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title: A Esposa Fantasma
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2312/a-esposa-fantasma/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-10-08
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# A Esposa Fantasma

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

*A Esposa Fantasma* é um conto dos Pawnee que aborda a perda, o luto, a incapacidade de deixar o passado para trás e o perigo de lidar com fantasmas. Reflete a visão dos Pawnee sobre a natureza imprevisível da vida, a certeza da morte e a natureza efémera da felicidade humana. É um dos contos mais populares dos Pawnee.

[ ![Ghost Dance Drum](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/18059.jpeg?v=1789355781-1698223900) Tambor da Dança dos Espíritos Wmpearl (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/18059/ghost-dance-drum/ "Ghost Dance Drum")Na crença dos nativos americanos, em geral, os fantasmas deviam ser evitados, e era sempre do interesse de cada um não os procurar de propósito. Um fantasma, entendido como o espírito de alguém que outrora viveu — em oposição a um espírito elementar e eterno —, tinha passado do mutável reino mortal para a vida após a morte e, por isso, conhecia os segredos daquele mundo e as respostas a todos os mistérios que atormentavam os vivos, tais como: «por que estou aqui?», «qual é o meu propósito?» – «Para onde vou depois da morte?» Estas respostas eram negadas às pessoas enquanto viviam, porque tal conhecimento impediria o crescimento pessoal, e nada de bom poderia resultar de as conhecer antes da altura certa. Por isso, encorajava-se as pessoas a evitar um fantasma que pudesse deixar escapar tais segredos.

Além disso, os fantasmas sentiam frequentemente saudades do mundo que tinham deixado para trás e das pessoas que tinham amado e, por vezes, tentavam atrair alguém para o seu reino, levando-o a procurar a morte antes do tempo que lhes estava destinado. *A Esposa Fantasma* aborda este tipo de cenário, apresentando um marido de luto e o fantasma da sua mulher, recentemente falecida, que lhe pede para se juntar a ela.

Ao recusar o pedido dela, o marido traz-a de volta ao seu mundo, acreditando que isso os fará, assim como ao seu filho, felizes para sempre. De acordo com uma interpretação da história, no entanto, não existe tal coisa como «para sempre» enquanto se vive, e qualquer tentativa de felicidade duradoura está condenada ao fracasso desde o início, especialmente se envolver interação com um fantasma. Ao mesmo tempo, independentemente da forma como se interpretem os acontecimentos da história, o tema geral incentiva a fé no Pai Celestial e a crença de que tudo acontece por uma razão, mesmo que não se consiga compreender qual seja essa razão.

Embora não haja uma data associada a *A Esposa Fantasma*, e a história possa ter sido contada durante séculos antes da interação dos Pawnee com os imigrantes europeus, a fé no mundo espiritual, tal como sugerido pela última linha da história, influenciou a participação dos Pawnee na Dança dos Fantasmas na década de 1890 — um movimento que encorajou o renascimento das cerimónias, da língua, da dança e da música tradicionais numa altura em que o governo dos Estados Unidos tentava suprimir a cultura nativa americana. Alguns estudiosos atribuem a sobrevivência da cultura Pawnee à sua participação nesse ritual.

[![](https://www.worldhistory.org/img/c/p/100x100/17900.jpg?v=1790167930-1695035384)![](https://www.worldhistory.org/img/c/p/100x100/17916.jpg?v=1696243149-1695195288)![](https://www.worldhistory.org/img/c/p/100x100/17890.jpg?v=1694079969-1694080041)![](https://www.worldhistory.org/img/c/p/100x100/18125.jpg?v=1699970643-1699527011)![](https://www.worldhistory.org/img/c/p/100x100/18063.jpg?v=1778011631-1698310365)![](https://www.worldhistory.org/img/c/p/100x100/18124.jpg?v=1740115564-1699439835)](https://www.worldhistory.org/collection/188/twelve-stories-of-the-plains-indians/)Collection#### [Twelve Stories of the Plains Indians](https://www.worldhistory.org/collection/188/twelve-stories-of-the-plains-indians/)

The stories of the North American Natives articulate and preserve their culture and history. Although the indigenous Nations of North America were... ### A Dança dos Espíritos

A Dança dos Espíritos (na verdade conhecida como Dança dos Espíritos) foi um movimento espiritual iniciado pelo líder espiritual paiute Wovoka (também conhecido como Jack Wilson, cerca de 1856-1932) na década de 1890, que encorajava a participação numa espécie de dança circular (uma cerimónia de dança tradicional dos nativos americanos) que abriria o véu entre os mundos e traria de volta os espíritos dos mortos para lutarem ao lado dos vivos contra a constante invasão das terras nativas pelos colonos brancos e a relocalização forçada dos [povos nativos da América do Norte](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22171/povos-nativos-da-america-do-norte/) para reservas. A académica Adele Nozedar descreve a cerimónia:

> A Dança dos Espíritos foi um importante novo movimento religioso que reuniu muitas práticas tradicionais que vinham sendo realizadas há milhares de anos. No seu cerne estava uma forma de dança circular, mas uma dança circular com uma diferença — uma dança que os seus praticantes acreditavam estar imbuída de poder se fosse executada corretamente e repetidamente. Diz-se que a dança poderia pôr fim à contenda e ao sofrimento dos povos indígenas. Era uma dança capaz de restaurar o território das suas terras natais perdidas, trazer de volta o bisonte (que tinha sido abatido até à beira da extinção), trazer a paz e, acima de tudo, ressuscitar os milhares de homens, mulheres e crianças indígenas americanas cujas vidas tinham sido perdidas devido a doenças e fome ou em batalhas contra os homens brancos.
> (págs. 174-175)

A visão de Wovoka dos espíritos dos mortos aliados aos vivos pode parecer estar em contradição com a visão geralmente negativa que os nativos americanos tinham dos espíritos — e de facto estava —, mas baseava-se numa crença de longa data de que um espírito poderia ser benéfico para os vivos se fosse estabelecido um acordo claro que fosse respeitado por ambas as partes.

### As Histórias de Fantasmas dos Nativos Americanos

As histórias de fantasmas dos nativos americanos retratam quase sempre os fantasmas como entidades perigosas em que não se deve confiar. Há, no entanto, sempre exceções, como nos contos em que alguém celebra algum tipo de acordo com um fantasma que beneficiará ambas as partes no momento ou, para os vivos, a longo prazo. Um dos melhores exemplos deste tipo de história é o conto dos Sioux Teton intitulado *O Homem que Lutou com um Fantasma*, em que o jovem guerreiro, depois de partilhar tabaco e comida com um fantasma na floresta, concorda em participar numa luta e, após vencer, recebe uma previsão que lhe garante sucesso na derrota dos seus inimigos.

Noutro conto, *Uma História de Fantasmas de Teton*, um jovem caçador encontra o fantasma de uma jovem mulher, apaixona-se por ela e nunca mais se sabe nada dele. A história está aberta a várias interpretações diferentes, mas enquadra-se no paradigma do motivo do «fantasma perigoso», na medida em que o caçador ainda não tinha chegado à sua hora de morrer e, no entanto, se deixa levar pela mulher-fantasma e vive no mundo dela até se tornar ele próprio um fantasma.

[ ![Ghost Dance of the Sioux](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/18060.jpg?v=1751985254-1698224703) Dança dos Espíritos dos Sioux Library of Congress (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/18060/ghost-dance-of-the-sioux/ "Ghost Dance of the Sioux")Estas duas histórias provêm da cultura dos índios das Planícies, tal como o conto dos Pawnee, mas todas as nações nativas americanas espalhadas pelo atual Canadá e pelos Estados Unidos têm a sua própria versão deste tipo de conto com moral. Os Mashpee, da Confederação Wampanoag, por exemplo, têm uma história famosa em que uma mulher recebe, uma noite, a visita do fantasma de um marinheiro na sua casa. Ela oferece-lhe hospitalidade e uma lareira acesa e, em troca, ele diz-lhe que há um pote de ouro enterrado atrás da sua cabana.

Depois de ele desaparecer, a mulher sai para desenterrar o pote, mas cada vez que a sua enxada atinge o solo, ouve os seus dois filhos, que ficaram a dormir dentro da cabana, a gritar e corre para dentro para se certificar de que estão bem. Sempre que faz isto, encontra os filhos a dormir profundamente. Acaba por desistir e decide que tentará cavar novamente de manhã, mas quando volta à sua enxada no dia seguinte, encontra apenas um buraco vazio e terra espalhada por todo o lado.

A mulher não fica, no entanto, perturbada, pois conclui que o fantasma do marinheiro a estava a tentar com riquezas e a pô-la à prova para ver se ela se importava mais com o pote de ouro do que com os seus filhos. Ao escolher os seus filhos todas as vezes, ela passou no teste, e o misterioso tesouro foi levado pelo espírito, sem dúvida para testar e tentar apanhar outra pessoa. A história termina com a mulher e os seus filhos a viverem felizes na sua cabana, sem o pote de ouro. Nesta história, tal como em muitos outros contos semelhantes, não se deve confiar no fantasma, mesmo que pareça seguro fazê-lo e mesmo que o fantasma ofereça um grande tesouro ou a promessa de sucesso e felicidade.

De acordo com uma interpretação de *A Esposa Fantasma*, a história pega neste tema e inverte-o, uma vez que não é o espírito da falecida que causa o problema, mas sim as pessoas vivas com quem ela interage. No entanto, a história ainda pode ser entendida como um conto de advertência sobre a interação com um fantasma, já que os acontecimentos posteriores da narrativa decorrem do facto de o marido ter convencido o espírito da sua falecida esposa a regressar da terra dos mortos.

### O Texto

A tradução infra é do conto extraído de *Pawnee Hero Stories and Folk-Tales* (*Histórias de Heróis e Lendas do Povo Pawnee*), de George Bird Grinnell, publicado pela primeira vez em 1893.

> Certa vez, viviam juntos um homem e a sua mulher. Tinham um filho pequeno. A mulher faleceu. O homem ficou muito triste e chorou a morte da sua mulher.
> Uma noite, pegou na criança nos braços e saiu da aldeia até ao local onde a sua esposa estava enterrada; ficou junto ao túmulo e chorou a sua perda. A criança era muito indefesa e chorava sem parar. O coração do homem estava despedaçado pela dor e pela solidão. Já tarde da noite, adormeceu sobre o túmulo, desmaiado e exausto de tristeza.
> Passado algum tempo, acordou e, quando olhou para cima, viu uma figura ao seu lado. A figura que ali se encontrava era a da sua falecida esposa. Ela dirigiu-se ao marido e disse: «Estás muito infeliz aqui. Há um lugar para onde podemos ir onde não seremos infelizes. Onde eu tenho estado, nada de mau acontece a ninguém. Aqui, nunca se sabe que mal nos pode acontecer. É melhor que tu e a criança venham ter comigo.»
> O homem não queria morrer. Ele disse-lhe: «Não — será melhor se puderes voltar para nós. Nós amamos-te. Se estivesses connosco, já não seríamos infelizes.»
> Durante muito tempo, discutiram o assunto, para decidir qual deles deveria ir ter com o outro. Por fim, o homem, com a sua persuasão, convenceu-a, e a mulher concordou em voltar. Ela disse ao homem: «Se eu tiver de voltar, tens de fazer exatamente o que eu te disser durante quatro noites. Durante quatro dias, a cortina tem de permanecer fechada à frente do meu local de dormir; não pode ser levantada e ninguém pode espreitar por trás dela.»
> O homem fez o que lhe tinha sido dito e, passados quatro dias, a cortina foi levantada e a mulher saiu de trás dela. Então todos a viram, primeiro os seus familiares e, depois, toda a tribo. O seu marido e o seu filho ficaram muito contentes e viveram felizes juntos.
> Muito tempo depois disto, o homem casou-se com outra mulher. A primeira esposa era sempre agradável e bem-disposta, mas a nova era mal-humorada e, passado algum tempo, começou a sentir ciúmes da primeira mulher e a discutir com ela. Por fim, um dia, a mais recente esposa zangou-se com a outra, insultou-a e acabou por lhe dizer: «Não devias estar aqui. De qualquer forma, não passas de um fantasma.»
> Naquela noite, quando o homem foi para a cama, deitou-se, como era seu costume, ao lado da sua primeira esposa. Durante a noite, acordou e descobriu que a sua esposa tinha desaparecido. Nunca mais foi vista. Na noite seguinte a este acontecimento, o homem e a criança morreram ambos durante o sono. A esposa tinha-os chamado para junto dela. Tinham ido para aquele lugar onde há vida eterna. Isto convenceu toda a gente de que existe uma vida após a morte.

### Comentário

Tal como acontece com qualquer história dos nativos americanos, *A Esposa Fantasma* está aberta a várias interpretações, sendo uma delas o entendimento acima mencionado: que os vivos não devem envolver-se com os espíritos dos mortos. O estudioso Larry J. Zimmerman observa que «a maioria dos grupos indígenas concorda que a vida após a morte está fora do alcance dos vivos» (pág. 249) e, por isso, mesmo que o espírito encontrado seja reconhecido como o fantasma de alguém que a pessoa outrora amou e em quem confiou, a entidade já não é, na verdade, essa pessoa, uma vez que agora possui conhecimento do que vem depois da morte.

[ ![Ghost Dance Shirt](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/18061.jpg?v=1788843308-1698225298) Camisa da Dança dos Espíritos Cullen328 (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/18061/ghost-dance-shirt/ "Ghost Dance Shirt")O marido, de acordo com esta interpretação da história, provoca a sua própria morte e a da criança ao recusar-se a deixar partir a sua falecida esposa e ao convencê-la a regressar à terra dos vivos. Ao interagir com o espírito e encorajá-la a quebrar as regras da natureza que a manteriam na terra dos mortos, o marido enlutado viola o entendimento aceite sobre a relação entre os dois reinos. Zimmerman comenta:

> A morte era geralmente temida porque, embora a bondade de uma pessoa falecida contribuísse para o equilíbrio e a harmonia do universo, as más qualidades permaneciam na forma de um fantasma que podia prejudicar os vivos. As pessoas mais ameaçadas pelos mortos eram aquelas que lhes eram mais próximas em vida.
> (pág. 246)

A segunda esposa, de mau feitio, embora não pareça ter boas intenções, expressa a sabedoria predominante dos Pawnee e de outras nações nativas americanas, segundo a qual a esposa fantasma «não deveria estar aqui». Ao dizer isto em voz alta, ela quebra, por assim dizer, o feitiço que permitiu à esposa fantasma continuar a sua vida na Terra após o momento da sua morte. A segunda esposa, então, pode ser vista como a heroína da história, na medida em que devolve ao mundo da aldeia o seu curso natural, no qual aqueles que morrem permanecem mortos.

A história também pode ser entendida, no entanto, como um comentário sobre a futilidade de acreditar na felicidade duradoura. Ao tentar convencer o fantasma da sua esposa a voltar para ele, o marido diz-lhe: «Se estivesses connosco, já não seríamos infelizes», mas após o regresso dela, o homem toma uma segunda esposa e, embora esta fosse uma prática comum adotada por muitas razões, nesta história isso sugere que ele não estava tão feliz após o regresso dela como pensava que estaria, porque, enquanto se vive, há sempre a tentação de estar insatisfeito com o que se tem e de desejar o que não se tem.

Nesta interpretação, não existe felicidade duradoura enquanto se vive, pois esta só pode ser alcançada depois de se ter deixado o mundo mortal em constante mudança. O espírito da esposa diz ao marido: «Estás muito infeliz aqui. Há um lugar para onde podemos ir onde não seríamos infelizes… Aqui, nunca se sabe que mal nos pode acontecer.»

A incerteza da vida torna a esperança de uma felicidade duradoura uma impossibilidade, e a esposa fantasma prova isso ao regressar à aldeia com o marido, onde, pode-se supor, a vida continuou com os mesmos desafios e dificuldades que ele já tinha enfrentado antes, mais tarde agravados por uma segunda esposa mal-humorada. O marido e o filho são então obrigados a reviver a perda da primeira esposa quando esta desaparece, até que ela os reúne no lugar onde «nada de mau acontece» após a morte.

### Conclusão

Independentemente da forma como se interprete a história, esta é inspirada na crença dos Pawnee no Grande Mistério — o [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) Criador, conhecido por eles como *Ti-ra'wa* («Pai do Alto»), que criou todas as coisas e determinou as estações, incluindo um tempo para viver e um tempo para morrer. Reconhecendo que Ti-ra'wa está sempre no controlo de tudo o que acontece — mesmo que não se compreenda o significado de um acontecimento —, tudo o que se desenrola na história seria entendido como parte de um plano divino maior, o que, por fim, é abordado na frase final: «Isto convenceu toda a gente de que existe uma vida após a morte.»

O reconhecimento de uma «vida após a morte» equivale ao reconhecimento de uma força governante que preside tanto a esse reino como ao mundo dos vivos, pelo que a história serve para destacar o valor cultural da fé. Embora o marido viole as leis naturais ao chamar a sua falecida esposa de volta do mundo espiritual, isto pode ser transformado em algo positivo pelo Pai do Alto, ao encorajar a fé no mundo invisível e o reconhecimento do controlo supremo que o Grande Mistério exerce sobre as vidas dos seres humanos.

Este mesmo tema é evidente na história dos Pawnee, *A Confeção do Fardo Sagrado*, na qual um caçador casa com um bisonte que se transforma numa mulher e tem um filho com ela. Através desta união, o povo recebe o «pacote sagrado» — o «saco de remédios» com poderosos objetos espirituais que ajudam a manter a comunhão entre eles e o Pai do Céu. Com o tempo, o caçador torna-se um grande chefe do seu povo, mas perde o filho e, depois, a esposa, antes de definhar e morrer. Tal como o marido em *A Esposa Fantasma*, o Chefe Pena de Águia em *A Confeção do Fardo Sagrado* tem o livre arbítrio para reconhecer e respeitar as leis do Criador — neste caso, demonstrando o devido respeito e cuidado pela sua esposa — ou ignorá-las; mas, de qualquer forma, entende-se que o Pai do Céu está, em última instância, no controlo da situação, transformando até mesmo más escolhas ou circunstâncias aparentemente negativas em algo bom.

Esta era a visão defendida pelos Pawnee na década de 1890, quando adaptaram a Dança dos Espíritos às suas próprias crenças culturais e começaram a celebrar a cerimónia. Ao contrário dos Sioux, que foram perseguidos pelo governo dos EUA por praticarem a Dança dos Espíritos, os Pawnee foram autorizados a continuar a prática de forma constante até 1914 e, posteriormente, de forma esporádica. A cerimónia nunca trouxe literalmente os mortos de volta à vida nem restaurou a população de bisontes, mas a sua prática revitalizou a cultura dos Pawnee num momento crítico em que esta se encontrava em perigo de extinção — resultando na preservação de histórias como *A Esposa Fantasma* — e, assim, na verdade, conseguiu atingir o seu objetivo de ressuscitar os mortos — mesmo que não exatamente da forma como as pessoas tinham imaginado.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Dunbar-Ortiz, R. *An Indigenous Peoples' History of the United States .* Beacon Press, 2015.](https://www.worldhistory.org/books/0807057835/)
- [Edmonds, M. & Clark, E. *Voices of the Winds: Native American Legends.* Chartwell Books, 2021.](https://www.worldhistory.org/books/0785839755/)
- [Grinnell, G. B. *Pawnee Hero Stories and Folk-Tales.* Charles Scribner's Sons, 1893.](https://www.worldhistory.org/books/B001OBLJK4/)
- [McLaughlin, M. L. *Myths and Legends of the Sioux.* Independently published, 2023.](https://www.worldhistory.org/books/B0BYM4GWKC/)
- [Nozedar, A. *The Element Encyclopedia of Native Americans.* Harper Element, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/1435142357/)
- [Page, J. *In the Hands of the Great Spirit.* Free Press, 2004.](https://www.worldhistory.org/books/0684855771/)
- [Townsend, C. *American Indian History: A Documentary Reader.* Wiley-Blackwell, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/1405159081/)
- [Zimmerman, L. J. *The Sacred Wisdom of the Native Americans.* Chartwell Books, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/0785833900/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
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## Perguntas & Respostas

### De que trata o conto «A Esposa Fantasma»?
«A Esposa Fantasma» é uma história da tribo Pawnee sobre um homem que se recusa a aceitar a morte da sua esposa e convence o espírito dela a regressar para viver novamente com ele. 

### Qual é o significado de «A Esposa Fantasma»?
A obra «A Esposa Fantasma» pode ser interpretada de muitas formas diferentes, incluindo a futilidade de tentar agarrar-se ao passado, a natureza efémera da felicidade, a incapacidade de escapar ao próprio destino, o conceito de que Deus controla todas as coisas e a importância de aceitar a vida tal como ela é. 

### Qual é a data mais antiga em que se passa a história de «The Ghost Wife»? 
Tal como acontece com quase todas as histórias dos nativos americanos, não há uma data atribuída à história «A Esposa Fantasma». Estas histórias foram transmitidas oralmente até serem registadas pelos colonos brancos nos séculos XVII a XIX. 

### O que é que «A Esposa Fantasma» tem a ver com «A Dança Fantasma»?
A Dança dos Espíritos da década de 1890 reavivou a cultura dos Pawnee, o que contribuiu para preservar as suas tradições orais, incluindo histórias como «A Esposa Fantasma». 


## Links Externos

- [Ghost Dance | The Encyclopedia of Oklahoma History and Culture](https://www.okhistory.org/publications/enc/entry?entry=GH001)
- [The Pawnee Indians – Farmers on the Plains – Legends of America](https://www.legendsofamerica.com/na-pawnee/)
- [Pawnee History | Pawnee Nation](https://pawneenation.org/pawnee-history/)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, October 08). A Esposa Fantasma. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2312/a-esposa-fantasma/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "A Esposa Fantasma." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, October 08, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2312/a-esposa-fantasma/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "A Esposa Fantasma." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 08 Oct 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2312/a-esposa-fantasma/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 08 October 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

