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title: Batalha de Kiev
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2671/batalha-de-kiev/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-06-18
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# Batalha de Kiev

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

A Batalha de Kiev (Kyiv), travada entre julho e setembro de 1941, constituiu uma importante vitória do Eixo no âmbito da [Operação Barbarossa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-24188/operacao-barbarossa/), o ataque de [Adolf Hitler](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19717/adolf-hitler/) à URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Hitler queria os recursos da Ucrânia, uma vez que estes permitiriam a continuação do conflito, e para os obter, estava disposto a travar a maior batalha até então vista em toda a guerra. De acordo com dados oficiais alemães, 665 000 prisioneiros soviéticos foram capturados após terem sido apanhados numa gigantesca manobra de pinça do Eixo.

### **A Operação Barbarossa**

Adolf Hitler (1889-1945), o líder da Alemanha nazi, estava confiante, após as rápidas vitórias nos Países Baixos e em França em 1940, de que poderia obter ganhos territoriais e de recursos ainda maiores em 1941, atacando a URSS. O Pacto Nazi-Soviético, assinado entre a Alemanha e a URSS em agosto de 1939, revelou-se um mero acordo de conveniência até Hitler estar pronto para travar a guerra no leste. Hitler, tal como sempre prometera, estava determinado a encontrar *Lebensraum* («espaço vital») para o povo alemão, ou seja, novas terras no leste onde pudessem encontrar recursos e prosperar.

[ ![German Soldier, Kiev, 1941](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20228.png?v=1777562717-1777562717) Soldado Alemão, Kiev, 1941 Bundesarchiv, Bild 183-L20208 / Schmidt (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20228/german-soldier-kiev-1941/ "German Soldier, Kiev, 1941")A Operação Barbarossa, o nome de código para o ataque à URSS, foi lançada a 22 de junho de 1941. O objetivo geral dos três grupos de exércitos (Norte, Centro e Sul) era esmagar o Exército Vermelho da URSS a oeste dos rios Dvina Ocidental e Dnieper (Dnepr/Dnipro) e assumir o controlo de várias cidades-chave, o que daria à Alemanha e aos seus aliados do Eixo acesso aos recursos naturais desde Leningrado (São Petersburgo) até ao Mar Negro. O caminho ficaria então aberto para a capital soviética, Moscovo. A força invasora, composta por forças alemãs, eslovacas, italianas, romenas e finlandesas, entre outras, consistia em 3,6 milhões de homens em 153 divisões, 3.600 tanques e 2.700 aeronaves (Dear, pág. 86). O comandante-chefe era o marechal de campo Walter von Brauchitsch (1881-1948). Com o maior exército da história, Hitler garantiu aos seus generais que a vitória chegaria antes do inverno.

Os exércitos do Eixo venceram vários confrontos importantes com o Exército Vermelho, tais como a Batalha de Białystok-Minsk (junho-julho) e a [Batalha de Smolensk em 1941](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2668/batalha-de-smolensk-em-1941/) (concluída na primeira semana de agosto). Só estas duas batalhas resultaram em 700 000 prisioneiros de guerra soviéticos. As táticas da *Blitzkrieg* («guerra relâmpago») do Eixo, que consistiam em utilizar divisões blindadas de movimento rápido com apoio aéreo e de infantaria enquanto atacavam numa frente estreita, tinham colhido grandes recompensas. O historiador militar B. Liddell Hart resume sucintamente esta tática, que viria a ser empregue com sucesso novamente na gigantesca batalha por Kiev:

> …penetração profunda dos Panzers e da infantaria motorizada na retaguarda do inimigo, seguida de uma manobra de volta para dentro, de modo a cortar uma faixa, para ser esmagada entre as forças Panzer e os exércitos de infantaria que avançavam por trás, na sua maioria a pé.
> (pág. 129)

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### **A Ucrânia**

A Ucrânia tinha sido brevemente uma república independente entre 1917 e 1921, mas em 1939, na sequência do Pacto Nazi-Soviético, a sua parte oriental foi incorporada na URSS e a parte ocidental foi ocupada pelas forças armadas da Hungria. O Exército Vermelho da URSS tomou a metade ocidental da Ucrânia à medida que avançava para oeste após o início da guerra. A Ucrânia era, então, talvez uma nação em vez de um Estado unificado neste período turbulento. O líder soviético, Ióssif Estaline (1878-1953), tinha submetido os ucranianos a severos expurgos e a uma fome provocada no início da década de 1930, uma fome que causou sete milhões de mortes. O regime soviético cometeu outra ronda brutal de detenções, deportações e assassinatos ao longo de 1940 e 1941, afetando centenas de milhares de pessoas. Aqui, mais do que em qualquer outro lugar, os invasores ocidentais poderiam encontrar um povo receptivo que ansiava por libertar-se dos grilhões soviéticos. Hitler e Estaline estavam ambos determinados a controlar esta região, mas essa ambição dependia da manutenção do controlo da capital, Kiev, então a terceira maior cidade da URSS. As vastas reservas de trigo, carvão, minerais e energia hidroelétrica da Ucrânia, se capturadas, permitiriam ao exército invasor do Eixo continuar a lutar ao longo de 1942.

### **O Grupo de Exércitos Sul**

O Grupo de Exércitos Sul (HGr. S - *Heeresgruppe Süd*) do Eixo era comandado pelo marechal de campo Gerd von Rundstedt (1875-1953), um dos comandantes mais respeitados da Alemanha, mas que tinha dúvidas quanto ao plano de ocupar a URSS numa única campanha. Este grupo de exércitos era composto por entre 46 e 52 divisões de infantaria e cinco divisões panzer. Uma parte significativa da força, 14 divisões no total, era do Exército romeno. Rundstedt enviaria 35 divisões no total para Kiev. O plano do comandante alemão era avançar tão profundamente no território soviético com dois exércitos blindados separados que o Exército Vermelho não perceberia que estava prestes a ser cercado até que fosse tarde demais.

### **O Exército Vermelho**

A frente soviética que incluía Kiev era inicialmente comandada pelo marechal Semyon Budenny (1883-1973), mas, após ordenar uma retirada, ele seria substituído pelo marechal Semyon Timoshenko (1895-1970). A força em torno de Kiev consistia em quatro exércitos distintos, «os quatro exércitos mais fortes e melhor equipados do Exército Vermelho» (Dimbleby, pág. 182). Percebendo a sua importância, Estaline enviou dois exércitos adicionais para Kiev para enfrentar o esperado ataque do Eixo. Esta viria a ser a maior batalha até então vista na Segunda Guerra Mundial. Os civis também foram envolvidos. A Kiev recebeu uma série de defesas com 48 km (30 mi) de extensão, compostas por 100 000 minas, 750 bunkers e várias armadilhas com lança-chamas. Os cidadãos de Kiev ajudaram a construir estas linhas de defesa, cavando incansavelmente quilómetros e quilómetros de valas profundas para serem utilizadas como armadilhas para tanques.

[ ![General Kleist, 1940](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/20230.png?v=1742244325-1742244338) General Kleist, 1940 Bundesarchiv, Bild 183-1986-0210-503 / Hartmann, Fritz (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20230/general-kleist-1940/ "General Kleist, 1940")### **O Cerco de Kiev**

Na Batalha de Uman (julho-agosto), Rundstedt cercou e capturou mais de 100 000 soldados soviéticos. O alvo seguinte era Kiev. Para este objetivo, Rundstedt recebeu um apoio significativo do Grupo de Exércitos Centro (HGr. Mitte - *Heeresgruppe Mitte*), especificamente do 2.º Grupo Panzer liderado por Heinz Guderian (1888-1954), um mestre das táticas da *Blitzkrieg*. Rundstedt planeava formar um movimento de pinça massivo utilizando o grupo panzer de Guderian e o 1.º Grupo Panzer liderado por Ewald von Kleist (1881-1954). Estes dois grupos iriam cercar o inimigo num enorme cerco, aquilo a que o exército alemão chamava de caldeirão ou *Kessel*. Para tal, Guderian dirigiu-se para Romny, a 200 km (125 mi) de Kiev, enquanto Kleist se dirigiu para Kremenchug (Kremenchuk), no rio Dnieper, a cerca de 260 km (160 mi) de distância. Estaline, quando informado de que tal manobra de pinça estava em curso, recusou-se a permitir que o Exército Vermelho em Kiev recuasse. Estaline acreditava no «seu próprio génio, apesar da sua quase total ignorância em matéria de estratégia militar» (Rees, pág. 63).

Os panzers de Kleist alcançaram as defesas exteriores em torno de Kiev a 11 de julho. A 30 de julho, ocorreu o primeiro ataque direto a Kiev. Foi também a 30 de julho que o chefe de estado-maior de Estaline, o marechal Georgy Zhukov (1896-1974), se demitiu quando Estaline se recusou a seguir o seu conselho e a permitir que o Exército Vermelho em Kiev se retirasse para poder contra-atacar mais tarde a partir de uma posição mais segura. Na própria Kiev, ao longo de agosto, o Exército Vermelho recuou para a margem oriental do rio Dnieper, mais fácil de defender, à medida que o inimigo se aproximava do lado ocidental da cidade. A 25 de agosto, o Dnieper foi atravessado em Kremenchug. A 26 de agosto, a ponte vital sobre o rio Desna foi tomada pela 3.ª Divisão Panzer liderada pelo General (posteriormente marechal de campo) Walter Model (1891-1945). A infantaria do Eixo seguiu agora as divisões blindadas e avançou através das profundas defesas exteriores de Kiev, sofrendo pesadas baixas. A artilharia do Exército Vermelho bombardeou os atacantes e lançou fortes contra-ataques. A força aérea do Eixo controlava os céus e bombardeava implacavelmente as posições soviéticas. O corpo principal do Exército Vermelho continuou a recuar para leste, mas, por outro lado, reforços soviéticos vindos do leste chegavam de comboio para se concentrarem em Kiev.

[ ![Axis Troops, Ukraine, 1941](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20227.png?v=1742243090-1742243100) Tropas do Eixo, Ucrânia, 1941 Hoffmann, Heinrich - Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20227/axis-troops-ukraine-1941/ "Axis Troops, Ukraine, 1941")A 14 de setembro, Kleist e Guderian tinham fechado a tenaz ao encontrarem-se perto de Romny, mas o avanço tinha-lhes custado metade das suas forças. Havia escassez de tudo: homens, tanques, camiões, peças sobressalentes, combustível, óleo e munições. Até as rações alimentares eram escassas, tendo a maioria das tropas de sobreviver à base de pão preto e marmelada. Felizmente para os invasores, Romny tinha sido um depósito de abastecimento soviético, e as forças do Eixo utilizaram imediatamente o combustível, os alimentos e as munições. «Nos doze dias seguintes, o leste da Ucrânia assistiu a alguns dos combates mais intensos de toda a campanha Barbarossa» (Trigg, pág. 227).

Quando o movimento de pinça se fechou, Estaline considerou oportuno demitir Budenny por insistir numa retirada, substituindo-o pelo marechal Timoshenko, que passou a assumir pessoalmente o comando da Frente Sul, da Frente Sudoeste e da Frota do Mar Negro. Para Kiev, seria uma luta até ao último homem. Pior ainda para o Exército Vermelho, o gigantesco cerco a leste da cidade — cerca de 20.000 km² (7.700 mi²), ou o tamanho da Eslovénia — contava agora com quatro exércitos, num total de 43 divisões. O Tenente-General Mikhail Petrovich Kirponos (1892-1941) liderou o Exército Vermelho encurralado no cerco. A 17 de setembro, Kirponos ordenou a todas as tropas encurraladas no cerco que tentassem abrir caminho para sair por todos os meios possíveis.

Se os exércitos do Eixo conseguissem forçar o enorme número de soldados inimigos encurralados a render-se ou aniquilá-los, este poderia ser o golpe decisivo que Hitler esperava que pusesse fim à campanha. Para o conseguir, a infantaria do Eixo tinha de acompanhar rapidamente o avanço blindado, mas muitas vezes dependia apenas da velocidade dos seus próprios pés para chegar à linha da frente. 
 
Algumas unidades soviéticas, incluindo tanques, lançaram ataques ferozes e coordenados para escapar da armadilha do Eixo antes que todas as brechas fossem fechadas. À medida que os dias passavam, porém, as tropas do Eixo, particularmente as unidades de artilharia alemãs de 88 mm, causavam cada vez mais devastação entre os blindados do Exército Vermelho. A força aérea do Eixo realizou centenas de missões para bombardear o cerco. Kirponos morreu devido a ferimentos causados por estilhaços em 20 de setembro, enquanto tentava escapar. Um soldado alemão, Günther von Scheven, descreve esta fase da batalha:

> Os últimos dias de combate estão a minar a minha coragem… colocaram um fardo pesado sobre mim. Não se consegue compreender a aniquilação de tantas vidas. Os ataques de fuga desesperados e violentos que os russos tentaram, surpreendentes até para nós, avançando até à nossa frente com tanques, infantaria e cossacos. Estou demasiado abalado para compreender tudo isto.
> (Trigg, pág. 229)

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### **A Queda de Kiev**

A partir de 16 de setembro, as forças do Eixo começaram a atacar o coração de Kiev. Foram construídas pontes flutuantes para permitir a travessia do Dnieper. Os combates de casa em casa tornaram-se uma característica da batalha pela cidade. O Exército Vermelho tinha protegido os seus tanques e podia disparar contra o inimigo a partir de bunkers preparados. Para acrescentar uma nota bizarra aos combates, os discursos de propaganda de Estaline continuavam a ser transmitidos por altifalantes públicos. A 18 de setembro, a maior parte da cidade estava sob controlo do Eixo, mas alguns bolsões resistiam. Mesmo quando as ruas estavam vazias e os combates terminados, as tropas do Eixo tinham de ter cuidado, uma vez que tinham sido colocadas armadilhas por todo o lado, geralmente fixadas a algo atraente, como um relógio de pulso de ouro ou uma barra de sabão. O Exército Vermelho chegou mesmo a utilizar cães com minas penduradas ao pescoço. Esta era uma guerra total e nada parecida com o que as tropas do Eixo tinham vivido nas campanhas na [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/) Ocidental. A 24 de setembro, quando toda a cidade tinha finalmente sido limpa, os soviéticos detonaram vários dispositivos explosivos de grande porte utilizando controlos remotos.

A 26 de setembro, os soldados restantes do Exército Vermelho no cerco cada vez mais reduzido nos arredores de Kiev depuseram as armas. Cerca de 665 000 soldados do Exército Vermelho foram feitos prisioneiros, de acordo com os números oficiais alemães (Dear, pág. 511). Alguns historiadores estimariam esse número mais próximo dos 500 000. De acordo com os números oficiais alemães, a batalha resultou na «captura ou destruição de 343 aeronaves, 884 tanques e 3718 armas» (Trigg, pág. 236). Joseph Goebbels (1897-1945), o ministro da Propaganda nazi, aproveitou ao máximo estes números, enquanto jornais, emissões de rádio e noticiários cinematográficos exaltavam o que já era uma grande vitória: o quarto grande cerco às tropas soviéticas em pouco mais de três meses de combates. Hitler descreveu o combate de Kiev como «a maior batalha da história do mundo» (Shirer, pág. 859). No entanto, «as suas consequências estratégicas não se revelariam tão fatais como as de muitas batalhas menores» (Liddell Hart, pág. 138). Em suma, o Exército Vermelho no centro e no norte da frente continuava a ser uma força formidável.

A Batalha de Kiev, tal como outras até então na Operação Barbarossa, tinha sido custosa para o exército do Eixo: «26 856 mortos, 100 000 feridos e 5 000 desaparecidos…A realidade para os alemães — e o grupo de exércitos de Rundstedt exemplificava a situação — era que estavam demasiado desgastados para tirar proveito do banho de sangue de Kiev para ganhar a guerra» (Trigg, pág. 237). A guerra na Frente Oriental estava apenas a começar.

[ ![Explosion, Kiev, 1941](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/20229.png?v=1742243618-1742243722) Explosão, Kiev, 1941 Bundesarchiv, Bild 183-B12190 / Kraagranger \[Kraayvanger\] (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/20229/explosion-kiev-1941/ "Explosion, Kiev, 1941")### **As Consequências**

Hitler prosseguiu com a Operação Barbarossa apesar do alarmante acúmulo de perdas em homens e material e do tempo já em deterioração. Após a Batalha de Kiev, Rundstedt dividiu as suas forças, uma rumo às cidades de Kharkov (Kharkiv) e Rostov e a outra para a Crimeia. Todos os três objetivos foram conquistados enquanto o exército do Eixo se dirigia para o Cáucaso, rico em petróleo. Hitler também tinha os olhos postos em Moscovo e Leningrado.

Inicialmente, como relataram os soldados do Eixo, os invasores na Ucrânia eram frequentemente vistos como libertadores, e a população local oferecia aos recém-chegados presentes tradicionais de hospitalidade, como pão e sal. Esta recepção calorosa, embora não fosse universal, esfriou rapidamente de forma dramática. Kiev e a Ucrânia foram submetidas ao domínio nazi, que incluiu atrocidades contra comissários soviéticos (oficiais políticos) e judeus, entre outros. Os esquadrões móveis de extermínio *Einsatzgruppen* (EG - Grupos de Intervenção) fuzilavam pessoas sem julgamento. Num massacre na ravina de Babi Yar, nos arredores de Kiev, a 29 de setembro de 1941, mais de 33 000 homens, mulheres e crianças judeus foram executados. O tratamento severo da população em geral, uma vez que Hitler procurava apenas explorar ao máximo a região e o seu povo (que considerava racialmente inferior), fez com que a resistência ucraniana crescesse rapidamente, causando problemas aos novos ocupantes e, por sua vez, aumentando os episódios de brutalidade nazi. A população de Kiev foi reduzida em 60% durante a guerra, enquanto 7 milhões de ucranianos morreram durante o conflito no seu conjunto.

As vitórias do Eixo nas primeiras fases da Operação Barbarossa foram impressionantes, mas tiveram um custo insustentável em homens e material. O Exército Vermelho não foi destruído como planeado, mas permaneceu pronto e disposto a continuar a lutar. Numa longa guerra de desgaste, a capacidade muito superior da URSS para repor as perdas significava que Hitler nunca poderia vencer no Leste. Em 1942, a Alemanha produziu 15 409 aeronaves e 9 200 tanques, contra os 25 436 e 24 446 da URSS, respetivamente (Stahel, pág. 442).

Havia outras fraquezas inerentes à campanha, para além dos números relativos à produção de armas. As linhas de abastecimento dos invasores estavam demasiado esticadas e, com estradas já em mau estado e ainda mais deterioradas pelo tempo húmido do outono, as tropas da linha da frente careciam do combustível, dos abastecimentos e dos reforços de que tanto necessitavam. Além disso, Estaline tinha apelado aos guerrilheiros para sabotarem essas linhas de abastecimento sempre que possível. Quando o inverno chegou, os invasores descobriram que o seu equipamento e veículos congelavam. A aposta de Hitler num golpe rápido e decisivo tinha falhado. A contra-ofensiva do Exército Vermelho começou com a Batalha de Moscovo e a resistência no [cerco de Leninegrado](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2680/cerco-de-leninegrado/) ao longo do inverno de 1941/42. A Guerra Germano-Soviética entrou numa nova fase, que duraria mais três anos e resultaria em mais mortes do que em qualquer outro teatro de operações da Segunda Guerra Mundial. Nos meses de inverno de 1943/4, a Ucrânia, incluindo Kiev, foi reconquistada pelo Exército Vermelho. Em maio de 1945, Berlim foi finalmente ocupada pela URSS e a Alemanha rendeu-se. Estaline tinha superado Hitler.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Boatner, Mark. *The Biographical Dictionary of World War II.* Presidio Press, 1996.](https://www.worldhistory.org/books/0891415483/)
- [Dear, I. C. B. et al. *The Oxford Companion to World War II.* Oxford University Press, 1995.](https://www.worldhistory.org/books/0198662254/)
- [Dimbleby, Jonathan. *Barbarossa.* Penguin Books Ltd, 2022.](https://www.worldhistory.org/books/0241979196/)
- [Kirchubel, Robert . *Operation Barbarossa 1941 (1) .* Osprey Publishing, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/1841766976/)
- [Liddell Hart, B.H. (ed). *History of the Second World War.* Konecky & Konecky, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/156852627X/)
- [Rees, Laurence & Kershaw, Ian. *War of the Century.* The New Press, 2000.](https://www.worldhistory.org/books/1565845994/)
- [Shirer, William L. & Rosenbaum, Ron. *The Rise and Fall of the Third Reich.* Simon & Schuster, 2011.](https://www.worldhistory.org/books/1451651686/)
- [Stahel, David. *Operation Barbarossa and Germany's Defeat in the East.* Cambridge University Press, 2011.](https://www.worldhistory.org/books/052117015X/)
- [Trigg, Jonathan. *Barbarossa Through German Eyes.* Amberley Publishing, 2021.](https://www.worldhistory.org/books/1398107220/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Links Externos

- [What War Operation Barbarossa - IWM](https://www.iwm.org.uk/history/what-was-operation-barbarossa)

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### APA
Cartwright, M. (2026, June 18). Batalha de Kiev. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2671/batalha-de-kiev/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Batalha de Kiev." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, June 18, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2671/batalha-de-kiev/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Batalha de Kiev." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 18 Jun 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2671/batalha-de-kiev/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 18 June 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

