recursos e prosperar. Hitler estava convencido de que, ao destruir o Exército Vermelho e tomar cidades de prestígio como Leningrado (São Petersburgo) e Moscovo, a URSS entraria em colapso. Assim, a Operação Barbarossa, o nome de código para o ataque à URSS, foi lançada a 22 de junho de 1941.

A força invasora, composta por forças alemãs, eslovacas, italianas, romenas e finlandesas, entre outras, contava com 3,6 milhões de homens. O comandante geral era o marechal de campo Walter von Brauchitsch (1881-1948). As forças do Eixo foram divididas em três enormes grupos de exércitos: o Grupo de Exércitos Norte (HGr Nord - *Heeresgruppe Nord*) foi encarregado de tomar Leningrado; o Grupo de Exércitos Sul (HGr Süd - *Heeresgruppe Süd*) avançou para conquistar a Ucrânia.; e o Grupo de Exércitos Centro (HGr Mitte - *Heeresgruppe Mitte*), comandado por Fedor von Bock (1880-1945), rompeu as linhas defensivas soviéticas no verão, utilizando táticas de *Blitzkrieg* («guerra relâmpago»), que combinavam apoio aéreo com divisões blindadas e de infantaria de movimento rápido a avançar em frentes estreitas. Foram alcançadas grandes vitórias na Batalha de Białystok-Minsk (junho-julho) e na [Batalha de Smolensk em 1941](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2668/batalha-de-smolensk-em-1941/) (julho-setembro).

### **O Alvo: Moscovo**

Inicialmente, Moscovo não era um dos alvos principais de Hitler, uma vez que este pretendia primeiro destruir o Exército Vermelho no campo de batalha. No entanto, após estas vitórias iniciais, nas quais mais de 650 000 soldados inimigos foram capturados, mudou de ideias e enviou Bock para atacar Moscovo. Houve um atraso de várias semanas nesta decisão, um atraso que os generais de Hitler lamentaram, uma vez que deu tempo ao inimigo para construir melhores defesas em torno da capital. Hitler também tinha desviado os dois grupos blindados do HGr Mitte para ajudar o HGr Nord no [Cerco de Leninegrado](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2680/cerco-de-leninegrado/) e o HGr Sud na [Batalha de Kiev](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2671/batalha-de-kiev/) em 1941. Isto foi considerado necessário para impedir contra-ataques contra os flancos do HGr Mitte, à medida que as suas divisões de infantaria penetravam mais profundamente na URSS. A nova diretiva de Hitler, de 6 de setembro, ordenava a Bock que atacasse a frente do Exército Vermelho que protegia Moscovo, na verdade três frentes: a Frente Ocidental, a Frente de Reserva e a Frente de Bryansk.

[ ![Map of Operation Barbarossa, June - December 1941](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20201.png?v=1778268548-1760939395) Mapa da Operação Barbarossa Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/20201/map-of-operation-barbarossa-june---december-1941/ "Map of Operation Barbarossa, June - December 1941")Hitler já tinha descrito Moscovo como a capital da «conspiração mundial judaico-bolchevique» contra a Alemanha (Rees, pág. 14). A cidade tinha certamente um valor de prestígio, mas era também o mais importante centro de transportes e comunicações da URSS. Tomar Moscovo, então, destruiria certamente um dos grandes inimigos do nazismo. A 2 de outubro, foi lançado o ataque do Eixo às frentes de Moscovo, com o nome de código Operação Tufão. O objetivo era uma aposta: tomar Moscovo antes que o inverno russo chegasse e o Exército Vermelho pudesse recorrer a enormes reservas vindas do leste.

As posições do Exército Vermelho nas cidades de Bryansk e Vyazma eram os últimos obstáculos no longo caminho para Moscovo. Mais uma vez, a má liderança, o armamento antiquado e o desperdício de tanques ao utilizá-los apenas em pequenos grupos significaram que a resistência aos invasores foi insuficiente para evitar a derrota em Vyazma, a 10 de outubro, e em Bryansk, a 13 de outubro. Outros 650 000 prisioneiros soviéticos e 1 200 tanques foram capturados nas duas batalhas combinadas, à medida que os panzers do Eixo utilizavam as suas já familiares manobras de pinça e cerco. A seguir, a 14 de outubro, Kalinin foi capturada. A 18 de outubro, Mozhaysk foi tomada. Ambas as cidades eram fundamentais para as linhas defensivas de Moscovo, mas, nos gigantescos cercos realizados até então na Operação Tufão, pelo menos 200 000 soldados do Exército Vermelho conseguiram escapar para continuar a lutar. O exército do Eixo aproximava-se de Moscovo enquanto a força aérea do Eixo começava a bombardear a capital, mas apenas em pequenos ataques.

### **Os Problemas de Logística**

As vitórias do Eixo tinham-se traduzido num custo cumulativo em homens e material e agora isso começava a fazer-se sentir. O Exército Vermelho em retirada era muito meticuloso na destruição de tudo o que pudesse ser útil ao inimigo em avanço. Crucialmente, Estaline tinha transferido a maior parte da produção para a segurança da Rússia Central e Oriental, e este plano agora dava frutos, uma vez que as perdas no terreno podiam ser repostas e os abastecimentos fornecidos às tropas sob ataque contínuo. Os exércitos do Eixo, por outro lado, enfrentavam dificuldades cada vez maiores para obter os seus abastecimentos, dadas as grandes distâncias envolvidas à medida que avançavam mais profundamente na Rússia. Como observou o General Hasso von Manteuffel (1897-1978): «Os espaços pareciam intermináveis, o horizonte nebuloso. Estávamos deprimidos pela monotonia da paisagem e pela imensidão das extensões de floresta, pântano e planície» (Stone, pág. 146).

[ ![Field Marshal Fedor von Bock](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20175.png?v=1741637620-1741637689) Marechal de Campo Fedor von Bock Bundesarchiv, Bild 146-1977-120-11 (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20175/field-marshal-fedor-von-bock/ "Field Marshal Fedor von Bock")As estradas eram precárias ou inexistentes, as pontes eram poucas e distantes entre si, e as aldeias não tinham muito a oferecer em termos de abastecimentos. A logística alemã foi também severamente desafiada pelas ordens de Estaline para que os guerrilheiros sabotassem os abastecimentos do Eixo sempre que possível. Para além de tudo isso, as condições do final do outono de 1941 tornaram as poucas estradas existentes lamacentas, pelo que a logística se tornou extremamente difícil. À medida que o inverno se aproximava, surgiram mais problemas. A Operação Barbarossa não estava destinada a durar tanto tempo e, agora, a falta de profundidade de força do exército invasor, após sofrer perdas regulares durante cinco meses, começava a fazer-se sentir. As reservas do Eixo eram totalmente inadequadas para uma longa campanha. Muitas das tropas do Eixo careciam de equipamento essencial e até mesmo de vestuário adequado para as condições invernais.

### **As Defesas de Moscovo**

Em meados de outubro, quando a Operação Typhoon teve início, muitos moscovitas estavam convencidos de que a sua cidade cairia tal como Minsk, Smolensk e Kiev. As autoridades tinham uma visão igualmente pessimista. Até mesmo o corpo embalsamado de Vladimir Lenin (1870-1924), fundador da Rússia Soviética, foi transferido para um local seguro. Muitas pessoas tentaram partir de comboio ou de barco, mas as opções eram poucas depois de mais de um milhão de pessoas terem sido previamente evacuadas. Havia rumores de que as tropas do Eixo já tinham entrado na cidade. Ióssif Estaline (1878-1953), o líder soviético, reagiu às derrotas iniciais e à natureza brutal da campanha declarando esta uma «Guerra Patriótica», na qual todos deviam oferecer ao inimigo nada menos do que uma «luta implacável».

Significativamente, o próprio Estaline permaneceu em Moscovo e foi visto na Praça Vermelha a supervisionar um desfile. Estaline endureceu a sua postura perante a população. Foi imposto um recolher obrigatório a partir de 20 de outubro. Unidades armadas da polícia secreta, a NKVD (*Narodny Komissariat Vnutrennikh Del*), mantiveram a ordem pública e reduziram os saques. Seriam impostas punições àqueles que não lutassem conforme exigido. Estaline ordenou que os desertores fossem sumariamente fuzilados. O Exército Vermelho e o povo de Moscovo estavam, no entanto, determinados a que a invasão do seu país parasse ali e que a resistência começasse. O líder soviético apelou para que toda a cidade se tornasse uma fortaleza, e foi isso que aconteceu. As ruas foram barricadas e repletas de obstáculos antitanque. 90 000 soldados defenderam a própria cidade. Foram formadas divisões de trabalho e milícias, num total de 65 000 homens, a partir da população civil. 600 000 civis, armados com pás e picaretas, cavaram um enorme arco de valas antitanque para proteger Moscovo.

[ ![Barricaded Streets, Moscow, 1941](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20308.png?v=1743707076-1743707094) Ruas Barricadas, Moscovo, 1941 RIA Novosti archive, image #604273 / Arkadyi Shaikhet (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20308/barricaded-streets-moscow-1941/ "Barricaded Streets, Moscow, 1941")Um residente de Moscovo, o Dr. Grigori Tokaty, recorda a ação coletiva dos civis da capital:

> Literalmente centenas de milhares de mulheres e pessoas com crianças, idosos, cavavam linhas de defesa ao mesmo tempo nos arredores de Moscovo. Centenas de milhares de pessoas comuns, sem terem sido mobilizadas, a fazer tudo o que era possível pela sua cidade, pela sua história.
> (Holmes, pág. 185)

A defesa de Moscovo foi orquestrada pelo marechal Zhukov, o melhor comandante da União Soviética. Zhukov assumiu o cargo em meados de outubro e insistiu que precisava de mais homens, tanques, artilharia e foguetes para montar uma defesa eficaz. Estaline [prometeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11877/prometeu/)-lhe isso e, em troca, Zhukov declarou: «vamos defender Moscovo» (Rees, pág. 71). Três semanas de chuva ajudaram o Exército Vermelho a organizar-se, uma vez que os atacantes não podiam avançar para Moscovo. Ao todo, nove exércitos de reserva ficariam estacionados atrás do rio Volga, num total de cerca de 900 000 homens.

A ofensiva aérea do Eixo contra Moscovo estava em curso desde agosto, mas era uma operação fragmentada, devido à necessidade de aeronaves em muitos outros locais. A falta de um bombardeiro pesado especificamente concebido para o efeito na Luftwaffe, tal como tinha acontecido na Batalha da Grã-Bretanha, constituía outra fraqueza grave. As aproximações a Moscovo estavam bem protegidas por «800 canhões antiaéreos médios, mais de 600 grandes holofotes e quase 600 caças» (Stahel, pág. 305). A própria cidade dispunha de centenas de canhões antiaéreos adicionais e de mais de 100 balões de barragem. No total, «os ataques mataram apenas 736 moscovitas e feriram mais 3.513» (Kirchubel, pág. 57). Entretanto, a Força Aérea Vermelha (*Voenno-Vozdushnye Sily*) começou a atacar os aeródromos do Eixo, conquistando assim a supremacia aérea. Se a capital fosse tomada, isso teria de ser feito por divisões de infantaria e blindadas no solo.

[ ![Civilians Digging Defences, Moscow, 1941](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20160.png?v=1778268561-1741339007) Civis Cavando Defesas, Moscovo, 1941 United States Information Agency (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/20160/civilians-digging-defences-moscow-1941/ "Civilians Digging Defences, Moscow, 1941")### **O Tufão Estagna**

Quando as chuvas cessaram e o terreno começou a endurecer a 15 de novembro, a Operação Tufão foi retomada a sério. Os dois principais comandantes dos grupos panzer eram Georg-Hans Reinhardt (1887-1963) e o General Heinz Guderian (1888-1954). Ambos os comandantes panzer avançaram sobre Moscovo e tentaram uma manobra de cerco a sudeste e a norte. Na extremidade norte da frente do Eixo, o Terceiro Grupo Panzer chegou ao canal Moscovo-Volga a 27 de novembro, apenas 60 km (37 mi) a norte de Moscovo. O Segundo Exército Panzer, na extremidade sul da frente, encontrava-se junto ao rio Oka, 100 km (62 mi) a sudeste de Moscovo. A 4 de dezembro, no meio da frente, o Quarto Grupo Panzer tinha avançado até ficar a 32 km (20 mi) de Moscovo. Os soldados em avanço imaginavam ver as torres do [Kremlin](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22579/kremlin/) no horizonte distante, mas a ponta de lança do Eixo já estava cega. As divisões de panzer estavam bastante desgastadas após o seu uso excessivo nas campanhas anteriores contra Leninegrado e Kiev (Kyiv), e não dispunham de reservas. Como observou o comandante Hasso von Manteuffel (1897-1978), «a dispersão \[anterior\] foi o principal fracasso da campanha e, quando Hitler ordenou o ataque a Moscovo no final de outubro, não dispúnhamos de forças suficientes para atacar» (Holmes, pág. 185). No final de novembro, o Intendente-Geral Edward Wagner relatou sem rodeios: «Estamos no limite das nossas capacidades em termos de pessoal e material» (Dear, pág. 89).

A artilharia do Eixo disparou contra Moscovo, mas foi apenas um gesto simbólico. O avanço até 4 de dezembro revelou-se o ponto alto do Eixo. A maré da Frente Oriental estava prestes a inverter-se. Os desenvolvimentos da guerra noutros locais também não favoreceram Hitler. Com o ataque do Japão a Pearl Harbor, a base naval dos EUA no Pacífico, em 7 de dezembro, a Segunda Guerra Mundial expandiu-se repentinamente. Mais importante ainda para a batalha de Moscovo, o Japão iria agora concentrar-se no Pacífico e, por isso, deixaria de ser uma ameaça direta para a URSS. Estaline podia, portanto, transferir tropas da Rússia Oriental para a Frente de Moscovo. Utilizando nove linhas ferroviárias, chegava uma nova divisão a Moscovo a cada dois dias e, no total, foram adicionadas 70 divisões à defesa da cidade. Por outro lado, Bock dispunha de apenas uma linha ferroviária para reabastecimento. No início de dezembro, o Exército Vermelho contava com cerca de 4 milhões de homens para defender a capital, enquanto o exército do Eixo somava cerca de 2,7 milhões (Kirchubel, pág. 78).

[ ![Moscow Air Defences, 1941](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20309.png?v=1743707398-1743707464) Defesas Aéreas de Moscovo, 1941 RIA Novosti archive, image #887721 / Knorring (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20309/moscow-air-defences-1941/ "Moscow Air Defences, 1941")### **A Contra-Ofensiva de Zhukov**

Zhukov mobilizou os seus agora impressionantes recursos para uma série de contra-ataques, que começaram a 6 de dezembro de 1941. Zhukov destacou 100 divisões de homens bem equipados ao longo de uma frente com 320 km (200 mi) de extensão. As forças do Eixo estavam preparadas para atacar Moscovo e, por isso, não estavam preparadas em termos de defesa. «Não se tendo dado ao trabalho de construir uma frente sólida enquanto estavam em movimento, os exércitos alemães não conseguiam nem entrincheirar-se no solo gelado nem colmatar as lacunas entre si» (Dear, pág. 343). As tropas que conseguiram recuar bloquearam rapidamente as estradas estreitas que conduziam para oeste. O general Franz Halder (1884-1972), chefe do Estado-Maior do Exército de Hitler, descreveu a situação como «a maior crise das duas guerras mundiais» (*Idem*).

Em meados de dezembro, o contra-ataque do Exército Vermelho tinha-se transformado numa contra-ofensiva em grande escala. Zhukov estava determinado a empurrar o inimigo de volta para o ponto onde a Operação Tufão tinha começado. Tudo parecia estar a correr contra os invasores. Devido a doença, Bock teve de ser substituído por Günther von Kluge (1882-1944) como comandante do HGr Mitte a 19 de dezembro de 1941. Zhukov continuou a avançar e, a 7 de janeiro de 1942, as forças do Eixo estavam de volta ao ponto onde tinham começado em novembro anterior.

Os soviéticos lutaram ferozmente e utilizavam agora o novo tanque T34 e outros modelos em grupos de combate maiores e muito mais eficazes. Os tanques T-34 de 26 toneladas eram superiores a qualquer outro utilizado pelos exércitos do Eixo e podiam resistir à maioria das armas antitanque. Em resumo, o T-34 «tinha um motor diesel simples (500 cv), boa blindagem, excelente poder de fogo e mobilidade soberba na neve e na lama» (Boatner, pág. 702). Outra arma soviética muito eficaz, e altamente secreta, era o lançador de foguetes BM-13 Katyusha. Montada num camião, esta arma podia disparar rapidamente 16 foguetes de 132 mm. Talvez surpreendentemente, a cavalaria do Exército Vermelho — que constituía 15 divisões — foi outra arma eficaz da contra-ofensiva.

[ ![Red Army T34 Tanks](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20310.png?v=1743707848-1743707934) Tanques T-34 do Exército Vermelho RIA Novosti archive, image #1274 / V. Kaushanov (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20310/red-army-t34-tanks/ "Red Army T34 Tanks")O exército de Zhukov não estava, na verdade, totalmente preparado para um grande avanço contra o inimigo, uma vez que a sua logística para a guerra móvel ainda era inadequada. O exército do Eixo tinha, porém, problemas muito maiores. A maioria dos cavalos de que a artilharia do Eixo dependia para transportar o seu equipamento morreu de insuficiência cardíaca na neve. As temperaturas gélidas estavam a causar sérios problemas com o equipamento, como aqui recorda o tenente de artilharia Heinrich Schmidt-Schmiedebach:

> No início não era assim tão mau, talvez quinze ou vinte graus abaixo de zero, e não havia perigo para as nossas armas. Mas, de repente, a certa altura, as espingardas deixaram de disparar. Este foi o ponto de viragem na guerra de inverno, penso eu, e foi o momento mais difícil para os soldados. O óleo lubrificante que tínhamos não era adequado para este inverno subártico, mas os russos tinham o óleo lubrificante adequado para as suas armas.
> (Holmes, pág. 189)

A maioria das tropas do Eixo teve de dormir em buracos na neve. Walter Schaefer-Kehnert, que pertencia a uma unidade de panzers na linha da frente, comentou: «Tivemos enormes perdas devido a dedos dos pés e das mãos congelados durante a noite» (Rees, pág. 78). Estes foram os sortudos; outros simplesmente morreram congelados. Algumas unidades tinham roupa de inverno, mas não em quantidade suficiente, e os stocks de provisões ficaram bloqueados na Polónia. Na Alemanha, o Ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels (1897-1945), viu-se obrigado a lançar um apelo humilhante a nível nacional para que fossem enviados casacos quentes aos soldados na frente russa. De qualquer forma, Hitler deu ordens para que não houvesse retirada, uma ordem com a qual os seus generais discordavam, uma vez que limitava severamente as suas possibilidades de manobra e garantia, de certa forma, pesadas perdas perante o inimigo.

[ ![Marshal Zhukov](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20306.png?v=1743704933-1743705025) Marechal Jukov (Zhukov) Mikhail Mikhaylovich Kalashnikov (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/20306/marshal-zhukov/ "Marshal Zhukov")O Exército Vermelho avançou lutando ferozmente e «repeliu os três exércitos panzer alemães de Moscovo e... \[lançou\] cinco dos seis exércitos do Grupo de Exércitos Centro na desordem» (Forczyk, pág. 88). Os generais alemães conseguiram, por fim, organizar a sua retirada e impedir um colapso total da Frente Oriental, mas tinham perdido pelo menos 110 000 homens só em dezembro (*Idem*, pág, 89). A eventual estagnação do Exército Vermelho deveu-se ao facto de Estaline ter ordenado que a maior parte das suas forças atacasse os flancos dos grupos de exércitos em retirada, uma estratégia que Zhukov não dispunha de recursos adequados para executar eficazmente após ter sofrido cerca de 350 000 baixas durante a batalha como um todo. No entanto, os ataques soviéticos entre dezembro de 1941 e março de 1942 empurraram as forças do Eixo cerca de 280 km (175 mi) para longe de Moscovo. A capital estava agora segura.

À medida que o Exército Vermelho avançava pela primeira vez após uma longa série de recuos, os horrores perpetrados pelos ocupantes tornaram-se evidentes. As casas tinham sido arrasadas, bens de todo o tipo roubados e civis de todas as idades assassinados. Muitos soldados do Eixo feitos prisioneiros sofreram mutilações e foram executados, tal como tinha acontecido anteriormente na campanha. A Frente Oriental tinha-se tornado uma tragédia de ódio.

### **As Consequências**

A batalha por Moscovo foi a primeira derrota estratégica de Hitler no Leste. Ele, claro, culpou os seus generais, demitiu Brauchitsch, comandante geral da Operação Barbarossa, e assumiu pessoalmente o comando do Exército Alemão. Estaline tinha conquistado uma grande vitória e demonstrado que os exércitos de Hitler não eram invencíveis, mas era evidente que continuavam a ser uma ameaça e que muito provavelmente prosseguiriam a sua campanha quando o tempo mais quente regressasse. A guerra germano-soviética prolongou-se por mais três anos e causou pelo menos 25 milhões de mortes entre militares e civis, talvez metade do número total de mortos da Segunda Guerra Mundial. Quando o Exército Vermelho avançou sobre Berlim, Hitler suicidou-se em abril de 1945 e a Alemanha rendeu-se.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Boatner, Mark. *The Biographical Dictionary of World War II.* Presidio Press, 1996.](https://www.worldhistory.org/books/0891415483/)
- [Dear, I. C. B. & Foot, M. R. D. *The Oxford Companion to World War II.* Oxford University Press, 1995.](https://www.worldhistory.org/books/0198662254/)
- [Dimbleby, Jonathan. *Barbarossa.* Penguin Books Ltd, 2022.](https://www.worldhistory.org/books/0241979196/)
- [Forczyk, Robert . *Moscow 1941.* Osprey Publishing, 2006.](https://www.worldhistory.org/books/184603017X/)
- [Fowler, Will. *Eastern Front in World War II.* Sterling Publishing, 2017.](https://www.worldhistory.org/books/1782745599/)
- [Holmes, Richard. *The World at War.* Ebury Press, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/0091917514/)
- [Kirchubel, Robert . *Operation Barbarossa 1941.* Osprey Publishing, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/1846031079/)
- [Rees, Laurence & Kershaw, Ian. *War of the Century.* The New Press, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/1565845994/)
- [Shirer, William L. & Rosenbaum, Ron. *The Rise and Fall of the Third Reich.* Simon & Schuster, 2011.](https://www.worldhistory.org/books/1451651686/)
- [Speer, Albert. *Inside the Third Reich.* Simon & Schuster, 1997.](https://www.worldhistory.org/books/0684829495/)
- [Stahel, David. *Operation Barbarossa and Germany's Defeat in the East.* Cambridge University Press, 2011.](https://www.worldhistory.org/books/052117015X/)
- [Trigg, Jonathan. *Barbarossa Through German Eyes.* Amberley Publishing, 2023.](https://www.worldhistory.org/books/1398115517/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Links Externos

- [Why Hitler failed to defeat Russia - IWM](https://www.iwm.org.uk/history/operation-barbarossa-explained-why-hitler-failed-to-defeat-russia)

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, June 16). Batalha de Moscovo em 1941-2: A Primeira Vitória da URSS. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2686/batalha-de-moscovo-em-1941-2/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Batalha de Moscovo em 1941-2: A Primeira Vitória da URSS." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, June 16, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2686/batalha-de-moscovo-em-1941-2/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Batalha de Moscovo em 1941-2: A Primeira Vitória da URSS." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 16 Jun 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2686/batalha-de-moscovo-em-1941-2/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 16 June 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

