---
title: A Indústria do Aço na Revolução Industrial Britânica
author: Mark Cartwright
translator: Ricardo Albuquerque
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2206/a-industria-do-aco-na-revolucao-industrial-britani/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2025-08-13
---

# A Indústria do Aço na Revolução Industrial Britânica

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo)_

A produção de aço durante a [Revolução Industrial Britânica](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21828/revolucao-industrial-britanica/) se tornou mais barata e confiável graças ao conversor Bessemer, um tipo de alto-forno que remove as impurezas do ferro-gusa. A maior resistência e durabilidade do aço sobre o ferro o levou a ser o material preferido dos engenheiros civis para a construção de pontes, túneis e linhas férreas.

A cidade de Sheffield tornou-se um dos mais importantes centros de fabricação de aço do mundo, com destaque especial para as facas e cutelaria em geral. Como o aço é uma liga de ferro com 1-2% de carbono, os metalúrgicos experimentaram a remoção e adição de impurezas no alto-forno para criar diferentes tipos, com propriedades específicas, como o aço de tungstênio, muito resistente e ainda bastante útil para a fabricação de ferramentas de metalurgia.

[ ![Making Steel by Skinner](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/17215.png?v=1773984133-1679476557) A Fabricação de Aço, por Skinner Science Museum, London (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/17215/making-steel-by-skinner/ "Making Steel by Skinner")### Ferro versus Aço

A produção de ferro de qualidade teve grande desenvolvimento durante a Revolução Industrial, em grande parte graças ao uso de coque como combustível nos fornos em vez do carvão tradicional. O coque é feito a partir da queima (ou, talvez mais precisamente, do cozimento) do carvão num forno para a remoção da maior quantidade possível de impurezas, algo essencial para impedir que elas não se integrem ao metal no forno. O primeiro alto-forno funcional a empregar o coque, em 1709, em Coalbrookdale, no condado de Shropshire, pertencia a Abraham Darby (1678-1717). Os altos-fornos a coque apresentavam outra importante vantagem: podiam alcançar maiores temperaturas do que os aquecidos a carvão vegetal. O ferro de alto nível passou a ser empregado em todos os tipos de projetos e, em 1850, a Grã-Bretanha produzia 50% do suprimento mundial. Porém, havia outro metal ainda melhor e disponível para uso: o aço.

O aço é muito superior ao ferro em termos de força e maleabilidade. Além de mais leve, pode ficar mais resistente ao longo do tempo sob a pressão do peso, ao contrário do ferro, que é mais frágil. Estas vantagens faziam o metal particularmente útil para projetos de grande porte, como a construção de pontes e itens que suportavam peso, como trilhos de linhas férreas. Havia uma grande desvantagem, no entanto, na competição ferro versus aço. A produção do aço custava bem mais e só podia ser feita em quantidades relativamente pequenas. Esta situação mudou graças aos esforços do engenheiro britânico Henry Bessemer (1813-1898).

### O Conversor Bessemer

Como aconteceu com tanta frequência com as invenções inovadoras da Revolução Industrial, a nova ideia baseava-se numa [pirâmide](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-89/piramide/) de invenções e desenvolvimentos anteriores, em vários locais, por iniciativa de diferentes inovadores. Benjamin Huntsman (1704-1776), interessado em desenvolver molas de relógio resistentes, mas flexíveis, foi o primeiro a produzir o aço de cadinho, ou seja, aço purificado em recipientes fechados de argila sujeitos a calor intenso. A fabricação de aço de cadinho estava longe de ser algo novo, mas Huntsman inovou em seu processo, usando o coque como combustível por volta de 1740-42, o que resultava num metal bem mais puro do que o obtido anteriormente.

[ ![Bessemer Converter, Sheffield](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/17210.jpg?v=1743600014-1681742443) O Conversor Bessemer, Sheffield LHOON (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/17210/bessemer-converter-sheffield/ "Bessemer Converter, Sheffield")Outro passo adiante na produção de aço foi dado por John Neilson, em 1827 (patenteado em 1828), com uma técnica inovadora de aquecer o ar antes da introdução no alto-forno, conhecido como "jato de ar quente", que intensifica o calor. Fornalhas com temperaturas maiores permitiam a produção de metais mais puros, assim como requeriam menos combustível para o alto-forno, reduzindo os custos. Mesmo com estas inovações, no entanto, as quantidades produzidas eram insuficientes para atender às demandas da indústria pesada. A busca por aço mais barato representou um típico caso de inovação impulsionada por considerações de eficiência e custo-benefício.

Em 1856, Henry Bessemer foi estimulado pelo envolvimento britânico na Guerra da Crimeia (1853-56), contra a Rússia, a desenvolver aço de melhor qualidade e em maiores quantidades para os fabricantes de armas, especialmente canhões. Ele passou vários anos em pesquisas que consumiram dezenas de milhares de libras até que aperfeiçoou um novo tipo de alto-forno que se tornou conhecido como o conversor Bessemer.

O conversor consistia, essencialmente, num recipiente de tijolo refratário, com um invólucro externo de aço. O recipiente girava em torno de um eixo de forma que pudesse ser inclinado horizontalmente para permitir a inserção do minério de ferro na etapa do aquecimento e então inclinado novamente para despejar o metal fundido. O conversor Bessemer aquecia o ferro-gusa (ferro que contém carbono demais para ter muito valor) até 1550-1600 graus Celsius, removendo carbono e outras impurezas como manganês, fósforo e silício ao forçar o ar sob alta pressão na base do conversor através do metal fundido. As impurezas formam óxidos no momento da injeção do ar e, assim, são separadas como escória, deixando somente o aço fundido puro e resistente. Algumas impurezas acabaram por ser consideradas benéficas, dependendo de como o metal fosse utilizado; pequenas quantidades de manganês, por exemplo, deixavam o metal menos frágil.

O funcionamento do conversor cria uma impressionante apresentação pirotécnica quando o equipamento fica na posição vertical e faíscas e fumaça escapam da abertura no topo (em versões posteriores, o calor passou a ser reaproveitado para aquecer a parte inferior da fornalha, trazendo maior economia de energia). Para um olhar especializado, a cor das faíscas emitidas pelo conversor indica quando o processo de refino está completo. Inclina-se então o conversor para a posição horizontal e o aço é despejado em moldes. A parte final do processo, conhecida como *teeming* (a colocação do metal fundido nos moldes), precisa ser realizada precisa ser realizado com cuidado para evitar que bolhas de ar se formem dentro dos lingotes de aço e o enfraqueçam.

[ ![Bessemer Converter Model](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/17216.png?v=1679404869-1679404896) Modelo do Conversor Bessemer Science Museum, London (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/17216/bessemer-converter-model/ "Bessemer Converter Model")Os maiores conversores Bessemer podiam produzir até 30 toneladas de aço em 20 a 30 minutos. Anteriormente, levava-se um dia inteiro de trabalho para a produção de cerca de 5 toneladas. A partir daquele momento, portanto, começou a produção em massa de aço. Após a invenção de Bessemer, o custo do aço caiu de 50 libras a tonelada para somente 4 libras em 1875. Em 1880, as siderúrgicas britânicas produziam mais de 1,3 milhão de toneladas de aço anualmente. A produção da matéria-prima, o minério de ferro, cresceu também para atender ao apetite massivo dos conversores. Em 1885, a Grã-Bretanha produziu 9 milhões de toneladas de minério de ferro, mas, em 1875, a produção alcançou 15 milhões de toneladas. O minério de ferro vinha do próprio país (particularmente na região da Cúmbria), além da Espanha, Suécia e Alemanha, para alimentar as fornalhas da Grã-Bretanha e, acima de tudo, o coração da indústria siderúrgica britânica, em Sheffield.

### O Aço de Sheffield e seus Usos

A cidade de Sheffield, no condado de Yorkshire, tornou-se uma das maiores produtoras de aço do mundo, conquistando o apelido de "Cidade do Aço". Em 1770, havia apenas cinco siderúrgicas em Sheffield mas, em 1856, este número havia disparado para 135. Apropriadamente, o brasão da cidade (concedido em 1875) mostra a figura de Vulcano, o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) romano da metalurgia. Não foi por acaso que Huntsman e Bessemer a escolheram para suas fundições e siderúrgicas. Entre suas vantagens estava a existência de rios caudalosos, que forneciam energia via rodas d'água, vital para os foles que produziam as elevadas temperaturas fundamentais para as fornalhas. A região também dispunha de pedras de moinho em grãos, empregada para fabricar pedras de moagem circulares utilizadas para moldar, esmerilhar e, se necessário, afiar o aço.

Sheffield ganhou fama mundial por seu aço e, particularmente, pela cutelaria e agulhas. As facas e quaisquer outras ferramentas de corte, como foices, eram outras especialidades. O aço de melhor qualidade tinha especial emprego na medicina, especialmente na fabricação de instrumentos cirúrgicos. A flexibilidade do metal o tornava ideal para confeccionar molas de todos os tamanhos. Outros produtos bem-sucedidos incluíam maquinário agrícola pesado e trilhos ferroviários para a Grã-Bretanha, Estados Unidos e muitos outros países ao redor do mundo. Os números são impressionantes. Somente entre 1865 e 1874, Sheffield exportou para os Estados Unidos mais de 280.000 km de trilhos. Muitos destes projetos de grande porte foram beneficiados pela invenção do martelo a vapor, em 1839, pelo escocês James Nasmyth. O martelo a vapor utilizava a energia do vapor para forjar e dobrar com precisão grandes peças de metal, incluindo as de aço.

[ ![Coat of Arms of Sheffield](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/17217.png?v=1679406144-1679406184) Brasão de Armas de Sheffield Unknown Artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/17217/coat-of-arms-of-sheffield/ "Coat of Arms of Sheffield")A indústria siderúrgica trouxe empregos e dinheiro, mas o impacto no meio ambiente foi dramático. O destacado jornalista e político William Cobbett viajou de Londres para visitar Sheffield em 1830, ainda na infância desta indústria, e descreveu a experiência da seguinte forma:

> Em todo o percurso de Leeds a Sheffield há carvão e ferro, ferro e carvão. Estava escuro quando chegamos a Sheffield; assim, vimos as fornalhas de ferro em todo o horrível esplendor de sua chama eterna. Não se pode conceber nada mais grandioso ou mais terrível do que as ondas amarelas de fogo que escapam incessantemente do topo destas fornalhas \[...\] É chamada de Sheffield negra, e negra o suficiente ela é; mas desta cidade e seus arredores saem nove décimos das facas usadas em todo o mundo. (Dugan, 66-7)

### Mushet e o Aço de Tungstênio

O aço continuou evoluindo. O metalúrgico britânico Robert Forester Mushet (1811-1891) produziu aço de tungstênio em 1868. Como Bessemer, Mushet realizou experiências com o nível e tipo de impurezas existentes no ferro das fornalhas. Em vez de se esforçar para retirar quantidades específicas de impurezas, como outros metalúrgicos haviam feito, Mushet resolveu adotar uma ideia simples: remover todas as impurezas do minério de ferro e então reintroduzir quantidades específicas de algumas delas. Nesse processo, ele descobriu que uma certa porcentagem de tungstênio aumentava muito a resistência e a durabilidade do aço. Apesar de menos maleável do que outros tipos de aço, isso tinha pouca importância, pois o de tungstênio passou a ser empregado - conforme ainda ocorre atualmente - nas peças de menor tamanho e altamente resistentes, usadas em brocas, lâminas de corte e outras ferramentas metalúrgicas. Outra qualidade do tungstênio é a alta resistência ao calor, tornando-o a opção preferida para as lâmpadas incandescentes. O aço, em todas as suas formas, permaneceu como o rei dos metais de construção até o século XX, quando surgiram novos materiais, mais leves e ainda mais resistentes, como plásticos reforçados com fibras e as fibras de carbono.

#### Editorial Review

This human-authored article has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- [Allen, Robert C. *The British Industrial Revolution in Global Perspective .* Cambridge University Press, 2009.](https://www.worldhistory.org/books/0521687853/)
- [Armstrong, Benjamin. *Britain 1783-1885.* Hodder Education, 2020.](https://www.worldhistory.org/books/1510459154/)
- [Dugan, Sally & Dugan, David. *The Day the World Took Off.* Channel 4 Book, 2023.](https://www.worldhistory.org/books/0752218700/)
- [Forty, Simon. *100 Innovations of the Industrial Revolution.* Haynes Publishing UK, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/1785215663/)
- [Hepplewhite, Peter. *All About The Industrial Revolution.* Wayland, 2016.](https://www.worldhistory.org/books/075029485X/)
- [Horn, Jeff. *The Industrial Revolution .* Greenwood, 2007.](https://www.worldhistory.org/books/0313338531/)
- [Yorke, Stan. *The Industrial Revolution Explained.* Countryside Books, 2005.](https://www.worldhistory.org/books/1853069353/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE, mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Investigador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus interesses particulares incluem arte, arquitetura e a descoberta das ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Perguntas & Respostas

### O que a indústria do aço representou para a Revolução Industrial?
A indústria do aço foi importante na Revolução Industrial porque o metal, mais flexível e resistente do que o ferro, podia ser usado em grandes projetos de engenharia, como pontes e ferrovias. O aço também se mostrou muito útil para ferramentas e instrumentos afiados.

### Por que a fabricação do aço foi importante para a Revolução Industrial?
O processo de fabricação de aço inventado por Henry Bessemer foi importante para a Revolução Industrial porque, em épocas anteriores, seu elevado custo de fabricação fazia com que o ferro fosse mais utilizado. O aço, no entanto, é mais resistente, leve e maleável do que o ferro e estas propriedades o tornavam útil para os fabricantes e engenheiros civis.

### Quais são as vantagens do aço em relação ao ferro?
O aço é mais resistente, leve e maleável do que o ferro.


## Links Externos

- [Science Museum, London](https://collection.sciencemuseumgroup.org.uk/search?q=industrial%20revolution)

## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2025, August 13). A Indústria do Aço na Revolução Industrial Britânica. (R. Albuquerque, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2206/a-industria-do-aco-na-revolucao-industrial-britani/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "A Indústria do Aço na Revolução Industrial Britânica." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, August 13, 2025. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2206/a-industria-do-aco-na-revolucao-industrial-britani/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "A Indústria do Aço na Revolução Industrial Britânica." Traduzido por Ricardo Albuquerque. *World History Encyclopedia*, 13 Aug 2025, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2206/a-industria-do-aco-na-revolucao-industrial-britani/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Ricardo Albuquerque](https://www.worldhistory.org/user/ricardorangelgo/ "User Page: Ricardo Albuquerque"), publicado em 13 August 2025. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

