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title: Cerco de Detroit
author: Harrison W. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2569/cerco-de-detroit/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-28
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# Cerco de Detroit

_Escrito por [Harrison W. Mark](https://www.worldhistory.org/user/harrisonwmark/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O Cerco de Detroit (15 a 16 de agosto de 1812) foi uma das primeiras grandes ações da [Guerra de 1812](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23125/guerra-de-1812/). Após uma invasão malograda do Canadá, um exército dos Estados Unidos retirou-se para o Forte Detroit, onde foi cercado por forças britânicas e nativas americanas sob o comando do major-general Isaac Brock e do chefe shawnee Tecumseh. Os americanos capitularam rapidamente, deixando Detroit em mãos britânicas.

[ ![Tecumseh and Brock at Fort Detroit](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/19689.jpg?v=1759606335-1732182997) Tecumseh e Brock no Fort Detroit A.M. Wickson (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/19689/tecumseh-and-brock-at-fort-detroit/ "Tecumseh and Brock at Fort Detroit")### O Contexto: A Marcha até Detroit

Em abril de 1812, a guerra entre os Estados Unidos e o Reino Unido parecia iminente. No alto-mar, os navios de guerra britânicos vinham abordando navios mercantes americanos e recrutando à força marinheiros americanos com toda a impunidade, enquanto na fronteira do noroeste se acreditava que agentes britânicos estavam a ajudar dois irmãos shawnee, Tecumseh e o "Profeta", na sua tentativa de formar uma confederação nativa americana e resistir à usurpação dos EUA sobre os seus territórios de caça. No Congresso, um grupo de representantes recém-eleitos e belicistas — apelidados de *War Hawks* ("Falcões da Guerra") — exigia a guerra, apesar da relutância da população em geral e da falta de preparação das forças armadas. Para se preparar para um conflito que parecia cada vez mais provável, a administração do presidente [James Madison](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23124/james-madison/) procurou reforçar as defesas no noroeste, onde os EUA faziam fronteira com o Canadá sob controlo [britânico](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21913/britanico/).

Como parte deste plano, a administração Madison ordenou a formação de um novo exército no Território do Michigan, que seria depois enviado em marcha para o posto avançado do Forte Detroit. William Hull, o governador do Território do Michigan, com 59 anos de idade, recebeu a patente de brigadeiro-general e o comando da força. Hull, um veterano da Guerra da Independência Americana — tendo sofrido recentemente um AVC —, estava relutante em aceitar, mas o receio de um aumento dos ataques de nativos americanos contra os colonos do Michigan levou-o a assumir o comando. A 25 de maio, Hull chegou a Dayton, no Ohio, onde o seu exército improvisado estava a ser reunido, e ficou consternado com o que encontrou. Os voluntários eram barulhentos e indisciplinados, carecendo de armas ou pólvora adequadas. Organizados em três regimentos de milícia, os voluntários insistiram em eleger os seus próprios oficiais. Como tal, os homens que escolheram como coronéis — Duncan McArthur, James Findlay e Lewis Cass — eram todos políticos ou aspirantes a políticos, indivíduos sem qualquer experiência militar.

Após uma inspeção militar desastrosa em que Hull quase foi lançado do cavalo, o exército de voluntários do Ohio pôs-se em marcha a 1 de junho. Avançando a passo lento, chegaram dez dias depois à comunidade fronteiriça de Urbana, onde se lhes juntou o tenente-coronel James Miller e um regimento de tropas regulares, a 4.ª Infantaria dos EUA. Em Urbana, alguns dos voluntários de Hull recusaram-se a avançar mais, alegando que não tinham recebido o pagamento integral que lhes fora prometido. Embora acabassem por ser empurrados para a frente pelas tropas regulares de Miller, não foi um começo auspicioso. Poucos dias depois, ocorreu outro incidente quando um miliciano, embriagado com aguardente caseira, se assustou com um barulho na escuridão e disparou contra um dos seus companheiros de sentinela. O homem foi prontamente submetido a conselho de guerra e condenado à "sentença grotesca" de ver as orelhas cortadas e cada uma das faces marcada a ferro (Berton, pág. 94). O exército marchou de seguida para o Grande Pântano Negro, a noroeste do Ohio, onde chuvas incessantes tinham transbordado os ribeiros e transformado o solo em lama. Entrementes, sem o saberem, eram vigiados de perto pelos batedores de Tecumseh, escondidos por entre as árvores.

[ ![William Hull](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/19688.jpg?v=1731939676-1732182667) William Hull James Sharples Sr. (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/19688/william-hull/ "William Hull")A 26 de junho, Hull recebeu uma carta do secretário da Guerra dos EUA datada de 18 de junho, a avisá-lo de que a guerra era iminente e a ordenar-lhe que chegasse a Detroit "com toda a celeridade possível". A 1 de julho, Hull chegou à foz do rio Maumee, onde alugou a escuna *Cuyahoga* e a carregou com tudo o que estava a atrasar o exército, incluindo os seus despachos pessoais, a bagagem dos oficiais, uniformes suplentes, fornecimentos médicos e cerca de 30 homens doentes. A *Cuyahoga* navegou de seguida para o lago Erie para transportar os mantimentos até Detroit. No dia seguinte, Hull recebeu uma segunda carta de Washington, também datada de 18 de junho, a informá-lo de que a guerra tinha sido declarada, mas já era tarde demais para mandar chamar a escuna. Ao tentar entrar no rio Detroit, a *Cuyahoga*, que transportava os despachos de Hull, foi capturada por uma embarcação canadiana. A 5 de julho, Hull chegou finalmente a Detroit, onde se juntaram várias companhias da milícia do Michigan, elevando o seu efetivo total para cerca de 2 500 homens. Hull, cujo exército ficava perigosamente privado de mantimentos, esperava encontrar comida em Detroit, mas acabou desiludido.

### A Invasão do Canadá

Com a guerra declarada, os War Hawks em Washington exigiram veementemente a invasão do Canadá. O seu objetivo não era apenas privar os britânicos de uma base de operações a partir da qual pudessem atacar os Estados Unidos, mas também anexar finalmente o Canadá à União e, assim — como afirmou um congressista —, "expulsar os britânicos do nosso continente" (Berton, pág. 98). Para o efeito, a administração Madison planeou uma invasão do Canadá em quatro frentes, da qual Hull e o seu exército improvisado constituiriam uma das principais investidas. Foi ordenado a Hull que atravessasse o rio Detroit e tomasse o controlo do Forte Malden, em Amherstburg, sabendo-se que este era defendido por uma guarnição de 300 soldados regulares britânicos e 400 nativos americanos sob o comando do coronel Henry Procter. O controlo do Forte Malden permitiria a Hull marchar para o Alto Canadá praticamente sem oposição. Embora tivesse a vantagem numérica, Hull estava preocupado com a escassez de alimentos e com a índole indisciplinada das suas tropas, receando os nativos americanos que pareciam prestes a juntar-se aos britânicos. Por esta altura, Hull enviou uma mensagem a uma aldeia Wyandot situada em frente ao forte britânico. Nela, pedia que Tecumseh — o grande líder shawnee que tentava construir uma confederação nativa americana — se mantivesse neutro no conflito iminente. Não demorou muito até que Hull recebesse a resposta de Tecumseh:

> Tomei o partido do Rei, meu pai, e deixarei que os meus ossos sejam branqueados nesta margem antes de voltar a atravessar esse rio para participar em qualquer conselho de neutralidade.
> (Berton, pág. 123)

Apesar destas palavras premonitórias e da sua própria relutância, Hull decidiu avançar com a invasão. A 10 de julho, ordenou ao seu exército que atravessasse o rio em direção ao Canadá, mas muitos dos seus milicianos do Ohio recusaram-se; argumentavam que tinham sido recrutados como uma força estritamente defensiva e não estavam obrigados a lutar fora dos Estados Unidos. Isto deu origem a dois dias frustrantes de estagnação, até que Hull conseguiu finalmente persuadir o exército a atravessar o rio a 12 de julho, embora tenha sido forçado a deixar para trás 200 dos milicianos mais irredutíveis. Os americanos desembarcaram sem oposição na pequena aldeia de Sandwich, onde Hull procedeu à emissão de uma proclamação ao povo canadiano, explicando o propósito da sua invasão. O general norte-americano [prometeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11877/prometeu/) que tinha vindo "para encontrar inimigos, não para os criar", e exortou os canadianos a juntarem-se ao lado americano ou a permanecerem nas suas casas; a menos que pegassem em armas contra os Estados Unidos, prometeu que não sofreriam nenhum dano (*Idem*, pág. 127). As palavras de Hull agradaram a muitos dos membros da milícia canadiana local, grande parte dos quais não sentia uma grande ligação nem à Grã-Bretanha nem aos Estados Unidos e não tinha nenhuma pressa em morrer. Cinquenta0 homens chegaram a desertar da milícia canadiana nos dias seguintes à proclamação de Hull.

No que respeita a invasões, este foi um bom começo. O exército americano entrincheirou-se em Sandwich para aguardar enquanto o regimento de milícia de Duncan McArthur forrageava em busca de comida nas casas e quintas ao longo do rio Thames. Nesse ínterim, a milícia do coronel Cass, que tinha sido a primeira a pisar solo canadiano, estava agora determinada a ser também a primeira a avançar contra os britânicos. Cass liderou os seus homens até à ponte sobre o rio Canard, onde travaram uma breve escaramuça com as sentinelas britânicas no local. As casacas-vermelhas foram rapidamente postas em fuga, deixando para trás dois feridos; um deles, James Hancock, do 41.º Regimento, acabou por morrer devido aos ferimentos nessa noite, tornando-se a primeira baixa mortal em combate da guerra. Encorajado por este pequeno êxito, Cass regressou a correr a Sandwich para exortar o general Hull a avançar e atacar o Forte Malden. No entanto, Hull não queria iniciar o ataque sem a "certeza absoluta de vitória" e insistiu que esperassem até que a artilharia estivesse pronta (Berton, pág. 138). Assim, Cass não teve outra opção senão retirar os seus homens da ponte, e o exército americano continuou à espera. Enquanto isso, ocorreu mais violência; o capitão americano William McCullough matou e escalpou um nativo americano, escrevendo à esposa que arrancara o cabeleira do cadáver com os dentes (*Ibid.*).

[ ![Map of the British-American War of 1812](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/19734.png?v=1781911627-1768714609) Mapa da Guerra Anglo-Americana de 1812 Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/image/19734/map-of-the-british-american-war-of-1812/ "Map of the British-American War of 1812")A 26 de julho, Hull recebeu uma notícia que o abalou profundamente. Nove dias antes, a pequena guarnição americana na ilha Mackinac — uma pequena ilha entre o lago Huron e o lago Michigan — tinha rendido-se a uma força combinada de tropas britânicas e guerreiros nativos americanos. A vitória parecia ter encorajado ainda mais nativos americanos, incluindo os anteriormente neutros Wyandot, a tomar o partido da Grã-Bretanha. Hull nutria há muito um pavor profundo pelos nativos americanos; enquanto governador de um território de fronteira, ouvira histórias de prisioneiros brancos escalpelados ou torturados por guerreiros nativos americanos após uma batalha. E agora, para usar as palavras do próprio Hull, parecia que uma "colmeia de índios" se abrira a norte e em breve desceria "aos enxames em todas as direções" (Berton, pág. 140). A 5 de agosto, um destacamento de 200 soldados dos EUA sob o comando do major Thomas Van Horne deslocara-se para a margem do Michigan do rio e marchava para sul a fim de reunir mantimentos para o exército nos rápidos de Maumee. Perto do povoado de Brownstown, foram atacados de emboscada por um grupo de nativos americanos liderados por Tecumseh. Na breve escaramuça que se seguiu, 18 soldados dos EUA foram mortos — incluindo o capitão McCullough, que foi atingido por um machado de guerra e escalpelado —, enquanto outros 12 ficaram feridos e 70 dados como desaparecidos. Tecumseh perdera apenas um homem e, além disso, capturara mais despachos de Hull, detalhando os planos e as disposições do general.

### A Retirada para Detroit

As notícias da derrota em Brownstown deixaram Hull mais nervoso do que nunca. A 6 de agosto, ordenou finalmente aos seus homens que se preparassem para atacar o Forte Malden, apenas para retirar essa ordem no dia seguinte, ao saber que barcos cheios de soldados regulares britânicos e de milicianos canadianos cruzavam o lago Erie a remos. Temendo ficar isolado do território norte-americano, Hull ordenou uma retirada para Detroit, apesar dos protestos dos seus oficiais. Sabendo que precisaria de mais mantimentos se quisesse resistir em Detroit, ordenou ao tenente-coronel James Miller que se dirigisse aos rápidos de Maumee e recolhesse os suprimentos que Van Horne fora impedido de obter. Miller partiu à frente do exército principal com 280 regulares e 330 milicianos do Ohio, chegando até à localidade de Maguaga, onde, a 9 de agosto, se deparou com uma força mista de regulares britânicos, milicianos canadianos e guerreiros nativos de Tecumseh. Após uma batalha breve mas confusa, os americanos retiveram o controlo do terreno — mas ao custo de 70 baixas, em comparação com menos de 30 baixas do lado dos britânicos e dos nativos. Miller ficou visivelmente abalado com a escaramuça e, aterrorizado com a perspetiva de outra emboscada, recusou-se a avançar. Após várias tentativas infrutíferas para tirar Miller do seu estado de choque, Hull acabou por ceder e ordenou que o destacamento se reunisse ao exército em Detroit.

[ ![Meeting of Isaac Brock and Tecumseh](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/19687.jpg?v=1740429732-1732182276) Encontro de Isaac Brock e Tecumseh Charles William Jefferys (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/19687/meeting-of-isaac-brock-and-tecumseh/ "Meeting of Isaac Brock and Tecumseh")Entrementes, a 13 de agosto, os barcos com os reforços britânicos desembarcaram em Amherstburg. Eram liderados pelo major-general Isaac Brock, o comandante alto e corpulento do Alto Canadá, que passara as semanas anteriores a mobilizar milícias e a preparar-se para enfrentar a invasão. Ao saber que Hull tinha recuado, Brock mostrou-se ávido por persegui-lo e sitiar Detroit, começando imediatamente a traçar planos. Passou horas a analisar minuciosamente os despachos americanos capturados, através dos quais obteve duas informações valiosas: a primeira, que o exército dos EUA era composto maioritariamente por milícias indisciplinadas; a segunda, que Hull tinha um pavor mortal de nativos americanos. Perto da meia-noite, Brock foi apresentado a Tecumseh, que concordou em ajudar no ataque. Enquanto ambos se mantinham de pé, debruçados sobre mapas e despachos, o general britânico e o chefe shawnee avaliaram-se mutuamente. Sobre Tecumseh, Brock escreveria mais tarde que "um guerreiro mais perspicaz e valoroso não existe, creio eu. Era a admiração de todos quantos com ele conversavam" (*Idem*, pág. 169). A opinião de Tecumseh sobre Brock foi mais sucinta, mas denotava o mesmo nível de estima: "Este é um *homem*."

### O Cerco

A 12 de agosto, o exército americano tinha regressado a Detroit. O moral estava em baixo e o ambiente era propício à sublevação. Alguns praças começaram a conspirar para depor Hull e substituí-lo pelo mais agressivo coronel McArthur, enquanto alguns oficiais enveredaram pela via mais formal de escrever ao governador do Ohio para se queixarem do seu general cobarde. Hull estava plenamente ciente destas conspirações e, a 14 de agosto, enviou McArthur, Cass e 350 dos homens mais descontentes para escoltarem um comboio de mantimentos até ao forte. Embora isto tenha livrado temporariamente Hull dos elementos mais insatisfeitos, também enfraqueceu consideravelmente a sua guarnição. Por essa altura, Hull recebeu uma carta intercetada aos britânicos, uma missiva que o fez lamentar ter enviado tantos homens para fora do forte. A carta pedia que não fossem enviados mais nativos americanos para Amherstburg; já lá se encontravam 5 000, prontos para atacar Detroit, e os mantimentos eram escassos demais para albergar mais alguém.

A carta, naturalmente, era uma mentira. Brock, explorando o pavor que Hull nutria pelos guerreiros nativos americanos, tinha exagerado consideravelmente o número deles em Amherstburg e permitido que a carta caísse em mãos americanas. Na verdade, Brock não contava com mais de 1.300 soldados e 600 guerreiros nativos americanos, uma força com metade da dimensão da de Hull. Mas a carta foi apenas o início da guerra psicológica de Brock. Deslocando o seu exército para uma posição visível a partir de Detroit — embora ainda na margem oposta do rio —, acendeu mais fogueiras do que as necessárias para criar a ilusão de um exército maior e equipou a sua milícia com uniformes suplentes do 41.º Regimento, dando a impressão de que possuía mais tropas regulares do que na realidade. Para coroar tudo isto, Brock enviou uma mensagem a Hull a exigir a rendição do forte e a avisar que, em caso de assalto, talvez não conseguisse conter os seus aliados nativos americanos:

> Está longe de ser minha intenção participar numa guerra de extermínio; mas deves estar ciente de que o numeroso contingente de índios que se associou às minhas tropas estará fora do meu controlo no momento em que o combate começar.
> (Berton, 175)

Hull ficou visivelmente abalado, mas recusou o pedido de rendição de Brock, enviando em vez disso um mensageiro para chamar McArthur e Cass de volta ao forte. A 15 de agosto, o cerco teve início; uma bateria britânica, montada na margem canadiana do rio Detroit, abriu fogo contra o forte, num bombardeamento que durou toda a tarde. Depois, nas primeiras horas de 16 de agosto, Tecumseh liderou os seus guerreiros na travessia do rio, seguido de perto pelas tropas de Brock. Brock deslocou as suas forças para a retaguarda do Forte Detroit, onde as defesas eram mais débeis. Entrementes, Tecumseh desfilou com os seus guerreiros através de uma clareza na floresta, fazendo com que cada homem desse a volta e repetisse a marcha três vezes, mantendo assim a ilusão de que se tratava de milhares de combatentes. Os defensores indisciplinados do forte não tardaram a ficar atordoados com o estrondo da artilharia britânica misturado com os gritos de guerra estridentes dos guerreiros nativos americanos. Qualquer resquício de determinação que ainda lhes restava desvaneceu-se quando um obus britânico explodiu no refeitório dos oficiais, matando sete americanos e ferindo vários outros.

[ ![Surrender of Detroit](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/19690.jpg?v=1731940062-1732183210) Rendição de Detroit J. C. H. Forster (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/19690/surrender-of-detroit/ "Surrender of Detroit")Por esta altura, Hull estava convencido de que o forte cairia e, lembrando-se do aviso de Brock, sabia que tinha de agir rapidamente para evitar um massacre. Hasteou a bandeira branca de rendição sobre Detroit precisamente quando Brock se preparava para ordenar o assalto e, poucas horas depois, o general britânico entrou a cavalo no forte enquanto bandas militares tocavam triunfalmente *The British Grenadiers.* Muitos dos soldados americanos queriam lutar e amaldiçoaram Hull, chamando-lhe traidor, à medida que as casacas-vermelhas inundavam o forte. McArthur e Cass, que tinham passado a noite a correr em socorro de Detroit, regressaram a tempo de ver a Union Jack hasteada sobre o forte, levando Cass a clamar que Hull tinha desonrado o seu país antes de partir a sua espada contra o joelho. Com a rendição de Hull, os 1 600 milicianos do Ohio foram libertados sob palavra e autorizados a regressar a sul, enquanto os 582 regulares capturados foram enviados para a Cidade do Quebeque como prisioneiros de guerra; alguns dos homens com saúde mais debilitada não sobreviveriam à viagem. Enquanto as tropas dos EUA rendidas eram reunidas, Tecumseh entrou no forte; uma testemunha ocular recordaria mais tarde o grande chefe sentado no forte a fumar o seu cachimbo, "com o rosto perfeitamente calmo, mas com a maior satisfação a brilhar nos seus olhos" (*Ibid.*, pág. 190).

### Conclusão

A queda de Detroit não só deu aos britânicos uma cabeça de ponte em território norte-americano, como também inspirou mais nativos americanos a sublevarem-se e a atacarem os povoamentos dos EUA. No Canadá, Brock foi aclamado como herói e a confederação nativa americana de Tecumseh pareceu dar mais um passo rumo à concretização. As culpas da derrota recaíram pesadamente sobre os ombros de Hull. Em 1814, seria submetido a conselho de guerra e condenado à morte; contudo, o presidente Madison comutaria a pena para a expulsão do exército, em reconhecimento dos serviços prestados por Hull na [Revolução Americana](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19591/revolucao-americana/). Após a queda de Detroit, os americanos tentaram uma nova invasão do Canadá, que resultou na Batalha de Queenston Heights (13 de outubro de 1812).

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Berton, Pierre. *Pierre Berton's War of 1812.* Anchor Canada, 2011.](https://www.worldhistory.org/books/0385676484/)
- [Feldman, Noah. *The Three Lives of James Madison.* Picador, 2020.](https://www.worldhistory.org/books/1250267005/)
- [Siege of Detroit in the War of 1812](https://www.thoughtco.com/war-of-1812-siege-of-detroit-2361363 "Siege of Detroit in the War of 1812"), accessed 16 Nov 2024.
- [Wood, Gordon S. *Empire of Liberty.* Oxford University Press, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0195039149/)

## Sobre o Autor

Harrison Mark é pesquisador e escritor para a World History Encyclopedia. Ele é graduado pela SUNY Oswego, onde estudou História e Ciência Política.
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## Perguntas & Respostas

### O que foi o Cerco de Detroit?
O Cerco de Detroit foi uma das primeiras grandes operações da Guerra de 1812. Em agosto de 1812, após um breve cerco, o exército norte-americano em Detroit rendeu-se a uma força combinada de britânicos e nativos americanos. Isto permitiu aos britânicos assumir o controlo de Detroit durante o ano seguinte.

### Quem liderou o cerco de Detroit?
O cerco de Detroit foi conduzido pelo major-general britânico Isaac Brock e pelo seu aliado, o chefe da tribo Shawnee, Tecumseh. O exército norte-americano que se encontrava em Detroit era comandado pelo brigadeiro-general William Hull. 

### Por que razão o Cerco de Detroit foi importante?
O Cerco de Detroit foi importante para impedir uma invasão dos EUA ao Canadá no início da Guerra de 1812 e para proporcionar aos britânicos uma posição de apoio em solo norte-americano. Além disso, reforçou a influência de Tecumseh entre os nativos americanos, permitindo-lhe dar mais um passo no sentido de concretizar a confederação de povos nativos que tinha planeado. 


## Cite Este Artigo

### APA
Mark, H. W. (2026, August 28). Cerco de Detroit. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2569/cerco-de-detroit/>
### Chicago
Mark, Harrison W.. "Cerco de Detroit." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 28, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2569/cerco-de-detroit/>.
### MLA
Mark, Harrison W.. "Cerco de Detroit." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 28 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2569/cerco-de-detroit/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 28 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

