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title: A Morte de Ur-Nammu: A Visão Suméria do Além
author: Joshua J. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2111/a-morte-de-ur-nammu/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-11-04
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# A Morte de Ur-Nammu: A Visão Suméria do Além

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

*A Morte de [Ur](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-128/ur/)-Nammu* (*incipit*: *tur3 me-te-a-ni nu-mu-un-da-an-ti*) é um lamento sumério sobre o falecimento do rei Ur-Nammu (reinou por volta de 2112-2094 a.C.), fundador da Terceira Dinastia de Ur, morto em combate contra os [gutis](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20148/gutis/) em 2094 a.C. O poema é frequentemente citado pela descrição de um grande banquete no submundo, que é normalmente descrito como escuro e silencioso.

[ ![Foundation Figurine of Ur-Nammu](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/3158.jpg?v=1778379857) Figura de base de Ur-Nammu Osama Shukir Muhammed Amin (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/3158/foundation-figurine-of-ur-nammu/ "Foundation Figurine of Ur-Nammu")Mesmo assim, a imagem do reino do além-vida continua longe de ser agradável, pois «a comida do submundo é amarga, a água do submundo é salobra» (versos 83-84; Black, pág. 59) e a alma está ciente do que foi perdido e da dor daqueles que ficaram para trás na Terra, mas nada pode fazer para alterar o seu destino ou consolar os enlutados.

A alma está plenamente consciente de si própria e completamente impotente assim que desce ao reino de Ereshkigal, Rainha dos Mortos, e esta compreensão do além contribuiu, em parte, para a crença em [fantasmas na antiga Mesopotâmia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2101/fantasmas-na-antiga-mesopotamia/): algumas almas, na tentativa de afirmar a sua autonomia, fugiam e regressavam ao mundo dos vivos.

O poema, também conhecido como *A Morte de Ur-Namma* e A Morte de Ur-Nammu e a Sua Descida ao Submundo*, data do reinado do filho e sucessor de Ur-Nammu, Shulgi de Ur (2094 a cerca de 2046 a.C.), e pode ter sido recitado como parte dos ritos fúnebres. O estudioso Samuel Noah Kramer observa que muitos dos detalhes do funeral nas linhas 31-42 refletem, sem dúvida, práticas reais, e que a interpretação de um lamento por um rei falecido não teria sido descabida.

Um aspeto especialmente interessante da obra é a representação dos deuses e a acusação de Ur-Nammu de que foi traído por eles. Ele confiou nos deuses mais poderosos, [Anu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15601/anu/) (An) e [Enlil](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13054/enlil/), para que o protegessem, mas, em vez disso, deixaram-no morrer no campo de batalha.

A sua protetora pessoal, a deusa [Inanna](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10035/inanna/), parece ter sido propositadamente enviada numa missão para a distrair e, quando regressa, fica indignada. Não é apresentada qualquer razão para a decisão dos deuses de retirar a sua proteção ao rei, que sempre os serviu fielmente, deixando sem resposta a questão de por que razão as pessoas boas sofrem e morrem.

### O Resumo

As linhas 1-75 descrevem a morte e o funeral de Ur-Nammu, incluindo a reação dos deuses nas linhas 8-14, onde [Enki](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-14434/enki/), o [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) da sabedoria, fecha a porta de Eridug ([Eridu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-129/eridu/)) e Utu, o deus do sol, recusa-se a iluminar o dia. A cidade de Ur é referida como Urim, para onde o corpo do rei é levado do campo de batalha. As linhas 76-197 descrevem a descida da sua alma ao submundo, as oferendas que ele leva aos deuses associados à vida após a morte, como o herói [Gilgamesh](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-781/gilgamesh/) e [Nergal](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15602/nergal/), consorte de Ereshkigal, e o grande banquete realizado em sua honra.

As linhas 155-197 apresentam o lamento de Ur-Nammu pela sua vida, o que dá lugar à fúria de Inanna ao descobrir que ele partiu para o submundo e à reação dos deuses nas linhas 198-233. O poema conclui com um louvor ao deus Ningiszida, uma divindade da vegetação e do submundo que era filho de Ninazu, o deus da transição para a vida após a morte e da transformação. Acredita-se que as últimas linhas, que se encontram fragmentadas, constituam um apelo a Ningiszida para que console a alma de Ur-Nammu no meio das suas lágrimas e lamentações.

[ ![Ur-Nammu](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/158.jpg?v=1790172332) Ur-Nammu Donald A. Mackenzie (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/158/ur-nammu/ "Ur-Nammu")### O Texto

A tradução infra é do texto extraído de *The Literature of Ancient Sumer* (*A [Literatura](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-562/literatura/) da [Suméria](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-114/sumeria/) Antiga*), traduzido para o inglês por Jeremy Black *et al*. As elipses indicam palavras ou frases em falta, e os pontos de interrogação sugerem a possibilidade de escolhas alternativas de palavras.

> **1-7:**... toda a terra ..., ... foi atingida, o palácio ficou devastado. ... o pânico espalhou-se rapidamente entre as habitações do povo de cabeça negra. ... lugares abandonados ... em Sumér. ... as cidades foram destruídas na sua totalidade; o povo foi tomado pelo pânico. O mal abateu-se sobre Urim e fez com que o pastor de confiança falecesse. Fez com que Ur-Namma, o pastor de confiança, falecesse; fez com que o pastor de confiança falecesse.
> **8-14:** Porque An tinha alterado completamente as suas palavras sagradas, ... ficou vazio, e porque, de forma enganosa, Enlil tinha alterado completamente o destino que ele havia decretado, Ninmah começou um lamento no seu... Enki fechou (?) a grande porta de Eridug. Nudimmud retirou-se para o seu quarto e deitou-se em jejum. No seu apogeu, [Nanna](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15667/nanna/) franziu o sobrolho perante as... palavras de An. Utu não surgiu no céu, e o dia estava cheio de tristeza.
> **15-21: A** mãe, desolada por causa do seu filho, a mãe do rei, a sagrada Ninsun, chorava: «Oh, meu coração!». Por causa do destino decretado para Ur-Namma, por ter levado à morte o pastor de confiança, ela chorava amargamente na ampla praça, que de resto é um local de diversão. O sono doce não chegava ao povo cuja felicidade...; passavam o tempo a lamentar-se pelo pastor de confiança que lhes tinha sido arrebatado.
> **22-30:** À medida que a cheia precoce enchia os canais, o seu inspetor de canais já se tinha calado (?); a cevada malhada cultivada nas terras aráveis, a vida da terra, ficou inundada. Para o agricultor, os campos férteis por ele plantados (?) renderam pouco. Enkimdu, o senhor dos diques e valas, retirou os diques e valas de Urim. (1 linha fragmentária) À medida que a inteligência e ...... da Terra se perdiam, os alimentos de qualidade tornaram-se escassos. As planícies já não produziam erva exuberante, mas sim a erva do luto. As vacas ..., o seu ... curral foi destruído. Os bezerros ... as suas vacas balavam amargamente.
> **31-51: O** sábio pastor... já não dá ordens. ... na batalha e no combate. O rei, o defensor de Sumer, o ornamento da assembleia, Ur-Namma, o defensor de Sumer, o ornamento da assembleia, o líder de Sumer, ... jaz doente. As suas mãos, que costumavam agarrar, já não conseguem agarrar; ele jaz doente. Os seus pés... já não conseguem dar passos; ele jaz doente. (1 linha fragmentária) O pastor de confiança, rei, a espada de Sumer, Ur-Namma, o rei da Terra, foi levado para a... casa. Foi levado para Urim; o rei da Terra foi conduzido para a... casa. O orgulhoso jazia no seu palácio. Ur-Namma, aquele que era amado pelas tropas, já não conseguia erguer o pescoço. O sábio... deitou-se; o silêncio instalou-se. Ao cair aquele que era o vigor da Terra, a Terra ficou devastada como uma montanha; como uma floresta de ciprestes, foi despojada, a sua aparência alterou-se. Como se fosse um buxo, lançaram-lhe machados na sua morada alegre. Como se fosse um cedro cheio de seiva, foi arrancado de raiz no palácio onde costumava dormir (?). O seu cônjuge... local de descanso;... foi coberto por uma tempestade; esta abraçou-o como uma esposa ao seu amado (?). A sua hora marcada tinha chegado, e ele faleceu no auge da vida.
> **52-75:** Os seus (?) sacrifícios agradáveis já não eram aceites; eram tratados como impuros (?). Os deuses Anuna recusaram as suas oferendas. An não se contentou com um «Já basta», e ele não conseguiu completar os seus (?) dias. Por causa do que Enlil ordenou, não houve mais ressurgimento; os seus homens amados perderam o seu sábio. Os estranhos transformaram-se em (?)... Quão injustamente Ur-Namma foi abandonado, como um jarro partido! O seu... com grandeza como (?) nuvens espessas (?). Ele já não... e não estende a mão para... «... Ur-Namma, ai de mim, o que me importa isso?» Ur-Namma, filho de Ninsun, foi levado para Arali, o... da Terra, no auge da sua vida. Os soldados que acompanhavam o rei derramaram lágrimas: o seu barco \[ou seja, Ur-Namma\] afundou-se numa terra tão estranha para eles como Dilmun. ... foi cortado. Foi despojado dos remos, das varas de empurrar e do leme que possuía. ...; o seu ferrolho foi partido. ... foi posto de lado; ficou (?) no salitre. Os seus burros foram encontrados junto ao rei; foram enterrados com ele. Os seus burros foram encontrados junto a Ur-Namma; foram enterrados com ele. À medida que atravessava o ... da Terra, a Terra foi privada do seu ornamento. A viagem para o submundo é um caminho desolado. Por causa do rei, as carruagens foram cobertas, as estradas ficaram em desordem, ninguém podia percorrê-las. Por causa de Ur-Namma, as carruagens foram cobertas, as estradas ficaram em desordem, ninguém podia percorrê-las.
> **76-87:** Ele ofereceu presentes aos sete porteiros-chefes do submundo. À medida que os reis famosos que tinham falecido e os sacerdotes icib, os sacerdotes lumah e as sacerdotisas nindijir, todos escolhidos por extispícia, anunciavam a chegada do rei ao povo, surgiu um tumulto no submundo. À medida que anunciavam a chegada de Ur-Namma ao povo, surgiu um tumulto no submundo. O rei sacrificou numerosos touros e ovelhas; Ur-Namma sentou o povo num enorme banquete. A comida do submundo é amarga, a água do submundo é salobra. O pastor de confiança conhecia bem os ritos do submundo, pelo que o rei apresentou as oferendas do submundo; Ur-Namma apresentou as oferendas do submundo: tantos touros impecáveis, cabritos impecáveis e ovelhas engordadas quantos fosse possível trazer.
> **88-91:** A Nergal, o Enlil do submundo, no seu palácio, o pastor Ur-Namma ofereceu uma maça, um grande arco com aljava e flechas, uma adaga de fabrico artístico e uma bolsa de couro multicolorida para usar na anca.
> **92-96:** A Gilgamesh, o rei do submundo, no seu palácio, o pastor Ur-Namma ofereceu uma lança, uma bolsa de couro para um gancho de sela, uma maza imitum celestial com cabeça de leão, um escudo apoiado no chão, uma arma heróica e um machado de batalha, um implemento muito apreciado por Ereshkigal.
> **97-101: A** Ereshkigal, a mãe de Ninazu, no seu palácio, o pastor Ur-Namma ofereceu um... que encheu com óleo, uma taça cajan de fabrico perfeito, uma vestimenta pesada, uma vestimenta de lã comprida, um manto pala digno de uma rainha, ... os poderes divinos do submundo.
> **102-105:** A Dumuzid, o amado marido de Inana, no seu palácio, o pastor Ur-Namma ofereceu uma... ovelha, ..., montanha..., um cetro dourado senhorial, ... uma mão resplandecente.
> **106-109:** A Namtar, que decreta todos os destinos, no seu palácio, o pastor Ur-Namma ofereceu joias de factura perfeita, um anel de ouro fundido (?) em forma de ... barcaça, pedra de cornalina pura, digna de ser usada no peito dos deuses.
> **110-113:** A Hucbisag, a esposa de Namtar, no seu palácio, o pastor Ur-Namma ofereceu um baú (?) com uma pega de lápis-lazúli, contendo (?) tudo o que é essencial no submundo, um grampo de cabelo de prata adornado com lápis-lazúli e um pente de estilo feminino.
> **114-122:** Ao valente guerreiro Ningiszida, no seu palácio, o pastor Ur-Namma ofereceu uma carruagem com... rodas cintilantes de ouro, ... burros, cavalos de raça, ... burros com coxas malhadas, ..., seguidos... por um pastor e um vaqueiro. A Dimpimekug, que se encontra ao seu lado, ofereceu-lhe um selo de lápis-lazúli pendurado num alfinete e um alfinete de ouro e prata com uma cabeça de bisonte.
> **123-128: À** sua esposa, Ninazimua, a augusta escriba, habitante de Arali, no seu palácio, o pastor Ur-Namma ofereceu um cocar com as augusta orelhas (?) de um sábio, feitas de alabastro, um... estilete, o símbolo do escriba, uma corda brilhante de agrimensor e a vara de medição...
> **129-131:** A …, o grande … do mundo subterrâneo, ele ofereceu 
> 2 linhas fragmentadas
> **132-144:** Depois de o rei ter apresentado devidamente as oferendas do submundo, depois de Ur-Namma ter apresentado devidamente as oferendas do submundo, o... do submundo, o..., sentou Ur-Namma num grande estrado do submundo e preparou-lhe uma morada no submundo. Por ordem de Ereshkigal, todos os soldados que tinham sido mortos por armas e todos os homens que tinham sido considerados culpados foram entregues nas mãos do rei. Ur-Namma era ..., pelo que, juntamente com Gilgamesh, o seu amado irmão, ele proferirá os julgamentos do submundo e tomará as decisões do submundo.
> **145-154:** Passados sete dias, passaram-se dez dias, e o lamento por Sumer oprimia o meu rei, o lamento por Sumer oprimia Ur-Namma. O coração do meu rei estava cheio de lágrimas, ele… lamentava amargamente não poder concluir a muralha de Urim; não poder desfrutar mais do novo palácio que tinha construído; que ele, o pastor, já não pudesse… a sua família (?); que já não pudesse dar prazer à sua esposa com o seu abraço; que não pudesse criar os seus filhos no colo; que nunca visse, no auge da juventude, a beleza das suas irmãzinhas que ainda não tinham crescido.
> **155-165:** O pastor de confiança... um lamento comovente por si próprio: «Eu, que fui tratado assim, servi bem os deuses, erigi capelas para eles. Criei abundância evidente para os deuses Anuna. Depositei tesouros nos seus leitos, salpicados de ervas frescas. No entanto, nenhum deus ficou ao meu lado para acalmar o meu coração. Por causa deles, tudo o que poderia ter sido um presságio favorável para mim estava tão distante de mim como os céus, o... Qual é a minha recompensa pela minha dedicação em servi-los durante os dias? Os meus dias chegaram ao fim por os ter servido sem dormir durante a noite! Agora, tal como a chuva que cai do céu não pode voltar atrás, ai de mim, nem eu posso regressar à Urim construída em tijolo.
> **166-186:** «Ai de mim, a minha esposa tornou-se viúva (?)! Ela passa os dias em lágrimas e lamentos amargos. As minhas forças esgotaram-se... A mão do destino... atinge-me amargamente, a mim, o herói. Como um touro selvagem..., não consigo... Como um touro poderoso..., Como um rebento..., Como um jumento..., morri. ... a minha... esposa... Ela passa os dias em lágrimas e lamentos amargos. O seu bondoso deus protetor abandonou-a; a sua bondosa deusa protetora já não se preocupa com ela. Ninsun já não repousa o seu braço [augusto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-412/augusto/) firmemente sobre a sua cabeça. Nanna, o senhor Acimbabbar, já não a conduz (?) pela mão. Enki, o senhor de Eridug, não... A sua... foi silenciada (?), ela já não consegue responder. Está à deriva como um barco numa tempestade violenta; a âncora não foi suficientemente forte para ela. Tal como um asno selvagem atraído (?) para um fosso perigoso, ela foi tratada com mão pesada. Tal como um leão caído numa armadilha, foi-lhe colocada uma guarda. Tal como um cão mantido numa jaula, ela está silenciada. Utu... não dá ouvidos aos gritos «Ó, meu rei» que a oprimem.
> **187-197:** As minhas canções de tigi, adab, flauta e zamzam transformaram-se em lamentos por minha causa. Os instrumentos da casa da música foram encostados à parede. Porque fui obrigada a... sobre um monte de terra (?) em vez do meu trono, cuja beleza era infinita; porque fui obrigada a deitar-me na estepe aberta e desolada em vez da minha cama, o local de descanso cuja... era infinita, ai de mim, a minha esposa e os meus filhos estão em lágrimas e a lamentar-se. O meu povo, a quem eu costumava comandar (?), canta como cantores de lamentos e cantores fúnebres por causa dela (?). Enquanto eu era assim tratado, a própria Inana, a senhora guerreira, não estava presente no meu veredicto. Enlil tinha-a enviado como mensageira a todas as terras estrangeiras para tratar de assuntos muito importantes.»
> **198-202:** Quando ela desviou o olhar dali, Inana entrou humildemente no resplandecente E-kur; ela... perante a testa feroz de Enlil. (Então Enlil disse:) «Grande senhora de E-ana, uma vez que alguém se curva, já não pode... (?) mais; o pastor de confiança deixou E-ana, já não o podes ver.»
> **203-216:** Minha senhora... entre o povo... Então Inana, a tempestade feroz, a filha mais velha de Suen, ..., fez os céus tremerem, fez a terra abalar-se. Inana destruiu os currais de gado, devastou os apriscos, dizendo: «Quero lançar insultos a An, o rei dos deuses: Quem pode alterar o curso dos acontecimentos, se Enlil elevar alguém? Quem pode alterar o significado das palavras augustas proferidas por An, o rei? Se houver decretos divinos impostos à Terra, mas estes não forem observados, não haverá abundância no lugar do nascer do sol dos deuses. O meu santo jipar, o santuário E-ana, foi fechado como (?) uma montanha. Se ao menos o meu pastor pudesse entrar nele antes de mim, no auge da sua vida — de outra forma, não entrarei! Se ao menos o meu forte pudesse crescer para mim como a erva e as ervas aromáticas no deserto. Se ao menos ele pudesse manter-se firme para mim como um barco fluvial na sua amarração tranquila.» É assim que Inana... lança um lamento por ele.
> **217-233:** Senhor Ningiszida... Ur-Namma, o meu..., que foi morto, 
> (1 linha fragmentária Entre lágrimas e lamentos, … decretou um destino para Ur-Namma: «Ur-Namma …, o teu nome augusto será invocado. Do sul até às terras altas, … o cetro sagrado. Sumer … até ao teu palácio. O povo admirará... os canais que cavaste, os... que construíste..., as vastas e grandiosas extensões aráveis que criaste..., os canaviais que drenaste, os amplos campos de cevada que... e as fortalezas e povoações que... Ur-Namma, invocarão... o teu nome. Senhor Nunamnir, que tudo supera..., afastará os espíritos malignos...»
> **234-242:** Depois do pastor Ur-Namma..., Nanna, senhor Acimbabbar,..., Enki, o rei de Eridug... ... devastou os currais... sagrado..., leão nascido nas alturas... a tua cidade; profere julgamentos justos. ..., louvado seja o senhor Ningiszida! Meu rei... entre lágrimas e lamentos;... entre lágrimas e lamentos.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Black, J. , et. al. . *The Literature of Ancient Sumer.* Oxford University Press, 2006.](https://www.worldhistory.org/books/0199296332/)
- [Kramer, S. N. *The Sumerians: Their History, Culture, and Character.* University of Chicago Press, 1971.](https://www.worldhistory.org/books/0226452387/)
- [Kriwaczek, P. *Babylon: Mesopotamia and the Birth of Civilization.* St. Martin's Griffin, 2012.](https://www.worldhistory.org/books/1250054168/)
- [Leick, G. *The A to Z of Mesopotamia .* Scarecrow Press, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0810875772/)
- Samuel Noah Kramer. "The Death of Ur-Nammu and His Descent to the Netherworld." *The Journal of Cuneiform Studies*, Volume 21; 1967, pp. 104-122.
- [Van De Mieroop, M. *A History of the Ancient Near East, ca. 3000-323 BC.* Wiley-Blackwell, 2015.](https://www.worldhistory.org/books/111871816X/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
- [Linkedin Profile](https://www.linkedin.com/pub/joshua-j-mark/38/614/339)

## Perguntas & Respostas

### De que trata a peça «A Morte de Ur-Nammu»?
«A Morte de Ur-Nammu» é um lamento pela morte do rei Ur-Nammu em combate, pela sua descida ao submundo e pela sua ira por ter sido traído pelos deuses a quem serviu fielmente e com quem contava para o proteger. 

### Quando foi escrito «A Morte de Ur-Nammu»?
A morte de Ur-Nammu data de 2094 a cerca de 2046 a.C., período do reinado do filho e sucessor de Ur-Nammu, Shulgi de Ur. 

### Por que razão os deuses permitem que Ur-Nammu morra na obra «A Morte de Ur-Nammu»?
«A Morte de Ur-Nammu» nunca responde à questão de saber por que razão os deuses permitem que o rei piedoso morra. 

### Por que razão é importante «A Morte de Ur-Nammu»?
«A Morte de Ur-Nammu» é uma importante composição suméria, pois oferece uma perspetiva diferente sobre a vida após a morte na Mesopotâmia, o papel dos deuses e os ritos funerários sumérios, além de expressar de forma poderosa a experiência humana da perda e do luto. 


## Links Externos

- [Sumerian People | Ur-Nammu](https://ancientmesopotamia.org/people/ur-nammu)
- [Sumerian Literature: Easy Comparative Reader for the ETCSL & Translations/Transliterations History Tool | Ethan J. Hulbert](https://www.ethanjhulbert.org/sumerian-literature/?text=2.4.1.1)
- [Sumerian Shakespeare/Ur-Namma Translation](https://www.sumerianshakespeare.com/urnamma-translation)
- [The Electronic Text Corpus of Sumerian Literature/The Death of Ur-Nammu](https://etcsl.orinst.ox.ac.uk/section2/tr2411.htm)

## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2026, November 04). A Morte de Ur-Nammu: A Visão Suméria do Além. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2111/a-morte-de-ur-nammu/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "A Morte de Ur-Nammu: A Visão Suméria do Além." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, November 04, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2111/a-morte-de-ur-nammu/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "A Morte de Ur-Nammu: A Visão Suméria do Além." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 04 Nov 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2111/a-morte-de-ur-nammu/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 04 November 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

