---
title: O Debate entre a Ovelha e o Cereal: Um Debate Sumério entre a Pecuária e a Agricultura
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2122/o-debate-entre-a-ovelha-e-o-cereal/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-09-18
---

# O Debate entre a Ovelha e o Cereal: Um Debate Sumério entre a Pecuária e a Agricultura

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

*O Debate entre a Ovelha e o Cereal* (*incipit*: *ud ul-f3-ta* - cerca de 2000 a.C.) é um dos debates literários sumérios mais conhecidos de um género que constituía entretenimento popular no final do III milénio a.C. Nesta obra, as personificações dos cereais e das ovelhas discutem qual é mais importante, tendo os cereais sido considerados os vencedores, uma vez que as ovelhas precisam dos cereais, mas os cereais não precisam das ovelhas.

[ ![Head of Ewe Figurine](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/2867.jpg?v=1789857503-ba8w32mf) Estatueta de Cabeça de Ovelha Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/2867/head-of-ewe-figurine/ "Head of Ewe Figurine")Pensa-se que a obra tenha sido inspirada pela tensão entre os agricultores sumérios e os pastores, dado que ambos necessitavam da terra. Os pastores precisavam de vastas extensões de terra para pastagem, mas estas eram frequentemente ocupadas por campos de cereais e, quando não era esse o caso, as valas de irrigação e os canais representavam obstáculos à deslocação do rebanho. Os pastores recorriam à sua deusa, Lahar, para pedir ajuda contra os agricultores, enquanto estes últimos recorriam à sua própria deusa dos cereais, Ashnan, para proteger os seus campos dos pastores. *O Debate entre a Ovelha e o Cereal* é frequentemente interpretado como uma discussão entre estas duas deusas no [grande salão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-17052/grande-salao/) de banquetes, depois de se terem embriagado.

A peça era um entretenimento popular, a julgar pelo número de cópias encontradas na Biblioteca do Templo de Nipur e noutros locais, desde meados do século XIX até meados do século XX. As peças de debate eram apresentadas na antiga Mesopotâmia como espetáculos dramáticos nas cortes, por atores profissionais que interpretavam os papéis do narrador e dos contendores.

*O Debate entre a Ovelha e o Cereal —* e outros debates semelhantes — seria comparável a uma peça da Broadway na era moderna, cuja estreia é exclusiva devido ao elevado preço dos bilhetes, mas que, com o tempo, passa para salas mais modestas, acessíveis a preços mais baixos. Uma peça de debate poderia ter começado a ser representada na corte de um rei, porém, posteriormente era apresentada noutros locais para as classes mais baixas, como sugere o número de cópias encontradas em vários locais.

### O Contexto

A origem do género do debate não é clara, mas, uma vez estabelecido, tornou-se parte integrante do currículo da *edubba* (Casa das Tábuas), as escolas de escribas sumérias. *O Debate entre a Ovelha e o Cereal* foi incluído como uma das peças mais difíceis que um aluno precisava de dominar após passar pelas fases de instrução da *Tetrada* (grupos de quatro composições) e da *Década* (grupos de dez composições).

Não é claro como estas peças poderiam ter sido utilizadas nas escolas — podem ter sido representadas por mais do que um aluno ou recitadas apenas por aquele que as tinha copiado —, mas, no período de [Ur](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-128/ur/) III (cerca de 2112 a cerca de 2004 a.C.), eram representadas regularmente na corte. O estudioso Jeremy Black comenta:

> Os debates formais eram um entretenimento popular na corte dos reis do período de Ur III. Existem registos que indicam que eram feitos pagamentos aos intérpretes que participavam. Normalmente, o confronto decorre entre dois fenómenos naturais, animais ou materiais significativos para a vida humana: Inverno e Verão, Ave e Peixe, Ovelha e Cereal, Árvore e Junco, Tamareira e Tamarisco, Enxada e Arado, Prata e Cobre. O debate decorre à medida que cada concorrente, personificado, fala alternadamente, muitas vezes com considerável acrimónia. Cada um tenta persuadir o público de que é mais benéfico para a humanidade do que o outro.
> (pág. 225)

O debate é normalmente concluído por um rei ou [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) que declara o vencedor. No caso de *O Debate entre a Ovelha e o Cereal*, [Enki](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14434/enki/), o deus da sabedoria, decide a favor do Cereal, e [Enlil](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13054/enlil/), o deus supremo (pai dos deuses), ratifica a decisão.

### O Resumo

O poema começa como um mito da criação na época dos antigos deuses Anunna, antes de existirem os cereais ou as ovelhas e, portanto, antes da época dos deuses mais jovens, como Uttu (deusa da tecelagem, que não deve ser confundida com Utu-Shamash, o deus do sol) ou Ningiszida (um deus do submundo, vegetativo, associado à agricultura, aqui possivelmente referido como Nigir-sig na linha 16) ou Sakkan (o senhor dos rebanhos e dos animais selvagens, por vezes referido como Cakkan). A referência a Ezina-Kusu na linha 11 diz respeito aos outros nomes (ou aspetos) da deusa Ashnan, que ganhou maior destaque depois de a anterior deusa da agricultura, Nisaba, se ter tornado a divindade da [escrita](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-72/escrita/).

Nas linhas 26-36, os deuses criam os Cereais e as Ovelhas, mas percebem que estes não constituem refeições satisfatórias e, por isso, decidem enviá-los da sua Montanha Sagrada para os humanos. As linhas 43-53 retratam a interação da humanidade com as ovelhas e os cereais, cercando as primeiras e cultivando os segundos, uma referência ao que hoje se conhece como criação de animais e à Revolução Agrícola. Ainda hoje é debatido se a domesticação da fauna ou da flora foi mais importante para o desenvolvimento da [civilização](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10175/civilizacao/), e esta obra é considerada a expressão mais antiga desse argumento.

[ ![Mapa do Crescente Fértil](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/12521-pt.png?v=1764949660-1765738802) Mapa do Crescente Fértil Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-12521/mapa-do-crescente-fertil/ "Mapa do Crescente Fértil")A Ovelha e o Cereal — Lahar e Ashnan — tornam o mundo belo, e os deuses An ([Anu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15601/anu/)) e Enlil estão satisfeitos com a sua decisão. Os problemas começam quando a Ovelha e o Cereal se embriagam no salão de jantar, e o Cereal afirmam ser superior à Ovelha (versos 65-91). O resto do poema apresenta a troca de argumentos entre os dois contendores até às linhas 180-191, quando Enki convence Enlil a proclamar o Cereal vencedor, porque este não precisa da Ovelha, ao passo que a Ovelha não pode viver sem o Cereal. As últimas linhas terminam com um elogio a Enki pela sua sabedoria em reconhecer que a agricultura é mais importante do que a [pecuária](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-51/pecuaria/).

### O Texto

A tradução infra é do texto extraído de *The Literature of Ancient Sumer* (*A [Literatura](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-562/literatura/) da Antiga [Suméria](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-114/sumeria/)*) traduzido por Jeremy Black *et* *al*. As elipses indicam palavras ou versos em falta, e os pontos de interrogação sugerem uma tradução alternativa para uma palavra ou frase.

> **1-11:** Quando, sobre a colina do céu e da terra, An gerou os deuses Anuna, visto que nem gerou nem criou o Cereal com eles, e dado que na Terra nem fêz o fio de Uttu (a deusa da tecelagem) nem estendeu o tear para Uttu – sem que surgisse nenhuma ovelha, não havia cordeiros em número, e sem cabras, não havia cabritos em número; a ovelha não dava à luz os seus cordeiros gémeos, e a cabra não dava à luz os seus cabritos trigémeos; os Anuna, os grandes deuses, sequer conheciam os nomes de Ezina-Kusu (o Cereal) ou da Ovelha.
> **12-25:** Não havia *muc* cereal de trinta dias; não havia *muc* cereal de quarenta dias; não havia *muc* cereal de cinquenta dias; não havia cereal pequeno, cereal das montanhas ou cereal das sagradas moradas. Não havia tecido para vestir; Uttu não havia nascido – nenhum turbante real era usado; o senhor Nigir-sig, o senhor precioso, não tinha nascido; Sakkan (o deus dos animais selvagens) não tinha saído para as terras áridas. As pessoas daqueles dias não sabiam o que era comer pão. Não sabiam o que era vestir roupas; andavam de membros nus na Terra. Como ovelhas, comiam erva com as bocas e bebiam água das valas.
> **26-36:** Nesse tempo, no lugar da formação dos deuses, na sua própria casa, no Monte Sagrado, criaram a Ovelha e o Cereal. Tendo-os reunido na câmara do banquete divino, os deuses Anuna do Monte Sagrado participaram da abundância da Ovelha e do Cereal, mas não ficaram saciados; os deuses Anuna do Monte Sagrado participaram do leite doce do seu santo aprisco, mas não ficaram saciados. Para o seu próprio bem-estar no santo aprisco, deram-nos à humanidade como sustento.
> **37-42:** Nesse tempo, Enki dirigiu-se a Enlil: «Pai Enlil, agora que a Ovelha e o Cereal foram criados no Monte Sagrado, desfilemo-los do Monte Sagrado.» Enki e Enlil, tendo proferido a sua palavra sagrada, fizeram descer a Ovelha e o Cereal do Monte Sagrado.
> **43-53:** Estando a Ovelha vedada pelo seu aprisco, deram-lhe erva e plantas em abundância. Ao Cereal prepararam o campo e deram-lhe o arado, o jugo e a junta de bois. A Ovelha, postada no seu aprisco, era uma pastora de apriscos transbordante de encanto. O Cereal, postado no seu regueiro, era uma bela rapariga a irradiar encanto; erguendo a cabeça altiva a partir do campo, estava inundada pela generosidade do céu. A Ovelha e o Cereal ostentavam um aspeto radiante.
> **54-64:** Trouxeram riqueza à assembleia. Trouxeram sustento à Terra. Cumpriram as ordenanças dos deuses. Encheram com gado os celeiros da Terra. Os celeiros da Terra estavam pesados com eles. Quando entravam nas casas dos pobres que se encolhem no pó, traziam riqueza. Ambos, para onde quer que dirigissem os seus passos, acrescentavam às riquezas da casa com o seu peso. Onde quer que se mantivessem de pé, eram gratificantes; onde quer que se instalassem, eram decorosos. Alegraram o coração de An e o coração de Enlil.
> **65-70:** Bebiam vinho doce, apreciavam [cerveja](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10181/cerveja/) doce. Quando tinham bebido vinho doce e apreciado cerveja doce, iniciaram uma altercação acerca dos campos cultivados, começaram um debate na sala de banquete.
> **71-82:** O Cereal interpelou a Ovelha: «Irmã, sou superior a ti; tenho precedência sobre ti. Sou a glória das luzes da Terra. Concedo o meu poder ao sajursaj (um membro do pessoal cúltico de [Inanna](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10035/inanna/)) – ele enche o palácio de temor reverente e o povo espalha a sua fama até aos confins da Terra. Sou a dádiva dos deuses Anuna. Sou central para todos os príncipes. Depois de ter conferido o meu poder ao guerreiro, quando ele vai para a guerra não conhece o medo, não conhece a vacilação (?) – faço-o partir... como se fosse para o campo de jogos.»
> **83-91:** «Eu fomento a boa vizinhança e a amizade. Resolvo desavenças surgidas entre vizinhos. Quando encontro um jovem cativo e lhe determino o destino, ele esquece o seu coração desanimado e eu solto os seus grilhões e ferros. Sou Ezina-Kusu (o Cereal); sou filha de Enlil. Nos currais de ovelhas e nos abrigos de ordenha espalhados pela alta planície, que podes contrapor-me? Responde-me com o que puderes replicar!»
> **92-101:** A isso a Ovelha retorquiu ao Cereal: «Minha irmã, o que estás tu a dizer? An, rei dos deuses, fez-me descer do lugar sagrado, o meu lugar mais precioso. Todos os fios de Uttu, o esplendor da realeza, pertencem-me. Sakkan, rei da montanha, grava os emblemas do rei e põe os seus apetrechos em ordem. Ele torce uma corda gigante contra os grandes picos da terra rebelde. Ele... a funda, a aljava e os arcos longos.»
> **102-106:** «A vigilância sobre as tropas de elite é minha. O sustento dos trabalhadores no campo é meu: o odre de água fresca e as sandálias são meus. O óleo doce, a fragrância dos deuses, o óleo misturado (?), o óleo prensado, o óleo aromático, o óleo de cedro para oferendas são meus.»
> **107-115:** «No manto, o meu tecido de lã branca, o rei regozija-se no seu trono. O meu corpo brilha sobre a carne dos grandes deuses. Depois de os sacerdotes da purificação, os sacerdotes dos encantamentos e os sacerdotes banhados se vestirem com ele para a minha sagrada lustração, caminho com eles para a minha sagrada refeição. Mas a tua grade, a tua charrua, as amarras e a correia são ferramentas que podem ser completamente destruídas. O que podes contrapor-me? Responde-me com o que puderes replicar!»
> **116-122:** De novo, o Cereal dirigiu-se à Ovelha: «Quando a massa de cerveja foi cuidadosamente preparada no forno, e a mistura vigiada no forno, Ninkasi (a deusa da cerveja) mistura-os por mim enquanto os teus grandes bodes e carneiros são enviados para os meus banquetes. Sobre as suas pernas grossas, são postos a postos em separado da minha produção.»
> **123-129:** «O teu pastor na alta planície olha para a minha produção com inveja; quando estou de pé no regueiro no campo, o meu agricultor espanta o teu pastores com o seu bordão. Mesmo quando vigiam por ti, desde o campo aberto até aos lugares escondidos, os teus temores não são afastados de ti: serpentes venenosas (?) e bandidos, as criaturas do deserto, querem a tua vida na alta planície.»
> **130-142:** «Todas as noites a tua contagem é feita, e a tua estaca de contagem é cravada no solo, para que o teu pastor possa dizer às pessoas quantas ovelhas existem e quantos cordeiros jovens, e quantas cabras e quantos cabritos jovens. Quando ventos suaves sopram através da cidade e ventos fortes se dispersam, constroem um curral de ordenha para ti; mas quando ventos suaves sopram através da cidade e ventos fortes se dispersam, eu levanto-me como igual a Iskur (o deus das tempestades). Eu sou o Cereal, nasço para o guerreiro – eu não desisto. A batedeira, a barrica de pernas (?), os adereços do pastoreio, compõem as tuas propriedades. O que podes contrapor-me? Responde-me com o que puderes replicar!»
> **143-155:** A isso a Ovelha retorquiu ao Cereal: «Tu, tal como a sagrada Inanna do céu, amas os cavalos. Quando um inimigo banido, um escravo das montanhas ou um trabalhador com uma mulher pobre e filhos pequenos chega, atado com a sua corda de um côvado, à eira ou é retirado da (?) eira, quando o seu bordão te golpeia a face, te golpeia a boca, como um pilão (?) ... os teus ouvidos (?) ... e és... empurrada pelo vento sul e pelo vento norte. O almofariz... Como se fosse pedra-pomes (?) transforma o teu corpo em farinha.»
> **156-168:** «Quando enches a gamela, o ajudante do padeiro mistura-te e atira-te ao chão, e a rapariga do padeiro achata-te amplamente. És colocada no forno e és retirada do forno. Quando és posta na mesa, eu estou à tua frente – tu estás atrás de mim. Cereal, acautela-te! Tu também, tal como eu, foste feita para ser comida. Na inspeção da tua essência, porque há de ser eu a vir em segundo lugar? Não é o moleiro perverso? O que podes contrapor-me? Responde-me com o que puderes replicar!»
> **169-179:** Ferida no seu orgulho, o Cereal apressou-se em busca de um veredito. O Cereal replicou à Ovelha: «Quanto a ti, Iskur é o teu mestre, Sakkan o teu pastor e a terra seca o teu leito. Como o fogo abafado (?) nas casas e nos campos, como os pequenos pássaros voadores afugentados da porta de uma casa, és transformada nos coxos e nos débeis da Terra. Devo eu realmente curvar o meu pescoço perante ti? És distribuída por vários recipientes de medida. Quando as tuas entranhas são retiradas pelas pessoas no mercado, e quando o teu pescoço é envolvido com o teu próprio tapa-sexo, um homem diz ao outro: "Enche o recipiente de medida com cereal para a minha ovelha!"»
> **180-191:** Então Enki dirigiu-se a Enlil: «Pai Enlil, a Ovelha e o Cereal devem ser irmãs! Devem estar lado a lado! Do seu metal tríduo... não cessará. Mas, das duas, o Cereal será o maior. Que a Ovelha caia de joelhos perante o Cereal. Que beije os pés de... Desde o nascer até ao pôr do sol, que o nome do Cereal seja louvado. O povo deve submeter-se ao jugo do Cereal. Quem tiver prata, quem tiver joias, quem tiver gado, quem tiver ovelhas tomará assento à porta de quem tiver cereal e ali passará o seu tempo.»
> **192-193:** DDebate travado entre a Ovelha e o Cereal: a Ovelha fica para trás e o Cereal avança – louvado seja o Pai Enki!

### Conclusão

*O Debate entre a Ovelha e o Cereal* teria sido encenado em rotação com outras peças de debate *,* incluindo *O Debate entre o Arado e a Enxada, [O Debate entre a Ave e o Peixe](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2160/o-debate-entre-a-ave-e-o-peixe/), O Debate entre o Inverno e o Verão* e outros títulos semelhantes, todos os quais parecem ter sido entretenimento popular para todas as classes sociais da Mesopotâmia. Conforme referido, *O Debate entre a Ovelha e o Cereal* parece ter sido especialmente popular, mas também foram descobertas várias cópias de outras obras.

Não se sabe ao certo durante quanto tempo as peças do género de debate foram representadas, mas continuavam a ser utilizadas pelas escolas de escribas durante o período neo-assírio (cerca de 912-612 a.C.) e faziam parte da coleção da [Biblioteca de Assurbanípal](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21476/biblioteca-de-assurbanipal/), em [Nínive](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-294/ninive/). Quando o [Império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) Assírio caiu em 612 a.C. e Nínive foi saqueada e incendiada, as chamas cozeram as tabuinhas de argila da biblioteca, e as paredes derrubadas cobriram-nas, preservando-as durante mais de 2 000 anos até serem descobertas em 1849 por Sir Austen Henry Layard. Traduzido pela primeira vez em 1918, *O Debate entre as Ovelhas e o Cereal* tem, desde então, encantado os leitores tanto quanto outrora encantou o seu público antigo.

#### Editorial Review

This human-authored article has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- [Bertman, S. *Handbook to Life in Ancient Mesopotamia.* Oxford University Press, 2005.](https://www.worldhistory.org/books/0195183649/)
- [Black, J. et al. *The Literature of Ancient Sumer.* Oxford University Press, 2006.](https://www.worldhistory.org/books/0199296332/)
- [Kramer, S. N. *History Begins at Sumer.* University of Pennsylvania Press, 1988.](https://www.worldhistory.org/books/0812212762/)
- [Kramer, S. N. *The Sumerians: Their History, Culture, and Character.* University of Chicago Press, 1971.](https://www.worldhistory.org/books/0226452387/)
- [Kriwaczek, P. *Babylon: Mesopotamia and the Birth of Civilization.* St. Martin's Griffin, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/1250054168/)
- [Leick, G. *The A to Z of Mesopotamia.* Scarecrow Press, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0810875772/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Perguntas & Respostas

### Quando foi escrito «O Debate entre a Ovelha e o Cereal»? 
O «O Debate entre a Ovelha e o Cereal» data de cerca de 2000 a.C. 

### Quem é o autor de «O Debate entre a Ovelha e o Cereal»?
Tal como acontece com quase todas as composições literárias mesopotâmicas, desconhece-se o autor de «O Debate entre a Ovelha e o Cereal». 

### Em que consiste o «O Debate entre a Ovelha e o Cereal»? 
«O Debate entre a Ovelha e o Cereal» é, em parte, um mito da criação, mas, sobretudo, uma discussão entre as personificações das ovelhas e dos cereais (a pecuária e a agricultura) sobre qual é superior. Os cereais saem vencedores da discussão porque as ovelhas precisam dos cereais, mas os cereais não precisam das ovelhas. 

### «O Debate entre a Ovelha e o Cereal» foi popular? 
Sim. A julgar pelo número de cópias em escrita cuneiforme da peça que foram encontradas, «O Debate entre a Ovelha e o Cereal» era bastante popular. Era representada regularmente nas cortes dos reis sumérios e noutros locais. 


## Links Externos

- [The Metropolitan Museum of Art/Mesopotamian Creation Myths by Ira Spar](https://www.metmuseum.org/essays/epic-of-creation-mesopotamia)
- [Facts and Details/Literature of Ancient Mesopotamia](https://africame.factsanddetails.com/article/entry-79.html)
- [The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature/The Debate Between Sheep and Grain](https://etcsl.orinst.ox.ac.uk/section5/tr532.htm)
- [Gateways To Babylon/Debate Between Sheep and Grain](https://www.gatewaystobabylon.com/myths/texts/disputations/sheepgrain.htm)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, September 18). O Debate entre a Ovelha e o Cereal: Um Debate Sumério entre a Pecuária e a Agricultura. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2122/o-debate-entre-a-ovelha-e-o-cereal/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "O Debate entre a Ovelha e o Cereal: Um Debate Sumério entre a Pecuária e a Agricultura." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 18, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2122/o-debate-entre-a-ovelha-e-o-cereal/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "O Debate entre a Ovelha e o Cereal: Um Debate Sumério entre a Pecuária e a Agricultura." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 18 Sep 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2122/o-debate-entre-a-ovelha-e-o-cereal/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 18 September 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

