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title: A Perspetiva Civil do Dia D
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2476/a-perspetiva-civil-do-dia-d/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-09-10
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# A Perspetiva Civil do Dia D

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O desembarque na Normandia, em França, que teve início no [Dia D](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23093/dia-d/), a 6 de junho de 1944, envolveu o maior deslocamento de tropas da história; no entanto, neste artigo, centramo-nos na perspetiva dos civis diretamente envolvidos nesse dia marcante, em que os Aliados procuraram libertar a [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/) Ocidental da ocupação da Alemanha nazi e pôr fim à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

[ ![French Civilians & British Military Policeman, D-Day](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/19045.png?v=1717493344-1717493432) Civis Franceses e Polícia Militar Britânica, Dia D James Mapham - Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/19045/french-civilians--british-military-policeman-d-day/ "French Civilians & British Military Policeman, D-Day")### Preparações para o Dia D

À medida que os Aliados concentravam as suas tropas e recursos para o Dia D no sul de Inglaterra, para manter o sigilo e disponibilizar áreas onde pudessem ser realizados exercícios de treino para os desembarques, alguns civis foram obrigados a abandonar temporariamente as suas casas e edifícios como igrejas foram fechados e cercados por arame farpado. Betty Tab, de Slapton, em Devon, recorda-se de ter contado à mãe os rumores sobre isto:

> A minha irmã ouviu o rumor na loja quando foi comprar algumas compras e disse à mãe que íamos todos ter de nos mudar e, claro, a mãe respondeu: «Isso é um disparate, falar assim. Para onde é que vamos?» E ela disse que tinha ouvido na loja. Foi então convocada uma reunião no salão da aldeia, que confirmou que iria haver uma evacuação da zona para o treino americano.
> Os meus pais simplesmente não conseguiam acreditar. Quer dizer, a minha mãe limitou-se a dizer: «Bem, não, isso não vai acontecer porque não pode acontecer. O que é que vamos fazer? Para onde é que vamos?» Mas tinha de ser assim. Por isso, claro, toda a gente teve de pôr a cabeça a funcionar e pensar: «Bem, para onde *é que* vamos?» Se não conseguisses arranjar nada por ti próprio, as autoridades ajudavam, mas queriam que tentasses resolver a situação por ti próprio, se possível, porque, como podes imaginar, havia centenas de pessoas a tentar mudar-se. Milhares, suponho, na verdade. Era uma área bastante grande.
> (Bailey, pág. 44)

Desmond O’Neill, um operador de câmara oficial do Exército [Britânico](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21913/britanico/), descreve a sua visita a um acampamento de tropas que se preparavam para a invasão:

> Lembro-me de ter ido a uma unidade, acho que era o Regimento de South Lancashire, e de ter filmado os seus preparativos finais para o Dia D… estavam acampados perto do Castelo de Roland, em Hampshire, naquela floresta, e entrei no acampamento – na verdade, toda a área era um enorme acampamento. Muito rigoroso em todos os aspetos.
> Havia, sem dúvida, uma atmosfera muito agitada e tensa entre aqueles rapazes. Presumivelmente, tinham estado a treinar há alguns anos e sabiam muito bem que iriam ser as tropas de vanguarda e, por isso, sabiam que havia uma boa hipótese de serem alvejados. A atmosfera ali era totalmente diferente de qualquer outra unidade em que eu já tivesse estado. A disciplina era rigorosa, mas mantinha-se num equilíbrio delicado. Uma atmosfera muito peculiar. Sei que lhes tinham sido comunicados os números de baixas, os números estimados de baixas.
> Fotografámos os rapazes a receberem instruções sobre o que iria acontecer na manhã do Dia D, para onde iriam e tudo o resto. Era tudo uma simulação. Não filmei grande coisa, além de tirar fotografias destes rapazes no acampamento. Eles gostaram. Em primeiro lugar, nunca tinham visto um operador de câmara antes. Em segundo lugar, foi uma excelente distração. Sabes, «A minha mulher vai estar à minha espera em Wigan», esse tipo de coisas. Acho que foi uma distração bem-vinda.
> (Bailey, págs. 66-7)

[ ![French Civilians & British Soldier, D-Day](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/19046.png?v=1719449164-1717493768) Civis Franceses e Soldado Britânico, Dia D James Mapham - Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/19046/french-civilians--british-soldier-d-day/ "French Civilians & British Soldier, D-Day")### A Vista da Normandia

As primeiras unidades a aterrar em França foram os paraquedistas que, após um bombardeamento aéreo, saltaram à noite, nas primeiras horas do Dia D. Madame Thérèse Broher, residente em St-Mère-Église, a primeira cidade a ser libertada, descreve a sua visão desta primeira ação do Dia D:

> Tudo começou na véspera do Dia D, na noite do dia 5, por volta das nove horas. Fomos inicialmente para a cama e ouvimos aviões que lançavam luzes. Havia muitas cores no céu, foi maravilhoso. E ouvimos outros aviões a aproximarem-se, por isso dirigimo-nos para um abrigo, mas as bombas caíram à volta da casa e escondemo-nos debaixo de uma mesa na cozinha. Estávamos assustados e pensámos que provavelmente seria o nosso fim, e isso durou cerca de uma hora — não sabíamos ao certo porque todos os relógios pararam… E ouvimos grilos, ruídos estranhos, não nos atrevíamos a sair e, então, vimos dois homens com todo o tipo de armas ao corpo e um deles aproximou-se de nós e disse-nos em francês: «Somos americanos.» Foi uma surpresa muito boa e grande, e tínhamos em casa uma garrafa de vinho branco que não se tinha partido, e o meu pai ficou tão feliz que ofereceu essa garrafa ao primeiro soldado americano que viu.
> (Holmes, pág. 469)

Tom Treanor, um correspondente de guerra, desembarcou na [Praia de Utah](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23106/praia-de-utah/) no Dia D:

> Por toda a extensão da ampla praia, até onde a vista alcançava, homens, jipes, bulldozers e outro equipamento moviam-se como formigas. Algumas [colunas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10260/colunas/) de fumo negro e oleoso marcavam o equipamento que tinha sido atingido por fogo de artilharia e incendiado. O bombardeamento alemão continuava incessante em vários pontos ao longo da praia, mas, até então, não tinha atingido a zona por onde eu caminhava. Atingia uma área e depois passava para outra. Era preciso, caindo na sua maioria perto da beira-mar, e vi uma pequena embarcação de desembarque a pegar fogo após ser atingida. Os homens saíram a correr dela para a água, que lhes chegava à cintura. De vez em quando, ouvíam-se enormes estrondos à medida que os engenheiros detonavam explosivos. O chão tremia e as tropas atiravam-se violentamente para o chão… Olhei para o fim da praia e para o mar. Embarcações de desembarque de todos os tipos deslizavam através das ondas baixas, descarregando homens que se moviam pela água com uma rapidez espantosa… Os contratorpedeiros estavam quase na praia, ocasionalmente disparando uma salva que era como um soco no queixo. Mais ao largo, mas ainda incrivelmente perto da praia, encontravam-se os nossos enormes navios de guerra e cruzadores. No céu, formações de caças voavam rapidamente pelo ar sem nada para fazer. Durante todo aquele dia, nunca vi um avião alemão nem falei com ninguém que tivesse visto algum.
> (Bailey, pág. 291).

[ ![French Civilians, D-Day](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/19047.png?v=1717494148-1717494192) Civis Franceses, Dia D Imperial War Museums (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/19047/french-civilians-d-day/ "French Civilians, D-Day")Michel de Valavielle, um agricultor francês que vivia nas traseiras da Praia de Utah, dá o seu testemunho sobre o Dia D:

> Eu estava aqui na minha quinta quando ocorreu o desembarque. Tínhamos na quinta uma bateria de artilharia alemã com canhões de 88 milímetros e, quando os americanos chegaram, ficámos com medo. Não nos apercebemos do que tinha acontecido durante a noite: muitos, muitos, muitos aviões. Fui até à quinta e vi uma senhora idosa que vinha da praia e me disse que o mar estava escuro de navios. Algum tempo depois, chegou aqui um soldado alemão que trazia um livro de orações onde estava escrito «Murphy, Michigan». Ele disse-nos que era o livro de orações de um paraquedista, e foi então que percebemos que se tratava do desembarque. Os alemães obrigaram-nos a ficar muito tempo dentro de casa enquanto lutavam contra os soldados americanos; o combate decorreu desde o início do dia até por volta das doze horas. Nessa altura, os soldados americanos começaram a aproximar-se da casa. Saí primeiro para lhe dizer que os alemães tinham ido embora e que não havia mais ninguém na casa, a não ser franceses. Ele tomou-me, suponho, por um soldado alemão e, por isso, fui ferido pelo soldado americano. Quando perceberam o erro, levaram-me imediatamente e fui o primeiro francês ferido na praia a ser levado para um hospital. Foi, portanto, uma visão inesquecível do Dia D para mim.
> (Holmes, pág. 470)

Na Praia de Sword, a residente local Jacqueline Noel viu-se no meio do desembarque e acabou por ajudar soldados aliados feridos:

> Eu estava na praia por uma razão boba. A minha irmã gémea tinha sido morta num ataque aéreo duas semanas antes, em Caen, e ela tinha-me oferecido um fato de banho pelo meu aniversário, e eu tinha-o deixado na praia, porque nos era permitido, cerca de uma vez por semana, retirar as cercas para podermos passar e ir nadar, e eu tinha deixado o fato numa pequena cabana na praia, e só queria ir buscá-lo. Não queria que ninguém o levasse. Por isso, peguei na minha bicicleta e fui até à praia… a minha braçadeira da Cruz Vermelha, evidentemente, fez com que eles \[os soldados alemães\] achassem que não havia problema. Havia bastante agitação e vi alguns cadáveres. E, claro, assim que cheguei à praia, não pude voltar atrás; os ingleses não me deixaram. Estavam a assobiar para mim, sabe. Mas, acima de tudo, ficaram surpreendidos por me verem. Quer dizer, era uma coisa ridícula de se fazer. Por isso, fiquei na praia para ajudar com os feridos. Só voltei para casa dois dias depois. Havia muito para fazer… Todos aqueles barcos e aviões. Era algo que simplesmente não se consegue imaginar se não se tiver visto. Eram barcos, barcos, barcos e mais barcos, barcos por todo o lado. Se eu fosse alemão, teria olhado para aquilo, baixado a arma e dito: «Chega. Acabou.»
> (Ambrose, pág. 558).

[ ![Pegasus Bridge, Normandy Landings](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/18978.png?v=1762686185-1716319900) Ponte Pegasus, Desembarques da Normandia Imperial War Museums (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/18978/pegasus-bridge-normandy-landings/ "Pegasus Bridge, Normandy Landings")Os desembarques na Praia de Juno no Dia D e nos dias seguintes foram observados por Mademoiselle Genget, uma residente de St.-Côme-de-Fresné, que anotou no seu diário:

> Acordámos esta manhã à 1 da manhã com um bombardeamento distante, vestimo-nos… Ouvimos os grandes bombardeiros a aproximarem-se e a passarem constantemente por cima das nossas cabeças. De repente, disparou-se um grande canhão vindo do mar e os canhões mais pequenos dos Boches responderam… Tudo na casa – portas, janelas e tudo no sótão – parecia estar a dançar. Tínhamos a impressão de que todo o tipo de coisas estava a cair no pátio. Não nos sentíamos muito corajosos!
> Será que tudo isto é mesmo verdade? Estamos finalmente libertados. A enorme força que todo este material de guerra representa é fantástica, e a forma como foi manuseado com tanta precisão é maravilhosa… Um grupo de «Tommies» passa por nós e pede-nos água. Enchemos-lhes as garrafas, trocamos algumas palavras e, depois de darem chocolate e doces às crianças, eles seguem o seu caminho.
> (Ambrose, págs. 518/530)

### O Sucesso dos Aliados

As notícias do desembarque do Dia D espalharam-se rapidamente, levando alegria por toda a [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15614/europa/) ocupada pelos alemães. A escritora Gertrude Stein (1874-1946) ouviu as notícias no local onde vivia na altura, a aldeia de Belley, no leste de França, e anotou no seu diário, a 6 de junho:

> Bem, hoje é o dia do desembarque e ouvimos o Eisenhower dizer-nos que ele estava aqui, que eles estavam aqui, e ainda ontem um homem vendeu-nos dez maços de cigarros Camel, glória a [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/), e estamos a cantar «glória, aleluia», e a sentir-nos muito bem, e toda a gente tem-nos telefonado com mensagens de felicitações pelo meu aniversário, que não é hoje, mas sabemos o que querem dizer.

Belley foi libertada pelas tropas norte-americanas naquele outono. Stein continua no seu diário:

> Como conversámos naquela noite! Eles trouxeram-nos toda a América, cada pedacinho dela; vieram do Colorado, o adorável Colorado. Não conheço o Colorado, mas foi assim que me senti em relação a ele: o adorável Colorado… Pediram-me para ir com eles a Voiron para fazer uma transmissão com eles para a América e eu vou; a guerra acabou e esta é, sem dúvida, a última guerra de que nos vamos lembrar.
> (Ambrose, pág. 506)

#### Editorial Review

This human-authored article has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- [Ambrose, Stephen E. *D-Day.* Simon & Schuster, 2013.](https://www.worldhistory.org/books/B00AK78PA0/)
- [Bailey, Roderick. *Forgotten Voices of D-Day.* Ebury Digital, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/B00352B446/)
- [Holmes, Richard. *The World at War.* Ebury Press, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/0091917514/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Perguntas & Respostas

### Qual foi o impacto do Dia D na população civil?
O Dia D teve um impacto sobre os civis de várias formas. Os bombardeamentos aéreos e navais dos Aliados mataram, inadvertidamente, civis e destruíram os seus bens e terras agrícolas. Muitos civis foram também vítimas de saques. 

### O que aconteceu aos civis no Dia D?
Os civis na Normandia, no Dia D, a 6 de junho de 1944, tiveram de sobreviver aos bombardeamentos aliados (dirigidos contra as defesas alemãs) e, muitas vezes, viram-se no meio dos combates. A propriedade privada foi destruída e saqueada, mas a maioria dos civis acolheu os seus libertadores, oferecendo-lhes comida e presentes.  


## Links Externos

- [Lee Miller's Second World War - IWM](https://www.iwm.org.uk/history/lee-millers-second-world-war)

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, September 10). A Perspetiva Civil do Dia D. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2476/a-perspetiva-civil-do-dia-d/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "A Perspetiva Civil do Dia D." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 10, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2476/a-perspetiva-civil-do-dia-d/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "A Perspetiva Civil do Dia D." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 10 Sep 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2476/a-perspetiva-civil-do-dia-d/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 10 September 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

