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title: Cerco de Cusco em 1536–1537
author: Mark Cartwright
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2020/cerco-de-cusco-em-1536-1537/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-09-16
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# Cerco de Cusco em 1536–1537

_Escrito por [Mark Cartwright](https://www.worldhistory.org/user/markzcartwright/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Os dois cercos a Cusco, em 1536-1537, foram as últimas grandes ações militares dos incas na tentativa de recuperar o seu [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) das mãos dos conquistadores espanhóis liderados por [Francisco Pizarro](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13148/francisco-pizarro/) (cerca de 1478-1541). A cavalaria europeia revelou-se praticamente invencível, e a cidade resistiu até à chegada de reforços vindos de todas as partes das Américas.

Os incas, liderados por Manco Inca Yupanqui (cerca de 1516-1544), continuaram a resistir à invasão do seu mundo durante mais algumas décadas, recorrendo principalmente à guerra de guerrilha, mas a perda do seu grande centro religioso e político em Cusco revelou-se um golpe do qual nunca mais se recuperariam.

[ ![Fortification Walls, Sacsayhuaman](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/16069.png?v=1777136429) Muralhas de Fortificação, Sacsayhuamán Xauxa (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/16069/fortification-walls-sacsayhuaman/ "Fortification Walls, Sacsayhuaman")### O Coração de um Império

Cusco (Cuzco ou quíchua: Qosqo) foi a capital religiosa e administrativa do Império Inca, que prosperou no antigo Peru entre cerca de 1400 e 1534. Os Incas construíram o maior império jamais visto nas Américas e governaram cerca de 10 milhões de pessoas. Cusco, fundada no século XIV num local com uma história muito mais antiga, contava com uma população de cerca de 240 000 habitantes no século XVI. De importância estratégica na confluência de três rios, os conquistadores espanhóis sabiam que, se capturassem o coração do Império Inca, o resto entraria em colapso em breve. Aqui situava-se o centro administrativo, religioso e geográfico do mundo inca, com o complexo sagrado de [Coricancha](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12513/coricancha/) (Qorikancha) e grandes praças cerimoniais. Com cerca de 40 hectares, a capital era protegida no lado norte pela fortaleza de Sacsayhuamán (Saqsawaman). Esta estrutura imponente apresentava três terraços dispostos em ziguezague, de modo que cada muralha contava com até 40 segmentos, permitindo aos defensores apanhar os atacantes num fogo cruzado. Apenas uma pequena porta em cada terraço dava acesso ao interior. Diz-se que a fortaleza tinha capacidade para 1 000 guerreiros.

Os incas já tinham sido atingidos pela primeira terrível arma espanhola: uma epidemia de doenças, como a varíola, que se tinha espalhado a partir da América Central ainda mais rapidamente do que os próprios invasores europeus. Esta onda de doenças matou entre 65% e 90% da população. Uma dessas doenças matou o soberano inca Wayna Qhapaq em 1528, e dois dos seus filhos, Waskar e [Atahualpa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12512/atahualpa/), travavam agora uma devastadora guerra civil pelo controlo de um império que já lutava para se impor a uma miríade de povos diferentes, precisamente quando os caçadores de tesouros europeus chegaram.

### Pizarro e os Conquistadores

O [conquistador](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-13809/conquistador/) Francisco Pizarro, então já com cerca de 55 anos, chegou ao Peru com uma força surpreendentemente reduzida de homens, cujo único interesse era repetir a conquista do México por [Hernán Cortés](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-12267/hernan-cortes/) (1485-1547) e saquear os tesouros da região. Tendo obtido do rei de Espanha, Carlos V, Imperador do Sacro [Império Romano](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-100/imperio-romano/) (reinou 1519-1556), o direito legal de se tornar governador das novas terras colonizadas e de ficar com um quinto da riqueza adquirida, Pizarro organizou a sua terceira expedição em 1531, liderando apenas 260 homens até aos Andes. Ao descerem pela costa do Equador, saqueando pelo caminho, os invasores repararam nas estradas e armazéns bem construídos, indicadores claros de que estavam a invadir as terras de um império rico. A 15 de novembro de 1532, foi estabelecido o primeiro contacto com o povo inca, e Pizarro fez saber que desejava falar com o seu rei.

[ ![Francisco Pizarro](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/2878.jpeg?v=1788894545-1774361252) Francisco Pizarro Llull (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/2878/francisco-pizarro/ "Francisco Pizarro")Atahualpa, que tinha derrotado o seu irmão Waskar, encontrou-se com os espanhóis — trocaram-se discursos e a habilidade dos espanhóis a cavalo foi exibida enquanto se serviam bebidas. Este início convivial durou menos de 24 horas. Pizarro atacou os incas no dia seguinte, com os seus canhões e armas de fogo a garantirem uma vitória total, na qual 7 000 incas foram mortos, sem qualquer perda espanhola. Atahualpa foi atingido na cabeça e capturado vivo. Pizarro (ou Atahualpa) estipulou que o rei recuperaria a liberdade se uma sala com 6,2 x 4,8 metros fosse preenchida com todos os tesouros que os incas pudessem fornecer até uma altura de 2,5 m. Os incas acataram a condição e, ao longo dos meses seguintes, com Atahualpa ainda a governar o seu império a partir do cativeiro, o saque foi reunido. Entretanto, Pizarro enviou missões de reconhecimento para ver o que mais poderia ser de interesse no Império Inca, nomeadamente na capital, Cusco. De forma pouco honrada, Atahualpa foi executado a 26 de julho de 1533. Pizarro foi posteriormente repreendido pelo seu próprio monarca por este ato de traição, mas pode ter sido intenção do conquistador subjugar os incas com este único golpe contra o governante que consideravam nada menos do que um [deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/).

Hernando Pizarro (1501-1578) relatou ao seu irmão que Cusco era uma cidade que brilhava com ouro. À medida que os espanhóis marchavam para sul, recebiam alimentos e assistência militar de povos que estavam mais do que dispostos a libertar-se do jugo do domínio inca. Encontraram e derrotaram uma breve resistência a caminho de Cusco, e depois a própria capital caiu sem grande alarido a 15 de novembro de 1533. O Coricancha foi despojado do seu revestimento dourado, e tudo o que tinha valor foi levado, desde penas exóticas a esmeraldas. Tudo na campanha até então parecia notavelmente fácil, mas o castelo de cartas inca ainda não se tinha desmoronado totalmente.

### Manco Inca Yupanqui

A estratégia de Pizarro consistia em instalar um governante fantoche inca em Cusco, primeiro Thupa Wallpa (irmão de Waskar) e depois Wayna Qhapaq. Entretanto, os conquistadores partiram para explorar quaisquer outros locais lucrativos nesta terra de ouro, tendo o próprio Pizarro rumado à costa. Os territórios do norte opuseram uma resistência mais acirrada aos invasores, onde [a arte da guerra](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16193/a-arte-da-guerra/) tradicional inca foi adaptada para enfrentar o novo desafio do aço, das balas e da cavalaria. Então, em abril de 1535, a situação começou a mudar. Manco Inca Yupanqui (também grafado Manqo Inka), o novo líder inca desde 16 de novembro de 1533 e mais um pretendido fantoche de Pizarro, formou um exército de resistência e sitiou tanto Cusco como a Cidade dos Reis (Lima), agora o principal reduto espanhol.

[ ![Coronation of Manco Inca Yupanqui](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/16063.png?v=1655812420) Coroação de Manco Inca Yupanqui Felipe Guáman Poma de Ayala (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/16063/coronation-of-manco-inca-yupanqui/ "Coronation of Manco Inca Yupanqui")Manco Inca nunca teria chegado a ser governante no antigo Império Inca, uma vez que tinha demasiados irmãos mais velhos. Na verdade, Manco era um pária na sequência da tomada do poder por Atahualpa e da subsequente purga dos membros da realeza inca rivais. Manco ainda não tinha 20 anos, mas possuía experiência militar, nomeadamente na conquista inca do povo Antisuyu, que vivia no que é hoje a Bolívia. Parecia o candidato ideal para Pizarro escolher como mais um governante fantoche. Manco Inca permitiu inicialmente que o seu exército fosse utilizado pelos conquistadores nas suas batalhas contra os incas de Atahualpa.

Infelizmente para os espanhóis, porém, Manco Inca tinha as suas próprias ambições e viu a divisão entre os invasores como uma oportunidade a não perder. Manco Inca uniu forças com o conquistador descontente Diego de Almagro (cerca de 1475-1538), um grande rival de Pizarro que tinha sido nomeado vice-governador de Cusco em janeiro de 1535. Depois, quando Carlos V decidiu que a nova colónia deveria ser dividida entre Pizarro e Almagro, este último partiu de Cusco em julho para explorar o Chile. A capital inca estava agora nas mãos de Juan Pizarro e Gonzalo Pizarro (cerca de 1512-1548), que ambos pressionaram Manco Inca de forma excessiva. O soberano inca estava sob pressão adicional do seu próprio povo para pegar em armas e livrar a região destes invasores problemáticos, com o seu apetite insaciável por ouro e prata. Manco Inca tentou abandonar secretamente a cidade, mas foi capturado e preso pelos espanhóis. Outros líderes incas tinham conseguido fugir, nomeadamente o general e tio de Manco, Tiso. Estes líderes começaram a organizar uma revolta em todo o império e a atacar conquistadores isolados que se tinham estabelecido em quintas. Então, Hernando Pizarro regressou de Espanha com instruções de Carlos V para que o soberano inca fosse tratado como o monarca que era. Manco Inca foi libertado da prisão.

Enquanto Hernando se encontrava ausente numa expedição contra os rebeldes incas, Manco Inca convenceu os espanhóis a permitirem-lhe partir numa peregrinação religiosa. O soberano [prometeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11877/prometeu/) que traria de volta uma estátua sagrada de ouro para os conquistadores; na verdade, levou consigo muitas relíquias sagradas incas e múmias ao abandonar Cusco. A 18 de abril, e com apenas uma escolta de dois homens, Manco Inca conseguiu escapar. Agora, com o seu tradicional líder *sapa inca*, o exército inca podia mobilizar-se plenamente. Dezenas de milhares de guerreiros começaram a reunir-se nos arredores de Cusco.

### O Cerco de 1536

O cerco de Cusco começou a 6 de maio de 1536 — mais tarde, haveria críticas ao alto comando inca por não terem atacado a cidade com a devida rapidez, mas estes tinham pretendido, em primeiro lugar, reunir toda a sua força militar. Manco Inca esteve presente pessoalmente no cerco, mas deixou o comando da linha da frente a cargo de guerreiros mais experientes. A primeira tática do exército inca consistiu em abrir os canais da cidade, inundando a área para que os temidos cavalos espanhóis tivessem mais dificuldades a percorrer o terreno.

[ ![Sacsayhuaman Fortifications](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/3544.jpg?v=1777136416) Fortificações Sacsayhuaman David Stanley (CC BY) ](https://www.worldhistory.org/image/3544/sacsayhuaman-fortifications/ "Sacsayhuaman Fortifications")Os incas estavam equipados com lanças, fundas, arcos, dardos, espadas de madeira dura, alabardas, porretes, machados de batalha, bolas e armas únicas como o *rompecabezas*, um bastão de madeira com uma bola com pontas na ponta, e o *haybinto*, uma peça de pedra ou bronze com pontas presa a uma corda que podia ser balançada ao comprimento do braço. Embora não dispusessem de equipamento especializado de cerco, cercar e atacar uma fortaleza tinha sido uma característica comum da guerra inca antes da chegada dos europeus. Uma inovação que se revelou particularmente útil nestes cercos foi a utilização de escudos enormes para proteger os atacantes dos projéteis lançados pelos defensores. Os escudos eram feitos de espessas almofadas de algodão esticadas sobre armações de madeira. Os incas também usavam armaduras corporais feitas de couro reforçado ou com pequenas placas de metal adicionadas a uma túnica de lã ou algodão (um *uncu*). Usavam capacetes de algodão acolchoado, madeira ou cana trançada, todos materiais suficientemente resistentes para suportar golpes diretos de projéteis de pedra. Por fim, os incas não tinham qualquer receio em utilizar armas, armaduras e até cavalos capturados aos espanhóis.

Os espanhóis estavam armados com espadas e armaduras de metal, armas de pólvora e, mais importante de tudo, lanças de 3 a 3,5 m (10 a 12 pés) empunhadas pela cavalaria. Embora bem protegido contra os projéteis incas, um soldado europeu podia ainda assim ficar vulnerável, por exemplo, a um golpe direto no rosto ou quando era apanhado a pé e dominado pela superioridade numérica. Na fase inicial do cerco, as unidades de cavalaria revelaram-se tão eficazes como tinham sido no México e em batalhas anteriores na América do Sul, tal como aqui descrito por Cieza de León:

> …formando duas companhias com bestas, broquelas e piques, e outras duas com cavalos, ele \[o comandante Rojas\] aproximou-se do maior esquadrão dos índios por dois flancos, de modo que as bestas pudessem causar-lhe grande dano… ele \[então\] atacou pelos dois flancos com os cavalos em formação fechada e compacta. Atropelando e matando com as lanças, abriram o esquadrão… os índios foram derrotados e dispersos.
> (Sheppard, pág. 45)

### O Primeiro Ataque

O exército inca, talvez com cerca de 100 000 guerreiros, estava finalmente pronto para expulsar os espanhóis, liderados por Hernando Pizarro, que contava com apenas 196 combatentes (110 soldados de infantaria e 86 cavaleiros). Os defensores contavam com o reforço de cerca de 2 000 aliados indígenas (na sua maioria cañaris e chachapoyas), vários escravos africanos e uma única peça de artilharia. Lentamente e de forma deliberada, o exército inca estreitou o seu perímetro em torno da cidade e cercou os espanhóis. A fortaleza de Sacsayhuamán foi facilmente tomada, uma vez que Hernando não a tinha guarnecido. Destas alturas, os incas lançaram pedras incandescentes com as suas fundas, que incendiaram os telhados de colmo da cidade. Avançando pelas ruas cheias de fumo, os incas enfrentaram o inimigo numa violenta batalha corpo a corpo. Quando a batalha chegou aos espaços abertos das praças cerimoniais sagradas, a cavalaria espanhola pôde finalmente entrar em ação, mas os europeus viram-se obrigados a recuar para as defesas mais sólidas do coração da cidade sagrada. Os sitiados foram grandemente ajudados pelos povos nativos, que traziam provisões de comida para a cidade durante a noite. Entretanto, os incas construíram obstáculos com espigões e fossos em todas as ruas para impedir uma fuga da cavalaria espanhola. Hernando ordenou então que a sua infantaria e cavalaria nativas fossem utilizadas em conjunto para tentar desbloquear passagens específicas, uma tática que acabou por permitir aos espanhóis escapar para o terreno mais aberto dos arredores da cidade.

[ ![Inca Military Tunic](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/4620.jpg?v=1712301490) Túnica Militar Inca Fae (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/4620/inca-military-tunic/ "Inca Military Tunic")### A Vitória Espanhola

Juan Pizarro foi encarregado de liderar uma força de 50 cavaleiros e 120 soldados de infantaria para reconquistar a fortaleza de Sacsayhuamán. Juan atacou as fortificações de surpresa pelo lado exterior, depois de fazer crer que a sua força estava a partir para Lima. No entanto, os dois primeiros ataques espanhóis falharam sob o fogo cruzado das fundas incas. Um terceiro ataque ao portão principal foi bem-sucedido, embora Juan tenha sido mortalmente ferido na ação, tendo o seu irmão Gonzalo assumido o comando. Ambos os lados concentraram-se então em Sacsayhuamán, com cada comandante a reforçar as suas tropas no local. Hernando Pizarro assumiu o comando do ataque e, utilizando escadas durante a noite, conseguiu escalar as muralhas da fortificação, forçando os incas a recuarem para uma secção com três torres. Por fim, os incas ficaram sem munições de pedra para as suas fundas e foram derrotados; muitos preferiram atirar-se das altas muralhas para a morte a serem massacrados pelas espadas espanholas.

Fundamentalmente, os exércitos incas sitiantes eram compostos, em grande parte, por camponeses recrutados à força para o serviço militar, e não podiam abandonar a colheita sem deixar as suas comunidades à fome. Em agosto, o cerco teve de ser abandonado e os remanescentes do exército inca retiraram-se para Ollantaytambo (Ullantaytampu), a cerca de 45 milhas a noroeste. Manco Inca ordenou que um enorme saco fosse deixado em Cusco, onde os espanhóis o encontrariam. Os conquistadores encontraram o seu «presente», mas no seu interior estavam as cabeças decapitadas dos seus compatriotas, mortos pelos incas noutros locais. No saco encontravam-se também cartas e um vislumbre de esperança: reforços espanhóis estavam a caminho.

Francisco Pizarro tinha homens armados espalhados por toda a América do Sul e as suas opções eram limitadas, mas quando soube do cerco a Cusco no início de maio de 1536, enviou duas forças de socorro, uma com 60 cavalos e a outra com 80. Ambas as forças foram aniquiladas pelos exércitos incas sob o comando do general inca Quizo Yupanqui, que emboscou e encurralou ambas as [colunas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10260/colunas/) em ravinas. Quando Pizarro soube da terrível notícia, escreveu a todos os governadores do Novo Mundo numa tentativa desesperada de angariar novos recrutas para a América do Sul. Mesmo que os seus apelos fossem recebidos com uma resposta favorável, levaria vários meses até que os reforços chegassem. Pizarro e Cusco teriam de enfrentar sozinhos a contra-ofensiva inca.

### O Segundo Cerco

Pizarro, em Lima, foi atacado por um exército maciço liderado por Quizo em setembro de 1536, mas a cavalaria espanhola provou, mais uma vez, ser praticamente invencível, e o general inca foi morto. Entretanto, em Cusco, Hernando Pizarro liderava agora incursões cada vez mais ambiciosas fora da cidade para capturar os suprimentos tão necessários. Os incas estavam, no entanto, a começar a reunir forças suficientes para sitiar a cidade pela segunda vez. Sabendo por experiência própria que um exército inca era praticamente inútil sem os seus líderes, Hernando decidiu perseguir Manco Inca em Ollantaytambo com uma força de 70 cavaleiros e 4 000 soldados de infantaria aliados, em janeiro de 1537. Avisados da sua chegada, os incas já se tinham entrincheirado atrás de uma série de formidáveis fortificações em socalcos, e os espanhóis não conseguiram penetrar na fortaleza. Pior ainda, Manco Inca tinha desviado o rio Vilcanota e inundado o que antes era um excelente terreno para a cavalaria. Hernando viu-se obrigado a regressar a Cusco.

Em novembro de 1536, Pizarro, ainda em Lima, tinha chamado de volta todos os seus homens das várias expedições e recebido reforços do norte e até de Espanha. Enviou um exército de 350 europeus, que incluía mais de 100 cavaleiros, para socorrer Cusco. Esta força foi complementada por mais 200 reforços a caminho da capital inca. Ao mesmo tempo, Almagro regressava da sua expedição ao Chile com 400 homens. Confrontado com este formidável contingente de cavalaria, em março de 1537, Manco Inca viu-se obrigado a retirar-se novamente de Cusco. Esperava que os espanhóis entrassem em conflito entre si na sua competição pelo poder e pelo ouro. O segundo cerco foi quebrado e, a 18 de abril de 1537, Almagro assumiu o controlo de Cusco, substituindo Hernando e Gonzalo Pizarro. Almagro prendeu Hernando Pizarro em Cusco a 25 de julho de 1537, mas não houve nenhuma batalha significativa, como os incas esperavam, embora Almagro tenha sido posteriormente derrotado e executado pela sua audácia. No total, os defensores de Cusco perderam não mais do que 20 espanhóis, em comparação com milhares do lado inca. Ainda assim, mais de 700 espanhóis foram mortos durante a revolta nos territórios em redor de Cusco e nas forças de socorro derrotadas enviadas de Lima.

### As Consequências

No final de julho de 1537, Manco Inca foi forçado a fugir mais para sul, primeiro para Vitcos e depois para o vale de Vilcabamba, onde estabeleceu um enclave inca. A partir daí, os incas travaram uma guerra de guerrilha de uma década contra os espanhóis. De volta a Cusco, os espanhóis nomearam Paullu, irmão de Manco Inca, como seu novo governante fantoche, e os conquistadores europeus continuaram a tirar partido do ressentimento de longa data contra o domínio inca e da perda total de confiança em muitos dos próprios incas após a queda da sua capital. No entanto, os próprios sucessores de Manco Inca, a começar pelo seu filho Titu Cusi Yupanqui, continuariam a resistir. Só na década de 1550 é que os espanhóis assumiram plenamente o controlo do seu Vice-Reino do Peru (criado em 1542). Cusco tinha sofrido terrivelmente com os cercos e estava agora reconstruída, mas com uma arquitetura completamente estrangeira, à medida que o Império Espanhol começava a expandir-se e a aprofundar as suas raízes, preparando-se para séculos de domínio colonial.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Alan Covey, R. . *Inca Apocalypse.* Oxford University Press, 2020.](https://www.worldhistory.org/books/0190299126/)
- [Cervantes, Fernando. *Conquistadores.* Allen Lane, 2020.](https://www.worldhistory.org/books/0241242142/)
- [Hugh Thomas. *The Golden Age.* Penguin Books, 2022.](https://www.worldhistory.org/books/0141034491/)
- [Olson, James S. *Historical Dictionary of the Spanish Empire, 1402-1975.* Greenwood, 1991.](https://www.worldhistory.org/books/0313264139/)
- [Parry, J.H. (John Horace). *The Spanish Seaborne Empire .* Alfred A Knopf, 1966.](https://www.worldhistory.org/books/B0000CMUSM/)
- [Sheppard, Si & Rava, Giuseppe. *Cuzco 1536–37.* Osprey Publishing, 2021.](https://www.worldhistory.org/books/1472843800/)

## Sobre o Autor

Mark é Diretor Editorial da WHE e mestre em Filosofia Política pela Universidade de York. Pesquisador em tempo integral, é também escritor, historiador e editor. Os seus principais interesses incluem arte, arquitetura e descobrir ideias partilhadas por todas as civilizações.

## Perguntas & Respostas

### Por que razão os espanhóis invadiram Cusco?
Os espanhóis invadiram Cusco porque era rica em ouro e prata e constituía o coração do Império Inca; assim, se ela caísse, o império também cairia.

### Quem destruiu a cidade de Cusco?
A cidade de Cusco foi destruída durante os cercos de 1536-1537, quando o soberano inca Manco Inca Yupanqui ordenou que fossem lançadas pedras quentes sobre os telhados de colmo da capital, provocando um incêndio terrível e devastador.

### Qual era a importância de Cusco?
A importância de Cusco residia no facto de ser o centro político, religioso e geográfico do Império Inca, com muitos templos, palácios e fortalezas importantes.


## Cite Este Artigo

### APA
Cartwright, M. (2026, September 16). Cerco de Cusco em 1536–1537. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2020/cerco-de-cusco-em-1536-1537/>
### Chicago
Cartwright, Mark. "Cerco de Cusco em 1536–1537." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, September 16, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2020/cerco-de-cusco-em-1536-1537/>.
### MLA
Cartwright, Mark. "Cerco de Cusco em 1536–1537." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 16 Sep 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2020/cerco-de-cusco-em-1536-1537/>.

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Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 16 September 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

