---
title: As Invasões da Índia pelas Companhias Inglesa e Holandesa das Índias Orientais
author: James Hancock
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2048/as-invasoes-da-india-pelas-companhias-inglesa-e-ho/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-06-05
---

# As Invasões da Índia pelas Companhias Inglesa e Holandesa das Índias Orientais

_Escrito por [James Hancock](https://www.worldhistory.org/user/geneticsofberries/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

No início do século XVII, as Companhias das Índias Orientais, holandesa e inglesa, voltaram a sua atenção para a Índia, como parte dos seus grandes planos para desenvolver redes comerciais extensas pelos mares da Índia e da China. Enfrentavam dois desafios significativos: 1) conquistar o favor dos Mogóis, que controlavam agora a maior parte do norte da Índia e, 2) expulsar os portugueses, que se encontravam bem entrincheirados ao longo da costa ocidental.

### **Os Mogóis**

Por volta de 1600, sob o comando de Akbar, o Grande (reinou 1556–1605), os Mogóis muçulmanos governavam a maior parte da Índia e tinham chegado ao subcontinente sensivelmente na mesma altura que os portugueses. Akbar era um trabalhador compulsivo que raramente dormia mais de três horas por noite e supervisionava pessoalmente a administração do seu vasto país. Edificou o seu [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) conciliando os governantes conquistados através do casamento e da diplomacia, conquistando o apoio até dos seus súbditos não muçulmanos.

[ ![European Settlements in India.](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/16196.png?v=1778945893-1659013975) Povoações Europeias na Índia Luis wiki (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/16196/european-settlements-in-india/ "European Settlements in India.")Quando Akbar morreu, Jahangir tornou-se o quarto imperador mogol, governando de 1605 até 1627, sendo um líder largamente ineficaz, viciado no ópio e vulnerável às intrigas palacianas. Sob o seu mandato, «o número de oficiais improdutivos e oportunistas proliferou, tal como a corrupção» (Heitzman, pág. 23). Jahangir era muito menos imparcial do que Akbar e apoiou as conversões em massa ao Islão. Casou-se com uma princesa persa e a corte encheu-se de artistas, académicos e escritores persas que encontraram asilo na corte mogol.

Jahangir foi substituído pelo filho, Shah Jahan (reinou 1628–1658), que nutria uma enorme paixão pela arquitetura, exemplificada pelo Taj Mahal. Também apoiou fervorosamente a literatura, a pintura e a caligrafia, e possuía, provavelmente, a maior coleção de joias do mundo. Este estilo de vida opulento não foi isento de consequências, pois sobrecarregou grandemente a economia do Império Mogol num período em que os recursos escasseavam.

O último dos grandes líderes mogóis foi Aurangzeb (reinou 1658–1707), que tomou o poder matando todos os irmãos e prendendo o pai, Shah Jahan. Sob o reinado de Aurangzeb, o império tornou-se a maior economia do mundo, detendo quase um quarto do produto interno bruto mundial, embora estivesse, simultaneamente, em declínio. «A burocracia tornara-se inchada e excessivamente corrupta, e o exército, enorme e pesado, exibia armamento e táticas obsoletos» (Heitzman, pág. 24). Quando Aurangzeb morreu, em 1707, o grande Império Mogol, que controlara a maior parte da Índia durante 180 anos, desmoronou-se rapidamente, dissolvendo-se em muitos pequenos estados independentes que foram sendo subjugados pelos ingleses.

[ ![The Court of Akbar](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/12136.jpg?v=1659120543) A Corte de Akbar Unknown artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/12136/the-court-of-akbar/ "The Court of Akbar")### **A Entrada da Inglaterra na Índia**

A primeira expedição da Companhia Inglesa das Índias Orientais (EEIC - *English East India Company*) à Índia foi liderada por William Hawkyns, que aportou o navio Hector em Surat a 24 de agosto de 1608. Hawkyns seguiu para a corte do imperador Jahangir, em Agra, onde esperava assegurar um acordo comercial, o que demorou algum tempo, uma vez que o imperador apreciava de tal forma a companhia de Hawkyns que o reteve durante três anos antes de lhe conceder um *farman* (licença) para construir uma feitoria. Enquanto esteve na corte, Hawkyns recebeu um salário generoso e uma mulher.

Em 1612, Thomas Best foi enviado de Inglaterra para Surat com uma frota de quatro embarcações; o [galeão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19938/galeao/) *Red Dragon*, e os navios mercantes armados: o *Hosiander*, o *James* e o *Solomon*. Pouco depois da sua chegada, uma esquadra de quatro galeões portugueses e 16 barcaças confrontou-os, seguindo-se uma batalha campal que durou três dias. Três dos galeões foram encalhados e um foi afundado, forçando os portugueses a retirar. Todo o episódio foi presenciado por milhares de pessoas na costa e impressionou de tal modo o *sardar* (governador) de Guzerate que este convenceu o imperador de que, doravante, deveria favorecer os ingleses em detrimento dos portugueses. Este acontecimento estabeleceu o comércio inglês na Índia de forma permanente.

Em 1615, Thomas Roe foi enviado à Índia como embaixador do Rei Jaime I e, através de presentes sumptuosos e lisonjas ao imperador Jahangir, conseguiu obter um *farman* para comerciar e estabelecer feitorias em todo o Império Mogol. Jahangir não estava disposto a conceder ao rei direitos comerciais exclusivos, mas permitiu aos ingleses o direito de competir com os mercadores tradicionais. A [Companhia das Índias Orientais](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20958/companhia-das-indias-orientais/) também convenceu o Império de Vijayanagara, no sul, a permitir a abertura de uma feitoria em Madras. Os ingleses começaram então a estabelecer postos comerciais ao longo das costas da Índia, e grandes comunidades inglesas fixaram-se nas três principais cidades mercantis: Calcutá (Kolkata), Madras (Chennai) e Bombaim (Mumbai).

### **A Primeira Dispersão Holandesa na Índia**

O primeiro mercador holandês enviado para a Índia pela [Companhia Holandesa das Índias Orientais](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22368/companhia-holandesa-das-indias-orientais/) (VOC - *Vereenigde Oostindische Compagnie*) foi David Van Deynssen, enviado para Surat em 1606. Infelizmente, a sua missão revelou-se um fracasso, uma vez que os portugueses conseguiram indispor as autoridades mogóis contra ele. Após ter sido torturado por estas e repetidamente ameaçado, acabou por se suicidar, deixando todas as mercadorias nas mãos daquelas autoridades.

[ ![VOC Trade Lodge in Hooghly, Bengal](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/16209.png?v=1659014507-1659014568) Feitoria da VOC em Hooghly, Bengala Hendrik van Schuylenbergh (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/16209/voc-trade-lodge-in-hooghly-bengal/ "VOC Trade Lodge in Hooghly, Bengal")A Companhia Holandesa das Índias Orientais passou os dez anos seguintes a tentar obter uma indemnização pelos bens de Van Deynssen, avaliados em cerca de 20 000 florins. Surgiu uma oportunidade em 1615, quando os Mogóis se ofereceram para devolver as mercadorias caso os holandeses lhes concedessem apoio naval na sua guerra contra os portugueses. Um feitor chamado Ravensteyn foi enviado por via terrestre de Masulipatão (Machilipatnam) para Surat para receber os bens, mas, quando lá chegou, os Mogóis e os portugueses tinham feito as pazes, e Ravensteyn regressou de mãos vazias.

Em seguida, o diretor-geral da Companhia Holandesa das Índias Orientais enviou Pieter Van den Broecke para Surat, em agosto de 1616, apesar do pouco sucesso inicial, finalmente, em 1618, com o apoio dos mercadores locais do Guzerate, o imperador Jahangir emitiu um generoso *farman* permitindo que os holandeses negociassem em Surat. Este acordo foi renovado 28 vezes entre 1618 e 1729.

### **As Companhias das Índias Orientais expandem-se a partir de Surat**

Surat deteve a maior parte da atenção inicial da Companhia Inglesa das Índias Orientais na Índia, mas a sua importância declinou drasticamente quando uma seca prolongada, na década de 1630, afetou todo o oeste da Índia. Como descreveu uma testemunha ocular:

> Quando entrámos na cidade de Surat, dificilmente conseguíamos ver quaisquer pessoas vivas, onde outrora havia milhares; e é tão grande o fedor de pessoas mortas que as pessoas saudáveis que entravam na cidade ficavam com o cheiro infetadas...
> (Barrow, pág. 13)

Surat conseguiu recuperar, mas a Companhia Inglesa das Índias Orientais deslocou gradualmente a sua atenção da costa ocidental da Índia para Bombaim, depois para Madras, na costa oriental do Coromandel, e, finalmente, para Calcutá, em Bengala.

Bombaim foi recebida como um presente dos portugueses para o rei inglês, Carlos II de Inglaterra (reinou 1660–1685), como parte do dote do seu casamento com [Catarina de Bragança](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2834/catarina-de-braganca/). A Companhia Inglesa das Índias Orientais mudou a sede para Bombaim em 1687, quando a pressão política local em Surat se tornou demasiado intensa e exigiu uma mudança. As autoridades locais estavam a ficar cada vez mais descontentes com a Companhia Inglesa das Índias Orientais, que começara a apresar as embarcações dos seus concorrentes europeus, prejudicando assim o comércio mogol. Os ingleses também temiam o outro poder regional, a Confederação Marata, que saqueara Surat em duas ocasiões.

[ ![East India Company Fort, Bombay](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/16210.png?v=1753526767-1659015314) Forte da Companhia das Índias Orientais, Bombaim Unknown Artist (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/16210/east-india-company-fort-bombay/ "East India Company Fort, Bombay")A Companhia Holandesa das Índias Orientais estabeleceu postos comerciais ao longo da costa do Coromandel no início do século XVII, tendo estabelecido feitorias em 1600 em Palecatte (Pulicat) e em 1615 em Masulipatão. Uma feitoria em Negapatão (Nagapattinam) foi conquistada aos portugueses em 1658. A Companhia Holandesa das Índias Orientais debateu-se com os portugueses e com as autoridades locais para manter estas povoações e, como resultado, a maior parte do seu comércio passou a organizar-se em torno de fortalezas e redutos. Os holandeses construíram o Forte Geldria em Pulicat, que se tornou a sede na costa do Coromandel e serviu de residência ao governador da Companhia Holandesa das Índias Orientais para o Coromandel até 1690.

O primeiro entreposto da Companhia Inglesa das Índias Orientais na costa do Coromandel foi em Masulipatão, em 1611, mas os ingleses deslocaram a sua colónia para sul, para Madras, em 1639, onde construíram o Forte de São Jorge (Fort St. George), para escapar à guerra contínua entre a dinastia Qutb Shahi de Golconda e os Mogóis. Madras foi selecionada mais pela sua localização do que pela conveniência, uma vez que não possuía um porto natural e o comércio era realizado por catamarãs entre terra e os navios ancorados. Em 1658, todas as outras povoações inglesas na costa do Coromandel foram subordinadas ao Forte de São Jorge e, por volta da década de 1670, Madras já tinha suplantado o volume de comércio de Surat.

Tanto os holandeses como os ingleses começaram a comerciar em Bengala no início do século XVII, mas foi apenas no início da década de 1630 que o governante mogol local concedeu às companhias europeias plenas concessões comerciais. O governador de Bengala, Shah Shuja, permitiu que os ingleses e holandeses negociassem sem quaisquer direitos alfandegários, em troca de pagamentos anuais ao seu governo. Os holandeses estabeleceram um posto comercial em Calcutá e, a partir daí, a Companhia Holandesa das Índias Orientais tomou quase toda a costa do Malabar aos portugueses, expulsando-os definitivamente da costa ocidental da Índia por volta de 1663. Estabeleceram a sua própria série de fortificações ao longo da costa, com sede em Cochim. A Companhia Inglesa das Índias Orientais estabeleceu as primeiras feitorias em Balasore em 1633, Kasim Bazar (Cossimbazar) em 1658, Hughli em 1658, Dhaka em 1668 e Calcutá em 1690.

Bengala tornar-se-ia o centro do comércio tanto da Companhia Holandesa das Índias Orientais como da Companhia Inglesa das Índias Orientais na Índia. A província de Bengala Subah do Império Mogol era o seu estado mais rico e tornou-se o centro mundial do comércio de musselina e seda. Além disso, grande parte da Índia dependia de produtos bengalis, tais como o arroz, a seda e o algodão, bem como o salitre era enviado de Bengala para a [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-35/europa/); o ópio era vendido na Indonésia; a seda em bruto para o Japão e a [Europa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15614/europa/); os têxteis de algodão e seda eram exportados para a Europa, Indonésia e Japão; e o algodão para as Américas e por todo o Oceano Índico. Bengala passou a representar cerca de 40% das importações holandesas provenientes da Ásia, incluindo mais de 50% dos têxteis e cerca de 80% da seda.

[ ![Map of Cochin](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14185.png?v=1760629325) Mapa de Cochim António Bocarro; Pedro Barreto de Resende (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14185/map-of-cochin/ "Map of Cochin")### **A Concorrência Francesa**

Em 1668, foi estabelecida a primeira feitoria francesa em Surat, na Índia, sob os auspícios da Companhia Francesa das Índias Orientais (CFIO - *Compagnie Française des Indes Orientales*), fundada por Jean-Baptiste Colbert, ministro das finanças do Rei Luís XIV de França (reinou 1643–1715). Em 1674, Pondicheri (Puducherry), situada a cerca de 137 quilómetros (85 milhas) a sul e não muito longe do centro comercial da Companhia Inglesa das Índias Orientais em Madras, na costa do Coromandel, tornou-se o centro da Índia Francesa.

Desde o início, os franceses viram-se em conflito constante com os holandeses e os ingleses. A zelosa Companhia Holandesa das Índias Orientais chegou mesmo a expulsá-los em 1693, mas a companhia regressou em 1699 e, durante os 100 anos seguintes, Pondicheri serviu como a capital indiana dos franceses, que acabaram por construir feitorias em Surat, Chandernagor (nome francês; anteriormente Chandernagore, agora Chandannagar), Calecute, Dhaka, Patna, Kasim Bazar, Balasore e Jodia.

O mais famoso governador da Índia Francesa foi Joseph François Dupleix, que tentou edificar um império territorial francês na Índia, apesar de o governo francês não estar particularmente interessado em provocar os britânicos. O exército de Dupleix chegou a controlar a área entre Haiderabade e o Cabo Comorim, mas foi alvo de constantes intrigas políticas e escaramuças militares com os ingleses. A ambição de Dupleix de criar um império francês na Índia foi frustrada quando o major-general britânico [Robert Clive](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-21074/robert-clive/) chegou à Índia em 1744, tomou posse de Bengala e, em seguida, esmagou as forças francesas. Dupleix foi sumariamente chamado de volta a França e exonerado em 1754.

### **A Companhia Holandesa das Índias Orientais Perde Fôlego**

Os lucros globais da Companhia Holandesa das Índias Orientais atingiram o seu auge na década de 1670 e iniciaram, depois, um declínio lento e gradual. A companhia foi forçada a abandonar a Formosa em 1663 e, como resultado, deixou de poder trocar a seda chinesa pelo ouro japonês que tradicionalmente utilizava para adquirir mercadorias asiáticas. Os holandeses tentaram focar-se no mercado da seda de Bengala, mas os lucros não foram, de longe, tão elevados. De 1675 a 1683, a Companhia Holandesa das Índias Orientais e a Companhia Inglesa das Índias Orientais entraram numa guerra de preços que deixou ambas as companhias à beira da falência. A Companhia Holandesa das Índias Orientais obteve um ligeiro fôlego em 1685, quando conseguiu expulsar a concorrência britânica de Bantam, em Java, mas este ganho foi amplamente anulado por uma decisão japonesa de limitar a exportação de ouro e prata nesse mesmo ano, privando completamente os holandeses da sua principal fonte de metais preciosos. Enfrentaram uma rebelião em Java de 1741 a 1743, após um massacre de 10 000 chineses locais em Batávia. A concorrência dos franceses e também dos dinamarqueses, no final do século XVII, colocou as suas possessões indianas em risco. Os redutos holandeses ao longo da costa do Malabar e do Golfo Pérsico foram finalmente perdidos no século XVIII, depois dos britânicos terem dizimado a sua marinha na Ásia Oriental durante a Quarta Guerra Anglo-Holandesa, entre 1780 e 1784.

[ ![English & Dutch Galleons in Combat](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/14773.png?v=1748598727) Galeões Ingleses e Holandeses em Combate Hendrick Cornelisz Vroom (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14773/english--dutch-galleons-in-combat/ "English & Dutch Galleons in Combat")### **A Companhia Inglesa das Índias Orientais Assume o Controlo Total da Índia**

Em 1686, a Companhia Inglesa das Índias Orientais sentiu que era o momento certo para embarcar numa guerra direta com o já decadente Império Mogol, de forma a obter amplos privilégios comerciais em todo o continente e, mais especificamente, para conseguir permissão para construir uma fortaleza em Bengala, que era vista como um passo crítico para proteger o florescente comércio da companhia naquela região face aos holandeses e aos contrabandistas.

A Primeira Guerra Anglo-Mogol (1686–1690) começou no rio Hugli, em Calcutá, e acabou por ser travada em ambas as costas. Frequentemente chamada de «Guerra de Child», foi impulsionada por um dos principais acionistas da companhia, Josiah Child, e revelou-se um grande embaraço para a nação inglesa. Foram envolvidos doze embarcações de guerra britânicos e várias batalhas deflagraram por todo o continente, incluindo um cerco a Bombaim e o incêndio da cidade de Balasore. A marinha britânica bloqueou os portos mogóis na costa ocidental e atacou o exército em terra. Várias cidades importantes foram significativamente danificadas no conflito, incluindo Bombaim, Madras, Calcutá e Chittagong.

Um ponto fulcral no conflito ocorreu quando os ingleses confiscaram um comboio de embarcações que transportava um carregamento de cereais para Yakut Khan, um líder regional que era aliado dos Mogóis, mas que se mantivera fora do combate. Em resposta, Sidi Yakut desembarcou uma força em Bombaim e iniciou um cerco à cidade que durou quase um ano e meio. A guerra terminou finalmente em 1600, quando o imperador mogol Aurangzeb emitiu um *farman* e permitiu que os ingleses construíssem uma fortaleza em Calcutá, mas não sem antes os obrigar a pagar uma multa astronómica, a devolver os bens apreendidos e a cumprir uma série de outras condições.

A reação à guerra em Inglaterra foi de veemente repulsa. Barrow cita um panfletário que descreveu como a guerra arruinara o bom nome da Inglaterra: «Assim se fez a Nação Inglesa feder nas narinas daquele povo; quando antes, desde o tempo em que pusemos o pé naquela Costa Dourada, éramos os mais amados e estimados de todos os europeus.» (pág. 18)

### **De Mercadores a Governantes**

À medida que o século XVIII avançava e a Companhia Holandesa das Índias Orientais era forçada a abandonar a Índia, o momento era o ideal para a Companhia Inglesa das Índias Orientais levar a sua invasão da Índia à conclusão final e fazer a transição de mercadores para governantes. A mudança da companhia para o papel de governante começou em Bengala, em 1756, quando, após décadas de um domínio benevolente por parte dos Mogóis, Siraj ud-Daulah se tornou o *nawab* (governador) e decidiu exercer a sua autoridade. Exigiu quantias exorbitantes de dinheiro à Companhia das Índias Orientais e lançou um ataque às fortificações inglesas em Calcutá. Tomou-as facilmente, juntamente com 146 prisioneiros que foram forçados a passar a noite na prisão do forte, apelidada de «Buraco Negro». Muitos morreram devido ao calor e à humidade, enfurecendo a comunidade colonial britânica.

[ ![The Victoria Memorial, Kolkata](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/16211.png?v=1659016789-1659016926) O Victoria Memorial, Calcutá PlaneMade (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/16211/the-victoria-memorial-kolkata/ "The Victoria Memorial, Kolkata")Foi enviada uma força de Madras para retomar a cidade, liderada por Robert Clive, que a recapturou rapidamente e mandou executar Siraj ud-Daulah. Seguiu-se um período de agitação e intriga palaciana até que o Tratado de Allahabad foi assinado em 1765 com o imperador mogol. Este tratado permitiu à companhia cobrar receitas nas províncias de Bengala, Bihar e Orissa em troca de um estipêndio anual e, em essência, transformou a companhia num estado soberano.

Muitas outras guerras se seguiram, as quais acabaram por dar aos britânicos o controlo da maior parte da Índia. A partir da década de 1740, a companhia travou pelo menos uma guerra de grande escala por década até cerca de 1850. As Guerras Anglo-Mysore (1766–1799) foram travadas pelo sul da Índia, as Guerras Anglo-Marata (1772–1818) pelo centro da Índia e as Guerras Sikh finais (1845–1849) pelo Punjab, no norte da Índia.

### **O Fim do Domínio da Companhia Inglesa das Índias Orientais na Índia**

A Companhia Inglesa das Índias Orientais governou a Índia até 1858, quando a Rebelião Indiana levou o governo britânico a assumir o controlo do país. Sensivelmente na mesma altura das Guerras do Ópio, a companhia começou a testemunhar um aumento rápido da insurgência nos seus territórios indianos. A conquista do subcontinente pela companhia durante o século XVIII e o início do século XIX deixara muitas cicatrizes. Muitos dos rebeldes eram indianos pertencentes ao próprio exército da Companhia Inglesa das Índias Orientais que, nesta altura, crescera para mais de 200 000 homens, dos quais 80% eram recrutas indianos. Os rebeldes apanharam os britânicos desprevenidos e conseguiram matar muitos soldados e civis britânicos, bem como indianos leais à companhia. Em retaliação, a companhia assassinou brutalmente milhares de habitantes locais, tanto rebeldes como qualquer pessoa suspeita de simpatizar com a rebelião. O episódio terminou em Deli, onde 1400 pessoas foram assassinadas. Como citado por William Dalrymple:

> As ordens foram dadas para abater cada alma», registou Edward Vibart, um oficial britânico de dezanove anos. «Foi literalmente um massacre... Vi muitas cenas sangrentas e terríveis ultimamente, mas uma como a que presenciei ontem, rogo a [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/) que nunca volte a ver. As mulheres foram todas poupadas, mas os seus gritos, ao verem os seus maridos e filhos serem esquartejados, foram penosíssimos... O Céu sabe que não sinto piedade, mas quando algum velho de barba grisalha é trazido e baleado diante dos nossos próprios olhos, duro deve ser o coração desse homem, creio eu, para conseguir observar com indiferença...
> (pág. 7)

Na sequência deste levantamento sangrento, o governo britânico aboliu efetivamente a Companhia Inglesa das Índias Orientais em 1858, retirando-lhe todos os poderes administrativos e fiscais. A Coroa assumiu o controlo de todos os seus territórios e forças armadas. Começou assim o Raj birtânico (Império Britânico da Índia) e o domínio colonial britânico direto sobre a Índia, que continuou até que a independência foi concedida ao país em 1947.

#### Editorial Review

This human-authored article has been reviewed by our editorial team before publication to ensure accuracy, reliability and adherence to academic standards in accordance with our [editorial policy](https://www.worldhistory.org/static/editorial-policy/).

## Bibliografia

- [Barrow, Ian. *The East India Company, 1600–1858.* Hackett Publishing Company, Inc., 2017.](https://www.worldhistory.org/books/1624665969/)
- Freedman, P. *India: A Country Study.* Federal Research Division, Library of Congress, Washington, DC., 2008
- [Hancock, James F. *Spices, Scents and Silk.* CABI, 2021.](https://www.worldhistory.org/books/1789249759/)
- [Heitzman, J. and Worden, R.L. *India: A Country Study.* Federal Research Division, Library of Congress, Washington, DC., 1995.](https://www.worldhistory.org/books/B00JHJVCJI/)
- [McCusker, John J. *History of World Trade Since 1450.* MacMillan Reference Library, 2005.](https://www.worldhistory.org/books/0028658418/)
- [Richards, John F. *The Mughal Empire .* Cambridge University Press, 1996.](https://www.worldhistory.org/books/0521566037/)

## Sobre o Autor

James F. Hancock é um escritor freelancer e professor emérito da Michigan State University. Possui especial interesse na pesquisa da evolução da cultura agrícola e história do comércio. Seus livros incluem "Spices, Scents and Silk" (CABI) e "Plantation Crops" (Routledge).

## Cite Este Artigo

### APA
Hancock, J. (2026, June 05). As Invasões da Índia pelas Companhias Inglesa e Holandesa das Índias Orientais. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2048/as-invasoes-da-india-pelas-companhias-inglesa-e-ho/>
### Chicago
Hancock, James. "As Invasões da Índia pelas Companhias Inglesa e Holandesa das Índias Orientais." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, June 05, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2048/as-invasoes-da-india-pelas-companhias-inglesa-e-ho/>.
### MLA
Hancock, James. "As Invasões da Índia pelas Companhias Inglesa e Holandesa das Índias Orientais." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 05 Jun 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2048/as-invasoes-da-india-pelas-companhias-inglesa-e-ho/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 05 June 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

