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title: Envolvimento Francês na Revolução Americana
author: Harrison W. Mark
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1955/envolvimento-frances-na-revolucao-americana/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-07-07
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# Envolvimento Francês na Revolução Americana

_Escrito por [Harrison W. Mark](https://www.worldhistory.org/user/harrisonwmark/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

O envolvimento da França na Guerra da Independência Americana (1775–1783) não foi apenas significativo para o desenrolar da própria guerra, mas também um momento crítico para a França. Embora a intervenção francesa no conflito tenha ajudado a mudar o rumo dos acontecimentos a favor dos americanos, a dívida que esta gerou contribuiria para a futura [Revolução Francesa](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19568/revolucao-francesa/) (1789–1799).

[ ![Siege of Yorktown (1781)](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/15268.png?v=1773658208) Cerco de Yorktown (1781) Auguste Couder (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/15268/siege-of-yorktown-1781/ "Siege of Yorktown (1781)")As tensões entre a França e a Grã-Bretanha existiam há séculos e tinham sido exacerbadas pela recente derrota humilhante da França na Guerra dos Sete Anos (1756–1763). O aumento do sentimento pró-americano, combinado com a nostalgia pelos grandes heróis da história francesa, contribuiu para o desejo da opinião pública francesa de entrar em guerra, enquanto o governo do Rei Luís XVI (reinou 1774–1792) via no conflito uma forma ideal de recuperar parte do prestígio e do poder perdidos após a derrota francesa.

A vitória da França e dos seus aliados americanos, consolidada com a assinatura do Tratado de Paris em 1783, reafirmou o estatuto da França como uma grande potência militar e assistiu à independência dos Estados Unidos. Contudo, o envolvimento francês prejudicou gravemente as suas finanças, um problema que o governo se revelou incapaz de resolver. As questões decorrentes desta dívida, somadas ao contínuo gasto estatal, foram algumas das causas mais imediatas da Revolução Francesa e da queda do *Ancien Régime* (Antigo Regime) em França.

### Os Patriotas e a Política

A conclusão da Guerra dos Sete Anos, em 1763, teria ramificações de longo alcance, cujas repercussões afetariam o resto do século XVIII e, de facto, o curso da história mundial. Um destes efeitos pôde ser observado na acumulação da dívida contraída pelo governo britânico durante o decurso da vitória na guerra. Para pagar esta dívida, o Parlamento britânico impôs uma série de impostos diferentes às suas [treze colónias](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-22360/treze-colonias/) americanas durante o restante da década de 1760 e início da de 1770. Parte da lógica do Parlamento nestes impostos era que a guerra tinha começado em defesa destas colónias, que deveriam ser obrigadas a ajudar a pagar o seu resultado. A resistência da população americana, particularmente da sua classe proprietária de terras, a estes impostos foi um fator importante para a eclosão da Guerra da Independência Americana, em 1775.

Um segundo efeito do fim da Guerra dos Sete Anos pôde ser observado na França, a nação vencida. A paz de 1763 tinha privado a França de grande parte das suas possessões coloniais na América do Norte, sendo a mais significativa a colónia do Canadá. Ceder o Canadá à Grã-Bretanha não representou uma perda demasiado grande, uma vez que a colónia se tinha tornado num encargo financeiro nos últimos anos, mas o dano causado ao estatuto e ao prestígio da França enquanto grande potência constituiu um problema. A Guerra dos Sete Anos foi apenas o mais recente conflito de uma série de guerras travadas entre a França e a Grã-Bretanha, que remontavam a 1689 — uma série de confrontos a que alguns historiadores modernos chamam a Segunda [Guerra dos Cem Anos](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-18721/guerra-dos-cem-anos/) (1689–1815). Como tal, a derrota da França perante a Grã-Bretanha foi particularmente embaraçosa, e muitos funcionários franceses começaram rapidamente a procurar uma desculpa para se vingarem da Grã-Bretanha.

Com a ascensão de Luís XVI (1754–1793) ao trono francês em 1774, esta desculpa parecia estar no horizonte. As tensões entre a Grã-Bretanha e as suas treze colónias estavam quase no ponto de ebulição, e muitos dos ministros de Luís queriam participar na ação que se avizinhava. Em 1776, à medida que a eclosão das hostilidades levava as colónias a declarar a sua independência, o Conde de Vergennes (1719–1787), Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros da França, declarou que "a Providência marcou este momento para a humilhação da Inglaterra" e trabalhou para persuadir o novo rei, inexperiente e com apenas 22 anos, a intervir (Doyle, pág. 66).

Embora se possa argumentar que as inclinações belicistas de homens como Vergennes provinham de uma tentativa de poder fria e calculada, o mesmo não poderia dizer-se da população francesa, muitos dos quais apoiavam genuinamente os objetivos da [Revolução Americana](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19591/revolucao-americana/) e desejavam vingança contra a Grã-Bretanha. Muitos nos círculos aristocráticos franceses já viam a América através de uma lente romantizada, considerando-a uma sociedade renovada, separada do cinismo e da fragilidade do Velho Mundo, cujos colonos possuíam os traços tão admirados de inocência e liberdade. Os compromissos com a vida, a liberdade e a procura da felicidade, expostos por [Thomas Jefferson](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19590/thomas-jefferson/) (1743–1826) na [Declaração de Independência](https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-2411/declaracao-de-independencia/), apelavam aos ideais iluministas semelhantes que se tinham tornado tão populares em França.

Líderes americanos como [George Washington](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19629/george-washington/) (1732–1799) eram muito admirados entre os franceses, mas talvez nenhum americano fosse tão célebre como o embaixador da América em França, [Benjamin Franklin](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-19525/benjamin-franklin/) (1706–1790). Tirando partido do estereótipo francês de que o Novo Mundo era um lugar de liberdade e inocência, Franklin usava um casaco castanho despretensioso nas audiências na corte e começou a usar um gorro de castor. Ciente da fome de saber científico entre a elite francesa, Franklin apostou na sua reputação de mente científica, e pouco tempo depois o seu diário, *Poor Richard's Almanack* (*Almanaque do Pobre Ricardo*), estava a ser traduzido para francês. A imagem de Franklin como o americano iluminado, educado e sem pretensões deu ao público francês exatamente o que eles queriam. No auge da sua fama, Franklin não podia sair de sua casa em Paris sem ser cercado por fãs adoradores, e a sua imagem, que aparecia em bonecos, tabaqueiras e tinteiros, foi, durante algum tempo, mais reconhecível do que a do próprio rei.

[ ![Benjamin Franklin Drawing Electricity From the Sky](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/15265.jpg?v=1723005007) Benjamin Franklin tirando eletricidade do céu Benjamin West (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/15265/benjamin-franklin-drawing-electricity-from-the-sky/ "Benjamin Franklin Drawing Electricity From the Sky")À medida que a Guerra da Independência começava, os franceses começaram a demonstrar o seu apoio através de gravuras que comemoravam as vitórias americanas sobre os britânicos, ao passo que as figuras da alta sociedade francesa começaram a fetichizar o número 13 em solidariedade com as 13 colónias; reuniam-se em grupos de 13, cada indivíduo ostentando um emblema de uma das 13 colónias, antes de brindar 13 vezes a uma vitória americana.

O apoio popular à guerra em França advinha de um ressurgimento do seu próprio patriotismo. Muitos em França lidaram com a derrota de 1763 olhando nostalgicamente para os heróis históricos franceses. Figuras como Henrique IV de França (reinou 1589–1610) e [Joana d'Arc](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-16982/joana-darc/) (1412–1431) eram as favoritas, a par de heróis mais recentes como o Marquês de Montcalm (1712–1759), que tinha sacrificado a sua vida a lutar contra os odiados britânicos. Nas palavras do investigador Simon Schama, a publicação de uma antologia histórica, *Portraits des Grands Hommes Illustres de la France* (*Retratos dos Grandes Homens Ilustres de França*), que celebrava tais figuras, criou "um novo [panteão](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11201/panteao/) de heróis exclusivamente francês" (Schama, pág. 32). O crescente patriotismo e o sentimento anti-britânico também podiam ser vistos em palco; a peça de 1765 do dramaturgo Pierre de Belloy, *Le Siège de Calais* (*O Cerco de Calais*), retratava mártires franceses que sacrificavam as suas vidas à ira dos invasores ingleses. Esta peça, que pintava os ingleses como vilões, foi imensamente popular, atraindo 19 000 espetadores durante a sua primeira temporada.

Apesar deste fervor pela ação, tanto por parte de ministros franceses como Vergennes como do público em geral, ainda havia quem considerasse a intervenção uma má ideia. Anne-Robert Jacques Turgot, Controlador-Geral das Finanças de França, estava ciente do peso da dívida provocado pelas guerras anteriores da França e previu que o país não conseguiria aguentar financeiramente outro conflito. Em 1776, Turgot denunciou a intervenção planeada por Vergennes na América, avisando que tal guerra destruiria permanentemente qualquer esperança de reforma financeira, prevendo que "o primeiro [tiro](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-503/tiro/) de canhão levaria o Estado à bancarrota" (Doyle, pág. 66). Os avisos bastante proféticos de Turgot caíram em ouvidos moucos e ele foi despedido em maio de 1776.

### A Ajuda aos Americanos

Em 1776, o órgão governativo das 13 colónias, o Congresso Continental, enviou o advogado de Connecticut Silas Deane para Paris, incumbindo-o de negociar o apoio francês. Deane reuniu-se com Vergennes, informando-o de que os americanos tinham, em teoria, homens suficientes para vencer os britânicos, mas que precisavam de munições, armas e dinheiro. Vendo nisto uma forma de baixo custo para combater os britânicos, Vergennes estabeleceu uma empresa comercial privada para canalizar secretamente para os americanos uniformes, munições e armas francesas excedentes da Guerra dos Sete Anos, em troca de produtos americanos como tabaco, algodão e óleo de baleia.

[ ![Charles Gravier, count of Vergennes](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/15266.jpg?v=1645441524) Charles Gravier, Conde de Vergennes Antoine-François Callet (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/15266/charles-gravier-count-of-vergennes/ "Charles Gravier, count of Vergennes")Quando os americanos, sob o comando de George Washington, sofreram reveses na Batalha de Long Island, o Congresso percebeu que esta ajuda era insuficiente e enviou Deane de volta a Vergennes para negociar uma aliança francesa mais substancial. Incapaz de se comprometer com uma guerra aberta contra a Grã-Bretanha, Vergennes concordou em enviar oficiais franceses para treinar as tropas americanas, em troca de esses oficiais receberem altos cargos no Exército Continental e de um generalíssimo francês substituir Washington na liderança. O homem que Vergennes tinha em mente para tal comando era Victor-François, 2.º Duque de Broglie, que recebeu ordens para elaborar uma lista de oficiais a apresentar a Deane para consideração no Exército Continental. Um dos oficiais recomendados a Deane por Broglie foi um jovem e ambicioso aristocrata, [Gilbert du Motier, Marquês de Lafayette](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20324/gilbert-du-motier-marques-de-lafayette/) (1757–1834).

O plano clandestino de Vergennes para ajudar os americanos foi, inicialmente, contestado por Luís XVI que, lembrando-se do aviso de Turgot, ainda estava relutante em provocar uma guerra com a Grã-Bretanha. Vergennes argumentou que era dever da França derrotar a Grã-Bretanha a qualquer custo, lembrando ao rei que:

> A Inglaterra é a inimiga natural da França... O propósito invariável e mais acarinhado da sua política tem sido, se não a destruição da França, pelo menos a sua queda, a sua humilhação, a sua ruína... Todos os meios para reduzir o poder e a grandeza da Inglaterra... são justos, legítimos e até necessários.
> (Unger, pág. 19)

O rei foi persuadido pelas palavras do seu ministro e mudou de rumo, aprovando o plano, mas o esquema de Vergennes seria em breve frustrado quando foi descoberto por agentes britânicos. Quando ameaçado com a guerra caso os oficiais franceses tivessem permissão para partir para as Américas, Luís XVI recuou. Apesar do decreto subsequente do rei, que proibia qualquer oficial francês de se aventurar nas Américas sob pena de prisão, Lafayette escapou de França a bordo do navio *Victoire*. Ao chegar às colónias, Lafayette recebeu o posto de major-general no Exército Continental, alcançando fama através dos seus feitos no campo de batalha e tornando-se um dos braços direitos de Washington. Outros oficiais franceses seguiram o exemplo, embora o plano de Vergennes para substituir Washington por Broglie nunca se tenha concretizado, uma vez que Washington recuperou rapidamente a sua popularidade.

[ ![Marie Joseph Paul Yves Roch Gilbert Motier, Marquis De Lafayette](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/14978.jpg?v=1773502265) Marie Joseph Paul Yves Roch Gilbert Motier, Marquês de Lafayette Charles Wilson Peale (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/14978/marie-joseph-paul-yves-roch-gilbert-motier-marquis/ "Marie Joseph Paul Yves Roch Gilbert Motier, Marquis De Lafayette")O heroísmo de Lafayette, o desejo público pela guerra e a persuasão de homens como Franklin e Vergennes levaram rapidamente Luís XVI a inclinar-se a favor do conflito. Quando chegaram as notícias da surpreendente vitória americana na Batalha de Saratoga, em 1777, um entusiasmo renovado pela Revolução Americana avolumou-se em França, e Luís deu finalmente autorização a Vergennes para negociar uma aliança militar com os americanos.

### A Guerra dos Bourbon

Tendo finalmente alcançado o seu objetivo de envolver a França na Guerra da Independência Americana, Vergennes entrou em ação. A 6 de fevereiro de 1778, a França reconheceu a independência dos Estados Unidos e celebrou um Tratado de Aliança com o país. Ao estabelecer uma aliança com os Bourbon espanhóis e com a República Holandesa, Vergennes apresentou a Grã-Bretanha como a agressora, declarando que esta nova coligação estava apenas a intervir para preservar a independência dos americanos. Em março, a França e a Grã-Bretanha estavam oficialmente em guerra. Embora fizesse parte da Guerra da Independência Americana, o conflito específico entre a Grã-Bretanha e a França durante este período ficou também conhecido como a Guerra Anglo-Francesa de 1778, ou, alternativamente, como a Guerra dos Bourbon.

Os primeiros anos do envolvimento da França na guerra revelaram-se infrutíferos. Uma frota comandada pelo Conde d'Estaing chegou ao largo de Nova Iorque, sob controlo britânico, no verão de 1778, mas não conseguiu entrar no porto para atacar a cidade. D'Estaing navegou então em direção a Newport, Rhode Island, na esperança de se juntar aos americanos e tomar a cidade. O ataque falhou devido a uma combinação de condições meteorológicas adversas e à falta de cooperação entre os soldados franceses e americanos. D'Estaing regressou no ano seguinte, desta vez para avançar contra Savannah, na Geórgia, também sob domínio britânico. Após um bombardeamento naval mal-sucedido, d'Estaing lançou um ataque terrestre, que foi igualmente repelido. No mesmo ano, a invasão planeada do território continental britânico, que envolvia um exército de 30 000 homens comandado por Lafayette e que deveria ser transportado através do Canal da Mancha por uma armada de navios espanhóis, foi frustrada pela eclosão de varíola entre as tripulações espanholas, pelo mau tempo e por uma flotilha britânica que se posicionou para vigiar o Canal.

A situação melhorou consideravelmente em 1780, quando 6 000 soldados franceses, sob o comando do Conde de Rochambeau, desembarcaram em Rhode Island. Ao contrário de d'Estaing, que se recusava a aceitar ordens dos americanos devido ao seu estatuto de nobreza, Rochambeau pôs de lado os seus sentimentos aristocráticos e submeteu-se ao comando do General Washington. Depois de um exército americano sob o comando de Lafayette ter encurralado um exército britânico maior na vila portuária de Yorktown, Washington e Rochambeau trabalharam em conjunto para tirar proveito da sua vantagem; enquanto Washington avançava por terra para reforçar Lafayette, uma marinha francesa cortou o acesso dos britânicos pelo mar. A rendição deste exército britânico em outubro de 1781 foi o momento decisivo que pôs efetivamente termo à guerra na América do Norte.

O 'teatro' da América do Norte revelou-se, contudo, apenas um entre muitos, uma vez que a entrada da França, da Espanha e dos Países Baixos alargou a guerra a uma escala global. A 24 de junho de 1779, os exércitos Bourbon combinados da França e da Espanha sitiaram os britânicos em Gibraltar. O cerco continuaria muito tempo depois de o teatro da América do Norte ter sido decidido em Yorktown, com o ataque final em grande escala a Gibraltar a ocorrer apenas em setembro de 1782. O cerco só foi levantado em fevereiro de 1783.

[ ![The Sortie Made by the Garrison at Gibraltar](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/15267.jpg?v=1717746726-1717746753) A Saída da Guarnição de Gibraltar John Trumbull (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/15267/the-sortie-made-by-the-garrison-at-gibraltar/ "The Sortie Made by the Garrison at Gibraltar")A guerra também se estendeu às Caraíbas e à Índia, onde as duas grandes potências ainda possuíam colónias. Após a vitória em Yorktown, a marinha francesa conquistou a Dominica, Granada, São Vicente e Tobago nas Antilhas, antes de ser finalmente travada por uma frota britânica na Batalha dos Saintes, em abril de 1782. Esta batalha naval foi considerada a maior vitória da Grã-Bretanha sobre a França durante a guerra. Na Índia, o conflito entre a Grã-Bretanha e a França levou os britânicos a atacar o aliado da França, o Reino de Mysore, desencadeando a Segunda Guerra Anglo-Mysore em 1778. O Cerco de Cuddalore, iniciado em julho de 1783, foi uma das últimas ações da guerra e terminou apenas quando foram anunciadas as conversações preliminares de paz.

À medida que o conflito se arrastava em muitas partes diferentes do mundo, a necessidade de mais fundos tornou-se cada vez mais vital. Coube a [Jacques Necker](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-20863/jacques-necker/) (1732–1804), um banqueiro genebrino que tinha sido nomeado Diretor do Tesouro de Luís XVI em 1776, a tarefa de obter esses fundos. Determinado a não aumentar os impostos, Necker financiou a intervenção da França na guerra através de empréstimos. Entre 1777 e a sua demissão em 1781, Necker angariou 520 milhões de livres em empréstimos, acumulando ainda mais dívida num Estado que já a possuía em abundância. Após a sua demissão, o seu sucessor, Joly de Fleury, sentiu-se obrigado a aumentar os impostos e angariou mais 232 milhões de livres. No final da guerra, em setembro de 1783, a França tinha gasto mais de 1,6 mil milhões de livres a combater os britânicos.

### As Consequências

O [Tratado de Paris de 1783](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-23420/tratado-de-paris-de-1783/) não contemplou a devolução à França de nenhum dos territórios perdidos na paz de 1763. Todos os territórios capturados durante a Guerra da Independência foram devolvidos aos seus proprietários originais, com exceção de Tobago e de parte da zona do Rio Senegal, que a França manteve. A Espanha recuperou a Florida e Minorca, embora Gibraltar tenha permanecido sob controlo britânico. Os Estados Unidos, naturalmente, viram a sua independência reconhecida e tornaram-se oficialmente uma nação.

Para todos os efeitos, parecia que a França tinha alcançado tudo a que se propusera. Tinha humilhado a Grã-Bretanha e privado esta das 13 colónias, enquanto, simultaneamente, recuperava o seu estatuto de potência formidável. O Rei Luís XVI, impressionado com o desempenho da marinha francesa durante a guerra, continuou a financiar o porto militar de Cherbourg, que poderia, teoricamente, servir de base para uma futura invasão da Grã-Bretanha. Este revelar-se-ia um empreendimento dispendioso que resultaria em muito pouco retorno.

[ ![Louis XVI of France](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/15307.jpg?v=1773658155) Luís XVI da França Joseph-Siffred Duplessis (Public Domain) ](https://www.worldhistory.org/image/15307/louis-xvi-of-france/ "Louis XVI of France")Quanto à própria França, o legado da sua intervenção na Guerra da Independência Americana foi uma dívida astronómica. A política de Necker de não aumentar os impostos pode tê-lo tornado querido do público, mas nada fez para aliviar o peso financeiro do Estado. De facto, Necker chegou ao ponto de publicar um relatório sobre as finanças de França em fevereiro de 1781, conhecido como Compte rendu au roi (Relatório ao Rei), no qual afirmava que as receitas correntes superavam as despesas em mais de 10 milhões de livres. Contudo, o relatório de Necker não incluía as contas extraordinárias, que continham o custo real da guerra. Se esse valor tivesse sido publicado, teria revelado que a França se encontrava num défice significativo.

A Revolução Americana continuou também a ganhar o apreço da opinião pública francesa. Muitos em França continuavam a ver a revolução como uma manifestação dos ideais iluministas. O patriotismo em França já estava em ascensão antes da Revolução Americana, mas o sucesso de tal empresa serviu como prova de que a mudança era, de facto, possível.

Sem o apoio francês, é duvidoso que os americanos pudessem ter prevalecido contra a Grã-Bretanha. No entanto, os impactos da guerra na França foram quase inteiramente negativos; apesar de ter recuperado algum prestígio e glória, a França não enfraqueceu a Grã-Bretanha tanto quanto desejava e endividou-se mais de mil milhões de livres do que anteriormente. A guerra e os gastos que a acompanharam revelar-se-iam fatais para a monarquia francesa; menos de seis anos após a assinatura do Tratado de Paris, a espiral descendente contínua das finanças francesas conduziria ao início da Revolução Francesa.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

- [Doyle, William. *The Oxford History of the French Revolution.* Oxford University Press, 2018.](https://www.worldhistory.org/books/0198804938/)
- [France in the American Revolution](https://www.battlefields.org/learn/articles/france-american-revolution "France in the American Revolution"), accessed 17 Feb 2022.
- [Savas, Theodore P. & Dameron, J. David. *New American Revolution Handbook.* Savas Beatie, 2010.](https://www.worldhistory.org/books/1932714936/)
- [Schama, Simon. *Citizens a Chronicle of the French Revolution .* Alfred A. Knopf, 1989.](https://www.worldhistory.org/books/B000VRU33Q/)
- [Unger, Harlow Giles. *Lafayette.* Wiley, 2003.](https://www.worldhistory.org/books/0471468851/)

## Sobre o Autor

Harrison Mark é pesquisador e escritor para a World History Encyclopedia. Ele é graduado pela SUNY Oswego, onde estudou História e Ciência Política.
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Mark, H. W. (2026, July 07). Envolvimento Francês na Revolução Americana. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1955/envolvimento-frances-na-revolucao-americana/>
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Mark, Harrison W.. "Envolvimento Francês na Revolução Americana." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, July 07, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1955/envolvimento-frances-na-revolucao-americana/>.
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