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title: Hino a Ninkasi, Deusa da Cerveja: Um Cântico de Louvor e uma Antiga Receita de Cerveja
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-222/hino-a-ninkasi-deusa-da-cerveja/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-05-16
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# Hino a Ninkasi, Deusa da Cerveja: Um Cântico de Louvor e uma Antiga Receita de Cerveja

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O *Hino a Ninkasi (*incipit: *Ninkasi me-dim-sa*) é simultaneamente um cântico de louvor a Ninkasi, a deusa [suméria](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-114/sumeria/) da [cerveja](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10181/cerveja/), e uma antiga receita de fabrico (embora esta afirmação tenha sido contestada). Redigido por volta de 1800 a.C., o hino é, sem dúvida, muito mais antigo, como comprovam as técnicas que detalha, as quais os estudiosos determinaram estarem em uso muito antes de o hino ter sido escrito.

O académico Paul Kriwaczek afirma que o hino reflete "as técnicas de mil anos antes" e observa como, na época em que a obra foi [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-71/escrita/), existiam já muitas variedades diferentes de cerveja na [Mesopotâmia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-34/mesopotamia/) e novos métodos aplicados na sua produção (pág. 83). Os Babilónios possuíam pelo menos 70 variedades de cerveja e existiam, com certeza, muitas mais, que ou não foram registadas ou cujas provas ainda não vieram à luz do dia.

[ ![Mesopotamian Beer Rations Tablet](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/4849.jpg?v=1777775524-1776838681) Tabuinha Mesopotâmica de Rações de Cerveja Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/4849/mesopotamian-beer-rations-tablet/ "Mesopotamian Beer Rations Tablet")Muito provavelmente, o Hino a Ninkasi foi preservado de forma oral por se ter tornado uma canção popular, acabando por ser finalmente passado à [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/). O tom leve dos versos e o seu louvor a uma bebida e a uma deusa que muitos admiravam contribuíram, sem dúvida, para a sua preservação. A receita provou ser viável na era moderna em 1989, produzindo uma cerveja que lembra o champanhe, com um aroma de tâmaras — conhecidas por serem um adoçante antigo na Mesopotâmia.

### **O Início da Cerveja na Mesopotâmia**

As evidências do fabrico de cerveja na região da Mesopotâmia remontam a 3500-3100 a.C. no povoado sumério de Godin Tepe, no atual Irão, onde, em 1992, os arqueólogos descobriram vestígios químicos de cerveja num jarro fragmentado que data de meados do século IV a.C., mas que é datado de cerca de 4000 a.C. na Suméria. O mesmo local também revelou provas de uma produção vinícola precoce, e pensa-se que a ideia de fabricar cerveja terá surgido da panificação. O processo de fermentação evidente nos grãos, que podem ter sido deixados ao abandono, poderá ter inspirado a criação tanto do vinho como da cerveja.

Embora esta teoria tenha sido aceite durante muito tempo, o académico Stephen Bertman observa que os grãos de cereal podem, na verdade, ter sido cultivados especificamente para o fabrico de cerveja. Ele escreve:

> Embora o pão fosse a base da dieta mesopotâmica, o botânico Jonathan D. Sauer sugeriu que o seu fabrico pode não ter sido o incentivo original para o cultivo da cevada. Em vez disso, argumentou ele, o verdadeiro incentivo foi a cerveja, descoberta pela primeira vez quando se encontraram grãos de cevada a germinar e a fermentar no armazenamento.
> (pág. 292)

Independentemente de como foi descoberta, como observa Bertman, "a cerveja tornou-se rapidamente a bebida favorita dos antigos mesopotâmicos" (*Idem*). Embora a arte do fabrico de cerveja acabasse por ser praticada em toda a região, poderá ter começado na pequena aldeia de Godin Tepe e foi, quase certamente, iniciada e cultivada por mulheres.

[ ![Mapa da Civilização Suméria](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/15299-pt.png?v=1764968925-1766692801) Mapa da Civilização Suméria Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-15299/mapa-da-civilizacao-sumeria/ "Mapa da Civilização Suméria")Godin Tepe era um posto avançado sumério, habitado pela primeira vez por volta de 5000 a.C., que se tornou uma cidade e fortaleza significativa ao longo da famosa rota comercial da [Rota da Seda](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-466/rota-da-seda/). O facto de aí terem sido descobertas evidências da produção de cerveja não é surpreendente, uma vez que a cerveja era a bebida de eleição entre os antigos sumérios; um dos pictogramas mais comuns encontrados na escrita [cuneiforme](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-105/cuneiforme/) suméria é o da cerveja.

As Tábuas de Ebla (descobertas na Síria em 1974), que datam de 2500 a.C., fornecem provas de que Ebla, outro posto avançado sumério, fabricava quantidades significativas de cerveja na época, utilizando muitas receitas diferentes. Como na cerveja apenas se utilizava água doce, que tinha de ser fervida, era mais saudável bebê-la do que a água dos canais, que podia estar poluída por dejetos animais. O académico Jeremy Black escreve:

> A cerveja era um elemento básico na Mesopotâmia e arredores desde os tempos pré-históricos, uma vez que o processo de fermentação era um método eficaz para matar bactérias e doenças transmitidas pela água. O seu fabrico era registado e controlado por escribas mesmo nos registos escritos mais antigos, do final do quarto milénio a.C. A cerveja era consumida por pessoas de todos os níveis da sociedade e oferecida aos deuses e aos mortos em rituais de libação.
> (pág. 297)

A cerveja também continha nutrientes que outras bebidas não possuíam e, como observa Black, era um elemento básico na dieta diária das populações de toda a Mesopotâmia. Os trabalhadores recebiam cerveja como parte das suas rações diárias (uma prática também observada no Egito) e, com base tanto em obras de arte como em escritos, era uma bebida apreciada desde o mais humilde operário ao mais alto nobre, sendo consumida através de uma palhinha. Kriwaczek observa:

> Parece ter havido muitas variedades de cerveja mesopotâmica, fabricadas com diferentes teores alcoólicos e, na ausência de lúpulo, aromatizadas com diferentes ingredientes. Geralmente, tem recebido uma publicidade bastante negativa na literatura académica. O facto de ser frequentemente bebida com palhinhas de grandes recipientes sugere a muitos académicos – que podem, enquanto classe, ter perícia especial em cerveja – que estaria cheia de partículas e impurezas que eram excluídas pela palhinha... Isto é certamente injusto. A cerveja suméria era cuidadosamente filtrada.
> (pág. 83)

A palhinha, aperfeiçoada pelos babilónios, foi inventada pela primeira vez pelos sumérios especificamente para o propósito de beber cerveja e, por mais cuidadosamente filtrada que essa cerveja fosse, parece de facto que a palhinha era usada para evitar ao bebedor a experiência desagradável de consumir sedimentos. Pelas evidências das obras de arte encontradas em toda a Mesopotâmia, é claro que a cerveja era consumida diariamente em grandes quantidades pelo povo, com ou sem sedimentos, e evoluiu de uma indústria caseira para um empreendimento comercial lucrativo. A comercialização da cerveja é comprovada pela Tábua de Alulu da cidade de [Ur](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-128/ur/), um antigo recibo de entrega de cerveja pelo cervejeiro Alulu, datado de 2050 a.C.

### **A Bebida dos Deuses**

A cerveja era também considerada a bebida dos deuses. Isto é evidente numa série de mitos, como o poema *[Inanna](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10035/inanna/) e o [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) da Sabedoria*, (incipit: *Inana-me-šar-ra*) onde a deusa Inanna e o deus da sabedoria [Enki](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14434/enki/) se embriagam juntos, e Inanna consegue enganá-lo para que ele lhe entregue elementos poderosos da [civilização](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10175/civilizacao/) de que ela necessita para a sua cidade.

Neste poema, Enki perde prestígio devido à embriaguez e, no poema *Enki e Ninmah*, a deusa Ninhursag perde prestígio quando é derrotada por Enki num jogo de bebida. A incapacidade de "aguentar a bebida" é regularmente retratada como uma fraqueza, mas a cerveja em si nunca é criticada; a culpa é do bebedor se ele ou ela for incapaz de manter o autocontrolo enquanto bebe. A cerveja foi criada para alegrar o coração, e a deusa responsável por tal elevação era Ninkasi.

Tal como no caso de deusas como Nisaba (padroeira dos cereais, das contas, da escrita e do conhecimento), Ninkasi era simultaneamente a cervejeira e a própria cerveja. Nisaba não era apenas a deusa dos cereais, mas o próprio cereal, e assim que se tornou deusa da escrita, não era apenas uma supervisora imparcial do ofício, mas o próprio ofício; o mesmo se aplica a Ninkasi. O seu espírito e essência infundiam a cerveja produzida sob a sua orientação.

Ninkasi, e por conseguinte a cerveja, estava associada à cura porque nasceu através dos cuidados da deusa-mãe Ninhursag, quando esta curava Enki, que estava doente e à beira da morte. À medida que Ninhursag retira as maleitas de Enki, nasce uma nova divindade e, entre estas, está Ninkasi. Cada um dos seres sobrenaturais nascidos desta forma passa a produzir algum grande benefício para a humanidade, como Nanshe, deusa da justiça social e da adivinhação; e, de acordo com a tradição mesopotâmica em que o clero que servia a divindade era do mesmo sexo, o clero de deusas como Nisaba, Nanshe e Ninkasi era composto por mulheres.

As sacerdotisas de Ninkasi foram as primeiras cervejeiras, o que não é de estranhar, uma vez que as mulheres, em geral, fabricavam a cerveja em casa até que a produção comercial da bebida começou e os homens passaram a assumir o controlo. A maioria das representações antigas de produtores de cerveja mostra-os claramente como mulheres, tanto na Mesopotâmia como no Egito, embora, uma vez que o fabrico se tornou um empreendimento comercial, os homens apareçam a supervisionar as cervejeiras.

[ ![Beer Brewing in Ancient Egypt](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/6423.jpg?v=1744973172-1721389204) Fabricação de Cerveja no Antigo Egito The Trustees of the British Museum (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/6423/beer-brewing-in-ancient-egypt/ "Beer Brewing in Ancient Egypt")Quem quer que supervisionasse ou produzisse a cerveja não importaria para a própria deusa; a sua responsabilidade era o resultado final: a melhor bebida possível. Dizia-se que Ninkasi fazia a cerveja fresca todos os dias com os melhores ingredientes, e as suas sacerdotisas teriam seguido o exemplo, já que o hino é, repetindo, não apenas um cântico de louvor, mas também uma instrução sobre como fabricar cerveja, tal como essa bebida era entendida na época.

### **O Hino a Ninkasi**

Numa era em que poucas pessoas eram literatas, o Hino a Ninkasi, com a sua cadência constante, proporcionava uma forma fácil de memorizar a receita para o fabrico da cerveja. As alegações modernas que contestam o hino como sendo uma receita baseiam-se em diferenças de tradução e numa definição do que constitui "cerveja", sem considerar um aspeto central da poesia antiga da Mesopotâmia: ensinar.

De acordo com o hino, começava-se com água corrente, preparava-se depois o bappir (pão de cevada cozido duas vezes) e misturava-se com mel e tâmaras. Assim que o pão arrefecesse sobre esteiras de canas, era misturado com água e vinho antes de ser colocado no fermentador. Independentemente de como o antigo poema seja traduzido, o seu significado é claro: é assim que se fabrica cerveja.

Após o preparado ter terminado o processo de fermentação, era colocado na cuba de filtragem, "que produz um som agradável", e depois colocado "apropriadamente numa cuba de recolha", da qual a cerveja filtrada era então vertida para jarros. Segundo o hino, o verter da cerveja era "como a investida do Tigre e do Eufrates", o que se interpreta como significando que, tal como esses dois rios, a cerveja trazia vida a quem a bebia.

A tradução para o inglês do *Hino a Ninkasi* é da autoria de Miguel Civil. A dedicação final refere-se a Inanna, a deusa suméria do amor, do sexo e da guerra – entre as divindades mais populares da antiga Mesopotâmia – enfatizando o valor atribuído ao fabrico de cerveja.

> Hino a Ninkasi
> Nascida da água corrente,
> Ternamente cuidada por Ninhursag,
> Nascida da água corrente,
> Ternamente cuidada por Ninhursag,
> Tendo fundado a tua cidade junto ao lago sagrado,
> Ela terminou as suas grandes muralhas para ti,
> Ninkasi, tendo fundado a tua cidade junto ao lago sagrado,
> Ela terminou as suas muralhas para ti,
> O teu pai é Enki, o Senhor Nidimmud,
> A tua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado. Ninkasi, o teu pai é Enki, o Senhor Nidimmud,
> A tua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado.
> Tu és quem manuseia a massa \[e\] com uma grande pá,
> Mistura num poço o bappir com aromas doces,
> Ninkasi, tu és quem manuseia a massa \[e\] com uma grande pá,
> Mistura num poço o bappir com mel \[de tâmara\],
> Tu és quem coze o bappir no grande forno,
> Quem põe em ordem as pilhas de grãos descascados,
> Ninkasi, tu és quem coze o bappir no grande forno,
> Quem põe em ordem as pilhas de grãos descascados,
> Tu és quem rega o malte posto no chão,
> Os nobres cães afastam até os potentados,
> Ninkasi, tu és quem rega o malte posto no chão,
> Os nobres cães afastam até os potentados,
> Tu és quem demolha o malte num jarro,
> As ondas sobem, as ondas descem.
> Ninkasi, tu és quem demolha o malte num jarro,
> As ondas sobem, as ondas descem.
> Tu és quem estende a polpa cozida sobre grandes esteiras de canas,
> A frescura prevalece,
> Ninkasi, tu és quem estende a polpa cozida sobre grandes esteiras de canas,
> A frescura prevalece,
> Tu és quem segura com ambas as mãos o grande mosto doce,
> Produzindo-\[o\] com mel \[e\] vinho, (Tu \[vertes\] o mosto doce para o vaso)
> Ninkasi, (...) (Tu \[vertes\] o mosto doce para o vaso)
> A cuba de filtragem, que produz um som agradável,
> Tu colocas apropriadamente sobre uma grande cuba de recolha.
> Ninkasi, a cuba de filtragem, que produz um som agradável,
> Tu colocas apropriadamente sobre uma grande cuba de recolha.
> Quando vertes a cerveja filtrada da cuba de recolha,
> É \[como\] a investida do Tigre e do Eufrates.
> Ninkasi, tu és quem verte a cerveja filtrada da cuba de recolha,
> É \[como\] a investida do Tigre e do Eufrates.
> A cuba gakkul, a cuba gakkul,
> A cuba gakkul, a cuba lam-su-re,
> A cuba gakkul, que alegra o fígado,
> A cuba lam-su-re, que regozija o coração,
> O jarro ugur-bal, algo digno numa casa,
> O jarro sa-gub, que se enche de cerveja,
> O jarro am-am, que transporta a cerveja da cuba lam-su-re...
> Os belos recipientes estão prontos nos \[seus\] suportes!
> Que o coração do teu deus esteja bem disposto para contigo!
> Que o olho da cuba gakkul seja o nosso coração!
> O que faz o teu coração sentir-se maravilhoso,
> Faz \[também\] o nosso coração sentir-se maravilhoso.
> O nosso fígado está feliz, o nosso coração está alegre.
> Derramaste uma libação sobre o tijolo do destino,
> Colocaste os alicerces em paz \[e\] prosperidade,
> Que Ninkasi viva juntamente contigo!
> Que ela verta para ti cerveja \[e\] vinho,
> Que o \[verter\] do licor doce ressoe agradavelmente para ti!
> Nos baldes de cana... há cerveja doce,
> Farei com que escanceadores, rapazes \[e\] cervejeiros fiquem a postos,
> Enquanto circundo a abundância de cerveja,
> Enquanto me sinto maravilhoso, sinto-me maravilhoso,
> Bebendo cerveja, num estado de graça,
> Bebendo licor, sentindo-me exultante,
> Com alegria no coração \[e\] um fígado feliz –
> Enquanto cubro o meu coração cheio de alegria,
> \[E\] \[o meu\] fígado feliz com uma veste digna de uma rainha!
> O coração de Inanna está feliz de novo,
> O coração da rainha do céu está feliz de novo!

### **Conclusão**

O hino era, muito provavelmente, cantado enquanto os antigos sumérios fabricavam a sua cerveja e era transmitido pelos mestres cervejeiros aos seus aprendizes. A cerveja era altamente valorizada na antiga Mesopotâmia, e um cervejeiro experiente teria vivido com bastante conforto assim que a bebida começou a ser fabricada comercialmente. Mesmo antes disso, no entanto, até um cervejeiro caseiro poderia ter ganho a vida confortavelmente trocando cerveja de qualidade por outros artigos. Bertman destaca este facto ao citar o provérbio sumério que sustenta: "Aquele que não conhece a cerveja, não sabe o que é bom", e refere que existiam mais de 70 variedades de cerveja só na Babilónia ([Babilônia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-53/babilonia/)) (pág. 292).

A cerveja era consumida diariamente, como mencionado, mas em grandes quantidades em festivais e celebrações religiosas. O orientalista Samuel Noah Kramer observa como "a cerveja possuía as suas qualidades divinas e sublimes para os poetas e sábios sumérios" e era, como se disse, a bebida dos deuses (pág. 111). O nome de Ninkasi traduz-se literalmente como "a senhora que enche a boca", e pensava-se que a cerveja tinha qualidades curativas e elevatórias, que apenas poderiam melhorar a vida de alguém.

[ ![Urartian Beer Pitchers](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/7163.jpg?v=1600758003) Jarros de Cerveja Urartianos James Blake Wiener (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/7163/urartian-beer-pitchers/ "Urartian Beer Pitchers")Kramer escreve: "embora fosse a deusa 'nascida em água fresca e cintilante', foi a cerveja que foi o seu primeiro amor" (*Idem*). O amor de Ninkasi pela cerveja e a dedicação ao seu ofício proporcionaram a bebida dos deuses aos mortais e continuam a fazê-lo nos dias de hoje. Bertman escreve:

> Utilizando os detalhes do processo de fabrico registados neste hino, em 1989, a Anchor Brewing Company de São Francisco replicou a receita. De acordo com um especialista, a cerveja batizada de Ninkasi "tinha a suavidade e a efervescência do champanhe e um leve aroma a tâmaras", que tinham sido adicionadas como um antigo agente adoçante.
> (pág. 292)

Em 2006, a Ninkasi Brewing Company, que produz cerveja de prestígio e qualidade superior, foi fundada em Eugene, Oregon, EUA, por Jaimie Floyd e Nikos Ridge; prova de que o nome de Ninkasi e o seu produto continuam tão relevantes e populares hoje como eram na antiga Mesopotâmia.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Bertman, S. *Handbook to Life in Ancient Mesopotamia.* Oxford University Press, 2005.](https://www.worldhistory.org/books/0195183649/)
- [Black, J. et. al. *The Literature of Ancient Sumer.* Oxford University Press, 2006.](https://www.worldhistory.org/books/0199296332/)
- [Bottéro, J. *Everyday Life in Ancient Mesopotamia.* Johns Hopkins University Press, 2001.](https://www.worldhistory.org/books/0801868645/)
- [Dalley, S. *Myths from Mesopotamia.* Oxford University Press, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0199538360/)
- [Jacobsen,T. *The Treasures of Darkness.* Yale University Press, 1978.](https://www.worldhistory.org/books/0300022913/)
- [Kramer, S. N. *The Sumerians: Their History, Culture, and Character.* University of Chicago Press, 1971.](https://www.worldhistory.org/books/0226452387/)
- [Kriwaczek, P. *Babylon: Mesopotamia and the Birth of Civilization.* St. Martin's Griffin, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/1250054168/)
- [Leick, G. *The A to Z of Mesopotamia.* Scarecrow Press, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0810875772/)
- [Smithsonian Magazine/The Beer Archaeologist by Abigail Tucker](https://www.smithsonianmag.com/history/the-beer-archaeologist-17016372/ "Smithsonian Magazine/The Beer Archaeologist by Abigail Tucker"), accessed 28 Mar 2026.
- [The Beer Connoisseur/Actually, the “Hymn to Ninkasi” Is Not a Beer Recipe by Martyn Cornell](https://beerconnoisseur.com/articles/hymn-to-ninkasi-oldest-beer-recipe-myth/ "The Beer Connoisseur/Actually, the “Hymn to Ninkasi” Is Not a Beer Recipe by Martyn Cornell"), accessed 28 Mar 2026.
- [The Hymn to Ninkasi: Translation by Miguel Civil](https://people.umass.edu/mrenaud/kas/poem.htm "The Hymn to Ninkasi: Translation by Miguel Civil"), accessed 28 Mar 2026.
- [Wolkstein, D. & Kramer, S. N. *Inanna, Queen of Heaven and Earth.* Harper Perennial, 1983.](https://www.worldhistory.org/books/0060908548/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Perguntas & Respostas

### Quem era a deusa suméria da cerveja? 
A deusa suméria da cerveja era Ninkasi. 

### O que é o Hino a Ninkasi? 
O Hino a Ninkasi é um canto de louvor à deusa suméria da cerveja e uma receita para a sua fabricação. 

### Quando foi escrito o Hino a Ninkasi? 
O Hino a Ninkasi data de cerca de 1800 a.C., mas acredita-se que a canção e a receita sejam muito mais antigas. 

### Será que a antiga receita suméria de cerveja do Hino a Ninkasi funciona?
Sim. A receita foi reproduzida pela Anchor Brewing Company, de São Francisco, EUA, em 1989, e o resultado foi uma cerveja com um sabor que lembrava um pouco o champanhe. A Ninkasi Brewing Company, de Eugene, Oregon, fundada em 2006, recebeu o nome da antiga deusa. 


## Links Externos

- [The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature/The Hymn to Ninkasi](https://etcsl.orinst.ox.ac.uk/section4/tr4231.htm)
- [The Beer Connoisseur/Actually, the “Hymn to Ninkasi” Is Not a Beer Recipe by Martyn Cornell](https://beerconnoisseur.com/articles/hymn-to-ninkasi-oldest-beer-recipe-myth/)
- [Mesopotamian Gods & Kings/A Hymn to Ninkasi: A translation](https://www.mesopotamiangods.com/a-hymn-to-ninkasi-translation/)
- [Harvard Art Museums/Beer](https://harvardartmuseums.org/tour/589/slide/10641)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, May 16). Hino a Ninkasi, Deusa da Cerveja: Um Cântico de Louvor e uma Antiga Receita de Cerveja. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-222/hino-a-ninkasi-deusa-da-cerveja/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Hino a Ninkasi, Deusa da Cerveja: Um Cântico de Louvor e uma Antiga Receita de Cerveja." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, May 16, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-222/hino-a-ninkasi-deusa-da-cerveja/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Hino a Ninkasi, Deusa da Cerveja: Um Cântico de Louvor e uma Antiga Receita de Cerveja." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 16 May 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-222/hino-a-ninkasi-deusa-da-cerveja/>.

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