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title: Pizan: A Condição das Mulheres e a Reforma
author: Joshua J. Mark
translator: Jose Monteiro Queiroz-Neto
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1965/pizan-a-condicao-das-mulheres-e-a-reforma/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2022-12-31
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# Pizan: A Condição das Mulheres e a Reforma

_Escrito por [Joshua J. Mark](https://www.worldhistory.org/user/JPryst/)_
_Traduzido por [Jose Monteiro Queiroz-Neto](https://www.worldhistory.org/user/josemonteiroque)_

*O Livro da Cidade das Senhoras* (1405) de Christine de Pizan (\*1364 +1430), considerado por muitos especialistas como a primeira obra da literatura feminista, antecedendo, por quase 400 anos, *Em Defesa dos Direitos das Mulheres* (1792) de [Mary Wollstonecraft](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22487/mary-wollstonecraft/), advogando pela igualdade das mulheres na sociedade.

[ ![The Book of the City of Ladies](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/10317.jpg?v=1770002345) O Livro da Cidade das Senhoras The Yorck Project (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10317/the-book-of-the-city-of-ladies/ "The Book of the City of Ladies")[As mulheres na Idade Média](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1345/as-mulheres-na-idade-media/) eram vistas como cidadãs de segunda classe e, como pessoas, eram quase sempre denegridas pelos escritores masculinos, comparadas que eram à Virgem Maria, considerando-as carentes, ou a Eva, entendida como tendo corrompido a humanidade por ter levado Adão a comer o fruto proibido no Jardim do Éden. Estas comparações eram incentivadas pelos ensinamentos da Igreja medieval, que continuava afirmando que Adão foi iludido por Eva e foi Eva que ouviu as tentações da serpente e primeira a comer o fruto proibido. As mulheres eram, portanto, consideradas o “sexo fraco”, não somente atraídas para os embustes do demônio, mas também hábeis em corromper o mais virtuoso dos homens.

Pizan não aceitou esta visão em um bom número de suas obras, porém com mais evidência no *O Livro da Cidade das Senhoras*, um conto alegórico no qual três mulheres personificando Razão, Retidão e Justiça visitam a narradora (identificado como a autora) para ajudá-la a erguer uma intelectual e filosófica “cidade de mulheres, a qual será uma defesa contra a difamação dos escritores e pensadores misóginos. O livro exibe exemplos de grandes mulheres da história, escritoras, da [mitologia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-427/mitologia/) e da literatura para demonstrar como as mulheres seriam iguais – e muitas vezes superiores – aos homens e merecedoras de maior respeito e amplas oportunidades.

Pizan tinha grandes esperanças de que suas obras pudessem influenciar o patriarcado a reconsiderar sua visão das mulheres e adotar uma posição de igualdade dos sexos em todos os níveis, mas viria a ficar desapontada. Mary Wolltonecraft (\*1759 +1797), do mesmíssimo modo, ficaria desapontada com seu Em Defesa dos Direitos das Mulheres (frequentemente citado como a primeira obra literária feminista) que falhou em alterar as visões do patriarcado. Mesmo após a [Reforma Protestante](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20181/reforma-protestante/) (1517-1648) ter desafiado as doutrinas da Igreja Católica, as mulheres ainda eram vistas como inferiores aos homens, tanto no tempo de Wollnstonecraft, como muito depois.

Exatamente como a classe inferior da Alemanha esperou pela elevação de seu status após o início da Reforma, as mulheres, pareciam no geral, esperarem pelo mesmo, como evidenciado pelos escritos de reformadoras como [Argula von Grumbach](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20662/argula-von-grumbach/) (\*1490 +c.1564) e Marie Dentière (\*c. 1495 +1561). A vida das mulheres mudou após a Reforma, porém a visão medieval persistiu. Mesmo os grandes reformadores como [Martinho Lutero](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19256/martinho-lutero/) (\*1483 +1546), Huldrych Zwingli (\*1484 +1531) e João Calvino (\*1509 +1564), que reconheciam suas esposas como companheiras em igualdade no trabalho e na vida, ainda acreditavam que as mulheres eram “o vaso mais fraco” e não tinham lugar na vida pública entre os “assuntos de homens”. A visão de Pizan de uma metafórica “cidade das senhoras” na qual as mulheres seriam valorizadas em igualdade com os homens, não seria realizada senão até o século XX e, mesmo agora, continua a ser desafiada e rejeitada, em geral no terreno religioso, como no tempo de Pizan.

### Resumo do Texto

A obra se inicia com a narradora sentindo-se desapontada após ler o poeta Matheolus, sustentando que as mulheres eram pecaminosas e como corrompiam e arruinavam a vida dos homens, especialmente pelo casamento. Admirando como as considerações de Matheolus são encontradas em muitas outras obras por eruditos estudiosos e pelo clero, ela se questiona como [Deus](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-10299/deus/), um artesão mestre, conseguiu fazer algo tão terrível como uma mulher e, naquele momento, uma luz entra no quarto, revelando a Senhora Razão, Senhora Retidão e Senhora Justiça. Elas lhe asseguram que não lhe farão nenhum mal, mas somente vieram para lhe mostrar o quanto estava errada em acreditar nas mentiras dos homens quando, em seu coração, ela sabe melhor e, como diz a narradora, havia “confiado mais no julgamento dos outros, do que eu mesma sentia e conhecia” (I.i.i). As três senhoras, então, começaram a ajudá-la a descartar suas falsas impressões e reconhecer o seu verdadeiro valor e o de todas as mulheres.

[ ![Christine de Pizan](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/10195.jpg?v=1775824646) Christine de Pizan Leinad-Z (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/10195/christine-de-pizan/ "Christine de Pizan")Senhora Razão lhe ajuda a construir as muralhas externas da cidade alegórica das senhoras, refutando o que escritores masculinos haviam escrito a respeito da natureza maligna e destacando as virtudes femininas de coragem, lealdade, capacidade intelectual, citando numerosos exemplos de bem conhecidas obras, incluindo a [Bíblia](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-191/biblia/). Uma vez edificadas as muralhas defensivas, Senhora Retidão auxilia a narradora a construir residências e prédios públicos na cidade, encorajando-a para os exemplos de mulheres famosas. Senhora Justiça completa a cidade concentrando-se exclusivamente nas mulheres santas, claramente aprovadas por Deus, que são louvadas por homens e mulheres pela devoção e sacrifício delas, rejeitando a pretensão de que as mulheres, pela natureza, são mais pecadoras que os homens.

No fim, a narradora compreende que havia acreditado erroneamente a respeito das mulheres baseando-se no que os homens haviam dito e escrito a respeito delas. A Senhora Justiça sugere que o melhor caminho para ela, e todas as mulheres, é “cultivar a virtude, fugir do vício, aumentar e multiplicar nossa Cidade e alegrar-se e comportar-se bem” (III.19.6). A advertência “aumentar e multiplicar nossa Cidade” sugere que as mulheres deveriam rejeitar a interpretação patriarcal do feminino e reconhecer o que sabem ser verdade a respeito delas mesmas.

A conclusão do livro ecoa o que Senhora Razão disse logo no início quando ela diz à narradora:

> Volte-se para si mesma, recupere seus sentidos e não se perturbe mais a respeito destes absurdos. Pois você sabe que qualquer maledicência dita a respeito de mulheres, de hábito somente prejudica quem diz isto, não às próprias mulheres. (I.1.2)

### A Situação das Mulheres

A parte da obra muitas vezes colocada em antologias, e que tem como título A Situação das Mulheres, é a cena inicial do livro na qual a narradora entra em desespero e é apresentada às três Senhoras. Senhora Razão fala a respeito do que os homens dizem a respeito das mulheres, em contraste com a verdadeira natureza delas, constitui a maior parte do texto, uma parte citada abaixo. O texto foi transcrito do li vro Um Leitor Reformado: Textos Originais com Introduções, editado por Denis R. Janz, pp. 14-17, com referências [cruzadas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15951/cruzadas/) e suplementado, em certos pontos, por O Livro da Cidade de Mulheres, traduzido por Earl Jeffrey Richards. Foram omitidas algumas linhas para conservar espaço encontrando-se indicadas por reticências.

> “Um dia, encontrando-me sentada sozinha em meu escritório, cercada por livros de todos os tipos de assuntos, devotando-me aos estudos literários, hábito comum para mim, fiquei pensando longamente a respeito das opiniões de vários autores importantes, os quais eu havia estudado por um bom tempo. Procurei por meu livro, decidindo deixar estas sutis questões em paz e relaxar na leitura de alguma poesia leve. Com isto em mente, procurei por algum livro pequeno... Quando o segurei aberto e vi em sua página título que se tratava de Matheolus. Sorri, por que nunca o havia lido antes, mas muitas vezes ouvi que, como outros livros, ele discutia o respeito às mulheres... Comecei a ler e continuei por um pouco mais. Porque o assunto me parecia não muito agradável para as pessoas que não apreciam mentiras e inútil para aprimorar a virtude ou as condutas. Coloquei-o de lado e voltei minha atenção para um estudo mais digno e útil.
> Mas só o ler este livro, muito embora não fosse de nenhuma autoridade, fiquei admirada de como muitos homens diferentes – e homens letrados entre eles – tinham sido e se encontram tão inclinados a expressar, tanto em conversas como em seus tratados e escritos, perversos insultos a respeito das mulheres e do comportamento delas... Todos eles concordam com uma conclusão: que o comportamento das mulheres está voltado para e cheio de toda depravação. Raciocinando profundamente a respeito desses assuntos, comecei a examinar meu caráter e minha conduta como uma mulher natural e, igualmente, considerei outras mulheres das quais privo a amizade e companhia, princesas, grandes damas, mulheres das classes média e inferior, as quais me revelaram seus pensamentos mais pessoais e íntimos, esperando que eu pudesse julgar imparcialmente e em sã consciência se o testemunho de tantos homens notáveis poderia ser verdadeiro.
> No melhor do meu saber, independentemente do quão profundamente fui confrontando e dissecando o problema, não consegui ver ou entender como a afirmação deles podia ser verdadeira quando comparada com o natural comportamento e caráter das mulheres. Mais ainda, argumentei veementemente contra as mulheres, dizendo que poderia ser impossível que tantos homens famosos – estudiosos sérios, possuidores de um entendimento grande e profundo, tão perspicazes em todos os assuntos, ao que parecia – conseguissem ter falado falsamente em tantas ocasiões, que dificilmente pudesse encontrar um livro a respeito da moral onde, mesmo antes de tê-lo lido inteiramente, conseguisse encontrar diversos capítulos ou certas seções a não ser atacando as mulheres, independentemente de quem era o autor...E, portanto, confiei mais no julgamento de outros, do que eu senti e conheci.
> Finalmente, decidi que Deus criou uma vil criatura quando Ele fez a mulher e fiquei maravilhada como tal maravilhoso artesão tenha se dignado a criar um trabalho abominável o qual, segundo o que eles dizem, é o vaso, o refúgio e a moradia de todos os males e vícios. Ao pensar a respeito disto, uma grande dor e tristeza invadiram meu coração, pois abomino a mim mesma e a todo o sexo feminino, como se fôssemos monstruosidades na natureza... Ocupada com esses dolorosos pensamentos, minha cabeça tombou em vergonha, meus olhos encheram-se de lágrimas e, recostada sobre os braços de minha cadeira, repentinamente vi um raio de luz cair sobre meu colo, talvez até fosse o sol... E como ergui minha cabeça para ver de onde essa luz provinha, vi três coroadas senhoras de pé na minha frente e o esplendor do brilho de suas faces me iluminaram e a todo a sala... Temendo que algum fantasma tenha vindo me seduzir, e tomada por grande medo, fiz o Sinal da Cruz sobre minha fronte.
> Então, a primeira das três sorriu e começou a falar: “Querida filha, não tenha medo, pois não viemos aqui para perturbar ou causar problema para você, mas consolar, pois, sentimos pena de sua angústia e viemos tirar de você a ignorância que ofusca sua própria mente que você evita conhecer com certeza e acredita no que você não conhece ou vê ou reconhece exceto em virtude de muitas opiniões estranhas... Querida amiga, você não vê a presunçosa loucura, a irracional cegueira que instiga tais observações? É a Natureza, a camareira de Deus, uma senhora maior que seu mestre, cuja autoridade veio do Todo Poderoso Deus, quem, e quando Ele desejou, assumiu a forma de homem e mulher, de Seu pensamento e de sua Santa Vontade formou Adão a partir do barro do solo nos campos de Damasco e, uma vez criado, levou-o ao Paraíso Terrestre, que foi e ainda é o local mais digno neste mundo aqui embaixo? Lá Adão dormiu e Deus formou o corpo de mulher a partir de suas costelas, significando que ela deveria ficar a seu lado como companheira e nunca permanecer a seus pés como uma escrava e que ele deveria amá-la como sua própria carne. Se o Supremo Mestre não se envergonhou em criar e formar o corpo feminino, deveria a Natureza, então, se envergonhar? É o cúmulo da loucura afirmar isto! De fato, como foi ela formada? Ela foi criada à imagem de Deus. Porém, alguns homens são suficientemente tolos para pensar, quando ouvem que Deus fez o homem à Sua imagem, que isto se refere ao corpo material. Este não é o caso, pois Deus ainda não assumiu a forma corporal humana. Isto se refere á alma, o espírito intelectual que permanece eternamente, exatamente como a Divindade. Deus criou a alma e colocou almas totalmente semelhantes, igualmente nobres e boas, nos corpos femininos e masculinos...” \[A Senhora Razão deu exemplos de muitas grandes e nobres mulheres\].
> Após ouvir estas coisas, retruquei, “Minha senhora, verdadeiramente Deus revelou grandes maravilhas na força dessas mulheres descritas pela Senhora. Porém, por favor esclareça-me isto novamente, se sempre foi do agrado deste Deus, que atribuiu tantos favores às mulheres, para honrar o sexo feminino com o privilégio da virtude, da elevada compreensão e grande sabedoria, e se as mulheres sempre possuíram uma inteligência suficientemente hábil a respeito disto. Desejo muito saber a respeito, porque os homens sustentam que a mente das mulheres somente consegue aprender pouca coisa.”
> Ela respondeu, “Minha filha, desde que falei antes, você sabe bastante bem que o oposto de sua opinião é a verdade e, para mostrar a você tudo isto mais claramente, darei a prova por meio de exemplos. Direi novamente a você – se fosse costume enviar as filhas à escola, como aos filhos, e se fosse ensinado a elas as ciências naturais, elas aprenderiam inteiramente e compreenderiam as sutilezas de todas as artes e ciências, bom como aos filhos. Coincidentemente, estas mulheres existiram... Você sabe por que as mulheres Têm menos conhecimentos? Sem a menor dúvida, é porque elas não se envolvem em muitas coisas, mas permanecem em casa, onde é suficiente para elas cuidar da casa e nada há que possa melhor instruir uma criatura sensata senão o exercício e a experiência em muitos assuntos diferentes...
> É errado dizer que a maioria das mulheres não são boas. Isto está bem provado, conforme disse antes a respeito das experiências evidentes diariamente em suas orações, caridosas ações e virtudes, e do fato de que grandes horrores e males perpetrados no mundo não aconteceram por causa delas. Mas, que surpresa que todas as mulheres não são boas! Em toda a cidade de [Nínive](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-294/ninive/), que era tão grande, nem um só bom homem pode ser encontrado quando Jonas, o Profeta, ali foi em nome de Nosso Senhor para destruí-la, a menos que abandonasse sua maldade. Foi mesmo muito pior na cidade de Sodoma, o que era óbvio quando o fogo do Céu a destruiu após a partida de Lot. Além do mais, notar que na companhia de Jesus Cristo havia doze homens e havia mesmo um homem muito mau entre eles. E homens ousam dizer que todas as mulheres precisam ser boas e que se deveria apedrejar as que que não o fossem! Perguntarei simplesmente a eles para olharem a si próprios e então aquele sem pecado atirasse a primeira pedra! De fato, afirmo que quando os homens forem perfeitos, as mulheres seguirão o exemplo deles.”

### Conclusão

Embora a Senhora Razão, Senhora Retidão e Senhora Justiça argumentassem eloquentemente pela igualdade das mulheres por toda a obra de Pizan, suas falas tiveram pouco efeito nas atitudes dos homens com relação às mulheres. Mesmo após muitos dos ensinamentos da Igreja fossem rejeitados durante a Reforma Protestante, o conceito das mulheres como inerentemente pecaminosas foi mantido. Mulheres influentes da Reforma, como Argula von Grumbach e, especialmente, a reformadora Marie Dentiére argumentaram contra esta visão, do mesmo modo como Pizan havia feito, porém a visão corrente da inferioridade das mulheres não se alterou.

Jeanne d’Albret \[Joana III, de Navarra, N.T\] (\*1528 +1572) demonstrou ser ela mesma tão digna como muitos homens e [Olympia Fulvia Morata](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20654/olympia-fulvia-morata/) (\*1526 +1555) como uma competente intelectual como qualquer escritor de seu tempo. Estas mulheres, e muitas outras, viveram a visão de Pizan de “uma cidade de mulheres”, que reconheceram o valor delas e traçaram o próprio curso, porém a visão patriarcal das mulheres como pecaminosas e corruptas continuou a avançar.

[ ![Olympia Fulvia Morata](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/15469.jpg?v=1734077046) Olympia Fulvia Morata Universitätsbibliothek Leipzig (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/15469/olympia-fulvia-morata/ "Olympia Fulvia Morata")Uma obra resumindo esta concepção é *A Primeira Explosão da Trombeta Contra a Monstruosa Opressão às Mulheres* \[*The First Blast of the Trumpet Against the Monstrous Regiment of Women*\] (1558), do reformador escocês John Knox (\*1514 +1572), que discutiu primariamente contra a posição dos governantes a respeito das mulheres, e, por extensão, o conceito de igualdade para todas as mulheres. Knox, que era raivosamente anticatólico, ainda repetiu o antigo ensinamento de que Eva se rebelou e, portanto, as mulheres deveriam ser mantidas sujeitas aos homens para controlar seus instintos abjetos e tentar amparar suas fraquezas inatas. Outros reformadores masculinos foram muito mais benévolos para com as mulheres que Knox, porém mesmo Calvino, que valorizava a opinião das mulheres, era contra mulheres como ministros religiosos, citando o texto bíblico de I Timóteo 2:12 e distanciou-se de Marie Dentière quando sentiu que ela estava sendo muito sincera.

As obras de Pizan, o oposto de Knox, ainda foram uma leitura popular entre as mulheres da classe alta nos primórdios dos anos 1500 quando, por razões desconhecidas, deixaram de ser impressas e descobertas no século XIX. Mesmo O Livro da Cidade das Senhoras (The Book of the City of the Ladies), disponível durante a Reforma, no entanto, é improvável que tivesse conseguido um efeito maior que quando primeiramente publicado, pois contrariava a narrativa cristã estabelecida a respeito da natureza das mulheres, tanto Protestante como Católica, e que não poderia ser desafiada com sucesso, o que somente se deu ao final do século XIX e início do século XX, e ainda hoje continua a ser.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Christine De Pizan & Richards, E. J. *The Book of the City of Ladies.* Persea, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/0892552301/)
- [Janz, D. R. *A Reformation Reader: Primary Texts with Introductions.* Fortress Press, 2008.](https://www.worldhistory.org/books/0800663101/)
- [MacCulloch, D. *The Reformation: A History.* Penguin Books, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/1637162502/)
- [Rublack, U. *The Oxford Handbook of the Protestant Reformations .* Oxford University Press, 2019.](https://www.worldhistory.org/books/0198845960/)
- [VanDoodewaard, R. *Reformation Women: Sixteenth-Century Figures Who Shaped Christianity's Rebirth.* Reformation Heritage Books, 2017.](https://www.worldhistory.org/books/1601785321/)
- [Willard, C. C. *Christine de Pizan: Her Life and Works.* Persea, 1990.](https://www.worldhistory.org/books/0892551526/)

## Sobre o Autor

Joshua J. Mark é cofundador e diretor de conteúdo da World History Encyclopedia. Anteriormente, foi professor no Marist College (NY), onde lecionou história, filosofia, literatura e redação. Viajou extensivamente e morou na Grécia e na Alemanha.
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## Perguntas & Respostas

### Do que se trata o Livro da Cidade das Senhoras de Christine de Pizan?
É uma alegoria em defesa da igualdade das mulheres. Três seres místicos – Senhora Razão, Senhora Retidão e Senhora Justiça – visitam a autora para ajuda-la a construir uma cidade metafórica na qual o valor das mulheres seria reconhecido e valorizado.

### Qual é a primeira obra da literatura feminista?
O Livro da Cidade das Senhoras (1405) é considerada a primeira obra da literatura feminista por muitos especialistas, muito embora Uma Defesa dos Direitos das Mulheres (1792), de Mary Wollstonecraft seja, muitas vezes, citado como sendo a primeira.

### Christine de Pizan foi uma feminista?
O termo “feminista” não existia na época de Christine de Pizan. Ela é muitas citada como uma proto-feminista, pois foi uma primitiva advogada dos ideais feministas.

### Christine de Pizan era uma feminista?
O termo 'feminista' não existia na época de Christine de Pizan. Ela é frequentemente referida como uma proto-feminista. Ela foi uma das primeiras defensoras dos ideais feministas.


## Cite Este Artigo

### APA
Mark, J. J. (2022, December 31). Pizan: A Condição das Mulheres e a Reforma. (J. M. Queiroz-Neto, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1965/pizan-a-condicao-das-mulheres-e-a-reforma/>
### Chicago
Mark, Joshua J.. "Pizan: A Condição das Mulheres e a Reforma." Traduzido por Jose Monteiro Queiroz-Neto. *World History Encyclopedia*, December 31, 2022. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1965/pizan-a-condicao-das-mulheres-e-a-reforma/>.
### MLA
Mark, Joshua J.. "Pizan: A Condição das Mulheres e a Reforma." Traduzido por Jose Monteiro Queiroz-Neto. *World History Encyclopedia*, 31 Dec 2022, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1965/pizan-a-condicao-das-mulheres-e-a-reforma/>.

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Enviado por [Jose Monteiro Queiroz-Neto](https://www.worldhistory.org/user/josemonteiroque/ "User Page: Jose Monteiro Queiroz-Neto"), publicado em 31 December 2022. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

