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title: Colonização Macedónia sob Filipe II
author: Athanasios Fountoukis
translator: Filipa Oliveira
source: https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1954/colonizacao-macedonia-sob-filipe-ii/
format: machine-readable-alternate
license: Creative Commons Attribution-NonCommercial-ShareAlike (https://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/)
updated: 2026-08-04
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# Colonização Macedónia sob Filipe II

_Escrito por [Athanasios Fountoukis](https://www.worldhistory.org/user/foufoufou/)_
_Traduzido por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira)_

Filipe II da Macedónia (359–336 a.C.) idealizou um vasto reino macedónio e a sua expansão colonial resultou na forja de um [império](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-99/imperio/) que o seu filho, [Alexandre, o Grande](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-265/alexandre-o-grande/) (reinou 336–323 a.C.), utilizaria como trampolim para feitos ainda maiores. As colónias e guarnições estratégicas e economicamente valiosas de Filipe na Tessália e na Trácia incluíram grandes cidades como Filipos e Filipópolis.

[ ![Theatre of Philippi](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/5029.jpg?v=1708703344) Teatro de Filipos Carole Raddato (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/5029/theatre-of-philippi/ "Theatre of Philippi")A sobrepopulação das cidades arcaicas na região da atual Grécia foi uma das principais motivações para as primeiras vagas de colonização no século VIII a.C. A ameaça de fome era uma das consequências principais de uma cidade sobrepovoada e uma solução consistia em enviar parte da população para uma nova colónia. Dada a distribuição desigual de terras pelas elites aristocráticas nestas cidades arcaicas, através da colonização, um cidadão não pertencente à elite tinha a oportunidade de procurar um nível de vida mais elevado. Consequentemente, ao investigar o colonialismo macedónio sob Filipe II, as razões já mencionadas para a fundação de colónias poderiam, hipoteticamente, aplicar-se a este caso. Contudo, estas não são as únicas razões por detrás da fundação de novos povoamentos. Devemos sempre ter presente que cada época e qualquer evento histórico devem ser estudados e analisados como um acontecimento único. Cada evento único foi definido e moldado por uma série de outros acontecimentos que tiveram lugar na região nessa altura. Filipe utilizou as colónias na Trácia e na Tessália para apoiar a sua rápida e feroz expansão militar. Este argumento, como veremos, pode ser sustentado pela posição estratégica, bem como pelo uso excecional que Filipe fez das colónias.

### Principais Colónias Macedónias

**Na Trácia:**

- **Crénides** – renomeada Filipos (atual Kavala, Grécia)
- **Filipópolis** (atual Plovdiv, Bulgária)
- **Cábile** (atual Yambol, Bulgária)

**Na Tessália:**

- **Gomphoi** – renomeada Filipópolis (atual Karditsa, Grécia)
- **Tebas na Ftiótida** – renomeada Filipos (atual Magnésia, Grécia)

[ ![Mapa Reino da Macedónia Aquando da Morte de Filipe II, cerca de 336 a.C.](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/19668-pt.png?v=1783173203-1784228401) Mapa Reino da Macedónia Aquando da Morte de Filipe II, cerca de 336 a.C. Simeon Netchev (CC BY-NC-ND) ](https://www.worldhistory.org/trans/pt/3-19668/mapa-reino-da-macedonia-aquando-da-morte-de-filipe/ "Mapa Reino da Macedónia Aquando da Morte de Filipe II, cerca de 336 a.C.")### O Protagonista

Pérdicas III da Macedónia (reinou 365–360 a.C.), irmão de Filipe, optara por continuar a tradição dos infindáveis massacres entre os macedónios e as tribos ilírias vizinhas do norte. Em 360 a.C., Pérdicas foi morto e as suas unidades militares foram dizimadas pelo rei rival ilírio, Bardílis. Segundo o historiador do século I a.C. Diodoro Sículo, Filipe II, descendente da dinastia argéada, sucedeu-lhe por eleição como basileus da Macedónia. Num período de 23 anos, o rei subjugou e anexou vastos territórios periféricos em redor de Pela, a capital do reino, e conseguiu superar os constantes ataques das tribos circundantes de trácios, a leste, e dos peónios e ilírios, a norte. O rei conduziu muitas campanhas para alcançar os seus objetivos estratégicos e, simultaneamente, estabeleceu colónias que não só fortificaram as suas anexações, como lhe permitiram desenvolver atividades mineiras, agrícolas e comerciais. Uma parte considerável da eficácia da posterior expansão territorial macedónia sob Alexandre, o Grande (reinou 336–323 a.C.), filho de Filipe, deve ser atribuída a estas colónias.

Segundo alguns autores antigos, nomeadamente Demóstenes (cerca de 384–322 a.C.), Filipe II era um indivíduo singular. Filipe terá desenvolvido uma força física imensa, comparada com os padrões modernos. Sofreu várias feridas graves em batalha que o deixaram marcado para toda a vida. Demóstenes descreve uma clavícula fraturada, a mutilação de uma mão e de uma perna e, claro, a sua ferida mais famosa: a perda de um olho. Adicionalmente, é importante considerar que autores como Demóstenes tendem a ser declaradamente hostis a Filipe, pelo que os seus textos e discursos continham elementos de persuasão mais intensos. Se os relatos do orgulhoso autor ateniense se aproximam de algum tipo de verdade, podemos observar algumas qualidades fundamentais da natureza de Filipe. Estas características retratam alguns valores basilares da liderança macedónia, o que indica o que a sociedade macedónia esperava dos seus governantes. Em particular, a realeza podia ser concedida ou perdida através do consenso do exército. Esta ideia ilustra a importância das conquistas militares do líder. Cada rei macedónio tinha de provar as suas capacidades militares e conquistar o respeito do exército para reclamar e manter o trono. Isolando apenas a menção de Demóstenes às suas características físicas, podemos assumir que o rei argéada era capaz de impor o respeito entre a tropa.

[ ![Philip II of Macedon (Artist's Impression)](https://www.worldhistory.org/img/r/p/500x600/12937.png?v=1718957643) Filipe II da Macedónia (Concepção Artística) Mohawk Games (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/12937/philip-ii-of-macedon-artists-impression/ "Philip II of Macedon (Artist's Impression)")### A Motivação

Uma das motivações de Filipe para fundar colónias prendia-se com os benefícios territoriais. Enquanto subjugava rapidamente as tribos vizinhas da Ilíria, Peónia e Trácia, necessitava de encontrar uma forma de manter estas anexações recentes. Na perspetiva de Filipe, a fundação de colónias nestas áreas proporcionava uma série de fatores de estabilização ao território. Em primeiro lugar, havia a colocação de guarnições macedónias para a supressão de revoltas indígenas. Em segundo lugar, eram explorados os recursos naturais regionais, tais como as vastas áreas de madeira e as minas. Em terceiro lugar, as colónias macedónias contribuíam para a segurança necessária de que as rotas comerciais terrestres regionais precisavam para florescer. Por último, as colónias providenciavam uma barreira defensiva a cada região, uma vez que eram, habitualmente, estabelecidas em posições estratégicas. Contudo, o que distinguia Filipe de outros reis colonizadores era o uso excecional que fazia das suas colónias. Exercia os seus direitos reais de forma a permitir-lhe deslocar as populações dentro do seu reino como bem entendesse. Além disso, estabelecia os seus súbditos de acordo com as necessidades da expansão. Esta estratégia permitiu-lhe administrar os seus territórios de forma mais eficiente. Quando o rei macedónio se deparava com qualquer agitação civil, transferia os suspeitos para diferentes territórios recém-anexados ou colónias, onde a mão de obra era necessária ou estava disponível.

### As Colónias Trácias

Como resultado de vários debates académicos contemporâneos e de evidências arqueológicas sobre as origens das colónias macedónias, conseguimos distinguir alguns dos seus nomes. Como pretexto para os esforços de Filipe na expansão para leste, em direção à Trácia, este explorou os pedidos de ajuda dos povos indígenas de Crénides. Os tasianos (da ilha de Tasos), já estabelecidos na região, entre outros colonos, foram provavelmente muito afetados pelos ataques contínuos das tribos trácias locais, cuja aniquilação parecia iminente. Uma série de eventos conduziu à fundação de uma das primeiras colónias macedónias. Em 360 a.C., o assassínio de Cótis, o rei odrísio da Trácia, abriu caminho para que os seus três filhos dividissem o reino entre si. Por volta de 356 a.C., o parente de Cótis, Cetríporis, que governava a região ocidental da Trácia, juntou-se a uma coligação entre ilírios e peónios contra Filipe. Os colonos de Crénides estavam também cientes da ascensão repentina de Filipe ao poder. Assim, uma vez que os tasianos ou os seus aliados, os atenienses, foram demasiado lentos a responder, viram-se forçados a suplicar pela assistência macedónia ou perecer às mãos dos invasores trácios. Por volta de 355 a.C., após o triunfo de Filipe sobre estas tribos rivais, ele reforçou Crénides com colonos macedónios e deu à colónia o seu próprio nome.

Filipos oferece-nos um exemplo excecional para idealizar um centro macedónio. O rei fortificou a colónia contra possíveis invasores trácios e peónios futuros e ordenou a drenagem dos pântanos para que a área pudesse ser cultivada. Como resultado, os colonos conseguiram extrair o máximo de recursos da terra. Filipe explorou também as minas de ouro e prata da colónia, que proporcionavam ao rei macedónio um rendimento anual de 1.000 talentos. A colónia proporcionava a Filipe um vasto rendimento anual, além da capacidade de cunhar as suas próprias moedas. Além disso, a localização meridional, quase costeira, da colónia dava ao rei a capacidade de reunir uma frota naval. Consequentemente, a existência de apoio costeiro teria frustrado quaisquer intenções de ocupação estrangeira. A posição geográfica vantajosa da colónia pode ser atestada pela acessibilidade regional. Filipe podia, a qualquer momento, invadir as tribos trácias dos tribalos ou dos getas. Além disso, a colónia ficava apenas a dez dias de marcha de Pela.

[ ![Philip II, Macedonian Silver Tetradrachm](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/806.jpg?v=1782358633) Filipe II, Tetradracma de prata macedónio Mark Cartwright (CC BY-NC-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/806/philip-ii-macedonian-silver-tetradrachm/ "Philip II, Macedonian Silver Tetradrachm")Invasões adicionais poderiam ter sido levadas a cabo, tendo Filipos como ponto de partida operacional. Por um lado, os [citas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-645/citas/) nómadas encontravam-se a 320 km (198 milhas) de distância; por outro, [Bizâncio](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-11367/bizancio/), com a sua passagem crucial para o cereal ateniense proveniente do Ponto, situava-se a 387 km (240 milhas). Ambos os alvos estavam dentro do alcance estratégico do exército. Certamente, após a refundação da colónia, as opções de Filipe para uma expansão futura tinham aumentado significativamente. Além disso, a importância de Filipos é por demais evidente pela posterior construção da grande estrada romana Via Egnatia, que passava por Filipos. A estrada ligava o sul do mar Adriático aos Dardanelos, atravessando a Macedónia e a Trácia, na atual Grécia setentrional. A área tornou-se a unidade regional de Kavala, na Macedónia Oriental, Grécia. Em 2016, a UNESCO classificou o sítio arqueológico de Filipos como Património Mundial.

Catorze anos mais tarde, enquanto Filipe já exercia o controlo sobre as minas do monte Pangeu graças a Filipos, avançou novamente para leste em direção à Trácia e anexou o vale do rio Hebro. Como acontece em qualquer evento histórico, as razões por detrás da expansão eram multilaterais. Enquanto o ambicioso governante trácio, Cersobleptes, estreitava as suas relações diplomáticas com os atenienses, Filipe anteviu a ameaça de um possível movimento de expansão. O rei argéada compreendeu que, ao capturar a Trácia, ganharia um baluarte territorial significativo contra o Império Aqueménida e [Atenas](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-292/atenas/). Por um lado, uma Trácia macedónia bloquearia quaisquer possíveis invasões persas — e os aqueménidas tinham atribuído grande importância à região nas suas invasões anteriores. De facto, os persas, ao atravessarem o Helesponto, tinham destacado o seu exército para a Trácia oriental três vezes nos últimos 150 anos. Assim, bloquear a rota de marcha mais óbvia de um dos impérios mais vastos da época era, de facto, uma ação significativa.

Por outro lado, os concorrentes gregos de Filipe, para lá das suas fronteiras meridionais, os atenienses, teriam certamente sofrido uma quebra populacional com uma captura macedónia de Bizâncio, dado ser essa a rota do seu cereal importado do Ponto. Considerando as qualidades estratégicas da Trácia, compreende-se a necessidade de Filipe fazer campanha contra Cersobleptes com grandes exércitos, como notou Diodoro Sículo. Portanto, Filipe fundou duas colónias perto das fronteiras dos seus inimigos para a segurança das suas conquistas.

[ ![Achaemenid Empire Map](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/148.png?v=1781109068) Mapa do Império Aqueménida Fabienkhan (CC BY-SA) ](https://www.worldhistory.org/image/148/achaemenid-empire-map/ "Achaemenid Empire Map")Cábile localizava-se a dez quilómetros (6 milhas) de Iambol, na atual Bulgária sudeste. Filipópolis, fundada em 342 a.C., também ostentava o nome do rei e visava controlar as rotas trácias até ao vale do rio Áxio, na Alta Macedónia. A antiga colónia tornou-se a cidade de Plovdiv, nome derivado da designação trácia antiga Pulpudeva, localizada na atual Bulgária. Estas fundações autorizaram Filipe não só a controlar a costa do Norte do Mar [Egeu](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-118/egeu/), mas também a criar alianças com as cidades-estado gregas do Mar Negro. Além disso, o rei escolhera, ou pelo menos planeava, fixar colonos provenientes de outros locais que, direta ou indiretamente, perturbavam os seus assuntos e interesses. Por isso, o historiador do século IV a.C., Teopompo, informa-nos sobre 2.000 colonos enviados para Filipópolis. As evidências são muito limitadas para a maioria das colónias de Filipe, mas podemos assumir que Cábile teria uma população semelhante à de Filipópolis.

### As Colónias Tessálias

Numerosos autores antigos referem-se à natureza espetacular da região da Tessália. Já Xenofonte (430–c. 354 a.C.), no seu livro Helénicas, comentou o comportamento hospitaleiro e magnífico dos tessálios. Para além destas perceções, [Plutarco](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-820/plutarco/) (cerca de 45–50 d.C. – cerca de 120–125), na 'Vida de Alexandre', inserida na obra *Vidas Paralelas*, elogiou a cavalaria tessália sob o comando de Alexandre, o Grande. [Heródoto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-234/herodoto/) também descreve a cavalaria tessália como "a melhor da Hélade" (*Histórias*, 7.196). Certamente, Filipe, devido à sua educação aristocrática e à semelhança dos autores antigos, estava ciente destas vantagens militares da região. Sabia que, se controlasse a Tessália, não só seria capaz de reunir uma das melhores cavalarias da região mediterrânica, como também asseguraria as suas fronteiras meridionais macedónias. Como resultado, Filipe garantiria a prosperidade da sua terra natal e proporcionaria uma noção de segurança e prosperidade aos seus súbditos. Portanto, em 358 a.C., aproveitou a oportunidade para intervir nos assuntos tessálios, quando respondeu ao pedido de ajuda dos seus vizinhos.

As razões por detrás da intervenção de Filipe começaram em 370 a.C., quando Jasão de Feras, que já tinha reunido um exército significativo para a época, foi assassinado e o seu sobrinho, muito mais autoritário, Alexandre II, ascendeu ao poder. Então, a parte ocidental da Tessália formou a Liga Tessália como contramedida aos detentores da parte costeira oriental da Tessália. Ironicamente, em 358 a.C., o sobrinho teve o mesmo destino que o seu tio. Cineias de Larissa, enquanto representante da Liga, pediu então ajuda aos macedónios, o que, pelo menos inicialmente, se restringiu a medidas diplomáticas antes de progredir para meios mais agressivos. Deve sublinhar-se que a condição financeira da Liga, devido aos conflitos contínuos, era excecionalmente precária. Por volta de 353 a.C., Filipe, após lidar com os ambiciosos descendentes de Jasão e com os aliados focenses, saqueou e subjugou o resto da Tessália. Entre as cidades saqueadas, renomeou a cidade de Gonfos como Filipópolis e alterou o nome de Tebas na Ftiótida para Filipos. A primeira colónia pode ser encontrada hoje na região de Carditsa, na Grécia central moderna, enquanto a segunda pode ser localizada na pequena aldeia grega de Mikrothivai, na unidade regional de Magnésia. Subsequentemente, Filipe vendeu uma parte das populações dizimadas como escravos, lucrando imenso com a venda.

[ ![Greek Phalanx](https://www.worldhistory.org/img/r/p/750x750/2567.jpg?v=1772151125) Falange Grega CA (Copyright) ](https://www.worldhistory.org/image/2567/greek-phalanx/ "Greek Phalanx")Os acontecimentos e a reorganização da Tessália sob o envolvimento de Filipe conduziram a uma ocasião notável: a eleição, pela Liga Tessália, de um rei estrangeiro como arconte vitalício. Isto indica uma elevada admiração e a submissão da aristocracia tessália ao poder da Macedónia. O rei da Macedónia e arconte conseguiu colocar à sua disposição tanto a população como os recursos de uma região que eram, pelo menos, iguais aos do reino macedónio em 359 a.C. Deste modo, as duas províncias foram capazes de reunir pelo menos 3.000 unidades de cavalaria de excelência e 30.000 unidades de infantaria pesada. Além disso, a fundação das colónias tessálias indicou a intenção de Filipe de melhorar a sua cavalaria, obtendo acesso à raça aparentemente única das pastagens da Tessália. Finalmente, assegurou o seu reino meridional contra ataques ou invasões esperadas de outras cidades-estado gregas.

### As Guarnições Macedónias

Segundo Diodoro, Filipe reforçou a colónia de Filipópolis, na Trácia, com uma guarnição. O estabelecimento de guarnições em locais-chave da Trácia surgiu da necessidade de os "manter sob controlo". A imposição das guarnições foi acompanhada por um imposto de dízimo; a introdução de impostos anuais e a reorganização das fortificações macedónias indiciam uma tendência para a criação de uma estrutura administrativa na Trácia. Esta implicação tornou-se mais clara quando Filipe criou o cargo administrativo de *strategos* para administrar a região. Outra demonstração de um plano administrativo acompanhando a imposição de guarnições pode ser detetada alguns anos antes na Tessália, em 344 a.C. Filipe restaurou as antigas tetrarquias, os quatro distritos administrativos da Tessália, e estabeleceu uma decadarquia (uma assembleia administrativa), que reforçou com guarnições. Adicionalmente, atribuiu um governador a cada distrito. Assim, Filipe idealizou as guarnições como uma ferramenta para impor a sua autoridade administrativa e oferecer proteção ao status quo regional. Além disso, existem evidências de que Filipe também instalou guarnições em territórios recém-conquistados.

Aproximadamente dois anos antes do sistema de administração interna da Tessália, Filipe já tinha instalado uma guarnição em Niceia, localizada a leste da passagem das Termópilas. A manutenção da famosa passagem era crucial para o seu futuro acesso ao coração dos territórios das cidades-estado gregas. Por último, outro exemplo do uso de guarnições por Filipe pode ser comprovado pelas suas ações após a Batalha de Queroneia, em 338 a.C. A última batalha famosa de Filipe com o seu filho Alexandre (antes de este se tornar "o Grande") ao seu lado foi caracterizada por um triunfo sobre os tebanos e atenienses, conduzindo à dependência das cidades-estado gregas sob o rei macedónio. Filipe, para assegurar os territórios "conquistados pela lança" e evitar futuros conflitos com as populações locais, aboliu as suas hegemonias e instalou oligarquias pró-macedónias e guarnições permanentes em Ambrácia, Tebas, [Corinto](https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-218/corinto/), Cálcis e, provavelmente, Mégara. Assim, como característica geral das guarnições macedónias sob Filipe, nota-se que ele as utilizou como uma ferramenta de imposição do seu governo.

Em suma, as colónias que Filipe fundou proporcionaram uma estrutura expansiva generalizada nos seus territórios recém-conquistados, permitindo ao rei angariar uma multiplicidade de vantagens sociais, militares e económicas. O rei macedónio alcançou o que nenhum outro dos seus ancestrais argéadas jamais conseguiu nos primeiros 18 anos do seu reinado. Em quase duas décadas, duplicou a dimensão do reino anteriormente diminuído. Reuniu tanto uma frota naval como um exército de infantaria capazes de trazer o caos e o desespero a um dos maiores impérios do mundo conhecido: o Império Aqueménida.

#### Editorial Review

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## Bibliografia

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- Demosthenes. *On the Chersonese.*
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- [Diodorus Siculus. *Diodorus Siculus.* Harvard University Press, 1933.](https://www.worldhistory.org/books/0674993071/)
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- Xenophon. *Hellenica.*

## Sobre o Autor

Um historiador, que obteve uma licenciatura em História e Etnologia na Grécia, e um mestrado em História Antiga nos Países Baixos. É fascinado pela história antiga das culturas marítimas e nómadas.

## Perguntas & Respostas

### Quem foi Filipe II da Macedónia?
O pai de Alexandre, o Grande, Filipe II da Macedónia, foi um rei e comandante militar de grande prestígio por mérito próprio, tendo preparado o terreno para a vitória do seu filho sobre Dário III e para a conquista da Pérsia.


### De que forma as colónias ajudaram as campanhas militares de Filipe II?
As colónias contribuíram para as campanhas militares de Filipe II, em primeiro lugar, através da instalação de guarnições macedónias destinadas à repressão das revoltas indígenas. Em segundo lugar, foram explorados os recursos naturais da região, tais como as vastas áreas florestais e as minas. Em terceiro lugar, as colónias macedónias contribuíram para garantir a segurança necessária ao florescimento das rotas comerciais terrestres da região. Por último, as colónias constituíram uma barreira defensiva estratégica para cada região.

### Como é que o Império da Macedónia começou e terminou?
O Império da Macedónia teve início durante o reinado de Filipe II, com os seus esforços de colonização e a criação de guarnições, servindo de trampolim para o seu filho Alexandre, o Grande, que conquistou a Pérsia. As conquistas de Alexandre na Pérsia, no Egito e no Levante marcaram o Império da Macedónia. Em 323 a.C., a sua morte na Babilónia significou o fim do império.


### Por que razão era conhecido o Império da Macedónia?
O Império da Macedónia era conhecido pela unificação e helenização de regiões da Europa com a Ásia e a África, tornando-se assim um dos maiores impérios do mundo. Alexandre, o Grande, uniu sob o seu império a cidade isolada de Pella, na atual Grécia do Norte, com Alexandria-Eschate, na atual Khujand, no Tajiquistão.


## Cite Este Artigo

### APA
Fountoukis, A. (2026, August 04). Colonização Macedónia sob Filipe II. (F. Oliveira, Tradutor). *World History Encyclopedia*. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1954/colonizacao-macedonia-sob-filipe-ii/>
### Chicago
Fountoukis, Athanasios. "Colonização Macedónia sob Filipe II." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, August 04, 2026. <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1954/colonizacao-macedonia-sob-filipe-ii/>.
### MLA
Fountoukis, Athanasios. "Colonização Macedónia sob Filipe II." Traduzido por Filipa Oliveira. *World History Encyclopedia*, 04 Aug 2026, <https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1954/colonizacao-macedonia-sob-filipe-ii/>.

## Licença & Direitos de Autor

Enviado por [Filipa Oliveira](https://www.worldhistory.org/user/filipaoliveira/ "User Page: Filipa Oliveira"), publicado em 04 August 2026. Consulte a(s) fonte(s) original(ais) para informações sobre direitos de autor. Note que os conteúdos com ligação a partir desta página podem ter termos de licenciamento diferentes.

